História When I Met You - Capítulo 1


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Categorias David Bowie, Lolita
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags David Bowie
Exibições 52
Palavras 1.545
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Estou de volta com as fanfics! Eu sempre sumo e apareço de novo, mas prometo tentar mantes uma regularidade com essa história :) Espero que gostem!
~Angie

"It's hard to express, I can't explain
Ever since my baby went away
It's been the blackest day
It's been the blackest day"

~Lana Del Rey - The Blackest Day - Honeymoon

Capítulo 1 - "It's hard to express, I can't explain"


When I Met You  - Angie Bowie

Capítulo 1 - The Blackest Day

O amor é uma grande mentira que Deus criou para rir dos mortais quando lhe fosse conveniente.

Conclui isso ainda muito jovem, e acredito que isso matou muita coisa dentro e fora de mim. Fechei muitas portas e janelas em meu coração, me escondendo apenas dentro de minha própria escuridão e miséria. Era o que tinha me restado quando ele partiu, foi tudo que sobrou para me apegar: os cacos. 

Mas, eu fiz o que toda garota faria. Me levantei e comecei tudo do inicio mais uma vez.

Admito que não deixei de reviver cada momento que passei ao seu lado por cada maldito dia de minha existência. Como podia me desapegar da única coisa que ainda me mantinha viva? Prefiro me apegar a minha ilusão egoísta do que definhar sozinha num canto com um falso altruísmo. Não há nada mais humano e real do que o ódio e o egoismo, não é?

Era verão de 1995, o sol de NY queimava o meu corpo como nunca. Eu tinha completado 14 anos e a vida me chamava cada vez mais alto, mais forte. Uma força no peito que não parecia que iria me deixar em paz até eu achar meu lugar, minha vocação, e quem sabe, até mesmo achar a mim mesma. Meu passado era uma grande pergunta sem resposta, e meu futuro... Bem, me restava escreve-lo como eu bem desejava.

Eu entrei na minha loja de discos favorita em Soho com todo o entusiasmo do mundo. Estava sempre vazia, apenas o dono e um homem de sobretudo no fundo, remexendo nas caixas e caixas de discos com desinteresse. Cumpri minha rotina religiosa: revirei as duas primeiras fileiras, escolhi os discos que minhas posses de adolescente sem dinheiro permitiam e os levei para casa, os abraçando forte contra o peito. Enquanto me preparava sorridente para sair, o senhor de cabelos brancos atrás do balcão me chamou com um assovio, atraindo meus olhares de volta.

-Ann, você não toca guitarra? - Ele sempre me chamava pelo segundo nome, meu pai me apresentou assim. A primeira impressão ficou.

-Baixo, Mr Jackson -Corrigi com um sorriso paciente, remexendo em meus cabelos pesados.

-Olhe -Ele apontou com um dos dedos enrugados e curvados para um cartaz amarelo colado no quadro, onde costumavam ficar noticias sobre bandas recortadas de jornais, posters sobre shows... 

"Audições para músicos independentes"

Abri bem os olhos e pigarreei ao ler a primeira linha. Era a minha chance.

-Quem colocou isso aqui? -Perguntei cheia de ansiedade, o senhor se esticando para apontar uma foto no canto superior esquerdo do quadro, preso com uma pequena taxinha dourada. Parecia ter sido tirada com uma polaroid e ser muito antiga, amarelada. Uma versão mais jovem de Mr Jackson se exibia feliz e orgulhoso na frente da loja, numa Soho dos anos 70, ao lado de um rapaz tão entusiasmado quanto ele, magricelo, sem sobrancelhas e de cabelos laranjas num mullet tosco, sem corte. A distância podia estar me enganando, mas eu via David Bowie ali. -Isso é uma brincadeira?

O homem riu baixo e abanou a cabeça animadamente, empolgado com minha ansiedade de menina. Eu sorri de canto a canto do rosto, pegando aquele papel com toda a minha força, o apertando junto de meus discos, saindo correndo pelas ruas de volta para minha casa. Precisaria de muito treino, muito ensaio e muita coragem. Memorizei o endereço, o número, a rua. Aquela chama em meu peito aumentava como se fosse me consumir inteira, de dentro para fora, até não restar mais nada de mim. Nada.

Os dias começaram a voar, meu corpo não conseguia parar, minha cabeça parecia pesada. Parecia que eu havia amadurecido 10 anos em uma semana e essa sensação estava me massacrando. Era demais. Até meu auto reconhecimento estava começando a falhar. Não me via mais em minhas roupas infantis, não me enxergava com aquele cabelo longuíssimo, aquelas formas de menina mal desenvolvida.

Dois dias antes da audição, picotei minhas roupas, pintei minhas unhas e meu rosto, raspei minha cabeça e despi minha alma. Depois de um pouco mais de uma década, me reconheci verdadeiramente na frente do espelho. Foi a melhor sensação que eu podia sentir naquele momento: satisfação e alívio. Me sentia completa, quase uma mulher. 

Afinei meu baixo e me enchi de coragem. Tomei um copo enorme de café para enganar o estômago e coloquei minhas botas de couro surrado. Reli o papel amarelado e amassado outra vez por mais que eu já tivesse memorizado tudo que me era necessário. Peguei o metro escondida e fugi de minha rotina, fugi daquela Gail que não refletia quem eu realmente era. Fui atrás de mim mesma e de meu sonho.

Na frente do estúdio no centro do Brooklyn, já havia se formado uma longa fila, a grande maioria de homens barbudos e mau encarados, fumando cigarros e se gabando de suas guitarras, baterias e baixos. Por um momento, me questionei sobre o que eu estava fazendo ali. Fitei a fila por longos e incontáveis minutos antes de ir me prostrar no fim dela. Fui longe demais, não tinha como voltar dali. Era tudo ou nada, literalmente. Alguns dos homens pousaram os olhos sobre mim e preferiram ignorar, outros tentaram flertar, mas apenas me mantive quieta e focada em meu próprio mantra mental, concentrada. Eu não podia falhar ali, era uma única chance para minha vida toda.

O sol fez todo o caminho pelo céu enquanto eu esperava debaixo dele, andando em passos lentos para dentro. Quando minha vez chegou, eu já estava corroída pela ansiedade, cansada, com a mente em branco. Uma mulher simpática me guiou para dentro, ela tinha a minha cor de pele e o rosto fino, com dreads nos cabelos. Ela me levou até a sala de gravação, onde havia uma larga mesa carregada de copos da starbucks, papeis e cinzeiros cheios de bitucas, Toni Viscontti se sentava cansado no canto direito, com óculos escuros no rosto por mais que estivesse num ambiente fechado e relativamente escuro, no outro extremo, Bowie parecia entediado, os cabelos amarelados com tons de laranja espetados para cima. Abri os lábios e tentei dizer algo, colada como uma estúpida no piso, em perfeito silêncio.

Planejei dizer tantas coisas, mas esqueci todas elas. Você é tão bonito....

-Qual seu nome, querida? -Tony focou os olhos na lista

-Gail. Gail Ann Dorsey. -David parecia apenas me seguir com os olhos, me medindo em seus olhos de camaleão. 

-Você não é nova demais pra isso, menina?

-Não existe idade pra sonhar -Eu murmurei baixinho, andando até o centro da sala e me sentando no pequeno banco. Vi Bowie sorrir levemente dali.

-Ok... O que você toca?

-Baixo, violão, piano e já fiz aulas de canto

-Impressionante... Bem, nos impressione, Gail -O homem olhou para o relógio como se não parecesse muito surpreso. Soltei o ar de meus pulmões sonoramente e limpei a vista. Gesticulei como se fosse pegar o estojo de meu baixo, mas desisti. Vi um violão azul marinho reluzindo no canto da sala, brilhoso e lustrado como novo, imponente em seu suporte. Sem se quer pensar, me levantei e o peguei nas mãos. Era pesado. Coloquei o apoio de couro em meu ombro e fiquei de pé na frente do banco de madeira. A música vem de mim, de dentro de mim. Nada seria mais sincero que isso.

Toquei space oddity com a maior sinceridade que existia em mim. Tantos sentimentos repousavam naquela música. Todos na qual eu me orgulhava estavam guardados naquela melodia. Eu me sentia fora de mim, viva, totalmente viva.

Quando terminei, aquele sentimento de transcendência me abandonou como se meu corpo tivesse sido possuído, usado de instrumento. Tony parecia totalmente surpreso, os óculos escuros esquecidos por cima da mesa, me fitando com profundidade. David me fitava fundo nos olhos, como se quisesse despir minha alma. Em seus olhos diferentes, lágrimas reluziam, ao mesmo tempo que um sorriso tímido e quase triste se formava em sua boca de lábios finos. Eu só conseguia ver um único sentimento ali: Empatia. 

Algo me dizia que ele via algo em mim. Qualquer coisa. Talvez, via a si mesmo dentro de mim, cheia de sonhos e de dor, lutando contra mim mesma para continuar viva.

-Dispense todo mundo, Tony. Já achamos.

-Mas tem mais 40 pessoas ai fora...

-Dispense todos... Eu encontrei -Ele sorriu orgulhoso de mim e de si mesmo. -Gail... Bem vinda. Foi um prazer enorme te ouvir cantar e tocar hoje...

-Obrigada... -Murmurei envergonhada, focando os olhos no violão azul. Me ocorreu de que ele me era familiar, então gelei. Era dele. Me recordo claramente dele o tocando em Starman, a primeira música dele que ouvi. -M-Me desculpe! -Tratei de coloca-lo no lugar onde peguei, com todo o cuidado do mundo.

-Não se preocupe... Fazia muito tempo que ninguém tocava nele mesmo. -Ele deu os ombros, me seguindo com o olhar. David parou um momento para olhar o instrumento depois voltou mais uma vez para mim. Ele amava me fuzilar com seus olhares e pensamentos -Gail... Um nome exótico...

Eu não pude evitar sorrir. David era terrivelmente simpático. Aquele carinho me envolveu desde de aquele dia. Meu nome nunca mais deixou seus lábios.

 



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