História Written Memories - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Gay, Homossexual, Lesbicas, Lésbico, Romance
Exibições 38
Palavras 2.394
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi gente!! Desculpem por ter demorado a postar, é semana de provas na minha escola então não tive tempo de postar logo.

Capítulo 3 - 02 • Our Sky


 Ela batucava a caneta entre seus dedos anelar e médio sobre o bloco onde anotava os pedidos enquanto observava a outra garota lendo concentradamente fazendo expressões faciais pelos acontecimentos do livro que estava lendo que arrancavam pequenos sorrisos de admiração de Rachel.

Ela estava tão apaixonada...

Tão apaixonada mesmo que só conhecesse Ashley à dois dias.

E isso trazia más lembranças de seu último relacionamento no qual seu coração foi impiedosamente destruído por mentiras. Mas ela não iria se importar em tê-lo ferido novamente, ela não se importaria se Ashley quisesse ser apenas uma boa amiga, ela só queria apenas estar ao lado dela, mesmo que nunca pudesse tocar seu corpo, mesmo que isso doesse para o resto da vida. Aliás, o que é a vida sem as suas dores?

Rachel não iria desistir nunca de Ashley.

Mas, e se ela fosse hétera? Se ela já tiver um namorado?

As perguntas se tumultuavam como uma pilha de dúvidas na cabeça de Rachel fazendo surgir uma pequena dor de cabeça das quais a incomodavam à alguns dias.

Pegou a caneta e começou a desenhar Ashley, detalhe por detalhe, como se ela fosse uma obra de arte. Cada traço rabiscado do esboço da garota sobre a folha do pequeno bloco de notas eram feitos com total cuidado. Ela queria gravar Ashley para sempre, ou melhor, por quatrocentos e cinquenta anos até aquela folha de papel se decompor.

— Rachel! Não é hora de ficar expressando seu Van Gogh interior. — o tio dela, Kurt, entra de surpresa no Café. — oi Ashley. — o homem alto e gordo sorriu simpaticamente. — eu não te vejo à um bom tempo.

— É. — Jennifer falou. — ela até cresceu uns centímetros enquanto você estava ausente.

— É mesmo, mas a ainda acho uma nanica. — o velho homem deu uma gargalhada chamando a atenção dos outros clientes ao redor.

Kurt Owen era como um segundo pai para Ashley, desde que ele ajudou ela e seus pais quando chegaram em Fort Collins.

— Ha ha ha que engraçado. — Ashley respondeu fazendo um riso forçado.

— Qual é Ashley? Você é baixinha e sabe muito bem disso. Se eu te visse parada na frente da casa de alguém, juraria que era um anão de jardim. — mais risadas foram arrancadas de Kurt e das pessoas em volta.

Ashley deu de ombros.

— Isso não tem graça, Jennifer. — Rachel indagou se levantando do banquinho de madeira atrás do balcão.

— Rachel, isso é uma discussão entre anãs e não entre um poste de luz igual a você. — o velho foi em direção à onde ela estava. — eu sei que você quer proteger a sua namorada e...

Kurt foi interrompido.

— Ela não é a minha namorada. — a baixinha sentada na cadeira afirmou.

— Mas se vocês não são namoradas, então deveriam ser. — apoiou a mão pesada e áspera sobre o ombro direito de Rachel. — Mas, enfim... como estão as coisas aqui? Está gostando do trabalho? — perguntou para a garota de olhos verdes ao seu lado.

— Só faz dois dias que trabalho aqui e já não quero sair mais... — sorriu.

Ashley a observava. Cada movimento... ela estava gostando de Rachel como amiga? Ou havia algo a mais?

Bem, é uma pergunta difícil de se responder agora, mas Ashley sabia que estava gostando da garota a cada dia que passava.

— Bem... Eu preciso ir, tenho mil problemas para resolver no escritório, só passei aqui para ver como vocês estavam. Rachel, nada de desenho aqui. — disse o homem saindo pela porta vermelha tão familiar para Ashley.

— Hey, Ashley. Desculpa pelo meu tio, as vezes ele passa dos limites. — Rachel se aproximou um pouco.

— Não... Tudo bem. — sorriu. — ele é assim comigo desde que eu o conheci.

A garota maior estava nervosa e Ashley percebeu isso.

— Você está bem? — perguntou preocupada.

— Estou.

Não era verdade. Rachel estava muito nervosa, pois queria arranjar palavras para falar que queria sair com ela.

Pensou um pouco e quando se sentiu preparada, sentou-se na cadeira em frente da garota.

— Então... Você tem alguma coisa pra fazer hoje à noite? — perguntou com os olhos enterrados no chão branco e vermelho do Wild Boar.

— Não... Por quê? — fechou o livro.

Rachel encarava, pela janela de vidro do Café, duas crianças correndo pelo parque.

Respirou fundo. Voltou os olhos verdes para encarar os castanhos.

— É... Sabe, eu também não tenho nada para fazer hoje à noite. — tentava encara-la, mas não conseguia, o chão parecia mais amigável.

— Você está me chamando pra sair? — Ashley arqueou as sobrancelhas cruzando os braços logo em seguida.

— Não... Quer dizer, sim... — a baixinha riu do nervosismo na voz de Rachel.

— Tudo bem... — um sorriso de canto enfeitou o rosto que Rachel se apaixonou.

— Tudo bem? Você aceitou? — disse ainda não acreditando.

— Sim. — sorriu gostosamente. — então, vamos para onde?

— Não sei... Talvez na minha casa, assistir algum filme, sabe? — relaxou as costas no encosto da cadeira.

— Tá legal... Que horas então?

— Pode ser depois que eu acabar meu turno aqui, provavelmente as oito. — a caneta dançava entre os dedos tensos de Rachel.

Ashley assentiu positivamente com a cabeça.

*****************************************

Eram quase oito horas, um pouco mais cedo que o previsto, quando o Rover preto de Rachel parou em frente a casa tipicamente americana dos Navarros. Uma luz acesa podia ser vista pela janela onde as cortinas não tapavam. Havia alguém em casa. Ela resolveu não descer de seu carro para ir até a porta e bater, porque ela imaginava que o pai de Ashley poderia ser um monstro alto e forte que a mandaria sair de perto de sua filha apenas para protege-la de estranhos que poderiam ser psicopatas fingindo ser uma pessoa normal. E Rachel era uma estranha para os Navarros e para a própria Ashley. Elas só se conhecem à dois dias e nem sequer sabem sobre a vida uma da outra. E os Navarros nunca haviam visto direito o rosto de Rachel naquele dia em que deu carona para Ashley. Então as chances de não a deixarem ir com Rachel haviam aumentado para noventa por cento. Mas Rachel mantia suas esperanças nas dez por cento de chances de Ashley surgir na porta de entrada.

Relaxou apoiando a cabeça que tanto doía desde hoje pela manhã no encosto do banco do carro. Ligou o rádio onde tocava uma música aleatória, um tipo de hip hop em uma mistura com pop, nada que os ouvidos de Rachel tivesse escutado. Os olhos verdes miravam no céu alaranjado daquele quinze de fevereiro pelo vidro da frente do carro. O laranja se misturava com o verde esmeralda como a música que tocava um pouco baixa, logo os olhos miraram em uma garota de vestido um pouco acima do joelho que abrira a porta branca da casa dos Navarros. Agora o verde se misturava com todas as cores que coloriam o mundo preto e branco de Rachel. Suas pupilas dilataram e seu sorriso foi inevitável. Ela estava tão linda naquele vestido, meio infantil, mas ainda sim, uma mulher madura.

— Oi. — A garota baixinha exibia um sorriso que deixava Rachel fraca.

— Você está linda... — ficou boquiaberta enquanto via Ashley abrindo a porta do Rover e entrando logo em seguida.

— Quem? Eu? Claro que não! Eu estou horrível nesse vestido. — falou colocando o cinto de segurança que transava seu peito.

— Mas para mim você está. — sorriu um pouco tímida.

— Hum obrigada... você também está muito bonita, quer dizer... você sempre está bonita. — Ashley nunca havia elogiado uma garota, não desse jeito.

— É? Por quê? — lançou um olhar sobre a garota mais baixa.

— Olha para você... acho que você ficaria linda até sem maquiagem.

Rachel sorriu.

— Você não gostaria de me ver quando acordo, até me assusto quando me olho no espelho. — disse ligando o Rover preto.

— Mas eu gostaria de te ver acordando.

O corpo de Ashley paralisou instantaneamente ao perceber o que tinha acabado de dizer.

— É? — tirou os olhos da estrada por um segundo. — Você pode dormir na minha casa qualquer dia desses já que quer me ver quando acordo. — a voz rouca de Rachel acabou fazendo com que Ashley se arrepiasse.

Mas, o que será que ela quis dizer com “dormir na casa dela?” Será que ela estava falando de sexo?

Isso deixou Ashley excitada pela primeira vez na vida.

— Mas, de qualquer jeito, obrigada pelo elogio. — sorriu de canto deixando uma covinha se formar em sua bochecha.

*****************************************

— Nem acredito que seus pais deixaram você sair com uma estranha. — abriu a porta do quarto. — pensei em bater na porta, mas fiquei com medo de sei lá, seu pai me colocar pra correr.

— Eles acham que eu preciso fazer amigos, por isso deixaram eu ir com você. E meu pai não é tão malvado assim. — Ashley observava a iluminação de céu noturno no teto do quarto.

— Então, você é daquelas garotas solitárias. — disse pegando um controle em cima da cama. — vem, senta aqui. — apontou para a cama.

— É... Mas não tão solitária assim. Eu tenho meus livros. — sentou-se apoiando o corpo com as mãos.

— Seus livros são suas companhias? Nossa... — revirou os olhos verdes sobre a garota.

— O quê? Nunca te ensinaram na escola que um livro é o seu melhor amigo? — cruzou os braços em protesto contra o comentário de Rachel.

— Claro... Mas, os livros acabam um dia. As palavras um dia irão acabar, e o seu livro não vai mais ser seu amigo, ou você vai querer ficar a vida inteira vendo as mesmas palavras? — sentou-se ao lado dela. — nada nessa vida é para sempre, Ashley, nem mesmo as estrelas.

— Ah, mas se o livro acabar, eu começo a ler outro. — falou ainda em discordância.

Rachel tirou uma mecha de cabelo que caía sobre o rosto de Ashley e o colocou atrás da orelha da garota fazendo-a arrepiar mais uma vez.

— Mas se você quiser, eu posso ser seu livro favorito. — os olhos castanhos foram parar sobre a boca perfeitamente desenhada de Rachel.

Ashley sentiu pela primeira vez vontade de beijar alguém. Ela se segurou para não fazer tal coisa até que cortou o silêncio gritante entre elas.

— É... Qual filme a gente vai assistir? — desviou o olhar para a tela da TV.

— Tem alguns filmes legais na Netflix. Você pode escolher, se quiser. — entregou o controle na mão de Ashley. — eu vou preparar a pipoca, quer com manteiga ou sem?

— Pode ser com manteiga. — indagou.

Rachel saiu deixando que a escolha do filme fosse por conta da Navarro.

Haviam vários filmes que contavam sempre a mesma história: a mulher nunca havia amado alguém até que um dia ela esbarra em um homem na rua aí acontece uma troca de olhar entres os dois que acabam se apaixonando e blá blá blá. Filmes totalmente clichês.

Rolou a tela mais para baixo até que encontrou um filme diferente. Como eu era antes de você contava a história de um homem que era rico e bem sucedido que esbanjava seu dinheiro com viagens e esportes radicais até que é atingido por uma moto enquanto atravessava a rua, ficando tetraplégico e preso em uma cadeira de rodas para o resto da vida. Mas aí aparecia uma mulher que foi contratada para cuidar dele e que no fim os dois acabam se envolvendo em um relacionamento amoroso.

Parecia ser um bom filme, então Ashley o escolheu.

Alguns minutos depois, Rachel chega com a pipoca.

— Então, qual filmes vamos assistir? — sentou-se ao lado de Ashley apoiando as costas na cabeceira da cama.

Como eu era antes de você. — disse pegando a pipoca dentro do recipiente no colo de Rachel.

*****************************************

O filme já estava quase no final e lágrimas ainda rolavam sobre os rostos das duas.

— Esse foi o filme mais triste que já assisti. — Rachel enxugou o rosto na manga da jaqueta. — O Will não devia ter morrido!

— Ele foi muito egoísta em fazer isso. Coitada da Louisa, ela lutou tanto para que ele visse que a vida poderia ser linda mesmo estando em uma cadeira de rodas... — os olhos castanhos agora se encontravam submersos em um rio de lágrimas.

— Mas, nunca se sabe o que se passa na cabeça de um suicida e não temos nenhum direito de julga-los por terem feito isso com suas próprias vidas.

Ashley encarava mais uma vez o teto estrelado do quarto de Rachel.

— Mas, e se ele não tivesse morrido? Será que ele e Louisa teriam se casado um dia?

— Não sei... Tudo pode acontecer nessa vida. — Os olhos de Rachel agora faziam companhia aos de Ashley encarando a mesma decoração de céu estrelado no teto.

Passaram minutos olhando para cima sem dizer nenhuma palavra.

— Eu gosto dessa decoração do teto. — Ashley finalmente havia quebrado o silêncio naquele quarto.

— Eu também gosto. Parece que estamos do lado de fora da casa olhando as estrelas, mas estamos aqui, no meu quarto, olhando para estrelas artificiais coladas no teto, é uma sensação diferente, não acha? — olhou para o lado encarando o perfil perfeito de Ashley.

— É. — respondeu.

— Esse é o meu céu desde que eu tinha dez anos de idade quando pedi insistentemente ao meu pai para colocar estrelas no meu quarto. — pausou. — Ele é meu, mas, se você quiser ele pode ser seu também. — sorriu.

Ashley a encarou com mais vontade ainda de beija-la alí mesmo.

— Está dando o seu céu para mim? — arqueou uma sombrancelha.

— Sim. Daqui por diante ele será o nosso céu. — a mão direita acariciava suavemente os cabelos castanhos-escuros de Ashley.

— Nosso céu. — repetiu logo em seguida.

 Talvez um sentimento mais forte por Rachel tenha nascido bem aí. Talvez a felicidade estivesse abaixo daquele céu que agora pertencia as duas.


Notas Finais


Espero que tenham gostado :)


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