História Wild - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Costia, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Indra, Jasper Jordan, John Murphy, Lexa, Lincoln, Marcus Kane, Octavia Blake, Raven Reyes
Tags Clarke Griffin, Clexa, Distopia, Lexa, The 100
Exibições 95
Palavras 3.143
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Hentai, Romance e Novela, Survival, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Algumas informações antes de qualquer coisa: é a primeira vez que eu posto uma fanfic nesse site aaaaaaaa então oi, prazer, obrigada por ter vindo até aqui e espero muito que goste! Minha escrita é um tanto quanto descritiva - especialmente se comparada com a de boa parte dos autores daqui - e por isso os capítulos podem acabar ficando bem grandinhos, mas não desista logo de cara se você já está pensando "putz, só enrolação", ME DÁ UMA CHANCE POR FABOR.
Por ser perfeccionista, aliás, eu também posso acabar demorando um pouquinho pra postar hihihi mas farei de tudo possível pra postar pelo menos uma vez por semana se receber o retorno desejado. No mais, todos sabem da importância de demonstrar que está acompanhando e dar um feedback, blablá, enfim, todas aquelas coisas para que eu saiba se estou agradando aos leitores ou não, isso é realmente MUITO importante, não se esqueça.
Boa leitura! ♥♥♥

Capítulo 1 - Fora de Controle


Meu olhar alternava entre a sala de aula vazia e a folha de papel cheia. Eu queria que a imagem fosse o mais verossimilhante possível, só assim eu poderia lembrar daquele lugar num futuro distante – apesar de que, no momento, tudo que eu mais queria era esquecer.

Era intervalo. Eu era a única na sala, sozinha com meus pensamentos e a ventania que entrava pela janela, os únicos sons que ecoavam na minha cabeça, mas logo todos estariam de volta. Haveria mais uma desordem, mais um professor, mais uma chamada, mais um idiota ridicularizando alguém por nada, mais um período, mais um longo e entediante período, independente da matéria que fosse. Já havia algum tempo que todos haviam se tornado igualmente entediantes para mim, mas aquele seria o último dia que eu perderia numa sala de aula.

Assim que o sinal tocou, anunciando o recomeço das aulas, o professor entrou. Era Steven, o mais pontual de todos, provavelmente nunca teve uma namorada ou a menor diversão na vida – acho que somos iguais, então. Enquanto ele procurava algum arquivo na sua pasta impecavelmente organizada, os alunos barulhentos iam tomando seus lugares, finalizando seus lanches e suas conversas. Wells, meu provável único amigo, cutucou meu braço:

- Você perdeu a melhor briga, Clarke. – ele disse, animado, e logo teve sua atenção capturada pelo casal que entrou aos berros na sala, claramente discutindo a relação de uma maneira bem... pública. – Talvez ainda não tenha perdido.

- Eles, de novo? – arqueei uma sobrancelha. – É como assistir um reality show. E dos piores.

Wells soltou um riso anasalado e tomou o lugar ao meu lado, como sempre fazia. Eu o conhecia há tanto tempo que era como se fôssemos irmãos. Havíamos sido criados juntos, uma vez que nossas famílias eram próximas, o que significa que sabíamos absolutamente tudo um sobre o outro; ele me conhecia só pelo olhar e vice-versa. Acredito que nós tínhamos uma espécie de conexão, mas o que me preocupava era, às vezes, ter impressão de que ele não via isso da mesma maneira que eu. De qualquer maneira, não é assunto para agora. Eu e você, leitor, precisamos tratar de coisas mais imporantes.

Eu me chamo Clarke Griffin e, bem, você já deve saber o que vai acontecer. Pelo menos você já sabe o suficiente para imaginar que as coisas vão mudar. Sim, porque essa é a minha história, e eu não estaria escrevendo-a se tivesse passado a minha vida inteira numa sala de aula com apenas um amigo e um caderno de desenhos. Certo, algumas notas consideravelmente altas também, pode-se dizer que eu era uma aluna exemplar – nada além do esperado sob toda a pressão que só Abigail Griffin era capaz de colocar. Então, isso eu posso assegurar: fique esperto, as coisas vão virar de cabeça para baixo. Mas vou parar por aqui. Não queremos nenhum spoiler, não é?

Naquele dia – era uma quarta-feira de início de outono – eu fui direto para casa, algo um tanto incomum. Eu costumava perambular pela cidade, copiar milimetricamente as paisagens e tudo que eu considerava interessante no meu caderninho. Fazia até mesmo mapas, acreditando que um dia poderia ser útil. Wells não entendia, e criticava minha atitude de andar sozinha pelas ruas tão distraidamente, propícia a assaltos, estupros e morte. Ele até mesmo se oferecia para me acompanhar, ser meu guarda costas. Eu mandava se foder. Dizia que não precisava de proteção, estava muito bem sozinha e, em caso de emergência, tinha uma perigosíssima caneta afiada em mãos.

Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto. Minha mãe ainda não estava em casa, provavelmente operando algum cérebro. Ela era uma cirurgiã geral muito renomada, seria um grande orgulho para mim se não fosse meu maior fardo: da mesma maneira que quando você é filha de uma advogada todos esperam que você siga a profissão da mãe, quando você é filha de uma cirurgiã o mínimo que todos esperam é que você seja médica, e esse é um mínimo complicado de alcançar, principalmente quando você não tem o menor interesse. Meu sonho... acredito que era ser uma grande artista, multifacetada, e uma líder no que quer que fizesse. Eu havia herdado esse traço dela, a liderança, e pelo menos por isso podia agradecer.

Tranquei a porta, me joguei na cama, dei play na música e fui para outra realidade. Uma em que eu não estava sob a superproteção da minha mãe, uma em que eu tinha amigos, ia para festas, passava a noite em claro conversando sobre meninos... uma realidade normal. Infelizmente, eu tinha dezesseis anos e esperanças já bem baixas no que dizia respeito a qualquer mudança interessante na minha vida, pelo menos enquanto eu estivesse naquela casa.

Esse era um dos motivos por que eu iria fugir.

O tempo passou rápido, talvez eu tivesse até mesmo cochilado enquanto ouvia um pouco de Soko, e logo ouvi batidas na minha porta. Decidi fingir estar dormindo. Minha mãe entrou pé por pé, tomando cuidado para não me acordar, e estava prestes a apagar a luz quando eu comecei a rir, coisa que sempre acontecia quando eu tentava fazer isso.

 - Você está acordada. – revirou os olhos. Ela andava irritada com meu comportamento recluso. Revirei os meus em resposta. Apontou para a porta com a cabeça e eu pude ver Kane, seu namoradinho, acenando pra mim. – Estamos saindo.

- Tá. Divirtam-se. – falei, exibindo um sorriso extremamente debochado.

- Um dia... – ela respirou fundo, preparando-se para o que iria dizer. – um dia você irá entender por que as coisas aconteceram dessa maneira.

- Eu disse divirtam-se. – repeti, agora séria.

No mesmo momento que ela fechou a porta, puxei a minha mochila de baixo da cama e a abri para conferir os itens: algumas roupas, um bom dinheiro, meu spray de pimenta, barras de cereal e caderno de desenho. Enfiei celular, carregador e fones de ouvido no bolso da frente e coloquei a mochila nas costas: estava pronta. Só faltava uma coisa, mas logo resolvi ao arrancar uma folha de caderno e escrever “você sabe exatamente onde estou, então não surte. Com muito amor, apesar de tudo, Clarke”.

Eu me perguntava onde seria o seu palpite... a casa de Wells, alguma festinha, ou, finalmente, procurando meu pai? Claro, não era tão lógico assim. Imaginei-a ligando para Wells, alterada, enquanto Kane tenta acalmá-la de alguma maneira. Talvez ela quebrasse a cabeça por alguns minutos, procurando qualquer tipo de pista no meu quarto, mas não demoraria muito a encontrar meu arsenal de informações sobre meu pai e a maneira que ela me enganou por cinco anos.

Ela sabia que eu sabia; só não passava pela sua cabeça que eu seria capaz de ir atrás dele. E as coisas estão confusas para você, mas logo também saberá.

Desci as escadas calmamente, com a consciência limpa: eu já havia desenhado cada canto da casa duas, três vezes. Antes de sair, peguei uma faca afiada na cozinha, só por garantia, afinal, nunca se sabe. Trancado o portão de casa, eu finalmente estava cumprindo meu plano. Meu coração parecia querer pular do peito, tão ansioso e agitado quanto eu. Eu queria correr, e corri; corri até chegar na avenida e, então, comecei a caminhar, concluindo que alguém poderia pensar que eu era uma assaltante.

A cidade era linda de noite. Eu não lembrava da última vez que havia visto, sinceramente, já que minha mãe insistia em me manter em casa, estudando e estudando mais. Eram quase dez e meia, as ruas começavam a ficar desertas, e a voz de Wells brotou na minha consciência: você só pode ser louca. Andando sozinha por aí. Poderia ter sido assaltada, estuprada... morta! Se quiser, posso começar a fazer companhia... balancei a cabeça, querendo espantar tais pensamentos. Não havia nada a temer. Nada.

Exceto a polícia.

Eu, de apenas 16 anos, não possuía licença para estar andando na rua tão tarde. Graças ao caos que era viver sob constante ameaça de guerra, existia um toque de recolher que deveria ser respeitado religiosamente. Estamos falando de Nova York (e, bem, dos Estados Unidos em geral) em 2053, e é uma longa história. Você vai entender isso logo também, tenha paciência. O fato é que se eu fosse pega andando nas ruas depois das dez sem licença, seria recolhida, minha mãe seria contatada, meu plano iria por água abaixo e eu ficaria de castigo até o fim do ano por tentar fugir. Coloquei o capuz e apressei o passo, desejando mais do que tudo chegar logo na rodoviária.

Ao passar por uma rua mais deserta, a sensação horrível de estar sendo seguida começou a me consumir; olhei para trás e, de fato, havia um garoto caminhando no mesmo ritmo que eu, mesma direção, olhos fixos nos meus pés. Meu coração agitou-se mais uma vez. Peguei a faca que estava na mochila e torci para que ele tivesse visto e, é claro, se sentido ameaçado.

As luzes do carro de polícia surgiram dobrando a rua e eu apertei meus dedos ao redor do cabo. O que é pior: chamar a atenção da polícia e ser recolhida, porém salva de um possível bandido, ou passar despercebida e lutar com as minhas próprias mãos? Eu estava prestes a escolher a segunda opção quando o estranho me alcançou, me levou até um beco próximo e tapou a minha boca. Num ato de desespero, cortei sua bochecha e o seu braço, e ele gemeu de dor com uma expressão indignada.

Não parecia interessado em me machucar, muito pelo contrário: parecia ter lido meus pensamentos e descoberto que eu não queria de modo algum que a polícia me recolhesse. Seus olhos observavam o carro de polícia passar numa velocidade de lesma; os caras provavelmente haviam visto no mínimo os nossos vultos correndo para as sombras. Ele olhou para mim novamente, com os olhos de quem faz uma súplica. Eu li no mesmo instante: fique quieta ou vamos nos foder juntos. Assenti com a cabeça.

Foi então que eu percebi que ele também era um adolescente, de cabelos compridos, negros, e olhos perdidos; provavelmente da minha idade, dificilmente na rua pelos mesmos motivos. Meu coração ainda estava acelerado, mas, após essa conclusão, começava a voltar ao normal.

- Viu alguma coisa, Lee? Tem certeza? – um dos policiais disse. Uma longa pausa fez-se e eu pude imaginar o tal Lee dando de ombros. – Vamos, então.

O garoto tirou a mão da minha boca e se afastou em pulos para trás assim que a viatura se foi. Eu me sentei no chão, encostada na parede, tentando me recuperar do susto. Fechei os olhos e quase me arrependi de ter decidido fugir, mas logo os motivos vieram à minha cabeça e eu recuperei minhas certezas.

- Me chamo Finn. – ele ainda mantinha distância, apoiando as mãos nos joelhos, ofegante. – Foi mal, de verdade. Mas eu senti sua atmosfera e não pude evitar ajudar. É a sua primeira vez?

- O quê? – murmurei, incapaz de relacionar sua pergunta à realidade por um momento. – Ah, sim. É sim. Minha primeira fuga.

Quis perguntar se era a sua também, mas, pelo tom das suas falas, era óbvio que não.

- Para onde você está indo? – Finn ofereceu a mão para me ajudar a levantar. Aceitei.

- Para a rodoviária. Preciso estar fora da cidade até amanhã à noite.

- Agora está tarde e perigoso. Você não vai conseguir pegar um ônibus porque, a essa hora, menores de idade precisam apresentar autorização de algum responsável. Você vai ser recolhida. É melhor esperar até amanhã.

Merda. Merda, merda, merda. Meus olhos se encheram de lágrima e eu comecei a procurar desesperadamente algo para chutar. E agora? Como esperaria até o dia seguinte? Onde? Finn, parecendo ler meus pensamentos mais uma vez, disse:

- Olhe... não precisa se preocupar. Eu tenho um lugar perfeito para você passar a noite. Nós dois, na verdade.

Eu espero do fundo do meu coração que não seja uma cantada, pensei, porque vou ter que aceitar.

(...)

Chegamos num prédio um tanto quanto destruído. Era uma parte da cidade que eu ainda não conhecia, portanto, não havia documentado nos meus desenhos ou mapas. Apesar de, bem, ser um prédio arruinado por prováveis bombas, era incrivelmente bonito. Era como ver a beleza no caos, e eu imediatamente senti a necessidade de desenhar, porém a guardei numa caixinha mental para o dia seguinte. Assim que entramos, já demos de cara com dois homens que mais pareciam muralhas de músculos. Um deles parecia amigável, já o outro, nem tanto.

- E aí, Lincoln. – Finn cumprimentou o amigável de uma maneira mais íntima. – Essa é Clarke Griffin. É a sua primeira fuga e ela precisa de um lugar para dormir.

Ele franziu o cenho, analisando meu rosto e roupas.

- Ela não parece ser uma de nós. Leve-a até a comandante.

- Eu imaginei. – ele deu de ombros e olhou para mim. – Vamos.

Cumprimentei os dois com um sorriso meio amarelo e voltei a seguir Finn. Subimos escadas dentro de um antigo elevador panorâmico e eu pude ver a quantidade absurda de pessoas que dormiam naquele prédio. Seriam todos fugitivos? Agora eu imaginava que, provavelmente, pelo menos um daqueles ali deveria estar pelos mesmos motivos que eu. Era gente demais, e eu podia arriscar esse palpite.

Finalmente chegamos ao suposto andar da administração, o sexto. Esse era melhor iluminado em comparação aos outros, mas, mesmo assim, a luz era basicamente de velas. Pude identificar a comandante no instante que a vi: usava uma maquiagem característica, como se fizesse parte de uma tribo e aquela fosse sua forma de se identificar. Uma garota veio logo atrás dela; essa, porém, tinha cicatrizes variadas no rosto, que pareciam ter uma forma artística.

- Comandante. – Finn reverenciou. – Essa é Clarke Griffin, eu a encontrei durante a primeira ronda. Estava no setor dezoito, então... – parecia outro idioma. – acredito que não seja exatamente uma de nós.

Os olhos da garota estavam fixos nos dele durante todo o tempo que falou, mas, terminada a explicação, ela passou a fitar meu rosto, o que fez um calafrio percorrer toda a minha espinha. Tinha olhos verdes tão firmes, severos e... amendrontadores. Parecia capaz de dizimar uma população inteira apenas com um olhar. Eu não conseguia desviar os meus, como se os dela fossem, além de tudo, um ímã, mas isso me permitiu enxergar quando toda aquela frieza foi substituída por um certo brilho.

- Ela pode ficar.

- O quê? Lexa? – a garota ao seu lado parecia perplexa. Era visível que não havia gostado nem um pouco de mim. – Nós mal temos espaço para os nossos, que dirá para, bom, para essa...

- É comandante, Ontari. E eu espero que você não esteja se achando em posição de criticar as minhas decisões. – respondeu, elevando o tom de voz, visivelmente irritada com a presença da outra. – Retire-se, por favor.

Ontari saiu no mesmo momento, e eu pude ver que ela era, realmente, a comandante. E o que diabos era aquilo? Alguma espécie de sociedade secreta? Ela não parecia ser muito mais velha do que eu, diria que, quando muito, tinha dois anos a mais, e já estava numa posição de tanto prestígio e respeito... por quê? Inúmeras perguntas iam surgindo na minha cabeça a cada segundo em silêncio que se estabelecia. Felizmente, Finn logo cortou.

- Então... em que nível eu a coloco? – parecia estar se referindo ao andar do prédio.

- Nesse. – ela disse como se fosse óbvio. – Ela é uma Griffin. Se alguém a reconhecer, pode ser que entre em uma situação de perigo. É melhor que fique por aqui. – franzi o cenho, confusa, mas preferi não perguntar. Tinha a sensação de que logo iria descobrir.

- Certo... muito obrigado, comandante. – ele disse, parecendo pronto para sair. Lançou-me um sorriso amigável. – Nos falamos amanhã, Clarke.

- Obrigada, Finn. Até logo. – sorri de volta.

Lexa parecia estar formulando alguma frase ou pergunta em sua cabeça com muita dificuldade, encarando os pés de Finn enquanto ele se afastava. Quando sumiu escadaria a baixo, ela finalmente dirigiu-se a mim com um olhar de “o que vamos fazer com você?”, e eu mordi o lábio.

- Siga-me. – disse, acenando para o corredor. Eu o fiz, absorvendo o ambiente à minha volta: meio destruído, meio antigo, meio parecendo um santuário.

Já que estava na minha frente, eu conseguia, enfim, observar um pouco as suas vestimentas: a comandante usava um vestido longo, fino, de um verde escuro um tanto quanto desbotado, que caía como uma luva no seu corpo curvilíneo. Não era meu costume analisar o corpo feminino, exceto quando eu queria desenhá-lo... que era o que estava me dando vontade de fazer, por sinal.

Só depois de reparar na informalidade de seus trajes notei seu cabelo, um pouco diferente em cada lado. Imaginei que ela provavelmente estava desfazendo algum penteado quando cheguei, e me senti culpada por ter atrasado seu sono.

- Aqui. – disse, quando chegamos na frente do quarto. – Você dorme aqui, hoje. Mas saiba que é uma exceção e eu posso me incomodar com os outros. – seu tom era sério, frio, mas um sorriso divertido quase imperceptível lutava para se manifestar.

- Certo. – respondi, sorrindo abertamente para tentar fazê-la se sentir confortável na minha presença. – Muito obrigada, comandante. Desculpe o incômodo.

Ela ficou em silêncio por um instante, parecendo absorver minhas palavras enquanto fitava meu rosto. Que mulher intrigante, pensei. Parece carregar, por trás desses olhos verdes, o maior mistério do mundo.

- Boa noite. – disse, simplesmente, e abriu a porta para que eu entrasse.

Era um quarto grande, com cama de casal, sofás, estantes cheias de livros e, o que parecia, pelo menos, um roupeiro enorme. Decidi não futricar muito, principalmente após sentir a gravidade puxando todo o peso do meu corpo com mais e mais força: eu precisava descansar. Finn e eu havíamos caminhado por duas horas seguidas para chegar ali, e eu, ainda por cima, estava cansada mentalmente de todas as surpresas que aquela noite havia reservado.

Quando virei para agradecer Lexa mais uma vez, ela havia recém fechado a porta. Suspirei. Tirei meus tênis, minha calça, meu casaco e mantive apenas minha camisa, que seria meu pijama naquela noite. Depois de me enfiar em baixo das cobertas, decidi checar meu celular: duas da madrugada, 14 ligações perdidas e 5 mensagens de “Mãe”.

É melhor você estar na casa do Wells, Clarke. Pro seu próprio bem.

Você nunca saiu na rua, não sabe nada sobre a noite, vai se encrencar com a polícia na MELHOR das hipóteses!

Pare de brincar comigo, filha.

NENHUMA mãe merece passar por isso, Clarke.

Onde você está????? Pelo menos me diga que está viva. Eu amo você. Me desculpe.

Revirei os olhos e cedi ao meu lado sentimental: Estou viva. Durma bem., mandei. Peguei no sono pensando, pela primeira vez, que, talvez, eu fosse mais forte do que imaginava.


Notas Finais


As partes em itálico são sempre os pensamentos dos personagens. Espero que tenham gostado! :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...