História What You're Looking For? - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai
Tags Jongsoo, Kadi, Kaisoo, Kyungin, Kyungkai
Visualizações 25
Palavras 2.280
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Yaoi

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


💕 Essa fanfic é dedicada a minha amiga, ~NiniBearXD, que faz aniversário hoje. (13/10)
Parabéns meu anjo, te desejo muita felicidade. Espero que goste do presentinho simbólico. 💕

Capítulo 1 - Capítulo Único


Quando menino, habituei-me a ver caravanas de ciganos nas ruas. Naqueles tempos eles ainda se deslocavam em carroças e se reuniam em acampamentos na periferia das cidades. Os homens ganhavam a vida vendendo tachos e outros utensílios de cobre fabricados por eles mesmos. As mulheres liam mãos ou jogavam as cartas para quem queria ter notícias do passado, do presente ou do futuro. Depois de uma semana ou duas, partiam cedo, em busca de uma nova parada.

Me fascinava essa vida inquieta, sempre à procura de novos lugares e novas experiências. Enquanto crescia em uma família com condições para pagar meus estudos em escolas de elite, me vislumbrava a vida de um cigano feliz em meio aos doces sons de suas flautas e tambores feitos com as mãos dos próprios músicos.

“Cuidado com os ciganos, eles pegam as crianças e as levam embora” alertava Dona Jung, nossa velha babá, do alto de um antigo preconceito que nunca conseguiu apagar minha curiosidade sobre esse povo marcado pela adaptabilidade.

Quando cresci eu não pensei duas vezes antes de fugir daquele lugar sôfrego que cresci onde nunca me apeguei, nunca tive amigos, muito menos amores. Meu único vínculo com aquele lugar era minha família que já não estava mais entre nos. Com a herança gorda que recebi eu tive certeza do que fazer. Viajei para os lugares mais visitados por todo o mundo onde nunca me senti tão só, aqueles monumentos gigantes só me faziam sentir insignificante no mundo e me fizeram questionar, por que eu estava visitando todos esses lugares? Eu estava procurando por algo?

Mas era naquela noite que por coincidência do destino eu estava de volta a minha cidade, Goyang, e passeando pela calçada eu consegui avistar de longe uma caravana cigana. Eu gelei, nem passava pela minha cabeça que ainda existiam essas coisas. Todas as minhas memorias de quando ficava na janela do meu quarto olhando as belas donzelas dançar enquanto eu batucava com meus dedos no parapeito o ritmo que alegrava veio-me à tona e estavam todos como em minhas memorias, dançando e se divertindo, sendo livres e felizes como eu nunca pude ser mesmo visitando vários lugares. Eles tinham alguma mágica que faziam ser assim e eu queria participar disso.

Me aproximei com cuidado e pude observar melhor que no meio da roda tinham duas moças que aparentavam ser mais novas do que eu dançando e nem ao menos pude sentir as mãos gélidas e enrugadas de uma velha senhora encostando em meu ombro direito.

– Sente-se conosco.

A voz suave de quem já viveu o suficiente para saber que nada mais lhe surpreende era encantadora, passava a paz que eu imaginava encontrar entre aqueles. Eu não pude resistir, era tudo que eu fantasiava quando mais novo, não pensei duas vezes e me sentei na almofada de estampa colorida jogada ali.

A melodia ecoava de um violão já surrado pelo tempo que um senhor com cabelos grisalhos, mas charmosos, tocava. O ritmo tinha mudado bruscamente, de melancólico e arrastado para algo alegre e rápido e as duas moças que ali dançavam deu lugar a um moreno alto bem-apessoado.

O seu jeito de dançar era hipnótico, seus quadris rebolavam tão bem como as dançarinas anteriores – talvez até melhor –, as fracas luzes sintéticas reluziam em sua pele bronzeada. Era fascinante ver como eles nasciam para ser livres. Os olhos penetrantes do sujeito me fitaram repentinamente o que me fez gelar, ele vinha em minha direção e a cada passo eu sentia mais nervoso, ele me esticou as mãos em um pedido mudo para que eu me juntasse a ele na dança.

– Eu não danço!

Afirmei sem graça abanando minhas mãos em negação, mas o sujeito não parecia ligar para o que eu tinha dito, muito menos os demais que continuavam em suas brisas se balançando enquanto outros se arriscavam entrar no ritmo batendo palmas.

Então o rapaz alto me surpreendeu ao me reverenciar como se eu fosse um rei, minhas bochechas instantaneamente se avermelharam e não soube como responder. Minha timidez tomava conta mesmo ninguém aparentando se importar comigo ali, todos estavam mais curtindo a si próprio. Me levantei todo desengonçado e me juntei ao jovem moreno que vestia uma camisa branca larga que revelava seu abdome magro quando o mesmo saltava e uma calça que se destacava com uma estampa colorida, como a de uma almofada, já eu com vestimentas escuras que pareciam vir do futuro em comparação com as pessoas ali. Me sentia desconcertado, mas o sujeito me acompanhou até o centro da roda.

Eu queria cavar um buraco e enfiar minha cabeça, todos meus vislumbres de eu cigano eram felizes curtindo a música, mas nunca me passou pela cabeça de que eu não sei dançar, já o moreno que era mais alto do que eu, tinha nascido para isso, dançava na minha frente sem problema algum, mas eu não movia um musculo se quer. O rapaz se aproximou e, bem perto do meu ouvido, soltou:

– Dance!

Eu me arrepiei. Sua voz era profunda e cheia de emoção ao mesmo tempo que não expressava nenhuma. Arrisquei me mover mas aposto que estava parecendo um bonecão de posto. Continuei ali por alguns minutos e quando minha timidez parecia ir embora o ritmo mudou mais uma vez e outras duas pessoas se levantaram, o moreno alto me puxou delicadamente pelo braço para se sentar junto com ele.

Fiquei ali sentado ao lado dele calado, não sabia se deveria falar alguma coisa, ele parecia tão concentrado observando os outros dançar, acho que era o que ele realmente gostava. Nesse tempo observando-o mais de perto pude reparar direito em seus traços, sua boca pequena de lábios recheados que sempre pareciam fazer um bico, seus olhos um pouco separados, mas perfeitamente desenhados, seu nariz tinha a ponta arredondada o que dava um ar fofo para o rosto e cabelos que pareciam macios, como a seda que vestia, me dava vontade de passar as mãos.

Eu me perdi ali observando a sua beleza quando o mesmo reparou em minha concentração em seu rosto, vagarosamente me olhou de lado e apontou o dedo para as pessoas que dançavam me indicando para prestar atenção neles. Será que eu fui rude?

Longos minutos se passaram e só reparei que estava ali há horas quando a música cessou. Então era assim, o tempo se passava diferente, tem razão em serem felizes. Levantei-me sem nenhuma cerimônia, alguns já haviam deixado o lugar, outros adormeceram ali mesmo e eu ia sozinho de volta para minha casa, mas dessa vez com um sentimento diferente.

– Hey, espere.

Escutei a mesma voz grave que havia a pouco tempo presenciado me chamando, me virei e vislumbrei o moreno alto que vinha correndo em minha direção com os cabelos saltantes.

– Já vai embora? – perguntou assim que chegou perto um pouco ofegante ainda.

– Parece que já é hora de ir, não é mesmo? – falei, concentrado em seus olhos encantadores que pareciam ler minha alma, mas de uma forma graciosa.

– Você é simpático, por que não fica mais? Vamos ir embora somente ao amanhecer.

– Eu simpático? Por que acha isso? – perguntei, franzindo a testa.

– Você se juntou a nós e até mesmo dançou comigo, não é todo mundo que está aberto a isso.

– Você chama aquilo que eu fiz de dançar? Você que é simpático aqui.

Então pela primeira vez eu pude ver o sorriso daqueles lábios, e era aquele tipo de sorriso que você daria tudo para ter, porque te fazia feliz só de olhar. Era um sorriso especial pois não era somente os lábios que sorriam, mas todo o rosto se abria em um júbilo.

Olhei para o céu que estava escuro como o cabelo do rapaz e voltei a fita-lo.

– Parece que o amanhecer está próximo, acho que é melhor eu ir mesmo e deixar você dormir.

– Dormir para que se eu posso ficar acordado compartilhando experiências com você? – Ele me encara com seus olhos escuros. – Você me parece ter muito a me contar.

A proposta era realmente tentadora, sempre quis conhecer um cigano, essa era a oportunidade perfeita. Ela estava ali na minha cara dizendo para eu agarrá-la, mas por algum motivo eu não conseguia me entregar e ir, alguma coisa me deixava preso ao meu eu que foi criando em uma casta completamente diferente daquilo.

– Eu não sei. Você me parece uma ótima companhia, não me entenda mal – digo, nervoso abanando as mãos em desespero negando. 

– Você me parece preso ao passado, se negando o que sente de verdade.

– Como sabe? – perguntei, um pouco assustando com as palavras do maior.

– Eu não sei, eu sinto. – Esticou seu dedo indicador em direção aos meus olhos – Eu vejo em seus olhos. – Agora seu dedo indicava meu peito. – E aposto que você sente aqui.

Aquele sujeitinho tinha me pegado de jeito, por algum motivo sabia as palavras certas a se dizer.

– Você é encantador, dançando e falando! – afirmei, e pude ver um vislumbre daquele sorriso de novo.

– Isso é um sim?

– É um sim. – Levantei meu dedo da mão direita. – Mas vou ficar por pouco tempo, tenho um voo marcado na parte da manhã.

O moreno deu um leve sorriso e me esticou as mãos como da primeira vez, mas agora eu não neguei. Dessa vez eu pude sentir a macies de suas mãos que meu nervosismo de antes não deixou.

O mesmo me levou até uma mesinha com 2 bancos de madeira velhos na porta do que parecia um trailer vindo direto do passado. Eu vislumbrava aquela antiguidade com meus olhos brilhando em nostalgia, era como viver minhas lembranças. Eram velhos e cheios de marcas da idade, a pintura cheia de desenhos coloridos já não estava mais viva, as madeiras estavam descascando e havia alguns buracos.

– Isso é seu? – Eu disse apontando para o veículo.

– É sim, por quê?

– É lindo!

O sujeito, que eu nem ao menos pensei em perguntar o nome, adentrou o veículo e poucos segundos depois saindo de lá com uma garrafa de uma bebida que parecia alcoólica e 2 copos.

– Bebe? – perguntou-me, mostrando a garrafa.

– Sim!

Ele se sentou e preencheu os 2 copos com o líquido.

– Então... vamos falar de você, comece pelo nome. O meu nome é Kim Jongin – ele disse, levantando o copo sugerindo um brinde.

– Nossa, eu pensava que ciganos tinham nomes estranhos. – Brindei dando uma risadinha que o mesmo não respondeu.

– Isso é um pouco preconceituoso – falou olhando bem nos meus olhos. – Mas vamos logo, quem é você afinal?

– Meu nome é Do Kyungsoo, tenho 24 anos e o que eu faço da vida é viajar.

– Viajar? Você não me parece ser alguém tão rico assim. – Bufei com o que o Jongin disse.

– Eu não diria que sou “tão rico assim” – disse fazendo aspas no ar. – Eu tenho sim uma boa condição financeira, mas não é tudo isso.

– Você vai de avião, não é? Eu viajo por aí nessa tralha velha – ele falou, indicando com a cabeça o trailer antigo ao lado. – Já é bem mais do que eu.

Ele terminou rindo e bebericando daquela bebida que já estava no segundo copo e ainda não decifrei o que era.

– O que é isso que estou bebendo? – indaguei, olhando para o copo.

– É segredo!

– Eu vou sair vivo depois de beber isso né?

Ele assinalou que sim com a cabeça e continuou bebendo. Tinha um gosto doce muito bom e dava para sentir que era bem alcoólico. Só espero conseguir acordar amanhã vivo, nunca fui de beber muito.

– Mas o que você procura com todas essas viagens? – Jongin perguntou, cruzando os braços sobre a mesinha se concentrando em mim.

– Eu... não sei na verdade.

– NÃO SABE? – Quase gritou incrédulo.

– Você! O que você procura?

– Eu não procuro nada. Eu já achei. – Um pequeno sorriso se forma em seus lábios que de longe pareciam ser macios. – Essa liberdade de poder ir para qualquer lugar sem ter medo de nenhum compromisso, fazer o que bem entender e quando quiser. Eu sou um ser livre, Kyungsoo.

– Mas como você sobrevive? Com que dinheiro?

– Dinheiro é o de menos, pequeno, isso a gente se vira. Faço qualquer bico que me aparecer na cidade que estou, ou ganho meus trocados dançando na praça.

Sua história me contagiava de um jeito único. Era isso que eu queria, quero ser livre assim.

– Por que você não vem comigo? – O moreno propôs, com os olhos alegres.

– Não é tão fácil assim – respondo, com os olhos nervosos e perdidos.

– É sim, só vem.

– Eu tenho muita coisa para deixar pra trás, eu não poderia simplesmente largar tudo para ser um cigano. Como eu poderia fazer isso se nem ao menos sei se é isso que eu quero...

Quando eu menos espero, toda a minha falação é calada com um selar de lábios que não pude prever. Meu coração que pulava de nervosismo, naquele momento pulava ainda mais, mas era por causa de outra coisa. Quando o mais alto desfaz o selinho um silencio ensurdecedor, que pareceu durar longas horas, se estabeleceu.

– Agora sabe o que você procura?

O belo sujeito estava a centímetros do meu rosto, daquela distancia eu conseguia ver seus poros com facilidade e também uma espécie de sorriso safado se formar. Também consegui sentir seu perfume que era suave, mas era como cheirar a natureza, era prazeroso. 

– Jongin...

– Shh! Não responde. – Seu dedo indicador suavemente tocou meus lábios sinalizando para eu não falar. – Apenas venha.

O Sol começou a aparecer lentamente sobre o céu, as ruas que antes se encontravam cheias agora já não se via ninguém. Um eu fora deixado para trás para um novo nascer em uma aventura sem medo e sem receio, acho que finalmente me encontrei. 



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