História Written Memories - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Gay, Homossexual, Lesbicas, Lésbico, Romance
Exibições 52
Palavras 2.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi. :)

Capítulo 6 - 05 • Amusement Park


 

(Play na música Girls Like Girls da Hayley Kiyoko)

POV Ashley

Quando eu tinha onze anos, eu me “apaixonei” por um garoto da minha escola, Mike, era o nome dele. Não foi bem um amor de verdade, foi só uma paixão passageira que todos tem, pelo menos, uma vez na vida. Eu não sabia se ele também gostava de mim, sempre ficava jogando bola no pátio da escola junto com outros garotos, eu o observava sentada no balanço que ficava em frente ao pátio, nunca tive coragem de falar com ele, até que um dia tomei coragem e fui até ele enquanto descansava na grama arrumando seus sapatos. Falei oi para ele que retribuiu, mas sem o mesmo interesse em conversar. Tentei puxar conversa, mas Mike parecia não gostar da minha presença. Falei que gostava dele e os amigos, logo atrás de nós, riram e fizeram piadas desnecessárias sobre o que eu havia acabado de falar. Mike não quis falar comigo durante uma semana, aliás, a nossa conversa no pátio da escola tinha sido o nosso primeiro contato. Depois, voltamos a nos falar e acabei beijando a bochecha dele atrás da nossa escola. Começamos a namorar a partir daí, mas não foi bem um namoro... nosso relacionamento durou duas semanas, e dentre essas duas semanas não houve sequer um beijo, um abraço ou um “eu te amo”, no máximo, ele segurava a minha mão e ainda fazia isso sem a presença dos amigos dele.

Chorei por três dias seguidos, não fui a escola e não tinha vontade de comer nada. Achei que iria ficar sozinha para sempre e ninguém iria se interessar em mim, aliás, nem o Mike estava.

Depois, contei para a minha mãe sobre ele depois de tanta insistência dela. Minha mãe me falou uma coisa que até hoje guardo comigo: você pode se relacionar com mil pessoas e nenhuma delas vai querer a sua companhia se não te amarem verdadeiramente.

Aprendi com essa frase que, amor não se encontra à cada esquina, amor é raro nos dias de hoje e se você o encontrar então o guarde com você mesmo se não você pode perde-lo. Talvez essa frase faça mais sentido agora. Talvez o meu amor esteja na esquina do nosso bairro, bem no Wild Boar Café. Bem... é só um “talvez”.

Talvez a Rachel goste de mim de verdade, mas talvez seja só uma paixão igual a que eu tive sobre o Mike. Mas, há uma diferença, Rachel não é o Mike.

POV RACHEL

Eu sempre achei que poderia achar amor em qualquer pessoa ou em qualquer lugar, talvez até em uma guerra eu poderia achar afeto, mas, como acabei de dizer “eu sempre achei” e “achei” significa alguma coisa que você coloca expectativas e no final as coisas são totalmente diferentes.

Posso afirmar o seu significado, pois eu vivi isso.

Eu e a Hannah, a garota com que tive meu último relacionamento, vivíamos em perfeita harmônia. Nunca havíamos brigado, ela respeitava o meu espaço e eu o dela, fazíamos quase tudo juntas. Enfim, éramos duas pessoas em uma só. Até que um dia fomos separadas e destruídas por nós mesmas. Hannah havia me traído com um amigo, e permaneçeu assim por oito meses ao meu lado. “Eu te amo” virou uma grande mentira. Acabei com o nosso relacionamento e eu nem sequer a perdoei.

Os dias foram difíceis para mim. Eu olhava para o lado da cama onde Hannah costumava dormir e dizia todas as noites antes de dormir que me amava, sentia sua falta e ao mesmo tempo sentia que ela nunca deveria ter entrado na minha vida. Eu estava com a porta do meu coração aberta dando entrada para qualquer uma invadi-lo e torna-lo seu. Hannah conseguiu fazer isso e fez com que eu caísse feito uma idiota nas suas mentiras.

Mas não quer dizer que ela tenha machado meu coração que vou ter medo de amar. Eu realmente não me importo de ser machucada. Não vou desistir do amor só porquê ele me fez chorar e me lamentar por dias, pois sei que um amor cura o outro até que este cicatrize todas as feridas causadas pelos outros.

Ashley se tornou o remédio para as minhas feridas desde o dia que a vi sentada na mesa do Wild Boar saboreando um livro que eu, até hoje, não sei o título.

(Play na música Open Your Eyes do Snow Patrol)

— Sabe, eu realmente estou começando a gostar de Snow Patrol. — disse um pouco alto por causa da música que tocava no carro.

— Sabia que um dia você iria se render. — riu.

All this feels strange and untrue

(Tudo isso parece estranho e falso)

And I won't waste a minute without you

(E eu não vou desperdiçar um minuto sem você)

My bones ache, my skin feels cold

(Meus ossos doem, minha pele sente frio)

And I'm getting so tired and so old

(E eu estou ficando tão cansado e velho)

Rachel ultrapassou o sinal vermelho levando uma reclamação de Ashley.

— Você está louca?! — gritou. — a gente poderia ter morrido. — deu um tapa no braço de Rachel.

— Bom, pelo menos iríamos morrer juntas.

The anger swells in my guts

(A raiva me corrói por dentro)

And I won't feel these slices and cuts

(E eu não vou sentir esses pedaços e cortes)

I want so much to open your eyes

(Eu quero muito abrir seus olhos)

´Cause I need you to look into mine

(Porque eu preciso que você olhe para dentro dos meus)

— Ah tá, mas se alguma de nós sobrevivessémos? — apertou mais ainda o sinto de segurança.

— Se você morresse e eu sobrevivesse, eu iria chorar muito e ir te visitar todos os dias no seu túmulo e diria que te amava.

Tell me that you'll open your eyes

(Diga-me que você abrirá seus olhos)

— Mas, como você pode me amar se só me conhece um pouco mais de uma semana? — perguntou com o coração na garganta.

— Não sei... apenas aconteceu. — sorriu de lado.

Get up, get out, get away from these liars

(Levante, vá embora, saía de perto desses mentirosos)

´Cause they don't get your soul or your fire

(Porque eles não tem a sua alma ou a sua chama)

Take my hand, knot your fingers through mine

(Pegue minha mão, entrelace seus dedos entre os meus)

And we'll walk from this dark room for the last time

(E nós sairemos deste lugar escuro pela última vez)

Era a primeira vez que Ashley ouvia alguém, além de seus pais, dizer que a amava.

Seu coração bateu mais ainda quando Rachel a encarou quando chegaram ao parque. Parecia que ela queria beija-la.

Segundos foram transformados em minutos e minutos em horas e horas em um grande infinito tempo.

A mão de Rachel repousou sobre seus cabelos, e depois, em seu rosto, fazendo círculos com o polegar em seu rosto. Ashley sabia que, se passasse mais um segundo olhando para Rachel, com toda a certeza a beijaria.

— Não temos muito tempo para ficar nos olhando. — quebrou o silêncio. — lembra que meu pai falou que queria que chegássemos cedo?

— Você é muito estraga prazeres. — sorriu.

— Então... vamos nos divertir! — levantou as mãos para o alto quando saíram do carro.

— Onde quer ir primeiro? — perguntou.

— Na montanha russa.

— Ah merda! — reclamou. — eu tenho medo de altura, Ashley.

— Relaxa... se morrermos nessa montanha russa, pelo menos iremos morrer juntas, lembra? — tentou acalmar Rachel.

— Iremos morrer juntas. — imitou Ashley.

— Você é tão... idiota. — riu.

— E você é uma chata frescurenta. — revidou.

Após esperar um pouco na fila e Rachel passar mal só por chegar perto e ver que o topo da montanha russa parecia perfurar o céu de tão alta que era, elas finalmente entraram.

— Rachel, calma. — a garota brilhava por causa do suor de nervosismo que escapava de seu interior pelas suas glândulas. — se não quiser ir, tudo bem.

— Não, eu quero. — engoliu em seco. — me sinto segura ao seu lado. — sorriu.

Uma contagem regressiva de um a dez um pouco acima de suas cabeças diminuía um número à cada segundo. Aos cinco segundos, Rachel apertou a mão de Ashley para se sentir seguras.

— Se morremos agora, morreremos juntas. — indagou.

O carrinho da montanha russa disparou ao chegar em um segundo.

Rachel permanecia com a mão apertando a de Ashley e seus olhos estavam fechados. Já a outra garota abriu os braços e começou a gritar.

A ânsia de vômito pertubava a garganta de Rachel. Segurou-se um pouco para não vomitar o jantar na outra garota. Foram cerca de cinco minutos com a comida pedindo passagem para sair de sua boca.

Quando o carrinho parou, saiu as pressas e logo depois, vomitou no chão daquele lugar.

— Você está bem? — Ashley vinha logo atrás.

— Estou. — contrariou.

— Foi divertido, não acha? — Ashley nunca havia se divertido tanto em toda a sua vida.

— Pra você, não pra mim. — se encostou na parede. — isso piorou a minha maldita dor de cabeça que me atormenta à vários dias. — levou a mão à cabeça expressando dor em seu rosto.

— Já foi ao médico? — perguntou preocupada.

— Não. Não deve ser nada demais, acho que é uma enxaqueca.

— Hum. — resmungou. — quer ir no tiro ao alvo e ganhar um ursinho para mim?

— Gastar as minhas fichas com você? Nada disso!

— Ah por favor! É só um ursinho!

Como Rachel poderia resistir à aquela carinha de criança pidona?

— Está bem.

Havia uma banca de tiro ao alvo onde seu objetivo era acertar com uma bolinha todos os seis copos em forma de pirâmide para ganhar algum prêmio.

Com uma bolinha na mão, Rachel foi a primeira a começar a jogar.

— Nossa você é muito ruim em pontaria. — Ashley disse quando Rachel errou o arremesso.

— Então tenta você. — deu a segunda bolinha para Ashley.

— Pode deixar com a maior arremessadora de bolinhas de todos os tempos. — falou errando a pontaria logo em seguida.

— Isso é ser a maior arremessadora de bolinhas de todos os tempos? — começou a rir da cara de Ashley.

— Vai se ferrar! — deu um tapa no braço da garota. — vamos para a roda gigante agora. — a puxou pelo braço.

— Eu não! — soltou-se. — vai você sozinha.

— Não vou se você não ir também. — cruzou os braços.

— Então você não vai porque eu não quero ir. Vamos fazer outra coisa, além de andar em brinquedos altos.

Ashley concordou.

*****************************************

Elas haviam andado por aquele parque de cima a baixo, foram em todos os brinquedos, furaram a fila do carrinho de bate bate, tiraram, pela primeira vez, fotos juntas. Tinha sido um dia perfeito.

Depois, foram para um lugar, quase que deserto, com apenas algumas casas em volta, perto da casa de Rachel e observavam o céu de verão de Fort Collins deitadas sobre o capô do Rover preto.

As estrelas cintilavam sobre as pupilas das duas garotas iluminando os universos dentro delas.

— Que horas são? — falou mordendo o algodão doce em sua mão.

— São quase dez da noite, ainda dá tempo de ficarmos mais um pouco aqui. — ajeitou seu relógio de pulso.

Um grande silêncio as cercaram e os pensamentos aleatório tomavam conta de suas mentes.

A mente de Ashley reproduzia o mesmo momento quando estavam no carro e Rachel deu a entender que a amava. Se sentia meio intimidada por a garota está tão perto dela.

A de Rachel voava alto. Tão alto do que qualquer estrela visível.

— O que é amor para você? — Rachel perguntou ainda com os olhos no céu.

— Hum, eu sou um pouco leiga nesse assunto, mas acho que amor deve ser você sempre querer estar perto da pessoa que você ama. — respondeu.

Apenas suas respirações poderiam ser ouvidas naquele instante.

— Já sentiu amor por alguém, Ashley? — virou seu rosto, agora a encarando.

— Acho que não. — fitou os olhos verdes.

— Como assim “acho que não”?

— Quando eu tinha onze anos, eu gostava muito de um garoto, mas eu não sabia se gostava ou o amava, então fico na dúvida.

Fingiu estar mexendo no celular só para não encarar Rachel.

— A grande diferença de gostar e amar é que, gostar de uma pessoa, tipo uma paixão, é passageiro, já o amor não, podem passar sessenta anos e ele ainda vai continuar ali com você. Então, resolvendo seu caso, você apenas sentia paixão por ele. — explicou.

Ficaram em silêncio novamente.

— E você, já sentiu amor por alguém? — agora teve coragem de olhar para ela.

Voltou a cabeça para cima novamente, agora os seus olhos verdes encaravam as estrelas.

— Já. — pausou. — Eu conheci uma garota, ano passado, o nome dela era Hannah. Eu e ela nos tornamos amigas muito rápido e quando fomos perceber, já estávamos namorando. Parecia ser um amor perfeito igual a um conto de fadas. Mas, aí eu descobri que ela me traía à oito meses, então terminamos. O pior disso tudo é saber que contos de fadas não existem, eles nos enganaram desde quando éramos crianças. Eu ainda continuo gostando dela, mas não como uma namorada, mas como amigas, amigas que nos nunca conseguimos ser, porque amigos não traem. — engoliu em seco.

— Você ainda tem contato com ela?

— Não. Paramos de nós falar desde o dia do término do nosso namoro.

— Amor não se encontra em qualquer esquina.

A verdade era que, Rachel não suportava ouvir o nome de Hannah. Ela tinha ódio e repúdio à ela, nunca teve coragem de perdoa-la porque, simplesmente, não consegue fazer isso. O rancor sempre falava mais alto.

— Ashley? — voltou a encara-la.

Um colapso se originou quando as pupilas verdes se chocaram com as castanhas produzindo um frio em seus estômagos.

Seus rostos foram se aproximando.

Rachel a desejava assim como Ashley sentia o mesmo.

Olhos confusos viajavam sobre o rosto de Ashley, até que focaram em seus lábios.

Os rostos chegaram tão perto, mas acabaram de ser separados pelo celular de Ashley tocando.

A garota levantou-se depressa antes de seus lábios se chocarem com os de Rachel.

— Oi pai. — encarou o horizonte. — sim, eu já estou voltando para casa.

A outra garota a observava ainda deitada sobre o capô.

— Tá bem, eu já vou, tchau. — encerrou a chamada. — eu tenho que ir agora.

Rachel apenas assentiu.

*****************************************

O caminho de casa foi silencioso. Nada saíra da boca de Rachel desde o quase beijo.

— Até amanhã. — Ashley falou quando o Rover estacionou na frente de casa e sentiu uma mão agarrar seu braço.

— Ashley, espera. Quer ir na minha casa amanhã? Vai ter uma festa que talvez você goste. — sorriu de canto.

— Tudo bem, então te vejo amanhã nessa festa. — saiu.

Dentro do carro, Rachel a observava sumindo dentro de sua casa com um sorriso bobo em seu rosto. Talvez fosse algum sintoma de amor.

 Talvez.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!!!


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