História Wonderwall - Capítulo 3


Escrita por: ~

Visualizações 10
Palavras 5.555
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Música tema do capítulo:   
Lost Stars - Adam Levine  



Hey, How are you?

Esperamos que super, super bem


Então anjos essa é nossa primeira fanfic juntas, isso é muito importante pra gente, nós amamos nossa história.


Essa é a primeira vez que eu @aninhalou escrevo uma fanfic de verdade, eu estou muito empolgada.


Avisando: Nos avisos eu disse que ia colocar os traillers das músicas temas de cada capítulo na mídia, mas eu não sabia que o spirit não aceitava isso.
Então colcarei alguma foto referente a alguma cena do capítulo.

Sorry gente é minha primeira história.


Esperamos que vocês gostem também.



Boa leitura…

Capítulo 3 - Lost


Fanfic / Fanfiction Wonderwall - Capítulo 3 - Lost


  Louis sentia o vento frio jogando seus  cabelos em várias direções, percebendo as gotículas de água molhando seu rosto, ele olhou para cima, as folhas das árvores balançavam em uma dança violenta, observou  a sua volta vendo as altas árvores em tons amarelados que denunciavam o outono, as folhas destas já caídas dando cor ao chão irregular com diversos tons de amarelo, marrom e vermelho.  

Louis mirou o céu que adquiria vários tons de cinza, anunciando a forte tempestade, algumas poucas gotas de água já molhavam suas roupas, o garoto de olhos azuis fechou os olhos se permitindo relaxar e se entregou a incrível sensação da chuva em contato com o seu corpo.

Aquela com certeza era uma das melhores sensações do mundo, apenas a natureza e estar em cima de sua moto o fazia sentir-se tão leve e em paz consigo mesmo, algo que Louis desconhecia a muito tempo.

Algo naquele momento o trazia uma enorme alegria, Louis não sabia o que era, mas sabia que queria sentir aquilo para sempre, ali naquele lugar ele não era Louis William Tomlinson futuro herdeiro das empresas do pai, o filho perfeito, ele era um garoto livre e feliz, ele finalmente era ele mesmo.  

- Looooouuuu  - Uma voz lhe tirou de seus pensamentos, uma voz conhecida, suave e melódica, parecia que ele estava cantando. Louis sorriu para si mesmo ao ouvi-la. Ele voltou a consciência rapidamente.

- Venha Boo...

Seus pés finalmente se moveram e ele disparou em direção a floresta para encontrar o dono daquela voz. O menino de olhos azuis corria o mais rápido que podia, ele queria encontrar o dono daquela doce, rouca e suave voz que lhe dava arrepios somente ao ouvi-la, ele queria vê-lo, não era algo que Louis podia controlar, era como uma necessidade.

Ele precisava chegar até aquela pessoa. Seus cabelos claros voavam enquanto ele corria e o vento levava o seu casaco para o lado oposto, Louis corria tão rápido que ele achava que poderia voar.  

- Vem Lou, eu estou aqui!

Louis continuava a ouvir aquela maravilhosa voz e se esforçava para encontrá-la. Após passar por uma enorme árvore que aparentava ser extremamente antiga, Louis chega a uma linda clareira, a grama baixa exibia um tom de verde quase amarelo, algumas poucas flores se espalharam ao longo do campo, de longe o garoto de olhos azuis vê uma silhueta alta, ele se aproxima devagar caminhando pelo gramado, Louis sabe que aquele é o dono da maravilhosa voz.

O menino de olhos azuis se aproxima cada vez mais ficando a poucos metros do rapaz, Louis vê lindos cachos nem tão claros e nem tão escuros que roçam em seu pescoço, o rapaz usava uma jaqueta de couro, uma calça skinny e botas.  

- Vem Lou a chuva vai cair, nós vamos nos molhar. - o garoto fala e sai correndo sem olhar para trás impedindo que Louis veja seu rosto.   

O rapaz se afasta rapidamente correndo pela grama e Louis se apressa em acompanhá-lo, eles correm pela enorme clareira sentindo os pingos de chuva ficarem um pouco mais fortes, o  garoto encaracolado para em frente a uma árvore alta no limite oposto da clareira e Louis para logo atrás dele, ele olha pra cima e vê um bela casinha no topo da árvore, um pouco velha mas grande o bastante.   

- Vem Louis, suba! - o garoto fala já escalando a escada que levava até lá em cima, em uma abertura quadrada no chão da casinha.  

Louis espera que o garoto suba e se segura na escada, começando a escala-la como o cacheado fez anteriormente, ele coloca um pé de cada vez subindo devagar pela escada envelhecida que range a cada novo degrau que ele sobe, a madeira velha está um pouco escorregadia, Louis coloca a mão no penúltimo degrau ainda olhando para baixo para colocar o pé no próximo e subir, mas o mesmo escorregou fazendo com que ele perdesse o equilíbrio soltando a mão do degrau, ele solta um grito ao sentir que vai cair mas uma mão forte segura na sua e lhe puxa com força fazendo com ele suba de vez os dois degraus que faltavam entrando na casa rapidamente.

Seu corpo vai de encontro à outro maior que o seu e ele instantaneamente envolve seus braços ao redor do pescoço do garoto com cachos, seus olhos azuis se encontram com lindas orbes verdes e é tudo que Louis consegue ver, por algum motivo ele não  consegue ver o rosto daquela pessoa mesmo estando tão perto que suas respirações quentes e ofegantes quase se misturam.

Louis abaixa os olhos e mira em um colar que envolve o pescoço do garoto, uma fina corrente de prata com um pingente de cruz, Louis volta a olhar para cima e seus olhos novamente só veem uma imensidão verde, o menor sente que poderia mergulhar naquele mar mas nunca poderia morrer afogado pois a segurança que aqueles braços fortes lhe passam é inexplicável, ele sente que não poderia estar em outro lugar, pois aqueles braços que o abraçam são com certeza o melhor lugar do mundo.  

Louis aperta o braço ao redor do pescoço do garoto e sente o mesmo lhe abraçar ainda mais forte, como se eles quisessem se fundir, seus olhos não se deixam por momento nenhum o azul se perdendo no verde.  

- Calma Lou, eu peguei você. Não esquece que eu sou seu protetor e eu nunca vou te deixar cair, Eu sempre estarei aqui. - o garoto fala e Louis sente seu hálito quente roçar em sua pele fazendo a mesma se arrepiar, e...  

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       Louis abriu seus olhos se deparando com o teto verde do seu quarto o que só o fez lembrar do garoto de olhos verdes, com cachos e voz rouca do seu sonho habitual. O menino de olhos azuis imediatamente arrepiou-se com a recordação.

Louis sempre tinha o mesmo sonho, com a mesma pessoa, o garoto de olhos verdes nunca lhe saía da cabeça, embora ele não lembre do rosto, a não ser seus belos cabelos cacheados e seus olhos brilhantes como esmeraldas.

O garoto passou algum tempo tentando acalmar sua respiração que ele nem percebeu que estava ofegante. Por algum motivo aquele sonho sempre o deixava naquele estado, perdido e confuso mas com uma sensação maravilhosa. Não era algo para ser explicado e sim para ser sentido.  

Lentamente Louis se sentou na cama preguiçosamente despertando seus músculos tensos, olhou em direção a varanda onde as cortinas brancas voavam por conta da brisa fria que trazia o cheiro de grama fresca do jardim onde ele tinha certeza que Jade já estaria regando as flores, e preparando a terra para outras, como sempre fazia.

Ele andou em passos lentos em direção a sacada para visualizar a linda paisagem com claras misturas entre o verde e o azul, Louis imediatamente correu em direção ao closet para pegar sua máquina fotográfica e registrar aquele momento, a câmera estava na última gaveta, entre suas meias com sorte seus pais não a encontrariam, ou então o matariam por gostar de fotografar, por andar de moto algumas noites escondido, ou as vezes se encontrar com o senhor assustador da vizinhança e ser seu ajudante em sua oficina nas horas vagas.

O que ele diria? " Oi pai! Eu gosto de fumar um cigarrinho sempre que você me estressa e trabalho em uma oficina com um velho assustador todo sujo de graxa. Ahhh e eu gosto!" Louis sabia que teria que assumir a empresa da família, as tão ricas e prestigiadas empresas Tomlinson, ele tinha que ser o motivo de orgulho de todos mas principalmente de seu exigente pai Danniel Tomlinson, teria que se casar com Eleanor Calder, ir a eventos importantes, discursar, fingir sorrir mesmo que algo não tenha tido a menor graça, viajar por dias e até meses, consequentemente ficando sem ver suas irmãs, mãe e melhores amigos durante um bom tempo.

Ele teria que ser exatamente tudo que no fundo ele não queria, mas se sentia péssimo com a ideia de ser egoísta e abandonar as pessoas com quem ele se importa, ele jamais faria isso, acima de tudo e todos estava sua família e ele sempre faria de tudo para vê-los felizes e bem, e se isso significasse abrir mão de seus sonhos, então ele iria tentar, mesmo sabendo que ele nunca se sentiria livre, como se sentia no sonho com o menino de olhos verdes brilhantes que o fazia mais feliz do que havia estado em toda sua vida antes.  

- Aqui está!

O garoto de olhos azuis sussurrou pra si mesmo assim que encontrou a sua amada câmera no fundo da gaveta e voltou em direção a sacada em passos apressados, ele ajustou a lente, posicionou-a em sua mãos de maneira que ele sabia que a foto sairia perfeita, mirou por alguns segundos então um click foi ouvido avisando que a foto havia sido tirada.

Louis imediatamente olhou para a tela e sorriu pra si mesmo assim que viu quão linda havia ficado, o céu parecia pintado, quem visse acharia com certeza que era a porra da foto de um quadro, aqueles detalhes, eram exatamente aqueles detalhes que faziam Louis amar fotografia, o céu pintado de um azul bebê e sem quase nenhuma nuvem, as poucas eram vistas de longe e pintavam o céu de um branco perfeito, a grama verde contrastava perfeitamente com o azul do céu e as flores do jardim de sua mãe tornavam a imagem um verdadeiro quadro digno de exposição, pena que aquela imagem nunca sairia de uma pequena telinha.  

Louis guardou a câmera e em seguida seguiu em direção ao banheiro, hoje seria a festa de aniversário de Liam um de seus melhores amigos juntamente com Niall, eles iriam sair para comprar algumas bebidas para a festa, apesar de Liam ser um pouco tímido e nerd, ele fala bem e até tem bastante amigos, todos o conhecem na faculdade embora ele não conheça todos, o mesmo acontece com Louis e Niall os três formam um trio improvável de amigos, Louis é sarcástico, brigão e não tem filtro na língua, Niall é o garoto festeiro, alegre e extrovertido e Liam o menino calmo, tímido e sério.

Os três se completam de alguma forma. O de olhos azuis conheceu Niall logo depois do acidente em que ele ficou em coma por exatos 31 dias.

Louis foi salvar Liam até então seu único melhor amigo de apanhar de um grupo de garotos covardes, Niall que era calouro assim como eles na época, se juntou a Tomlinson para proteger Liam de ser humilhado no refeitório em frente da faculdade inteira.

A partir daí os três sempre andavam juntos para todos os lugares, aos poucos se tornando inseparáveis. Como Harry Potter, Hermione Granger e Ronald Weasley a amizade deles poderia ser facilmente comparada a dos personagens da saga, talvez até os monstros que precisavam enfrentar, isso era o que provavelmente Liam diria com todo seu conhecimento geek.

Louis entrou no box se enxaguando e ensaboando rapidamente, saiu em direção a bancada para escovar os dentes, fitou o espelho em sua frente por alguns segundos, não gostava muito de objetos que refletiam seu eu fazia muito tempo, pois ele mostrava não somente o físico de uma pessoa, mas sua alma também, só o que Louis via era um garoto vazio e ele não fazia a menor ideia de como preencher esse vazio. Ele gostava da verdade, o que era uma grande ironia já que ele mentia para sua família e para si mesmo todos os dias.

Saiu rápido do banheiro evitando seus pensamentos que sempre o levavam a um cigarro entre seus lábios, indo em direção ao closet pegando suas habituais calça skinny preta, uma camisa da mesma cor, sua fiel jaqueta jeans, e seus vans azuis escuros, penteou os cabelos deixando sua franja para o lado, abriu a gaveta de seu criado mudo e pegou sua carteira, a chave de sua moto, uma caixa de cigarros, e seus fiéis bombons de menta que sempre disfarcavam o cheiro intoxicante do cigarro.

Louis tinha consciência do quão ruim era fumar, mas aquilo lhe acalmava, assim como as corridas de motos, ajudar o Sr John Gallagher na oficina durante suas crises agora cada vez mais constantes de identidade, a sua constante briga interior pelo seu eu verdadeiro que estava perdido, que ele gostaria de saber onde para se encontrar de novo.  

Louis desceu as escadas encontrando todos ao redor da mesa tomando café da manhã.

- Bom dia Lou! - Phoebe e Daisy disseram em uníssono, com sorrisos contagiantes no rosto como sempre faziam, seus cabelos estavam amarrados em um rabo de cavalo e suas roupas estavam combinando, Phoebe tinha uma blusa com a metade de um coração vermelho e Daisy tinha o outro, completando um só.   

- Oi Proesy, Como foi a noite? - Louis disse e se aproximou das meninas depositando um beijo em cada bochecha, Phoesy era a junção do nome de ambas, elas preferem ser chamadas assim, dizem que são almas gêmeas. Louis se permitiu sorrir e desfrutar da companhia das suas irmãs.  

- Melhor impossível, Sonhei com unicórnios coloridos.- Daisy falou com um sorriso cheio de dentes como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo.  

- Eu não consegui sonhar com unicórnios coloridos, Lou. - Phoebe fala fazendo um biquinho adorável.

- Eu tenho certeza que você vai sonhar com unicórnios coloridos hoje, é só acreditar.  

Louis conseguia ser facilmente gentil perto de suas irmãs, embora irritado, petulante e sarcástico, sejam suas melhores definições.  

- Que tipo de roupa você está usando William? olha pra você parece um mendigo, você é meu filho deve me representar e no mínimo se vestir adequadamente. - Daniel fala com sua voz rígida e forte fazendo os olhos azuis de Louis o fitarem, o homem estava impecável como sempre, com seu terno preto bem passado, uma gravata azul clássica, ele tinha o iPad entre uma de suas mãos e a outra com sua habitual xícara de café, seu olhar era vazio, e duro, ele poderia matar alguém somente com aquele olhar.  

- Eu vou para faculdade pai, não para uma festa de gala. - Louis fala se sentando à mesa. Pegando uma torrada e passado geleia.  

- Você é um Tomlinson deve estar apresentável aonde for. - Daniel continua com sua autoridade inabalável. Louis pensou em mil coisas para dizer naquele momento, sua respiração já estava um pouco acelerada, ele sabia que precisava se controlar quando o assunto era seu pai.  

- Okay, pai me desculpe. - Louis disse respirando lentamente e tentando se acalmar.   

Ele sabia que não podia chatear seu pai e muito menos desrespeitá-lo, mesmo sendo exatamente o que Louis queria fazer agora. O garoto de olhos azuis sabia que ele tinha feito uma escolha e que agora não tinha mais volta.

Louis tentou manter a calma e comer em paz sua torrada com geleia de morango que era sua preferida, mas sinceramente ele não tinha vontade alguma de comer, seu pai sempre o fazia sentir assim, sempre exigia dele algo que Louis não poderia dar, algo que ele não queria realmente fazer, como por exemplo ir a festas de gala e confraternizações de gente rica e mesquinha, que falavam de seus negócios, jatinhos particulares e de suas mansões em vários cantos do mundo, nada daquilo era verdadeiro, tudo era falso, não era isso que Louis queria mas sinceramente nem ele mesmo sabia o que ele desejava.

O garoto de olhos azuis apenas sentia que aquela não era sua verdadeira vida, mas sinceramente, que escolha ele tinha? Aquela era a vida que lhe tinha sido imposta, e ele era obrigado a vivê-la, gostando ou não.  

Louis conseguiu sentir todos os olhares da mesa voltados para ele, fazendo com que ele sentisse o ar ficar pesado e o silêncio se tornar estranho. O menino de olhos azulados levantou lentamente a cabeça deu uma olhada rápida em todos e deu um sorriso forçado, sentindo que tinha atingido seu limite ao receber outro olhar de desgosto de seu pai.

- Tenho que ir, com licença.

Louis não esperou ninguém dizer nada, apenas saiu em passos apressados em direção a sua liberdade mesmo que ela durasse apenas algumas horas, era melhor que a prisão dentro de sua própria casa ou até mesmo dentro de si mesmo. Assim que abriu a grande porta de madeira branca, sentiu os raios solares iluminarem seu belo rosto, Louis soltou um suspiro aliviado.  

- Manhã ruim?  

Louis ouviu uma voz feminina conhecida ao seu lado, o garoto virou o rosto fixando seus olhos na figura a sua frente, visualizando a bela mulher de cabelos pretos brilhantes e longos, agora amarrados em um coque desarrumado, a luz solar destacando ainda mais seus olhos azuis esverdeados, os cílios longos que batiam em suas bochechas rosadas, e em seus lábios finos havia um sorriso de canto encantador.

Jade usava um vestido vermelho liso até os joelhos, meio amassado e com um pouco de terra fresca, por baixo de avental branco e em suas mãos tinham luvas, como sempre. A mulher arrumava-se para cuidar do jardim como quem se arrumava para ir a uma festa.  

- De quem é a festa de hoje? - Louis falou virando-se em direção a ela, tentando esquecer os acontecimentos recentes, a mulher sorriu timidamente.

- A festa hoje são das rosas vermelhas!  - Jade respondeu com admiração.

Ela amava jardinagem, visto que havia abandonado sua brilhante carreira de advogada na Califórnia para se dedicar a terra, estrume, flores e anões de jardim. Louis sorriu com o comentário da moça, Jade trabalhava na mansão a anos, o garoto havia criado um carinho muito grande por ela.  

- E você está vestida de acordo eu suponho. - Louis falou sorrindo agradecendo mentalmente por estar finalmente esquecendo do ocorrido a poucos minutos.   

- Elas exigiram traje vermelho.  - Ambos riram, desfrutando da companhia um do outro.  

  - Lou, não desista! - Jade diz de repente com uma expressão um pouco mais séria, mas os olhos brilhando com um carinho sincero.  Louis a fitou ainda mais, percebendo a preocupação estampada no rosto da mulher, e agradeceu por ela se preocupar.  

- Estou tentando.- Louis respondeu sincero.   

Jade sabia das inseguranças do garoto, ele nunca falava abertamente, mas ela sempre percebeu seus olhares tristes e expressões vazias, Louis mudou muito no último ano, ele se tornou incompleto e incompreendido, um garoto inseguro que precisava de uma segurança, de um porto seguro, depois do acidente Louis se fechou, talvez por causa das perdas, mesmo achando que perdeu apenas um mês de sua vida em coma, ele perdeu muito mais do que isso...  

- Jade ? - Louis interrompe os pensamentos da mulher.  

- O que houve? - ela pergunta confusa por ter viajado em seus pensamentos que jamais deveria pensar em revelar. Olhou em sua direção com olhos arregalados voltando a se concentrar no garoto de olhos azuis.

- Nada, você apenas foi pra outro planeta rapidinho e esqueceu de me levar junto! -  Louis fala sorrindo da cara confusa de Jade. - Eu preciso ir agora Jade, até mais!  

Louis se despede depositando um beijo carinhoso no rosto da mulher que sorri carinhosamente para o garoto.  

- Tchau garoto. -  A mulher de vestido vermelho acena enquanto Louis se afasta, logo desaparecendo de sua vista.  

Jade não sabia por que mas seu coração acelerou, assim que Louis sumiu, como um pressentimento, ela pedia a Deus para que fosse algo bom, já que coisas boas não eram muitos frequentes na vida do garoto de olhos azuis, pelo menos não ultimamente.

Enquanto ele se aproxima do portão principal Louis ouve seu IPhone tocar em seu bolso e o atende rapidamente.  


Chamada On


- Hey Niall, estou saindo, encontro vocês daqui a dez minutos.  

- Ok mano.  - Niall responde calmo do outro lado da linha, Louis logo pensou que ele poderia estar chapado, a julgar pelo tom pausado e não alegre e contagiante do outro lado da linha. Louis sorriu de canto com essa possibilidade. Niall não tinha limites.  

 

Chamada Off


      Louis andava tranquilamente pelas ruas de Doncaster, claro que seria muito melhor está de moto, sentir o vento gelado da manhã em seu rosto bagunçando seus cabelos, mas ele não poderia arriscar, não estando tão perto de casa. "Mas seria somente uma vez, seu pai não iria saber", pensou em seguida, "mas eles têm ouvintes por todos os lados, melhor não arriscar" Louis mais uma vez entrou em um conflito interno, sobre fazer ou não o que o seu pai lhe dizia que era o certo, por algum motivo a opção "errada" sempre parecia a melhor e a mais certa. Mas ele poderia tomar cuidado e só tirar o capacete quando fosse seguro e Niall e Liam o ajudariam.

Os pensamentos de Louis discutiam entre si, como se o seu próprio dono não tivesse nenhum controle sobre eles, antes mesmo que ele pudesse impedir seus pés já se direcionavam em direção a garagem Gallagher.

Sua consciência gritava para que ele desse meia volta e fosse andando em direção ao Starbucks para encontrar seus amigos possivelmente chapados, que certamente estariam impacientes e já no segundo café para curar a ressaca quando Louis chegasse.

Mesmo que ele andasse um pouco demais, o jeito mais seguro era ir andando ou então de carro, mas Louis já tinha planos de usar sua moto, de alguma forma ele já estava mal intencionado assim que pegou as chaves da moto mais cedo, contudo seu coração parecia determinado, e uma parte de Louis realmente não queria pará-lo, e então se deixou levar pelos seus instintos e até mesmo pelo seu coração.

O garoto sabia dos riscos, do que estava em jogo e poderia se arrepender pelo resto de sua vida, se não seguisse as regras do pai. Louis sabia que deixar de lado suas próprias regras e sair por aí de moto em plena luz do dia era colocar sua própria cabeça a prêmio, mas toda a sensação que ele sentia quando estava em cima de sua moto, apenas ele e a estrada, não tinha explicação, aqueles poucos segundos, desde o momento em que ele girava a chave e o motor rugia em uma melodia feroz, até o segundo em que ele sentia as primeiras rajadas de vento, faziam ele se sentir o homem mais livre do mundo, aqueles eram os melhores momentos de sua vida.

As vezes é preciso ter altos e baixos, de outra forma você não saberia a diferença, você precisa de algo ou alguém que te faça sentir as emoções da vida, os verdadeiros altos e baixos, sem eles seria tudo em linha reta e sem graça, e eu te garanto quando rola aquela maldita linha reta baby, você está morto.  

Morto porque não viveu.

Naquele momento de sua vida a única coisa que impedia Louis de viver em linha reta eram suas meninas, sua mãe, seus melhores amigos e suas tão amadas motos. Louis não lembrava de ter tido na vida algo que o fizesse sentir- se livre e em uma estrada com curvas e altos e baixos, talvez aquela sensação do sonho, aquele sentimento que aqueles olhos verdes lhe passavam. Mas bom, aquilo não era real, então pra Louis restavam apenas as suas motos.  

Louis caminhou em passos largos em direção a garagem do Sr Gallagher, parando rapidamente em frente ao belo Jardim que contrastava com a garagem velha ao lado, O garoto não sabia por que Jhon mantinha aquele enorme terreno apenas como um jardim, a área possuía cerca de 100 metros quadrados e Louis suspeitava que naquele lugar já havia sido uma bela casa antes.

Mas hoje era apenas um lindo e simples jardim, onde Jhon gastava horas de seu dia cuidando das belas rosas brancas e das suas tão queridas gardênias, fora as outras flores que eram em menor quantidade .

Uma cerca baixa e branca impedia que desconhecidos entrassem, junto com uma placa, um tanto ameaçadora dizendo " se você entrar, você morre", Louis sorriu como sempre fazia quando lia aquela placa, a imagem que Gallagher passava era de um velho assustador embora ele não fosse nada disso.  

Louis negou com a cabeça ainda sorrindo, ele colocou as mãos nos bolsos da jaqueta jeans e seguiu em direção a garagem onde carros, motos, e bicicletas encontravam- se desmontados e espalhados pelo perímetro.

Louis adentrou sem cerimônia, passando lentamente pelos entulhos adentrando a garagem, aos poucos revelando um senhor sentado em uma velha poltrona com uma xícara na mão e o jornal em outra, um macacão preto cheio de graxa vestia seu magro corpo, o de olhos azuis se aproximou até então, sem ser notado.  

O senhor Gallagher com toda certeza assustaria qualquer criança que entrasse por aquela porta, com seu rosto quase completamente queimado do lado esquerdo, seu corpo sem músculos e seu aspecto envelhecido mesmo ele não sendo tão velho quanto aparentava, mas com certeza não eram atrativos.

Por esse motivo talvez Jhon fosse tão solitário, mas Louis se identificava com ele, talvez por conta da solidão ou por ninguém conseguir ver o interior dele por causa do estereótipo exterior.

Embora todos já tenham ouvido que as aparências não importam e sim o que há no interior de cada pessoa, na prática as coisas não funcionam bem assim, as aparências importam sim, e o interior mais ainda, porém poucos conseguem ver realmente.   


" I've had it here, being where love's a small word  

A part time thing  

A paper ring  

I know it's been done havin'  

One girl who love me  

Right or wrong  

Weak or strong" 

  

Louis conheceu Jhon dois meses depois que ele saiu do coma, era uma madrugada, o garoto havia descoberto as corridas sem compromisso que aconteciam do lado norte de Doncaster, nesta noite ele ganhou a corrida como sempre acontecia. Louis era realmente bom quando o assunto eram as motos.

Ele escondia suas três motos na casa de Liam, considerando que os pais de seu amigo passavam mais tempo viajando que em casa, ele se sentia seguro para guardá-las em sua garagem, no entanto nesta noite o universo parecia estar contra ele, ou ao seu favor considerando que ele conheceu Jhon.

Os pais de Liam voltaram mais cedo de uma viagem ao Caribe à negócios. Louis surpreendentemente perdera seu celular, o de olhos azuis achou que tivesse sido roubado ou deixou-o cair enquanto pilotava, assim que saiu da corrida foi em direção à residência dos Payne, o garoto já tinha uma cópia da chave da garagem e quando viu o carro dos pais de Liam, associou rapidamente os acontecimentos.

Louis procurou em seu casaco jeans pelo seu iPhone percebendo que o havia perdido, certamente Liam o mandara várias mensagens avisando da chegada surpresa de seus pais, Louis se xingou mentalmente ao perceber seu descuido. Pensou em ligar para Niall, mas logo achou que estava muito tarde, e nenhum de seus amigos eram culpados pelos seus caprichos.

Então ele andou pelas ruas, e para piorar ainda mais sua situação e seu desespero a moto ficou sem gasolina, Louis se xingou sozinho em meio às ruas desertas naquele dia, estava começando a aceitar sua merda de vida, quando avistou de longe um local, como uma garagem com as luzes acesas, Louis não acreditava em milagres, mas naquela noite nunca precisou tanto que um acontecesse. E ele veio, e era Jhon Gallagher.  

- Jhon? - Louis saiu de seus pensamentos lembrando que precisava ir até os seus amigos antes que eles viessem atrás dele e o puxassem pela orelha por estar sempre tão atrasado. O que ele poderia fazer? pontualidade não era seu forte.

O senhor abaixou o jornal, já reconhecendo a voz conhecida do garoto rico e petulante que ele de alguma forma gostava, mas é claro que não diria isso a ele, nem sob tortura, ele o  olhou de cima a abaixo, sem demonstrar expressão alguma, Jhon tivera mágoas no passado, Louis não sabia quais, mas a julgar pelo seu comportamento nada sociável, e sua escolha de vida de manter-se longe dos seres humanos, não era muito difícil adivinhar que o velho teve um passado triste e conturbado, mas Louis não o culpava, as vezes a melhor companhia é a si próprio, a felicidade de cada um não está em outras pessoas e sim em si mesmo.

- Oi garoto! - O velho respondeu em seu tom de voz habitual profundo e sério. Ele era um homem de poucas palavras.  

- Preciso da Suzuki.  

- Pela manhã? - Jhon jogou seu jornal de lado e arqueou a sobrancelha. Pensando que Louis estava louco de vez.  

Se Louis não o conhecesse, diria que Jhon estava  preocupado com ele, ou até estava mas preferia não demonstrar. Louis sabia que o velho não se via como ele o via, um homem sofrido, que aparentava ser um monstro mas era gentil e sensível por dentro, e como ele tentava não ser nenhum desses últimos. Louis o via como um amigo que o ajudava sempre que precisava, o de olhos azuis nunca diria mas tem um grande afeto por ele.  

- Yeah, está preocupado comigo? - Louis sorriu com deboche, desafiando Jhon a se preocupar.  

O velho fez uma careta, franzindo suas sobrancelhas, o que fez Louis rir, sua gargalhada ecoando por toda a garagem, ele fechou os olhos mostrando suas ruguinhas nos cantos dos olhos e se curvou pra frente se apoiando em seus joelhos e debochando ao lembrar-se de novo da careta desacreditada de Jhon.

Quando Louis voltou a abrir os olhos, e a respirar normalmente, recuperando-se de seu ataque de risos. Pensando que fazia muito tempo que ele não ria daquele jeito, Jhon mantinha o jornal em frente ao seu rosto, ele poderia estar sorrindo, Louis pensou.   

- Você sabe o caminho. - Jhon falou com a voz autoritária sem tirar o jornal da frente do rosto.  

- Sim senhor capitão rabugento! - Louis bateu continência como um soldado e seguiu marchando para o fim da garagem, em direção a uma grande porta de alumínio.   

A porta escondia outra parte do galpão, uma parte mais organizada, ele diria, assim que abriu, o cheiro de flores invadiram suas narinas, o espaço era grande, havia uma mesa redonda com duas cadeiras uma de frente para outra com um jarro de flores no centro, ele diria que eram gardênias, eram as preferidas de Jhon, um sofá pequeno surrado, e uma minúscula TV ao fundo, alguns quadros de carros luxuosos e motos enfeitavam as paredes, o chão estava limpo e cheirando a um forte desinfetante e brilhava mais que os sapatos do pai de Louis.

A sua direita havia uma pequena cozinha, um armário branco, um fogão e um frigobar enferrujados, estavam encostados na parede. No fim da salinha uma outra porta que certamente era o banheiro, e logo ao lado as três motos de Louis estavam em fila encostadas na parede, uma depois da outra cobertas por uma capa preta cada uma, uma Aprilia Tuono, uma Suzuki e uma Harley.

Louis amava aquelas motos, elas eram como suas filhas. Uma de suas poucas alegrias, a Harley com seu estilo monstruoso fazia Louis se lembrar dos momentos de adrenalina e radicalismo que ele passou em cima dela, como quando ele decidia sair em plena madrugada pela cidade em alta velocidade apenas para chamar atenção da polícia e começar uma perseguição. Que seu pai nunca soubesse disso!

Mas Louis adorava fazer isso, mesmo ele não sabendo o porque, e é claro que Louis nunca era capturado, não com uma moto daquelas, ela era um verdadeiro monstro e ele adorava defini-la assim, seus pneus gigantes e seu escapamento duplo, seu motor de 1.200 cilindradas e sua cor completamente preta contribuíram para isso.

A Suzuki já possuía um charme mais delicado, nas cores azul e branca, ela transmitia paz e levava Louis aos seu momentos de plenitude, quando ele acelerava no auge dos seus mais de 200 km/h em uma estrada perfeita, Louis se sentia pleno como se pudesse viajar pra outra dimensão, a velocidade o fazia sentir coisas inexplicáveis.

E por fim a Tuono, que significa trovão em italiano, geralmente essa era a moto que Louis usava em suas corridas, pois ela era a mais tecnológica, seus freios ABS eram perfeitos, seu sistema de controle de tração de oito níveis, o controle de largada utilizado especialmente para corridas e o quickshift que permite Louis trocar as marchas sem diminuir a velocidade faziam com que ela fosse perfeita pra levar Louis para outro mundo, um mundo azul brilhante como a cor dela, um mundo onde ele pudesse ser ele mesmo.

Era por isso que as a motos significavam tanto pra Louis, cada uma simboliza algo, um momento, um sentimento. O garoto caminhou ao lado de cada uma delas passando a mão sobre as capas pretas, finalmente chegando a última, Louis puxou de uma vez a capa plástica, revelando sua Suzuki - GSX R1000, talvez hoje era um bom dia pra se sentir pleno sobre ela.  

Ele foi até o pequeno quartinho que ficava ao lado da porta do banheiro e pegou um capacete preto com alguns detalhes brancos, sua viseira completamente escura não permitia que ninguém visse o seu rosto. Era perfeito!

Louis abriu a porta dos fundos que levava direto para outra rua atrás da garagem de Jhon, ele subiu na moto e colocou o capacete, já girando a chave na ignição e acelerando alto pra que Gallagher soubesse que ele estava de saída e voou em direção ao Starbucks para encontrar seus amigos chapados e certamente furiosos com ele.  

  


Notas Finais


🎵Música tema de Jhon Gallagher  
Solitary Man - Jhonny Cash  

 

Muitos acontecimentos estão por vir na vida de Louis, O que vocês acharam?¿? Queremos ler os comentários migos.


🔈Não deixem de ouvir a música tema do capítulo , para facilitar aqui está o link

https://youtu.be/Sfg9ssS8chg


É isso...
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Até logo  

bjusssssss  


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