História We were going to Busan - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Dorama, Gong Yoo, Kpop, Yaoi, Zumbi
Exibições 52
Palavras 5.128
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Romance e Novela, Survival, Terror e Horror, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Fourteen


Fanfic / Fanfiction We were going to Busan - Capítulo 14 - Fourteen

SeokWoo POV

Esta manhã, acordei sentindo-me diferente. Eu já havia me acostumado a acordar e abrir os olhos, a mexer-me e falar. Não era isso que me incomodava. Mas sim um aperto no peito. Uma ansiedade sem motivo. Sentia-me ainda mais motivado a exercitar-me para melhorar meus movimentos e minha fala. Sem um motivo maior, eu me sentia ansioso. E, esse sentimento durou por toda tarde, quando a doutora me levou novamente para aquele jardim.

- Acha que já consegue pegar a flor? – questionou, sabendo que da última vez que tentei, foi em vão.

- Minhas mãos ainda não estão tão boas. – respondi, enquanto ela estacionava minha cadeira de rodas próxima a uma árvore. Ela sentou-se novamente naquele banco de madeira ao meu lado. Ficamos alguns instantes em silêncio. Eu não me sentia confortável para chama-la nesses momentos. Afinal, parecia que aquele era um curto momento de paz em seu dia.

- SeokWoo. – exclamou ela.

- Quem?

- Seu nome. – ela me encarou, séria – Seu nome é Lee SeokWoo.

- Lee SeokWoo? Eu sou Lee SeokWoo? – questionei.

- Sim. Após longos meses, eu finalmente encontrei isso. Então, acho que você deve saber.

- Obrigado. – sorri.

- É um belo nome.

Eu fiquei em silêncio, fitando o jardim. Exatamente como ela fez. Porém, em minha cabeça se passavam coisas diferentes das que rondavam a cabeça da doutora Kim. Por exemplo, eu começava a lembrar dos sonhos que havia tido com aquele adolescente, cujo nome não consigo lembrar e cujo rosto encontrasse borrado em minha memória. Fazia um tempo desde que não sonhava mais com ele. Porém, aquele garoto me chamava de SeokWoo toda vez que me via e que falava comigo. Ele sabia o meu nome.

- E... – a doutora Kim começava a falar novamente. Desviei minha atenção para ela – Você faz 37 anos em dois dias.

Surpreendi-me.

- 37? Eu... Sou um pouco velho. – ri levemente.

- Você esteve em coma por muitos anos. – ela sorriu levemente, levantando-se – Vamos voltar para dentro que está na hora do seu remédio. – completou, de forma agradável. Eu apenas deixei que levasse minha cadeira para dentro.

Ela me ajudou a sentar na cama. Mas, agora eu podia fazer isso quase sozinho. Estava lentamente recuperando minha força e meus movimentos. Apenas minhas pernas estavam ruins ainda. E minhas mãos, claro.

- Doutora Kim. – chamei-a, antes que se retirasse e o remédio fizesse efeito e eu pegasse no sono.

- O que foi?

- Há mais alguma coisa que você saiba sobre mim?

Ela ficou pensativa e eu notei que seus olhos ficaram nervosos. Porém, ela negou.

- Não. Não há. – curvou-se curtamente – Descanse bem, Sr. SeokWoo. – retirou-se após dizer isso.

* * *

Eu acordei naturalmente, ouvindo de maneira aguçada as batidas de meu coração. Elas estavam aceleradas. Novamente sem motivo. Virei meu rosto para o lado e mantive os olhos fechados, tentando dormir novamente. Mas, foi impossível. As batidas de meu coração e minha ansiedade sem razão me perturbavam demais.

Sentei-me na cama e fitei o local escuro. A única coisa que o iluminava eram algumas pequenas luzes da sala onde eu estava e os aparelhos ligados. Suspirei e encarei as duas pessoas ao meu lado. Elas continuavam adormecidas, como há nove meses. Sequer pareciam respirar.

Tirei as cobertas de cima de meu corpo e encarei minhas pernas duras. Estas estavam difíceis de se mover. Olhei para o lado, verificando que minha cadeira de rodas estava próxima, e puxei minhas pernas para o lado, sentando-me na beirada da cama. Puxei a cadeira para perto e segurei nos braços dela, respirando fundo e impondo o máximo de força que tenho para conseguir sentar-me nela. Fiquei um pouco desajeitado, mas consegui sentar-me.

Por algum motivo, hoje o remédio não havia tido efeito por toda noite e, ao invés de acordas às 08hrs da manhã, acordei no meio da noite. Então, com minhas mãos sem movimento, comecei a empurrar a cadeira pelas rodas. Com minhas mãos paradas na posição fechada, bati sobre a maçaneta da sala de vidro, abrindo a porta e saindo dali. Fechei a porta novamente e me direcionei à outra porta, que dava acesso ao jardim, parando em frente à mesma.

Espichei meu braço, alcançando a maçaneta e toquei-a. No momento que o fiz, meu peito palpitou de maneira forte, fazendo-me baixar a cabeça e soltar um grunhido. Apertei a maçaneta com certa força, antes de finalmente baixa-la e abrir a porta. Deixei que a porta fechasse por si só e empurrei a cadeira lentamente pelo jardim de ar gélido.

Tive certeza que era noite, pois havia um céu escuro e estrelado sobre mim. Encarei-o e sorri, parando próximo a um gramado florido, no qual fitei. As flores se moviam calmamente, conforme o vento. Respirei fundo e fechei os olhos por um instante, aspirando aquele ar fresco e relaxante. Agradeço à Doutora Kim por ter me apresentado este jardim.

O aroma das flores invadiu minhas narinas, fazendo-me sorrir novamente e desejar senti-lo mais de perto. Encarei novamente o gramado, focando meu olhar em uma das flores. Recuei um pouco a cadeira e me agachei com um pouco de dificuldade, espichando meu braço e tocando a flor. Ela levemente roçou suas belas pétalas em meus dedos, arrepiando-me. Eu estava com apenas uma das mãos enfaixadas e não era esta que eu estava tocando na flor. Então, podia senti-la bem contra minha pele.

Contudo, eu não podia arrancá-la. Eu não conseguia fazê-lo. Mordi o lábio inferior e tentei a todo custo puxar a flor. Mas, minha mão não me deixava. Ela não fazia os movimentos corretos. Continuei tentando capturar a flor que, por uma mão saudável, em poucos instantes foi arrancada. Assustei-me. A flor foi aproximada de meu corpo e eu pude sentir seu aroma mais perto de meu rosto. Meus olhos foram diretamente para frente, onde um garoto encontrava-se agachado e estendendo a flor em minha direção. Seu olhar, até então no gramado, elevou-se para mim. Neste instante, seus olhos se arregalaram e a flor caiu de sua mão, pousando bruscamente sobre minhas pernas. Seu braço continuou espichado em minha direção.

- SeokWoo. – ao pronunciar meu nome, seu corpo fraquejou e caiu sobre a grama. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, que escorreram logo após eu questionar-lhe algo.

- Quem... É você?

Ele desviou seu olhar e se levantou devagar, aproximando-se de mim, como se estivesse hipnotizado. Seus lábios estavam entreabertos e seus olhos pareciam tremer, assim como suas mãos. Ele elevou uma de suas mãos, aproximando-a do meu rosto. Eu apenas fiquei quieto, deixando-o prosseguir com suas ações. No momento em que as pontas de seus dedos estavam prestes a encostar em minha pele, ele hesitou e parou o movimento, sem concluí-lo. As lágrimas agora pareciam inundar seu rosto claro e bonito. Seus olhos fixaram-se nos meus, que corresponderam ao seu olhar intenso.

Ele afastou sua mão e baixou a cabeça, dando alguns passos para trás. Estranhei. Notei que ele negou com a cabeça, sacudindo-a e dando tapas leves na mesma.

- Não... Não... Não... É mais uma brincadeira da sua cabeça, Lee SuYoung. É mais uma farsa. É uma farsa. Ele não está aqui. Ele não está. – ele pronunciava para si mesmo, enquanto as lágrimas se tornavam ainda mais grossas e intensas – Ele não... Ele... – ele abriu os olhos e ergueu a cabeça, fitando-me novamente.

- Lee... Su... Young? – questionei.

Ele pareceu assustar-se e levou as duas mãos ao rosto, tapando-o por alguns instantes. Ao tirá-las do mesmo, fitou-me novamente e seu corpo fraquejou novamente, caindo ajoelhado sobre o chão.

- É ele. É ele mesmo. Ele está na minha frente. Ele... Ele...

- Não vai me dizer quem você é? – insisti, arrastando a cadeira para perto dele. Parei novamente em sua frente. Eu estava curioso. Afinal, eu conhecia aquele nome. Eu sabia que já havia ouvido ele em algum lugar. Mas, não lembrava-me onde. Além disso, ele sabia meu nome. Ele me chamou de SeokWoo e não de “número 3” ou paciente.

 - Ele é um funcionário. – disse uma garota, adentrando o jardim. Ela estava com um vestido de cor rosa pálido e um sapato de salto. Seu estereótipo era elegante. Ela sorria gentilmente – Como se sente, Sr. Lee SeokWoo? É uma surpresa encontra-lo acordado.

- Eu... Estou bem. Mas... – ela não deixou que eu concluísse a frase e se aproximou, tocando meu ombro.

- Isso é muito bom. Continue se esforçando e logo será liberado. – sorriu, apertando um pouco mais meu ombro.

Eu encarei novamente o garoto, ainda sentado no chão, em minha frente e ele estava encarando fixamente a mão da garota em meu ombro. Ele parecia pensativo sobre aquele ato. Eu estranhei, mas, mantive-me calado.

- Vamos, SuYoung? – questionou a garota ao outro presente, afastando-se de mim. Encarei o garoto novamente. Ele respirou fundo e passou as mãos no rosto, secando os rastros das lágrimas. Levantou-se.

- Não. Eu quero ficar mais um pouco. – sua voz parecia convicta e decidida.

- Eu não acho que- - ele a interrompeu:

- Por favor... Lisa. – pronunciou, com seu olhar focado no meu.

- Tudo bem. Mas, eu te esperarei aqui dentro. Pode ser?

Ele assentiu, ainda sem fitar a garota, que acenou para mim e saiu, fechando a porta atrás de si. Eu sorri e fitei o garoto, que se aproximava ainda mais de minha cadeira, inclinando seu corpo para perto do meu e fitando-me naquela proximidade. Ao fazê-lo, senti meu peito palpitar forte e lentamente. Tão forte que meu coração parecia que sairia do peito a qualquer momento.

O garoto semicerrou os olhos, parecendo analisar meu rosto. Enquanto isso, seus olhos voltavam a se encher de lágrimas.

- Lee SeokWoo. Você... Realmente é você dessa vez, certo? – após questionar isso, algumas lágrimas escorreram e ele simplesmente jogou-se sobre meu tronco, abraçando-me fortemente. Meus olhos se arregalaram e meu coração, desta vez, acelerou – É você, não é? Eu estou realmente te abraçando agora, não é? – ele me segurava firmemente, enquanto chorava sobre meu ombro.

Eu engoli em seco, arregalando os olhos. Afinal, desde que acordei nesta clínica, todos me tratam como se eu fosse um monstro. Sempre se afastando e nunca me dando a mão sequer. A única que fez isso em oito meses foi a doutora Kim. Porém, seu comportamento era claramente profissional. Não era como se ela tivesse algum afeto por mim. Contudo, este garoto... Por que está agindo assim? Por que está falando como se eu fosse um velho conhecido? Por que está me abraçando quando eu tive uma doença grave e infecciosa?

SuYoung POV

- De onde nos conhecemos? – questionou SeokWoo, afastando-se do abraço – Seu nome não parece estranho, mas... – ele parou de falar assim que aspirou um pouco de ar. Seus olhos semicerraram-se e depois tremeram – Esse perfume... Por que parece tão familiar? – ele estava confuso.

- Você... Não lembra? – questionei, tristonho – Não se lembra de mim, SeokWoo? – insisti, vendo meu pai suspirar e negar, ainda pensativo.

- Parece que minha memória foi prejudicada. Sinto muito.

Eu baixei a cabeça, desapontado. Meu peito doía como quando MyungJae me traiu. Ele doía dessa forma.

- Não fique assim! – exclamou preocupado com minha reação. Ele levou sua mão imóvel ao meu queixo, elevando meu rosto, fazendo-me encará-lo nos olhos novamente – Eu vou me lembrar! Eu, com certeza, vou me lembrar de você... SuYoung.

Ficamos nos encarando durante alguns instantes e eu senti meu coração dolorido pulsar fortemente. Como um flash, ao encarar seus olhos agora esbranquiçados, as memórias de eu e SeokWoo preencheram minha mente, enchendo-me de sentimentos. As memórias, mesmo que de sonhos irreais, agora me deixavam sensível. Eu gostaria de saber o que se passava por detrás dos olhos curiosos de meu pai. Eu gostaria de saber o que ele está pensando sobre mim.

- SUYOUNG! – Lisa gritou, voltando ao jardim – Temos de ir! Algo aconteceu e temos de ir logo! – exclamou ela, chegando perto de mim e segurando meu pulso – Vamos! – ela estava afoita.

Eu, que ainda mantinha o contato visual intenso com SeokWoo, apenas sorri levemente para ele, antes de me virar para seguir Lisa. Porém, senti a manga de minha blusa ser puxada fracamente. Parei imediatamente, fazendo Lisa frear bruscamente seus passos em direção à porta.

- Volte.

Eu engoli em seco e baixei a cabeça, sentindo meus olhos novamente encherem-se de lágrimas.

- Venha me ver novamente... SuYoung. – pediu meu pai, que desconhecia ter tal parentesco comigo.

* * *

- Entre logo no carro! – exclamou Lisa, adentrando o automóvel. Eu dei a volta e fiz o mesmo – Leve logo esse garoto para casa, ahjussi! – disse ela ao motorista, que assentiu silenciosamente e ligou o carro, dando partida.

Eu encarei o vidro do carro, vendo a imagem do prédio de vidros uma última vez. Um sorriso formou-se em meus lábios automaticamente ao lembrar-me de SeokWoo.

- Desculpe te tirar de lá daquela maneira. Mas, JinHee me ligou dizendo que papai está procurando pelas chaves do laboratório como louco pela casa.

- Ele não sabe que você as pegou?

Ela negou.

- Lisa! – exclamei, advertindo-a silenciosamente.

- Mas, foi por uma boa causa, não acha? E... Eu também estava curiosa. Meu pai nunca me trouxe aqui. Mesmo que eu sempre pedisse.

- Eu devo te agradecer ou te repreender? – ri divertido. Ela apenas acompanhou minha risada.

Pelo resto do caminho até meu apartamento, ficamos em silêncio. Lisa estava nervosa e mexia incessantemente suas mãos, rodeando a chave entre elas. Já eu, encarava a manga de minha blusa, lembrando-me do fraco movimento de meu pai para chamar minha atenção. Pensei que o esforço feito por ele deve ter sido grande.

O carro estacionou em frente ao meu apartamento e eu encarei Lisa, que sorria divertidamente.

- Obrigado por hoje, Lisa. Mas, acho que você não deve mais fazer algo assim. Não seria legal se seu pai descobrisse sobre isso.

- Como se sente, Lee SuYoung? Se você me disser que está feliz... Eu não irei me sentir culpada.

Eu sorri e assenti.

- Eu estou muito feliz. Minhas esperanças não foram em vão durante todo esse tempo. Meu coração não estava errado em ficar ansioso e duvidar de tudo o que diziam.

- Será que... Eu deveria fazer uma cópia dessa chave? – ela parecia falar consigo mesma.

- Por quê? – franzi as sobrancelhas, confuso.

- Seu pai pediu para você voltar e você prometeu que voltaria outro dia. Mas, isso seria impossível se perguntássemos ao meu pai.

- Você não está pensando em...?

- Estou. – ela sorriu – Prepare o que você tem a dizer ao seu pai para a próxima vez. – ela acenou – Boa noite, SuYoung.

Eu ri e abri a porta do carro, descendo do automóvel. Caminhei até a porta de meu prédio e, enquanto girava a chave para destrancá-la, fitei o carro mais uma vez, vendo Lisa acenar de dentro dele. Eu sorri e acenei de volta, vendo-a partir.

Respirei fundo e soltei um largo sorriso, adentrando o prédio e subindo ao meu andar. Ao abrir a porta de meu apartamento, eu cantarolava baixo uma canção popular qualquer. Eu estava tão feliz que não poderia descrever em palavras. Porém, minha felicidade foi embora assim que fechei a porta e encarei o sofá.

- Como foi o passeio, SuYoung? – era MyungJae, que estava tomando chá ao lado de minha mãe. Eu engoli em seco e apenas segui rapidamente ao meu quarto, onde o tatuador me seguiu e empurrou-me fortemente para a cama.

- MyungJae! – exclamei, vendo-o trancar a porta e aproximar-se de mim com um semblante irritado. Ele subiu em cima do meu corpo e segurou fortemente meus pulsos, prensando-me na cama – Me solte! – gritei, mas fui ignorado.

- Então você está tendo um caso com a filha do cientista?

- Do que você está falando?

- Eu vi você saindo com Lisa. Não negue.

Eu ri nasalmente, debatendo-me uma vez, mas não conseguindo me soltar.

- Eu não vou negar. Eu saí com ela sim. Mas, você já sabe o motivo.

- Eu sei?

- Eu já te disse! – exclamei, aproximando meu rosto do dele e encarando-o irritado – É porque meu pai está vivo. É somente por causa de SeokWoo.

MyungJae bufou e soltou um de meus pulsos, levando esta mão ao meu rosto e acertando-me com certa força. Eu grunhi de dor, levando a mão até a bochecha e acariciando-a. Depois, encarei o tatuador, que me empurrou e sentou-se ao meu lado.

- Já disse para você parar com isso. – ele passou as mãos pelos cabelos – ESQUEÇA ESSE SEOKWOO! – gritou, encarando-me com os dentes cerrados – E, se você realmente tem algo com Lisa, diga-me.

- Por que você quer saber? Nós dois sequer estamos juntos. O único a quem você deve pedir satisfações é seu namorado. – respondi rudemente.

MyungJae ficou em silêncio por alguns instantes. Quando pensei em mandar-lhe embora, sua boca se abriu novamente e mais palavras saíram dela.

- Foi por causa dela que você se afastou de mim?

- Isso não está mais fazendo sentido. – eu ri nervosamente.

- FOI POR CAUSA DELA, LEE SUYOUNG? – gritou, agora segurando meus pulsos como antes. Mas, permanecemos sentados.

- Se você gritar comigo mais uma vez... – ele me interrompeu:

- O que você vai fazer? Mandar seu papai me bater? – riu ironicamente, soltando-me bruscamente.

- Por que você veio aqui, seu idiota? POR QUE VEIO ME INCOMODAR?

- Porque... Eu quero entender. Porque você se afastou, o que está acontecendo, o que está sentindo e, principalmente, vim ajuda-lo. Ainda não desisti dessa ideia.

- Você quer me ajudar chegando e me desafiando dessa forma assustadora? Sabe, MyungJae, eu... – encarei-o fixamente – Também quero saber o que diabos aconteceu com você nesses últimos meses. Como é possível uma pessoa mudar tanto?

Ele engoliu em seco e levantou da cama, ficando em pé e de costas para mim.

- Amor. Isso... – ele deu uma pausa e fitou-me por cima do ombro – Deixa as pessoas loucas.

Meu olhar rapidamente foi de encontro à uma imagem, que eu sabia ser apenas uma imagem, que estava próxima a porta. SeokWoo sorria levemente para mim.

* * *

- Por que você continua aparecendo mesmo quando te vi pessoalmente? – questionei à minha ilusão, que encontrava-se deitada ao meu lado na pequena cama de solteiro.

- Porque eu ainda não te encontrei.

- O que?

- Você me viu, você me tocou, você sabe quem eu sou. Mas, eu... – ele engoliu em seco – Ainda não sei quem você é. Eu apenas sei que um garoto qualquer me visitou.

- Será que você, o real SeokWoo, está pensando em mim agora, assim como eu estou pensando em você? – suspirei, virando-me e encarando o teto.

SeokWoo POV

Eu continuava a encarar a porta aberta apenas em uma fresta. Mesmo depois que ouvi a outra porta ser trancada, eu permaneci na mesma posição. Meus pensamentos estavam confusos e meu coração encontrava-se acelerado em um ritmo que até doía.

- Quem é você? – questionei a mim mesmo – Quem, no mundo, é Lee SuYoung? – suspirei e girei minha cadeira de rodas até um ponto em que ficava de costas para a porta. Fitei o céu escuro e estrelado – Eu, com certeza, o conhecia. Afinal, ele não abraçaria daquela forma alguém desconhecido. Se fosse um funcionário qualquer, ele não reagiria daquela forma. Mas... Quem é ele? Quem?

O ar começava a ficar ainda mais gélido e ultrapassava o tecido fino que cobria meu corpo. Minha pele arrepiava-se. Porém, permaneci ali por mais alguns minutos. De alguma forma, aquele ambiente me passava a impressão de que lembraria de algo.

Mas, mesmo que ficasse ali por mais de meia hora, nada se passava pela minha cabeça. Então, adentrei o prédio, subindo em minha cama com dificuldade. Minhas pernas ainda não se movimentavam.

Ao deitar, virei-me para o lado e fiquei fitando minha cadeira de rodas. Permaneci assim a esperar o sono e, repentinamente, minha cabeça começou a doer fortemente. Eu levei a mão até ela e grunhi de dor, fechando meus olhos. Ao fazê-lo, algo veio em minha mente, como flashs de memória.

Eu estava dentro do carro e sorria levemente ao olhar para o banco de passageiro. A sinaleira estava vermelha. Uma música leve tocava dentro do automóvel. Ao meu lado, a pessoa para quem eu sorria, era um garoto de cabelos castanhos. Mas, eu não podia ver seu rosto, pois ele estava encarando a rua, do outro lado.

Desta cena, cortou para outra em que eu estava em uma estação abandonada e levantava-me da cadeira, vendo alguém se aproximar no corredor. Porém, por estar longe, não consegui identificar quem era. Essa imagem durou pouco, pois logo eu estava abrindo a porta de um apartamento luxuoso e adentrando-o. Joguei meu blazer sobre o sofá e, em seguida, joguei-me ali também. Eu encarava a porta e sorria. Alguém me acompanhava. Mas, eu não podia ver quem.

Por fim, via-me puxando um garoto para um beijo intenso e duradouro. Como se eu fosse alguém diferente, eu observava a cena, identificando-me ali, com um adolescente em meu colo. Novamente, eu não podia ver seu rosto. Ele estava tapado por minha mão grande e os malditos cabelos castanhos.

Eu agora deitava o garoto no sofá e o tocava indecentemente. Mas, eu ainda não podia ver seu rosto. Apenas seu corpo magro e atraente.

- Ahh. – gemi de dor, vendo repentinamente todas aquelas imagens sumirem de minha mente. Abri meus olhos no mesmo instante, sentindo-me ofegante. Fitei a cadeira de rodas ao meu lado novamente, pensativo – O que foi isso? – questionei a mim mesmo – Memórias? Será que elas estão retornando para mim?

* * *

No dia seguinte, acordei com a voz da doutora Kim chamando-me calmamente. Abri meus olhos devagar, vendo-a sorridente ao lado da cama.

- Hoje você dormiu mais do que o normal, SeokWoo. Estava tendo bons sonhos? – riu divertidamente, fazendo-me rir logo pela manhã – Vou pedir ao doutor Park aplicar seu café da manhã pela veia ainda. Mas, quando suas mãos derem sinal, trarei comida de verdade para você, ok?

Eu assenti, sentando-me enquanto ela saía da sala de vidro por alguns instantes. Após receber aquela dose na veia, eu me sentia incrivelmente alimentado. A ciência faz coisas maravilhosas, das quais pensamos que nunca seria possível fazer.

- Doutora Kim. – chamei-a, enquanto realizava um exercício de braço.

- Sim? – ela continuava a manter seu foco no exercício, porém, me escutava.

- Eu não sei se você sabe sobre isso, mas, se souber... Eu gostaria que me dissesse.

Ela me encarou curiosa.

- O que foi, SeokWoo?

- Por acaso, entre as coisas que você descobriu sobre mim, há algo envolvendo outra pessoa?

- Como assim?

- Se há alguém próximo de mim e qual era minha relação com ela.

- Posso dizer que... – ela me encarou e sorriu levemente – Existe alguém que te ama muito. E que, com certeza, está ansioso por sua recuperação, Sr. SeokWoo. Então, esforce-se.

Eu assenti e, repentinamente, um sorriso enorme fez-se presente em meu rosto (GIF do início do capítulo). Ela não precisava me dizer quem era esta pessoa. Eu, em minhas próprias conclusões, sabia quem era. E, sem a doutora Kim saber, eu já havia o visto. Ele já sabia que eu estava me recuperando.

* * *

Novamente, por algum motivo desconhecido por mim, o remédio da noite não fez efeito. Ou talvez seu efeito tenha sido interrompido pela minha ansiedade e nervosismo. De tanto que minhas mãos suavam, pensei que poderiam começar a dar sinais de melhora.

Eu estava novamente no jardim. E, novamente, o céu encontrava-se escuro e estrelado. Em minha mente, aquele tornou-se um ponto de encontro. Em minha mente, se eu permanecesse ali, SuYoung retornaria. Sim, ele era o motivo de eu não conseguir dormir e de meu coração palpitar ansiosamente dessa forma.

Será que ele viria esta noite?

SuYoung POV

- Eu preciso vê-lo esta noite. – disse ao telefone para Lisa.

- Será que não podemos ir um outro dia? Tenho muitas lições escolares para fazer. – respondeu a garota do outro lado da linha.

- Eu te ajudo! – exclamei prontamente – Quando voltarmos, não me deixe em casa, mas, me leve até aí. Eu te ajudarei a termina-las.

- SuYoung...

- Eu preciso vê-lo hoje. Depois, eu te prometo que podemos ir lá quando você quiser. Mas, hoje... Eu... Sinto tanta vontade.

Eu ouvi o suspiro da garota e então, após alguns instantes, ela me deu sua resposta.

- Estarei aí em 15 minutos.

Ela desligou e um sorriso instalou-se em meus lábios.

FLASHBACK ON

Quando meus olhos fecharam-se para dormir, eu repentinamente senti todo meu corpo esquentar. Mas, não era devido ao clima, pois havia um vento gélido adentrando o quarto pelas frestas da janela. Eu estava tendo mais uma de minhas ilusões. Sentia as mãos quentes e grandes de SeokWoo acariciarem minhas coxas nuas e ignorarem a cueca boxer, passando a acariciar firmemente as laterais de meu corpo. Elas atrevidamente adentravam minha camiseta de mangas curtas.

Meus lábios se entreabriram e um gemido sôfrego saiu por eles, preenchendo o vazio do quarto. Agora eu podia sentir a respiração de SeokWoo em meu pescoço. Suas pernas já pediam passagem para as minhas, que se abriam para recebe-lo. Eu agora sentia seu membro endurecido pressionar o meio de minhas pernas com força.

- Venha me ver amanhã. – sussurrou em meu ouvido – Há algo que eu quero te dizer.

Após ele dizer isso, meu corpo esfriou completamente. Não porque broxei, mas porque seu corpo não se encontrava mais sobre o meu. Ele sequer encontrava-se em meu quarto quando meus olhos se abriram a sua procura. Sentei-me na cama e suspirei profundamente, pensativo.

FLASHBACK OFF

- Onde você vai, filho? – questionou minha mãe, saindo da cozinha com uma toalha e um copo. Ela o secava – Quem você precisa ver? – seus olhos encontravam-se desconfiados.

- Eu? – ela assentiu. Eu estava nervoso – Eu... Eu... Não se preocupe. Não voltarei tarde. – disse rapidamente, aproximando-me dela e beijando sua bochecha.

- A propósito. Amanhã de manhã você não vai à escola. Mas, sairá cedo comigo.

- Para onde? – franzi as sobrancelhas, confuso.

- Você verá. Mas, o que quero dizer, é que você não deve dormir fora e nem chegar tarde. Faça como você disse e não demore.

Eu apenas assenti e peguei a chave, saindo do apartamento.

- O que pode ser mais importante para ela do que eu ir à escola? – questionei a mim mesmo, coçando a nuca, confuso.

* * *

- Quer que eu espere aqui fora? – questionou Lisa, após destrancar a porta do laboratório. Eu assenti – Qualquer problema, eu irei imediatamente te chamar. Mas, hoje, por incrível que pareça, meu pai estava dormindo. – ela riu – Fazia tanto tempo que eu não o via relaxado.

- Isso deve ser um bom sinal então.

Ela assentiu e sorriu levemente.

- Até depois. – disse, vendo-a fazer um sinal para eu ir logo. Eu ri e adentrei o laboratório. A primeira coisa que fiz foi olhar para a porta de acesso ao jardim. Aproximei-me dela e, quando vi que estava entreaberta, um sorriso formou-se em meus lábios – Te achei! – exclamei baixo – Será que já estava esperando por mim? – ri baixo, empurrando a porta e surgindo no belo e florido gramado.

Eu olhei diretamente para onde o vi ontem e, o que não foi surpresa, ele estava lá, sentado na cadeira de rodas. Porém, hoje ele estava parado ao lado de um banco de madeira. Eu sorri levemente e comecei a andar devagar até ele. Enquanto me aproximava, seus olhos elevaram-se para mim e ele sorriu de lado. Eu baixei a cabeça, tímido, e parei em frente ao banco.

- Será que eu posso me sentar aqui? – questionei.

- Foi exatamente para isso que eu parei aqui perto. – respondeu, afirmativamente.

Eu sorri e me sentei, não desviando meu olhar a ele.

- Você voltou rápido. – disse ele.

- Por quê? Falando dessa forma, parece que queria que eu demorasse! – exclamei, fingindo estar magoado, fazendo meu pai rir.

- Não é isso. É só que... É estranho. Cheguei a pensar que você era um enfermeiro disfarçado que, após me encontrar, relatou tudo aos outros médicos. Mas, eu estaria ferrado se assim fosse.

Eu ri levemente, negando com a cabeça. Então, ficamos em silêncio. Eu hesitava fitar seu rosto. A única coisa que eu via eram suas mãos, praticamente imóveis. O silêncio entre nós permaneceu por longos instantes. Eu hesitava dizer qualquer coisa e, penso que ele não sabia muito bem o que falar. Ou estivesse esperando que eu dissesse algo.

SeokWoo então pigarreou, chamando minha atenção e quebrando o gelo.

- Posso ser direto?

Eu o encarei, sem dizer nada, confuso com sua pergunta. Ele, contudo, prosseguiu.

- Estou realmente curioso.

Deixei novamente que continuasse, sem dizer uma palavra sequer.

- Que tipo de relacionamento nós temos? Ou melhor, o que nós tínhamos antes de eu adoecer e ficar em coma?

- O que você acha? – soltei rapidamente, desviando meu olhar para um ponto qualquer do jardim – O que você lembra sobre mim, Lee SeokWoo? O que você lembrar, vai ser suficiente para responder sua própria pergunta. – disse, na intenção de que, se ele viesse a lembrar sobre eu criança, ele saberia que era meu pai. Mas, sua resposta foi totalmente o inverso.

- Beijo.

- O que? – arregalei os olhos, voltando a fitar meu pai, que, estava com os olhos presos em algumas flores que ficavam em nossa frente.

- Nós... Nos beijamos em meu apartamento, após eu te levar lá de carro... – ele deu uma pausa e me fitou – Certo?

Eu engoli em seco, abrindo os lábios, mas nada pronunciando. Estava um pouco chocado e confuso.

- V-V-Você... Não lembra de mais nada? Apenas isso? – questionei, após alguns segundos de profundas reflexões.

- Eu não sei o que fizemos depois de eu te deitar no sofá. – ele riu sem jeito.

Meus olhos tremeram e desviaram-se de SeokWoo, fitando minhas próprias mãos. Aquilo me assustou. Não por sermos pai e filho e ele estar dizendo tais coisas. Mas, porque eu também já havia vivido isso. Mas, não na realidade, e sim em meus sonhos. Essa cena a qual SeokWoo se lembra agora faz parte de um sonho que eu tive com ele logo após descobrir da traição de MyungJae. Quando, em pensamento, chamei-o.

- Não pode ser. – sussurrei.

- O que foi? – questionou ele.

Seria possível ele ter sonhado a mesma coisa que eu sonhei?

- Desculpa te abordar assim. Mas... – quando o fitei novamente, assustei-me com sua proximidade – Eu estava louco para te dizer que lembrei de você. – ele me encarava fixamente com seus olhos esbranquiçados e sua respiração quente batia em meus lábios a medida em que ele falava.

- S-SeokWoo...

- Se temos esse tipo de relacionamento, por que você ainda não me beijou, Lee SuYoung?

 

Continua...



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