História Winter Bird - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, Got7, SHINee, Super Junior
Personagens Choi Siwon, D.O, Jinki Lee (Onew), Jinyoung, Kai, Personagens Originais, Sehun, Taemin Lee, Youngjae, Yugyeom, Zhou Mi
Tags Exo, Got7, Hentai, Hetero, Jinyoung, Kai
Visualizações 39
Palavras 7.502
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heey, people!! \o

Esse cap ficou da pesada e enoooorme pra compensar esse tempão que não postei.
Nem vou me ater muito aqui, porque o negócio tá do babado -v- ahsuhauhuahuhsu

Boa leitura! <3

Capítulo 10 - Minta para Mim


Fanfic / Fanfiction Winter Bird - Capítulo 10 - Minta para Mim

- JinYoung...- o nome soando nada mais que um sussurro.

E ele sabia que perderia o controle.

- Vejo que está se recuperando bem.- disse simplesmente, nenhuma emoção na voz.

Sun assentiu, atenta aos gestos contidos do outro. Não sabiam como iniciar uma conversa. JinYoung necessitava de respostas e Sun precisava inventá-las caso ainda quisesse manter um corpo sob sua cabeça. A tensão comprimia ambas as sanidades aos poucos.

- Você... está bem?- ela arriscou perguntar, tão incomodada quanto aflita.

Palavras eram como bombas. Bombas como JinYoung.

Um sorriso de puro escárnio apossou-se dos lábios carnudos conforme inclinou a cabeça com descrença no que acabara de ouvir.

- Por quê?- direto e destruidor. A pergunta escorregou pela língua do príncipe com a mesma dificuldade com que tentava se controlar.- Arruinei seus planos em me ver destruído? Que pena, Sun Li!

E Sun não soube responder, tampouco teve oportunidade para tal. JinYoung avançou em sua direção e Sun teve o ímpeto de sair correndo pela porta atrás de si, mas fracassou miseravelmente. Quando se deu conta, JinYoung já estava a sua frente a poucos centímetros, o corpo em chamas refletindo o ódio que queimava em sua alma, porém não se atreveu a tocá-la.

- O que?! Ficou louco?- esganiçou, indignada.

Sun olhou para a extensão do corredor de soslaio, considerando escapar daquele lugar, do olhar que a despia por completo, e JinYoung logo percebeu as intenções dela.

Apenas um palmo separava seus corpos e, pela primeira vez, Sun temeu aquela aproximação. O rapaz se inclinou levemente para a frente, aprisionando-a com o olhar. Sun só o vira com aquela aura densa e sufocante uma vez: no campo de batalha. Era assustador e inibia um pensamento coerente.

Diferente do que pensou, ele usou a distância apenas para alcançar a porta atrás dela e a fechou. Mas também não fez menção de se afastar.

- Louco? Eu? Você fugiu as vésperas do nosso casamento. A pergunta é: o que deu em você?!- o tom oscilava conforme a frustração o acometia.

O estrondo na porta a fez se sobressaltar. Bastou olhar para o lado para ver o estrago que o punho do príncipe tinha feito com o soco desferido na porta. O buraco aberto a centímetros de distância da cabeça dela.

Sun não pensou duas vezes em sair do alcance dele e disparou a passos trôpegos para o outro lado do cômodo, apavorada com o que poderia acontecer entre aquelas quatro paredes se ele não se acalmasse.

- Por que, Sun? Por quê?!- ele repetia, fora de si.

- Calma! E-eu posso explicar!- resfolegou como quem tenta acalmar uma fera prestes a atacar.

- Explicar? Ah, eu aposto que sim. Você só está viva ainda por minha causa, porque eu quero ouvir.- num movimento abrupto, jogou o chakram que ainda trazia consigo no chão, fazendo com que Sun se encolhesse e vacilasse um passo para trás.- Por que você fugiu? Vamos, Sun! Minta para mim!

- Isso vai mudar alguma coisa? Você não vai me ouvir desse jeito. Já tem suas opiniões como verdade.- alegou ela, parecendo sentir o gelo que congelava suas entranhas derreter conforme a discussão aquecia. Precisava encontrar uma maneira.

- Até quando vai tentar fugir de mim?

- Não estou fugindo, eu só...

- Foi só marcarmos o casamento e você desapareceu.

- Não é isso o que está pensando!- ela tentou rebater, mas foi interrompida outra vez.

- O que quer que eu pense? Uma guerra está acontecendo e eu não tenho tempo pra perder correndo atrás de você ou ficar brincando de pique.- perdeu a compostura, deixando-se levar pelas memórias das últimas semanas. Cada cena vivida alimentava ainda mais aquele sentimento arrasador.- Por sua causa a coroação foi adida e as pessoas fazem perguntas. Por sua causa estamos perdendo credibilidade da corte e dos aliados. Ao menos mereço a droga de uma explicação, não acha?

Sun o encarou, começando a entender o que estava acontecendo ali.

- Não é sobre mim que está preocupado, é sobre poder.

- É sobre nós.

Sun respirou fundo a fim de acalmar os ânimos e colocar a cabeça no lugar. Precisava colocar as peças no tabuleiro e começar a jogar caso ainda quisesse desfrutar o que chamavam de vida.

- E-eu... eu estava com medo.- desviou o olhar, soltando o ar que prendia nos pulmões.

- Medo de que?- explodiu. Aquilo parecia demais para o príncipe.- Nós fomos preparados a vida toda para esse dia! Pessoas escreveram o futuro no nosso lugar e foi por isso que você veio morar aqui. Foi por isso que crescemos juntos, para nos conhecermos e, acredite, isto é um privilégio que poucos tiveram.

- Eu só precisava de um tempo, JinYoung!- disse, esforçando-se para conquistar a calma já por um fio. A fala se tornou mansa, embora ainda firme.- O casamento é o menor dos problemas. Teremos uma nação para cuidar, vidas de milhões de pessoas em nossas mãos. Não estou preparada pra assumir toda essa responsabilidade.

- Essa já é a minha realidade.- ralhou ele, andando impaciente pelo cômodo.- Tempo nenhum vai te preparar pra isso. Você não tem escolhas a não ser aceitar... ou fugir. E parece que você já tomou sua decisão.

Sun sentiu o nó na garganta se formando, mas engoliu em seco e afastou o cabelo solto para trás da orelha na tentativa de não desabar. Os pés pareciam ter criado raízes, pois sequer conseguia movê-los. O que estava acontecendo com ela?

- Eu só precisava respirar e colocar a cabeça no lugar, me encontrar comigo mesma. Voltaria no final do mesmo dia, mas...

JinYoung riu, desacreditado.

- Você poderia ter me contado.

- Pra você mandar um batalhão de soldados atrás de mim?

Ele a encarou em silêncio. Era óbvio que ele o faria.

- Se eles estivessem por perto o sequestro não teria acontecido. Estamos em guerra. A primeira coisa que o inimigo deseja é me afetar e você acabou sendo o alvo perfeito. Se não fosse por JongIn encontrá-la, as coisas seriam graves e irredutíveis. E se não fosse por você –apontou para ela, a irritação fazendo seu rosto corar novamente- nada disso teria acontecido.

Sun abriu a boca, pronta para debater, mas a fechou no instante seguinte ao tomar nota do que ele acabara de dizer. Um arrepio glacial arrepiou os pelos da nuca. O sequestro era o caminho mais rápido para levá-lo a facção e, consequentemente, até JongIn. Quanto ele sabia?

Sun mordeu a língua em censura a si própria. Se dissesse qualquer coisa sobre o episódio, não só entregaria o líder como ela também e o maldito plano onde fora envolvida. A armadilha de JongIn era perfeita. A cabeça dele remetia à sua. Triunfariam ou morreriam juntos.

Cansada, deixou os ombros caírem.

- Vamos parar por aqui. Não quero continuar discutindo.- a voz falhou e o olhar se tornou perdido.

JinYoung percebeu o estrago que as palavras fizeram conforme Sun se encolheu parecendo querer se proteger das próprias lembranças. No fundo, Sun não tinha culpa das consequências de suas ações. Ninguém poderia prever que um simples passeio resultaria em semanas de tortura nas masmorras.

- Eles iriam matá-la.- ele continuou, um pouco mais brando.

- Mas não fizeram e estou aqui agora, não estou?

Sun se agarrou as memórias do teatro de HyunJoo e caminhou até JinYoung. Conseguia ver o momento exato do último raio de sol ser engolido pelo véu negro da noite nos olhos dele. Sentia a tensão diminuir lentamente.

- Nossas vidas nunca estiveram sob nosso alcance. Ao menos uma vez, um único dia, eu queria sair sem comprometimento algum com o mundo. Não me culpe por querer sentir o que é ser livre. Mas depois de tudo o que aconteceu...- os olhos marejaram ao encontrar os dele.- Pedi tanto aos deuses para que você me encontrasse.

Os olhares se sustentaram quando o silêncio estendeu seus véus. Um momento curto, uma pausa nas palavras armadas cuja munição parecia não ter fim.

A vulnerabilidade de Sun abriu caminhos na mente de JinYoung os quais não havia se atentado devido a ira que crepitava em seu ser. A nuvem negra o impediu de enxergar as dores dela, os medos, as cicatrizes que ganhara. Se sentiu egoísta, mas ainda assim permanecia cético.

- Veja só onde a liberdade a levou. Ela não existe para pessoas como nós, Sun. Nunca existiu.

- Mesmo que exista, não significaria nada sem você ao meu lado.- ela se surpreendeu como as mentiras saíam fáceis. Mas não eram ao todo palavras jogadas ao vento, até porque Sun nunca teve 100% de certeza sobre seus sentimentos em relação ao noivo.

Beijos, carícias, juras doces... Era conveniente, mas não era amor.

Estranhando a quietude repentina, Sun ergueu o olhar para fitá-lo. O semblante alheio ainda uma incógnita. Mágoa, raiva, incredulidade e esperança se mesclavam. Ele a segurou pelo queixo e mergulhou nas ondas turbulentas dos olhos castanhos. Enxergava ali toda a verdade. Uma verdade maquiada.

- Não acredito em você.

Um lado dele dizia para que acreditasse enquanto o outro, mais desconfiado, insistia para que não se deixasse influenciar pelos próprios sentimentos. A quem JinYoung queria enganar se não a si mesmo? Amava Sun Li no final das contas e o modo como ela retribuiu o toque, deslizando o polegar pela sua bochecha timidamente, tão cúmplice, desarmou-o por completo.

- Me desculpe, Younggie.- sibilou, deixando que as lágrimas finalmente escapassem.

E então ele suspirou, segurando a mão dela a fim de afastá-la de seu rosto. Um turbilhão sugava seus pensamentos mais claros e os mais embaralhados também. Um completo caos.

- Desculpas não mudam o passado.

- Eu sei que não.- a voz sedosa conforme ela avançava alguns poucos centímetros.- Só quero que me dê mais uma chance.

Sem esperar por uma resposta, Sun alcançou os lábios do príncipe, capturando-os num beijo carinhoso e lento a princípio, testando águas desconhecidas. Para sua surpresa, JinYoung não ofereceu resistência e correspondeu a altura, possessivo, intenso. A distância entre os corpos foi zerada e as mãos de JinYoung traziam a cintura fina para mais perto ainda.

- E o que vai fazer?- disse ele assim que se afastaram minimamente. As testas coladas uma na outra e os olhos ainda fechados, absorvendo os sentimentos um do outro, as palavras não ditas e o labirinto em que sucumbiam.

Sun sentiu os músculos relaxarem, levada pelas carícias lentas que as mãos masculinas realizavam na base de suas costas. O peso na consciência ganhou vida pelas mentiras, mas não era a hora certa para lidar com eles. Nos braços do noivo ela só conseguia pensar no próximo passo para fazê-lo se perder completamente em sua magia.

- Não vai se repetir.- murmurou, não porque queria, mas sim porque jamais conseguiria tal feito outra vez.

JinYoung maneou a cabeça negativamente, o sorriso irônico em riste. Aquele jogo ele também sabia jogar.

- Você não me engana, Sun.

Antes que se afastasse, mãos atrevidas deslizaram pelo pescoço masculino com calma e avançaram pelas clavículas.

- Por que eu mentiria pra você?- ela continuou, vendo claramente a batalha interna que JinYoung tentava lidar.

Amor. Ódio. Receio. Confiança. Razão. Sentimento. Linhas tênues os separavam. Turbulentas. Inconstantes.

As mãos desceram até o peitoral, encontrando a pele exposta pelas vestes. Sun queria incitá-lo a algo mais, e a forma como ele apertou sua cintura com mais firmeza comprovou que as palavras iam contra suas ações.

- Eu sou sua, JinYoung.- roubou-lhe um breve selar.- Eu quero ser sua.

JinYoung a encarou como se aquilo não lhe desse qualquer garantia, mas Sun não deixou que outros pensamentos brotassem senão os mais pecaminosos. Não hesitou em beijá-lo outra vez, mais urgente e ansioso, do jeitinho que só ela sabia fazer para acendê-lo. E estava funcionando.

As paranóias dissolviam-se a cada toque, incendiadas pela saudade de tê-la. Naquele momento JinYoung era bicho, era instinto, era essência. Deixou-se levar e aproveitou a abertura para circundar a cintura de Sun com os braços e a içou no ar. Logo sentiu as pernas dela enlaçarem seus quadris.

Saborearam um ao outro como se quisessem recuperar o tempo perdido. Os corações martelavam no peito devido à adrenalina e os corpos necessitavam um do outro como nunca.

JinYoung usou apenas um braço para mantê-la suspensa enquanto a outra mão divertia-se no percurso que criou com os dedos pela coxa desnuda. Sun trajava apenas vestes finas de dormir, estas que subiram um pouco mais devido a posição que estava -o que tornou o serviço mais fácil. Sob seus dígitos a tez macia emanava o frescor do banho recém tomado e se arrepiou aos seus toques. Ele adorou.

Sun, mais ousada, acariciava o peitoral másculo através da fresta larga da parte superior das vestes já desamarradas. Ela se recordava do corpo magnífico que JinYoung conquistara durante os treinos, mas ele parecia muito mais forte e robusto. Muitas- senão todas- as mulheres do país o cobiçavam, mas só Sun tinha a sorte de tê-lo, de chamá-lo de seu.

A passos cegos, o príncipe caminhou até a cama, onde se sentou com Sun em seu colo.

- O que será de nós?- a voz rouca ao pé do ouvido. Ambos tinham em mente que a vida de Sun ganhou um prazo curto ao desafiar a ordem. O futuro, ironicamente, se tornara incerto.- Meu pai e os anciões não serão misericordiosos.

Sun o olhou meio temerosa, afastando-o gentilmente.

- Não quero pensar nisso. Não agora.- devagar ela moveu-se no colo alheio na intenção de provocá-lo. O sorriso travesso adornando os lábios dela.

- As regras...- um lampejo de consciência atingiu JinYoung, mas Sun não estava disposta a lhe dar ouvidos. Estava muito mais entretida beijando-lhe o pescoço enquanto as mãos desfaziam o laço que prendia sua própria roupa, revelando o tronco nu. Sun era linda.

- Que se danem as regras.- os lábios iam descendo, deixando marcas avermelhadas por onde roçava os dentes e desferia leves chupões para provocá-lo.- Não precisamos esperar até o casamento.

JinYoung riu por um breve instante. Qual mulher naquela época teria tamanha ousadia? Sun o encantava à medida que o enlouquecia.

Ele não questionou e se ocupou em se livrar do excesso de tecido do corpo alheio. Embora Sun estivesse tomando as rédeas da situação no início, havia preocupação em seu olhar, nos dele, pura luxúria.

Sun sabia que o caminho pelo qual estava seguindo não oferecia uma via de mão dupla. Seguindo a cultura da época, JinYoung a marcaria como sua e não havia melhor forma de reverter todas as suas desconfianças.

- JinYoung...- ela suspirou seu nome no intuito de chamar sua atenção, mas soou como deleite para o que ele fazia.

Agora era ele quem a provocava. A mão experiente a acariciando por cima da peça íntima, ansiando por cada reação.

- Quer que eu pare?- indagou mesmo sem ter a intenção de fazê-lo. Apenas a vontade de dominá-la, de possuí-la percorria sua carne.

Sun sentia o fogo crescendo em seu interior à medida que a boca do rapaz e seus toques se tornavam mais despudorados. Ele queria tentá-la, queria fazê-la perder a linha de raciocínio e induzi-la a desfrutar dos prazeres que ele podia lhe proporcionar.

- JinYoung...- Sun chamou outra vez, forçando-se a manter-se sã para que pudessem conversar. Mas não havia conversa. A mente falhou assim que sentiu a boca quente fechar-se em seu mamilo, sugando-o de leve, dando vazão a um gemido baixo e tímido.

JinYoung se sentiu satisfeito pela forma como o corpo da noiva reagia rapidamente aos seus estímulos. Era tão sensível, tão deliciosa... A faria enlouquecer naquela noite.

- Seu corpo já me deu uma resposta.- disse contra a pele delicada, fazendo com que Sun se arqueasse levemente para trás. Ela já conseguia sentir o volume abaixo de si. JinYoung estava em chamas.

Num movimento assertivo, o príncipe inverteu as posições, ficando por cima de Sun. Fitaram-se sem pressa, como se tivessem todo o tempo do mundo para desfrutarem o momento. E realmente tinham. JinYoung testemunhou um brilho de receio que o olhar alheio traduziu, mas havia ali também uma lascívia descomedida. Ela queria mais, e ele estava disposto a fazê-la implorar.

Em meio a beijos e carícias, as mãos ligeiras foram despindo um ao outro pouco a pouco. Sun se livrou da parte superior das vestes dele no primeiro momento, vislumbrando os músculos perfeitamente definidos e as pequenas marcas que ela deixara em sua pele com as unhas. As calças tiveram o mesmo destino da peça anterior: o chão.

Sun não se importou com nada mais do que aquele momento íntimo e tão cúmplice. As consequências? Lidaria com elas depois. E JinYoung compartilhava do mesmo pensamento.

Com a mesma agilidade, logo se desfez das vestes dela por completo, deixando-a apenas com a roupa íntima. Ele tomou seu tempo para contemplá-la. Cada curva banhada pela luz das poucas velas do cômodo tornava a imagem única, uma obra de arte. Um sorriso doce desenhando-se nos lábios fartos ao notar o quanto sua noiva estava envergonhada. Logo ela, a mulher mais ousada que já conheceu.

- Gosta do que vê?- alfinetou para descontrair o clima que parecia afetar somente a ela.

JinYoung mordeu os lábios e ergueu o olhar para ela ao mesmo tempo em que seus dedos brincavam com as laterais de última peça que restara, deixando a noiva ainda mais ansiosa.

- Se tornou minha imagem preferida.

Os dedos puxaram com calma a peça íntima e Sun sentiu o rosto queimar. Ninguém nunca a vira daquela forma e a sensação era no mínimo estranha e excitante. JinYoung aproveitou para tirar sua última peça também e voltou a ficar sobre Sun.

Os lábios encontraram-se outra vez, cheios de volúpia. Estavam entrando em combustão, mas nenhum dos dois se dispôs a apagar aquele incêndio. Os dedos de JinYoung acariciaram a intimidade dela, já tão molhada, prontinha pra ele, e mesmo assim ele foi além, estimulando o clitóris em movimentos lentos e torturantes mesclados aos mais rápidos apenas para vê-la se contorcer de prazer. Daria atenção a cada parte do corpo dela, mas a urgência no meio de suas pernas clamava por alívio sob o toque das mãos de Sun.

Ambos jogavam o mesmo jogo de quem sucumbiria primeiro. E JinYoung nunca gostou de perder.

Sem querer perder mais tempo, o rapaz afastou as pernas roliças e se posicionou entre elas com precisão. A sensação de sentir a glande contornando sua entrada deixou Sun ainda mais excitada. JinYoung não deixava as oportunidades de mantê-la na borda passar e então, sem aviso ou cuidado, ele a penetrou de uma  só vez.

O gemido alto de Sun ecoou por todo o quarto e as unhas cravaram-se nas costas dele instantaneamente em reflexo a dor. Naquele momento JinYoung se transformou, louco de desejo, com a sombra dominando seu olhar. Era intenso, possessivo, dominador. Ele não esperou que ela se acostumasse à invasão, porém iniciou com movimentos lentos e intensos, indo até o fundo e retirando-se quase por completo em seguida.

A sensação de preenchê-la era insana de tão boa e o sentimento de conquista, melhor ainda.

JinYoung passou um dos braços por baixo de Sun para que ficasse levemente arqueada em sua direção, mantendo o ângulo perfeito para favorecer o ato, alcançando mais fundo e proporcionando ainda mais prazer a ambos. Já Sun segurava-se nele como se com isso sua sanidade se mantivesse. Contudo, assim como a de JinYoung, estava por um fio.

Sensações novas tomavam seu corpo e corriam pelas veias em alta velocidade. Sua mente só conseguia processar o prazer e mais nada. As investidas do príncipe foram se tornando mais rápidas e fortes na medida em que os corpos clamavam por mais daquele pecado tão delicioso.

Os gemidos eróticos e despudorados de Sun mesclavam-se aos roucos e raros dele numa melodia belíssima. A melhor que JinYoung já ouviu e queria mantê-la ali.

Diferente do que sua imagem demonstrava, JinYoung era outra pessoa na cama. Era bruto e carinhoso na medida certa. Gostava de sexo sórdido, que levava aos limites dos céus. E Sun sentia cada traço daquela nova personalidade na forma como ele apertava sua coxa e a puxava contra ele. Os lábios famintos devoravam seu pescoço, desencadeando em mais prazer para a garota.

Suor já cobria os corpos, deixando a pele escorregadia em atrito uma com a outra. JinYoung diminuiu um pouco o ritmo ao sentir o interior de Sun cada vez mais apertado, indicando que ela estava perto. Ela gemeu em frustração, o que o instigou a mudar um pouco a situação. Queria levá-la a borda quantas vezes fosse preciso, mas não a deixaria transbordar. Não tão cedo.

O rapaz tombou o corpo para o lado sem se desconectar da noiva, deixando-a assumir o controle em seu colo. Encostado na cabeceira da cama, conseguia auxiliar nos movimentos dela enquanto sentado. Sun era inexperiente e JinYoung  tinha o prazer de ensiná-la. Naquela posição ela tinha liberdade para ir ao seu ritmo.

- Cavalgue.- ele ordenou baixinho, levando as mãos a cintura dela, instigando-a a rebolar.

Sun o olhou, traiçoeira, apoiando-se nos ombros dele para conseguir mais firmeza no que fazia. Naquela altura Sun já havia perdido qualquer resquício de raciocínio lógico, o corpo movia-se por instinto, buscando sempre mais daquilo que a enlouquecia.

Era como uma droga na qual se viciou em tempo recorde.

Os movimentos de Sun aceleraram e os quadris de JinYoung a acompanhavam. Ele não conseguia parar de olhá-la. O rosto corado, os lábios inchados entreabertos, olhos em letargia, os cabelos longos cobrindo desajeitadamente os seios. Aos seus olhos refletia uma deusa, pela qual se deixou enfeitiçar.

Outro gemido mais alto escapou dos lábios rubros quando as mãos grandes desceram pelas suas costas e apertaram suas nádegas sem piedade. JinYoung estava a ponto de explodir de tesão e teve de respirar fundo para se conter um pouco mais.

Ainda não havia terminado com sua garota. Ainda queria vê-la trêmula desconexa, clamando por ele. E foi o que fez. Com um dedo, ele usou a lubrificação que escorria pelas pernas dela e seguiu para o outro orifício, acariciando-o na intenção de provocá-la ainda mais.

O corpo de Sun respondeu na hora, ficando tenso com o toque inesperado. Ele enxergou temor em seu olhar banhado de luxúria, o que o deixou a um passo do precipício.

- Continue.- JinYoung beijou-lhe o pescoço quando esta ameaçou parar quando ele forçou a ponta do dedo para dentro dela.

Sun soltou um gemido languido de puro prazer, como se uma nova chama se acendesse dentro dela. Era demais para suportar. JinYoung sabia e por isso continuou, introduzindo o dedo médio até a metade. Com a outra mão ele apertava-lhe a cintura para obrigá-la a continuar com a cavalgada.

- Então você gosta de sentir prazer aqui?- provocou, mordendo-lhe o lóbulo da orelha.

O rapaz se deliciou com a nova expressão que se apoderava do rosto dela, na forma como os gemidos se tornaram mais frequentes e como, de repente, ela ficou ainda mais molhada e apertada. Ele enlouqueceria e Sun também.

Não demorou muito para que espasmos dominassem o corpo de Sun e então ela se desfez num orgasmo intenso que a tirou de órbita. Um último gemido sequer ganhou voz, as unhas o arranharam e JinYoung achou lascivo. Adorou. Ele ainda manteve o ritmo das estocadas para prolongar o prazer dela e chegar ao seu próprio limite, soltando um longo gemido de deleite.

O corpo relaxou e ele tentou acomodar Sun da melhor forma em seus braços. A cabeça dela estava em seu ombro e ainda permanecia em seu colo, inebriada. Tudo o que JinYoung conseguia sentir era a respiração ofegante  se chocando contra sua pele e o roçar leve dos cílios conforme ela piscava. Estava no mundo da lua e ele se deixou contagiar por aquele sentimento de completa calmaria e relaxamento.

Pertenciam um ao outro e nada nem ninguém iria mudar isso.

 

- - -

 

A conversa na sala de reuniões não passava de um murmúrio que precedia o caos.

As pessoas se dispuseram em duas filas viradas uma de frente para a outra, separadas por um corredor delimitado mentalmente. Sentados sob uma fina almofada no chão, anciões ocupavam a fila da direita enquanto integrantes da família Gong se acomodaram à esquerda. No fim desta, dois singelos degraus antecediam a região um pouco mais alta da sala, onde o imperador ficava em evidência. Ao seu lado, JinYoung e SeHun ocupavam seus lugares um pouco mais atrás.

Acompanhando as paredes laterais, os guardas relevantes estavam sentados em posição de lótus, trazendo consigo as espadas -que descansavam ao lado do corpo.A formação era comum em reuniões parlamentares, principalmente em negociações, onde o ataque era propício caso não entrassem em comum acordo. Qualquer desacordo sempre seria um pretexto para agressão, se não em uma guerra.

Anos atrás os Gong tingiam de vermelho aquela sala sem dó nem piedade. Parecia irônico estarem agora no mesmo lugar conversando com as bocas e não com as espadas.

O acordo de paz ainda mantinha-se firme e aquela reunião definiria se permaneceria desta forma. A sentença de Sun era o principal tópico, mas mentes maliciosas já visavam o suposto conflito e como poderiam tirar vantagem disso.

A confiança era tão frágil quanto flores de cerejeira.

O salão se calou com a chegada da garota. Sun parou na ponta do corredor formado por pessoas, ajoelhou-se, colocou uma mão sobre a outra no chão e abaixou a cabeça numa profunda reverência ao imperador e a todos que estavam ali. Ela respirava fundo, obrigando-se a ficar calma. ZhouMi já havia lhe passado as instruções sobre o que deveria ou não dizer.

Tudo vai ficar bem, disse a si mesma na tentativa de se convencer.

Levantou a cabeça e endireitou as costas com toda a dignidade que lhe restava. Aos olhos de todos, não refletia a futura imperatriz que um dia conheceram e congratularam. Sun estava despida de qualquer maquiagem, os cabelos soltos, livre de ornamentos e penteados elaborados dos quais estava acostumada a usar antes de tudo acontecer, e as vestes eram simples e claras.

Ela observou os rostos conhecidos com um aperto no peito. Seus pais traziam a decepção estampada no rosto, os membros do conselho, petulância, como se já soubessem que isso aconteceria vindo da filha da família Gong, a segunda mais poderosa de Sanshiro. ZhouMi estava ao seu lado, um pouco mais distante e trocava olhares com JinYoung vez ou outra.

O jogo estava apenas começando.

Dentre todos, houve apenas um olhar que Sun quis evitar. Ele estava sentado junto a outros guardas nas paredes, os olhos grudados nela, indecifráveis, o polegar brincando com a borda da bainha e o som ritmado da trava da espada demarcava os segundos, assim como o tic tac de um relógio.

Kai estava tenso por Sun, porém a adrenalina comichava por debaixo da pele com a presença de todos aqueles homens egoístas que ostentavam o poder. O corpo vibrava em excitação só de pensar em como seria maravilhosa a sensação de vê-los clamar por misericórdia enquanto tentavam se agarrar ao último lampejo de vida. Sentiriam na pele o que causavam aos inocentes, seriam sugados pelo vortex do desespero e se sufocariam com a própria morte. Cada lágrima, cada grito, cada gota de sangue. Tudo seria vingado. Era só questão de tempo.

A hora se aproximava cada vez mais. E Sun permanecia no caminho.

Ela sempre esteve lá –se não presente fisicamente, em seus pensamentos. E que droga era conviver com fantasmas do passado quando este o olhava como se pedisse por ajuda. O mesmo olhar que ela lhe dirigiu quando quase congelaram no lago com JinYoung.

- Muito bem, estão todos aqui. Podemos começar.- o ancião se pronunciou, roubando a atenção de todos presentes.

O imperador WooJin assentiu, analisando a garota que, mesmo com a corda no pescoço, manteve a postura e a graça da princesa que era. Apenas uma casca que construiu a vida toda.

- Como todos sabem, Gong Sun Li, noiva de meu filho Park JinYoung, fugiu após anunciada a data do matrimônio e há relatos de sequestro. Dadas as circunstâncias, abrimos uma exceção nas regras para ouvir o que ela tem a dizer.- a voz imponente de WooJin reverberava pelas paredes.- Por favor, Sun Li.

Sun respirou fundo, mantendo as mãos no colo na tentativa de que a tremedeira passasse despercebida pelos outros. Qualquer deslize custaria sua cabeça. Seria o preço a pagar pela tentativa falha de conquistar a liberdade.

Sun explicou o mesmo que dissera a JinYoung de modo mais superficial. Pontuou a fuga como um passeio para colocar a cabeça em ordem e que mais tarde no mesmo dia retornaria. Acrescentou sua estadia –inexistente- no templo sul em busca da paz de espírito e de respostas para perguntas que ainda soavam confusas em sua mente. Alguém que recorria aos ancestrais e aos deuses não podia ser tão ruim assim, certo?

- Com as energias equilibradas novamente, fui embora do templo, pronta para retornar e cumprir meus deveres como esposa. Fiz uma pausa para que Mochi, meu cavalo, pudesse descansar um pouco e foi então que caí na armadilha.- recitou a fala ensaiada conforme ZhouMi lhe instruíra anteriormente.

- Você se lembra do que aconteceu?

- Não me recordo de muita coisa. Estava escuro... Eu só me lembro de vultos cruzando a floresta, uma pancada e então perdi os sentidos.- mordeu o lábio, fingindo lembrar de algo ruim. Na verdade, todas as memórias de quando fora capturada passavam em sua mente como num filme.- Eles me torturaram para conseguir informações, mas quando viram que era inútil, me mantiveram sedada.

As mentiras saiam tão fáceis pelos seus lábios, causando o efeito pretendido. Sua mãe estava com lágrimas nos olhos, o imperador, inclinado a confortá-la ao ouvir a voz tremular com um possível choro vindo dela. Lágrimas escaparam e correram pelas bochechas ao passo que Sun desceu um pouco o hanfu para mostrar o ombro ferido –acompanhado das marcas que JinYoung deixara na noite passada- e, depois, levantou um pouco a barra das vestes na intenção de mostrar apenas a queimadura que se iniciava no tornozelo e sumia tecido acima.

Sun fungou, abaixando a cabeça num pedido de desculpa por se mostrar tão frágil perante todos. A experiência a traumatizara e ela carregaria cicatrizes para a vida toda. Pelo menos era isso o que ela queria que todos pensassem.

Conhecer HyunJoo não foi algo perdido, afinal, aprendera o dom maravilhoso da atuação e manipulação.

JinYoung, ao lado do pai, cerrava a mão em punho a fim de se segurar para não abraçá-la. O pai percebia o quanto a situação afetava o filho. Não era segredo que aquele casamento não era puro contrato. JinYoung realmente a amava.

- Nos informaram que a encontraram desacordada na floresta. Os inimigos não cometeriam a burrice de libertá-la quando podiam nos chantagear.- o imperador prosseguiu.

A insinuação a pegou desprevenida.

- Eu não sei o que aconteceu, majestade. Como eu disse, eles me mantiveram sedada. Voltei à consciência quando já estava aqui.

- Então alguém a tirou do covil de lobos.- o pai de Sun se pronunciou pela primeira vez, olhando ao redor.- Onde está o rapaz que a encontrou?

Timidamente Kai levantou a mão, parecendo meio alheio ao que se passava ali.

- Conte-nos o que houve.

Kai hesitou, fingindo-se constrangido de repente, embora o ego inflado permitisse que voasse a longas distâncias. Gostava da ideia de ser considerado um herói pelos próprios inimigos.

- Eu apenas a encontrei na floresta durante minha jornada, senhor.

- Você já foi treinado nessas terras para se tornar um guarda. Não notou nenhum sinal? Alguma prova?

Um sinal negativo.

- Nada que pudesse ser levado em consideração.

Os pensamentos turbulentos aquietaram-se minimamente. O destino de Sun nas mãos do imperador se assemelhava a um tiro no escuro e a tomada de decisão para o homem refletia da mesma forma.

Confiança era algo difícil de lidar. Uma linha tênue a separava da traição.

A discussão acalorada tomou partido pelo lado dos anciões. Era um absurdo infringirem as leis que permearam por anos a fio. O que deveria ser feito, deveria ser feito do jeito certo. Foi pensando desse jeito que o passado de WooJin caiu em ruínas, e foi pensando desse jeito que ele decidiu confiar outra vez e dar mais uma chance.

A idade estava fazendo do bravo guerreiro e imperador um homem frouxo e sentimental demais. Se até fragmentos das muralhas vinham ao chão, quem era ele para resistir?

 - Nestes tempos de guerra, os aliados são indispensáveis. Visando manter o acordo entre os clãs, a sentença de Sun Li será anulada e a união acontecerá em dois dias.- decretou para alívio de Sun, que dirigiu um olhar alegre e sutil para ZhouMi.

Entre a morte e uma vida ao lado de JinYoung... Bom... ela sabia qual escolher.

Em contrapartida, os anciões indignaram-se com tamanha falta de escrúpulos por parte de WooJin. Manter uma criminosa viva para restabelecer a ordem e paz entre os clãs em meio a guerra significava o mesmo que acolher em seu seio um rebelde para convencê-los a dar fim na revolução.

- Como pretende realizar um casamento, imperador? Estamos no olho de uma guerra que só tende a tomar proporções maiores!- outro ancião pontuou.

- A cerimônia acontecerá daqui a dois dias.- impôs WooJin, olhando para os Gong, que aprovaram a decisão de imediato.

E dessa vez não havia como fugir.

 

- - -

 

Mais do mesmo e menos a mais. A mente de SeHun dava voltas, a repulsa e o ódio se estendendo como veneno pelas veias a cada palavra dita.

As leis nunca falharam e escolheram a hora errada para tal. Olhando agora, o príncipe percebia que a emoção era a única coisa que poder ou status algum poderia controlar diretamente.

SeHun abandonou os pergaminhos nos quais tentara se concentrar em ler –sem sucesso-, e se deu ao luxo de tomar uma xícara de chá, que àquela altura já deveria estar frio. Em meio a tantos pensamentos conturbados que tentavam encontrar um sentido, a ideia de que a ameaça estava à espreita continuava martelando em sua mente.

 Iria fazer as coisas acontecerem com as próprias mãos.

- Pai?!- o chamou assim que o viu passar no corredor.

SeHun levantou-se num pulo para alcançá-lo e o homem parou, voltando-se a ele com um olhar indagador. Não viu nada mais do que cansaço no rosto do mais velho. O dia fora cheio e, como se não bastasse a reunião, os anciões ficaram infernizando a vida dele por horas até ter de se retirar para engatar outra conversa de negócios com o pai de Sun a respeito do casamento.

Dias de cão eram estes e os que estavam por vir.

- Vai mesmo deixar que o casamento se realize?

WooJin tomou uma postura tão imponente quanto desafiadora.

- Tem alguma objeção contra isso?

- Estamos em guerra. Que sentido há em abrir as portas do palácio quando os inimigos estão esperando por isso? Já nos atacaram na capital e os movimentos cessaram desde então. É a calmaria antes da tempestade.- o mais jovem vomitou as palavras banhadas de preocupação.

- Essa guerra já está ganha. Nós temos um exército, SeHun, e o que eles tem? Espadas enferrujadas e quinquilharias que ousam chamar de armas.

- E quanto às bombas? E quanto seus aliados?- apontou para a porta dos aposentos do irmão, aproveitando a deixa de que este não estava lá.- Fazer JinYoung assumir o trono em tempos como este é quase suicídio! O senhor viu como ele se descontrolou por causa de Sun Li e como quebrou as leis tão facilmente ao tomá-la na noite passada.

A informação o pegou de surpresa. As feições do imperador se contorceram numa expressão ofendida, levado pela incredulidade. JinYoung certamente o fizera para ter um argumento caso a menina fosse sentenciada por suas más atitudes. De qualquer forma, de nada valia se preocupar, afinal, em dois dias o ato seria consumado. O problema agora era SeHun. O filho mais jovem não sabia quando fechar a boca, era atirado e explosivo. Nunca seria como JinYoung. Nunca se encaixaria como imperador.

E SeHun continuou:

- Pessoas com emoções a flor da pele são capazes de tudo. Veja pelos inimigos. Rebeldes não podem ser barrados por toda a vida. Cedo ou tarde as comportas de ódio e sujeira acumuladas por anos se romperão e então não sobrará nada.

- Devo presumir que você se dispõe a ocupar o lugar dele?- insinuou ele com sarcasmo. O riso escondido por trás do tom severo.- Suas tropas não conseguiram avançar nem um metro nas trincheiras, muitos foram dizimados. Enquanto continuar perdendo tempo com mulheres e bebida, jamais conseguirá a maturidade necessária para assumir uma nação inteira.

SeHun cerrou os punhos para se controlar e não cometer uma catástrofe ali mesmo. Já ouvira coisas piores do pai e já havia se acostumado com a dor, mas não era fácil. Nunca foi. E o que mais poderia fazer? Era apenas uma sombra do irmão mais velho.

- Eles são mais fortes do que imaginamos.

O imperador deu-lhe tapinhas no ombro. Duvidava daquela maldição rogada aos quatro ventos.

- É o que veremos, filho.

 

- - -

 

Os braços de sua mãe eram o melhor dos refúgios e naquele aconchego Sun quis se esquecer de tudo. Da vida na qual fora submetida, do fracasso de tentar ser livre, dos maus bocados que passara na facção, das nuvens negras que rodeavam seu futuro e sobre a bagunça que JinYoung fizera com seus sentimentos.

Até onde as correntes aguentariam?

- Sua rebeldia poderia ter custado sua vida.

- Desculpa.- murmurou, escondendo o rosto no ombro da mais velha. O afago lento em suas costas a tranquilizava como nunca.

Era bom saber que não estava sozinha e que mesmo nos tropeços da vida, sua mãe sempre estaria lá.

- O que seria de mim sem você, querida? Eu a alertei tanto sobre os perigos lá fora, te protegemos tanto para que nada de mau lhe acontecesse, e olha só onde você foi parar.- a fala era mansa, como uma canção de ninar a um bebê.

- Eu só queria poder escolher de que forma viver minha vida.- afastou-se da mãe ainda remoendo o fato de seus planos terem dado errado. E esse erro tinha nome, sobrenome e um rosto odiosamente bonito.- Mas acho que nunca terei esse privilégio. Pelo menos não enquanto minha alma morar neste corpo.

- Tudo isso foi por causa da liberdade ou por JinYoung?

A questão a pegou desprevenida, fazendo-a franzir o cenho em confusão.

- Como assim?

- Ora, todas nós temos medo de nos apaixonar mediante a uma união contratual. É comum ter receio de que só nos vejam como parte de um contrato e nada mais, enquanto carregamos dentro de nós sentimentos que correm o risco de não serem correspondidos.- ela riu em nostalgia e adorou ver que Sun encontrava alguma representação sua com aquelas palavras.

A verdade era que, depois da noite com JinYoung, Sun se sentia virada do avesso. Aceitara se doar a ele para reconquistar sua confiança e para que Kai não pudesse incriminá-la a princípio, mas então os toques de JinYoung começaram a guia-la por terras desconhecidas, lhe mostrou o quanto a amava, o quanto a desejava e como faria valer a pena cada escolha feita ao lado dele. Desnudou-se de corpo e alma e a fez ver estrelas. E ela fizera o que? O corpo ficou nu, porém a alma, o que existia no âmago, por debaixo da pele e nas profundezas de seu ser permaneceram no anonimato.

O sentimento que nutria pelo príncipe Sun nunca conseguiu nomear. Eram melhores amigos na infância e evoluíram para amigos coloridos na adolescência, permanecendo assim desde então. Talvez fosse desejo, a vontade de confrontar o proibido e se deliciar com os pecados. Talvez fosse o companheirismo, a certeza de que teriam um ao outro para dividir medos e alegrias. Mas não era isso o casamento? O tal de respeitar e cuidar na saúde e na doença, riqueza e pobreza e em todos os momentos da vida sob as bênçãos do dragão dourado da união? Se sim, então o que esteve vivendo esse tempo todo?

Um namoro sem nome, um noivado desconhecido, um amor adormecido.

Aquele tal de destino que escreveram por ela fora definido pelas famílias ou pelos deuses que tudo sabiam? Sun ouvira também sobre as lendas que retratavam almas gêmeas que resistiam vida após vida, por milênios! E arrrgh! Se continuasse pensando desse jeito enlouqueceria!

- Você não precisa se preocupar quanto a isso. Você teve a sorte de conhecê-lo antes do casamento e, além disso, de conquistar seu coração.- a mão começando a adquirir marcas devido a idade seguraram as dela em sinal de apoio.- É uma dádiva dada a poucas, minha filha. Quando o destino está decidido, não adianta fugir. Se deve acontecer, vai acontecer.

No jardim nos limites do palácio, a serenidade as envolvia. Folhas dançavam com o vento, a grama liberava seu aroma e os passarinhos cantavam, fazendo uma algazarra entre eles no céu.

Ah... os pássaros...

Diante do silêncio pensativo de Sun, a mãe continuou, tentando animar um pouco as coisas.

- Eu mesma não acreditei quando soube que você fugiu. JinYoung estava desolado.

A postura de Sun mudou de pensativa para desconfiada. Ajeitou-se melhor na grama em posição de lótus e se inclinou levemente para frente para ter certeza do que estava ouvindo.

- JinYoung foi procurá-la?

- Ele nos visitou para dar a notícia. Felizmente, eu estava sozinha em casa. Seu pai teria tido uma síncope.- disse como se fosse algo comum.

Só então uma luz de acendeu na mente de Sun. JinYoung nunca visitaria apenas para dar uma notícia. Não era assim que as coisas funcionavam.

- E YoungJae?

Ela emudeceu, o rosto pálido e incerto de repente. O coração de Sun já se apertava no peito prevendo o pior.

- Mãe, por que YoungJae não veio hoje? Ele deveria estar aqui com vocês.- insistiu, recebendo um suspiro derrotado em troca.

- Ele não pôde vir.

- Por quê?

A mulher fechou os olhos com força, pesarosa pelo que acontecera. Ainda doía falar sobre e declarar sua submissão ao sistema.

- Ele foi recrutado. Está lutando nas trincheiras.

Sun sentiu todo o sangue se esvair de seu corpo. Não podia ser verdade!

- Desde quando? Como isso aconteceu?

E ela hesitou outra vez.

- Uma semana depois de você sumir. Precisavam de uma prova de que colaboraríamos com a investigação e que não éramos cúmplices da sua fuga.

E aquilo doeu mais do que um tapa na cara.

Quantas pessoas se machucariam por causa dela? YoungJae sabia lutar, mas constantemente levava surras ao enfrentar as academias de guerreiros. Jamais conseguiria sobreviver no campo de batalha, o que dirá nas trincheiras.

- Vocês deram seu filho como moeda de troca assim como fizeram comigo?- explodiu. Vendo o pai se aproximar, dirigiu a raiva também para ele.- Quando vão se cansar de nos tratar como mercadoria? Acabar com a minha vida já não foi o suficiente?

- É como as coisas funcionam, Sun Li. Cabe apenas a mim decidir.- o homem se impôs, ríspido.

Sun soltou uma exclamação em descrença. A essa altura já estava de pé, sentindo as ondas de eletricidade atravessarem seu corpo com a adrenalina que a consumia.

- Vocês disseram que estavam preocupados que algo acontecesse comigo, mas fizeram muito pior! Mandaram YoungJae para a morte sem titubear e pra que? Pra manterem a lealdade ao imperador?- vomitou as palavras sem ver a quem afetava.- Vocês só se preocupam com o que lhes convém. Só se preocuparam comigo por causa dessa droga de casamento que trará benefícios!

O tapa certeiro a calou. Foi tão de repente que Sun sequer conseguiu desviar, e agora só restava a dor latente em sua bochecha, onde pousou a mão enquanto o olhava com uma fúria descomedida.

- Você foi longe demais.- o homem ralhou, impassível.- Nunca mais ouse erguer a voz para seus pais ou desafiar as ordens. Obedeça! É para isso que te criamos.

Sun relutou para que as lágrimas não fossem derramadas na frente deles. Então aquela era a verdade. Os filhos serviam apenas para serem usados pelos pais do jeito que achavam melhor e não tinham o direito de contestar.

Sun olhou para a mãe, mas esta estava petrificada, olhando atônita para a cena que se desenrolava. Estava de mãos atadas. Ela também era vítima da maldita hierarquia. A mulher sempre deveria abaixar a cabeça para o marido e seguir suas ordens. Era um absurdo, mas era um mal real que permeava a sociedade.

A urgência de se ver livre deles fez com que seus pés se movessem ligeiros. Disparou pelo jardim, dobrou uma esquina com agilidade e ultrapassou os portões imponentes ausentes de guardas. O cenário lhe era extremamente familiar. Bastou colocar o pé para fora para ter certeza de que pouca coisa havia mudado.

O lago continuava ali. E Kai também.


Notas Finais


JINYOUNG, NÃO ME ARRASA DESSE JEITO! ~socooorrr

Pois é, galere, Sun vai ficar viva por mais algum tempinho, altas tretas estão por vir e só uma dica sobre essa loucura toda: tudo tem seu preço. -v-

E obrigaada pelos favs, coments e todo o apoio por todo esse tempo, de verdade! <33
Espero que tenham gostado! E até a próxima! \o

Kissus kissus ;**


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...