História We Need To Talk About Albus. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Exibições 25
Palavras 2.636
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 1 - Entrada.


– Você possui algum objeto pontiagudo com você? – Questionou-me a mulher da recepção. Ela possuía algumas olheiras e seu cabelo estava meio desarrumado, porém aparentava estar de bom humor. – Algo como chaves, canivetes... Facas?

Eu a olhei assustado e ela sorriu de leve como se tentasse me confortar. Mexi em meus bolsos e entreguei para a moça as chaves que tinha de casa. Ela pegou um saco plástico em uma de suas gavetas e escreveu meu nome colocando as chaves dentro do saco.

– Preciso que me entregue os cadarços de seus tênis, igualmente como seu cinto e qualquer pulseira ou colar que estiver usando.

– Por que?

A mulher sorriu para mim mais uma vez.

– Temos que nos precaver.

Assenti e entreguei para ela o resto de meus pertences, aos quais guardou no mesmo lugar onde estava minhas chaves.

– Albus Potter? – Um homem de cabelos até os ombros se voltou para mim. Ele tinha uma prancheta em mãos e usava um chapéu no estilo Frank Sinatra.

– Sim? – O cara sorriu e pousou uma das mãos em meu ombro.

– Me acompanhe, por favor.

Segui o homem até o elevador e paramos no terceiro andar. Havia uma porta enorme de vidro e grades. O cara ao meu lado fez um aceno para um dos guardas do outro lado do portão que apertou um botão abrindo a porta com um barulho altíssimo.

O lugar seguinte era diferente do resto, as paredes possuíam uma coloração azul e havia algumas pessoas no corredor. Nenhum dos funcionários usava os uniformes verde-água que eu havia visto nos outros andares, apenas um crachá de identificação.

– Hã, onde estamos exatamente, – Parei para ler o crachá do homem ao meu lado – Edward?

Ele sorriu enquanto escrevia alguma coisa em sua prancheta.

– Por favor, me chame de Teddy. – Seus olhos subiram para me encarar – 3º Norte, Psiquiatria Adulta.

– Psiquiatria adulta? – Senti um frio estranho em minha barriga – Mas eu só tenho 16 anos!

– Eu sei, Al... Mas o outro andar está em reformas, então todos os adolescentes estão aqui.

– Não me chame de Al. – Disse e Teddy me encarou por uns segundos antes de avistar alguém atrás de mim.

– Ei, Dra. Minerva! – Me virei e vi uma senhora se aproximando de nós dois – Este é nosso mais novo paciente, Albus Potter.

– Olá, Albus! – Ela sorriu e estendeu a mão para mim – Seja muito bem-vindo! Como você está, querido?

– Apenas, bom... você sabe. – Disse um pouco direto e ela me deu um sorriso parecido com o da mulher da recepção.

– Entendo. Bom, que tal você terminar de se instalar e nós voltamos a conversar mais tarde, pode ser? – Eu assenti. – Foi um prazer te conhecer, Albus.

Teddy deu um aceno para a senhora também e me guiou para uma direção oposta. Havia mais pessoas lá, entre elas um velho senhor de roupão tendo uma discussão e tanto com o nada.

– O que é aquilo? – Teddy olhou na direção do idoso.

– Ah, aquele é o Jimmy. Ele é esquizofrênico.

– Esquizofrênico?! – Repeti e ele murmurou um “uhum” como se não fosse nada demais. – Vocês têm pacientes... mais parecidos comigo?

Teddy deu uma risadinha da minha fala.

– Não se preocupe, Albus. Nós temos pacientes de todos os tipos, absolutamente de todos os tipos. – Ele disse mais para ele essa última frase e eu franzi as sobrancelhas um pouco confuso quando uma menina ruiva apareceu fechando a porta de uma sala onde um garoto loiro desenhava alguma coisa em um caderno. Respirei aliviado pelo fato de ter outras pessoas da minha idade ali. A menina sorriu para Teddy. – Olá, Rose, como você está?

– Bem. – Ela passou uma das mãos pelos cabelos e eu analisei ela um pouco. Era extremamente magra. Estava usando uma blusa de mangas compridas rosa e por cima uma camisa branca. Usava uma calça moletom cinza e pantufas um tom mais claro que sua blusa rosa. Ela também tinha três arranhões em sua bochecha esquerda.

–Que tal um passeio para mostrar o resto do lugar para o Albus? – Teddy colocou a mão no meu ombro e a garota ruiva me fitou – Ele é novo aqui.

– Claro. – Ela não sorriu ou esboçou qualquer reação, apenas assentiu.

– Siga a Rose enquanto arrumamos o seu quarto, okay?

– Okay.

– Nos encontramos daqui a pouco. – Teddy acenou para nós dois e a menina começou a andar na outra direção. Eu tive que correr um pouco para alcançá-la.

– Então... Rose, não é? – A ruiva não respondeu – Quantos anos você tem?

– 16.

– Eu também! – Disse um pouco mais animado do que deveria e ela me encarou, eu cocei a nunca em constrangimento. – Tem muitas pessoas da nossa idade aqui?

– Não.

Eu assenti e não resisti em perguntar para a menina monossilábica:

– O que fez você parar aqui?

– Essa é a sala de recreação. – Rose me ignorou mostrando o cômodo em que havíamos entrado.  – Você pode jogar ping-pong, ver a vista e entre outras coisas. Tem um Toca Discos. Eles já te explicaram sobre o sistema de pontos? – Eu fitei seus olhos e pude perceber que eles eram azuis.

– Não, o que é isso?

– Bom, basicamente você recebe pontos por tudo o que você fizer aqui: comer, tomar os remédios, interagir nos grupos de apoio, contribuir nas atividades exigidas, não ter surtos psicóticos. – A ruiva riu da cara que eu fiz. – Você junta seus pontos e consegue recompensas como poder ir na loja de souvenires, ganhar doces, ficar na sala de recreação e coisas desse tipo. Aquela porta ali – segui a garota para um ponto mais distante – é a sala de TV. É muito bom para você sabe, relaxar. Logo ali temos o telefone, você pode receber ou fazer chamadas, acho que você sabe como isso funciona. – Ela disse um pouco irônica. – Alguma pergunta?

Não queria parecer insistente. Enxerido. Curioso. Chato. Mas precisava saber. Queria saber sobre as marcas em sua bochecha. Se havia outras pelo seu corpo. E o que uma garota de apenas 16 anos fazia ali no meio de tantos adultos. Então soltei, mais uma vez:

– Por qual motivo você está aqui?

Silêncio.

No segundo seguinte, ela parece examinar cada parte de mim.

Por fim, cruzou os braços um pouco abaixo dos peitos.

– Vamos ver se Teddy já terminou seu quarto. – E se virou indo em direção aos dormitórios sem dizer mais nada. De novo, sou obrigado a correr um pouco para conseguir ficar ao seu lado. Sua atitude começa a me irritar um pouco.

– Mas que droga, por que não quer me contar?

– Não é da sua conta.

– Não é como se eu fosse dizer para alguém. – Ignorei sua última fala e ela parou de andar para me encarar.

– Por qual motivo você está aqui? – Rose me faz a pergunta de minutos atrás. É a minha vez de ficar em silêncio. Ela dá uma risada pelo nariz. – Não é tão fácil assim dizer em voz alta, não é mesmo?

Minhas bochechas tornam-se rosadas e minhas orelhas queimam um pouco também. Não sei se o motivo é vergonha ou o fato de que eu não sei bem o que estou fazendo ali.

Ou talvez de estar com vergonha por não saber por quê estou ali.

Rose me leva até meu quarto e se despede logo em seguida. Teddy me entrega uma coberta a mais e alguns papéis que contém um monte de números.

– Esses são seus horários. Siga todos. Pode ser recompensado.

Um cara que estava dormindo na cama ao lado da minha se mexe claramente incomodado com a luz que Teddy havia acendido.

– Esse é Anwar. Anwar você tem um novo companheiro de quarto! – O velho apenas olha em nossa direção e depois se acomoda de novo na cama como se quisesse voltar a dormir. – Não se preocupe, não é nada pessoal. Anwar só não gosta de falar muito. Bom, eu vou deixar você terminar de se acomodar. – Teddy se vira para ir embora, porém fala para mim e para o homem da cama do lado antes de sair – Almoço em 5 minutos, okay pessoal?

Começo a olhar em volta e a tomar conhecimento do que realmente havia feito. Remédios. Enfermeiros. Choros. Surtos. Olheiras. Tosses. Minha cabeça começou a rodar. “Não é tão fácil assim dizer em voz alta, não é mesmo? ” A voz daquela ruiva ecoava em minha mente. Qual era o nome dela mesmo? O que eu estava fazendo ali? Eu tinha escola no dia seguinte! Eu tinha meus amigos! Meus amigos. Eles não podiam descobrir onde eu estava. Não mesmo. Não.

Sai correndo do quarto e por sorte encontrei Dra. Minerva conversando com outros médicos no corredor. Dei um grande suspiro de alívio. Meu peito pareceu descarregar o peso de um elefante.

– Dra. Minerva! Dra. Minerva! Dra. Minerva! – Chamei e ela voltou sua atenção para mim. – Eu estou me sentindo muito melhor agora. Quer dizer, eu estava me sentindo mal esta manhã, mas já estou bem... agora. Então, eu estava pensando: eu já posso ir para casa?

A senhora apenas suspirou e olhou em sua prancheta.

– Aqui diz que você tem tendências suicidas e pediu para ser internado imediatamente.

Minha cabeça voltou a rodar e eu senti meus joelhos ficarem um pouco fracos.

– Eu sei, mas eu pensei que vocês pudessem fazer alguma coisa mais rápida, como me dar um medicamento ou coisa parecida. Eu não acreditava que eu pudesse realmente ser internado, entende? Eu acho que eu não pertenço a esse lugar.

Ela sorriu, assim como os médicos com os quais estava conversando.

– Um monte de pacientes se sentem assim no começo. Apenas dê um pouco de tempo, certo? Você vai se acostumar.

– Quanto tempo?

– Uma semana.

– Uma semana?

– É o mínimo.

– Eu tenho escola amanhã! Eu tenho que ir embora agora!

– Nós teremos uma avaliação na quinta para saber se você está ou não pronto para ir embora.

Passei as mãos pelo cabelo nervoso.

– Posso ao menos falar com meus pais?

Dra. Minerva sorriu novamente.

– É claro que sim, Albus. Eu acabei de conversar com eles, eles estão muito ansiosos para te ver. – Dra. Minerva mal havia terminado sua frase e eu escutei os gritos da minha mãe enquanto vinha me abraçar.

– Albus! Ai querido, eu sabia que você estava passando por um mal momento, mas eu não tinha nem ideia! Que você estava... que você era... – Ela olhou para o meu pai e tentou sorrir enquanto segurava algumas lágrimas. Digamos que minha mãe era um tanto frágil demais. – Bem, você foi tão corajoso. Estamos tão orgulhosos de você.

– Sério? – Eu arqueei as sobrancelhas confuso. – Porque eu estava pensand...

– Ah, não! Nós realmente achamos que isso pode ser bom para você. Quer dizer, essas pessoas são profissionais, não é mesmo? Talvez elas possam te ajudar de uma maneira que nós... – Mamãe olhou de novo para meu pai. – Nunca conseguiríamos. Aqui estão algumas roupas e algumas coisas de higiene. Você vai ficar de observação, mas tente tirar esse tempo para relaxar, certo?

Assenti e minha mãe sorriu para mim enquanto me puxava para mais um abraço.

– Bom, eles pegaram meu celular, então algumas pessoas vão começar a ligar em casa. Apenas não diga que eu estou aqui.

– Claro querido. Como quiser.

Um pouco depois da conversa com meus pais, Teddy me chamou avisando que era hora do almoço.

Eu peguei seja lá o que for aquilo que eles chamavam de comida e me sentei sozinho em uma mesa distante. Comecei a mexer naquela comida. Não estava assim com tanto apetite.

– Ei, novato. – Ouvi a voz daquela ruiva que havia conhecido mais cedo, ela estava sentada mais adiante com dois caras mais velhos. – Venha, se sentar conosco. – Me aproximei e ela me apresentou aos outros enquanto bebia um pouco do seu suco. – Pessoal, esse é o Albus. Albus, esses são Johnny e Humble.

– Olá. – Cumprimentei e eles acenaram de volta. Continuaram ao papo que estavam tendo antes de eu me aproximar e Dra. Minerva veio até e se abaixou até ficar na altura do meu ouvido.

– Temos uma sessão marcada, viu Albus? Vá para a minha sala assim que terminar seu almoço.

Assenti e ela sorriu antes de deixar o refeitório.

- Quanto dinheiro já tem no pote? – Rose questionou para o tal do Humble.

– 10.

– 10? Mas tinha 11 semana passada! – Ela jogou seu garfo no prato e o homem revirou os olhos.

– Eu sei, mas apostaram com o Billy e ele pegou uma libra.

– O dinheiro é para o que?

Todos da mesa me fitaram.

– Festa da Pizza. – Murmurou Johnny.

– Festa da Pizza?

– É, eles dizem que podemos ter, se conseguirmos pagar.

– É mil vezes melhor do que essa gororoba que eles dão. – Rose resmungou mexendo em seu prato.

– Bom, eu tenho 8 libras na minha carteira se vocês precisarem...

Johnny e Humble me encararam pasmos. A ruiva apenas riu bebendo mais um pouco do seu suco.

– Ninguém aqui tem dinheiro, Albus. Você não deve se gabar dessa maneira. – Humble me censurou como se eu tivesse dito a maior ofensa do mundo.

– Eu não qu...

– Albus, você ganha 2 pontos se comer. – Teddy sussurrou para mim me interrompendo.

Mexi em minha comida e levei à boca um macarrão do prato. A comida não tinha gosto de nada, mas chegava a ser muito enjoativa. Senti todo meu estômago revirar. Sabendo o que ia acontecer, sai correndo do refeitório em busca de um banheiro.

Depois do meu incidente na hora do almoço fui para a sessão com a Dra. Minerva. O lugar exalava um ar calma e confortante. A senhora possuía alguns papéis espalhados a sua frente e anotava em um praticamente tudo o que eu dizia.

– Aqui diz que você tomava Zoloft, mas parou há algumas semanas. – Ela subiu seu olhar. – Por que?

– Eu achei que estava melhor. Achei que não precisava mais dele.

– Talvez porque estivesse funcionando. – Dra. Minerva sorriu – Pode me descrever como estava sentindo antes de vir para cá esta manhã?

– Deprimido. – Ela assentiu e voltou a escrever. – Ansioso. Estressado.

– Tem se sentido mais estressado do que o normal ultimamente?

– Sim.

– O que pode ter desencadeado isso?

– Bom, eu acho que a Faculdade.

– Faculdade? – A senhora quis saber.

– Tem essa faculdade que meu pai sonha que eu faça e tudo o mais, mas eu sinceramente não comecei a ver nada.

– Por que não?

– Porque toda vez que eu penso nisso meu cérebro começa com essa coisa de não entrar. E isso fica se repetindo. E repetindo. Repetindo.

Dra. Minerva abaixou um pouco seus óculos.

– O que aconteceria se você não entrasse?

O que aconteceria se eu não entrasse?

Bom, primeiro que eu não estaria em uma boa faculdade.

Se eu não entrar em uma boa faculdade, eu não terei um bom emprego.

O que significa que eu não poderei bancar um bom estilo de vida.

Então, eu não serei capaz de arrumar uma namorada.

E consequentemente, uma esposa. Ou uma família.

O que significa que eu provavelmente ficaria deprimido e acabaria como o Anwar em um lugar como esse para o resto da minha vida.

Então, o que aconteceria se eu não entrasse?

– Eu não sei, é difícil explicar.

A senhora deu um sorriso bondoso.

– Você tem amigos ou família para quem é fácil explicar?

– Tenho, mas nem sempre é fácil assim.

– É bom ter um sistema de suporte. Pessoas com quem você realmente possa conversar. – Assenti pensando nas palavras da mulher. – Você teve mais algum sintoma?

– Eu ando muito enjoado. Não consigo segurar a comida no estômago. – Disse e a senhora escreveu no papel.

– Bom, você vai começar com as atividades em grupo amanhã. Nossa próxima sessão é Terça, vamos checar se está tudo bem com você. Mais alguma dúvida?

– Sim... se eu estiver me sentindo melhor, há alguma chance de eu ir para casa?

Dra. Minerva suspirou.

– Cinco dias, Albus. Como já disse, é o mínimo. Sei que isso tudo pode parecer um lugar estranho em um primeiro momento, mas tente dar o máximo, certo?


Notas Finais


Me avisem qualquer erro de digitação.
Fanfic movida à reviews.
Obrigada por ler!


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