História Who Killed?: Premonition - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Premonição, Pretty Little Liars, Scream Queens
Personagens Personagens Originais
Tags Filmes, Morte, Revelaçoes, Slasher, Terror
Visualizações 14
Palavras 4.451
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Bishounen, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeira pessoa: Gracy

Capítulo 4 - Quem é o pior?


WK3EP04: Quem é pior?

É uma terrível sensação. Como uma pontada no estômago você ver alguém morto bem na sua frente. A Sra. Ribeiro mostrava-se ser alguém tão boa com todos, não entendo por que alguém iria querer matá-la. E ainda por cima, esconder o corpo no frigorífico, alguma hora alguém ia perceber. Parece até um tipo de crime com intenções a mais do que uma simples morte. Eu estava curiosa.

Analiz ligou para a polícia, não demorou muito, os suspeitos estavam todos ali na pensão. A polícia dispensou eu, Marco, Thomas e Caleb. Por que não tínhamos com matá-la já que estávamos juntos e longe do local do crime. Os suspeitos estavam sendo entrevistados quando o sol acabou de ser pôr, eram eles, Analiz, Z, Cristie, Victor e Marina. Eu descartaria Z e Victor, impiedade não parece ser o forte deles, ainda mais para cometer esse crime. Meus instintos de juíza estavam a flor da pele nesse momento, é curioso como eu realmente quero descobrir o que está acontecendo. Afinal, já não basta toda aquela mitologia que eu tive que ouvir daquele diretor de teatro, eu não sei, não sei se isso realmente é algo que eu devo contar e levar para a minha vida.

Eu me deitei em minha cama e só estava pensando no amanhã, tenho coisas para resolver, além do mais, tenho que garantir que eu ganhe essa coisa. Tudo está dependendo disso. Coloquei a mão debaixo de meu travesseiro e tirei de lá o meu celular já com o fone, coloquei em meus ouvidos e selecionei a primeira música que vi. Meu aleatória sabe as músicas que eu amo, e as toca no momento certo. Então foi que a música da vez é Video Games da Lana del Rey. Uma melancolia agora... ótimo.

 

Swinging in the backyard
Pull up in your fast car whistling my name

Open up a beer
And you say get over here and play a video game

 

Encarei o teto. Essa música me faz lembrar de Thomas, ele adora Vídeo games e é até bonito. Mas eu odeio aparências, e não quero nada disso, na verdade, acho que nunca mais vou querer nada com ninguém. (“Nossa Gracy, não diga isso!”. Eu digo). Os homens dessa cidade não merecem ninguém, eu aprendi isso da pior maneira que alguém pode aprender alguma coisa. Os livros não me preparam para isso, pois livros ficcionais te enganam, mas eu estava acordada, esperando a verdade. Ela iria chegar.

 

It's you, it's you, it's all for you
Everything I do
I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls honey, is that true?
It's better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby now you do

 

Abri a gaveta do meu criado-mudo e ali estava. O pen-drive. Espero não perde-lo, talvez, ele fosse até mais precioso que minha própria vida. De repente, a luz pifou por alguns segundos, depois voltou, foi estranho, eu senti tudo ao meu redor se tornar maleável, tudo isso é tão estranho na verdade. É quase como uma ilusão, mas eu tinha que parar com isso, minha mente investigativa iria fazer eu viajar demais e até enlouquecer, e isso não poderia acontecer.  

 

Dois anos atrás...

 

- Qual o nome dele? – Maria me perguntava.

- Carlos. Carlos Aguiar. – Eu respondi empolgada.

- Nome interessante...

- Não só o nome, o corpo e tudo mais também.

- O quê? Ele te mandou nudes? – Ela ia gritar mas falou baixo.

- Mandou. E...

- E..? Não me diga que você mandou de volta?

- Eu mandei.

- Sua louca! – Agora sim, ela gritava pelo telefone.

- Tudo bem. Eu não importo com essas coisas. Além do mais, ele disse que irá manter em total sigilo. Afinal, se ele me divulgar eu também divulgo a dele. – Eu sabia ter cartas na manga.

- Vocês já se viram pessoalmente?

- Ainda não. Estamos marcando, sei lá!

Chegou duas mensagens em meu celular. Era do Carlos. Larguei a caixa da mudança no sofá mesmo e subi as escadas para o meu quarto. Avisei a Maria que tinha que desligar para conversar com ele. Sentei na cama e passei o cabelo para trás das orelhas.

 

Oi!

Tudo bem, amor?

Oi!

Tudo ótimo! Melhor agora!

Que bom...

Eu estava pensando...

No que?

Eu quero muito te ver.

O que você acha da ideia de você vim aqui em casa?

 

Assim ficamos conversando por alguns dias. Até que se passou semanas, finalmente terminamos de desempacotar todas as caixas da mudança. Foi combinado que eu iria até a casa dele, eu não parava de pensar nisso, na escola, e em todos os outros dias. Talvez ele fosse o cara perfeito, o cara com quem eu iria perder a minha virgindade. Eu tinha quase certeza que ele seria romântico. Eu estava mais que ansiosa. Me segurava todos esses dias para não roer minhas unhas.

Enfim chegou o tal dia. Ele me repassou todo o endereço certinho, eu teria que pegar um ônibus, pois ficava quase do outro lado da cidade, mas eu estava disposta a encontra-lo, se ele não fosse tão legal assim, eu caía fora. Mas eu não poderia estar enganada. Poderia? Enfim, fingi que iria estudar na casa da minha amiga e usei como desculpa para sair, eu não sabia quanto tempo eu iria demorar.

Sai de casa eram exatamente quatro horas. Tive que pegar dois ônibus, desci do último e notei que estava em um bairro de ruas curtas e com grama surgindo do asfalto, as casas eram afastadas uma das outras, havia algumas pessoas em frente de suas casas que me olhavam quando eu passava andando. Eu estava surpresa comigo mesma, com minha determinação para chegar na casa do Carlos e como ignorava tudo, inclusive ser assaltada. Parecia algum instintivo, é quase como um alerta e eu amo me arriscar. Meu ritmo era acelerado, já consegui ver a casa dele, ele fez questão de mandar as fotos para eu não me perder, não era nada demais, apenas uma casa de alvenaria simples com um portão e um fundo grande, essa parte da rua é silenciosa.

O número da casa dele, é 180, eu jamais esqueceria esse número. Bati palmas suavemente em frente a porta, não demorou muito até alguém abrir, era um homem já adulto, tinha bigode e já tinha mais de 45 anos, com certeza. Não fiz questão de encara-lo muito mas ele usava um terno.

- Oi, meu nome é Gracy. Amiga do Carlos. – Eu falei um pouco tímida.

- Ah, é claro. Ele falou que você viria. Entre! – A voz dele é forte.

Entrei, a sala era pequena mas havia bastante coisas, uma mesa de centro rodeada por cadeiras de madeira que eram acolchoadas, todas as paredes ali eram azuis e havia alguns quadros na parede, e também tinha um corredor encostado na parede onde só havia portas na direita e no fim não consegui ver o que era, pois me sentei antes. Aquele lugar tinha um cheiro esquisito de produtos de limpeza e remédios.

- Tem limonada, você quer? – Ele me ofereceu exatamente o que eu queria.

- Sim. Obrigada!

Ele colocou em um copo de vidro para mim e me deu. Estava bem refrescante.

- Eu vou sair. Mas vou avisar o Carlos que você chegou!

Acenei positivamente com a cabeça. Ele prosseguiu pelo corredor atrás de mim, eu tomei mais um gole e suspirei ao mesmo tempo que relaxei os ombros. Ouvi a porta do quarto abrir e depois fechar. Olhei para um quadro na parede, notei alguns cortes nele, pareciam até... me senti tonta de repente, minha visão ficou estranha e junto veio uma dor de cabeça do nada. Me apoiei na parede senão iria cair, notei o homem voltando para a sala, ele falava com alguém no telefone, quando me deu um tapa na cara que me fez cair no chão, seu celular caiu junto, antes de desmaiar eu conseguir ver com quem ele estava falando. Era uma mulher.

***

Eu acordei bem devagar, devido uma sensação estranha no dedo, era grama. Eu estava jogada em um colchão em um gramado, tentei me sentar mas meu corpo estava doendo, meus braços e pescoço, eu podia sentir que eles estavam machucados. Consegui me sentar e recuperar a consciência, o que aquele homem fez comigo? Levantei o meu vestido bem devagar, eu estava ofegante de alguma forma, toquei em minhas partes intimas e senti. Eu senti a dor. Eu senti a violação. Eu havia sido estuprada. A dor aumenta quando você tem consciência disso, eu queria chorar ali mesmo, meu corpo todo foi um fantoche sexual. Eu me senti um lixo por ter caído nessa história de Carlos e homem romântico. Eu ainda não acreditava, eu desejava... que tudo fosse um sonho. Mas eu sei que em sonhos não há dor, e eu estou repleta de dor. É um pesadelo.

 Me joguei naquele colchão, eu estava no quintal dos fundos da tal casa, mas estava afastada da mesma, olhei para os céus e me deparei com a cor roxa ou rosa, o sol estava se pondo, eu tinha que sair dali agora. Fiz uma força que tirei não sei de onde mas levantei e comecei a caminhar para fora dali, eu ainda estava com meu celular. Foda-se o ônibus, eu vou de Uber.

Essa espera pelo carro foi bem interessante, eu estava debaixo de um poste de luz, tentando pensar em outras coisas, mas de fato, nem tinha muito no que pensar a não ser o rosto daquele cara. Eu queria socar ele agora mesmo, na verdade, queria socar qualquer um que eu visse agora em minha frente. Tentei ficar de postura ereta mas relaxada, quem sabe meus pais não perceberiam nada. Eu percebi que aprendi três coisas bem relevantes nesse dia. Primeira: Não confie em ninguém na internet que você não viu ao vivo. Segunda: Peça conselhos a amigos e os considere. Terceira: Monstros também usam terno.

***

Toc Toc. Foi o que eu ouvir antes de Zlatan aparecer no meu quarto, ele me disse que Marco estava querendo falar comigo. Disse a ele que já estava indo, então guardei meu celular e meus fones de volta ao lugar onde estavam e abri a porta, passei pelo corredor e dei de cara com Analiz antes de chegar a escada, ela ainda estava com um olhar de falso impressionismo.

- Onde você estava? – Ela me perguntou.

- Eu sai com os meninos para descobrir pistas. Para ajudar, coisa que você mesma não está fazendo!

- Pistas do quê? – Ela disse e eu apenas revirei os olhos e continuei a caminhar. – Não tem nada para investigar. O ACIDENTE NO SHOW FOI ALGO COMUM QUE DEVEMOS ESQUECER E A MORTE DE RAFAEL TAMBÉM FOI MAIS UM DOS TERRIVEIS ACIDENTES QUE ACONTECEM TODOS OS DIAS NAQUELA ESTRADA.

Eu parei e girei os calcanhares apenas para dizer:

- Tudo bem. Depois que você e sua amiga com garganta de cobra peçonhenta morrerem, eu não vou fazer nada.

- Ah! Como ousa!

- Analiz, me poupe!

Fiz o que deveria ter feito minutos atrás, a ignorei. Prossegui pela escada, desci, encontrei ali, Marco, Caleb, Victor, Zlatan, Marina e Thomas. Eles estavam conversando sobre algo, havia um enorme livro na mesa no centro dos sofás e a TV também estava ligada embora em um volume menor. Presumi que iriamos ter mais uma conversa filosófica sobre essa teoria. Enfim me sentei ao lado de Z.

- Então quer dizer que você nos salvou, para morremos depois? – Victor disse.

- Interprete direito! – Thomas exclamou.

- Eu entendi. Mas não sei se acredito em tudo isso. – Sérgio falou. – Meu pai costumava me dizer que muitas das coisas ruins acontecem apenas na cabeça.

- Olha! – Marco suspirou antes de continuar. – Eu não to pedindo que acreditem mas que apenas...

- Fiquem de mentes abertas! – Caleb continuou.

Marco olhou para Marina, eu sentia que ela queria dizer algo, então demos atenção, ela pegou o livro na mesa e começou a folhear algumas páginas.

- Eu deixei esse livro aqui antes de ir procurar vocês. Quando cheguei ele estava aberto. Não vou acusar ninguém, é claro! Mas aqui nesse livro tem uma sessão de ‘Maneiras de Escapar da morte’. Algumas são inválidas tipo a segunda onde diz: “O último da lista poderá salvar todos se esse, se suicidar!”. – Ela falava.

 É claro que todos nós olhamos para Marco pois ele é o último, eu senti ele ficar nervoso, mas lembrei de uma coisa.

- Isso não faz sentido. Já que você disse que não se pode morrer quando não é a sua hora. – Eu argumentei.

- Sim! Essa foi a parte que eu não entendi. Mas não acho que ela estaria aqui por acaso. – Marina ajustou seu rabo de cavalo. – A terceira parte diz apenas: “Uma vida nova poderá derrubar toda a lista da morte”.

- Uma vida nova? -  Victor perguntou.

- Tipo, um recém-nascido? – Zlatan disse. – Eu não entendi. Como se consegue uma vida nova?

- Ressuscitando! – Marco disse.

- Talvez. - Thomas falou. – Não temos tempo para esperar alguém ter um filho. E, o procedimento de ressuscitação não acontece com qualquer um. Isso é bem difícil e é algo médico bem técnico e raro, poderíamos testar se tivéssemos tempo. Mas estamos sem!

- Galera, eu li um aqui que explicaria a morte da Sra. Ribeiro. – Marina chamou nossa atenção.

- Então isso significa que você a matou! – Cristie falou enquanto descia as escadas junto de Analiz.

- O quê? Eu não faria isso!

- Meninas, calma! Acusações assim sem provas não nos ajuda em nada agora! – Sérgio interrompeu. – Eu quero ouvir o que Marina tem a dizer.

Analiz e Cristie representavam Deus e Jesus da pensão agora descendo essas escadas, pena que isso interfere na realidade atual de que muitos já não tem fé nelas. Eu não sabia se iria vencer essa disputa, muito menos se iria ficar viva em tudo isso. Mas eu tinha cartas na manga, eu precisava ter, como toda boa advogada.

- Bom... há, provavelmente, a maneira mais eficaz de escapar da morte incerta. Mas isso pede medidas horríveis, aqui diz: “Se alguém que está na lista da morte, tirar a vida de outra pessoa que a morte não está caçando, eles trocam de lugar.”

- Então... quem matou a Sra. Ribeiro agora vai morrer somente quando ela deveria ter morrido?

- É. – Marina confirmou.

Caleb passou a mão na cabeça e depois abraçou sua namorada por trás, Victor levantou do sofá e foi até a janela, ficou olhando lá fora alguns segundos.

- Eu não quero brigar nem nada. Mas e se isso for apenas um tipo de paranoia múltipla? – Cristie falou.

- Não acredita em mim? – Marco falou. – Eu...

- Marco, eu não acho que foi isso que Cristie quis dizer. Na verdade, o ponto dela é até importante! – Z a defendeu.

- Obrigada. Eu só pensei, eu já vi muitas pessoas ficarem um pouco perturbadas depois de um acidente e todo esse estresse. Mortes. – Ela falava de uma maneira suave, nem parecia aquela garota esnobe. – Às vezes o trauma todo nos cria situações. Quem sabe tudo não foi uma terrível coincidência e com tudo que está acontecendo, estamos nos pregando peças. Qual é?... Acidentes acontecem ao redor de nós todos os dias e só agora vamos prestar atenção? E se... não for tudo coisa da sua mente, Marco?

Eu queria ter todos os argumentos para discordar dela. Mas essa garota tem razão, pode não ser a verdade, mas ela tentou dar uma conclusão nisso de maneira sensata. E se for apenas um acidente comum, Marco teve uma sensação ruim comum, assim como todos nós temos quando estamos inseguros. E se tudo isso não for alguma problema traumático que de alguma forma afetou todos nós? Isso era mais confuso ainda.

- Talvez, você tenha razão, Cris! – Marco voltou a falar – Mas eu não vou arriscar. Ainda mais que... você e a Gracy são as próximas na lista.

- Já tem pistas? – Perguntei.

- Não. Mas evitem lugares perigosos e procurem ficar com amigos para ajudar se necessário. – Marco falou.

Olhei para Cristie e pela primeira vez concordamos em alguma coisa. Caleb e Marina subiram se agarrando para o quarto dele, falaram que iam descansar depois desse dia cansativo. Era o que todos queríamos ali, descansar. Analiz e Thomas também voltaram para seus quartos.

Marco e eu ficamos olhando o livro por mais um tempo, ele é grande mas seu conteúdo e muito repetitivo tornando nossa busca meio desnecessária, olhamos na última página e lá havia diversos rabiscos mas todos eram iguais, um número: 180. Estavam em toda a parte, eu lembrei de uma coisa do meu passado. Marco olhou para mim, em seguida chamou Victor para ver isso também.

- Você tem esse número tatuado atrás do pescoço não é? - O loiro perguntou.

- Sim. Tem algum problema? – Patrik perguntou.

Marco me olhou com uma visão desesperada porém controlada ao mesmo tempo, só ele sabia fazer essa expressão.

- Eu sempre quis tatuar o meu pescoço. Tipo escrever Cristie ou sei lá! Mas morro de medo. A dor de uma tatuagem no pescoço deve ser agoniante. – Cristie falou.

Marco pegou o controle da televisão que estava na mesa e começou a passar os canais até chegar em um noticiário que falava da tragédia do Show.

- O que tá fazendo? – Perguntei.

- Preciso saber do número de mortos.

Um manchete com o número de mortos passou na televisão, ele deu pause na tela. Era um total de 169 mortes confirmadas. Acho que entendi o que Marco estava querendo.

- Quase. – Eu falei.

- Você pensou o mesmo que eu? – Marco falava.

- O quê? – Victor perguntou.

- Com nós mortos. Seria ali um total de 179 mortes. Faltando apenas um para 180.

- Ainda não entendi o que 180 tem a ver com isso? – Victor continuava confuso.

- Será que mais alguém sobreviveu? – Cristie colocou um ponto importante.

- Marco. – Eu falei. – Consegue lembrar de algo?

- Eu só lembro de... – Ele fazia força para se lembrar. – Uma garota que morreu junto com o Sérgio na minha premonição. Mas como saber se ela está viva?

- Ela está viva. – Z falou. – Eu falei com ela hoje de manhã. Nos encontramos na rua, ela mora um pouco perto.

- Z. Eu nunca pensei que fosse dizer isso mas... Você tem que trazer essa garota para cá. – Marco sorriu.

***

Eu fui dormir ao som de I don’t Wanna Live forever, a voz da Taylor combina com a do Zayn. Eu amo essa música, ela me relaxa de certa forma. Eu precisava relaxar, a minha a rotina começava de fato. Meu primeiro dia na faculdade, eu espero tanto esse dia, pelo menos vou saber como é ficar rodeado de pessoas que gostam (ou deveriam) da mesma coisa que eu. Se eu morrer pelo menos vou saber essa sensação,

Começou a chover. Última coisa que ouvi antes de dormir foram os últimos sons da música e os pingos de chuva se chocando contra o vidro da janela.

***

Acordei com bastante energia, escovei os dentes, tomei banho e já estava pronta para me vestir. Marina também entrou no quarto quando eu estava colocando o sutiã, ela dormiu no quarto do Caleb provavelmente, eu estava com um sorriso estranho hoje, nem eu mesma entendia o que era. Mas enfim, é melhor que ficar de mau humor.

Também ouvi nos corredores das meninas muita movimentação, eu soube com apenas as meninas faziam a faculdade no turno da manhã, os meninos a maioria eram noturnos e alguns vespertinos.

Eu estava ansiosa demais e também gosto de ser pontual, então me vesti super com pressa, penteei meu cabelo e passei o perfume, fiz uma maquiagem leve e rápida e depois desci as escadas, notei pela janela da sala que lá fora estava uma chuva fraca, então resolvi pegar o meu guarda-chuva, ele era totalmente roxo. Estava pronta para ir quando alguém tocou em meu ombro esquerdo e me assustei, era Analiz.

- Você vai de que? – Ela perguntou.

- De ônibus. – Eu respondi sem mais nem menos.

- Não. Você vai com as meninas. No meu carro.

Eu sinceramente estava com medo de Analiz ser assassina da Sra. Ribeiro e eu morrer nas mãos dela. Mas sei que ela não faria isso. Eu sentia.

- Tudo bem... – Eu falei demostrando insegurança de propósito.

Olha, eu quero fazer isso dar certo. De verdade, eu vejo um potencial em você. – Analiz não era a pessoa mais santa mas ela sabia usar artifícios para parecer uma. – E além do mais, vai ser super legal, nós quatro chegando lá saindo do carro e tudo mais.

- Só falta a câmera lenta. – Eu falei e nós duas rimos.

Eu tinha que parar de associar Analiz a outras pessoas. Afinal, ela é apenas uma humana comum, que erra.

***

Quando chegamos no Campus, todos olhavam para o carro muito antes de nós saímos. Seria interessante. A chuva já havia parado, mas ainda continuava aquela umidade que eu adorava ver e sentir. Ao meu lado no banco traseiro ia Marina com seu rabo de cavalo preso, seus seios eram grandes, ela tinha uma postura de repórter, a minha frente no banco do carona ia Cristie e Analiz dirigia. Por preocupação eu trouxe o guarda-chuva comigo, mas não ia sair com ele obviamente, além do mais, eu me lembro de quando aquela velha falou que um simples guarda-chuva pode matar, eu não queria arriscar hoje.

Por fim, o carro parou. Hora de sair. Cristie tinha uma linda bolsa da Channel, e nós andávamos todas um no lado da outra, como uma turma. Analiz tentava falar com a maioria, ela sabia ganhar a confiança do pessoal, era algo desnecessário, eu e Marina apenas sorriamos. Eu estava mais interessada em olhar para o lugar para já decorar os lugares, mas é tão grande e há tantas pessoas, mas o pai de Analiz já é rico, logo, famoso na cidade.

Enfim, tivemos que nos separar para ir a nossas respectivas salas. Na minha sala, havia umas 25 pessoas e a cada momento chegando mais, garanti um lugar bem na frente, gostava de sentar na frente, por dois motivos: Ouvir melhor e sair mais rápido. A aula começou com um professor gordo explicando a importância do direito na nossa vida, eu queria ficar para ouvir tudo sem perder nada mas Marco me ligou logo depois de 20 minutos da aula ter começado. Pedi licença para ir ao banheiro, mas na verdade, atendi o telefone mesmo no corredor, nessa altura até o banheiro poderias ser perigoso.

- Oi, Marco! Você já tem as pistas? – Perguntei de imediato.

- Sim. Estão mais confusas por que são misturadas entre a sua morte e a de Cristie. – Quando ele falava assim meu coração começava a acelerar, eu estava nervosa. – Mas fique longe de cigarros, cordas, coisas pontudas, fumaça e proteja seu pescoço. Acho que você vai morrer enforcada.

- Tudo bem. Acho melhor eu voltar para a sala que eu fico mais segura. – Eu terminei de dizer e logo desliguei.

Eu estava mal já. Passei a mão na cabeça e respirei fundo. É super estranho, você é capaz de ficar paranoico se saber como vai morrer e quando, eu aproveitei que tinha dito que ia ao banheiro e fui beber um copo com água no bebedouro do corredor. Coloquei na gelada, olhei bem para aquela água antes de tomar, me parecia tudo ok. Coloquei o copo no lixo, ouvi um som de fiação e talvez um espirro mas não consegui identificar de onde veio. Acho que apenas imaginei.

Quando fui voltar para a sala, ouvi uma voz no corredor me chamando.

- Ei, garota! – Era um rapaz de óculos que me chamava em uma sala. – Você pode me ajudar?

- Claro! – Cocei a nuca antes de responder.

Entrei na sala que ele estava, era um laboratório de química, eu vi uma mesa com coisas químicas que eu não entendia, composições e coisas borbulhando. Era algum tipo de experimento? Enfim, a sala tinha uma parede com janelas abertas totalmente de vidro.

- O que eu tenho que fazer? – Perguntei.

- Só tem que segurar esse tubo de ensaio para mim em uma posição para eu fazer umas misturas. Coisa rápida. Meu assistente teve uma diarreia.

- Tudo bem. – Eu não queria mas acabei rindo. – Vou colocar os óculos e as luvas.

Havia cordas penduradas na parede. Merda. Eu vou fazer isso mais rápido que puder e sair dali. Enfim, peguei o tal tubo de ensaio e fiquei girando ele, o garoto pegava com pinças algumas coisas que caiam do tudo em outro recipiente de vidro, eu definitivamente estava tremendo e ele podia notar. Eu olhei para a porta e havia um armário perto dela que estava com a perna bamba. De repente, tudo acima de mim começou a tremer e eu larguei o tudo de ensaio. Senti as cordas caindo em cima de mim, protegi meu pescoço. Até que o tremor parou, nada aconteceu, tirei as cordas de mim e as joguei longe. As janelas caíram e fecharam-se com o tremor.

- Você está bem? – Ele perguntou. – Estão fazendo uma obra na sala acima da gente.

- Desculpa, eu derramei seu tubo. – EU ESTAVA QUERENDO SAIR DALI.

- Tudo bem, eu tenho outro. Vamos está quase acabando.

Eu respirei fundo e continuei a ajudar, segurei o tubo e enchi o recipiente de vidro feito uma bacia. Até que veio mais um tremor, olhei para cima e vi uma bola de massa de modelar cair no recipiente e começar a derreter, um gás começou a sair. Fumaça. Eu iria sair dali agora mesmo. Virei para a porta e o armário tombou e a bloqueou. Comecei a tossir com o gás.

- As janelas. – O menino de óculos agiu rápido.

 Tentou abrir as mais próximas mas não conseguiu, por fim, a última abriu, foi tentar ir até ele mas minha perna prendeu nas cordas. Não conseguia sair do lugar, fazia forças mas eu estava ficando fraca e tossindo demais. Vi o garoto escapando pela janela, eu não consegui, meu nariz sangrava e senti minha garganta ser bloqueada e começar a arder. Era uma dor horrível, senti como se algo dentro dela quisesse ser livre. Eu estava prestes a morrer, mas não enforcada mas sim, asfixiada. Última coisa que vi antes de meu cérebro para foi Thomas pelo vidro da porta, ele tentava entrar, infelizmente, tarde demais.



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