História We Found Love In a Laundry - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Taeyeon, Tiffany
Tags Snsd, Taeny
Visualizações 220
Palavras 4.027
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Fluffy, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Logo avisando que esse capítulo não é nada feliz.
Acho que esse capítulo não está repassando de forma certa o que eu queria passar, mas com o tempo a história vai se completando e se tornando cada vez mais clara.
Sim, o POV é unicamente da Jessica.

Não tenho muito o que dizer, porque eu to triste com esse capítulo. Mas é necessário.

Capítulo 6 - I Hate That I Love You.


Fanfic / Fanfiction We Found Love In a Laundry - Capítulo 6 - I Hate That I Love You.

Jessica:

 

                Eu estava beijando Yuri mais uma vez depois de tantos anos. Eu juro que não sei o que estava acontecendo comigo, eu prometi pra mim quando criei coragem de me libertar dela que jamais me permitiria cair em seus braços novamente, jamais iria me entregar pra ela e deixar que meus sentimentos falassem mais alto do que a razão em qualquer circunstância e com qualquer outra pessoa...e agora estou fazendo completamente o oposto de tudo que havia prometido pra mim mesma; eu estava traindo a mim mesma e ignorando tudo o que passei. Confesso que por mais que me parecesse extremamente errado trair o meu próprio orgulho, eu queria que tudo que aconteceu de ruim entre nós fosse apenas um sonho ruim (quase um pesadelo) e que pudéssemos estar juntas de novo.

 

                Quando o ar nos faltou, Yuri manteve nossas testas coladas, saí das pontas dos pés, fiz minhas mãos escorregarem até o seu rosto, passando a acariciar sua bochecha com o polegar. Nossas respirações estavam um pouco irregulares e meu coração batia muito forte e rápido. Yuri ainda mantinha seus braços enlaçados em minha cintura e eu não tinha coragem de abrir meus olhos, não queria ter de encarar os olhos dela tão de perto. Era algo arriscado demais pro meu emocional.

 

- Eu te amo... – ela soltou e aquilo me incomodou tanto, porque em vez de fazer me sentir bem, me machucou. – Eu te amo tanto, Sica-ah...eu não aguento mais essa situação.

 

- Você deveria ter dito e demonstrado isso há um bom tempo atrás, não acha? – suspirei e tive de me afastar. Abri a porta e esperei ela passar. – Acho que é melhor você ir agora. Tenho que resolver algumas coisas da faculdade.

 

- Tu-tudo bem... – assentiu e ficou um pouco perdida, passou as costas da mão em seu nariz, ainda sem saber muito o que fazer, passou as mãos pelos cabelos negros e suspirou antes de levantar a cabeça e piscar inúmeras vezes.

 

                Esse era o jeito dela de evitar chorar na minha frente quando a vontade de o fazer se tornava enorme. Abaixei minha cabeça e mordi meu lábio inferior, qual ainda formigava e ainda podia sentir a textura de seus lábios sobre os meus, tentando afastar a vontade de chorar que insistia em se aproximar.

 

- Sinto muito... – ela disse ao se aproximar e eu levantei meu rosto, forçando um sorriso. – Por tudo...

 

- Não tem problema. – me esforcei pra evitar a cara de choro, mas não consegui e voltei a abaixar minha cabeça, dessa vez tendo uma de minhas mãos sobre minha boca.

 

- Eu vou mostrar pra você que eu mudei, eu não sou mais aquele monstro...acredite em mim. – ela disse antes de deixar um beijinho no topo de minha cabeça, logo saindo pela porta.

 

                Fechei a mesma e então pude desabar em lágrimas, fui em passos lentos até o sofá e gritei contra uma almofada, passando a soluçar enquanto chorava abraçada a mesma. Ouvi alguns risinhos e paços vindos do corredor e nem me dei ao trabalho de tentar disfarçar minha tristeza, os risinhos foram diminuindo gradativamente e pude ouvir Tiffany dizendo que teria de conversar comigo e que depois falava com a Tae. Taeyeon veio me dar um beijo e disse pra que eu ficasse bem, assenti, mas eu não iria ficar bem tão cedo. Tiffany levou Taeyeon até a porta e as duas se despediram, então Tiffany sentou ao meu lado e me abraçou pelos ombros, me fazendo deitar minha cabeça sobre seu peito.

 

- O que houve? – ela perguntou em um tom carinhoso.

 

- Eu odeio aquela desgraçada da Yuri! – gritei entre soluços.

 

- A Yuri te fez algo? – assenti. – O que ela fez? – perguntou confusa.

 

- Me fez amar ela. E odeio ter que admitir isso depois de tanto tempo. – falei e Tiffany se afastou para olhar em meus olhos e ela estava um pouco impressionada demais com a informação.

 

- “Depois de tanto tempo”? Como assim? – ela perguntou.

 

- Yuri é a minha ex-namorada, Tiffany. – confessei e ela ficou um pouco sem reação, diria que até impressionada. – É, eu sei. “INACREDITÁVEL” é o que você deve estar pensando. – ri antes de dar uma fungada. – Tudo bem, não precisa se sentir mal por isso. Isso é só uma consequência. – suspirei.

 

Flashback [ON]

 

                Na época em que eu ficava com Taeyeon, no início do segundo ano do ensino médio, eu via que Yuri evitava se aproximar muito quando nós estávamos juntas, eu não seria hipócrita de dizer que não sabia o motivo, porque Yuri desde que me conheceu que tentava ter alguma coisa comigo, por mais que fosse só um fica. Eu a achava bonita, gente boa, mas não queria nada mais sério com ela, com a Taeyeon eu até cogitei avançar um pouco mais, ter algo mais sério, mas ela começou a gostar de outra pessoa e resolveu “terminar” o que tínhamos. Foi bem fofo da parte dela, porque ela me explicou toda a situação, até me pediu desculpas, mas não era algo tão sério, a gente só não iria mais “se pegar”.

 

                Nisso Yuri viu uma oportunidade.

 

Na saída da escola...

 

- Hey, Jessica! – ela me chamou e eu parei de andar, esperando ela se aproximar. – Tá indo pra casa?

 

- Se eu to saindo da escola com fome, com sono e morta de cansada, é claro que eu vou pra casa, né Yuri? – comentei rindo e ela riu coçando a nuca.

 

- Desculpa pela pergunta idiota. – ela disse e eu tive de rolar os olhos. – Enfim, posso te acompanhar?

 

- Não precisa se preocupar, não sou nenhuma criancinha. – tentei evitar trabalho pra ela, mas ela juntou as mãos.

 

- Por favor. – fez biquinho.

 

- Tá... – fiz uma careta em estranheza e ela comemorou, passamos a andar e conversar sobre as aulas, que logo o assunto se estendeu pra várias outras coisas.

 

                Conversa vai, conversa vem, ela tocou no assunto que eu sabia que um momento ou outro ela iria tocar.

 

- Hm...Jessica? – me chamou e eu olhei pra ela. – Você e a Taeyeon...ér...não estão mais---

 

- Não. – respondi logo.

 

- Ah...e já tem alguém em vista? – perguntou um pouco curiosa e eu ri, resolvendo brincar.

 

- Sim, tem muita gente que gosta de mim há algum tempo, acho que vou dar uma chance pra alguém. – dei de ombros.

 

- Ah, entendo... – o tom dela murchou.

 

- Mas por que a pergunta? – resolvi jogar ela contra a parede.

 

- Na-nada...

 

- Não se preocupe, pode dizer. – insisti.

 

- Não é nada, sério. – ficou um pouco nervosa.

 

- Uhum, acho que com certeza não é nada. Vou tirar minhas conclusões durante a semana. – dei de ombros.

 

- Como assim? – ela franziu o cenho.

 

- Eu reparei que você evita ficar perto de mim e da Tae quando estamos juntas. Se durante essa semana você continuar distante, normal, não é nada. Mas agora que você sabe que eu e ela não temos mais nada, você se reaproximar, aí eu vou ter certeza. – expliquei segurando um riso ao ver a tensão tomar seu rosto. – Eu não sou burra, Kwon.

 

- Ter certeza de que? – ela perguntou.

 

- Que você ou tem interesse na Tae, ou...em mim. – falei olhando pra ela e ela riu completamente nervosa.

 

- De onde você tirou isso? Até parece. – ela pigarreou e eu ri rolando os olhos. – Que bobeira.

 

- Ok... – assenti. – Vou fingir que há alguns meses atrás você não pedia pra ficar comigo quase todos os dias.

 

- YAH! – berrou e eu ri da expressão envergonhada e embravecida dela.

 

                Essa foi uma das primeiras conversas que tivemos apenas nós duas, o resto era mais em grupo. Bom, preciso mesmo dizer que o que eu disse foi dito e feito? Yuri realmente voltou a se aproximar mesmo quando só estava eu e a Taeyeon conversando. O que era engraçado, porque ela de alguma forma tentava mostrar pra Taeyeon que ela estava ali. Tanto que Taeyeon veio me perguntar se eu não percebia esse interesse da Yuri.

 

                Acabou que Yuri decidiu se aproximar de mim e quando digo se aproximar, é se aproximar MESMO! Ela ia bastante na minha casa, conversávamos muito, ela vivia pra me irritar, mas de certa forma eu gostava disso, me fazia rir bastante e isso acabou me fazendo vê-la com outros olhos. Antes eu achava que ela nunca poderia fazer o meu tipo, mas na verdade ela era o meu tipo. Sim, eu estava apaixonada por ela, mas nunca quis confessar porque nunca fui boa nisso.

 

                Só que durante uma tarde de um final de semana qual ela estava passando em minha casa, em meio a uma brincadeira onde ela me fazia cócegas, ela acabou me beijando. Depois desse beijo, nós passamos o resto do dia em um doce todo. E foi aí que as coisas desandaram dentro de mim.

 

                Eu acreditei que algo tinha mudado.

 

                Quando na verdade só tinha mudado pra mim.

 

                Quando semana se iniciou, trazendo consigo mais um dia de aulas, eu imaginei que poderia ficar perto dela, sabe? E eu procurei por ela na hora do intervalo, perguntei pras meninas se elas não sabiam onde ela tinha se metido, mas ninguém sabia. A única que ainda conseguiu me dar uma luz foi a Taeyeon, dizendo que ela tinha ido beber água durante a aula e não tinha aparecido até então. Eu não sei se foi burrice minha ou sei lá, mas eu inventei de procurar por ela e infelizmente a encontrei. Lembro de tudo como se estivesse vendo aquilo acontecer mais uma vez na minha frente.

 

                Em frente ao banheiro. Ela e outra garota. Beijos e algumas mãos bobas. E eu...parada atrás de alguns armários, observando tudo aquilo. Sabe, eu não consigo explicar com exatidão como eu me senti vendo aquilo. Eu me senti usada, me senti exposta, me senti fácil, me senti um lixo. Me senti burra por ter achado que eu seria alguém importante pra ela, eu sabia que o beijo poderia ter acontecido pelo calor do momento, mas eu não pensei que fosse ter que ver ela aos beijos com outra no dia seguinte. Era um sentimento tão ruim e devastador.

 

                Não consegui voltar pra aula, me refugiei na biblioteca e chorei o que pude. Mal sabia eu que aquela seria apenas a primeira decepção que Yuri iria me causar.

 

                Meses depois, vendo ela ficar com várias na minha frente e mesmo assim insistindo em ter algo comigo, Yuri disse que gostava de mim, que queria algo mais sério e que abandonaria todas por mim. E eu acreditei nela. Começamos a namorar, mas com uma maldita condição; Ninguém poderia saber do nosso namoro, nem mesmo nossas amigas. E eu era tão apaixonada por ela, queria tanto que ela me retribuísse, que aceitei essa condição sem ao menos pensar no inferno que isso seria.

 

                Nosso namoro era maravilhoso, tudo o que eu sempre quis, mas apenas quando estávamos a sós. Quando estávamos na escola, fingíamos ser apenas amigas e aquilo me machucava muito, porque isso era jogado na minha cara todos os dias, eu não podia surtar de ciúmes na frente dos outros quando alguma vadia se atirava na Yuri, caso contrário nós iriamos ter problemas entre nós. Inúmeras vezes fomos interrogadas sobre estarmos ou não “tendo algo” e Yuri sempre tratava de dizer: “De onde você tirou isso? Nós somos apenas amigas, não é Sica?”.

 

                Todos os dias eu tentava me enganar dizendo que isso era melhor pra nós duas. Me forçava a acreditar que aquilo não era apenas um caso de adolescentes. De tanto me forçar a acreditar em uma mentira, desenvolvi ansiedade e Yuri não parecia se importar com meu problema, na verdade, aquilo parecia ser um trabalho a mais pra ela. Devido a ansiedade, a insônia também chegou e isso estava me destruindo fisicamente, meu médico me receitou remédios pra dormir e assim eu conseguia ter uma noite de sono mais normal.

 

                O final do ensino médio chegou, com isso Yuri passou a sair mais com as amizades dela que eu não gostava porque eu sabia que eles não iriam acrescentar em nada na vida dela, mas eu nunca tive voz pra ela, nunca fui alguém com quem ela se importou em escutar pelo menos uma vez, eu só era uma companhia pros momentos sozinhos dela, pros momentos de luxúria e pra consolar ela quando estivesse triste, nunca como uma mulher que amava ela de verdade e que também precisava ser amada. Pra mim era maravilhoso quando ela tirava um dia pra ficar apenas comigo. Mas em um desses dias não foi tão bom quanto eu esperava.

 

- Yul, você vai dormir aqui? – perguntei e ela assentiu, meu sorriso não poderia ser maior, teria ela pra mim por mais tempo, mas o celular dela tocou. – Quem é?

 

- MinHo. – ela disse e atendeu. Eu já sabia onde isso ia acabar. – Hey MinHooo! SÉRIO? Caralho, não posso perder isso. Que horas? Beleza, daqui uns trinta minutos eu chego aí. Beleza, te vejo daqui a pouco. – e desligou. – Sica-ah, vou ter que cair fora, foi mal, não vai rolar dormir aqui hoje.

 

- Você vai me deixar aqui pra ir pra só Deus sabe onde com o idiota desse MinHo? – gritei.

 

- Ah, nem começa, Jessica. Nem começa! – ela se estressou já se levantando. – Amanhã a gente se fala.

 

- Porra Yuri, eu achei que a gente ia passar um tempo juntas, eu sou sua namorada e eu deveria ter um pouco mais de atenção! – me levantei também e ela respirou fundo irritada. – Você não se importa nem um pouco sobre como eu me sinto vivendo assim?

 

- NÃO! NÃO ME ENCHE A PORRA DO SACO! – ela gritou se aproximando ameaçadoramente de mim. – A GENTE SÓ NAMORA! VOCÊ SÓ É A PORRA DA MINHA NAMORADA, CARALHO! NÃO É MINHA MULHER, ENTENDEU? E ISSO NÃO TE DÁ O DIREITO DE MANDAR OU DESMANDAR NA MINHA VIDA. ME DEIXA FAZER O QUE EU QUERO!

 

- Engraçado que EU não posso fazer o que eu quero, porque VOCÊ, “a porra da minha namorada”, não admite que eu faça algo que você não concorda. – soltei uma risada completamente decepcionada com ela, enquanto tentava não soluçar muito forte.

 

- Você tá me tirando do sério. Acho melhor você parar e ficar quietinha, você é melhor de boca fechada. – ela disse apontando o dedo na minha face.

 

- Viu? Além de ser covarde o suficiente pra não me assumir pra absolutamente ninguém, não aceita quando eu abro minha boca pra falar a porcaria de ser humano que você é. Não é porque seus amigos tratam as namoradas dele dessa forma que você tem que me tratar assim também. Aposto que você deve me trair igual eles traem as namoradas. Sabe por que? Porque você não presta, Yuri. – falei e assim que fechei minha boca, um tapa foi desferido com muita força na minha cara.

 

- Eu deveria mesmo trair você, você merece muito ser corna. – ela disse com tanto nojo e desprezo que foi impossível segurar os soluços e evitar que meu choro se intensificasse.

 

                Ela foi embora e sinceramente, aquela não era a primeira vez que eu era agredida verbal e fisicamente, Yuri tinha se tornado uma pessoa horrível após se juntar com a turminha do MinHo, que eram os vândalos vagabundos da escola e por mais que fossem extremamente nojentos e babacas, eles eram populares por serem contra as regras. Não sei como ela se envolveu com eles, mas sei que era bem frequente ela ficar altamente bêbada e me ligar pedindo pra buscar ela em lugares estranhos ou em alguma balada, me agredir e ser escrota gratuitamente.

 

                Por tanto andar com eles, Yuri começou a ter problemas com bebidas.

 

                Naquele mesmo dia, tomei uns três comprimidos pra dormir, mas de nada adiantou, só me senti um pouco fraca, mas o sono não veio. Por volta das 2h da manhã, ela me ligou completamente bêbada e estava chorando, me pedia mil perdões por ter me machucado, que ela não queria ter o feito, mas tinha perdido o controle. Nada de novo, porque era sempre assim. Acabei perguntando onde ela estava, ela disse e eu, como a bela idiota que eu era e ainda sou, fui buscá-la, tendo o maior cuidado para meus pais não acordarem.

 

                Não sei se vocês já chegaram a ver sua namorada ou namorado, ou qualquer pessoa que você ame muito, jogado em um banco de praça completamente bêbado e desacordado, fedendo a álcool, mas se nunca chegou a ver uma cena dessas, espero do fundo do coração que nunca passe por isso, porque é horrível. Yuri vivia assim, porque os “amigos” dela não estavam dispostos a ter de carregar uma bêbada.

 

                Chamei um táxi e ajudei Yuri a entrar no mesmo, eu estava muito magoada com ela, estava chegando no meu limite, mas não conseguia imaginar o que aconteceria se eu deixasse ela, ela poderia acabar piorando, não poderia? Mas eu me sentia cansada e como eu pensei mais nela do que em mim desde o início, nosso relacionamento desandou completamente. Eu estava desgastada e sem forças pra continuar um relacionamento que durou quase dois anos. Um relacionamento completamente abusivo que eu tinha esperanças que um dia desse certo através do amor que eu sentia por ela.

 

                Mas meu amor não parecia ser o que ela precisava pra ser feliz.

 

                Cheguei em casa com Yuri e a levei pro meu quarto, dei um banho rápido nela, vesti nela umas roupas que ela havia deixado em minha casa pra casos de emergência como esse e a deitei em minha cama. Tomei mais um remédio pra dormir, mas, mais uma vez, sem sucesso. Passei a noite em claro, chorando e pensando em como iria conversar com ela. Porém, enquanto ela dormia, um sussurro saiu por sua boca.

 

- Sica...eu...te...amo.

 

                Eu esperei muito tempo pra ouvir aquilo da boca dela, mas não naquelas condições. Não com ela bêbada e dormindo. Eu queria que ela me amasse sóbria, eu queria um amor real e aquilo estava longe de ser um amor. Aquilo era apenas sofrimento e eu não aguentava mais viver daquele jeito.

 

                Por volta das 10h ela acordou e eu ainda estava acordada. Já havia buscado um analgésico e água e assim que ela sentou na cama entreguei o comprimido e o copo d’água, qual ela tomou rapidamente e me dirigiu um pequeno sorriso.

 

- Obrigada por me deixar dormir aqui. – ela disse e apenas movimentei o canto de minha boca numa falha tentativa de sorrir. – Sica----

 

- Yuri, acabou. – soltei o que planejava do melhor jeito que encontrei. Sem enrolações e o mais diretamente possível.

 

- Hã?

 

- Acabou. Eu não quero mais continuar com você. Terminamos. – me esforcei ao máximo para me manter firme, sem chorar e com muito afinco consegui.

 

- Como assim “Terminamos”, Jessica? Você vai me deixar? – ela perguntou já se desesperando.

 

- Sim, Yuri. Vou te deixar, da mesma forma que você me deixou por muitas vezes. Mas existe uma diferença... – fiz uma pausa. – Não estou te deixando por outra pessoa, estou te deixando por mim. Eu não mereço sofrer tanto assim.

 

- Sica, pelo o amor de Deus, não faz isso comigo. – ela se ajoelhou e segurou minhas mãos.

 

- Eu estaria rindo dessa cena se isso não doesse tanto em mim e fosse tão difícil de fazer. – sorri tristemente. – Por quantas vezes “não faz isso comigo” saiu da minha boca e você simplesmente fingiu que não ouviu? Por quantas vezes eu tive que esconder as marcas que você causou em mim, tanto físicas quanto sentimentais e psicológicas? Por quantas vezes eu me senti um lixo por sua causa? Por quantas vezes eu chorei por te amar, mesmo sabendo que esse amor não é bom? Por quantas vezes, Yuri? – fiz uma pausa e ela estava chorando em silêncio. – Por quantas vezes? – soltei minhas lágrimas. – Você vem me matando por dentro lentamente durante esses dois anos.

 

- Eu posso mudar. Me dá mais uma chance.

 

- Eu te dei chances demais, Yuri. Você não sabe quantas. – ri soprado. – Nosso relacionamento me faz mal...Você me faz mal. Então se você quer me ver feliz, saia da minha vida e me deixe viver sem você. – me livrei das mãos dela e me pus de pé. – Agora eu peço pra você que saia da minha casa, quanto antes eu estiver livre de você, mais perto eu vou estar de ser feliz. – ela tinha a cabeça baixa e era possível ver as gotas de lágrimas caindo sobre o edredom. – Não se preocupe, eu não vou mais ser “a porra da sua namorada”, você está livre de mim e eu de você. Nós duas acabamos ganhando nisso.

 

                Ela sem dizer nada, se levantou e seus olhos transpareciam arrependimento, mas eu não iria voltar atrás, não agora. Ela foi embora e eu chorei, chorei até agarrar no sono. Depois do nosso término, passei a tomar remédios para dormir todos os dias e isso acabou trazendo alguns probleminhas para minha saúde, tive de ir ao hospital e passei quase dois dias lá, o médico resolveu tirar o remédio de mim e isso de certa forma me ajudou, porque foi mais uma coisa que eu deixei pra trás que me fazia lembrar dela.

 

                Quando fiz 19 anos, fui morar na casa da Taeyeon. Eu passei a me relacionar com muitas pessoas, mas após Taeyeon terminar com a SunMi, me dediquei a cuidar dela, com o tempo, voltei a ativa e cada dia era uma pessoa diferente, e eu me sentia mal por estar assim, porque eu não conseguia ter algo sério com mais ninguém. Eu tinha medo de todos serem como a Yuri. Mas ninguém conseguia substituí-la por melhor que fosse. Era ela quem eu amava.

 

                Taeyeon e eu depois de uns dois ou três anos morando juntas, passamos a nos relacionar também, era só sexo, mas ela foi a pessoa que eu mais senti carinho e me importei além do sexo, já que sempre fomos muito amigas.

 

                Taeyeon também não me deixava esquecer de Yuri, porque nós sempre marcávamos de encontrar as meninas da escola, nisso Yuri e eu acabávamos nos vendo frequentemente. Mas como o tempo passou, eu só me sentia um pouco incomodada e sei lá, era estranho estar no mesmo ambiente que ela. Mas sempre fizemos como com o nosso relacionamento; mantivemos segredo. Nada nunca mudou.

 

Flashback [OFF]

 

- Meu Deus...eu não acredito que a Yuri tenha sido assim. – Tiffany disse.

 

- Pois é...mas ela parece ter mudado, sabe? E é por isso to deixando ela se reaproximar, mas é impossível esquecer o que aconteceu no passado. – suspirei. – E enquanto você estava com a Taeyeon no quarto, eu acabei beijando a Yuri. Senti que estava me traindo, por mais que eu ainda a ame e sinta muita falta dela.

 

- Por que você não tenta conversar com ela?

 

- Não Tiffany, não é tão simples. Você simplesmente conversaria com aquela pessoa se ela parecesse ter mudado e dissesse que te ama? – perguntei dando uma risada triste.

 

- Não...

 

- Exatamente. Eu não acho que consigo voltar pra Yuri, a mudança que eu vi até agora não é suficiente pra me fazer querer isso. Saudade eu sinto, amor eu sinto, mas sinto muito mais dor. – suspirei. Depois de um tempo dei alguns tapas em meu rosto e sorri. – Mas e a Taeyeon e você? Como tem ido?

 

- Nossa, Taeyeon é um amorzinho. – Tiffany disse toda apaixonadinha. – E muito boa de cama. Meu Deus do céu... – arfou.

 

- Eu não disse? – ri.

 

- Sim, mas eu não imaginei que fosse TANTO. – ela disse.

 

- Como foi? – perguntei e Tiffany se ajeitou no sofá pra me contar tudo detalhadamente. Como eu já havia transado tanto com Tiffany, quanto com Taeyeon era fácil imaginar as duas nuas se pegando.

 

                Minha conversa com Tiffany sobre Taeyeon serviu pra me distrair um pouco, mas Yuri ainda estava nos meus pensamentos e eu me perguntava se mesmo depois de sete anos ela tinha realmente mudado ou continuava a mesma. Se ela tiver mudado ela vai querer me mostrar isso e eu espero que realmente tenha mudado. Só assim podemos ter um futuro, Yul...só assim.


Notas Finais


Sim, Yuri era uma filha da puta.
Sim, a história das duas foi bem resumida, mas isso é só o primeiro flashback da Jessica, ainda virão os da Yuri.
Espero que tenham gostado. <3


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