História When I Met You - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias David Bowie, Lolita
Personagens David Bowie, Personagens Originais
Tags David Bowie
Exibições 22
Palavras 1.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Oh don't you wonder when the light begins to fade?
And the clock just makes the colors turn to grey
Forever younger
Growing older just the same
All the memories that we make will never change
We'll stay drunk, we'll stay tan
let the love remain
And I swear that I'll always paint you

Golden days (x4)

Time can never break your heart
But It'll take the pain away
Right now our future's certain
I won't let it fade away"

Panic! At The Disco - Golden Days - Death Of A Bachelor

Capítulo 4 - "The clock just makes the colors turn to grey"


Capítulo 4 - The clock just makes the colors turn to grey

Eu passei o resto do show nauseada, sentindo tudo rodar. Não sabia mais se eu acertava ou errava as notas. Eu tropeçava nos meus próprios saltos e sentia como se eu fosse desmaiar a qualquer momento. As luzes pareciam fortes demais para os meus olhos e o tempo parecia começar a se arrastar. 

Quando finalmente acabou e as luzes fortes se apagaram, foi como se o meu sol tivesse sumido. 

Cegamente me movi para tirar o baixo de meu ombro, porém minha mão não foi firme o suficiente para o segurar. O instrumento caiu no piso de madeira do palco e logo depois, meu corpo. Apaguei quase por inteiro. Desmaiei. Não havia força para meu corpo se manter de pé. Eu consegui ouvir David chamar meu nome e os rapazes da banda se aproximarem para me ajudar. Braços fortes me ergueram do piso e me carregaram para o backstage com pressa, pedindo ajuda. Pelo desespero na voz grave e cansada, eu sabia que era David. Tem coisas que eu simplesmente sentia dentro de mim.

Eu fiquei um longo tempo perdida naquele sofrimento mental, isolada na minha mente, sem conseguir sair daquela prisão no meu inconsciente. Eu realmente preferia a morte do que aquela tortura de turbilhões de sentimentos me devorando viva. 

Quando despertei, estava no meu camarim, acompanhada de Sophie, a pianista da banda. Ela era a pessoa mais próxima de mim na banda, depois de David, claro. Ela suspirou aliviada quando despertei e se sentou um pouco mais perto do divã onde eu estava deitada.

-Como se sente, Gail?

-Cansada -Murmurei sinceramente, com uma careta de dor.

-O que aconteceu pra você apagar daquele jeito? David ficou desesperado -Ela apontou a porta. Aparentemente, ele estava esperando por notícias minhas do lado de fora.

-Eu não sei... Eu estava me sentindo muito nauseada... 

-Eu notei que você ficou mal depois que a mulher dele apareceu. -Sophie murmurou baixo como se fosse um segredo -Todo mundo notou, na verdade. Você errou as notas umas duas vezes depois dela ter vindo.

-Não é difícil perceber -Eu dei os ombros. Só eu continuava querendo me enganar sobre meus próprios sentimentos.

-Você está transando com ele? Pode me contar, sabe que sou sua amiga. 

-Não! Eu não estou transando com ninguém -Eu murmurei quase ofendida, me movendo lentamente para me sentar alinhada. -Na quarta, durante o voo, nós dois quase nos beijamos, mas foi só isso.

-Quase?

-Quase. Uma aeromoça entrou na cabine quando ele ia me beijar.

-Você queria que ele fizesse isso? -O silêncio cobriu o ambiente. Aquela falta de palavras da minha parte era o maior sim que eu podia a dar. Apenas abaixei a cabeça e entrelacei as minhas mãos uma na outra. -Você sabe que o casamento dele é de fachada, não é? Eles tem quase um contrato.

-Eu sei de tudo, Sophie.

-Então você só pode estar apaixonada por ele.

-Não é fácil pra mim... Dizer isso em voz alta...

-Eu sei que você não escolheu sentir isso, mas continuar alimentando essa paixão só vai trazer sofrimento pra você. Ainda mais se ele te corresponder. Vocês só vão se machucar mutuamente.

-Eu quero ficar sozinha. Por favor, me da algum tempo pra pensar. E repousar.

-Tudo bem... Você realmente está precisando disso... Ehn, você ainda vai com a gente no bar?

-Não sei... Acho que não. Não quero olhar pra ele ainda...

-Se mudar de ideia, vamos estar no bar do hotel... Fica bem.

-Vou tentar...

-Ah, e se ele perguntar sobre você? O que eu digo?

-Diga que quero ficar sozinha e que preciso descansar -Eu dei os ombros, virando o rosto triste para encarar uma parede. Sophie saiu em silêncio, pude a ouvir falando com as pessoas que estavam do lado de fora. Eu realmente precisava entender o que estava sentindo. Era inquestionável de que algo estava acontecendo entre nós dois, que era forte e recíproco.

Mas muitas coisas nos impediam. Muitas.

Como minha consciência, a diferença de 33 anos de idade entre nós dois, minha culpa e a esposa dele.

Não me importava se era um casamento de fachada. Não ligava se eles dormiam juntos ou não, se ele gostava ou não dela. Eu me sentiria suja se ele me tocasse. Me sentiria deliciosamente suja. Talvez eu me acostumasse a criar raízes naquele lugar profano que ele me deu em sua vida. Talvez a minha paixão virasse amor, e o contagiasse também. Talvez ele me pegaria pela mão numa tarde ensolarada, me levaria para passear no parque e me beijaria como sua jovem namorada, me convidaria para ir até sua casa, me deixaria adentrar em sua vida, adentrar seu quarto, sua cama, suas cobertas...

Soltei um suspiro estrangulado e apertei os olhos com força. Me dei conta que meu desejo seria maior que minha dignidade se ele me oferecesse essa vida profana e encantadora da qual eu nunca tinha desfrutado.

Eu era uma garota de 16 anos, virgem, sozinha e sem noção do perigo. Meu desejo por ele era como uma bomba prestes a explodir. Era como estar com o cano de uma arma na boca, um dedo tremendo no gatilho, mas mesmo assim continuar lambendo o metal frio.

Me levantei e sai daquela meditação tóxica e solitária. Todos já haviam partido quando deixei o camarim. Juntei meus pertences em minha bolsa e peguei um táxi até o hotel, tendo mais algum tempo para organizar minha mente e repensar as minhas decisões. 

Ao chegar no prédio, subi direto para meu quarto. Estava determinada a ficar me deprimindo ali pelo resto da noite e ir dormir chorando. Fitei meu reflexo derrotado no espelho e não me reconheci. Isso me incomodava mais do que tudo. Eu não era aquela pessoa. Tomei um longo banho e tentei juntar meus pedaços. Coloquei uma roupa limpa e desci outra vez, direto para o bar do hotel. Não foi difícil achar a mesa deles. Todos pareciam surpresos de me ver ali.

-Boa noite gente...

-Gail, ehn... Você me disse que não vinha -Sophie me cutucou surpresa e feliz.

-Mudei de ideia. Alguém pede uma dose de whisky pra mim, por favor. -Estendi uma mão para o garçom.

-Você se sente melhor? -David puxou a cadeira para perto de mim, ficando ao meu lado com um semblante preocupado.

-Um pouco. -Foquei os olhos nas minhas próprias mãos antes de os erguer para fita-lo de volta. Ele tinha o rosto triste e com notas leves de culpa, arrasado -Como vai sua esposa?

Ele franziu a testa confuso e abaixou a cabeça envergonhado.

-Imagino o que deve estar pensando de mim agora... Me desculpe

-Nada nunca aconteceu entre nós. Você não me deve nem desculpas nem nada.

-Eu preciso conversar melhor com você depois. -Ele murmurou com seriedade, voltando a me fitar, determinado. -Por favor...?

-Depois... Hoje não da pra mim, ok? -Sussurrei, tentando não me deixar abater. Peguei o copo que pedi e engoli a dose de uma única vez, sem nem sentir o gosto do álcool. O que eu precisava pelo resto da noite era esquecer de mim e da vida, de todos os maus que me acometiam naquele momento. 



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