História Wrapped Around Your Finger - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casais, Drama, Fofo, Original, Romance
Visualizações 15
Palavras 5.385
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Fluffy, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Dizem que quem é vivo sempre aparece né? hdkjfg
Primeiramente queria pedir desculpas mais uma vez pelo chá de sumiço, mas tive um motivo bem grande para tal, me explico melhor nas notas finais ok?
Antes de você partir pra leitura fica o avisinho de que esse capítulo se passa alguns meses no futuro,aproximadamente uns três e inicia uma nova fase de WAYF, pretendo trazer o próximo capítulo o quanto antes pra vocês.
Se você ainda lê essa história, muito obrigada mesmo pelo carinho e espero que esteja gostando.
Boa leitura!

Capítulo 12 - Jinx


Fanfic / Fanfiction Wrapped Around Your Finger - Capítulo 12 - Jinx

- Sai.

Charlotte me olhava com os olhos azuis arregalados. Os lábios entreabertos.

- Ally, eu...

- CHARLOTTE, POR FAVOR! – Gritei com os olhos marejados, apontando a porta logo atrás dela.

Então minha melhor amiga, aquela que eu conheço desde que consigo me lembrar, aquela com quem eu divido tudo, inclusive um teto, agarrou sua bolsa de couro claro antes de sair pela porta.

E foi.

***

Ok, acho que não comecei a contar a história no melhor momento possível. Vamos voltar alguns dias no tempo, quando tudo não era uma enorme merda.

Estranho dizer isso, mas de alguma forma sofrer um acidente de carro fez muito bem pra mim e para minhas relações. Fiquei ainda mais próxima de Charlie (o que eu não acreditava que era possível), dos meus pais, de Ashton - que constantemente me mandava mensagens perguntando se eu precisava de alguma coisa quando sabia que eu estava sozinha - e lógico, me aproximou mais de Tyler. Com cada dia que passava eu me sentia mais apaixonada pelo ruivo.

Tyler me ajudou milhares de vezes a me vestir quando meu braço ainda estava engessado. Aprendeu a cozinhar algumas coisinhas para que nós não sobrevivêssemos só de pizza e comida congelada. Me levava para todos os lados. Sentia como se ele fosse Astro Rei do meu sistema solar, e eu um pequeno planetinha orbitando e apreciando sua luz e seu calor. Era quase impossível não estarmos nos mesmos lugares. Alguns sites especularam ainda mais sobre nós dois depois do que aconteceu no meu aniversário, mas não nos escondemos. Bem, também não nos assumimos, mas depois de muita conversa, chegamos à conclusão de que não precisávamos de rótulos e ponto.

Eu não podia estar mais feliz. Pelo menos até aquela quinta-feira.

Tyler e eu estávamos caminhando do restaurante Taiwanês no qual havíamos jantado aquela noite até uma gellateria há algumas quadras do local, o braço do ruivo envolvendo minha cintura, quando achei que tinha visto um rosto familiar por perto. Um par de olhos azuis, grandes como bolas de tênis. Meu cérebro levou alguns segundos para conseguir trilhar o caminho até onde eu sabia que conhecia aquela garota. Isabella. A namorada do amigo do meu ex-namorado. Desejei que ela não me visse, mas aparentemente a vida funciona ao contrário alguns dias, então justamente o oposto aconteceu.

Isabella abriu um sorriso largo para mim, antes de se virar rapidamente para trás e avisar alguém que eu ainda não havia reparado. Joseph. O amigo do meu ex-namorado. Ele também sorriu quando me viu. Imitei o gesto, acenei meio sem jeito. Esperei que eles dessem meia volta e seguissem seu caminho, mas é claro que eles estavam vindo na minha direção. Na nossa direção.

- Allison! Há quanto tempo! – Me desvencilhei do braço de Tyler antes de cumprimentar Joe e Isabella com um abraço rápido.

- Não é? – Respondi sem graça – Hum... Joe, Isabella, esse é Tyler, meu amigo.

Introduzi os três rapidamente e senti os olhos de Tyler em cima de mim. Torci para que fosse só impressão minha. Se aquilo de fato aconteceu, o casal na nossa frente não percebeu nada.

- Tyler? Você é o Max de “Six of Us”, não é? – Joe disse sorrindo enquanto apertava a mão do ruivo. Era engraçado observar as diferenças dos dois tão de perto. Tyler era quase o dobro de Joseph no quesito massa muscular e um meio metro mais alto.

- Isso mesmo. – Ty ria cumprimentando o casal. Não tinha certeza se era um riso forçado como o meu, mas ainda sentia que ele me olhava de vez em quando – É um prazer conhecer vocês.

- Nós adoramos a série, vocês estão fazendo um ótimo trabalho! – Isabella comentou, entrelaçando seu braço com o do namorado que mantinha o sorriso no rosto. Havia me esquecido o quanto Joseph sorria.

Ty e eu agradecemos ao mesmo tempo, e conversamos por mais alguns segundos que me pareceram milênios, antes que a garota lembrasse para o rapaz sorridente que os dois deviam encontrar um grupo de amigos em poucos minutos. Nos despedimos. Tyler não perguntou nada. Também não voltou seu braço para minha cintura. Quando tentei segurar sua mão, ele a guardou no bolso da calça jeans.

Silêncio na gellateria.

- Posso provar o seu? – Disse apontando para o cone cheio de sorvete que Ty segurava.

- Aham.  – Respondeu esticando o braço para deixar o cone a centímetros de minha boca. Provei. Morango com marshmallow, bastante doce. Me lembrei de alguém que não iria gostar daquele sabor, mas logo fiz aquele rosto voar para fora dos meus pensamentos.

- Hum, - Soltei limpando os lábios com um guardanapo de papel. Quando olhei para Ty, esperei que estivesse sorrindo. Errada mais uma vez – prova o meu.

Eu disse imitando a ação que ele havia feito segundos antes. Algumas mechas de seu cabelo caíram levemente para o lado enquanto virava a cabeça para que seu nariz não tocasse o sorvete e não consegui não sorrir.

- Azedinho. – Soltou quando voltou a sua posição normal, ainda lambendo os lábios – E um pouco doce também. Limão com suspiro?

- Ponto para você. – Respondi com um sorriso, apontando minha colher plástica para ele.

Silêncio novamente.

Observei a decoração do local. As plaquinhas com frases escritas em italiano, das quais eu não entendia nada. As famílias reunidas nas minúsculas mesinhas de ferro, todos com sorrisos estampados em seus rostos. Claramente nossa mesa com duas pessoas destoava o clima do ambiente. Eu queria muito dizer alguma coisa, puxar uma conversa, mas sabia que não renderia nada, então comecei a tentar entender o que as placas nas paredes me diziam:

“Você fez uma burrada!” Dizia uma logo sobre a porta. Sim placa, eu sei.

“Qual o seu problema, Allison?” Era uma próxima de nossa mesa. Boa pergunta placa.

“Amigo? Sério mesmo?” Era outra ao lado do caixa. Foi uma escolha infeliz de palavras placa, relaxa.

- Quem eram os dois? – Tyler soltou sem me olhar, me tirando de minha conversa com as placas que eu não sabia traduzir.

- Amigos do Joshua. – Tentei soar casual, mas acho que apenas deixei mais na cara o quão nervosa eu estava. Tão nervosa que tive vontade de fumar pela primeira vez em meses.

- Faz sentido. – Soltou baixo antes de limpar as mãos com um guardanapo – Vamos?

Antes que eu pudesse responder, Ty já estava de pé, buscando a chave do carro em seu bolso traseiro.

Mais silêncio no caminho para meu apartamento.

Ele sabia que Charlie não estaria em casa, Ashton já o havia avisado que iriam ao cinema, e não quis subir. Se despediu de mim com um beijo em minha testa e saiu rápido. Sem a mensagem costumeira para me avisar que havia chegado bem em casa. Apenas silêncio

 

***

- Acho que fiz bosta.

Eu falei logo depois que ouvi a porta de entrada se abrir, e então fechar. Sabia que era Charlie, reconheceria o som de seus sapatos de salto sobre o piso de madeira em qualquer lugar do mundo (e claro que só ela tem a chave do apartamento além de mim).

- O que aconteceu? Caramba Ally, você dormiu? Sua cara tá péssima. – Perguntava enquanto tirava os saltos dos pés e os deixava ao lado do sofá, onde me encontrava deitada, o rosto virado para o teto, apesar da TV ligada.

- Obrigada. Tyler está bravo comigo. E eu não dormi. Na verdade dormi umas duas horas no total.

Me sentei abraçando meus joelhos assim que Charlie se acomodou ao meu lado com uma careta de desconfiança no rosto.

- Não consigo imaginar Tyler bravo com você, mas ok.  Conte-me tudo.

E eu contei. Falei do encontro com Joseph e Isabella, e como parecia que os dois sempre me traziam um tipo de azar (mesmo que nas duas vezes a culpa não fosse dos dois). Falei do péssimo uso de palavras que eu fiz e do silêncio quase palpável que veio em seguida.

- Ok, agora eu consigo imaginar Tyler bravo com você.

- Eu sempre estrago tudo. – Soltei com o rosto enfiado em meus joelhos.

- Ei, – Charlie fazia carinho nas minhas costas com os dedos finos – também não é assim. Não posso dizer que ele não tem motivo para se chatear ou está exagerando, mas isso não significa que você estragou tudo! É só um probleminha, pense nisso como um buraco numa estrada. É incômodo passar por ele, certo? Mas a estrada continua aí, esperando por você, não faz sentido você dar meia volta no primeiro buraco.

Depois de alguns segundos arrumei minha postura, e respirei fundo antes de dizer:

- Não sei se é minha privação de sono falando, mas isso faz bastante sentido.

- É claro que faz sentido fofa, sou eu falando. – E ria me abraçando os ombros – Claro que esse provavelmente não vai ser o último buraco na estrada de vocês, mas tenho certeza que a viagem vai ser ótima.

- Jesus Cristo, o que tá acontecendo que você tá toda poética hoje?

- Amor, minha querida amiga. – Me respondeu saltando do sofá antes de me lançar uma piscadela e rumar para seu quarto.

- Por falar em amor, Ash tá bem? – Falei em um tom de voz mais alto para que ela pudesse me ouvir apesar da distância.

- Sim, – conseguia ouvir sua voz abafada, provavelmente trocava de roupa no momento – tenho uma coisa pra te contar, aliás.

Sentia minha cabeça leve e pesada ao mesmo tempo, minha linha de raciocínio estava lenta e demorei alguns segundos para me dar conta que Charlie havia me respondido.

- Por um acaso você não tá grávida né? – Perguntei em um tom zombeteiro. Silêncio – Charlie?

Mais silêncio.

- CHARLIE?

Uma parcela de mim estava realmente preocupada que isso fosse a coisa a ser contada, levando em conta o silêncio, mas a quantidade de sono que eu acumulava agia sobre mim como uma corda me prendendo ao sofá.

- Nossa, não Allison. Não quero ser mãe tão cedo não. – Finalmente ouvi a voz em resposta e os passos agora bem mais leves em direção a onde eu estava. Eu ri de olhos fechados.

- O que é então? – silêncio – Charlotte eu estou dopada de sono e de olhos fechados, mas eu sei que você está aí.

- Ashton me pediu pra ir morar com ele.

Meu sono estava realmente atrapalhando meu raciocínio e meu entendimento. Enquanto eu tentava abrir os olhos, soltei um “Hãn?”.

- Ashton me pediu para ir morar com ele. Tipo, o quanto antes.

Finalmente liguei os pontos e me sentei em um salto, piscando os olhos rápido demais por culpa da claridade.

- Isso é enorme!

- Eu sei! – Minha amiga ria. Nos muitos anos de amizade que temos, já vi Charlie muito feliz. Já a vi apaixonada. Já a vi animada. Mas honestamente, nunca a vi tão feliz, apaixonada e animada com a vida quanto desde que os dois se conheceram.

- E o que você disse? – Eu sorria, mas não tinha certeza se estava feliz. Eu deveria, certo? É a minha melhor amiga, claramente feliz, então como eu poderia estar na dúvida sobre estar feliz ou não?

- Eu quis aceitar, mas achei que deveria falar com você antes. – Provavelmente minha expressão de profunda confusão foi bem mais evidente do que eu achava que era, porque ela rapidamente continuou – Você nunca morou sozinha, e nós sempre dividimos todas as despesas daqui, eu me senti na obrigação de te consultar antes.

Charlotte sendo Charlotte.

Sempre colocando meus sentimentos em primeiro lugar. Acima até dos dela. Novamente não sabia o que sentir. Deveria me sentir de certa forma honrada por ter alguém que se preocupa tanto assim com o meu bem estar, ou culpada por descobrir que ela acredita que a felicidade dela de algum jeito depende da minha aprovação?

- Meu Deus, Charlie, você já devia ter aceitado! – E continuei antes que ela pudesse me interromper: - Eu tenho 22 anos cara, vou conseguir me virar sozinha. E dinheiro não é um problema, pelo menos não mais. Eu só quero que você seja feliz! – Disse antes de abraça-la apertado.

Minha amiga sorria largo com lágrimas brotando dos olhos. Ela estava feliz, e só isso importa.

***

Já era o dia seguinte. Caí no sono no sofá mesmo, praticamente não havia saído de lá durante o dia todo, mas também não conseguia dormir. Acordei me sentindo observada. Senti que algo roçava de leve sobre minhas bochechas.  Mal havia aberto os olhos quando dei de cara com Ashton, o rosto quase colado ao meu, os olhos arregalados e um sorriso que você espera ver no Coringa. No susto quase meti minha testa na dele, que por sorte se levantou mais rápido do que eu.

- QUAL-É-O-SEU-PROBLEMA-ASHTON? – Falei rindo enquanto o empurrava com meus pés. Acho que nunca o vi rir daquele jeito. Seus cabelos balançavam como se acompanhassem o ritmo de sua risada. Eu odeio levar susto, mas não tinha como não me divertir com aquilo. Era ele, afinal de contas.

- Bom dia dorminhoca. – Soltou enquanto se sentava ao meu lado, prendendo o cabelo em um coque bem mal feito – Boa tarde na verdade né, já são duas da tarde.

Dei um tapa na minha própria testa. Se não havia estragado tudo com Tyler antes, agora era oficial.  Era para nós quatro termos saído para almoçar. E eu perdi o almoço por estar dormindo. Muito bom, Allison.  

- Relaxa, ele não foi. – Seu tom de voz parecia um pouco decepcionado – Ah é, Charlie te trouxe um sanduíche, tá em cima do balcão da cozinha.

- Valeu. – E dei um tapinha em sua perna coberta por uma calça jeans justa. Eu sentia como se uma enorme nuvem negra, daquelas típicas de tempestade, estivesse bem acima da minha cabeça. Pronta pra descarregar tudo o que tinha.

- Você tá de boa?

Olhei para o lado, Ashton estava com a lateral do rosto apoiada no estofado. Pela primeira vez eu o via falando a sério comigo, realmente parecia preocupado.

- Sobre a Charlie ir embora ou sobre o Tyler bravo comigo?

Não conseguiria falar sobre nenhum desses assuntos olhando-o diretamente nos olhos, então escorreguei até deitar a cabeça em seu colo e pisei na parede gelada que estava na minha frente.

- Os dois. – Sentia seus dedos passeando por meu cabelo. Era estranho e muito legal ao mesmo tempo ter ele me fazendo carinho. Ashton não é a pessoa mais fofa do planeta, se é que você me entende.

 Respirei fundo.

- Eu tô feliz por vocês dois. De verdade. Claro que vai ser estranho morar sozinha no começo, depois de tanto tempo juntas, mas não é nada que eu não vá me acostumar com o tempo .

Da sala conseguia ouvir sons de cabides e gavetas sendo abertas e fechadas no quarto de minha amiga. Presumi que estava começando a mudança.

- E você mora aqui pertinho cara, vou aparecer na tua porta dia sim e dia também. –Nós dois rimos. Ashton continuava me fazendo um cafuné. Desejei que fosse no colo de Tyler que eu me deitava. Alguns segundos de silêncio depois, ele continuou:

- E quanto ao Tyler?

Precisei respirar fundo mais uma vez.

- Eu tô com muito medo de ter perdido ele. – Por mais que eu estivesse me esforçando, não consegui conter as lágrimas.

- O Tyler te ama muito Ally. De verdade. Você não tem ideia do estado que ele ficou quando vocês se envolveram naquele acidente. Ele tava desesperado, nunca tinha visto ele chorar até aquele dia.

Eu ainda me lembrava muito bem daquela noite. Como tudo estava indo às mil maravilhas, até que um babaca furou o sinal vermelho e acertou o carro de Ty em cheio. Lembrava da voz de Tyler sumindo aos poucos. Lembrava dele me implorando para ficar acordada. E mais do que tudo, lembrava do brilho nos olhos dele quando entrou no quarto em que eu estava no hospital.

- Ele te ama demais, não tenha dúvidas disso.

- Mas ele tá bravo comigo, não tá?

- Claro que sim, e não posso tirar a razão dele. Ele apareceu lá em casa ontem de tarde, tava com uma cara péssima. Ele acha que você não o ama.

Me sentei em uma fração de segundos. Tyler achava que eu não o amava. Senti meu coração despencar dentro do meu peito. Ele não tinha a menor ideia do quanto eu o amava. Nunca fui a melhor no quesito “demonstrar sentimentos”, o oposto de Ty.

- Eu sei que parece bobeira, mas ele odeia o fato de que vocês nunca se assumiram. Ele odeia não poder te beijar em lugares públicos ou andar de mãos dadas. Ele acha que você não quer que as outras pessoas saibam.

De uma certa forma Ashton estava certo. Uma parte de mim não queria que os outros soubessem. Sentia como se nós dois vivêssemos em uma realidade paralela, uma em que nada de ruim pode acontecer. Uma realidade em que tudo que me importa é saber que ele está lá. Se a nossa relação fosse a público, aquele nosso mundinho não seria só nosso. Sei que é um pensamento egoísta, mas admito que queria Tyler só pra mim.

Bem, era claro que nos manter na surdina não estava fazendo bem algum.

- Você acha que ele aceitaria conversar hoje? – Perguntei secando o rosto com as palmas das mãos.

- Pode ter certeza que sim. Vai ficar tudo bem All. – Disse antes de me beijar a testa e se levantar do sofá. – Vou levar algumas malas da Charlie lá pra casa agora, mas qualquer coisa me liga ok?

Concordei com um sorriso, antes de vê-lo ir até o quarto da namorada.

 

***

Já era final de tarde quando Charlie saiu do quarto. Os cabelos loiros perfeitamente presos em um rabo de cavalo frouxo. Se eu tentasse o mesmo penteado provavelmente ficaria com cara de quem acabou de acordar. Mesmo vestindo jeans e camiseta ela parecia ser uma estrela de Hollywood. Enquanto isso, lá estava eu, vendo um dos filmes favoritos do meu namorado, vestindo calça de moletom, com os olhos inchados de chorar. Provavelmente ninguém na história desse planeta, chorou o que eu chorei vendo Grease.

 Passei a maior parte do tempo pensando em mandar uma mensagem para Ty, avisando que o filme estava passando, porém não o fiz. Não ia aguentar não receber uma resposta. Precisava ir até ele e deixar tudo bem de novo.

- Você tem certeza que não quer ir comigo? Vou fazer risoto. Você ama risoto. – Minha melhor amiga disse, colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha direita.

- Eu não seria a melhor companhia. – De canto de olho eu conseguia ver três caixas de papelão e uma de minhas malas, cheias de coisas que não me pertenciam e que em breve não seriam mais parte desse apartamento.  Depois de alguns segundos ouvi Charlie dizer, detrás do sofá do qual eu praticamente não havia saído nas ultimas 48 horas:

- Você tá assim porque eu vou embora?

- Não. Eu... Eu não sei. Tô feliz por vocês. – Me esforcei ao máximo para colocar um sorriso no rosto, porém senti as nuvens sobre mim mais pesadas do que nunca.  Ao se julgar o que veio em seguida, sei que não consegui convencer.

- Você não tá. Eu consigo ver que você não tá totalmente de acordo com isso, eu te conheço desde que éramos crianças, lembra?

- Eu sei. Não acredito que agora seja melhor hora pra discutir meus sentimentos. – Me levantei rápido e tentei fugir para o meu quarto, quando Charlotte segurou meu braço.

- Você achou que seria você, né? – O tom de voz dela não me era familiar. Sua voz estava mais grave do que o normal. Respirei fundo antes de girar meu corpo para ver seu rosto de novo. Os olhos azuis quase pareciam mais escuros. Não consegui dizer nada antes dela continuar:

- Você acreditava que se alguém dessa casa a essa altura estivesse se mudando para morar com o namorado seria você, não é? – Praticamente conseguia ouvir os trovões dentro da minha cabeça – Você acreditava que estaria morando com ele. Você sabe que é verdade.

Meu cérebro parecia ter congelado, não conseguia formar uma linha de pensamento que fizesse o menor sentido. Uma parte egoísta de mim concordou envergonhada. Continuei imóvel.

- Preciso te contar um segredo Allison, talvez você ainda não esteja sabendo, O JOSH FOI EMBORA. – O sarcasmo em sua voz me faria rir, se eu não estivesse tão chocada com a situação. Desde que ele terminou comigo por telefone, tantos meses atrás, Charlie ainda não havia tocado em seu nome. E nunca havíamos brigado. Pelo menos não a sério.

- VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI? POR MESES TUDO O QUE EU FIZ FOI PENSAR NELE E DESEJAR QUE ELE VOLTASSE. – Então eu estava chorando.

- EU SEI ALISSON, EU ESTAVA AQUI, RECOLHENDO OS SEUS PEDAÇOS, TE AMPARANDO, TE OUVINDO CHORAR DIA E NOITE SEM SABER O QUE FAZER. TÁ LEMBRADA DISSO? PORQUE QUE VOCÊ NÃO PODE FICAR FELIZ POR MIM? – Quanto mais alto ela falava, mais alto ficavam os trovões. Quase sentia minha cabeça tremer.

- VOCÊ ACHA QUE É FÁCIL PRA MIM, VER QUE A MINHA MELHOR AMIGA ACHA QUE EU PRECISO DAR AUTORIZAÇÃO PRA ELA FAZER O QUE QUISER?

Charlotte abaixou a cabeça.

- Você sabe que não é isso, Ally. Você sabe.

- Eu sei de que?

- Você sabe que todo esse problema com o Tyler aconteceu porque você ainda não superou o Joshua.

Eu não sabia o que dizer. Ela estava certa? Eu queria poder dizer com certeza que aquilo tudo era uma loucura, que Joshua era passado e que nem por um minuto a volta dele me passou pela cabeça. Mas isso seria mentira. Eu desejei acordar no meu aniversário com uma mensagem dele me desejando parabéns.  Eu esperei que ele passasse pela porta do hospital naquele dia, e corresse em minha direção, como Tyler fizera.

- Eu fiz tudo o que eu pude. – Charlotte soltou num suspiro, batendo os braços finos ao lado do corpo, decepcionada – Eu fiz de tudo pra manter ele longe de você, mas se você não ajuda...

Opa.

Espera aí.

- Charlotte, o que você quer dizer com “fiz de tudo pra manter ele longe”?

Vi a pouca cor do rosto dela sumir no segundo que disse isso. Ela me olhava com os olhos lacrimejando.

- CHARLOTTE?

Então ela limpou o rosto com as mãos e respirou fundo antes de me responder:

- Ele ligou procurando você. Várias vezes.

Foi aí que começou a chover sobre a minha cabeça. Era uma tempestade inteira me cobrindo o corpo.

- Ele mandou mensagem no seu aniversário, mas eu apaguei antes que você pudesse ver.

Eu estava incrédula. Minha melhor amiga passou meses filtrando minhas mensagens e ligações. Várias vezes antes de me aproximar de Tyler, abri meu coração para ela e admiti que as vezes acreditava que ele nunca havia me amado de verdade. E esse tempo todo ela soube. E nunca me disse nada.

- Eu só queria te ajudar a superar.

- Me ajudar mentindo pra mim? Escondendo coisas que não são assunto seu? Apagando mensagem do meu celular?

O silêncio era esmagador, mas dentro de mim a tempestade não cessava. Sentia minhas roupas pesadas de água. Minha cabeça confusa com tanto vento e tanto trovão. Confusa com tanta informação.

- Talvez seja melhor mesmo você se mudar. – Soltei em um tom tão seco e impessoal, que acredito nunca ter usado com ninguém. Muito menos com quem eu considerava ser a minha irmã.

- Ally, eu...

- Agora não. Outra hora a gente conversa.

- Eu só queri...

- Sai.

Charlotte me olhava com os olhos azuis arregalados. Os lábios entreabertos.

- Ally, eu...

- CHARLOTTE, POR FAVOR! – Gritei com os olhos marejados, apontando a porta logo atrás dela.

Então minha melhor amiga, aquela que eu conheço desde que consigo me lembrar, aquela com quem eu divido tudo, inclusive um teto, agarrou sua bolsa de couro claro antes de sair pela porta.

E foi.

 

Quando a porta se fechou, eu desabei. De repente eu me sentava numa poça de água da minha tempestade pessoal, no meio da nossa sala de estar. Digo, da minha sala de estar. Eu queria um abraço de Tyler, mas ele ainda estava bravo comigo. Eu queria poder desabafar com Charlie, mas ela era literalmente o motivo pelo qual eu precisava desabafar.

Depois de vários minutos me levantei e fui até meu quarto e do fundo da minha gaveta de meias, tirei um maço de cigarros. Coisa de mãe de subúrbio que não quer que os filhos saibam que ela fuma, eu sei. Pedi desculpas mentalmente para Tyler e rumei para a sacada. Me sentei no chão e acendi o primeiro. Não havia levado um cigarro aos lábios desde que Ty me pedira para cuidar mais de mim.

Tyler.

Eu não queria admitir que ainda não havia superado Josh completamente, mas eu também sabia que isso não mudava em nada o que eu sentia pelo ruivo. Se o que eu sentia por Tyler, do fundo do meu coração e com todo o restante do meu corpo, não era amor, então eu realmente não sabia do que se tratava.

Me levantei, apagando o pouco que restava do meu cigarro no chão e arremessei a bituca por sobre a proteção de vidro da sacada (desculpa planeta, não farei isso de novo). Sequei meus olhos com as costas das mãos e fui tomar um banho.

Tinha um amor a declarar.

***

- Pois não? – Ouvi Tyler do outro lado do interfone. Céus, como era bom ouvir a sua voz de novo.

- Oi. – Eu realmente não sabia o que devia dizer, nunca havia machucado o coração de alguém. Que eu saiba.

- Oi. – Achei que havia ouvido um sorriso em sua voz. Prefiro acreditar que isso realmente aconteceu.

- Posso subir?

Silêncio. Então a porta fez um zumbido, antes que eu pudesse abri-la.

- Pode vir.

Eu podia ouvir a pulsação de meu coração nos meus ouvidos. Forte. Rápido. Os segundos dentro do elevador pareceram durar horas.

Então as portas metálicas se abriram, e eu o vi escorado à porta. A mesma calça de moletom cinza que usara para dormir depois de sua festa. Os pés descalços. A camiseta que eu havia dado a ele de presente de aniversário cobria seu tronco. Ele sorriu de leve para mim, como quem tentava segurar o riso que queria escapar quando não devia. Eu não consegui fazer o mesmo.

Cruzei o espaço que nos separava o mais rápido que pude e já me pus na ponta dos pés para beijar meu namorado. Meu namorado. Quando senti suas mãos em minhas costas, fui guiando-o para dentro de seu apartamento. Passamos pelo corredor. Viramos à esquerda, e tomei o cuidado de desviar do banco/mesinha dessa vez antes de derruba-lo sentado no enorme sofá preto, só então partindo o beijo.

Tyler olhava para mim com uma mistura de confusão e felicidade no rosto. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, me pus sentada em seu colo, os joelhos tocando o sofá. Segurei seu rosto entre as minhas mãos e desandei a falar:

- Eu te amo. Eu te amo tanto que queria poder te guardar só pra mim. Eu te amo tanto que cada segundo longe de você é uma tortura. Eu te amo tanto que chorei até o que eu não tinha no corpo assistindo Grease.  – Ele então riu, olhando para baixo. Beijei cada centímetro de seu rosto e então continuei, olhando diretamente naqueles olhos azuis:

- Eu amo seu bom humor pela manhã. Eu amo cantar no carro com você. Eu amo o jeito que você me faz sentir só me olhando com esses olhos maravilhosos que você tem.  Eu amo cada fio desse seu cabelo alaranjado e amo cada pequena pintinha que você tem no corpo. E eu amo o seu corpo. Amo seus braços, amo a manchinha que você tem perto do umbigo, amo seus joelhos e as suas mãos. Eu amo quando você me beija e para pra morder o meu pescoço. Eu amo a sua risada e amo quando você fala dormindo. Amo te ensinar a cozinhar. Amo os filmes que você me apresenta. Amo trabalhar com você. Amo dormir e acordar do seu lado, e por mim faria isso todo santo dia. Eu amo as suas piadas e amo como nossos gostos musicais são praticamente iguais. Eu amo as surpresas que você me faz. Eu amo cada detalhe seu. Da ponta do nariz à ponta do dedão do pé. 

Eu não sou tão boa quanto você em demonstrar meus sentimentos, mas juro que vou me esforçar ao máximo pra mostrar a cada dia que você é o homem que eu amo, e o melhor namorado que alguém um dia poderia pedir. – Vi seu sorriso crescer assim que ouviu a palavra “namorado”, e percebi naquele momento que eu não poderia estar mais perdidamente apaixonada pelo ser humano maravilhoso que ele era - Eu amo cada segundo que passo do seu lado, e se for possível eu te amo mais a cada segundo que se passa.

Por fim, segurei suas mãos nas minhas e completei com uma risada baixa:

- Achei que você merecia saber.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Observei cada uma de suas sardas e como elas formavam pequenas constelações em suas bochechas. Observei também aquela única que lhe marcava a ponta do queixo. Vi o jeito com que seus cílios curtos mudavam levemente de cor com a luz. Apreciei seu coração batendo tão perto de mim e a textura de seus dedos entrelaçados aos meus. Foi então que Tyler encostou sua testa na minha, e com os olhos baixos, disse:

- Eu te amo muito, baixinha.

Sorri.

- E eu te amo muito, grandão.

- Me desculpa por ter sido tão frio e distante de você nesses últimos dias. – Soltei um “não tem problema” em um sussurro. Meus olhos fechados, nossas testas coladas. Sua mão direita em minha nuca – Eu sentia que estava perdendo você e achei que se tocasse no assunto, acabaria criando uma briga totalmente desnecessária e aí que eu te perderia de vez.

Só o que eu ouvia naquele momento era o som dos carros passando pelo asfalto, muitos metros de distância abaixo de nós.  Sentia sua respiração em meu rosto e a pulsação de se coração, perto demais do meu.

- Eu sempre fui a pessoa que ama mais, entende? – Tyler disse quebrando o meu silêncio contemplativo – Desde sempre foi assim. Eu me entregava demais e no fim, a garota ia embora e levava parte de mim com ela. Até eu conseguir reconstruir o pedaço que me faltava, eu sofria demais. Achava que era o fim do universo, aquela de certo era a pior dor que eu sentiria na vida. Nunca mais eu seria feliz de novo.  Ficava trancado no meu quarto. Escrevia poesias tristes, uma coisa ridícula – Disse rindo. Eu o acompanhei.

- Mas quando eu imaginei te perder... Quando eu acreditei que poderia te perder... – Parou por um segundo. Umedeceu os lábios, respirou fundo e continuou - foi aí que vi que aquela dor insuportável que eu achava que sentia anos atrás, não era absolutamente nada perto do que eu sentiria se te perdesse de fato.

Abri meus olhos e então fiz com que Tyler levantasse o olhar para mim. Aqueles olhos lindos.

- Eu te amo muito. E sinto te dizer que você não vai se ver livre de mim tão cedo. – Soltei fazendo o peito de Tyler vibrar com sua risada.

- Fico feliz em saber. – Disse antes de me pegar pela cintura e me deitar no sofá, pousando a centímetros de mim. Mais uma vez, consegui levar o banco/mesinha ao chão, assim como a pilha de livros sobre ele. Não consegui conter o riso:

- Ainda não entendi como consigo fazer isso.

- Nah, não tem problema, sempre preferi esses livros no chão mesmo. – Respondeu com um sorriso um tanto quanto malicioso, enquanto passava os dedos pelo cós do jeans que eu vestia.

- Você é impossível mesmo Tyler.

- É o que dizem. – E me jogou uma piscadela antes de me beijar o pescoço.


Notas Finais


MOMENTO DAS EXPLICAÇÕES:
Galerinha, desde a última postagem minha vida ficou de pernas pro ar (e já estava um pouco antes), passei no vestibular, precisei mudar de estado, procurar casa pra morar, ajeitar tudo, e agora eis me aqui estudando escrita criativa. Mesmo estando tudo meio bagunçado, acho que terei mais tempo e incentivo pra escrever essa nova fase de WAYF, que meus amores, vai ser bem loco.
Muito obrigada pela paciência e pelo carinho, espero que não tenham desistido de mim.
Beijo no coração de vocês, e fiquem com a musiquinha do capítulo: https://youtu.be/I17pbWC8v9E


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