História Written Memories (capa atualizada) - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Gay, Homossexual, Lesbicas, Lésbico, Romance
Exibições 37
Palavras 2.114
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Reescrevi esse capítulo umas cem vezes por isso demorei.
Obrigado por todos os comentários e pelos favoritos, isso me incentiva muito a continuar a escrever.
Espero que gostem 🙂

Capítulo 4 - 03 • Sun And Moon


 Sábado era o segundo melhor dia da semana, atrás apenas da sexta feira, para noventa e nove vírgula noventa e nove por cento das pessoas no mundo, mas para Ashley era o segundo pior dia perdendo apenas para domingo à noite. O motivo de ser tão ruim assim: ela não podia ir ao Wild Boar, porque os pais à levavam para passar o fim de semana na casa da sua avó paterna. Não que a avó dela fosse chata, mas, quando eles ía para lá, os outros irmãos do pai dela levavam as pestinhas dos filhos e isso tirava o sossego de Ashley. Ela não podia ler em paz com todas aquelas crianças gritando pelo quintal da casa e sua prima de dezessete anos falando o tempo todo sobre o namorado dela, sua tia perguntando se ela nunca iria arranjar um namorado ou um emprego, seu tio bêbado gritando e cantando a noite inteira sem a deixar dormir, isso era um verdadeiro inferno, dava dor de cabeça só de imaginar que iria passar dois dias aguentando isso.

Ela só queria que esse final de semana fosse diferente, menos chato do que todos os outros desde que a avó se mudou para o outro lado da cidade. Ela queria alguém para poder conversar ao telefone quando tudo estivesse um saco na casa da avó. Ela queria ter Rachel por perto para falar de várias coisas interessantes, como o que aconteceu antes do big bang ou coisa assim, ficar perto dela para sempre e desejar que o mundo desaparecesse ao redor delas e que o tempo congelasse.

Seus sentimentos por Rachel aumentavam à cada dia. Sua sexualidade, até então heterossexual, estava comprometida por aqueles olhos verdes que ela tanto amava, ela já não sabia se gostava de homens, mas a única coisa que ela tinha certeza que sabia era que sentia-se atraída por Rachel.

Eram quase oito horas quando a garota baixinha acordou. Não havia dormindo direito por causas desconhecidas. Abriu as cortinas de sua janela e observou por longos minutos a paisagem que se urbanizava à cada ano. O vento batia em seu rosto fazendo com que seus cabelos castanhos-escuros voassem em uma dança perfeita e harmônica no ar. Viu um homem, um entregador, com um uniforme familiar vindo em direção à sua casa. Era um dos entregadores de flores da banca do senhor Benvenutti. Logo, a garota desceu o mais rápido possível para atender, mas teve que voltar quando percebeu que só usava uma camisa longa e uma calcinha, não seria nada normal alguém atender a porta nesse estado.

Desceu as escadas as pressas e viu sua mãe com um buquê de rosas bem vermelhas em suas mãos.

— Mãe? Mãe? — exclamou ofegante.

— O que foi Ashley? Parece que viu um fantasma. — a senhora cheirava o doce perfume que vinha das rosas.

— Dê quem são essas flores?

— Devem ser para você já que seu pai não me manda flores à anos.

Um grande sorriso surgiu no rosto pálido de Ashley ao sugerir uma hipótese de que aquelas flores poderiam ter sido mandadas por Rachel.

— Deixa eu ver se tem algum cartão. — pegou as flores e logo encontrou um pequeno bilhete vermelho e branco dentro do buquê.

Achei essas flores lindas e lembrei de você. Espero que goste.

Ass: Rachel.

O sorriso foi inevitável ao ler o nome de Rachel na assinatura.

— Hum, de quem é? — perguntou a senhora com os braços cruzados e olhos cerrados e um pequeno sorriso no rosto.

— De alguém... — sorriu indo em direção ao seu quarto.

— Ashley, não se esqueça de se arrumar para ir na casa de sua avó. — gritou.

— Tá bom, mãe! — gritou no mesmo instante.

(Play na música Thinking Out Loud do Ed Sheeran)

Entrou no quarto, sentando-se na cama logo em seguida. Cheirou as rosas e inalou o perfume adocicado que a fez lembrar do perfume de Rachel e que lembrou de ligar para ela para agradecer as flores. Pegou o celular em cima do criado mudo e procurou pelo contato de Rachel.

— Oi. — falou logo depois do celular ser atendido.

Oi baixinha. — a voz rouca e sexy de Rachel surgiu do outro lado da linha.

— Obrigada pelas flores... foi muito romântico de sua parte. — ouviu o suspiro da garota de olhos verdes pelo telefone.

Você me acha romântica? Uau! — disse surpresa.

— Acho. — ouviu Rachel rir timidamente.

Isso é um flerte, Ashley?

— Não... — pausou. — só estou falando que você é romântica.

A linha permaneceu muda por alguns segundos.

E então... O que vai fazer nesse fim de semana? — perguntou animada.

— Vou ficar na casa da minha avó junta com um bando de pirralhos, uma garota que só fala sobre seu namorado babaca, uma tia chata e um tio bêbado que não deixa ninguém dormir à noite. — deitou de barriga para cima observando o teto branco. — e você? Vai fazer o que nesse final de semana?

Vários nadas. — riu.

— Nossa isso é meio chato. Eu não queria ir para a casa da minha avó, lá é muito chato.

Inventa alguma desculpa para não ir. Funcionava comigo quando não queria ir para a escola. — sugeriu.

— Inventar o que? Que eu quebrei o braço e agora não posso ir? — virou o corpo para o lado ficando de cara com o travesseiro.

Nesse caso, você teria que quebrar o braço de verdade e olha, não seria nada legal.

A linha ficou em silêncio mais uma vez.

— Queria ficar aqui com você. — sussurrou.

Quer que eu te sequestre?

— Não... Mas, não seria uma má ideia.

Por que não diz para a sua mãe que quer ficar em casa porque não tem ânimo para ir à casa da sua avó, aí, quando seus pais sairem, eu vou pra ir ficar com você.

Ok. As últimas três palavras tiveram uma pitada de duplo sentido.

— Tudo bem.

Então eu vou ficar esperando escondida do outro lado da rua. Que horas eles saem?

— Acho que às nove.

Então, te vejo as nove. Tchau Ash. — encerrou a chamada.

*****************************************

— Mãe, pai! — entrou na cozinha as pressas.

— Que foi filha? — perguntou o homem de cabelos pretos e barba grisalha.

— Eu não quero ir esse final de semana para a casa da minha avó. — sentou-se em cima da mesa recebendo uma reclamação da mãe para que descesse.

— Por que não? É tão legal visitar a mamãe.

— Porque eu queria que esse final de semana fosse diferente e também, haverão outros finais de semana para ir, então eu queria ficar em casa. — disse apreensiva pela resposta de seus pais.

— Tudo bem querida, se quiser ficar, então fique. — a mãe afirmou.

— Não sei não, Ashley, acho que você não daria conta da casa por dois dias.

— Por favor pai! Eu já sou grande para tocar fogo na casa, eu prometo que vou fazer as coisas todas certas e quando vocês voltarem vai estar tudo no mesmo lugar onde vocês a deixaram.

Miguel e Blanca se olharam por alguns segundos.

— Ashley, sua avó adora te ver, ela ama ter você por perto e talvez se você não for, irá decepciona-la e você não quer vê-la decepcionada não quer?

O argumento do pai de Ashley estava certo. A avó de Ashley adorava quando ela a visitava, fazia bem para ela e a presença da neta a ajudava a se recuperar de um câncer nos rins.

— Você tem razão... Eu vou me arrumar. — saiu. Tirou o celular do bolso discando o número de Rachel novamente. — não deu certo. — sentou-se no oitavo degrau da escada que levava ao seu quarto.

Que pena... — disse frustrada. — boa sorte então na casa da sua avó.

— A gente podia ficar conversando pelo celular nesse final de semana, não acha?

Ótimo.

— Então... Eu te ligo depois, tchau.

Tchau.

*****************************************

Eram quase sete da noite quando Ashley e seus pais chegaram no interior de Fort Collins. Era quase noite, haviam algumas nuvens escuras, mas nada que ameaçasse uma grande tempestade. Na varanda da pequena, mas reconfortante casa, estavam sua prima com os olhos grudados no celular que iluminava seu rosto, sua tia conversando com a senhora sentada na cadeira de balanço e seu tio consertando alguma coisa no motor do carro, mas nenhum sinal de Will e Frank, seus primos encapetados. Todos os cumprimentaram, menos a menina que mexia em seu celular, levando uma reclamação de sua mãe.

Ashley logo se trancou no quarto, se jogou na cama e ligou para Rachel, mas a garota não atendia. Devia estar ocupada e não pode atender.

O jantar seguiu tranquilo, a ausência das duas pestinhas dos seus primos trazia paz para aquele momento. Só algumas reclamações foram feitas pela sua tia, Sophia, porque a sua filha, Norma, não prestava atenção na comida, apenas na conversa com o seu namorado no celular.

Mais tarde da noite, por volta de dez horas, Ashley resolveu tentar ligar para Rachel novamente, dessa vez tendo sucesso.

Pensei que tinha esquecido de mim. — disse a garota com voz de sono. — eu quase dormi aqui no telhado de casa.

— O que faz no telhado à essa hora da noite? — encostou a cabeça na janela.

Estava apreciando as estrelas. — respondeu.

— Pensei que as pessoas não faziam mais isso. — abriu a janela encarando uma lua cheia que iluminava todo o quintal.

Mas eu faço. — riu. — queria que estivesse aqui para aprecia-las junto comigo.

(Play na música Stars da Alessia Cara)

Um silêncio tomou conta da linha. Apenas as respirações das duas garotas poderiam ser ouvidas.

— Elas são tão lindas, não acha? — sentou-se na janela tendo cuidado para não cair e arrebentar a cara no chão.

É. — falou.

— Eu diria que elas são mais lindas do que as suas no teto do seu quarto. — sorriu ao lembrar da noite que dormiu com Rachel. Foi o dia em que mais conversou e ficou perto da garota.

Claro que são. As do meu quarto são apenas luzes artificiais dentro de uma bolinha de vidro pregadas no teto branco sem graça do meu quarto e já essas são tão maiores e mais brilhantes e o mais legal: são inalcançáveis. — ajeitou o moletom preto que usava.

— Será que um dia, quando morrermos, iremos para o céu e veremos elas bem de perto? — perguntou.

Talvez, nos transformaremos em estrelas também. Não que eu não acredite no paraíso, mas já ouviu falar da história de amor entre o sol e a lua? — perguntou já esperando pelo “não” da garota.

— Não.

Bom, o sol e a lua eram duas pessoas que se amavam muito até que um dia os dois morreram juntos e foram separados quando chegaram no céu e daí o surgimento da noite e do dia. Os dois tiveram que aprender a se amar à distância pois sabiam que nunca se encontrariam mais. Por isso que a lua brilha menos que o sol, pois sem ele, ela é somente uma grande pedra flutuante no espaço, mas ela teve que, apesar de tudo, continuar brilhando na esperança que sua luz se encontrasse com o sol. — explicou.

— Mas existem os eclipses, então eles se encontram as vezes. — contrariou.

E tá aí o problema. Eles se encontram depois de anos e só por alguns instantes e depois são separados novamente e isso é o que mais dói em amar alguém. Um dia você vai ter que dizer adeus, inevitavelmente. — levou a mão ao joelho esquerdo.

— A lua deve ficar muito triste sem o sol. — respondeu depois de alguns segundos.

Tipo eu quando fico sem você.

O coração das duas garotas batiam descompassados agora. O de Rachel por não saber qual seria a reação da garota e o de Ashley por ouvir aquelas palavras.

— Talvez eu seja seu sol e você a minha lua. — esperou a resposta de Rachel que veio alguns segundos depois.

E eu vou continuar aqui... te esperando, mesmo que a minha luz esteja fraca, assim como a lua espera o sol por dezenas de anos. — as duas sorriram juntas.

Um “eu te amo” quase foi proferido pela boca de Ashley.

 Seus corações agora estavam em harmônia e seus pensamentos bagunçados em suas mentes.


Notas Finais


Esses "play na música" que eu falo é para vocês ouvirem a música pra dar uma vibe legal enquanto lê. Eu não coloco o link aqui do spotify porque não dar para colocar pelo celular, então eu vou colocar link do Youtube.
Comentem se gostaram ou não.

Thinking out loud: https://youtu.be/lp-EO5I60KA

Stars: https://youtu.be/YKho5dZN8yA


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