História When I Met You - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias David Bowie, Lolita
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags David Bowie
Exibições 27
Palavras 1.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


(Capítulo extra para a alegria de todos vocês :3 ~Angie)

"Bright lights, Soho, Wardour street
You hope you make friends with the guys that you meet
Somebody shows you round
Now you've met the London boys
Things seem good again, someone cares about you"

David Bowie - The London Boys - Deram Era/Toy

Capítulo 3 - "Things seem good again, someone cares about you"


Capítulo 3 - Things seem good again, someone cares about you

Para continuar essa história, terei que avançar dois anos. Dois anos e quatro meses para ser exata. Passei todos esses anos viajando o mundo, partilhando a presença de pessoas incrivelmente geniais. Me sentia privilégiada o tempo todo. As vezes, até mesmo chegava a questionar se eu realmente merecia toda aquela sorte, toda aquela atenção e privilégio. Eu nunca chegava a uma resposta satisfatória. Meu corpo ainda mudava e minha vida também. Eu era um ser em eterna evolução, em eterno crescimento. Tomei gosto por aquele sentimento de mudança, inconstância. Era uma grande parte de mim, uma parte que eu pensava ter sido amputada pela minha rotina de menina, mas estava viva. Muito viva, crescendo outra vez.

Estávamos voando de Paris para Berlin. Eu estava esgotada pelo show do dia anterior e eu costumava dividir cabine com ele nos voos, já que as cadeiras na primeira classe eram juntas em duplas. Eu sentia que ele me via como uma filha, sua criança mais nova.

Eu me joguei na poltrona do lado direito e relaxei finalmente, fazendo uma expressão brincalhona. David riu de meus movimentos e colocou sua bagagem de mão de lado, sorrindo levemente, se sentando ao meu lado.

-Por que estava nervosa antes do último show?

-Eu não sei... Dessa vez eu estava nervosa... -Sussurrei com meus olhos fechados levemente, esgotada.

-Eram só franceses -Ele deu os ombros num tom engraçado, me arrancando uma gargalhada. Eu abri os olhos e me virei para olha-lo. David também sorria. Era raro termos esses momentos sozinhos e no fim, eu sempre me via envergonhada e acuada por algo que vinha de dentro de mim. Como se eu mesma impedisse que nossa cumplicidade e amizade virasse algo a mais.

Eu soltei um suspiro leve e ergui o apoio de braço que dividia nossas cadeiras, deitando minha cabeça lentamente em seu colo. Aquele era um velho costume que eu cultivei naqueles anos. Ele recostou as costas em seu banco e comecei a sentir uma de suas mãos mexerem em minha cabeça raspada, afagando carinhosamente. Ali eu me sentia segura. Ele havia se tornado a minha casa depois de tantos anos de inconstância. Fechei meus olhos e relaxei todos os meus músculos. Como sempre fui pequena, encolhi meu corpo inteiro na cadeira e me arrumei da melhor forma que eu conseguia, confortável. 

Sempre que eu fazia isso, ele ficava num silêncio sepulcral, concentrado e calado, se ocupando em afagar minha cabeça. Ele nunca dormia nos voos, ficava velando meu sono sem mover um músculo.

-David?

-Sim, querida?

-Seu aniversário vai cair na data do show, não vai?

-Vai sim... -Ele murmurou com um tom que me dava a certeza de que estava sorrindo. -Por que a pergunta?

-Bem, eu pensei que... Ehn... Talvez, a gente pudesse sair depois do show... Q-Quero dizer, a banda toda.... Beber um pouco para comemorar -Tentei soar o mais casual e inocente possível, ansiosa. Ele devia conseguir sentir minha pele tremer debaixo de seus dedos enquanto eu falava.

-É uma ótima ideia, querida. Vamos sim -Ele ronronou feliz. A nossa companhia o deixava claramente feliz. David tinha o costume de costurar as datas dos shows bem próximas para evitar a presença de sua esposa. Eu não sabia quase nada sobre ela nessa época. Ele evitava comentar sobre, a maior parte do que eu sabia era vindo dos outros músicos. Gabriels, o guitarrista, uma vez me disse que era só um casamento de fachada. Ajudava a imagem de ambos e era tudo que interessava. 

Eu ronronei igualmente feliz quando ele deu a resposta. Me virei para me deitar sobre minhas costas, focando os olhos no rosto dele. David me encarava com aqueles olhos enormes e diferentes, sua expressão séria agora. Passei os olhares por seu rosto, sempre gostei de analisa-lo. Ele usava uma barba por fazer, um cavanhaque um pouco mais grosso, os cabelos maiores e num penteado alinhado, não mais com aquele espetado metido a moderno de antes. Parei meus olhos em sua boca fina e senti meu rosto esquentar. Sentia que precisava desviar os olhos, mas eu não conseguia. Algo me chamava ali, algo berrava dentro da minha cabeça, mas eu só conseguia me manter dura e tremula em seu colo, travada.

Uma mão dele passou para alisar um lado de meu rosto, o polegar esfregando a pele quente de minha bochecha. Eu me sentia derretendo ao toque, quase literalmente. Soltei um suspiro fundo e franzi a testa, cerrando os olhos para continuar a olha-lo.

-Eu pensei em te dizer tantas coisas, Gail... -Ele murmurou baixo, num tom extremamente sério, acariciando minha face com todo o carinho do mundo -Mas eu me esqueci de todas elas... Você é tão linda...

Eu abri os olhos surpresa, quase em choque, o observando se aproximar de meu rosto lentamente, os lábios finos que eu tanto idolatrava se entreabrindo. David iria me beijar. Eu sentia sua respiração. O sentia abrir meu coração. Quando seus lábios iam tocar os meus, ouvimos o barulho da porta da cabine abrir. Eu saltei de seus braços e me alinhei na cadeira, nervosa e encolhida. Aquele senso de distância e excesso de respeito me inundaram de uma só vez.

Por fim, era engano. A aeromoça havia visto o número da cabine errado. Acreditei que aquilo era um sinal para eu me afastar dele. 

Não consegui mais olha-lo nos olhos pelo resto do voo. Ele tentava me chamar a atenção outra vez mas eu não conseguia. Simplesmente não conseguia. Me sentia errada, errada e suja, suja até a alma. Quando desembarcamos, fugi de sua presença. Me embrenhei por entre os outros músicos e tentei me camuflar ali. O evitei o máximo que pude até o dia do show. Eu ainda acreditava que havia como evitar aquele sentimento, aquele desejo que queimava no meu peito. Aquela eminente paixão que tentava abrir caminhos para criar raízes em meu peito. 

Meu Deus, se há alguma forma de expulsar esse amor profano de meu corpo e meu coração, me mande um sinal. Qualquer sinal. Qualquer coisa. Apenas me diga se estou ou não no caminho certo.

No dia do show me arrumei com o figurino que haviam separado para mim e me preparei para matar meu leão do dia. Me arrependi de ter sugerido o happy hour depois da apresentação, mas eu não podia fugir eternamente dele. Um dia ia ter que me encontrar de frente com ele, então que fosse o mais breve possível.

Fui na mesma van que todos os outros rapazes, tentando me entreter e me divertir o minimo que fosse. Eu sabia que quando eu começasse a tocar, todos os problemas sumiriam, como sempre.

Eu não vi David no backstage antes do show. Pensei que ele tinha finalmente desistido de mim. Por alguns minutos, acreditei que aquele dilema inteiro tinha finalmente acabado. Acabado antes mesmo de começar.

O show começou dez minutos antes do previsto, o que era especialmente raro. Bem, era a noite do aniversário dele, acho que uma vez estar atrasado era justo. 

Tudo começou e decorreu como o esperado, a mesma rotina de músicas de sempre. Era incrivelmente divertido e relaxante tocar para uma grande platéia. Eu definitivamente amava o que eu fazia. Exatamente no meio do show, David foi interrompido. Uma mulher negra e esguia como eu entrou no palco, toda cheia de classe, andando em saltos assustadoramente finos e longos. Ela tinha um sorriso estranho no rosto e David não parecia nem um pouco feliz de vê-la ali. A mulher lhe deu um beijo em um lado do rosto, ela levava um bolo de aniversário nas mãos, com algumas velas acesas no topo. Todos estavam surpresos, principalmente eu.

-Quem é essa? -Perguntei confusa para Gabriels, longe dos microfones.

-É a Iman. Esposa dele. Te falei sobre ela, não é?

Eu senti como se tivesse tomado um tiro. Me senti nauseada. Meu corpo inteiro fraquejou por um momento. Me afastei de todos e me isolei no palco. Senti como se algo tivesse morrido imediatamente dentro de mim. Ali eu soube que o que eu sentia era paixão. E também tive a certeza que eu estava o arrancando fora de mim antes mesmo de o dar uma chance de crescer e criar raízes, muito menos uma chance de florescer.



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