História When wine smudges fade - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O, Kai
Tags ?2concursoexofanfics?, Chansoo, Dtehospital, Kaisoo
Exibições 111
Palavras 4.071
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica, Slash, Suspense
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


NOSSA SENHORA POR MUITO POUCO ISSO AQUI NÃO SAI
OBG A TRIZ A RAISSA POR TODO O APOIO
AINDA TO ACHANDO UMA BOSTA MAS EU FIZ O COMPROMETIMENTO E AQUI ESTA
sinceramente, quando o tema veio ao meu conhecimento eu fiquei tipo NOSSA SERA QUE PODIA SER PIOR, eu queria me desafiar a coisas novas mas NEM TANTO
passei por varias ideias e acabei quase satisfeita com esta.
uhn, prestem atenção nas datas e bora lá.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Por toda sua vida, Kyungsoo sonhou em ser médico. Era um desejo nobre, pois, diferente da maioria, ele desejava salvar as pessoas sem desejar algo em troca. Não desejava nada além da saúde e da alegria de seus pacientes.

Claro que eventualmente percebeu que não era bem assim que funcionava. Precisava de grana para deixá-los saudáveis, porque nem todos neste planeta eram tão nobres quanto ele. Porém, ele se mantinha alegre quando, enfim, estava cursando sua tão sonhada medicina.

Outra coisa que percebeu: não era um curso nada fácil. Nem um pouco. Estudar dia e noite, trabalhar duro, ter seu foco reduzido à isso.

No entanto, Kyungsoo era o melhor de sua turma – e o mais incrível, ele tinha tempo para algumas festas e um pouco de diversão. Como isso? Bom...

Ele tinha 5 anos quando seu avô deu-lhe um pequeno relógio de bolso. Com o tempo, o velho ensinou-lhe a usá-lo: servia para voltar o tempo. Anos, séculos, ou apenas horas, tanto faz. Assim, Kyungsoo poderia estudar o máximo que pudesse e ainda aproveitar sua vida. O garoto, em apenas com seus 15 anos, já havia vivido décadas. Tornou-se, enfim, um grande médico.

Pena que o mundo sempre foi tão ingrato.

Era 2048 quando os países travaram uma nova guerra mundial. Às 23h59 de 15 de setembro, foi visto, ao vivo pela televisão, a destruição por bombas nucleares.

Desolado, Kyungsoo voltou no tempo, longe do fatídico destino. Voltou séculos, procurando onde, ou melhor, quando poderia ser útil para humanidade.

E decidiu estabilizar-se, então, em 1923.

***

23 de maio de 1923. 14h15.

Kyungsoo era um grande médico. Responsável por curas milagrosas – é claro, muitas vezes os pacientes tinham apenas doenças simples, causadas por suas dietas errôneas. Mas outras vezes, era impossível curá-los – a medicina não era avançada o suficiente e ele não queria bagunçar o fluxo temporal (apesar de que eventualmente não faria a menor diferença).

O mundo era menos burocrático nessa época, foi rápido para se instalar. Em poucos meses, já havia se acostumado a vida que levava ali. Tinha um bom emprego e colegas amigáveis.

E tinha, principalmente, esse garoto. Jongin.

Meu Deus – devia ser ilegal uma pessoa assim simplesmente existir. Ele era o zelador do hospital, responsável pela limpeza. Kyungsoo conheceu-o quando queria fazer um carecido pedido de não jogar o lixo do hospital junto com outros, porque poderia ser contaminante – e lá estava ele, magnífico, sorridente.

Kyungsoo aproximou-se dele, e logo Jongin sentia-se confortável perto do doutor. Ele tinha dois anos a menos que o médico – se você não considerar o fato que Jongin nasceu antes. Claro, eram outros tempos e Kyungsoo se via desencorajado em tentar algo a mais com o garoto, era um tabu para a época. Então, assim ficava, e Kyungsoo estava bem. Afinal, aproximar-se demais significaria ter que conta-lo sobre sua... Outra vida.

- Eu amo esse cara. – Jongin comentou, sentado no hall do hospital. Um programa de comédia tocava no rádio do canto da sala. Kyungsoo escorou-se na parede, apreciando o garoto.

- Quem imaginava que alguém tão longe daqui poderia contar piadas pra gente? – uma enfermeira completou.

O médico sorriu.

- Ouvi dizer que um cara está tentando fazer uma máquina para voar. – Jongin disse.

- Esses malucos. O que mais vão inventar?

- Espero que não seja nada que nos machuque. – outra enfermeira comentou.

- Qualquer coisa, – Jongin falou, e se virou para Kyungsoo. – o doutor irá nos ajudar.

***

- Doutor Do. – a enfermeira chamou, entrando no cômodo. – Temos um paciente seriamente ferido.

A sala estava totalmente vazia, a não ser por uma maca e várias prateleiras espalhadas. Pequenos tijolinhos de cor creme subiam desde o azulejo marrom no chão, mas Kyungsoo não se surpreenderia se eles já foram uma vez brancos.

Ele checou o pulso do paciente, e foi ao banheiro do cômodo para lavar as mãos. Passou um pouco de álcool, qual o próprio exigiu que fosse colocado. Infelizmente, as luvas de látex não eram possíveis... Mas Kyungsoo mantinha-se com as mãos para cima até voltar a maca.

O homem tinha uma ferida em seu pescoço, ensanguentada, e gemia de dor. Kyungsoo limpou o local, e percebeu dois pequenos buracos, um ao lado do outro – estranhamente, tinham a distância entre eles do mesmo comprimento que a distância entre dois caninos humanos.

Diagnóstico estúpido. Um vampiro? Não.

- O que aconteceu? – Kyungsoo perguntou, mexeu em alguns apetrechos, e pediu para que fossem lavados.

- Alguém no local disse que foi atacado, e logo o achou assim. – a enfermeira disse. – Esse alguém falou que ele estava sobre uma poça de sangue.

- Então ele perdeu muito sangue. É incrível ter sobrevivido, mas sinto dizer que não devemos cantar vitória ainda. Precisaremos de uma transfusão sanguínea. – respirou fundo. – Faça uma sutura. Farei a tipagem sanguínea. Reze para que não seja 0.

***

Kyungsoo observava Jongin dançar a uma música tocada no rádio. Estava distraído, usando a vassoura como seu par, mexendo-se com o som do jazz. O médico pensava no motivo desse garoto estar ali, limpando o chão, quando deveria estar em um palco, sendo exaltado.

- Doutor Do. – falou, assustando-se. – Não te vi aí.

- Não precisa me chamar assim, Jongin. – sorriu e moveu-se na sua direção. – Quer sair hoje à noite?

Jongin sorriu, mas depois pareceu acanhado.

- Eu não tenho veste apropriada.

- Não precisa. Vamos só passear, ir a algum parque. Olhar as estrelas.

O rosto de Jongin era uma das coisas mais perfeitas do mundo quando estava iluminada pela luz da lua. Na verdade, ele era perfeito sob qualquer luz, mas estava especificadamente perfeito aquela noite.

- Acho que esta é a melhor época a se viver. – Jongin falou. – O mundo está iluminado, a guerra acabou.

Kyungsoo engoliu a seco. Mas, pensando por alguns minutos, percebeu que, de fato, esses poucos anos entre as duas guerras talvez foram os melhores para se viver.

Jongin estava com as mãos entre os bolsos, vestido com seus jeans largos e surrados e um grande sorriso. Kyungsoo gostava de andar um pouco atrás dele, porque se maravilhava com a forma que ele dava pulinhos.

No entanto, o médico escutou um grito vindo de um beco na rua que cortava a que caminhavam. Os dois se olharam e correram na direção, apenas para encontrar uma mulher, caída, morta. No seu pescoço, estavam as mesmas marcas: dois pontos, com igual distância.

Kyungsoo olhou para Jongin, amuado.

***

Era claro que aquilo era uma ideia idiota que partia de um princípio idiota. Kyungsoo sabia muito bem que, em tese, não poderia morrer logo que tivesse seu relógio no bolso e uma boa atenção e, decidido, saiu na outra noite, sozinho e fingindo-se de distraído.

Talvez fosse algo estúpido, mas se ele poderia voltar no tempo como bem quisesse, então poderia muito bem existir... vampiros nesse mundo. É, parecia incrivelmente idiota dito em voz alta.

Por alguns dias, fez o mesmo caminho. Tornava-se mais imbecil a cada dia, mas Kyungsoo estava encasquetado com o assunto. Talvez estivesse perto de conhecer algo que nunca viria outra vez – e por que não? Se der merda, volte no tempo.

No entanto, no quinto dia, não deu outra: lá estava ele, vestido completamente de preto e com os olhos vermelhos, fuzilantes, mostrando-se pronto para fazer Kyungsoo sua presa. Sem deixar-se acovardar, o médico colocou sua mão no bolso – e todo o mundo parou, até a brisa fria que soprava contra seu cabelo. Correu até sua casa e voltou ao beco, agora segurando uma besta em suas mãos, com uma estaca carregada – cortesia da Idade Média.

- Atiro em seu peito se você se mover. Tenho ótima mira. – Kyungsoo falou. O vampiro aproximou-se apenas para sair das sombras, fazendo o dedo do médico tremer sobre a válvula que atiraria.

- Calma, calminha. – respondeu. Ele tinha uma voz grave, e seu cabelo era preto como suas vestes. Os olhos escureceram, e sua pele era pálida, quase cinza. Suas mãos estavam levantadas a frente do corpo. – Não precisamos disso.

- Você esteve matando pessoas nessa cidade. Desejo que pare, mas como deve saciar sua sede, então... – fechou um dos olhos, mirando.

- Matando? – perguntou, franzindo o cenho. Depois, abriu um sorriso, mostrando as presas afiadas. – Uh. Isso é uma besta? A madeira é europeia. Não usam isso há séculos.

Kyungsoo arqueou uma sobrancelha.

- Como sabias que realmente se tratava de um vampiro? Eu moro aqui, sei que és um homem da ciência.

- Palpite certo. – e deu de ombros.

- Palpite muito certo.

- Aonde quer chegar? – talvez no fato de Kyungsoo ter realmente dado uma viajada para a Europa medieval uns dois dias atrás?

- Lugar algum, doutor Do. Talvez devêssemos fazer um acordo em que o senhor fornece-me um pouco de sangue tirado de seus doadores, assim não teremos que... Derramar mais sangue.

- Eufemismo um tanto paradoxal, diria eu.

- Claro, mas pudeste me entender.

- Não sei. Parece-me mais fácil mata-lo. – levantou a besta até a altura do rosto. – Esse sangue é necessário. Aliás, você é..?

- Park Chanyeol. – apresentou-se, fazendo uma reverência. – Não será tão necessário caso ninguém o precise mais.

- O que insinua? Posso te matar.

- Na verdade, não. Eu o teria feito se pudesse, de verdade, mas os alhos e a estaca são apenas lendas. – Kyungsoo abaixou a besta, sentindo-se estúpido. – Sei que não és vítima inocente, soube quando deparei-me contigo neste beco. Quero parar com a matança, mesmo.

Kyungsoo respirou fundo.

E atirou a estaca no peito de Chanyeol.

- Só queria certificar-me. – falou, e o vampiro olhou para o pedaço de madeira em seu peito. – Trato feito. Afinal, que opção tenho eu?

***

Kyungsoo tirava a temperatura de um de seus pacientes, constatando que ele não tinha mais que um resfriado. Aliviado, ele deixou o consultório, dando lugar ao vampiro que adentrava o local.

- Achava que vocês não podiam sair à luz do dia. – falou, abrindo um armário. Havia uma caixa cheia de gelo, envolvendo uma garrafa com sangue. – De hoje de manhã. Pedi para uma de minhas enfermeiras doar o sangue.

- Agradecido. – respondeu. Kyungsoo sorriu.

- Acho que o mal compreendi. – disse. – Claro que não mata por mal, deve ser incontrolável quando tem sede. É honrável de sua parte querer encontrar uma alternativa para isso.

- Obrigado, Doutor Do. – Chanyeol respondeu, logo após beber meia garrafa do liquido. – Apesar de que, sim, eu sinto prazer em matar.

Kyungsoo revirou os olhos.

- Soo. – Jongin falou, entreabrindo a porta. Olhou estranhamente o outro ali.

- Nini. – respondeu, correndo na direção do outro. – Eu sinto muito, mas peço-lhe que não entre aqui sem bater.

- A enfermeira disse que não estava atendendo pacientes. Mas vejo que estava enganada. Eu sinto muito. – apertou os lábios.

- Está tudo bem, Nini. Não tem problema.

- Volto depois para conversar contigo. – fez uma reverência. – Aliás, tenha um bom dia, Chan. – e saiu.

Chan?

- Bom garoto, o Jongin. – Chanyeol falou, lambendo os lábios para recolher os últimos resquícios de sangue. – Gosto muito dele.

Kyungsoo sentiu uma pontada – mais como a estaca que atirou no coração do vampiro ontem – de ciúme atingindo-lhe.

- É melhor não fazer nada a ele, ou eu descubro uma porra de uma forma de te matar. – ameaçou. Chanyeol levantou uma sobrancelha.

- Relaxa. Eu nunca faria nada a um garoto tão bonito e gentil quanto ele. – Kyungsoo apertou sua mão para o comentário. Chanyeol abriu um sorriso. – O que fará quanto a isso? – Chanyeol perguntou. Kyungsoo estava para atender outro paciente – desta vez, preparia-se para uma cirurgia, coisa que sempre deixava o médico nervoso. E Chanyeol não ajudava nada estando ali.

- Como assim? – perguntou, tentando parecer desentendido.

- Ora, o jeito que olhas para ele. Não é errado, sabes disso.

- E ele sabe? – questionou, como uma confissão.

- Sabe. Também te olha assim.

- Como se fosse assim tão fácil.

- Falas como se já tivesse essa experiência, Kyungsoo. Desistente. Como se já soubesses que... – respirou fundo. – Vai dar merda.

Kyungsoo arqueou uma sobrancelha ao palavreado.

- Preciso proceder uma cirurgia. Até logo, Chanyeol.

***

08 de junho de 1923. 16h14.

- De onde conhece o Chanyeol? – Kyungsoo perguntou, escorado a parede do quarto que Jongin limpava. O mais novo virou-se na sua direção, com o lábio inferior entre os dentes. Isso deu calafrios a Kyungsoo.

- Trabalhávamos juntos em um restaurante. – e se virou. – Sabia que ele era um vampiro, mas apenas nesta última semana que tive conhecimento de vítimas suas. Talvez ele fosse mais... Sigiloso antes. Entristece-me um pouco, mas bom que você tomou essa inciativa de ajuda-lo.

- Eu me sinto um pouco estranho com isso. Não tenho certeza que ele está realmente deixando essa matança, afinal, meu sangue não é fresco e o próprio disse-me ter prazer em matar. E, também, até quando isso irá? Ele vive para sempre.

Jongin aspirou uma risada.

- Acho que você tem uma sina eterna. – e sorriu, abaixando-se para pegar o pano.

Uma criatura tão perfeita. Tão esplêndida. Deveria ser proibida de existir. Kyungsoo estava profundamente, perdidamente apaixonado por ele. Diz-se que sua amizade é suficiente, mas tem vontade de mexer em seu cabelo, de beijar sua pele morena...

E, de repente, Jongin gritou e despencou no chão, largando o que segurava. O estrondo que fez foi tão rápido quanto a velocidade em que Kyungsoo correu para atingi-lo, mas quando checou o pulso do garoto...

Morto.

Kyungsoo disparou-se a chorar, segurando o garoto em seus braços. Assim, um momento sorrindo, e outro, caído, morto.

As enfermeiras correram até o quarto, preocupadas com os soluços altos do médico.

***

05 de junho de 1923. 16h14.

Kyungsoo sentou-se em uma das cadeiras da recepção, tentando recuperar-se do que aconteceu. Ou melhor, do que viria a acontecer.

Jongin morreria em 72 horas e Kyungsoo não iria deixar isso acontecer, não queria deixar isso acontecer, no entanto… Tinha os artifícios para impedir isso?

Porém, nem que tivesse de viver por toda eternidade nesse loop de três dias: ele o ajudaria.

Após a procedência de uma autópsia, veio ao conhecimento de Kyungsoo que o garoto havia tipo uma morte súbita pelo rompimento de um aneurisma cerebral. Nada do que o médico nunca havia ouvido falar - no entanto, cirurgias de crânio aberto para ajudá-lo não só são impossíveis antes da década de 70 como também são ilegais. E, se já não fosse o bastante, Kyungsoo está longe de ser um bom neurocirurgião. Especializou-se em cardio, ora.

Escorou sua cabeça contra a parede e passou seus dedos pelos olhos – estava tão assustado. Ele não poderia, Jongin não deveria morrer dessa forma. Não estava certo.

***

07 de junho de 1923. 18h45.

-  Soo. – Jongin chamou, adentrando a sala. – Tudo bem contigo? Pareces aflito.

Tentou um sorriso confortador ao aproximar-se com médico.

- Opa. – falou. – Eu poderia ter entrado? – perguntou, mas permaneceu sorridente, como se a pergunta fosse uma brincadeira. Kyungsoo abriu a ele um sorriso torto, que rapidamente caiu. Jongin também perdeu o sorriso. – Realmente. Estas preocupado com algo.

Ele ajoelhou-se na frente da cadeira onde Kyungsoo sentava-se, e segurou uma de suas mãos.

- Hm, deve ser um paciente. É isso, não é? – sorriu novamente, e apertou a mão do médico. – Se não há jeito, deves deixa-lo. Não tem problema, Soo.

O médico sentiu-se como pudesse chorar todo o oceano pacífico. Não faltava mais que um dia, e Kyungsoo ainda não sabia o que fazer.

Dispensou-se do trabalho pela tarde, sabia que não encontraria tão cedo o que fazer para salvar Jongin e o loop recomeçaria assim que o garoto novamente encontrasse o destino fatídico. Então, nada do que fazia importava.

Escorou-se contra a cadeira e soltou um grunhido frustrado. Não deveria chorar, isso não adiantaria.

- Ei. – Chanyeol chamou.

Kyungsoo respirou fundo e olhou na sua direção.

- Ah, Chanyeol, claro. Você não se alimentou ontem. – falou, e levantou-se.

- Não se preocupe com isso. – disse, adentrando a sala. – Desejo discutir acerca de algo.

Kyungsoo levantou a sobrancelha. Chanyeol parecia aflito.

- O que seria?

Chanyeol balançou-se apoiado nos calcanhares, e apertou suas mãos em punhos.

- Quando soubeste dos meus assassinatos, tiveste um palpite bastante acertado quanto a minha natureza, digo eu, mais do que sortudo, concordas? – Kyungsoo balançou a cabeça, consentindo. – Agora, dir-te-ei um palpite tão estranho e direito quanto o teu, que a princípio parecer-te-á absurdo que eu saiba de tal coisa, assim como senti na situação contrária.

O médico cruzou os braços.

- Sua besta, ela realmente não pertence a esse tempo. Perdoe-me pela invasão, mas certos artefatos em sua casa apontam ao mesmo fato que te irei contar agora. Acredito eu que és um viajante do tempo.

Kyungsoo aspirou uma risada.

- Sei que te pareces absurdo, não pela tal afirmação, mas sim pela verdade à tona com tempos e tempos escondendo-a para si. Soube também por outras formas que não te cabes agora, mas peço-te que se liberte da verdade reservada em ti. – e sorriu.

Chanyeol estava certo. Kyungsoo nunca havia contado para absolutamente ninguém sobre isso. Não acreditava que Chanyeol fosse a pessoa de melhor confiança para tal, mas na situação qual se encontrava, precisava de alguém para se desabafar.

Ambos se encontravam no cafofo de Kyungsoo, onde se reclinavam nas poltronas do médico.

- Eu... – tentou, sem saber por onde começar. – Nasci em 2022.  – o médico disse e Chanyeol abriu um sorriso.

- Alguma aposta de loteria que podes me dizer? – Chanyeol falou.

- Nada que eu me lembre. Mas, spoiler alert, haverá outra guerra daqui uns anos.

O vampiro arqueou uma sobrancelha. Desapontado, mas não surpreso.

- Por que voltaste para 1923?

Kyungsoo respirou fundo. Não só estava guardando-lhe a verdade sobre o destino de Jongin, mas também sobre o destino de toda a humanidade, qual permanecia angustiando o médico.

- Em 2048, o mundo... Foi completamente destruído. Alguns caras irão inventar uma arma estúpida chamada bomba atômica daqui uns anos, e ela causa uma catástrofe sem igual. – olhou para o outro. – Eu duvido que isso não te mate.

- Então, o jovem doutor voltou e tentou ser útil a humanidade?

- Exatamente.

- Não vai adiantar, sabes disso. Quero dizer, tenta avisá-los que se não pararem de produzir, a bolsa de Nova Iorque irá quebrar. – aspirou uma risada. – São uns idiotas.

Kyungsoo franziu o cenho.

- Mas... Isso é daqui 6 anos.

- Ora, parece que temos um Sherlock Holmes aqui. – Chanyeol sorriu. – Você não é o único bom samaritano aqui. Sabe, se você mudar a realidade de uma forma que o Trump não seja eleito, a Terra ganha uns dois anos a mais de vida.

Ele tirou um relógio de seu bolso: era exatamente igual ao de Kyungsoo; mesmo tamanho, também dourado, e possuidor de quatro ponteiros. Kyungsoo sorriu.

- Eu acho... Que você vai perder isso aí eventualmente. – e mostrou o próprio para compará-lo.

- Cara, você não faz a menor ideia do que essa coisinha faz. Nem eu sei. Mas algo que é de extrema relevância e que eu acho que você não sacou ainda tem que ser dito. – guardou o relógio. – Eu ganhei isto de uma pessoa muito... Importante para mim. – engoliu a seco e deu um sorriso fraco. – Essa pessoa não queria que eu continuasse matando, então me deu isto para que eu me satisfizesse e voltasse o tempo, assim me impedindo de repetir o assassinato. Apesar do evento não acontecer na realidade em que me coloquei então, meu corpo ainda permanecia satisfeito.

- Que esperto.

- Eu sei. Ele era esperto. – respirou fundo. – Só que como você bem sabe, dois assassinatos por minha conta foram ao seu conhecimento nas últimas semanas, coisa que não deveria ter acontecido. Por isso, soube que era um viajante do tempo também. Infelizmente, viajantes do tempo ficam fora do loop temporal que outro viajante cria. Por isso, você permaneceu na realidade qual eu matei aquelas pessoas.

- Mas... Mas todo mundo também sabe que as matou.

- É aí que entra o paradoxo temporal. Se você não está próximo, assim sendo impossibilitado de comprovar o fato, e eu pergunto a Jongin sobre os assassinatos, ele não terá conhecimento algum sobre tal. Seu comportamento se distorce conforme a minha realidade.

Kyungsoo ficou estupefato.

- Porra. Isso é...

- Incrível, não? Mas quando estamos na mesma sala, a realidade se distorceria para o lado que inconscientemente escolhemos. Eu te dei vantagem. – Chanyeol riu dos olhos grandes de Kyungsoo.

- Que maluquice, puta que pariu.

- Mas vamos ao que realmente importa. Com isso quero dizer que eu fiquei fora de loop temporal que você criou amanhã, preso naquela realidade.

- Então... Jongin... – o médico disse, sentindo seus pelos arrepiarem com a lembrança.

- Demorou uns dias. Eu apareci na clínica e havia apenas uma enfermeira, o que me assustou. Disse-me que você desapareceu depois que Jongin morreu. Então eu entendi. – e levantou-se. – Aneurisma, não é?

Kyungsoo rapidamente abraçou o vampiro, pondo-se a chorar. Não sabia o quanto precisava que alguém soubesse do que viria a acontecer, não sabia o quanto necessitava de um ombro para chorar. Aquilo era estressante, ter a possibilidade de conhecer todas as eras, todos os séculos, mas saber que a história da humanidade, tão bela e trágica, iria terminar em nada mais que destruição e caos. Era estressante saber o futuro e ver-se impotente, impossibilitado de fazer algo a respeito.

- Você vai salvá-lo. – disse, acariciando o cabelo do menor. Kyungsoo apertou sua camisa, estava sentindo-se tão pequeno, chorando ainda mais com sua própria incompetência em salvá-lo. – Você vai. – puxou-o para que pudesse ver seu rosto, ficando próximo a ele, encostando sua testa à dele.

- É impossível. Não tenho como salvá-lo. – falou, movendo a cabeça de um lado ao outro.

- Mas é claro que tem. – sorriu.

- Como diabos eu vou proceder uma cirurgia no cérebro dele? Eu não sou a porra de um neurocirurgião! Sabe quanto tempo vai demorar para alguém nesse planeta ter a audácia de mexer na cabeça de alguém!?

- Então leve-o para o futuro.

- Como? O relógio só move uma pessoa pelo tempo. Eu já tentei e tentei, e é impossível.

Chanyeol tinha um sorriso enorme no rosto.

- Meu caro médico, – colocou suas mãos sob as têmporas do menor e beijou sua testa. Enterrou sua mão em um de seus bolsos e tirou o relógio, colocando-o sobre sua palma.

Kyungsoo arregalou os olhos e, gradativamente, abriu um sorriso.

- Mas... – fechou a mão. – Tem sim uma forma de levar uma pessoa junto.

- Então... – Kyungsoo falou. Seus olhos brilhavam com lágrimas de alegria. – O que estamos esperando?

***

07 de junho de 2015. 14h56.

Jongin estava todo encolhidinho. Não entendia muito bem o que havia acontecido, apesar dos outros terem lhe explicado razoavelmente. Só sabia que poderia morrer. E algo sobre ir ao futuro.

- Olha só esse upgrade. – Kyungsoo comentou, vendo o grande prédio que aquele onde trabalhava havia se tornado.

- Vem, Kai. – Chanyeol pediu, puxando-o para dentro.

- Lembre-se do que falei. Sentes fortes dores de cabeça, tontura, e finja que também está tendo perda da visão. Eles te tratarão rapidinho.

Era quase fofo assistir Jongin aflito. Só não o era pois esse poço de ternura e bondade corria sério risco de vida.

- Vai ficar tudo certo, Nini. – Chanyeol falou, e beijou sua cabeça. – Vai dar tudo certo, Kyung. – piscou para ele.

***

Jongin estava deitado, adormecido, sobre a maca e sua cabeça estava coberta por gases. Constantes bipes mostravam que sim, tudo estava bem com ele, e permaneceria bem. A cirurgia havia sido um sucesso completo, e Jongin foi chamado de sortudo por aparecer lá antes do rompimento da artéria. Kyungsoo e Chanyeol bem sabiam que não havia nem um pouco de sorte nisso.

- Obrigado. – Kyungsoo sussurrou. – Eu não sei o que teria feito.

Chanyeol sorriu de volta.

- Não foi nada. Esse garoto não merecia morrer ainda. – falou devagar, quase deixando o outro perceber sua voz trêmula.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos.

- Sabe... Eu te disse que alguém importante me deu esse relógio. – Chanyeol falou, sussurrando também. Kyungsoo concordou com a cabeça.

- O que aconteceu?

- Eu sou imortal. Falei que me mataria se pudesse. – abaixou a cabeça. – Pensando melhor, talvez eu não o faria.

O médico levantou uma mão para passa-la sobre o cabelo do maior, mas hesitou. Colocou-a sobre suas costas.

- Foi você, Kyung. Foi você quem me deu esse relógio.  


Notas Finais


pelo menos zero não vou tirar


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