História We Remain - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Tags Sobrevivencia, Zumbis
Visualizações 19
Palavras 1.973
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Survival
Avisos: Canibalismo, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI :D
Muitíssimo obrigada a ~NamjinDaugther, ~marimoon18, ~Amendoboboyeah e ~YumeKimArmy por favoritarem. Sejam bem vindos(as)!
Boa leitura e não se esqueçam de ler as notas finais :)

Capítulo 10 - Boa Noite


- O que vamos fazer? – Anna andava de um lado para o outro, desesperada.

Marley se sentou no chão ao lado de Alice. A mulher segurava a garrafa d’água com as mãos trêmulas e um olhar vago, como se sua mente estivesse em outro lugar enquanto o corpo permanecia inerte ali.

- Em que parte do corpo está o machucado? – perguntou Thomas – Talvez possamos...

- Quadril. – disse Alice, após beber um pouco de água e repousar a garrafa no chão ao seu lado – Não tem como, já pensei nisso também.

Thomas sentou-se em frente a ela, segurou suas mãos e as acariciou delicadamente, encarando-a com uma expressão séria:

- Eu sei que nenhuma mãe gostaria de ouvir isso, mas você sabe que vamos ter que...

- Sim, provavelmente. – Marley concordou, suspirando. – Alice, eu sinto muito mesmo.

- Sente muito? – Alice levantou-se com um pulo, arregalando os olhos – Não, por favor... Deve ter outro jeito! Anna, diga a eles. Diga que não será necessário.

Anna parou de andar repentinamente, voltando-se para a mãe desamparada com um olhar triste:

- Eu gostaria de ajudar, querida, acredite, mas nenhum de nós pode fazer nada.

Alice olhou para cada um dos presentes na sala procurando por qualquer ideia, qualquer sugestão. Qualquer palavra.

Respirou fundo.

- Perdi o meu marido há um tempo por causa dessa desgraça toda. Eu o vi sentado numa maca de hospital com uma ferida horrível, a carne do ombro exposta pela mordida de um daqueles mortos... Foi a última vez que Jenn viu o pai. Nós simplesmente fomos arrastadas para fora do hospital sem podermos ao menos dizer adeus!  Acham que foi fácil? – Alice começou a caminhar pela sala, tentando controlar a própria respiração – Como explicar para uma criança de sete anos que o pai dela estava com uma doença sem cura? Que não poderia vê-lo nunca mais? Como toda essa bagunça pode fazer sentido na cabeça de uma garotinha? – contemplou um quadro pendurado na parede que indicava o número aproximado de soldados mortos na Segunda Guerra – Seria mais fácil ter vivido nessa época. É, moleza.

Todos continuaram calados.

- Conheci vocês e, por um momento, pensei que as coisas finalmente ficariam boas. Quando os perdi na estrada, pensei que nunca mais os encontraria. Não sabem do alívio que me invadiu quando acordei e vi Anna e Louise. Quando pude ver o rosto da Jenn de novo... – pegou o quadro da parede com as duas mãos e o atirou na parede mais próxima – EU NÃO POSSO PERDÊ-LA DE NOVO! EU NÃO VOU! NÃO VOU PERMITIR QUE TOQUEM NELA! SE O FIZEREM, EU JURO QUE MATO... – parou repentinamente, levando as mãos ao rosto e começando a chorar – Me desculpem. Eu... Digam que vai ficar tudo bem. Por favor.

- Não vou mentir, Alice. – disse Thomas, com os olhos marejados.

- Por Deus! O que está acontecendo aqui? – todos se viraram ao ouvir uma voz feminina.

April, Skyler e Jo estavam paradas na entrada da sala esperando por explicações.

- Ouvimos Alice gritando. – Skyler tinha uma expressão preocupada. – Está tudo bem?

- Venham, vamos conversar lá fora. – Thomas saiu do local e as três o acompanharam.

- Não podem sacrificá-la. Não podem. – Alice soluçava.

Anna correu até a mulher e a abraçou com força. Marley pegou a garrafa do chão e caminhou até ela:

- Acalme-se. Vamos, beba. – estendeu o objeto para Alice, que tomou um gole e agradeceu.

- O que vamos fazer a respeito? – perguntou Anna, se sentindo desconfortável.

- Não vamos fazer nada. – disse Marley com simplicidade.

- O quê? – Anna franziu a testa.

- Não devemos tocar em um fio de cabelo da garota. Nem eu, nem você. Nem ninguém. – a moça continuou – Apenas Alice deve fazer o que quer que seja. Ela decide o que é melhor para a filha e executa o que for necessário.

- Mas Marley? Como ela vai fazer sozin...

- Mamãe!

Jenn entrou na sala caminhando lentamente com uma careta de dor estampada em seu rosto. Uma das mãos pressionava o lado esquerdo do quadril. O silêncio se espalhou pelo local, enquanto todos observavam a aproximação da garotinha.

- Por que não está dormindo, querida? – Alice limpou as lágrimas o mais rápido que pôde.

- Isso aqui está doendo muito. Começou a sangrar mais um pouquinho, olha... – levantou a camiseta e expôs a ferida.

Anna conteve um engasgo.

- Vai ficar tudo bem, querida. – a mãe tentou sorrir – Marley, tem algum kit de primeiros socorros aqui?

- Eu te levo até ele. – a loira assentiu com a cabeça.

- Você pode me trazer um pouco de suco? – Jenn perguntou.

- É claro que sim. – a mãe disse com uma voz fraca – Vou buscar as coisas para darmos um jeito nesse machucado. Espere no quarto e não saia de lá, ok?

- Ok. – a menininha soltou um bocejo involuntário - Boa noite, pessoal.

- Boa noite, Jenn. – Anna e Marley disseram com certo pesar na voz.

- Marley tem razão. – Alice lamentou, enquanto a via sair do quarto – É a minha filha. Eu farei o que for necessário.

- Vamos então. – Marley respirou fundo e saiu rapidamente da sala.

~x~

- Os outros já devem estar sabendo. – a jovem comentou enquanto atravessavam um corredor – Sei que não quer vê-los agora, então decidi pegar um atalho.

- Obrigada. – disse Alice – Como é que você consegue?

- Consigo o quê? – perguntou Marley, confusa.

- Tratar dos assuntos de uma maneira tão tranquila. E, sem querer ofender, com um pouco de frieza.

- Eu já passei por isso. – a garota respondeu enquanto desciam as escadas - Digamos que eu tenho um histórico meio extenso de momentos ruins.

- Falando nisso, você nunca me disse de onde veio.

- Chegamos. – Marley abriu a porta – A sala da segurança.

Era um cômodo pequeno, provavelmente para poucos guardas. Três mesas equipadas com um computador cada uma ocupavam o lado direito. Na parede estavam enfileirados vários monitores pretos, alguns haviam caído. No lado esquerdo havia um grande armário aberto. No chão estavam jogadas caixas, canetas, tesouras e outros objetos.

- Eu e Leroy evacuamos o museu, sala por sala. Esse cômodo foi um dos mais difíceis de achar, além de ser o mais bagunçado. Os caras que estavam por aqui deviam ter lutado pra caramba. Sorte sua que não viu o estado deles. – Marley apontou para o armário – Pegue a maleta ali.

- Pode deixar... Rato! – Alice se encolheu com os olhos arregalados, vendo o pequeno roedor cambalear.

- Ah, qual é. – Marley abaixou-se, aproximando do animal – Está morto. E não é o primeiro que encontrei. Deviam ter esse problema há tempos... Olhe só o rastro de comida que ele fez... – cheirou, fazendo uma careta – Comida não. Veneno de rato.

- Esse aqui. – Alice apontou para um pacote etiquetado com conteúdo rosa caído no chão perto de uma caneta vermelha – Usávamos desse tipo em casa também. Demora um tempinho para fazer efeito, mas um pedacinho já é suficiente.

- Sim. Como se fosse um sonífero. Até arrisco dizer que o bichinho teve uma morte calma. – Marley olhou para o rato uma última vez – Vamos.

Alice pegou as coisas e saiu atrás de Marley. Fizeram o percurso em um silêncio esmagador, e a tensão que pairava no ar fez a mulher mais velha sentir como se estivesse a caminho de sua própria execução.

- Um instante. – Marley puxou-a para dentro de uma sala.

- Que houve? – perguntou Alice.

 – Eu durmo aqui. Bom, eu guardei isso para quando estivesse com sede. – Marley pegou uma caixinha de suco – Esse não é como os outros. É o único de uva que sobrou... E eu gostaria que desse para Jenn.

Em meio toda a sua tristeza, Alice conseguiu abrir um pequeno sorriso. Eis sua conclusão sobre a misteriosa moça loira que a salvara: Marley não precisava chorar ou entrar em desespero por causa do que estava acontecendo. Ela não era tão dura, apesar de parecer na maioria das vezes. Presentear com seu último suco favorito uma garotinha de sete anos, sua filha, que não era ninguém mais do que uma desconhecida para ela... Aquela era sua maneira de mostrar de que se importava.

Logo seu sorriso se desfez quando seus pensamentos voltaram para a triste realidade do presente. Ela engoliu em seco: Sabia o que vinha a seguir.

- Obrigada. – Alice pegou a caixa.

Para a surpresa de Marley, Alice abriu a caixa de suco e a maleta, e tirou de dentro do objeto um pacote etiquetado: Pareciam grãos de arroz cor de rosa.

Quando a mulher começou a dissolver os grãos com as mãos e desatou a chorar desesperadamente, Marley entendeu tudo.

– Não vi você pegando o veneno.

Alice não conteve os soluços.

– Eu não sabia o que fazer. Eu nunca ergui a mão para punir, imagine apontar uma arma para ela viva. - colocou um pouco do veneno dentro da caixa de suco através do canudo – Sem muita dor... Apenas o abate.

Após alguns segundos de silêncio, a mulher mais velha concluiu:

- Eu sou uma pessoa horrível.

- Não é, e não quero ouvi-la repetindo isso. – Marley disse seriamente – Eu te entendo mais do que pensa.

Alice mexeu a cabeça negativamente, escondendo o rosto com as mãos. Inesperadamente, Marley a envolveu em um abraço desajeitado.

- A partir de agora você segue sozinha. – as duas se separaram e a jovem lançou lhe um olhar confiante – Eu sei que é duro mas não hesite, ou não vai conseguir.

- Obrigada de novo. Por tudo.

Alice saiu do cômodo com passos rápidos. Enquanto caminhava em direção ao lugar onde estava sua filha, sua mente lhe pregava peças, acusando a si mesma de ser cruel e questionando-a de onde havia saído tanto sangue frio para fazer o que estava prestes a executar.

- Você demorou. – a pequena Jenn parecia mais pálida e fraca. Tentou se levantar, mas desistiu ao sentir dor tentando executar o movimento.

- Me desculpe, querida. Vamos enfaixar isso aqui... - subiu a camiseta da garotinha e viu que a ferida piorara muito.

Colocou a maleta sobre a cama e tentou manter sua expressão facial neutra. Fez seu trabalho em silêncio e o mais cuidadosamente possível, como se estivesse consertando uma boneca de porcelana.

- Vai melhorar, meu amor. Ah, e eu trouxe o suco que pediu.

- Uva! Meu favorito. - pegou a caixa e, apesar do cansaço, conseguiu abrir um lindo sorriso – Obrigada, você é a melhor mãe do mundo!

O coração de Alice se partiu: Ela queria chorar muito, gritar e pedir desculpas. Queria jogar aquilo longe. Queria beber o suco no lugar da filha. Contudo, fez uma força tamanha para conter todas as emoções dentro de si e abriu um sorriso fraco.

- E você é a melhor filha.

A garotinha sorriu, virou a caixa e tomou o suco rapidamente, limpando a boca com a manga da camiseta ao terminar.

- Hora de dormir, Jenn.

A menina se deitou. Alice ajeitou-se ao seu lado, abraçando-a com cuidado. Jenn colocou a mão na ferida e olhou para a mãe com uma expressão de pura tristeza, o que fez com que a mulher se sentisse ainda pior.

- Dói muito... Faz isso parar. Por favor.

- Eu farei. Prometo – beijou-lhe a testa carinhosamente.

- Tá bom. - Jenn conseguiu sorrir - Boa noite. Eu te amo, mamãe.

- Eu também te amo.

Alguns minutos se passaram e ela já havia caído no sono. Alice saiu da cama o mais discretamente possível. Abriu a maleta e tirou de lá uma faixa como a que usou no curativo de Jenn. Prendeu um lado no pulso da menina e o outro na ponta mais próxima da cama, certificando-se de que ela não sairia dali.

Alice deitou-se ao lado da filha. Nada mais importava. Admirou seu belo e delicado rosto, deixando as lágrimas caírem.

- Boa noite.  


Notas Finais


E aí, o que acharam?
Será que a morte de Jenn irá modificar a Alice de alguma forma?


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