História Wiheom - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Jikook
Exibições 10
Palavras 3.251
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OLAR

TUDO BEM COM VOCÊS?

-> Frases em itálico referem-se ao pensamento dos personagens.

Boa leitura <3

Capítulo 2 - Capítulo I


 

 

Capítulo I

 

   Park Jimin levantou-se num sobressalto. Suava e arfava, já era a quinta vez que sonhava com aquilo. A camiseta branca empapada de suor grudava em sua pele, pinicando-o. Agarrou-a entre os dedos, com força, e encolheu as pernas para perto de si. Seu peito descia e subia num ritmo descompassado, resfolegava inutilmente para manter a calma. Se continuasse desse jeito, provavelmente buscaria por um psicólogo.

    Lentamente soltou o tecido da camisa, embora não tivesse parado de fitar os próprios pés, como se se olhando para um ponto fixo pudesse espairecer a mente e recobrar o equilíbrio. Passou a mão pela testa úmida, logo mais bagunçando os cabelos. Sacudiu a cabeça e afastou as cobertas para o lado. Calçou as pantufas e caminhou até a cozinha. Obviamente certificou-se de acender as luzes do corredor, já que qualquer canto escuro o fazia estremecer.

    - Minha nossa – exclamou ao contemplar a pilha de louça suja que havia esquecido de lavar no dia anterior. Aquilo era resultado de preguiça pura.

    Tentando ignorar esse fato, vasculhou nos armários por um copo limpo a fim de servir-se de um pouco de água. Nos confins do móvel, finalmente encontrou um. E enquanto bebericava o líquido, fitava a lua através da janela da cozinha.

   Ela estava ali, inerte como sempre com todo o seu esplendor. Sua cauda branca encobria as construções, levando paz à escuridão. Perguntava-se como algo tão grandioso pudesse ser tão pacífico e sinistro ao mesmo tempo.

    Os prédios do outro lado da rua, todos apagados, sinalizavam que seus moradores dormiam, coisa que o Park estaria fazendo se não tivesse sido dolorosamente interrompido por aquele sonho estúpido.   

    Não havia sequer um movimento que escapasse de seus olhos astutos e, por isso mesmo, podia jurar ter visto um vulto no terraço do prédio da frente.

    Depositou o copo sobre a mesa de mogno e apressou-se a fechar as cortinas, talvez fosse um ladrão ou vândalo perambulando por aí, mas não ia perder o tempo tentando descobrir.

 

(...)

 

    O despertador tocou exatamente às sete e quinze da manhã. Levou um tempo para que focalizasse o teto acima de si e finalmente decidisse abandonar seu ninho – como carinhosamente chamava. Ergueu o tronco, pronto para enfrentar mais um dia, mas assim que se moveu, a gravidade pareceu puxá-lo novamente para baixo, e seu corpo chocou-se brutalmente contra o travesseiro.

    Notou que qualquer esforço para levantar seria inútil, então meio que apenas deslocou o corpo para o lado e deixou que o mesmo despencasse e rolasse sobre o tapete felpudo até parar em frente ao guarda-roupa.

    Não que fosse estupidamente preguiçoso, mas não estava em condições – nem físicas e psicológicas – de fazer alguma coisa.

  Espreguiçou-se e procurou por uma muda de roupa. Devidamente arrumado (depois de jogar o pijama em qualquer lugar, alegando que depois arrumaria a bagunça), pescou seu celular em cima do criado mudo e rumou para fora do apartamento, sem mais nem menos. Sem comer algo ou tomar seu costumeiro/precioso leite com Nescau. Estava desnorteado o suficiente para lembrar-se de preparar alguma coisa.

 _

 

    Park Jimin, esse era o seu nome. Era designer particular na empresa Big Hit de construção e decoração. Ele gostava de chamá-la de faço-tudo-que-o-cliente-quiser-e-pago-pau-mesmo, já que a política da compania pregava o máximo de cautela possível com um cliente, o que resultava em funcionários paparicadores e uma carga horária excessiva de trabalho.

    Em contrapartida, era uma boa empresa.

    No auge de seus 22 anos, o Park era um homem influente no mundo dos negócios e fluente em dois dialetos diferentes: chinês e inglês. O que pode parecer, definitivamente, um absurdo, porque ele era, na época escolar, uma desgraça em inglês. Não havia matéria pior do que esta. Uma negação, um miserável.

    Já deu para entender que ele era ruim mesmo.

  A empresa era composta por vários profissionais especializados em designer e construção, como engenheiros, arquitetos, decoradores, eletricistas, serralheiros, telhadistas, carpinteiros, encanadores, pedreiros, mestres de obras etc; onde cada um possuía sua sala. Quando se contrata um dos profissionais, ganha-se um “bônus” com outros agentes. Porém, obviamente pagava-se uma cota alta por esse empreendimento, e a menos que a pessoa fizesse questão de um especializado só, a compania lucraria horrores com essa administração. Devia ser por isso que era um lugar tão renomado e conhecido por toda a Seoul.

    Kyung Dong-Soon, seu patrão e dono do estabelecimento - quem ele muito carinhosamente apelidava de velhote-cara-de-bunda – em uma ligação, suplicara pela presença do Park alegando que o homem era o “melhor designer” da Big Hit e que precisaria dele urgentemente.

    A questão é: Park Jimin era o único designer ali.

    A princípio, Jimin relutou, mas não pôde evitar a curiosidade que lhe corroía para descobrir sobre o assunto aparentemente tão importante que Dong-Soon queria confabular.

    Afinal, era humano também.

   Chegando, empurrou com o ombro a porta giratória da recepção, sua blusa prendeu-se no espaço mínimo entre a abertura e o batente.

    Bufou.

    - Droga – puxou, mas a infeliz não saia. – Vamos, vamos!

    Cogitou até mesmo colocar o pé no batente e fazer pressão para que se soltasse, mas parecia uma ideia idiota e não estava com vontade de ser visto fazendo coisas idiotas.

    Não naquele dia.

    - Precisa de ajuda?

    Assustou-se com a repentina voz aveludada que penetrou seus ouvidos e instantaneamente olhou para a pessoa do outro lado da porta.

    Por alguma razão, pensou reconhecer aqueles olhos castanhos.

    Mas não se lembrava de onde.

 

(...)

 

    Big Hit – 8:00 a.m

    Park Jimin

   

    Cuidadosamente analisei o homem à minha frente até finalmente ter decorado todos os seus detalhes em minha mente. Era uma mania que eu tinha, e às vezes isso era considerado grosseria, já que eu demorava para responder e parecia mais que eu encarava um fantasma a uma pessoa normal.

    Acho que talvez eu tenha demorado alguns segundos a mais inspecionando-o, não era todo dia que eu me deparava com alguém como ele. Com todo o respeito.

   O rapaz em minha frente era alto (se bem que qualquer um era mais alto que eu, diga-se de passagem), ombros largos, pele branca, possuía feições rígidas, como se houvesse sido desenhado. Seu nariz era meio grandinho, mas nada extremamente exagerado que o tornasse um narigudo. Seus cabelos eram negros tal qual um azeviche, e seus olhos – que brevemente me recordavam amêndoas – pareciam penetrar meu cérebro e chacoalhá-lo. Por alguma razão, senti-me desconfortável, pois parecia-me que, em algum lugar em mim, eu o conhecia.

    - Eu te conheço? – Indaguei, franzindo a testa.

    Ele ficou em silêncio por breves minutos, decifrando o meu semblante.

    - Creio que não – respondeu curto e sorriu de canto.

    - Humm – resmunguei, apenas voltando a minha atenção para o que fazia antes de ser interrompido.

    Não que eu fosse um idiota e realmente estivesse tentando ignorar a presença dele (em parte), entretanto, não sei bem como lidar com pessoas, então meio que o deixei no famoso vácuo por um período, até ele resolver quebrar o silêncio.

    - Talvez conheça.

    Aquilo foi suficiente para que eu me virasse e passasse a fitá-lo. E ele retribuía, enigmático.

    - Mas, quem sabe? – Acrescentou, dando de ombros. Apenas alteei minhas sobrancelhas. – Você precisa de ajuda? – Frisou, se aproximando. – Parece que você está um pouco preso, se me permiti dizer. – Riu, um riso gélido e rouco que deveras me incomodou.

    - Hum... pode-se dizer isso – anui com a cabeça. Não respondi mais nada, não precisava de sua ajuda com uma coisa tão simples, apenas puxei o tecido mais uma vez, livrando o meu braço. – Isso, consegui – comemorei.

    - Ah, que pena, estava realmente ansioso em ajudá-lo – ele pareceu realmente desapontado, o que eu estranhei. – Bom, até uma outra oportunidade! – Acenou e passou por mim e pela porta, entrando na empresa.

    Observei-o caminhar através do vidro. Não sei se foi meio intuitivo, instintivo ou óbvio que reparei que ele estava indo direto para a sala do velhote.

    Segui-o.

    A entrada era extensa e iluminada, alguns pilares de mármore sustentavam o teto aqui e ali. Mais à frente havia um balcão também de mármore onde a senhorita Yang Mi fazia anotações como secretária-chefe de Kyung Dong-Soon. À direita, um espaço aberto com poltronas e revistas, onde os clientes discutiam e decidiam suas decorações e instalações preferidas. À esquerda, um longo corredor levava aos escritórios e salas dos associados. Eu dirigi-me para lá.

    Estava ao seu encalço, e pude notar que ele me olhou de soslaio, dando um sorrisinho logo em seguida.

    - Está me seguindo?

    Aquilo foi o cúmulo dos absurdos. Um disparate, um ultra-

    - Não vejo necessidade nisso – disse, incisivo.

    Finalmente alcançamos a sala do chefão, ao final do imenso corredor. Eu estava receoso em bater, não sabia se o rapaz ao meu lado também queria fazer o mesmo, então apenas aguardei.

    O moreno pareceu ponderar a mesma coisa.

    Sem dúvida era estranho que nós fôssemos para o mesmo local, eu comecei a ficar com medo de que ele me achasse um stalker do tipo vou-seguir-você-porque-tentou-me-ajudar-e-agora-secretamente-te-idolatro, portanto, resolvi bater primeiro.

    - Velho, é o Jimin!

    A porta se abriu e Dong-Soon nos recebeu com o costumeiro sorriso complacente e suas ruguinhas de idoso à mostra. Percebeu que não estávamos sozinhos, e não ficou surpreso com a presença daquele homem adventício.

    - Entre, não sabia que viria tão cedo! – Certo, vou ignorar o fato de que fui ignorado. – Entre, entre!

    - Obrigado, Kyung-ssi – transpôs a passagem e se acomodou numa das poltronas em frente à mesa de carvalho. – Venha também, Jimin-ssi. – Pronunciou meu nome como se estivesse familiarizado com ele.

    Só percebi depois que estacara com cara de tacho.

    - Ok – consegui balbuciar, no automático.

    Sentei na cadeira ao lado e fiquei brincando com uma estatueta de Napoleão Bonaparte que estava em cima de umas papeladas do chefe, até ele estragar a graça com um tapa na minha mão.

    Eu não entendia a obsessão por miniestátuas de figuras históricas do senhor Kyung Dong-Soon. Ele tinha centenas em suas prateleiras – elas não estavam ali, no momento, mas eu já as tinha visto, e não havia sido uma experiência muito interessante.

    Dong-Soon postou-se à nossa frente e pigarreou, dando umas batidinhas na barriga.

    - Vamos aos negócios! Park Jimin, creio que recebeu minha ligação, certo? – Assenti. – Pois bem, chamei-o aqui, pois meu amigo, senhor Jeon Jeongguk – gesticulou com a mão espalmada para o tal Jungkook – busca por nossos serviços.

    O homem de olhos castanhos virou-se para mim e estendeu sua mão buscando a minha. Concedi à cortesia, trocando um aperto rápido. Não pude deixar de notar que era extremamente gelada e lívida, os dedos longos e finos, o toque preteriu uma marca em minha mão quente.

    - Meu nome é Jeon Jeongguk, mas pode me chamar de Jungkook.

    Esse cara lê mentes?

    Sorri-lhe amarelo e aquiesci. Sujeito esquisito.

    - Enfim – o velhote prosseguiu – Jungkook-ssi está se mudando para Seoul e precisa de um designer para sua nova morada.

    - Sejamos breve, por favor – incuti, mirando-o com indiferença.

    - Claro – pigarreou. – Park Jimin, você prestará serviços à Jungkook.

    Ótimo.

    Ironicamente falando.

    Não pense você que eu era assim todos os dias – eu apenas me encontrava extremamente irritado com o fato de ter acordado no meio da noite e perdido boa parte do meu precioso sono.

    Jungkook fitou-me de soslaio, enquanto eu apenas comprimia os lábios.

    - Certo – murmurei. - Em que tipo de decoração esteve pensando, Jeon? – Indaguei-o.

   - Jungkook! – Ele ergueu o indicador, corrigindo-me. – Me chame assim, por favor. – Me esforcei para não revirar os olhos. – Viso uma estrutura rudimentar, inexpugnável, complexa, mas que indique vivacidade... Como um castelo.

    - Um castelo? – Inclinei a cabeça como um passarinho. Isso pareceu iluminar sua expressão.

    - Hum, castelos são do século passado, lamentável para essa modernidade. O que quero dizer é que adoro o ar arcaico que eles têm, apesar de tudo.

    E eu estava tentando assimilar vivacidade com castelo.

    Jungkook colocou a mão no queixo e eu quase pude ver engrenagens girando em sua cabeça.

    - Costumava morar em um na Transilvânia, entretanto, desde que me mudei para cá, venho procurando algo diferente. Talvez uma mansão. 

    Ele era o conde Drácula ou o quê?

    Se ele não esbanja dinheiro, então pelo menos o cara nada nele.

    - O.k. – conclui, meio incerto. – Se visa algo rudimentar, posso providenciar um esboço de tijolos expostos... Dong, Hobi-hyung pode começar a planta amanhã mesmo – sugeri.

    - Perdão, mas quem é esse? – Arqueou uma sobrancelha.

    - Será seu agente especial – explanei, piscando os olhos. – Especificamente, seu arquiteto e engenheiro.

    - Ah.

    Não sabia se Kyung Dong-Soon havia explicado o funcionamento da empresa, e segundo a expressão de Jungkook, eu acreditava que não.

    Um ar infantil pairava ao seu redor contrastando com a postura ereta e austera que adornava seu corpo. Suas pernas cruzadas e as mãos repousando nos bolsos aplicavam-lhe um aspecto quase soberbo e intocável, a luz branca que incidia sobre seus cabelos escuros jaspeava seus contornos, como pequenos riscos dourados e brilhantes. Sua presença era ao mesmo tempo estranha e proeminente, como se eu estivesse olhando para um modelo.

    Inspecionei minha própria roupa, sentindo minhas orelhas esquentarem ao notar que, quando pegara uma roupa qualquer, fora definitivamente uma roupa qualquer. Um moletom velho com estampa dos Power Rangers e uma calça cinza de uso doméstico.

    Eu quis me socar no rosto.

 

    Eu não conseguia acreditar verdadeiramente que ele havia morado em um castelo. A não ser que ele fosse parente da família real da Inglaterra porque, convenhamos, palácios não passam de monumentos históricos hoje em dia.

  Ou seja, não havia possibilidade alguma de crer muito em sua fala. Nem que ele viveu em Transilvânia. Jungkook era definitivamente coreano e seus olhos levemente repuxados na extremidade indicavam isso. Talvez “castelo” fosse um adjetivo bonitinho para uma possível mansão no exterior.

    Meneei a cabeça e pus-me de pé num salto. Ele era meu cliente, pouco me importava seu histórico familiar ou seu status quo.

    Pigarreei.

    - Bom, conversarei com o hyung, então.

    Não demorou muito para que, com uma mesura, eu me retirasse do local e rumasse em direção ao meu próprio ofício.

    Os olhos do meu mais novo cliente queimaram minhas costas.

 

(...)

   

    Uma semana atrás

 

    - Está tudo pronto para a minha ida, Mina? – O homem de fraque escuro questionou.       

    - Sim, senhor. – A serviçal se curvou, cortês. – O carro lhe aguarda lá fora.

    - Excelente – ele ajeitou a gravata ao passo que Mina o observava de forma lasciva.

    - O que fará com o castelo, senhor Jeon?

    - Pretendo deixá-lo do jeito que está. Até ter terminado tudo o que tenho que fazer, não voltarei. Quem sabe eu goste de Seoul e decida lá residir. Cuides dele, está bem?

    - Está certo, senhor – anuiu, frenética.

  Jeon Jungkook abriu a pequena caixa de veludo ao lado da penteadeira e suspirou ao contemplar o colar folheado com um pingente de safira. Ter de usá-lo lembrava-o da sua real condição.

    Fitou ao espelho. Nada.

  Detestava colocar a joia, entretanto, puxou-a com os dedos e a posicionou no pescoço, escondendo-o por baixo das vestes lustrosas.

  Seu reflexo se materializou no espelho.

   Poderia ter passado um longo tempo encarando aquela imagem que de modo algum se assemelhava com o que realmente achava de si. Não observava a tez lisa, nem os cílios espessos e os fios negros brilhosos. Via o que estava por trás; as presas, o vermelho, as garras, as orelhas pontiagudas, o sangue.

    O monstro.

    E aquele colar lhe lembrava disso.

   

    - O senhor está muito bonito, patrão Jeon, se me permite dizer.

 

    Jeon parou o que fazia e abriu um sorriso de canto. A garota nunca perdia uma oportunidade para lhe elogiar – tampouco se insinuar. Virado de costas e vendo-a apenas pelo reflexo do espelho, sabia que a mordida nos lábios femininos e as mãos sobrepostas umas às outras no tecido do uniforme eram formas infrutíferas de excitá-lo. Deixou-se ser embalado nessa brincadeira utópica que a outra tentava criar e voltou-se em sua direção.

    - Ah, é mesmo? – Friccionou as pálpebras, umedecendo os lábios.

    Ela aquiesceu.

    - Eu só estou bonito hoje, Mina? – Abotoou os botões de cristal em seu punho, se aproximando.

    - Sempre – seus olhos caramelados percorriam toda a extensão do corpo masculino.

    - Excelente – Sorriu-lhe ladino e dirigiu-se ao vestíbulo, mas a voz da servente o fez parar.

    - Se... senhor... - Ela mirava um ponto qualquer no recinto, mordia o lábio inferior, a face rubra, suas mãos apertando com força o pano da saia.

    - Ah, sim... – estalou os dedos – quase me esqueci. – Alcançou-a e tocou-lhe as madeixas alouradas, levando-a aos lábios.

    Mina era a servente mais nova do castelo, Jungkook acreditava que ela teria seus dezessete anos. Uma garota leal e extrovertida, embora deveras trivial. Perdera as contas de quantas vezes oferecera sua “lealdade” a ele.

    - Terá de me perdoar, mas não tenho tempo para ser desperdiçado.

    Soltou os fios macios e afastou-se, volvendo o caminho até o vestíbulo e acenou brevemente à serviçal.

    Um carro luxuoso o esperava do lado de fora. Adentrou-o. Um homem de aparência anosa jazia no banco ao lado do motorista, uma barba rala e grisalha ornava com os óculos redondos e cabelos crespos.

    - Obrigado por vir, Kyung-ssi. – Jungkook afagou-lhe o ombro.

    - Não há problema. Eu que agradeço por contratar minha empresa – Kyung Dong-Soon sorriu.

    - Pois bem -  o Jeon bateu as palmas nas coxas e recostou-se no banco. – Com quem vou ter a honra de trabalhar?

    - Como o senhor bem sabe, somos uma empresa renomada e especializada em designer e construção. Trouxe comigo uma lista de nossos agentes. - Ele retirou uma pasta de dentro de sua valise e entregou ao outro, que a abriu e folheou-a.

   - São especializados mesmo – comentou, parecendo satisfeito com os currículos em sua frente. – Puxa, temos um bem interessante aqui – passou o indicador sobre a foto de um rapaz sorridente e de cabelos flamejantes. – Fluente em inglês e chinês, cursou uma boa faculdade e ainda ganhou um prêmio de melhor designer do ano. Isso sim é impressionante!

    - Sim, sim. Jimin é nosso menino prodígio. Um rapaz esforçado e honesto, devo acrescentar. Conheço-o desde pequeno. Pretende contratá-lo?

    - Pois sim! Seu nome é Jimin?

    - Park Jimin.

    - Bom isso.

    O Jeon se demorou nas pequenas fendas que os olhos de Jimin formavam.

    - Ele parece ser muito bom.

    - É sim.

    Fechou a pasta e a devolveu para o mais velho.

    - E os outros? Digo, arquitetos, engenheiros... – Incutiu.

    - Recomende alguém com quem o Park se sinta confortável – Jungkook girou o anel de prata em seu dedo com o polegar.

    - Certo.

    - A propósito, Kyung-ssi, qual é o hotel em que me hospedarei?

    - Como não sabemos quanto tempo levará a construção, escolhi um apartamento bem centralizado. Aprovará nossa escolha.

    - Está bem. Como se chama?

    - Hasukey.

 Jungkook aquiesceu e, enquanto o motorista dava a partida, mirou sua antiga casa.

    Seoul me fará esquecer daqui.

    Era o que seu âmago suplicava.

    Silenciosamente.

 

 

(...)

 

    Dias atuais

   

    Park Jimin

 

    Abaixei a tela do notebook e arrumei minhas coisas para voltar ao apartamento.

  As ruas de Seoul, como sempre agitadas, me traziam um sentimento nostálgico. Era uma cidade acolhedora, se era. Uma das mais bonitas. Os pássaros chilreavam e viam-se borboletas aqui e ali. De certa forma, senti-me sonolento com aquela sensação pacífica.

    O Edifício Hasukey não era tão longe, em dez minutos me encontrava na portaria, pedindo para que o senhor Jon Jae, o porteiro, abrisse os portões para mim.

   Meu objetivo era chegar em o meu quarto e dormir até hibernar.

 

 


Notas Finais


Yo~

Se você chegou até aqui, muito obrigada!

As histórias dos personagens serão reveladas pouco a pouco.

Desculpe qualquer erro.

Beijokas nos alvéolos pulmonares :*

Arrivederci.


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