História Written on my skin - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sasuke Uchiha, Shisui Uchiha
Tags Angst, Drama, Narusasu, Sasunaru, Soulmate Au, Uchiha Sasuke, Universo Alternativo, Uzumaki Naruto, Yaoi
Exibições 827
Palavras 4.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hi there!
Eu sei, dessa vez eu demorei um pouco, mas Domesticidade e o aniversário do Naruto tomaram meu tempo totalmente, então não pude postar mais cedo. Por falar nisso, já que toquei no assunto, postei o capítulo 12 de Domesticidade e uma oneshot em comemoração ao aniversário do Naruto chama 'Meu vizinho é um idiota!'. Quem ainda não leu, corre lá.
Mas deixando o merchan de lado, quero muito agradecer ao apoio de todos. Nossa, eu ainda não estou sabendo lidar com o fato dessa fanfic estar sendo tão bem aceita. SOCORRO!! Vocês estão me matando de feels. Muito obrigada mesmo!
Já respondi a maior parte dos reviews, mas aqueles que eu ainda não respondi,não se preocupem, vou respondê-los ainda hoje.
Capítulo escrito ao som de: O Teatro Mágico - Ana e o Mar; Epica - Storm the Sorrow; Placebo - Protect Me From What I Want; Lea Salonga - On My Own; Tiago Iorc - Amor Sem Onde.
Espero de coração que todos gostem desse capítulo. Boa leitura. :)

Capítulo 3 - Laços


Com o passar dos dias, as coisas se tornam gradativamente melhores para Sasuke. São mudanças pequenas, sutis, mas que ainda assim estão ali e ele não consegue ignorá-las. Em muitos dias, levantar ainda é um esforço que exige mais do menino do que qualquer outra coisa e encarar os colegas na escola é um desafio que ele precisa superar diariamente, mas ele persiste.

Persiste porque é o certo a se fazer. Persiste porque não quer preocupar seus tios ou Itachi e porque sabe que aquilo é o que seus pais gostariam que ele fizesse. Sabe que precisa seguir em frente se quiser recuperar a normalidade em sua vida e que a perseverança é o caminho certo para atingir aquele objetivo, mas ainda assim sofre ao fazê-lo.

Nada parece certo em sua vida. Já não mais anseia pelas manhãs de domingo, ou pelas noites de quarta-feira, pois sabe que seu pai não estará lá para treinar com ele. As refeições são uma mera inconveniência à qual ele tolera unicamente para poupar seu irmão de maiores problemas; Itachi já tem coisas suficientes com as quais se preocupar, com o último ano da escola e sua preparação para o vestibular de medicina, e Sasuke está determinado a não se tornar mais um fardo para ele.

Nada parece certo e Sasuke se pergunta quando isso vai mudar. Se pergunta quando conseguirá acordar pela manhã e não sentir o peso no coração que a saudade de seus pais causa. Se pergunta quando aquela injustiça toda ocorrida em sua vida fará sentido e quando aprenderá a lidar com sua nova realidade. Tudo parece tão longe e inalcançável na maior parte do tempo, mas ele sabe que desistir não é uma opção e assim ele continua. Com suas dores, seus receios e dúvidas, mas continua.

E em sua caminhada, as palavras de Naruto o seguem para onde quer que ele vá e nunca o deixam. “Você não tá sozinho, Teme.” Ele dissera e a cada dia que passa, Sasuke consegue enxergar a verdade naquelas palavras. Pois ainda que sua perda tenha sido grande, ainda existem pessoas em sua vida com as quais pode contar e que o amam. Tem Itachi, que o ama e o trata da mesma maneira de antes. Tem também Shisui, que considera como um irmão e que, apesar de demonstrar um pouco de hesitação em certos momentos, também está sempre ao seu lado. E tem seus tios, que acolhem a ele e a Itachi sem questionamentos e sem motivos ulteriores, zelam por seus bem-estares e se esforçam para fazer com que se sintam amados e em casa.

Não, ele não está sozinho, Sasuke finalmente percebe e aquela realização, além do conforto, também traz um motivo a mais para que ele siga com a luta diária pelo controle de sua vida e levanta uma questão que, até então, ficara obscurecida.

Se Naruto mora em um orfanato, significa que não tem mais família viva e se é assim, quais então são seus motivos para seguir em frente?

~*~*~

Uzumaki Naruto é uma incógnita para Sasuke. Depois de mais de um ano inteiro observando seu rival, é obrigado a admitir que não o conhece de verdade, tampouco o compreende.

São poucas as coisas que realmente sabe sobre Naruto. Sabe que ele é órfão e vive em um orfanato, que a felicidade que exibe diariamente não é de todo sincera e que é mais perceptivo e inteligente do que deixa transparecer, mas fora isso Sasuke não sabe de muito mais e esse não saber o deixa desconcertado.

Naruto é imprevisível e um ponto de interrogação constante em sua vida. Toda vez que Sasuke acredita ter conseguido decifrá-lo, o rival aparece e age de uma forma que contradiz todas as suas antigas previsões. Obriga-o a retornar ao ponto de partida e a reconsiderar todas as suas conclusões anteriormente formadas, seja quanto sua personalidade, quanto suas motivações ou ideais.

O incidente ocorrido no telhado da escola só serve para confirmar aquela ideia. Não são amigos e competem constantemente entre si, mas Naruto deixa tudo aquilo de lado e oferece a compreensão a qual Sasuke até então estivera procurando. Traz de volta um fragmento de normalidade em sua vida e o faz enxergar através das muralhas de seu luto.

Naruto compreende e aquela verdade faz surgir uma nova ligação entre eles.

~*~*~

Após aquele primeiro dia de seu retorno às aulas, Sasuke encontra no terraço do colégio sua zona de conforto. Lá consegue ficar sozinho e não sofre tanta pressão dos demais, pode fugir dos olhares piedosos e dos murmúrios que consegue ouvir por onde quer que passe. No terraço só há ele e o silêncio e, para Sasuke, aquilo é o bastante.

É lá que acaba passando boa parte dos seus horários vagos ou intervalos de almoço. Gosta da tranquilidade e quietude do lugar, assim como também gosta de observar a vista de toda a propriedade do colégio. Com seus pensamentos tem paz e esses pequenos momentos de fuga o ajudam a lidar melhor com toda a situação na qual se encontra, com toda a sua realidade, e por isso retorna todos os dias.

Ao soar do sinal, Sasuke recolhe seu material, deixa a sala de aula e faz o caminho até o terraço do prédio. Acomoda-se em seu lugar usual junto ao muro divisor da caixa d’água e lá faz sua refeição em paz e com calma. Faz isso desde o primeiro dia de sua volta e continua fazendo o mesmo nos dias que se seguem.

Ninguém o procura ou tenta falar com ele quando se refugia em sua recém-encontrada zona de conforto -apersar de Sasuke ter plena consciência que seus colegas de classe e demais alunos da escola podem vê-lo muito bem do andar térreo- e é por esse mesmo motivo que se surpreende um pouco quando, quase uma semana depois de começar esse pequeno ritual, Naruto aparece mais uma vez no telhado.

Uma luz de alerta se acende na mente de Sasuke no instante em que vê o rival se aproximar, mas diferentemente do ocorrido da última vez em que estiveram ali, Naruto não tenta iniciar uma conversa. Apenas senta-se ao lado de Sasuke e, retirando um pacote de salgadinhos da mochila gasta, começa a comer em silêncio.

A tensão toma conta do Uchiha. Suas costas estão rijas contra o muro e seu bento jaz meio comido em seu colo. De repente, os sentidos do menino se aguçam e ele fica hiper consciente da presença do rival ao seu lado. Pelo canto dos olhos, Sasuke o observa com olhares furtivos, mas Naruto nem sequer olha em sua direção. Apenas fica ali, quieto e comendo seu pacote de salgadinhos como se nada demais estivesse acontecendo. Quando termina, limpa os farelos de suas mãos na calça jeans e coloca o pacote vazio dentro da mochila por não encontrar uma lixeira por perto.

É apenas uma questão de tempo até que ele comece a falar, Sasuke está convencido disso. Naruto não é, nem de longe, a pessoa mais silenciosa da escola. Não demorará muito até que ele desista daquela cena e fale logo o que está fazendo ali. Para espanto de Sasuke, porém, os minutos transcorrem sem que o outro pronuncie uma palavra sequer e ele, então, se obriga seguir o exemplo dado por Naruto. Termina de comer seu almoço e guarda a caixinha de volta em sua mochila, recostando-se no muro para poder aproveitar aqueles últimos minutos de descanso antes de voltar para as aulas da tarde. Ignora a presença do outro menino por não saber o que fazer.

É somente quando o intervalo está quase no fim que Sasuke percebe o que Naruto está fazendo. ‘Às vezes, a gente acaba preferindo ficar sozinho pra não ter que lidar com isso, mesmo que, no fundo, ficar sozinho não seja exatamente o que a gente quer de verdade.’, ele dissera para Sasuke há uma semana e o mais velho finalmente percebe que aquela é a maneira que Naruto tem de oferecer apoio. Sabe que palavras são inúteis, por isso não tenta conversar e faz a única coisa em seu alcance no momento; ele fica ao lado de Sasuke para que o garoto não se sinta sozinho.

A descoberta o deixa um pouco zonzo e sem reação. É estranho para ele receber aquele tipo de apoio justamente de Naruto, mas ao mesmo tempo percebe que também é certo. De todos no colégio, Naruto é quem já passou pelas mesmas coisas que Sasuke está passando, por isso sabe exatamente o que pode ou não pode fazer, o que funciona ou o que é inútil naquele momento. Sabe que Sasuke procura por paz, mas também sabe que ficar sozinho pode ser opressivo demais, por isso se coloca à disposição e oferece companhia, mas não tenta iniciar uma conversa.

O frágil vínculo formado há uma semana se torna um pouco mais forte à medida que Sasuke sente sua desconfiança pelo rival se tornar mais branda. E ainda que não externe aqueles sentimentos, saber que alguém naquele lugar estranho o entende e está ali por ele, mesmo que de maneira silenciosa, o acalenta.

Não conversam, sequer se olham, mas Sasuke sente a tensão em volta deles se desfazer e o silêncio se transforma em uma espécie de cobertor que os envolve e acolhe numa atmosfera reconfortante.

Quando o sinal toca, anunciando o fim do intervalo, Naruto se levanta e bate nas calças jeans para limpá-las da poeira. Sua mochila está segura em suas mãos, mas ao invés de ir embora, permanece ali de pé. Somente após alguns instantes é que Sasuke percebe que Naruto está esperando-o e ele acaba se levantando às pressas.

Só então trocam o primeiro olhar de verdade. Frente a frente, Sasuke o observa com olhos estreitados, analisando o rival em busca de algo que explique suas motivações por trás de todos aqueles gestos de bondade, mas encontra nada. E diante do olhar penetrante do rival, Naruto apenas oferece-lhe um sorriso e, com um breve aceno, deixa o terraço.

~*~*~

No dia seguinte, Naruto não o procura no horário de almoço.

De seu lugar usual no telhado, Sasuke consegue vê-lo com um grupo de amigos no jardim. Brincam, riem e almoçam todos juntos e Naruto exibe aquela sua fachada de felicidade extrema que sempre mantém montada quando seus amigos estão por perto. Observando-o de longe, não dá para acreditar que aquele garoto que ri, fala alto e gesticula loucamente enquanto conversa com os amigos é o mesmo que, no dia anterior, passou uma hora inteira em completo silêncio ao seu lado. Sasuke se pergunta se algum de seus colegas de classe já teve a oportunidade de presenciar aquela faceta da personalidade de Naruto, ou se aquela é uma parte de si que Naruto só mostra para poucas pessoas. Em seu íntimo, se vê ansiando pela primeira opção, apesar de não compreender direito o porquê.

Sasuke está terminando de comer quando o olhar de Naruto, de repente, cruza com o seu. O contato visual não dura mais que alguns segundos, apenas tempo o suficiente para Naruto lhe oferecer  o mesmo sorriso aberto e genuíno do dia anterior e para Sasuke identificar o reconhecimento no olhar do outro menino. Em seguida, Naruto retorna para a conversa com os demais e seus amigos nem sequer notam o que acabou de acontecer ali.

Um meio sorriso surge furtivamente no rosto do Uchiha e ele termina seu almoço sentindo-se bem mais leve do que no começo.

~*~*~

Quase dois meses se passam após a morte de seus pais e, apesar da saudade ainda ser aterradora, levantar pela manhã já não é mais o sacrifício que costumava ser, pelo menos não todos os dias. Consegue manter uma rotina que, pouco a pouco, faz com que sua vida volte aos eixos.

Ir à escola ainda é um pouco cansativo e Sasuke na maior parte do tempo prefere ficar sozinho, mas o sentimento claustrofóbico que o lugar trazia no começo se desfaz com o passar dos dias e, junto dele, também vão embora os olhares de pena lançados em sua direção e as palavras de falso conforto.

Aquela mudança é mais do que bem-vinda e torna a vida de Sasuke bem mais suportável. É ótimo saber que seus colegas de classe agora tem coisas mais importantes com as quais se preocupar do que com sua tragédia pessoal, ou então já não estão mais interessados em fingir uma compaixão que na realidade não sentem. Independente do motivo, porém, Sasuke fica bastante satisfeito por não ser mais o foco das atenções de todos e abraça com entusiasmo toda e qualquer oportunidade que tem de ficar na dele e sem os demais por perto.

Refugia-se em seu lugar usual junto ao terraço praticamente todos os dias. Na maior parte das vezes, passa esse tempo sozinho, mas vez ou outra, pelo menos uma vez por semana, Naruto se junta a ele.

É estranho para Sasuke o quanto sua relação com o rival mudou com o decorrer desses dois meses. Estranho, mas não ruim. A presença de Naruto não é um incômodo, como sempre fora desde o dia em que se conheceram, mas o próprio Naruto já não parece mais o mesmo aos olhos de Sasuke. Ele vê um lado do rival que até então não conhecia. Um lado mais centrado, mais sóbrio e mais honesto. Um lado não tão hiperativo e capaz de manter uma conversa em tom de voz normal, sem gritos e sem brincadeiras idiotas. Quando o conheceu, Sasuke jamais imaginou que Naruto possuísse um lado mais sério, mas fica feliz ao descobrir que estivera errado.

Das primeiras vezes que se encontram no telhado, passam a maior parte do tempo em silêncio. Comem juntos e observam o horizonte lado a lado, mas o silêncio confortável entre eles perdura. Não demoram, contudo, a encontrar interesses em comum sobre os quais conversar. Um professor chato, alguma idiotice que um colega de classe falou durante a aula, o último episódio de Digimon Adventure, tudo acaba virando motivo para conversas e Sasuke se surpreende ao perceber o quanto realmente aprecia a companhia de Naruto naqueles momentos.

É uma descoberta inesperada, repentina, diferente,  mas boa. Dá a Sasuke uma razão a mais para continuar frequentando a escola e torna seus dias mais suportáveis, pois mesmo quando Naruto não está por perto, o menino sabe que estão ligados de alguma forma, que compartilham aquele fator em comum. Cada vez mais Sasuke se vê ansiando pelos dias em que Naruto se junta a ele e cada vez mais sente seu peito ficar mais leve à medida que aquele vínculo entre eles se fortalece.

São rivais. Brigam, discutem e discordam em praticamente tudo, mas existe aquele ponto de reconhecimento entre eles causado pela dor que ambos agora conhecem. Aquele sentimento de identificação que parece dizer ‘olha, eu sei exatamente pelo quê você está passando’ mesmo quando não trocam uma palavra sequer.

São rivais, mas ao mesmo tempo Sasuke desconfia que estão se tornando amigos e ele não sabe o que fazer com aquilo.

~*~*~

Por meados de novembro daquele ano, Naruto desaparece da escola.

Num primeiro momento, Sasuke não dá muita atenção à ausência do outro menino. Apesar de estarem se entendendo melhor, Naruto ainda é um ponto de interrogação para ele e Sasuke nunca sabe o que esperar do rival. Por isso, quando uma semana inteira se passa e Naruto não aparece para uma aula sequer, o mais novo dos Uchiha apenas conclui que, o que quer que esteja acontecendo, é algo passageiro e, logo, o garoto estará de volta.

O único problema é que Naruto também não aparece na segunda semana e, àquela altura, Sasuke já não consegue mais ignorar a pontada de preocupação que surge em seu estômago. Passa a prestar atenção nas conversas ao seu redor, numa tentativa de captar quaisquer informações que seus demais colegas de classe possam ter de Naruto, mas consegue absolutamente nada. Seus colegas de classe parecem tão perdidos quanto ele, os professores não falam uma única palavra a respeito e aquelas constatações só fazem a preocupação de Sasuke aumentar ainda mais.

Na sexta-feira, quando Naruto também não aparece, a paciência de Sasuke se esgota e ele decide tomar uma providência quanto ao assunto. Não vai ficar parado, apenas esperando que Naruto retorne ou que os professores decidam falar alguma coisa. É um Uchiha e Uchihas não esperam sentados que alguma coisa aconteça, Uchihas de verdade fazem as coisas acontecerem. Por isso, quando a última aula daquele dia termina, Sasuke espera que todos os alunos deixem a sala de aula e, então, se aproxima da mesa onde Kakashi-sensei está corrigindo trabalhos.

“Posso ajudá-lo em alguma coisa, Sasuke?” o professor pergunta, ao perceber a presença do menino. Não tira os olhos dos trabalhos que corrige, mas Sasuke sabe muito bem que tem a total atenção do homem.

“Eu queria saber se o senhor tem notícias do Naruto,” ele diz.

Kakashi não esperava por aquela resposta, o menino pode ver claramente, pois o professor fixa um olhar curioso em seu aluno, abandonando pela metade a tarefa de corrigir os trabalhos. “E por que quer saber?”

“Porque já fazem duas semanas que ele não aparece, isso não é normal.” Espera sinceramente que seu rosto esteja tão sem expressão quanto imagina, pois não quer que Kakashi perceba a preocupação por trás de sua pergunta.

“Não, não é. Assim como também não é muito normal que justamente você venha perguntar sobre ele. Achei que não se gostassem muito.”

“Só porque somos rivais, não quer dizer que não posso ficar curioso quando alguma coisa estranha acontece.”

O olhar de Kakashi sobre o menino perdura, mas Sasuke não se deixa intimidar ou transparecer qualquer sinal de desconforto. Ele continua de pé em frente a mesa do professor por vários segundos, até que Kakashi finalmente sorri e recosta-se em sua cadeira. “Tudo bem,” diz por fim, cruzando os braços. “Se quer tanto saber assim, Naruto não está vindo a aula porque está no hospital.”

“Que?” Sua voz soa um pouco mais aguda do que deveria e Sasuke se repreende mentalmente por aquele momento de fraqueza.

“Você sabe que Naruto mora no orfanato da cidade, não sabe?” Kakashi pergunta e quando o menino assente, ele continua. “Infelizmente, o orfanato é localizado em uma área não muito boa de Konoha. O lugar tem alguns problemas com gangues juvenis e tem altos índices de assaltos e vandalismo.”

O cenho do menino se franziu. “Mas o que isso tem a ver com Naruto?”

“Há duas semanas, Naruto estava voltando do parque com duas crianças menores do orfanato. No meio do caminho, um grupo de garotos mais velhos começou a persegui-los e tentou assaltá-los. As crianças ficaram com medo e Naruto tentou protegê-las, o que não foi uma boa ideia. Os menores conseguiram fugir, claro, mas Naruto não teve a mesma sorte. Quando a diretora do orfanato chegou no local onde os menores disseram terem sido atacados, encontrou Naruto inconsciente na calçada. Uma senhora estava com ele e avisou que já tinha chamado uma ambulância, o que foi uma sorte muito grande, porque o estado dele era realmente ruim.”

A cada palavra de Kakashi, Sasuke sente o sangue fugir de seu rosto. Seu coração aperta e suas pernas perdem a força de tal maneira, que o menino não sabe como ainda consegue se manter de pé. Suas mãos se fecham com demasiada força em torno das alças de sua mochila e o mundo parece girar em sua volta. Sente-se tonto, mas alguma coisa ainda lhe dá forças para continuar ali.

“Naruto…” ele começa, mas sua voz falha. Já não tem mais dúvidas de que Kakashi consegue notar o quanto aquela notícia o afeta, mas não se importa mais. Precisa saber como Naruto está, precisa saber se ele está bem ou se…

“Ele está bem, Sasuke,” Kakashi garante e o menino não consegue ignorar o toque de compaixão na voz do professor. “Seus ferimentos foram sérios, mas ele está se recuperando bem.”

A novidade alivia um pouco de sua preocupação, mas não o suficiente. Só se sentirá satisfeito e despreocupado quando vir por si mesmo que Naruto está bem.

“Naruto está no Hospital Geral de Konoha,” o professor continua. “O horário de visitas termina às cinco.”

Eu estou fazendo um péssimo trabalho disfarçando minhas intenções, Sasuke pensa, mas acaba percebendo que se importa menos com aquilo do que realmente deveria.

“Obrigado, Kakashi-sensei,” ele agradece com educação. E com um breve aceno, deixa a sala de aula.

~*~*~

Não é difícil convencer Itachi a levá-lo até o hospital. Os dois pegam o ônibus até o distrito oeste e, pouco mais de meia hora depois, uma enfermeira os guia pelos corredores silenciosos do hospital até o quarto de Naruto.

“O horário de visitas acaba em quarenta minutos,” a mulher informa. “Fiquem a vontade.” E sem mais palavras, deixa-os sozinhos.

De frente para a porta, Sasuke hesita. De repente, sente-se nervoso. Kakashi disse que Naruto estava bem, mas uma partezinha de seu cérebro não consegue afastar a possibilidade do professor ter falado aquilo apenas para acalmá-lo. E se Naruto não estivesse tão bem quanto haviam lhe dito?

“Vai ficar aí parado o restante do horário de visitas?” A voz de Itachi o tira de seus devaneios e o traz de volta à realidade. Sasuke lança um olhar incerto ao irmão. “O que foi, Sasuke?”

“E se Naruto não estiver bem?”

A expressão no rosto de seu irmão mais velho é impassível, mas a compreensão nos olhos dele é inconfundível. Itachi repousa uma das mãos no ombro de Sasuke, trazendo a atenção do caçula toda para si. “Se ele não estiver bem, então vai ser seu dever como amigo dele zelar por ele e fazer o que estiver em seu alcance para que ele se recupere.”

“Não somos amigos,” Sasuke retruca, mas o rubor em suas bochechas tira todo o crédito de suas palavras.

“Colegas, então. Mas o que eu quero que você entenda é que o seu dever é estar ao lado dele durante esse tempo de necessidade, assim como acredito que ele estaria ao seu lado se algo de ruim te acontecesse.”

Sasuke não responde. Ele ainda encara o irmão alguns segundos, antes de retornar sua atenção para a porta fechada à sua frente. Respirando fundo, suas mãos se fecham ao redor da maçaneta.

“Vou estar na sala de espera,” Itachi avisa, assim que Sasuke abre a porta e o menino apenas assente.

Ele para junto à porta e observa a enfermaria ainda com hesitação. O lugar é pequeno, com apenas uma cama, um criado mudo e a aparelhagem básica ao lado do leito. Pela janela, o sol da tarde inunda o quarto e as paredes brancas o tornam ainda mais claro.

Naruto está deitado na cama. Seu braço esquerdo está coberto por um gesso e Sasuke consegue ver partes das bandagens que cobrem o torço do garoto pelas parte aberta na frente de sua roupa. O rosto de Naruto é uma confusão de hematomas parcialmente curados e o som do aparelho que monitora seus batimentos cardíacos é constante, forte.

“Sasuke?” O garoto pergunta, surpreso.

Ele está bem, é o primeiro pensamento que surge na mente do Uchiha. Eu quase o perdi também, mas ele está bem. Pois ainda que o estado de Naruto não seja um dos melhores, o sorriso que se forma e ilumina o rosto dele à medida que Sasuke se aproxima do leito é o suficiente para acalmar as preocupações que o atormentaram desde o momento em que recebera a notícia de Kakashi.

“O que está fazendo aqui, Teme?” Naruto continua, como se ainda não conseguisse acreditar que o outro menino estava realmente ali.

“Você é um idiota!” É a primeira coisa que deixa os lábios de Sasuke e ele sente seus olhos arderem tamanho é o alívio que sente. “Tá achando que é algum super herói pra enfrentar um bando de garotos mais velhos que você? Achei que você fosse mais inteligente que isso, Usuratonkachi.”

“Desculpa, não quis te preocupar.”

“Não estou preocupado! Só estou indignado com o tamanho da sua burrice.”

O sorriso de Naruto não vacila e sua expressão se suaviza.

“Desculpa,” ele torna a dizer e Sasuke quase não consegue segurar a vontade aterradora de chorar de alívio que sente.

Quase.

~*~*~

A confusão com a gangue rende a Naruto um braço quebrado, três costelas fraturadas, seis pontos na testa, dois dedos deslocados e luxações e hematomas em praticamente todo o corpo. Já está internado há duas semanas quando Sasuke vai visita-lo pela primeira vez e os médicos só o liberam uma semana depois, quando suas costelas já estão suficientemente curadas.

Sasuke visita-o todos os dias até sua alta.


Notas Finais


So, como foi? Vem me dizer o que vocês acharam!
Amo receber reviews (quem não gosta?) e eles me ajudam a beça a melhorar, por isso não fiquem com vergonha, babies.
Para aqueles que preferem surtar comigo pelo Facebook, tá aqui o link: https://www.facebook.com/ninetailedfoxfanfiction/ Estarei esperado por vocês.
Venham em amar para eu poder amar vocês também. ♥
Por enquanto, isso é tudo.
Espero que todos tenham gostado, viu!?
Até a próxima.


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