História Wounds - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Palavras 1.990
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 9 - Punch


Os primeiros raios de sol da manhã começam a clarear o quarto enquanto eu permaneço no mesmo lugar: sentada no tapete fofinho, recostada na cama e com os olhos ainda arregalados na direção da porta de vidro, de onde consigo ver claramente o céu ganhando tons de rosa e laranja depois de uma madrugada de chuva forte.

Em meu peito meu coração bate absurdamente acelerado e o ar entra e sai com extrema dificuldade, me trazendo uma dor angustiante, já a minha mente faz questão de me recordar a todo instante que nada voltará a ser como antes.

Com relutância, me levanto e me arrasto até o banheiro, onde acendo a luz e me apoio na pia, encarando meu reflexo destruído no espelho. Os olhos inchados e vermelhos, olheiras profundas, a tinta preta do rímel escorrendo pelas bochechas e o vestido preto que usei no funeral agora está completamente amassado pelo fato de eu não tê-lo tirado desde então.

Com dificuldade, me inclino na pia e sem força alguma nas mãos, coloco o creme dental na escova e começo a escovar os dentes mas meus dedos ao menos conseguem segurar a escova sem que ela vacile e caia. A mão engessada ao menos se move e a outra dói tanto quanto, mas depois de um longo tempo tentando, enxáguo a boca e lavo o rosto, me assustando com a temperatura gelada da água.

Mesmo sentindo minhas pernas trêmulas, caminho para fora do banheiro e passo tropeçando em meio às malas esparramadas pelo chão, saindo silenciosamente do quarto. Nas pontas dos pés, vou até o quarto de Shawn e me aproximo o máximo que consigo da porta, conseguindo assim ouvir seus soluços.

Pressiono os olhos e engulo em seco. Quando eu estava na sétima série e ele no primeiro ano, nós começamos a planejar nossa vida após a escola. Quando se formasse, ele me esperaria pelos dois anos para que pudessemos ir juntos para Nova Iorque começar a faculdade e alugar um apartamento no Upper East Side. Ele seria Chuck Bass e eu, Blair Waldorf. Só que, infelizmente, nossos planos aconteceram mais cedo do que previsto e pelo pior motivo possível.

Conviver aqui com ele será uma tortura. Jamais conseguirei olhar para ele sem lembrar de tudo, sem me sentir mal, sem me culpar. Eu deveria ter ido atrás dele, deveria ter insistido em tentar conversar, não deveria ter me deixado abalar pelas coisas que vi e ouvi. Eu deveria ter ido atrás dele quando os boatos chegaram até mim, deveria tê-lo ajudado enquanto ainda havia tempo, mas não, a minha covardia e o medo absurdo de ser ignorada falaram mais alto. Talvez se tudo tivesse sido diferente, nada disso teria acontecido, nós não estaríamos aqui agora, nossas casas estariam intactas e Aaliyah estaria ajudando tia Karen a fazer o famoso bolo de carne com queijo.

A vida de Shawn está prestes a começar do zero e apesar de saber como é ter que passar por isso, eu não tenho ideia do que posso fazer para ajudá-lo, se é que há alguma coisa que eu possa fazer.

Um pouco hesitante, abro a porta e encontro um quarto extremamente escuro, um único feixo de luz que sai por entre as cortinas. Devagar, me aproximo da cama e me sento no espaço livre, me arrastando e esticando o braço, procurando por ele. Minha mão encontra seu rosto e o acaricia com cuidado, subindo para sua cabeça e enterrando os meus dedos em meio aos fios castanhos macios. Sem enrolar, Shawn traz o seu corpo até próximo do meu e me abraça com força, desabando mais uma vez.

Meu coração se aperta e eu agradeço pelo cômodo estar escuro e não podermos nos olhar nos olhos.

O bolo se forma outra vez na minha garganta e tento contê-lo com todas as forças. Agora eu preciso ser mais forte do que nunca para ajudá-lo e fraquejar o tempo inteiro perto dele não o ajudará em nada.

- Eu estou aqui. – sussurro, recebendo como resposta um soluço alto. Suas lágrimas não demoram para enxarcar o tecido do meu vestido, deixando-o a ponto de ter que torcer.- Você precisa descansar, dormir um pouco. – sugiro com a voz embargada.

- Eu não consigo. – ele finalmente diz algo.

- Eu sei que é complicado mas você precisa tentar. – digo, usando ainda o mesmo tom. – Eu vou buscar uns analgésicos e já volto, tudo bem? – indago vendo-o assentir.

Shawn se senta e eu aproveito para me levantar. – Tente tomar um banho, pode te ajudar a relaxar.

- Haiz... – ele choraminga e antes que eu vire para sair do quarto, ele passa os braços em torno do meu quadril e me aperta com força. – Não me deixa sozinho aqui, por favor. – ele pede baixinho.

- Eu não vou te deixar, Shawnie. Eu não vou te deixar nunca. – digo, não conseguindo esconder a dor que reside em minha voz. – Eu só vou pegar água.

- Não vai. – repouso carinhosamente minhas mãos em seu maxilar, virando seu rosto na minha direção.

- Vamos fazer um acordo. Eu vou até a cozinha preparar algo para comermos, você toma banho e depois, eu venho deitar com você. – digo afagando seu cabelo e ele finalmente abre os olhos para mim.

- Não, você não pode. A sua mão. – diz, encarando o gesso branco e fazendo uma careta.

- Claro que posso. Eu ainda consigo fazer miojo com uma mão. – digo, vendo-o abrir um sorrisinho discreto.

- Eu não vou deixar, você pode se queimar. – insiste, ainda sem me soltar.

- Você continua tão teimoso. – reviro os olhos. – Tome seu banho e depois decidimos o que fazer. – ele assente e se levanta, segurando agora o meu rosto por entre suas mãos quentes e depositando um beijo longo na minha testa.

Quando ele vai para o banheiro e fecha a porta, caminho até a sacada e abro a cortina, sendo quase cegada pela luz forte do sol que me atinge diretamente nos olhos. Depois de me acostumar com a claridade, me viro e começo a dobrar a roupa de cama abarrotada, deixando tudo perfeitamente organizado. Arrumar as coisas sempre me ajudou a diminuir o estresse e agora, é tudo que eu preciso.

Ao acabar, desço a pequena escada e me jogo direto no sofá, sentindo meu corpo se afundar so material macio. Fecho os olhos e repouso o meu braço esquerdo sob o meu rosto, sentindo-o ainda mais pesado do que o outro envolvido pelo material bruto.

A campainha toca e em um impulso, começo a enxugar as minhas lágrimas que ameaçam cair com a manga do moletom cinza. Meio tonta por conta do sono que finalmente chega, me levanto e caminho com dificuldade até a porta já que a minha visão extremamente embaçada insiste em me atrapalhar. Ao girar a maçaneta e abrir a porta sem ao menos olhar através do olho mágico, sentindo imeadiata e absurdamente as minhas pernas vacilarem.

- Oi, Haiz.- sua voz soa baixa e seus olhos parecem buscar pelos meus, estes que não conseguem desviar sua atenção do chão branco impecável. Quando finalmente levanto a cabeça e consigo olhar em seu rosto, Samuel abre os braços. Sinto como se estivesse sendo atraída por um imã no instante em que o abraço sem hesitar. Qualquer demonstração de afeto agora é bem vinda. – Eu sinto tanto. – ele sussurra em meu ouvido, acariciando as minhas costas. – Me perdoe por vir tão cedo.

- Tudo bem. – digo com a voz embargada mas me afastando e fitando seus olhos. – Por onde você esteve? Eu não te vejo desde que..

- Em Atlanta. – ele me interrompe.- Precisei resolver uns assuntos. Me senti um merda quando soube o que aconteceu e por não ter podido estar aqui com você. Eu fui tão babaca na última vez que nos vimos. Eu nunca fiquei com a consciência tão pesada. – diz, claramente nervoso. – Eu gosto tanto de você mas, como sempre, estraguei tudo.

- Sam, por favor, não vamos falar sobre isso agora. Não é um bom momento. – peço.

- Eu sei, me desculpe. É que eu percebi que xingar o cara que você sempre foi apaixonada não iria me ajudar em nada. – ele diz e eu arregalo imediatamente os olhos.

- De onde você tirou isso? – minha voz vacila.

- Do jeito que você o defende com unhas e dentes, não é muito difícil perceber. – diz, me fazendo tremer. – E todos nós também sabemos o quanto ele é louco por você, ele só não demonstra. O que de certo modo é bom e me ajuda a ter mais chances. – ele abre um sorriso e eu sinto um frio atravessar a minha espinha. – Onde ele está agora? Imagino que tenha saído da cidade já que o pai...

- Procurando por mim, Wilk? – ouço a voz de Shawn bem atrás de mim. Merda. – O que você está fazendo aqui? Como você conseguiu nos encontrar?Ninguém sabe que estamos aqui. – Shawn dispara cruzando os braços, deixando os músculos à mostra.

- É aí que você se engana. O Colson já espalhou para todo mundo. – o outro retruca. – Vim ver como a Hailee está.

- Já viu, agora você já pode ir. – o canadense diz, ríspido.

- Ah, eu gostaria de ficar um pouco. – Samuel força um sorriso para Shawn e se joga no sofá.

- Não, você não vai ficar. – Shawn o puxa pela gola da camisa com força, obrigando-o a ficar de pé outra vez.

- Tire suas mãos de mim, Mendes! – grita, se soltando.

- Eu mandei ir embora, Samuel. Agora. – ele rosna para o garoto que parece transtornado agora. – Não te quero aqui, você sabe muito bem disso.

- Eu não ligo para o que você quer, o que importa é a Haiz. Se ela quiser que eu fique, eu fico. – diz, abrindo um sorriso confiante e se virando para mim.

- Haiz? – Shawn me fita, uma sobrancelha erguida.

- Me desculpe, Sam. É melhor conversarmos outra hora, precisamos de um descanso. – digo, sentindo minhas mãos suarem.

- Qual é, Haiz. Eu vim direto do aeroporto ficar com você. – ele dá um passo para frente e eu me afasto em um impulso.

- Ela não quer, você não percebeu?

- Cale a boca! Ela não precisa que você fale por ela! – o tom de voz de Samuel soa mais alto agora, me deixando apreensiva.

- Shawn tem razão. – digo quase em um murmuro.

- Merda! – ele pragueja e então sinto o corpo quente se aproximar do meu e envolvê-lo carinhosamente. – Ótimo. Faça bom proveito do pequeno órfão. – ele se vira para sair. Sequer tenho tempo de tomar fôlego, quando dou por mim, Samuel está estirado no chão com a mão repousada no rosto onde há um corte causado pelo anel de prata de Shawn. – Ah, seu... – ele bufa e no segundo seguinte, pula na direção de Shawn, empurrando-o contra a parede e acertando com um soco no olho.

- Samuel, para! – grito, apavorada. – Que caralho! – vou pra cima dele, puxando-o pelo braço e tentando em vão afastá-lo.

- Você ainda sabe bater, bom saber. – provoca ao abrir um sorriso e então revida com um soco na têmpora de Samuel, deixando-o imediatamente tonto, porém, infelizmente, não por muito tempo. Ele se levanta e no instante em que vejo-o com os punhos cerrados, entro na frente de Shawn, mas não demora para que eu esteja no chão. Minha cabeça gira e eu sinto imediatamente o gosto de sangue na minha boca que dói com o simplesmente movimento de tentar lamber o lábio.

- Haiz, me desculpe. – ouço a voz de Samuel e mesmo com a visão danificada, consigo vê-lo ao meu lado.

- V-vai embora. – minha voz vacila.

- Eu não queria te machucar... – ele começa a ficar aflito.

- Sam... – choramingo. Ouço-o bufar e de relance posso vê-lo se levantar e limpar a boca na mão enquanto me encara.

- Nós ainda temos muito o que conversar. – ele rosna e sai, batendo violentamente a porta.


Notas Finais


NÃO ME MATEM POR DEMORAR A POSTAR, MATEM O SAMMY.

Não vou dar previsão de cap novo porque não quero iludir ninguém dizendo que vou postar tal dia porque posso acabar não postando e ficando de consciência pesada por isso.

Comentem pra me deixar feliz.

E por fim...

HAPPY BIRTHDAY SHAWN FUCKING MENDES ♡♡♡♡♡♡♡♡♡♡

Xoxo Kah


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