História Wild - Capítulo 2


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Bom dia, boa tarde e boa noite. Tenham uma boa leitura♥

Capítulo 2 - Missão para a escuridão


Fanfic / Fanfiction Wild - Capítulo 2 - Missão para a escuridão

1

A missão para a escuridão

 

Livro 1 - Aurora

Wild

         O rapaz materializou-se rapidamente em frente ao outro, que já o esperava no local. O mais novo olhou-o surpreso e admirado, mas não o suficiente para ser notado pelo mais velho, que com certeza se sentiria extremamente mais confiante do que já era com suas habilidades e seu mal humor desumano.

        — Está atrasado, Sr. Lion. — o rapaz respondeu tirando sua expressão de surpresa do rosto e colocando sua máscara de indiferença enquanto cruzava os braços em frente ao corpo delgado e jovem.

        — Não me lembro de ter perguntado algo a você, Ryuu. — o mais velho retrucou jogando os longos cabelos acinzentados para trás e dirigindo os olhos claros em direção ao rapaz quase que sarcástico. — Estou aqui apenas de apoio. — murmurou como um sussurro de cobra.

        — Tsc. — os lábios de Ryuu se comprimiram de vontade de responder o mais velho, mas ele continuou calado até que sua paciência foi restaurada. — Ruby ainda não chegou, e está quase na hora. — disse e saiu com passos pesados do ambiente, um banheiro masculino sujo e fedorento.

        Ele colocou-se para fora e sua expressão mudou rapidamente de um adolescente impaciente para um prestativo trabalhador do aeroporto com até mesmo um belo sorriso. Estava trajando um uniforme preto e amarelo, com botões e detalhes que combinavam com os cabelos enegrecidos em um azul escuro e os olhos vermelhos feito sangue jorrando. Deslizou os dedos pelos cabelos e sorriu minimamente, mas sádico e pronto para agir como fora treinado nos últimos meses. Os passos das botas pesadas indicavam a firmeza dos atos dele.

        — Até que enfim. — Ryuu murmurou parando ao lado da garota. — Achei que havia amarelado, pois a máfia não é para garotinhas. — riu observando a expressão da garota não mudar em nada.

        — Cale a boca, Ryuuji. — ela respondeu. — Seu trabalho aqui é me defender. — concluiu com um tom de voz áspero. — Sr. Lion já chegou? — questionou e o rapaz afirmou com a cabeça enquanto distanciava-se dela.

        — Faça seu trabalho sem falhas. — Ryuu disse e misturou-se com as pessoas.

        Ela sentiu o ar faltar em seus pulmões, mas não poderia correr e desistir ou quebraria a confiança que James havia depositado nela. Os dedos agarraram a saia e ela inclinou-se juntando a pequena mala que estava em seus pés.

        — Faça seu trabalho sem falhas. — ela repetiu. — Idiota! — ela exclamou em voz baixa enquanto designava-se para o lugar de ataque.

        Os olhos capturaram uma grande movimentação em um dos tubos, muitos homens de terno preto e parrudos. Estava na hora, pois o alvo já havia chegado no horário dito pelo informante. Ela jogou um olhar para Ryuu e buscou Lion entre as pessoas, e o viu sentado com um jornal em mãos, mas os olhos atentos nos acontecimentos.

        Abriu o zíper da mala e caminhou com passos largos firmando os pés nas botas militares e tentando se misturar antes do ato final. Era sua primeira missão e só assim provaria seu valor após três meses de treinamento. Atacar, proteger, atacar, proteger, atacar, bomba e fugir, ela repassou os passos mentalmente com calma enquanto enrolava a alça da mala em seu antebraço esquerdo. Havia muitos guardas, mas as ordens eram para que ela não se preocupasse com os polícias do aeroporto, somente com os guardas do alvo.

        Ryuu estava tão nervoso quanto ela, mas por ser mais velho e sua imagem tão confiante não demonstraria sua insegurança jamais. Ele enfiou a mão dentro do casaco e sacou a pistola, o disparo era o início de uma nova era em sua vida e assim o fez. O disparo foi ensurdecedor e ele pode ver a pólvora e a bala lentamente saindo da arma, as pessoas se assustando e a bala entrando no ombro do primeiro guarda do alvo. 

        O alvo, Dmitri Waldmann, era um empresário famoso do país, mas na verdade, era um empreendedor na área das drogas e investia muito na prostituição. Ele era do norte do país, mas por algum motivo viera para a capital naquela noite para aumentar seu negócio e destruir as máfias locais. O alvoroço começou e Ryuu abaixou a arma alguns centímetros vendo as pessoas correrem para longe enquanto um sorriso surgia em seus lábios. Os guardas do alvo sacaram suas armas, eram muitos e pareciam bem treinados, havia uma correria insana e muitos policiais perdidos.

        O corpo de Ruby congelara por alguns segundos, mas logo estava correndo em direção a confusão. Não se preocupe com sua retaguarda e nem com Ryuu, ele ficará bem e Lion não pode ser visto, pensou equilibrando seu peso nos pés e lançou-se no ar com a pistola já sacada em mãos. Os dois disparos ensurdeceram-na, mas ela acertou os alvos nos ombros.

        — Não se preocupe com a sua retaguarda. — ela repetiu ao ouvir disparos.

Pousou ao chão e desferiu um soco ao polícia a sua frente, enquanto via aglomeração de pessoas diminuir. O policial, um homem de talvez quarenta anos, desviou do soco, mas não previu o chute que a mesma lhe acertou na lateral da cabeça fazendo-o cair não muito longe. Ela correu e Ryuu disparou mais um tiro acompanhado de uma bomba de luz. Juntou-se a ela em meio a cegueira dos outros, ouviam muitas vozes e pedidos de reforços. Era muitos polícias e guardas. Ela saltou sobre um balcão e lançou-se derrubando alguns guardas com chutes, socos e cotoveladas.

        Os disparos de Ryuu eram perfeitos e ele ainda conseguia perceber pela primeira vez que Ruby estava lutando com os pés firmes no solo. Ela era tão frágil que ele mal conseguia acreditar que era ela que estava derrubando aqueles brutamontes. Ruby havia aperfeiçoado os estilos de luta que aprendera com James e o punho gentil era seu maior dom, enquanto o maior dom dele era combate à distância.

        — Lion, precisamos de ajuda. — Ryuu gritou antes de acertar uma coronhada em um guarda.

        O corredor era estreito e tornava os golpes de Ruby muito lentos por falta de espaço. Ela lançou-se por cima de um guarda e sacou a arma disparando um tiro ao ver Dmitri Waldmann, porém o tiro acertou um dos vidros. O homem corria protegido por guardas e parecia além de atordoado, também desprotegido. Perfeito, ela pensou quase em voz alta.

        O punho dela afundou-se na boca de um guarda e, o corpo dela girou de costas erguendo a perna e acertando com força o tronco do homem que caiu desacordado. O corpo de Ryuu virou-se rapidamente e ele correu logo atrás de Ruby, as munições estavam quase no fim e Lion não aparecia. Havia funcionários ainda no corredor, tão assustados quanto gatos, mas eles não representavam perigo.

        — Ryuu, plano B. — ela gritou pendurando-se em um homem com as pernas.

        Ryuu girou as pistolas e mirou em direção a Waldmann, mas errou o tiro pela primeira vez. Droga, ele berrou mentalmente, mas logo sentiu uma dor horrível no ombro esquerdo e ainda em tempo de ver a bala atravessar sua pele.

        — Ryuuji! — o grito de Ruby fora desesperador, mas ele não ouviu nada por conta do susto.

        Levantou-se e jogou mais uma bomba de luz identificando que a polícia estava invadindo o corredor de embarque. Ouviu alguns gritos e pôde constatar que era Lion que estava vindo. Ele correu sangrando até Ruby, que estava assustada e olhou-o com uma enorme preocupação.

        — Me dá a bomba. — Ryuu disse após nocautear o homem de lutava com ela.

        — Você está ferido, e eu... — ela pausou ao ver que ele arrancaria dela a bomba.

        — Plano B. — ele retrucou agarrando a mala preta dos braços dela e correu deslizando entre os homens.

        Ela rosnou de raiva e correu atrás dele recarregando a pistola rapidamente. Os vidros estavam perfurados e os homens de Waldmann que ainda estavam lhe protegendo, — talvez cinco ou seis homens dos quase trinta que havia e quase desarmados —, além de alguns funcionários desesperados que imploravam para não morrerem.

        — Entreguem Dmitri Waldmann para nós e não os machucaremos. — a voz de Ryuu pareceu firme, mas havia uma insegurança dentro dele.

        Quase do outro lado do aeroporto, ambos os garotos seguravam suas malas e observavam o desespero das pessoas, a polícia sendo impedida de entrar em combate por um homem de cabelos acinzentados, os tiros e os gemidos dos feridos.

        — Will, nós temos que ajudar! — Benjamin parecia muito impaciente. — Todos vão morrer assim. — disse com um ar de desespero. — Não era isso que Sebastian iria querer que fizéssemos.

        — Não podemos interferir nos assuntos dos humanos, ou seremos descobertos novamente e precisaremos sair do país, e outra, Sebastian nos abandonou, então dane-se o que ele iria querer de nós. — Willian respondeu com um ar de prepotência e arrogância.

        — Por que você tem que ser tão egoísta, Willian? — o garoto fechou os olhos e bufou alto enquanto jogava sua mala no chão. — Se não vai fazer nada, eu vou. — disse determinado enquanto virava as costas, porém fora agarrado pelo braço.

        — Eu cuido desse homem e você cuida dos outros dois, ok? — Willian disse encarando os olhos cor de outono de Benjamin e vendo-o assentir.

        Benjamin saiu correndo e depois de evitar levar um tiro ou um soco dos homens, ele entrou no corredor cheio de homens caídos completamente apavorado, pois apesar dos tiros não serem certeiros em pontos vitais, haviam alguns muitos mortos. Ele respirou fundo e saltou por cima de alguns, as mãos soando e os pulmões ofegantes. Os olhos dele pairaram sobre os dois indivíduos, uma garota e um rapaz, de costas para onde ele estava.

        — Entreguem-nos o Sr. Waldmann. — o rapaz disse e aproximando-se dos guardas com a arma apontadas.

        Benjamin sentiu o cheiro de sangue e teve certeza que o rapaz estava ferido em alguma parte do corpo. Ele entrou no corredor em que eles estavam e a garota virou-se rapidamente para ele como se ela houvesse sentido sua presença.

        — Quem é você? — ela apontou a arma para ele encostando suas costas nas costas do rapaz e Benjamin parou imediatamente.

        Era incrível, talvez muito mais que incrível, mas os olhos dela eram como uma das auroras boreais que ele havia visto no norte do planeta com seu irmão. Era como um degradê de verde, azul, roxo e vermelho em seus olhos, os cabelos curtos e negros como a noite, a pele morena como o dourado do ouro, as sardas pequenas como estrelas, o nariz vermelho pelo frio e a boca cortada. Era realmente incrível e também inalcançável.

        Ele parecia um idiota com suas bochechas brancas de repente coradas, seus lábios entreabertos e os olhos cor de mel brilhantes como a lua, além dos lábios entreabertos em surpresa. A garota parecia tão impaciente que cogitava atirar no idiota a sua frente, porém ele parecia uma criança apesar de claramente não ser mais.

        — Vou perguntar mais uma vez, quem é você? — ela indagou pela segunda vez. — Então, saia daqui antes que eu atire. — ameaçou-o firmando o dedo no gatilho.

        Antes que ela pudesse ter alguma reação viu a postura do rapaz mudar de repente e ele deslizar para frente com os pés ágeis em sua direção. Ele agarrou o cano da arma com os dedos e arrancou das mãos dela, que deu passos desequilibrados para trás. Ela rosnou e desferiu um golpe com a mão aberta contra ele, porém o mesmo bloqueou e deu uma rasteira na mesma, que caiu de costas. Benjamin olhou-a satisfeito, mas não contava em ser derrubado por um golpe de pernas dela. Ele bateu a cabeça em algo e rolou de dor antes de ouvir um disparo.

        A garota levantou-se e juntou a arma do chão, apontando para ele enquanto o rapaz junto dela parecia impaciente e apontava a outra arma para ele. O garoto tinha olhos como as folhas das árvores no outono, cabelos longos e negros como uma noite chuvosa, a pele pálida e porcelana, lábios trincados e era magrelo quase raquítico como uma criança mal alimentada.

        — Sem gracinhas ou explodirei tua cabeça. — o rapaz respondeu assustando Benjamin.

        Ele deitou a cabeça no chão e ficou ali encarando os olhos da garota enquanto o rapaz distanciava-se deles. Era tão mística que chegava a ser mentira, porém estava prestes a atirar nele caso ele se movesse.

O rapaz andou em direção aos guardas, medrosos e agora desarmados, e atirou quantas vezes fosse possível, talvez matando todos os homens ali, e deixando apenas o alvo vivo, Dmitri Waldmann, que chorava e rezava. Ele tirou algo da mala e Benjamin deduziu que fosse uma bomba. O garoto sentiu o coração bater forte e ele imaginou as pessoas que ainda estavam no prédio, e sem pestanejar, agarrou o braço da garota com as pernas e derrubou-a no chão desarmando-a, além de deslocar o ombro dela. Os passos leves dele aproximaram-se de Ryuu. 

        — Ryuu, cuidado! — Ruby gritou, mas era tarde.

        Ryuu virou para trás e deparou-se com a enorme proximidade entre ele e o garoto, e até tentou distanciar-se a fim de se defender, porém o garoto o agarrou pelas roupas e com uma força desumana lançou-o para o outro lado do corredor, onde caiu tonto. Benjamin olhou curioso para a bomba tentando ter melhor compreensão dos fios, porém virou-se rapidamente para o rapaz jogado há alguns metros dele, e o mesmo estava com um controle nas mãos enquanto sujava o chão com seu sangue.

        — Não posso falhar. — Ryuu falou e a garota ergueu a pistola com dificuldades.

        O mesmo apertou o botão e um relógio de dez segundos ativou-se na bomba, Benjamin desesperou sua figura pacífica e sem hesitar, agarrou a bomba e jogou-se contra as janelas caindo “lentamente” pelo ar. Ele sentiu um calor repentino e o ar explodiu em chamas e fumaças.

        — Quem era o maluco? — Lion disse aparecendo entre a fumaça e pedaços de coisas voando, sujo de sangue e de terra.

        — Está atrasado novamente. — Ryuu reclamou tossindo.

        O alvo estava jogado no chão aterrorizado, já que não havia para onde ir e seus guardas estavam todos mortos. Os olhos assustados e os músculos tremendo, a arma ergueu-se ao longe contra sua cabeça e os olhos verdejantes ao arco-íris seria a última coisa que ele veria em vida.

        O tiro fora certeiro.

 

 

(...)

        — Até quando vai ficar aí se fingindo de morto, Benjamin? — o rapaz parou ao lado do corpo sujo de cinzas e cacos de vidro, além dos trapos que um dia foram roupas.

        — Minha cabeça dói. — o garoto respondeu sentando-se sobre o asfalto ainda com os olhos fechados e com semblante cansado. — Você está bem, Will? — disse enfim abrindo os olhos e encarando o mais velho.

        — Bom, não tem como eu morrer, então, estou bem. — Willian sorriu mostrando os dentes brancos. — Eles mataram o homem e fugiram. — respondeu antes que o mais novo perguntasse.

        — Eu só não queria que mais pessoas morressem, mas infelizmente não pude com eles sozinho. — Benjamin disse decepcionado.

        — Não é que você não pôde com eles, é que você sabe que não pode lutar a sério. — Willian retrucou como se fosse um aviso sério, mas logo sorriu. — Os policiais acharam que você estava morto, e até mexeram em seu corpo logo que explodiu a bomba, mas eu disse que você estava vivo e não deixei tocarem em você. — Will sorriu novamente.

        O mais novo levantou um pouco tonto com passos desequilibrados e a visão turva. Os olhos cor de outono ergueram-se e ele pode ver os vidros quebrados, além dos resquícios da pequena explosão. Benjamin suspirou cansado e olhou para as próprias roupas, que eram do templo, —  donka e shamtab budistas em um tom de bordô —, completamente carbonizadas em restos.

         — Tenho saudade do templo, aqui as coisas são muito agitadas. — Benjamin disse cabisbaixo.

        — Eu gosto daqui e acho que poderemos levar uma vida melhor entre as pessoas. — Will respondeu tentando criar expectativas no mais novo.

        Willian compreendia muito bem os sentimentos de Benjamin. Eles passaram por muitas coisas juntos e a ausência de Sebastian em suas vidas apenas piorava conforme o tempo. Foram criados parte de suas vidas em um templo com o mínimo de pessoas possível, nunca viram muitas coisas da cidade, e tinham de se adaptar rapidamente, sozinhos e cansados.

        Ele olhou rapidamente para Benjamin, que havia crescido tanto naqueles últimos anos. Já não era mais aquele menino tão frágil, que chorava e mijava-se medo do pai ou viva agarrado na barra das calças de Sebastian, mas agora, um rapaz crescido, responsável e habilidoso com as poucas habilidades que tinha sobre seu dom, apesar da pouca idade de ambos. Os olhos dourados eram frágeis e ameaçadores ao mesmo tempo, os cabelos negros eram idênticos aos do pai e do irmão, a pele branca era pálida feito a lua e corpo era esguio como de um adolescente, o que era.

        — Os militares pediram para não irmos embora. — Will disse por fim quebrando o silêncio entre os dois.

        — Hey! — uma voz feminina gritou entre as poucas pessoas na pista de aterrissagem de aviões. — Você é o garoto que pulou com a bomba? — questionou retoricamente. — Venha a cá agora. — ordenou.

        A mulher não devia ter seus quarenta anos, e detinha belos olhos escuros acompanhados de cabelos loiros e algumas rugas precoces, olhos fundos, lábios pintados de bordô, era alta e magrela, mas tinha um ar materno desconhecido por Benjamin. O rapaz andou incerto até ela enquanto Will mantinha-se atento a qualquer coisa.

        — Deixe-me ver seus ferimentos. — disse autoritária enquanto Benjamin olhava para seu crachá onde dizia “Doutora Takahashi” e continha uma foto dela. — Anda logo, garoto! — ela exclamou e o mesmo assustou-se.

        — Não tenho ferimentos. — respondeu com a voz baixa e ela irritada puxou-lhe aquilo que um dia fora as mangas de uma blusa.

        Havia pequenos arranhões e ela desacreditada bufou afastando-se do rapaz.

        — Se sentir dor, me procure. — ela indicou e saiu num barulho alto dos saltos contra o chão.

        — Que senhora estranha. — Will comentou aproximando-se. — Ela tinha cheiro de sangue nas roupas. — comentou.

        — Willian, é feio ficar detectando cheiros nas pessoas da cidade.! — Benjamin disse quase que ofendido. — Ainda mais em mulheres. — comentou com o rosto corado.

        Durante muito tempo de suas pequenas vidas, eles não viram mulheres e nunca haviam visto garotas, até porque suas famílias eram compostas apenas de irmãos. No templo, havia uma senhora apenas que comparecia lá para levar tecidos para roupas e alguns alimentos que não podiam serem plantados em uma montanha, portanto, Benjamin e nem Will tiveram esse contato materno depois de suas mães.

        — Garotos! — ambos foram chamados e viraram-se rapidamente vendo o grande homem musculoso, alto, fardado, com olhos azuis e pele acastanhada acompanhada de uma barba branca e cabelos grisalhos. — Vamos por aqui. — disse virou-se andando passos largos.

        Benjamin olhou de soslaio para Will e ambos começaram a seguir o homem. Logo que entraram novamente no aeroporto, puderam ver o estrago feito com vidraças quebradas, corpos feridos e alguns mortos, buracos enormes no chão, — que fizeram Benjamin jogar um olhar desaprovador à Willian —, policiais recebendo atendimento e médicos por todos os lados.

        — Quero ir embora, não quero mais ver isso. — Benjamin disse desviando o olhar para o chão.

         O homem parou diante de um homem de barba branca e longa, era calvo e tinha sobrancelhas grossas que acompanhavam os olhos castanhos e as rugas. Ele parecia bem severo e tinha porte disciplinado como militar, estava fardado, mas devia ser de uma patente superior.

        — Marechal Turner, esses são os garotos que lhe falei. — o homem disse chamando a atenção dos mais velhos para os dois rapazes.

        O senhor olhou-os dos pés à cabeça e viu apenas dois pirralhos de no máximo quinze anos de idade, magrelos e com feições infantis, e não possíveis soldados, mas pacifistas e budistas. Ele bufou e deslizou os dedos pela longa barba enquanto caminhava de um lado para o outro.

        — Obrigado, Aspirante Noah. — Marechal Turner agradeceu agredindo os ouvidos dos garotos com sua voz grave e alta, além da expressão tão severa que doía os olhos quem olhava. — Quais são seus nomes? — questionou um pouco impaciente com os braços para trás. — O garoto comeu a língua dos dois? — questionou.

        — Willian.

        — Benjamin.

        — Ótimo. — retrucou em resposta. — De onde vocês são? — indagou percebendo que pelas roupas não era dali.

        — Buddha... — Benjamin respondeu temeroso.

        — No país antigo país de Laos? Estão bem longe de casa e fora de um templo budista, o mundo pode ser cruel. — O Marechal parecia querer intimidá-los.

        — Nós estamos nos acostumando e até mesmo evitamos que mais pessoas morressem esta noite. — Willian retrucou dando um passo para frente e com um ar de prepotência quase maior que o do Marechal, que se calou com uma expressão severa.

        Benjamin olhou para Willian e percebeu aquela raiva contida nos olhos verdes, uma herança da família dele, e o tremor nas têmporas. Lembrava-se de como ele era parecido com seus irmãos, mas ao mesmo era tão diferente, ele tinha os cabelos loiros, os olhos verdes e aquele sorriso desafiador como seus irmãos, entretanto havia algo doce e humilde nele que não havia nos outros e, por isso, fora vendido como escravo pela própria mãe para a família de Benjamin.

        — Onde estão os pais de vocês? — o Marechal disse de repente quebrando o ar rebelde de Willian.

        A postura de Willian murchou disfarçadamente, observado pelo Marechal Turner, e o olhar perdeu aquele brilho de fogo rapidamente, porém observou que o mais novo parecia querer tomar partido de uma resposta.

        — Nossos pais se foram a muito tempo. — Benjamin respondeu sem dar detalhes.

        — Entendo. — Turner balbuciou. — São órfãos e estão perdidos na cidade. — comentou quase que sarcasticamente como um velho idiota. — Almirante, leve-os para um interrogatório e diga ao Tenente-Coronel Wang que haverá nossos recrutas na turma dele amanhã. — disse sério e autoritário, e virou-se de costas para todos presentes.

— Não vamos à lugar nenhum. — Willian retrucou estendendo a mão em frente de Benjamin, que mesmo assustado estava pronto para um combate ou uma fuga, mas sentiu uma pequena picada e tudo foi engolido por uma enorme escuridão que seduzia os olhos dele a fecharem-se em busca dos sonhos.

 

 


Notas Finais


— Espero que tenham gostam, deixem seus comentários, críticas e ideias.
Agradeço desde já ♥


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