História West Coast - Capítulo 16


Escrita por: ~ e ~LydiaAMartin

Postado
Categorias Star Wars
Personagens Capitã Phasma, Finn, Han Solo, Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Poe Dameron, Rey
Tags Finnpoe, Reencarnação, Reyben, Reylo, Romance, Star Wars, Stormpilot, Universo Alternativo
Exibições 160
Palavras 11.981
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Misticismo, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Raindrops Keep Falling On My Head - BJ Thomas
Hurts Like Hell - Fleurie
Kitchen Door - Wolf Larsen
I Know – Tom Odell
In a Bar - Tango with Lions
IAMX - Animal Impulses
**Last Kiss – Pearl Jam
**Alive – Jekyll& Hyde (The Gothic Musical Thriller)

Capítulo 16 - Divirta-se


Fanfic / Fanfiction West Coast - Capítulo 16 - Divirta-se

 

A vida tem cada vez mais obstáculos, principalmente quando se está apaixonado.”

William Shakespeare

 

Quando Ben acordou estava sozinho em sua cama, confortavelmente dolorido. A luz do sol rompendo as janelas. Lentamente ele se levantou procurando por Rey, mas ela já havia acordado.

Ele conseguia sentir o cheiro do café da manhã sendo preparado... Ovos com bacon, seu preferido. Preocupou-se com Rey tendo todo o trabalho de fazer o café da manhã para ambos.  Ela precisava descansar, e ele, bem, ele precisava… dela.

No meio da noite, havia acordado e a observado dormir profundamente pelo o que poderia ter sido minutos ou horas. Havia feito sexo com a mulher que amava. Ben não conseguia acreditar que aquilo realmente havia acontecido. Tinha ficado tão preocupado com ela e estragar sua vida que nunca lhe ocorreu que ela o quisesse tanto quanto ele a queria, que eles poderiam ser mais juntos. Ele não acreditava que nada conhecido poderia ser assim. Ele não achava que era possível a amar mais, mas de alguma forma, era como se ela se tornasse sua própria alma.

Ele sabia, então, que ele iria morrer sem ela.

Porque a noite anterior alterava todo o relacionamento – supostamente fraternal, com a mulher na qual ele jamais deveria ter colocado suas mãos, nem outras partes de seu corpo. Não podia ter comprometido suas vidas daquela forma. Mas... Caramba, quem ele queria enganar? Podia pensar que precisava se distanciar – e podia até acreditar que isso revolveria tudo –, mas com certeza não era isso o que ele queria. Ao menos agora era honesto o suficiente consigo mesmo para não inventar mais desculpas, nem tentar racionalizar seu desvio de conduta.

Uma conduta que ele insistiu tanto tempo em seguir a risca, desde que havia deixado de ser um adolescente problemático e meteu a cara nos livros descido em seguir a mesma profissão de sua mãe. Ser um representante da justiça. Ajudar as pessoas através de seu conhecimento. Lutar contra quem burlava as regras...

Ele era um tremendo de um hipócrita.

Mas, agora, não estava nem aí para isso. O que significava que continuava o mesmo, sendo Kylo Ren, mais do que poderia imaginar.

Quero paz... Faço guerra.

Faço Direito... Cometo incesto.

Foda-se! Eu a amo.

Se vestiu e desceu até a cozinha. Precisava de uma bela infusão de cafeína para dissipar a névoa de letargia em que se encontrava.

Descendo as escadas, sentiu o cheiro de bacon com ovos sendo preparado. E escutou Raindrops Keep Falling On My Head tocando no rádio da cozinha.

Parecia um dia “perfeito”.

Rey estava na cozinha. Podia ouvir tinidos fraquinhos vindo de lá e, ao se aproximar da porta, pode vê-la de costas, em pé na frente do fogão, mexendo na frigideira com a colher. Ben ficou parado à entrada, os dedos encostados no batente da porta, os olhos fixos nela.

Ela estava de calcinha, descalça e com uma camisa branca. Seus cabelos estavam maiores, e algumas ondas caiam pelas costas. Por um momento, ficou sem reação. Ela estava tão linda ali. Mas...

Camisa branca. Onde ela pegou isso?

— Comigo. — A voz fez Ben congelar. — Bom dia, Benny.

Sentado á mesa, a mão direita segurando um jornal enquanto a outra segurava uma jarra, servindo-se de suco. Ainda com sua roupa negra habitual, mas um pouco mais relaxado; sem a típica tunica, apenas um roupão preto e aberto, revelando seus músculos marcados por cicatrizes.   

— Ela fica tão sexy com nossa camisa, não acha? — Kylo Ren perguntou. Um sorriso irônico nos lábios.

Ben não conseguia acreditar.

— Rey... — Ben chamou, mas ela parecia entretida demais com a música para ouvi-lo sem deixar de preparar o café, sorrindo como se adorasse cozinhar.  

— Ora, dê um descanso pra ela. — Ele observou seu reflexo rir enquanto arruma-se na mesa, jogando o jornal sobre a mesma. — A noite foi bem longa...   

— Seu desgraçado. — Podia sentir o corpo tremer em raiva. — O que você... O que está... Fique longe dela, vá embora!  

— Embora? Depois do que aconteceu? Você só pode estar louco.

— Tem razão, eu estou louco. Eu estou vendo você. — Apontou para Ren, que mantinha o ar de riso. — O que faz aqui?  

Rey desligou a boca do fogão, segurando a frigideira e indo em direção a Kylo Ren, provavelmente ia servi-lo.

Ben foi rápido e correu, a agarrando por trás e a afastando.

— Ei, eu estou com fome, são meus preferidos.  — Resmungou Ren.

— Olhe pra mim. — Ben a girou, segurando seu rosto. — O que ele fez com você, você está bem?  

Rey franziu o cenho.

 — Só um pouco dolorida, Ren. — Ela sorriu. — Mas eu gostei. Gosto quando me machuca.  

Ben arregalou os olhos.

— Machucar? Rey, não...  

— Excitante, não? Eu sabia que gostava, meu amor. — Kylo disse interrompendo-os. — Meu café, por favor.

Rey voltou-se pra ele confusa, largando Ben.   

— Sente-se, Solo.

Ben continuou a seguir Rey com o olhar, quando sua imagem tremeu, e de repente ela não estava mais ali; piscou novamente próxima ao fogão, preparando algo, como um holograma.

— Falei para sentar-se. — Ren repetiu, percebendo que Ben não tinha reagido.

— É um sonho, não? — falou, tentando manter a voz o mais normal possível.  — Eu sabia, sabia que ia vê-lo de novo depois de...

— Trepar com sua irmã? – completou, inclinando a cabeça para o lado, escutando a música. — Raindrops Keep Falling On My Head... Sente que as gotas de chuva ainda estão caindo na sua cabeça, Ben?  Bom, eu sinto. Ah... Que felicidade.

Ren se levantou e foi até Rey. Se colocando atrás dela e agarrando sua cintura, ela sorria e continuava a preparar a comida que parecia nunca estar pronta ou queimar, só permanecia igual.

— Doce Rey. Eu pensei que tinha perdido você. Mas é o destino... Não poderia ser negado.  — retirou o cabelo para o lado e encostou o rosto na curva do pescoço dela. — Eu tinha esse desejo, de tê-la há tanto tempo. Agora, eu tive. Nunca me senti tão vivo!

Ben permaneceu em silêncio.

— Os seus pensamentos estão te matando não estão? — ele olhou para Ben, com sua falsa curiosidade. — Não minta. Estão te assustando? Fazendo se sentir apavorado? Ou... se sente vivo, como eu?  

— Não estão.

— Ah, então está sentindo? É o sentimento de estar vivo! Ser livre!

— Eu tentei fugir, não queria mais machuca-la... Mas aí percebi que nunca fiz, era você. Uma lembrança de algo que fui; uma sombra. Já passei por cima disso, naquela vida mesmo, mudei. Anos e mais anos, até vidas como diz a Maz. Agora estou limpo, eu renasci. Não sou você.  Você não existe, eu existo. Eu amo Rey Solo, aquela garota de Jakku morreu. Amo minha irmã, essa mulher que nasceu aqui em Seattle, na Costa Oeste e nunca esteve em um deserto...

Ren estava com uma cara de quem tinha acabado de ouvir algo tão, mas tão idiota, que mal podia acreditar que uma pessoa tinha tido a coragem de abrir a boca para falar aquilo. Mas num relance sua cara se dissolveu num sorriso cínico.

— Lindo, lindo. — ele se aproximou batendo palmas. — Rey, garota. Vamos, bata palmas ele merece.

Ela obedeceu no mesmo instante, largando a colher e batendo palmas.

— Chega, volta pro fogão. — Ren ordenou e novamente ela obedeceu.

Kylo Ren franziu o cenho, o encarando, e sentou-se.

— Rey Solo e a catadora de lixo de Jakku são a mesma pessoa, não importa quanto tempo passe. É só se lembrar do jeito que ela ficou com uma simples alucinação minha... Do seu cavaleiro. — ele riu. — Isso significa, ela ainda lembra-se que seria minha. E agora ela é nossa.

— Ela não é sua, e nem minha.

— Então a quem pertence?

— Rey pertence a si própria. — respondeu Ben.

Kylo Ren deu de ombros.

— Mas ontem você a tomou. — disse rindo.

— Você é um louco possessivo.

— Não, Benny, você é. Somos um só. Antes de entrar nessa maldita cozinha você estava até aceitando o fato, agora diante de mim fica bancando o bom moço. O garoto puritano. — Bufou, entediado — Tão puritano que basta seus amados pais viajarem algumas semanas para você trepar com sua irmã no tapete da sala.

 Ben vacilava, olhando Kylo Ren, que o observava com a xicara de café sobre um sorriso divertido.

— Preciso acordar. — murmurou.

— Ainda não, só quando eu permitir.

— Ah, vai se... — Parou quando viu Rey andar em direção a mesa novamente com a frigideira e a colher em mãos, as deixou no centro da mesa e sentou-se calada ao lado de Ren.

Kylo Ren olhava para Rey, enquanto lhe servia o suco. Ela sorria para ele, como uma boa dona de casa dos anos 60. Era, de certa forma, assustador.

— Você está me trancando dentro de você, não sabe o quanto lhe fará mal. — Kylo falava para Ben enquanto servia ovos mexidos para Rey, destraidamente. — Não quero que me veja como o inimigo, tudo o que eu quero é...   

— Eu vou te dizer o que eu quero! Pare de tentar me tranformar em você! — Ben bateu os punhos contra a mesa. — Não me importo com o que eu fui, você é só uma memória ruim. Tudo o que eu faço é para proteger a minha família de você.

A sua imagem riu irônica, lambendo os lábios em diversão.

 — Família? Não... — Contestou, a face de diversão mudou e ele apontou para Rey. – É para proteger ela!

Ren levantou-se e puxou Rey pelo braço com brutalidade e arremessando-a para Ben.

— Chega. — Fechou os olhos respirando fundo. — Você precisa de um choque de realidade.  

O corpo de Rey pesou contra o seu, e ela agarrou-se em seus braços.

— Benny... — Chamou trêmula. Ele tentou levanta-la, mas foi assustado que a deixou ir ao chão quando percebeu a mancha de sangue crescendo em seu peito.  

Sentou-se ao chão desajeitado, enquanto puxava o corpo dela contra o seu. O ambiente escureceu e os móveis foram desaparecendo. E de repente, não estava mais na cozinha, e sim no meio de um campo de batalha.

A mão dela apertava o local atingido, e desesperado, ele pressionou a mão contra a dela.

— Rey, não... — Negou. Nunca em nenhuma lembrança o medo de perdê-la havia sido tão verdadeiro. — Fique comigo.  

— Dor... F-faça parar... — Ela tossiu sufocada, o sangue espirrando pra fora de sua boca.  

— Ben. — A voz metalizada o chamou, arrepiando toda sua espinha. — Você nunca vai escapar disso.  

O ignorou, tocando a face pálida de sua amada. Não era ela. Mas não deixava de doer. Por Deus, aquilo doía como o inferno. Sentia a vida dela esvair-se de seu corpo gradativamente; seus olhos enchendo-se de lágrimas.  

— Essa dor é minha. — Ren voltou a dizer, agachando-se ao seu lado. — Mas você a sente em você. E se você sente a minha dor, deve sentir meus desejos, meus implusos... Então não diga que sou apenas uma sombra do que já foi, é ridículo.   

Devagar, Ben o encarou. Era o monstro falando, com o traje de guerra e a máscara.

— Luz e escuridão vivendo dentro de você, e você tenta me trancar, me afastar... — Ben fez um movimento com a intenção de pegar o sabre de luz na mão de Rey. — Cuidado Ben. Se eu for embora, eu vou tentar traze-la pra junto de mim.   

Aproximou-se de seu rosto. Por um instante, Solo viu uma luz vermelha passar pelo metal de sua máscara.  

Nem que pra isso, essa dor que você sente, se torne real.

Esticando o braço para Rey, Kylo Ren segurou sua mão livre, levantando-se e puxando-a pra ele.

O ambiente piscou, e Ben sentiu a cabeça rodar. Fechando os olhos, ele pôs as mãos contra os ouvidos. O som dos tiros, dos gritos, das naves, tudo tão alto, como se fosse um peso contra os seus ombros, impedindo-o de levantar.

Quando parou, ele abriu os olhos. Estava na cozinha de novo, e Ren novamente com sua roupa desleixada, sem máscara ou ameaças. Rey estava com ele também; bem, desta vez. Estava sentado na cadeira com ela em seu colo.

— Sua loucura vai custar caro, meu amigo. Você verá, ela nunca vai me escapar.

Veremos.

Ren riu.

— Estilhaços de minha alma estão cortando sua pele de cordeiro e estão lhe atravessando, aparecendo. O infectando, pouco a pouco. Incesto foi o primeiro passo. Logo você vai matar novamente... Talvez, seja o Han...

— Cala a boca!

— Não se preocupe. — Continuou. — Não foi tão sombrio ou assustador quanto você lembra. Eu tive um monte de diversão… matar alguém é uma experiência engraçada. Você ainda vai descobrir...

Eu nasci com o diabo dentro de mim. Ben pensou.

— Errado. Eu não acredito no Diabo ou em Deus, nem mesmo no homem. Eu odeio toda maldita raça humana, inclusive eu. O que significa odiar você!

— E Rey, você a odeia?

Ren mordeu o interior da boca, por um momento, e estalou antes de responder.

Odeio. Mas adoro machuca-la, confundi-la... — Sorriu maldosamente. — E tenho desejos que eu não posso me privar.

— Sim, Rey é apenas um brinquedo pra você. Você não tem coração, Ren.

— Talvez eu não tenha um coração. Ou, quem sabe, sim. Será você é a parte com coração? Ou Ben ou Ren sejam tudo a mesma coisa?

— Francamente, eu não dou a mínima. Só não quero machucar os outros, não quero e não gosto.

Ren rolou os olhos, apertando a coxa de Rey.

Incesto consumado, vamos ver até quando você... Sua fachada patética vai durar, e eu vou assumir o controle.

...

Bip. Bip. Bip.

...

 

Ben acordou de costas no tapete, torcido confortavelmente no pequeno manto que eles compartilhavam e com os olhos turvos viu... Rey, a verdadeira, meio descoberta, mas dormindo profundamente. Queria ficar ali um pouco mais, e abraça-la, para guardar na sua memória os seus dedos sobre ela e assim esquecer-se do sonho que acabara de ter.  

Ele suspirou e bocejou irritado, depois percebeu por que acordou. Seu celular estava chacoalhando e vibrando afastado sobre o sofá. Estendeu o braço e com um pouco de esforço conseguiu pega-lo, e voltou a abraçar Rey enquanto checava o celular. Era duas mensagens. Uma de Mitaka perguntando se ele estava bem, porque não tinha o visto chegar. Ben respondeu rapidamente, enviando: “TB. Estou em casa, até.” A outra era da Phasma, perguntado pela milésima vez se ele iria beber uma cerveja mais tarde para comemorar o aniversário dela. Respondeu: “Sim, MAS apenas uma”.

Essa pequena distração o ajudou recuperar um pouco o foco, desprender seu mente das palavras venenosas de Ren. Estar abraçado à verdadeira Rey também ajudou — e muito.

Ben queria continuar deitado com ela, envolvendo-a com seu corpo, para que ela acordasse em seus braços, confortável e sonolenta, e olhasse para ele toda contente e lânguida com aqueles olhos de avelã. Mas ele tinha que checar a cozinha.

Vestiu a cueca box, que estava por perto, apressadamente e foi até a cozinha.

Tinha sido apenas um sonho, porém o medo permanecia no fundo de sua cabeça e ficaria o atormentando até que soubesse que Ren era apenas fruto de sua mente perturbada.

Para o alivio de Ben não havia ninguém na cozinha. Tranquilizado, ele começou a preparar o café.

Mas... Droga, inconscientemente acabou começando a pensar em seus pais. Fazendo a contagem dos dias que seus pais estavam fora, enquanto fazia o café, Ben percebeu que faltava menos de uma semana para eles voltarem.

Por enquanto ele e Rey teriam a casa apenas para eles, mas quem sabe o que aconteceria depois que seus pais voltassem das pequenas férias. Com a volta deles aumentariam as chances de serem descobertos, e assim estariam arruinados. Eles iriam sentir tanto nojo dele e Rey. Seus pais se perguntariam onde haviam errado, e Ben sabia que a resposta de Han seria culpa-lo, e seu pai estaria certo.

Enquanto Ben mexia o açúcar que tinha colocado no café forte, apenas o suficiente para tirar o amargor e torná-lo palatável, ele sentiu braços o envolvendo por trás em torno de seu estômago.

— Você acordou cedo. — Rey murmurou, contra sua coluna.

— Eu não conseguia mais dormir. — ele disse, virando a cabeça para que ela.

Rey, a verdadeira, estava novamente com a camiseta de banda e de calcinha. Com o cabelo despenteado e ainda um pouco úmido, mas ela estava tão adorável que ele queria agarrar seu rosto e beijá-la.

Ele suspirou, desviando o olhar dela. Olhou para o teto, tentando não pensar muito sobre o pesadelo ou o que Rey queria falar com ele na noite anterior.

— Então... — Ben voltou a ficar de costas para Rey, era realmente difícil pensar direito perto dela. — Dormiu bem?

Ela bocejou contente.

— Sim. Fui colocada para dormir da melhor forma possível.

Ben sorriu, sentindo seus olhos sobre ele, observando-o com curiosidade. O que o fez se virar, recebendo um pequeno sorriso dela. Ela deu alguns passos até ele e enroscou os braços em torno do seu pescoço, obrigando-o a se abaixar, nisso sua boca se encontrou com a dela para um beijo desajeitado, um pouco tímido. 

Ele a beijou de volta, desta vez, segurando-a e empurrando sua língua contra ela. Eles poderiam levar adiante, mas foram acalmando, suavizando suas línguas e lábios, até Ben dar dois passos para trás, esperando que parecesse calmo ao fazer uma das perguntas que vinha o atormentando desde que acordou.

— Por favor, Rey...

— O quê? — resmungou ela, se aproximando dele ao lado do balcão e servindo o próprio café. Os olhos de Ben caíram na parte de trás das coxas dela e no pouco que a camiseta permitia mostrar de suas nádegas perfeitamente arredondadas quando Rey movia os braços.

Foco, Ben! Foco!

Ele se endireitou, respirando com força, esfregando o rosto furiosamente.

— Rey, você... Você toma algo? — ele parou. — Você sabe... Não café... Ah, e-eu quero dizer... Sabe...

Rey riu, virando-se para ele.

— Anticoncepcional? — ela perguntou, despreocupada. — Sim, eu ia falar sobre isso ontem.

— Ótimo. — respondeu ele, como se houvesse algo rasgando dentro dele. Sentiu um alívio enorme, tão forte que quase doía.

Um momento de silêncio passou enquanto ambos pareciam muito preocupados com algo no chão, enquanto tomavam café em pé, até que um deles tomasse coragem de falar.

— Ontem… Ontem à noite...  — Ben gaguejou, fechando os olhos, depositando a xicara no balcão. — Por favor, me diz, foi verdade o que você disse. Realmente quer... isso?

— Por Deus, Ben, sim. — ela exclamou, irritada. — É claro que sim! Eu não estava brincando quando disse queria você! E nem quando transei com você!

O que ela falou o encheu de esperança, mas, mesmo assim, ele temia se permitir sentir, permanecia com a sensação que poderia ser facilmente esmagado caso Rey o tivesse rejeitado.

— Eu não me arrependo. — ela disse, soltando sua xicara ao lado da dele. — Eu sabia que não poderíamos ir até o fim. Sei que é ilegal. Mas, dane-se, eu amo você.

Ele respirou depressa, angustiado.

— Eu sei. Eu também. Eu também! Mas nós temos que tomar muito cuidado. Não podemos perder a cabeça. Não podemos… não podemos destruir a… Nossa família.

Ben prendeu a respiração, quando viu a tristeza nos olhos dela. Sentiu vontade de gritar.

Era tão injusto. Terrivelmente injusto.

— Algum dia, quem sabe? — Rey disse, em voz baixa, com um sorriso. — Algum dia, quando nossos pais se forem. — fechou os olhos, mordendo os lábios, consternada por ter dito a última parte. — Droga, não. Quero dizer... Se... Se... Talvez ao poucos nos afastarmos... Podemos fugir. Começar de novo. Como um casal de verdade. Não mais irmão e irmã.

Ben assentiu, tentando desesperadamente compartilhar um pouco da sua esperança para o futuro. Porém a ideia de deixar seus pais o entristecia. Iria abandona-los mais uma vez, agora nessa vida. E sabia que ela também não ia querer os abandonar, sumir no mundo. Deixa-los desesperados a procura dos filhos. Mas mesmo assim respondeu:

— É, quem sabe.

Ela lhe deu um sorriso cansado e passou os braços entorno de sua cintura, encostando o rosto no seu peito.

— É. Mas até lá, nós ainda podemos ficar juntos. Podemos nos abraçar, nos beijar e ficar um com o outro de todas as outras maneiras. Claro, sempre com muito cuidado.

Ben concordou e sorriu. Se dando conta, de repente, do quanto eles tinham. Kylo Ren e a antiga Rey não tinham nem uma chance... Ou, talvez tivessem, mas Ren as jogou fora várias vezes.

— E também o mais importante de tudo — sussurrou ele, com o canto de sua boca se curvando.

— E o que é?

— Nós ainda podemos nos amar. — Engoliu em seco, para aliviar o aperto na garganta. — Não há leis nem limites para sentimentos. Ninguém, Rey, ninguém pode jamais tirar isso de nós... Teremos isso para sempre.

Ela emergiu de seu peitoral, com os olhos marejados por lágrimas que pararam como se ela as quisesse longe de repente.

— Eu te amo.

Ben pressionou a testa na dela, com os olhos fechados. Uma sombra de uma memória distante veio a sua mente; uma visão de seus pais, mais jovens, antes de seu pai sair para mais uma viagem. Estava parado na varanda, com Rey, observando Han e Leia se abraçarem. Sua mãe pegava o rosto de seu pai com as duas mãos e sorria para ele, antes de dizer que o amava – mesmo isso sendo minutos após uma discussão boba – então Han se inclinava para frente e respondia da forma menos romântica possível. Leia apenas ria para ele, e simplesmente pareciam brilhar. Ela sabia quanto custava a ele dizer as mesmas palavras, diretas e honestas como ela havia dito, porque ele não tinha a força para fazer o mesmo.

É isso? Isso é o amor.

Compreender e respeitar. Amar até os pequenos defeitos e limitações do outro.

Essa foi uma pequena imagem que o pequeno Ben guardou no fundo de sua mente, a representação de uma palavra com grande peso.

Agora este Ben não conseguia entender como isso havia acontecido com ele; como Rey poderia ser apaixonada por ele. Mas sabia que não seria capaz de seguir em frente sem ela. Ele destruiria mundos para chegar até ela.

Ele respirou fundo e disse:

Eu sei... E eu a amo.

 

***

 

Rey terminava de secar o cabelo no banheiro do seu quarto. Havia tratado com Ben que cada um se arrumaria em seu próprio banheiro, assim não correriam o risco de... De se atrasarem com outras atividades.

Ela ficou ruborizada quando seus pensamentos se voltaram para aquela noite, algo que nunca foi típico dela. Mas Ben era tão... Diferente. E tudo havia sido tão mágico de seu ponto de vista.

Estava deliciosamente dolorida em locais íntimos. Era bastante sensível até mesmo ao toque mais leve em seus seios, entre suas pernas, ou mesmo na boca – inchada pelos beijos intensos de Ben – era como uma descarga elétrica que a deixava acesa e a levava de volta ao momento em que ele finalmente a fez chegar lá.

Em vez de sentir-se assustada ou envergonhada, Rey recusou com veemência essas duas emoções. Algo como aquilo, tão bom, tão lindo e emocionante, não poderia gerar arrependimento ou constrangimento. E definitivamente a vergonha teria que passar longe de algo tão perfeito.

Ela sorriu, deixando a toalha sobre as costas da cadeira da penteadeira.

Seria capaz de permanecer relembrando aquela experiência o dia todo, e com certeza querendo repetir tudo aquilo. Um sorriso satisfeito apareceu em seus lábios enquanto ela se lembrava da sensação de liberdade que teve ao, finalmente, se entregar ao que sentiam, e todo aquele desejo... Ah, o desejo. Ainda estava ali, seria difícil sacia-lo completamente.

Olhando-se pela primeira vez no espelho da penteadeira, Rey percebeu a mancha sobre o pescoço; perto da garganta.

Droga, Ben.

Rey pegou o pó e a base tentando fazer o melhor para cobrir a marca de chupão, sem sucesso. A maquiagem apenas parecia tornar a mancha mais visível, em um tom amarelado horrível.

Dando de ombros, ela foi até o armário e procurando por algo que cobrisse o pescoço, encontrando apenas vestido escuro que sua mãe havia dado para usar em velórios e algumas peças de inverno. Colocou o vestido, fechando os botões até em cima, e calçou uma sapatilha igualmente preta.

Ficou diante do espelho novamente, checando a aparência. Parecia uma freira ou alguém prestes a ir algum velório.

Ela mordeu os lábios, se virando um pouco. O vestido até era bonito com pequenas flores brancas e marcava bem a cintura... Mas era tão recatado, e mórbido.

Pelo menos o vestido cobriria o pescoço.

Sentindo que estava sendo observada ela ergueu o olhar percebendo através do espelho Ben sorrindo, encostado de braços cruzados no batente da porta.

Tentou se virar e ir até ele, mas Ben se aproximou e a segurou por atrás, obrigando-a a olhar o próprio reflexo. Colocou o corpo dela entre as mãos, uma de cada lado, de modo que o permitia que percorresse livremente suas curvas sob o tecido fino, segurando seus seios por baixo e os levantando, de forma que era impossível ela não sentir os mamilos duros e tensos, também inchados pelos carinhos de Ben.

— Então... Como estou? — perguntou ela, tentando por uma voz.

— Perfeita. — ele respondeu, enquanto a mão dele derivava pelo o quadril, puxando-a para trás, para ele.

— Você tem uma definição engraçada de perfeita. — ela riu suavemente.

— Pare com isso. — Rey ficou um pouco surpreendida com o tom de voz dele, era quase como da sua mãe quando os castigava quando eram crianças.

Engoliu em seco e lentamente assentiu, enquanto Ben se inclinava para acariciar o pescoço dela com o rosto. Mesmo após a noite anterior seu corpo reagia energeticamente ao toque de Ben, ao calor intenso que surgia entre eles quando ficavam próximos.

Ben apoiou o queixo no topo da cabeça de Rey, olhando diretamente para ela no espelho, com um olhar atento. Claramente satisfeito pelo que viu – pelo menos parecia –, ele a abraçou com força e a virou. Segurou o queixo dela, alisando seu rosto com o dedão. Rey sentiu o aconchego e o afeto preencherem todos os seus membros e se espalharem depressa pelas veias para o resto do corpo.

— Você é linda. — Ben disse, com a voz rouca. — Mas você é perfeita de uma maneira que nem imagina. Eu posso dizer por que você não se vê da mesma forma que a vejo. Porque você não vê a sua essência. A sua luz...

Novamente ela estava envolta na felicidade e pôde relaxar nos braços de Ben, permitindo que seu corpo se moldasse ao dele, em um encaixe perfeito.

Ben encheu de beijos o pescoço inteiro de Rey e foi descendo até chegar aos ombros. Então simplesmente a puxou para junto de si, em seu peito e a abraçou com firmeza. O reflexo dos dois no espelho trazia uma imagem tão íntima e sensual, que Rey imediatamente fez questão de guardar aquela cena na memória, para que a lembrança jamais se apagasse, e ela fosse sempre capaz de trazê-la à tona quando quisesse.

Porque dessa cena ela jamais desejaria se esquecer.

Ben afastou-se lentamente, ainda a segurando pela cintura. Seus olhos se voltaram para os dela. E, oh… Deus… eles brilhavam como estrelas, quente como o sol.

Ele esboçou um sorriso e respirou profundamente.

— Adoro o seu cheiro. Me dá vontade de fazer mais do que apenas...

— Benny... — ela resmungou, soltando-se dele.

— O que?

— Não.  — disse incisiva.

Fugindo das garras de Ben, tentando pega-la novamente, ela se aproximou de seu projeto, ainda coberto por um lençol em frente a sua cama. E o avisou:

— Temos que ir.  

O sorriso malicioso desapareceu do rosto de Ben, e assim concordou.

Ainda queria mais dele, seu corpo falava por ela, e ele sabia muito bem disso. Mas não poderia se atrasar para a Feira de Tecnologia, ou simplesmente inventar uma desculpa para não ir. Tinha que ir mesmo que não conseguisse se apresentar direito por estar pensando nas consequências da noite passada. Havia trabalhado meses naquele projeto e sobre a orientação da sua professora de robótica, não podia desaponta-la.

— Quer ver meu projeto? — Rey perguntou, mordendo os lábios olhando para cima, como uma criança travessa.

— Claro. — respondeu sentando-se na beirada da cama, a sua frente.

Rey puxou o lençol de cima do projeto revelando uma pequena bola branca e laranja, com um semicírculo sobre e uma espécie de olho igualmente redondo.

— Benny, apresento-lhe o meu mais recente projeto: BB-8.

Ben forçou um sorriso, não estava acreditando naquilo. Deus, até o mesmo nome daquele droid maldito.

— Ah... BB-8. — soltou.

— O nome foi ideia do Poe.

— Foi, claro. — Ben inclinou a cabeça analisando o droi... ou robô. Ah, tanto faz. Era idêntico, em todos os detalhes, até mesmo as cores da Resistência.  

— BB-8 é minha oitava tentativa, e a de sucesso.

— Incrível, meu amor. Parabéns. — Passou a mão pela nuca, nervoso. — E-ele se meche sozinho? Tipo, ele tem consciência, essas coisas?

— Bem, posso dizer que ele é muito independente. — ela riu um pouco. — Se move sozinho e, claro, tem consciência. Mas não como de um humano, a mente dele se assemelha mais a de um cão ou gato... Sim... Gato, com certeza. BB-8 se irrita rápido, até me faz lembrar um pouco do Millicent.

Ben apertou os lábios em uma linha. Odiava aquele gato, irritante como o Hux. Mas esse droid era menos... Insuportável. A Primeira Ordem até tinha um modelo parecido; o BB-9, mas é claro, mais rápido e menos enxerido.

— Ótimo, um robô irritado. Obrigado, Rey, por contribuir para dominação dos robôs sobre os seres humanos. — Brincou, levantando-se, e se aproximou para dar um beijo no topo da cabeça de Rey.

Ela revirou os olhos e lhe deu um sorriso falso.

— Você é tão dramático. — Suspirou, olhando para o relógio no criado-mudo. — Mas, vamos, já estamos atrasados.

Ele já ia saindo pela porta, quando estacou percebendo que Rey havia ficado para trás.

— Pode leva-lo pra mim?

— Ah, claro.

Poderia rir naquela cena. Rey entregando o droid, de livre e espontânea vontade, o qual Ben quase enlouqueceu caçando em outra vida.

 

***

 

Quando Finn se aproximou deles no corredor, Ben ainda estava carregando BB-8 no colo. De casa para o carro, do carro para o salão de exposições.

Rey apertou os lábios, nervosa, se perguntando o que seu amigo diria se soubesse que ela tinha transado com o próprio irmão. Ou como Ben estava beijando-a após tomarem café. Ou como, alguns minutos atrás, estava brincando com ela no carro, pegando no seu joelho, inventando versinhos indecentes e falando sobre tudo que fariam juntos durante a noite.

É. Provavelmente, Finn enlouqueceria.  

— Cadê a minha campeã? — disse ele, transbordando de empolgação. — Ahã? Ahã?

— Para, Finn. — ela disse, retribuindo o abraço forte de seu melhor amigo. — A feira nem começou e já está cantando minha vitória.

Finn se afastou levantando uma sobrancelha.

— Rey, seu projeto é maravilhoso e você é a pessoa mais inteligente que conheço. Esse prêmio já é seu.

— Ele tem razão. — disse Ben, ao seu lado.

— O quê? — perguntou Finn, virando-se para Ben. — Estamos falando há mais de dez segundos e você ainda não me chamou de “traidor”.

Ben mudou o peso do robô de um braço para o outro, antes de dizer em um tom áspero:

— Oi, traidor.

— Ok, você não está doente. — Finn riu, antes de voltar-se para a Rey novamente. — Rey, desculpa. Infelizmente eu tenho que ir pra aula, mas assim que terminar nos encontramos. Ok?

— Ok.

Ela concordou cabisbaixa, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— Rey, está tudo bem? — Finn a indagou, preocupado.

— Estou ótima. — Ela olhou para Ben, de relance, antes de sorrir amplamente. — Pode ir, Finn. Depois nos falamos.

Finn assentiu, e seguiu pelo corredor até a porta de saída.

Assim que chegaram ao salão de exposições, Ben depositou BB-8 no centro do estande demarcado para Rey. Sentia-se aliviado, aquela bolinha laranja e branca era realmente pesada. Enquanto massageava as próprias costas, observou Rey começar a ligar o robô. Parecia mais complicado do que na outra vida.

As luzes de BB-8 piscaram, lançando uma luz vermelha na testa de Rey e deixando-o por um instante assustado. Mas o que ele achava? Que estava em um filme de ação?

Rey se ergueu e virou-se para ele, sorrindo.

Sem saber o que fazer a seguir, ela deu um passo desajeitado em direção à Ben, apertando um dos botões do vestido que usava. Mais uma vez, afastou a vontade de beija-lo e tentou, com as poucas forças que a restavam, manter uma “pose” de irmã.

Com o couro da jaqueta fazendo ruído, Ben se aproximou, e a abraçou. Ele não sabia realmente o que estava fazendo, só que a onda debaixo de sua pele implorava para tocá-la. As pessoas a sua volta não eram tangíveis de preocupação neste momento. De qualquer forma, não estavam em alguma posição que os comprometesse. Era apenas um irmão desejando boa sorte a irmã que estava competindo como as outras pessoas no salão.

Rey suspirou contra a sua pele quando o puxou para mais perto, assim o nariz de Ben traçou uma linha do seu pescoço até a têmpora.

A respiração profunda se tornou um arrepio.

Ele a manteve onde estava com a boca na sua orelha sussurrando “boa sorte”. Até ela retrair os braços para baixo e lhe dar um beijo no rosto. Algo inocente, o tipo de beijo que uma irmã daria em seu irmão na porta, apenas reconfortável para o momento.

Ben deu um passo para trás, olhando para os lados rapidamente enquanto descia as mãos pelos braços de Rey. Parando ao chegar as suas mãos e então levantou uma delas na altura da boca e, com carinho, beijou uma, duas, três vezes.

— Eu te amo. — sussurrou, quando voltou a erguer o rosto e olhar para ela. — Eu te amo, — falou. — Amo muito, muito mesmo, meu amor.

Rey se encheu de felicidade ao escutar as palavras de Ben, se iluminando a partir do amor dele, mas no fundo desse sentimento instantâneo vinha a razão lhe aconselhando que não deveriam adquirir o costume de usar expressões como “meu amor”, “amor”, etc.

— Eu te amo. — respondeu, em tom baixou, enquanto ele se afastava lentamente andando de costas.

Ao passar pela porta do salão, Ben parou e agradeceu a seja lá o que rege o mundo; pela existência de Rey. Poderia ter o castigado colocando-a como sua irmã nessa vida, mas suas ações eram todas dentro do padrão do correto, apenas saindo do caminho para tê-la. Oh, e ela o queria. Dessa vez ela o queria de corpo e alma, o amava.

O amava.

Sorriu, por um momento, fechando os olhos. Antes de se endireitar e virar no corredor, seguindo na direção à porta de saída.

 

***

 

Enquanto Ben estava sentado em uma das mesas do bar com Phasma, não se sentia contente nem à vontade. Havia saído da aula mais cedo para poder ao menos beber uma cerveja para comemorar o aniversário de Phasma, como prometido há dias.

Estavam esperando pela tal cerveja há quase meia hora, quando Ben percebeu que não deveria ter ido até aquele lugar. Mas caramba, era o aniversário da sua melhor amiga e a única pessoa que poderia compartilhar a frustações de lembrar-se de outra vida.

— Merda, que demora — Phasma disse. — Eu não me arrumei toda para ficar mofando nessa mesa. Nós deveríamos ter sentado no balcão quando tivemos a chance.

— Eu avisei. — respondeu, olhando entediado para o visual de Phasma.

Ben tinha de admitir que sua amiga estava bem-vestida: blusa prata com belo decote, calça preta, botas pretas e jaqueta de couro preta. Com os cabelos loiros jogados para o lado, chamava muito a atenção de alguns caras no bar. Por exemplo, naquele momento, dois morenos e um asiático estavam passando pela mesa e, adivinha só, os três se viraram para olhar Phasma. Ela retribuiu os olhares sem o menor pudor, como sempre.

Ben resmungou e disse:

— Esta demorando muito. A Feira deve estar quase acabando, preciso chegar antes da premiação.

— Tudo bem, pode deixar sua amiga comemorar aniversário dela sozinha.

­— Você não irá ficar sozinha, daqui a pouco já vai estar com um desses caras. E eu vou ficar sozinho nesta mesa enquanto perco a premiação da Rey.

Phasma lhe deu um olhar curioso.

— Ben Solo, você está muito mudado mesmo. Vai ficar sozinho num bar cheio de garotas. Bom, já sair correndo atrás da sua irmã é típico de você.

Ele rolou os olhos, pegando o celular do bolso para checar mais uma vez o horário.

— Sério, sua irmã ganha algum prêmio pelo menos cinco vezes por ano. Eu comemoro meu aniversário uma vez por ano e estou sem a minha família nessa cidade. Então, fica e bebe uma cerveja.

— Phasma, eu...

— Ok, que tal você mandar uma mensagem para ela. Diz para ela vir pra cá, assim todos comemoram juntos. Deixo até ela trazer o FN-Traidor.

— Finn. — Ben a corrigiu.

Apenas ele pode chamar o traidor de traidor.

— Finn, FN... Tanto faz, o cara me jogou num compactador de lixo.

— Hux também, depois que você morreu...

— Outro filho da...

— BENNY!BENNY!

Ben se virou de imediato, acreditando por um instante que fosse Rey. Mas não era.

— Bárbara. — ele reconheceu a garota, seguindo-a com o olhar enquanto se aproximava de sua mesa.

— Oi. — ela deixou o copo de coquetel sobre a mesa, e o abraçou. Então se voltou para Phasma. — Oi, amiga do Ben. Sou a Bárbara.

— Phasma. — Estendeu a mão cumprimentando a garota. — É um prazer lhe conhecer, Bárbara.

— Prazer o meu. Então, o que fazem aqui de novo?

Ben abria a boca prestes a dar alguma desculpa para mandar a garota embora educadamente, quando Phasma o interrompeu:

— Estamos comemorando o meu aniversário. Quer sentar conosco?

— Ah, claro.

Ben sentou-se novamente, lançou um olhar irritado para Phasma que sorria divertidamente. Um silêncio constrangedor se fez presente, antes que ele tentasse quebra-lo.

— E-eu preciso que ir embora... — começava, quando a bargirl finalmente trouxe as tão esperadas garrafas de cerveja.

Phasma e Ben agradeceram, e ele retornou a falar:

— Eu preciso ir embora, desculpa Phasma. — Se voltou para Bárbara. — Desculpa.

— Ué? Eu mal sentei e você já vai, Ben? 

— Desculpa, eu tenho que ir.

— Ele tem que ir naquela feira de tecnologia que está acontecendo, aqui perto, no campus da SPU. A irmã dele está concorrendo um dos prêmios. — Droga, porque ela não pode ficar de boca fechada pelo menos uma vez?

Bárbara se endireitou, rapidamente, na cadeira e o fitou curiosa.

— Não sabia que tinha uma irmã.  

Ben desviou o olhar, ansioso.

— Sim, eu tenho.

— Tem alguma foto dela? Quero ver se parece com você.

Ben mordeu os lábios.

Que tipo de pergunta é essa?  Ah, foda-se. Precisava sair antes que ela chegasse a perguntar o nome de sua irmã e Phasma, como de costume, respondesse por ele. Aí estaria ferrado; Bárbara poderia espalhar, ali mesmo, no bar que frequentava que ele tinha um caso com a irmã. Ou no mínimo seria chamado de doente.

— Não, não tenho nenhuma foto aqui. — Mentiu. Tinha uma foto com Rey na tela do celular e outra em família na carteira.

Sentindo uma vibração insistente vindo de sua bolsa, Phasma se inclinou alvoroçada pegando o celular.

— O que foi, Phasma? Seu namorado secreto novamente? — Ben a encarou sério, não podia deixar passar os recentes mistérios de sua amiga.

— Sim, era ele.

— Quando vai me apresentar? — tentou manter seu tom sereno.

— Estou pensando em terminar, ele pega muito no meu pé. — ela passou as mãos no cabelo.

— Esse negócio de namoro é complicado, terminei recentemente um relacionamento. Ele era tão babaca quantos os outros caras que conheci, mas... — Bárbara sorriu, enquanto passeava a borda do copo com os dedos. — Ainda sinto falta dele.

— Por que não o procura? Quem sabe ainda exista uma chance de volta. — Phasma a aconselhou.

Ben lhe lançou um olhar irritado, mais uma vez, sabia que ela estava apenas alimentando aquela conversa para ele permanecer ali. O problema era que não podia sair sem antes afastar Bárbara da mesa, se as deixasse sozinhas em algum momento Phasma poderia revelar o nome de sua irmã. Mas se assim que saísse mandasse uma mensagem alertando Phasma a ficar calada sobre esse assunto...

— Não adianta, ele sempre foi apaixonado por outra pessoa. — Bárbara respondeu, resignada, lembrando o motivo do fim do seu namoro. Estalou os dedos e empurrou o copo para o lado. — Meu ex sempre foi apaixonado pela prima. — ela levantou as sobrancelhas — Chocados?

Phasma olhou para Ben, que fazia seu melhor para não parecer inquieto.

— Como assim? É incesto, não é? — ela perguntou, voltando a olha-la.

— Bem, não chega a ser incesto. A garota é apenas prima de consideração dele.

— Mas ele e essa prima...?

Bárbara sorriu sem jeito.

— Não, ela nunca quis nada com ele. Acho que esse é o grande motivo da obsessão dele, típico cara que não aceita um “não”. Mas tenho pena dele, nunca vai ser feliz com ninguém se continuar com essa mulher na cabeça.

— Verdade. — Phasma concordou um pouco distraída, olhando para Ben passando a mão sobre a nuca, antes de ele pegar pela primeira vez a garrafa de cerveja. Ele deu um longo gole, e ela percebeu pelos seus movimentos que iria se retirar depois disso.

Bárbara começou a rir, de repente, chamando atenção de ambos.

— Olha, o que vou falar aqui vai soar bem estranho. Mas a tal garota se chama Rey, o mesmo nome que o seu ex, Ben.

Ben cuspiu a bebida.

As mulheres na mesa se afastam e todos ao redor olham para eles.

— Meu Deus, Ben, o que houve? — exclamou Phasma.

— Com licença. — ele tossiu, se retirando em direção aos banheiros.

Ben molhou o rosto e passou a mão pelos cabelos os puxando para trás. Apoiou as mãos na pia, encarando seu reflexo. Sentindo as gotas de agua escorrerem por seu rosto lentamente.

Seu maldito passado estava sempre dando um jeito de confrontá-lo.

Porém, o que Bárbara evocou não era tão doloroso quanto às lembranças de Kylo Ren, era algo da sua vida atual. Da época que desejou Rey pela primeira vez, mas do jeito que Ren queria. Antes daquela tarde, achava que apenas tivesse um ciúme bobo de irmão, mas a provocações de Nicholas Winter, seu primo de criação, mudaram tudo.

“Nick” era filho Agatha, melhor amiga de Leia. E durante a infância e, no caso, inicio de adolescência sempre, assim como Finn, passava os verãos na casa dos Solo ou eles iam para casa dos Winter. Também iam ao parque de diversões, ao cinema, a praia, ou ficavam jogando vídeo game.

 

No último dia de férias de verão, quando Rey e Ben tinham entre quatorze e quinze anos, Leia levou todos ao Golden Gardens Park, uma praia em meio a uma reserva natural.

O Golden Gardens Park estava animado como de costume no verão, pessoas brincavam na areia, outras tiravam fotos ou admirando a vista.

Porém, Leia preocupada falava ao celular, sentada em uma cadeira reclinável. Enquanto isso Dana, Finn e Nick jogavam frisbee perto da água. E Ben e Rey dividiam os fones enquanto escutavam músicas, sentado no chão perto de sua mãe.

 

I lifted her head, she looked at me and said

"Hold me darling just a little while. "

I held her close, I kissed her our last kiss

I'd found the love that I knew I had missed

Well now she's gone, even though I hold her tight

I lost my love, my life that night

 

Rey passou a língua nos lábios e, em seguida, mordeu.

Você gosta mesmo dessa música, em? — perguntou, ajoelhada atrás dele, mexendo em seu cabelo.

Na verdade, eu não gosto.

Como? Você a escuta o tempo todo.

E-eu... Não é que eu goste dela, eu apenas consigo sentir...

Sentir?

Sentir a dor de perder alguém assim. É como eu soubesse e, de certa forma, ela me deixa melhor.

Rey balançou a cabeça, pegando um elástico na bolsa.

Finn tem razão, você é muito emo. Muito emo, Benny.

Quando ela já havia puxado todo o cabelo na parte superior, afastando todas ondas escuras fora de sua testa, longe de suas orelhas e nuca, o amarrou em um rabo de cavalo miúdo o mais alto que pode. Deixando-o parecido com uma boneca gigante de vodu.

Ela riu baixinho para si mesma ao completar seu plano “maligno”.

Você deixou meu cabelo parecer estúpido, não é? - Ele não soou irritado, mas entediado.

Não. É claro que ela deixou.

Tenho que cortar bufou, soltando novamente e devolvendo o elástico.

Ei! — Rey rolou os olhos e pegou o elástico. Eu gosto do seu cabelo nesse comprimento, queria ter um cabelo assim. É igual o da mamãe. 

Ben sorriu, apoiando o queixo no punho.

Bom, esconde minhas orelhas enormes.

Ela riu.

Gosto das suas orelhas, elas são engraçadas e fofas.

Ben sentiu o sangue subir até elas, e o calor do rubor tornando-as doloridas.

Crianças! ele despertou com o chamado de sua mãe. Venham aqui, todos, vamos rápido! Infelizmente temos que ir embora, coloquem suas roupas e peguem as coisas.

 Aaaah! — Leia escutou em um coro.

Por que, tia? questionou Nick, secando o rosto numa das toalhas sobre as cadeiras de praia.

O réu de um dos casos que estou trabalhando resolveu confessar, eu realmente preciso estar lá, fui eu que lhe ofereci o acordo... Leia parou, percebendo que as crianças estavam um pouco perdidas e suas explicações não fazia a mínima diferença, era o último dia de férias deles e ela estava acabando com isso. Suspirou. Enfim, vamos, prometo que eu os trago no próximo final de semana. 

Mas tia…

Nick, por favor, não comece. Vamos logo.

Ben olhou para Rey, parecia tão triste, realmente queria ir a praia há muito tempo, e os pais viviam adiando. Então ele tomou uma decisão:

Mãe, eu posso tomar conta deles.

Todos se entreolharam surpresos com a proposta de Ben.

Definidamente não! sua mãe respondeu.

Ben se pôs diante de Leia cruzando os braços, franzindo o cenho. Não era pela sua idade que iria deixa-lo cuidar dos outros, mas pelo velho sentimento de... Culpa ou dó, ou seja lá o que tinha por ele.

Não confia em mim? atirou.

Filho, uma coisa é tomar conta si mesmo, outra bem diferente é se responsabilizar por mais quatro pessoas.

Confesso que esperava ouvir isso do Han e não da senhora.

Leia revirou os olhos, trincando os dentes. Estava a chantageando, e com mesmo jeitinho do pai, com os braços cruzados e cara de ofendido.

O que vocês acham? ele se virou perguntando aos outros.

Por mim tudo bem. Rey respondeu, sorrindo. 

Dana e Finn assentiram.

Acho que isso é uma tarefa para mim. Nick fitou o primo. Eu sou o mais velho.

Ben bufou e riu.

Dois meses, e olha o seu tamanho...

Quê?

Baixinho. respondeu Ben.

— Não sou baixinho, você que come fermento, ou sei lá, seu varapau.

Leia respirou fundo, passando as mãos sobre o rosto, e respondeu:  

Ok! Ambos estão responsáveis pelos três. Assunto encerrado e agora eu vou indo. Eu volto dentro de uma hora, ou mais tardar uma hora e meia. Qualquer coisa liguem para a polícia ou bombeiros, façam sinal de fogo.  E não falem ou aceitem nada de estranhos.

Tudo bem, mãe. disse Ben.

É a primeira vez que lhe dou um voto de confiança assim. Não me decepcione, querido. Leia se aproximou dando um beijo na bochecha do filho, em seguida fez o mesmo com Rey e se despediu de Nick, Finn e Dana. Juízo! Já volto!

Eles observaram Leia entrar no Falcon Ford e lhe deram um aceno breve. Assim que carro desapareceu, Nick olhou para eles com um sorriso de canto de boca.

Então o que faremos agora?

Vamos voltar para praia, é óbvio. Ben o cortou. Nossas coisas continuam lá.

Eu sei disso, primo. Só estou tentando propor algo diferente. 

Como o que? 

Esse lugar é incrível não podemos ficar apenas na praia, vamos explorar.

Ben o fitou sério. 

Não. Vamos ficar exatamente onde a minha mãe nos deixou. Fim de papo.

Certo.  — concordou, erguendo os braços em rendição.

Nick juntou suas roupas do chão e se vestiu, assim como Dana e Finn fizeram, sentando todos em um semicírculo. Ben sentou-se na areia e cruzando os braços, ao lado de Rey na ponta do semicírculo, recolocando um dos fones de ouvido, mas sem dar play novamente.

Hum... Que tal jogarmos alguma coisa? propôs Finn.

Eu quero! disse Rey, levantando o braço e sorrindo para o amigo.

Verdade ou desafio? sugeriu Nick, piscando para Rey.

Ben soltou uma gargalhada passando a mão nos cabelos. 

Olha, se você pretendia agradar minha irmã errou feio, primo. Ela odeia esse jogo.

Rey franziu o cenho, contrariada pelo corte que Ben deu em Nick.

Sim, eu não sou fã desse jogo, mas podemos tentar, não?

Ben riu sem humor.

Tá brincando, né?

Não, eu ainda vou brincar. Ela sorriu e deu de ombros.

Ok.

Tudo bem eu substituo você, priminho. disse Nick, se reposicionando assim fechando o circulo, deixando Ben de fora. Tenho uma proposta a fazer, pessoal. Para tornar o jogo mais interessante que tal a primeira rodada ser apenas com verdades e a segunda só com desafios?

Não é assim que se joga. Ben o alertou, enquanto os outros aceitavam a proposta de Nick.

Primo, por favor, aqui você é um mero expectador então... Nick se voltou para Finn, ignorando Ben. Vamos lá, quem começa? Pode ser você Finn?

Finn começou o jogo, girando a garrafa de água vazia, que parou exatamente em Rey.

Verdade que acha o Nick bonito? 

Uou, gostei, cara. Toca aqui. — disse Nick, com a mão no ar e batendo na de Finn.

Rey e Dana começam a rir, e Ben teve a vontade irracional de socar o amigo de sua irmã.

Sim, eu acho. ela respondeu.

Ganhei meu dia! Nick sorriu convencido. Sua vez, amor.

Ben mordeu os lábios, tentando se controlar, enquanto sua irmã girava a garrafa.

Olha, caiu em mim.  Que ótimo, pode perguntar sem medo, prima.

Verdade que me acha bonita?

Rey, dá um tempo. Ben ralhou.

Qual o problema, primo? Foi só um pergunta, faz parte do jogo. Nick se aproximou de Rey e sussurrou em seu ouvido Eu te acho linda. e a beijou no rosto.

Ben sentiu seu sangue ferver de raiva com aquele atrevimento. Quem esse folgado pensa que é?

Dana, querida me diga verdade que já se apaixonou por alguém? — Nick perguntou, quando a garrafa parou em frente a Dana, amiga de Rey.

Sim, verdade! Finn respondeu, antes que ela abrisse a boca.

Finn, por favor... repreendeu Dana, corando.

  Não negue, eu vejo como olha para o Will, o capitão do time do segundo ano. 

Como você sabe que é amor, já sentiu isso para ter tanta certeza? Rey o indagou. Fazendo todos olharem para ela, o que a fez baixar o olhar. É que... Eu acho que…

Rey respirou fundo e voltou a encará-los.

Sabe quando aquela pessoa te faz enxergar as coisas de um modo diferente? Bom, talvez essa pessoa nem saiba que você existe, nem mesmo desconfie do que você sente, mas a simples presença dela faz o seu coração acelerar, sentir um frio na barriga e se pega com um sorriso bobo no rosto imaginando o dia em que... Ele vai te notar.

Ben estava com os olhos fixos em Rey, escutando com atenção cada palavra dita por ela. 

É, eu sinto tudo isso quando vejo o Will. É verdade, estou apaixonada por ele. Dana olhou para a amiga e balançou a cabeça concordando.

Continuando, agora Dana pergunta ao Finn e encerramos a primeira rodada. Informou Nick.

Finn, é verdade que está encantado por uma pessoa mais velha?

Verdade! — Rey respondeu rapidamente e, em seguida, caindo no riso. Lembrando-se do nervosismo de Finn quando Poe Dameron ia jantar em sua casa.

Rey!?

Desculpa, Finn, não me contive.

Er, sim... Mas não é nada sério, ok.

Huuum é um segredo, né! disse Nick, percebendo que Finn estava inquieto. Tudo bem, agora a melhor parte os desafios, eu começo.

Nick girou a garrafa parando em Finn.

Finn. Que tal tirarmos esse clima pesado do ar? Eu te desafio a dar um abraço meu querido primo Ben. Sei o quanto vocês se amam, então eu pensei por que não?

Finn levantou as sobrancelhas, indignado.

O que? Nem pensar!

Não estou no jogo, Nicholas. Ben o lembrou.

Ai, ele disse meu nome, deve estar irritado. Qual é primo só um abraço. O Finn não morde. Não é Finn?  

Ben encarou seu primo, com os olhos brilhando de raiva.

Não me importo de abraçar ele, o que me irrita é você os constrangendo com esse jogo estúpido. 

Não tem ninguém contrangido aqui, é só coisa da sua cabaça. Vão caras, se abraçem de uma vez.

Finn resmungou quando envolveu seus braços no ombro de Ben que deu lhe dois tapinhas nas suas costa. Voltou rapidamente para o seu lugar enquanto Dana, Rey e Nick gargalhavam. Bufou, então girou a garrafa parando em Dana.

Dana, faça aquela dança para nós.

Qual? Aquela de ula-ula?

Ele assentiu rindo.

Finn! Enterrei aquele mico para sempre junto com meu aniversário de 15 anos, um dos piores dias da minha vida.

É, mas sua mãe gostou e eu também. Rey caiu em uma risada descontrolada.

Rey! Dana bufou. Me aguarde. 

Nick cantarolava os sons típicos da dança enquanto Dana fazia os movimentos. E Rey e Finn se enrolavam dando gargalhadas. Ben apenas torcia a boca evitando rir, para assim não deixassem de acreditar em como ele achava aquele jogo estúpido.

Na vez de Dana a garrafa girou, girou, e pareceu nunca mais parar... Até parar lentamente em frente a Nick. Dana mordeu um pouco os lábios, antes de lançar o seu desafio.

Nick te desafio a dar um beijo na Rey!

O que? Rey e Nick disseram em uníssono.

Ben sentiu seu corpo queimando e uma raiva súbita tomou conta dele. Rey permaneceu imóvel com os olhos arregalados. Nick foi indo em direção a ela sorrindo.

Prometo que será inesquecível. Disse antes de sentir um lance de areia contra o rosto, entrando um pouco na boca.

Nick abriu os olhos, furioso, enquanto limpava o rosto. Vendo Ben em pé logo atrás da irmã e com a mão suja de areia.

MERDA! Qual é o problema Ben?  

Se pôs na frente dele o encarando.

Você não tem o menor respeito, não é?! Ben esbravejou. — Ao menos perguntou se ela queria te beijar antes de partir pra cima?!

Chega! Pare vocês dois! Rey levantou rapidamente se colocando entre eles. Por favor, logo a mamãe vai chegar e não vai gostar disso.  

Há dias que você está agindo dessa forma qual o seu problema afinal? Nick questionou o primo, ignorando o alerta de Rey.

Meu problema é você! Um intruso em nossa casa, manipulando a todos e faltando com respeito a minha irmã.

Calma, Benny. Rey o encarou. Ele nunca avançou o sinal comigo e isso de agora foi uma brincadeira. Nick jamais me bejaria sem permissão. Tudo bem? — Ben a olhava tentando controlar a respiração, se acalmar.

Ouviu, Benny? Nick provou.

Ben gruiu e tentou o alcançar, sem sucesso, sua irmã o segurou pelo braço e começou o arrastar pra longe do grupo.

Chega! Vamos passear, você está precisando.

  Vocês não vão a lugar nenhum eu sou o responsável aqui, não esse idiota.

Não me provoque, Nick! Berrou, parando mesmo sobre os puxões de Rey.

Estou morrendo de medo. Olha, como estou me tremendo. Nick começou a rir se balançando em sua frente.

De repente, Ben sentiu uma energia sombria rodear todo o seu corpo, era como se tivesse tomado uma descarga elétrica. Fechou os punhos, cerrando os dentes e marchou até o primo.

  Cala a boca! Suas mãos avançam em Nick lhe dando um empurrão, fazendo-o cair batendo seu corpo com força na areia.

Nick olhou para Ben horrorizado assim como os demais.

Droga, Benny! Eu estava brincando.

Ben se inclinou e o segurou pela gola da camiseta o levantando pra perto do seu rosto.

Não me chame assim!

Rey gritava tentando afastar as mãos de Ben, mas ele parecia irredutível em permanecer daquele jeito.

Me solta, seu idiota!

  Solte-o!  os outros dois gritavam.

Até Nick senti-lo afrouxar as mãos e se afastar. Ben respirava com dificuldade de cabeça baixa, passando a mão no rosto.

Isso não teve a menor graça, Ben. disse Nick, arrumando a gola da camiseta, preocupado.

Ben, o que foi isso? ele olhou para Rey, percebendo que estava apavorada.

Me perdoe, eu… Não sei o que me deu. 

Ah, mas eu sei. — Nick o interrompeu — Ele está com ciúme de você.

Ben virou para ele indignado.

O que? Ciúme?

Sim, esse sempre foi o seu problema comigo! Você sabe muito bem o quanto seus pais me admiram ao contrário de você que sempre foi um fracassado... Um problemático. E agora está com medo de perder a Rey também. Tem medo que ela goste mais de mim do que de você. Aí sim, estaria completamente sozinho.   

Cala boca, Nick! Rey o repreendia.

Dana e Finn gritaram quando perceberam Ben correndo em direção ao primo e pulando pra cima dele.

Seu idiota! Vai engolir cada palavra que disse!

Só falei a verdade! Nick cuspiu, segurando os pulsos do primo na gola da camiseta.

Ben soltou uma das mãos e atingiu a primeira vez o rosto de Nick. O soco acertou seu olho esquerdo, depois mais socos desceram em seu maxilar, nariz e maçã do rosto.

Ben! Pare, por favor! gritava Rey, tentando se colocar no meio para impedir a briga de continuar. Finn a puxou assim que percebeu que ela só iria se machucar permancendo entre Ben e Nick, então gritou para Dana pedir ajuda, sem deixar de segurar Rey.

Um, dois, três... o som dos impactos. E uma escuridão em seus olhos, era tudo o que existia naquele momento para o jovem Ben Solo.

 “Pobre criança solitária... Abrace a escuridão e vou ajuda-lo a ver que você pode ser ilimitado e destemido...” A voz crua veio em meio a nevoa que se pôs sobre a mente Ben, tornado completamente irracional. Apenas um ser dominado por impulsos animais.

Algumas pessoas já haviam alertado os seguranças, quando Ben começou a sufocar Nick, enquanto continuava a escutava as vozes em sua mente:

“Deixe a escuridão te rodear, Ren... É o lado sombrio... Seu avô... peça ajuda pra ele...”    

De repente, sentiu um guarda o puxando de cima do primo. Ben gritou, cerrando os dentes assim que caiu sentando no chão.

Demorou um pouco para voltar a si. Lentamente sua “visão” voltou e ele reparou nas pessoas ao seu redor. Alguns desconhecidos que estavam por perto, o olhando como se fosse uma espécie de assassino perverso, o que já foi suficiente para se sentir envergonhado. Mas os piores olhares vinham de Rey e Finn, porque ele não sabia como os identificar. Era uma expressão de indignação como dos outros, porém pior que a de Nick e Dana. Esses olhares, sim, o deixou completamente envergonhado e até com raiva de si mesmo.

Havia estragado tudo, e pior que nem ele mesmo entendia o porquê do acesso de fúria. Talvez, Nick tivesse razão. Ele sintia ciúme dos pais e de Rey. Mas, droga, ver seu primo  cortejando Rey e pior tentando beijá-la foi demais para ele. E ainda havia todas aquelas provocações durante anos.

Foi impossível se controlar.

Sabia que nunca foi alguém que levasse desaforo pra casa, mas o problema era que nunca foi dado a crises de possessividade com sua irmã. Sempre foi protetor, é claro, mas dentro dos limites. E também sabia que um dia ela se tornaria uma mulher e conheceria alguém, e tudo o que ele poderia fazer era apenas torcer para que fosse uma boa pessoa – mas por que não poderia ser ele?

O quê?! Argh! 

Só posso estar enlouquecendo. Não, não sou doente. Não sou um pervertido. Droga, eu a amo como uma irmã...

Que merda está acontecendo comigo?

Ben respirou fundo, e tentou manter o controle para não quebrar o nariz do seu primo, que mesmo após se afastar ficava o provacando enquanto contava para os guardas do parque e outras pessoas como seu primo problemático havia partido pra cima dele sem motivo.

Naquela meia hora de espera, apenas Rey se aproximou dele, esfregando suas costas e aceitando seu pedido de desculpas – isso foi o que realmente o acalmou.

Quando Leia retornou os cinco estavam parados perto do posto dos guardas. Controlou-se para não dizer a Ben tudo que ele merecia ouvir e conseguiu resolver a situação com os guardas.

Leia discutiu com uma Agatha nervosa naquela noite e Ben poderia jurar que a amizade delas se encerraria por ali. A amizade delas não teve fim, mas as férias com Nick e na casa dos Winter tiveram. Depois disso, seu primo irritante evitava até as festividades.

 

Não poderia ser, era coincidência demais. O ex de Bárbara ser logo seu primo pentelho. E mais, ainda ser apaixonado por Rey.

Nicholas Winter apaixonado pela Rey?

Rá, nunca. Deveria ser apenas dor de cotovelo, como Bárbara comentou, por Rey ter o rejeitado.

“Eu não me arrependo... Dane-se, eu amo você.” Ben sorriu, lembrando-se das palavras que sua irmã havia lhe dito de forma tão espontânea.

— Ben! — Phasma chamou, batendo na porta.

— Já estou indo. — Ele olhou pela última vez sua imagem refletida no espelho, pegando alguns papéis tolha e enxugando o rosto.

Droga, ele tinha que ser rápido. Há essa hora a premiação deveria estar acontecendo.

— Achei que tivesse morrido engasgado, sabe quanto tempo está aí dentro? — disse Phasma, assim que ele saiu pela porta do banheiro masculino.

— Não, mas agora preciso correr até a Feira. Rey deve estar me esperando. — informou, passando pela amiga em direção à mesa novamente enquanto procurava a carteira nos bolsos da jaqueta.

— Ei! Que história é essa de você ter um ex... Um. Homem! E chamado Rey?

Ben revirou os olhos, e estacou.

— A Bárbara acha que sou gay.

Sua amiga o olhou, sem expressão, por alguns segundos até que começar tentar controlar a risada sem sucesso.

— Gay? Mas aquele dia…

— Sim, naquele dia nos beijamos, mas ela foi embora achando que eu era gay. Depois que sussurrei... “Rey”.

Phasma franziu o cenho, mas sem aparentar estar surpresa pelo ocorrido.

— E ela acha que Rey é um homem?

Ben assentiu, fazendo sua amiga começar a voltar gargalhar alto, se inclinando para frente.

— Ai, ai... Você está definitivamente ferrado.

— Obrigado, Phasma. Eu não sabia.

Ela respirou fundo e se endireitou.

— Você precisa se afastar agora dessa garota, ou criar desculpa. Só falta isso — Fez um sinal com os dedos. — para ela descobrir o nome da sua irmã por aí e juntar dois mais dois. Acabe com isso antes que se torne caso de polícia. E claro, o mais importante: TIRE A SUCATEIRA DA CABEÇA.

— Primeiro: não exagere, a garota não vai chamar a policia. E segundo: Não é tão simples assim. Você mais do que ninguém sabe o quanto é difícil carregar esse maldito passado nas costas.

— Ok. — Ergueu as mãos. — Depois não diga que não avisei.

Antes que ele pudesse esboçar alguma resposta, Ben sentiu um peso sobre os ombros. Ao se virar os lábios de Bárbara se conectaram aos dele. No mesmo instante, ele se sentiu perturbado com aquela ação e a afastou.

Bárbara lhe deu um sorriso amplo, que ele se esforçou em devolver; uma tentativa patética.

— Tudo bem? — a moça perguntou, pegando as mãos dele e subindo até os pulsos, de um modo que ele também entrelaçava as mãos no pulso dela. — Ben, está chateado comigo? Desculpe, não deveria ter citado seu ex.

— Não, não. Eu só... Acho que nossa amizade deve se restringir apenas a isso, entendeu? Sem beijos. — ele soltou seus pulsos. — Você é pessoa incrível, mas vamos ser apenas amigos, ok? Tenho certeza que logo encontrará uma pessoa bacana.

Bárbara piscou um pouco, absorvendo o baque inicial do “fora”.

— Ah, tudo bem. Eu só queria saber se chateou quando falei no seu ex.

— Não, fique tranquila. — Passou uma mão pelo cabelo, olhando para os lados procurando Phasma.

Deus, onde ela foi? Sumiu de uma hora para outra.

Ele balançou a cabeça. Foco!

— Bárbs, tenho um pedido a lhe fazer.

— Pode pedir. – ela respondeu, voltando a sorrir.

— Se algum dia você reencontrar seu ex, faria o favor de não comentar que me conhece?

Bárbara apertou os olhos, o analisando.

— Hum, você conhece meu ex, não é?

— Sim, o Nick é filho de uma amiga da minha mãe. Enfim, minha família não sabe que eu… — apertou os lábios, deixando-a tirar as próprias conclusões.

— Oh, não. – Bárbara se afastou um pouco, aparentando estar surpresa. — Eles não sabem que você é gay?

— É. — ele balançou a cabeça lentamente, concordando.

— Deve ser difícil, né?

Ele respirou fundo.

— Você não imagina o quanto. — De certa forma era verdade.

— Tudo bem, gatinho. Não falarei nada e outra ele já é passado em minha vida, não daria certo mesmo. Ele continua apaixonado por essa prima… Mas ok. — Ela se inclinou e depositou um beijo rápido na bochecha esquerda de Ben. — Então, você deve estar atrasado para seu compromisso. Até a próxima, amigo.

— Até.

Ela começava a se afastar, quando exclamou:

— Boa sorte com A Rey, gatinho! — Piscou para ele.

Ben engoliu em seco, forçando um sorriso para Bárbara.

— Vamos, Ben. — disse Phasma, o fazendo saltar com um susto.

— Deus! — exclamou, virando-se para a amiga.

Phasma permaneceu olhando para tela do celular como se tivesse encontrado algo lá dentro. Por todo o tempo que esperam no bar, tentando dessa vez pagar a conta — o que, por sorte, não demorou tanto quanto para conseguirem as cervejas.  

— Falando com seu namorado misterioso? — ele perguntou, quando sua amiga finalmente parou de mexer no celular assim que saíram pela porta.

— Não, só uma tia querendo me desejar feliz aniversário. — ela respondeu. — Ah, parece que a sua irmã ganhou o primeiro lugar.  

Ben sorriu orgulhoso, sem se preocupar como sua amiga havia conseguido essa informação.

— Preciso encontra-la.

— Os organizadores da feira também.

O quê?!

 

***

 


No seu estande no salão de apresentações, Rey se sentou no banco ao lado de BB-8 enquanto observava o senhor, a quem havia acabado de apresentar seu projeto, se afastar lentamente. Ela estava esperando sua amiga, Jess, voltar do lanche e de preferencia com a localização de Ben.

Queria tanto encontra-lo, abraça-lo e sentir-se completa novamente.

Rey sorriu e abraçou a si mesma. Ficar nos braços de Ben era tão gostoso. Quentinho. Relaxante. Confortável. Se fechasse os olhos e inspirasse ainda conseguia sentir o perfume dele impregnado em sua roupa. Aquele cheiro a levava a conversa pela manhã em frente ao espelho, oque a fazia sorrir como uma boba. E ainda passava uma sensação... de segurança.

Precisava se sentir segura.

Durante o dia todo, era como se todos os olhos do salão olhassem para ela, julgando-a. Dos mesmos olhos julgadores vinham sussurros sobre a relação incestuosa, os irmãos que cometeram um crime aos olhos dos homens e de Deus — tudo apenas fruto do medo dominando a mente da jovem.

— Rey!

Ela limpou a garganta e se levantou.

— Sim?

— Rey, eu achei o Ben. — Jess se aproximou falando. — Ah, e o Finn está te procurando.

— Depois eu falo com ele, cadê o Ben?

— No bar, perto do parque. Está com aquela amiga dele, sabe aquela bem alta. — Ela pegou em seu antebraço. — Ah, e mais uma vez: Parabéns, amiga!

— Ah, obrigada!

— Eu vou procurar o Michael, se você o ver, fala que eu preciso falar com ele, tá?

— Claro! Afinal, vocês precisam comemorar o belo primeiro lugar na Aero tecnologia.

— Pela primeira vez, né. — A garota deu de ombros com seu cabelo incrivelmente liso e preto. — Já você, se continuar assim, vai acabar entrando no livro dos recordes com tantos prêmios em Robótica.

Por mais que agradecesse, Rey não estava surpresa, estava trabalhando há muito tempo pelo primeiro lugar em Robótica na Feira de Ciências Tecnológicas, e sua orientadora era incrível, uma das melhores especialistas no assunto no país. Então com muito empenho Rey conseguiu ganhar — e claro, trazer seu primeiro robô a vida.

O que a surpreendia era não ver Ben ali. Ele sempre era o primeiro a parabenizá-la. Costumava agarrá-la pela cintura, erguendo-a num abraço, gargalhando e dizendo que ela era seu orgulho. Tudo bem que as coisas não eram as mesmas de antes, mas ela não queria que aquilo mudasse.

Ansiosa, ela pediu para Jess procura-lo do lado de fora, quando a amiga se retirou para um lanche. O salão estava cheio e ainda tinha que permanecer se apresentando a cada um que chegava ao seu estande. Mas agora, enfim, poderia sair e ir procura-lo, fazer um lanche... Descansar.

Entrando no bar, percebeu que estava cheio. Eram tantas pessoas, que nem os barman estavam dando conta. Parecia que haviam retirado todas as pessoas que antes vagavam pelo salão de exposição e colocado naquele pequeno bar. Rey desistiu de se desculpar no sexto pisão de pé que levou.

Rolou os olhos, assim que avistou Ben perto dos banheiros conversando com Phasma. Por que ele insistia em fazer amizade com aquela loira?

— Ei, Solo! — um colega de seu curso, a chamou, passando por ela. — Parabéns!

— Valeu, Mick!  — ela disse, andando até Ben. — Ah, a Jess está te procurando. 

Os lábios curvando-se em um sorriso animado quando observou Ben falando com Phasma, que ria descontroladamente. Sobre o que eles estariam falando?

Não importa!

Diria que venceu, e fariam uma comemoração especial. Depois ele pegaria suas roupas no apartamento do Mitaka e voltaria definitivamente para casa. As coisas teriam de voltar a ser como antes – ou pelo menos aparentar – mais cedo ou mais tarde, mesmo depois do que havia acontecido. Não havia o que temer, era só manter a cautela.  

Respirou fundo tomando coragem e estava prestes a chamar seu nome quando uma garota pulou nas costas dele de repente, quando ele se voltou para ela, a tal garota o beijou.

Rey parou abruptamente franzindo o cenho, chocada com o que viu, ela paralisou sentindo um torpor tomar conta de seu corpo e por alguns segundos achou que fosse desmaiar. Seu sorriso sumiu e ela sentiu os olhos arderem.

O beijo não durou muito, logo Ben a afastou, mas quando isso aconteceu eles sorriram um pro outro. Ele parecia acontecer a tal garota, pareciam ter intimidade.

Então esse tempo todo... Ele estava com outra?

Phasma se afastava em sua direção com o celular na mão, sem ao menos nota-la, mesmo assim fez Rey virar-se envergonhada na hora. A respiração acelerou e ela sentiu-se gelar, quando começou a correr. As pessoas se transformaram em borrões enquanto ela procurava por uma saída. O barulho das conversas altas, dos talhes e copos, nada fazia sentido em seus ouvidos.

Nada, nada... Além daquela música que parecia estar sendo tocada em baixo d’água. Não sabia explicar, mas a música parecia estar se agarrando a sua mente. Era a música favorita de Ben, até já haviam cantando juntos.

“Oh, where oh where can my baby be?
The Lord took her away from me
She's gone to heaven, so I got to be good
So I can see my baby when I leave this world.”

As lágrimas teriam a vencido, se não fosse puxada com brutalidade pelo braço.

— Ele a magoou de novo, não foi? — Hux a encarou com os olhos brilhando em divertimento. — É tão triste não é Rey? Garanto que ele fará pior.

— Me solta.

— Eu queria dizer que essa é a última vez que ele fara isso, que ele se importa com você. — Ele apertou seu braço com mais força puxando-a contra seu corpo. — Mas não é do feitio dele.

— Me solta, eu já falei. Está me machucando.

Hux sorriu provocativo e a soltou. Rey massageou o braço fazendo uma careta de dor.

— Não deve estar doendo mais do que a cena que acabou de ver.

— Vai se ferrar, seu imbecil! — exclamou, afastando-se dele.

Hux apertou os olhos, em outra Galáxia, a teria matado por menos. Stephen chegou parando ao seu lado, cruzando os braços com a expressão séria. Ambos observaram-na passar pela porta e caminhar para longe, perto das árvores, em direção ao parque.

O ruivo fitou o rapaz com um sorriso maldoso, antes de dizer:

Divirta-se.

 

 

 


Notas Finais


Eita, capítulo grande, né? Hahaha Indiquem os errinhos se encontrarem, por favor :)
Bom, agora começamos a segunda parte dessa longa história, preparados? Sim?
Então, bjão :*

Playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLVDgDPY5auyl8JCoLNQoOZMP6OjCw_X-D


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