História Written on my skin - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sasuke Uchiha, Shisui Uchiha
Tags Angst, Drama, Narusasu, Sasunaru, Soulmate Au, Uchiha Sasuke, Universo Alternativo, Uzumaki Naruto, Yaoi
Exibições 300
Palavras 4.644
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Cheguei! Com capítulo arrasador e dois dias antes do previsto.
Socorro, quanta eficiência. UAHSUSHSAUH Brincadeira, estou postando porque não vou poder postar no sábado e nem amanhã, por isso vim amar vocês antes. <3
Coisas lindas da minha vida, eu espero sinceramente que vocês gostem desse capítulo, porque eu amei escrever esse capítulo, principalmente a cena final. Quero saber o que vocês acharam.
Outra coisa! Gostaria de agradecer a todos pelos favoritos e comentários que vocês enviaram no capítulo passado, eu não estou aguentando de tanto amor! Vocês são todos incríveis, muito obrigada! Ainda não terminei de responder aos comentários, mas o farei, não se preocupem. Eu tardo mas não falho. :)
Mas enfim, o que eu tinha para falar era isso. Do mais, eu espero que vocês aproveitem esse capítulo novo.
A trilha sonora do capítulo foi composta pelo CD Rogério, da Supercombo.
Boa leitura. :)

Capítulo 5 - Almas Gêmeas


Sasuke tem quinze anos quando a questão do sistema de almas gêmeas retorna à sua mente.

Até então, não tinha gastado muito de seu tempo pensando sobre o assunto ou se preocupando com ele. Era apenas uma criança e, por mais que aquele fosse um assunto importante e decisivo em sua vida, Sasuke estava ocupado demais com todos os problemas da infância e pré-adolescência para dar atenção à algo que ainda demoraria a acontecer a ele. Aos dez anos, o sistema de almas gêmeas é apenas uma realidade para um futuro longínquo. Aos quinze, contudo, essa realidade é iminente, assustadora e inevitável.

“Você já parou para pensar que daqui a três anos a gente vai descobrir quem são nossas almas gêmeas?” A pergunta parte de Naruto, durante um dia qualquer de aula.

É horário de almoço e os dois estão sentados juntos no terraço da escola. Do alto do prédio eles conseguem ver o restante de seus amigos conversando e rindo no pátio do colégio, mas eles não se juntam ao demais. É um daqueles dias em que Sasuke não se sente disposto a socializar com mais de três pessoas ao mesmo tempo e, por isso, acabam retornando ao refúgio do telhado para fugir um pouco da confusão.

Os recipientes de seus almoços jazem vazios no chão ao lado deles e apesar de outubro já estar no fim e o outono ter atingido seu ápice, o sol brilha forte em meio ao azul limpo do céu, sem que nem mesmo uma leve brisa sopre para aliviar um pouco o calor opressivo daquela tarde.

“Na verdade não,” Sasuke responde. Não se vira para encarar o amigo, apesar de conseguir ver muito bem por sua visão periférica que Naruto o observa com aquela expressão de absoluto choque que o deixa parecendo um completo idiota.

“Como assim nunca pensou nisso? Em que mundo você vive?”

Sasuke dá de ombros, apenas para demonstrar o quanto aquele assunto não lhe interessa. “Não faz diferença pra mim,” ele diz e aquilo é a mais pura verdade.

Jamais parou para analisar profundamente a questão justamente por não ver motivos para ansiar por aquele momento. Quando criança, Sasuke jamais compreendeu o porquê das pessoas darem tanta importância às suas marcas de almas gêmeas e, apesar de hoje já aceitar a importância daquilo para alguns, ele continua sem entender o alvoroço e estado de ansiedade que atinge quase todo mundo quando o sistema é mencionado.

“Teme, isso é uma coisa que pode mudar a sua vida pra sempre,” Naruto argumenta, alarmado. Ele parece incapaz de assimilar a pouca importância que o melhor amigo dá à questão e Sasuke contém um rolar de olhos.

É claro que Naruto leva aquela história de alma gêmea à sério, Sasuke se surpreenderia se ele não levasse. Ele finalmente desvia o olhar do horizonte e encara Naruto com impaciência.

“Talvez, mas não precisa mudar necessariamente,” Sasuke replica. “Não sou obrigado a seguir um sistema que eu não faço ideia de como é montado ou quais são os padrões usados no processo de seleção da alma gêmea. Quem garante que a minha marca vai estar certa?”

“Que? Que monte de besteira é essa que ‘cê tá falando?”

Dessa vez, Sasuke de fato rola os olhos. Ele recolhe os recipientes vazios do almoço que Itachi tinha preparado para eles e os guarda em sua mochila, antes de tornar a encarar o melhor amigo com seriedade.

“Não é besteira,” ele diz. “A gente não sabe de onde isso vem, Dobe, não dá pra confiar. E se aparecer um nome aleatório no seu corpo? O nome de alguém que você não tem ideia de quem é? Essa pessoa pode estar em qualquer lugar, como você espera encontrar ela? Vai gastar a sua vida inteira procurando por ela?”

A boca de Naruto se abre, como se ele tentasse articular alguma coisa para contra-argumentar a afirmação de Sasuke, mas torna a se fechar quando o garoto não consegue encontrar uma boa resposta. Aquela realização só incentiva Sasuke a continuar seu raciocínio.

“E mais,” ele acrescenta. “A própria escolha das almas gêmeas é algo completamente arbitrário. Seja lá o que controla essa escolha aponta do nada uma pessoa e diz que aquela é a pessoa que me completa e eu tenho que acreditar nisso? Mesmo eu tendo vivido dezoito anos da minha vida me relacionando com diferentes pessoas e talvez até me apaixonado por alguma delas? Isso não faz sentido nenhum, Usuratonkachi, não tem lógica.”

“Mas o amor não tem lógica, seu idiota!” Naruto exclama, jogando as mãos para o alto em sinal de frustração. A voz dele soa mais alta do que de costume e aquilo só deixa explícito o quanto o assunto realmente importa para ele. “As marcas te indicam a pessoa que é mais compatível com você, a pessoa que te completa. Não é ciência, não é pra ser lógico. E você pode falar o quanto quiser sobre ser arbitrário e aleatório, mas o sistema funciona e isso você não pode negar.”

“Diz isso pras pessoas que não conseguem encontrar a alma gêmea delas a tempo e acabam perdendo a marca delas quando a outra parte morre. Essas pessoas com certeza vão concordar com você.”

Aquela resposta desarma Naruto e ele se cala. Sasuke consegue ver que o melhor amigo quer argumentar, que ele quer convencê-lo de que o sistema é algo bom e coerente, mas que o último argumento de Sasuke o deixou sem ter o que dizer. Todos sabem da existência dos Não Marcados, apesar da maioria não mencionar o assunto abertamente, formando uma espécie de acordo tácito que se estende entre toda a população.

Para a sociedade em geral, a pessoa que perde sua marca está para sempre fadada a viver incompleta e sozinha. Para Sasuke, aquilo é uma enorme bobagem e algo bem ridículo, mas considerando que Naruto tem total confiança naquele sistema esdrúxulo e sem sentido, é necessário apontar aquela parte da verdade para que o amigo não se perca em suas fantasias infantis de contos de fadas e finais felizes e acabe se enganando. Não se sente bem por fazer isso. Não gosta de quebrar as esperanças de Naruto daquela maneira, principalmente quando a realidade é bastante cruel, mas alguma hora o melhor amigo precisaria enxergar as coisas como elas realmente são.

O sistema de almas gêmeas pode ser bom para alguns, mas no geral é falho e não se pode confiar nele tão cegamente. Quanto mais cedo Naruto compreender aquilo, melhor para ele. Menos expectativas serão criadas e, consequente, menos decepções virão.

Quando Sasuke percebe que Naruto não vai rebater seu argumento, ele torna a sentar-se direito contra a laje da caixa d'água e volta a observar o horizonte que se estende à sua frente. Não tenta puxar conversa, pois sabe que o melhor amigo não responderá bem às suas tentativas naquele momento e, por isso, prefere permanecer em silêncio.

Lá embaixo, o pátio começa a esvaziar à medida que o horário de aulas se aproxima. O grupinho com os amigos de ambos se dispersa aos poucos. Sasuke vê Neji e Tenten retornando ao prédio principal, vê Gaara partir em direção à biblioteca e, logo em seguida, Shikamaru e Chouji deixarem o gramado também, provavelmente para passarem na lanchonete antes de retornarem para a sala de aula. O próprio Sasuke já considera a ideia de retornar para a sala quando Naruto volta a falar.

"Sabe, Sasuke, um dia você vai se apaixonar por alguém e vai perceber que nem sempre as coisas possuem lógica ou podem ser explicadas de um jeito racional," o garoto fala e seu semblante é pensativo, grave e nem um pouco usual. "Quando isso acontecer, talvez você passe a levar a sério o sistema e perceba como ele é importante na vida de cada um de nós. Porque mesmo que você não concorde com isso, daqui a três anos um nome vai aparecer pra você e essa pessoa vai ser a pessoa que te completa e pode te fazer feliz. Por mais que você diga que não se importa, eu me pergunto quanto tempo você vai conseguir olhar para aquele nome e não fazer nada sobre isso, mesmo sabendo que aquela pessoa tá por aí só esperando ser encontrada."

Existe certa decepção no rosto de Naruto, como se de alguma forma Sasuke não estivesse correspondendo a alguma expectativa que o amigo criara e aquilo é desconcertante. É desconcertante pois Sasuke odeia estar errado ou falhar em alguma coisa e  também porque ele não consegue enxergar exatamente onde está decepcionando Naruto.

“Naruto…”

O sinal toca de repente, anunciando o final do horário de almoço e impedindo Sasuke de falar qualquer coisa. E Naruto, por sua vez, também não espera por uma resposta. Ele se levanta do chão e limpa as calças jeans com as mãos, jogando a mochila gasta sobre um dos ombros.

“Você vem?” ele pergunta e só então Sasuke percebe que continua sentado no chão encarando em silêncio o melhor amigo.

Ele sacode a cabeça para livrar-se daqueles pensamentos e se levanta rapidamente, recolhendo a mochila jogada no piso sujo e seguindo o amigo até a porta de acesso ao telhado.

Os dois já estão nas escadarias, a caminho do segundo andar, quando Naruto para de repente no meio dos degraus e agarra o braço direito de Sasuke para impedi-lo de continuar.

“Que foi?” Sasuke pergunta, assim que percebe os olhos arregalados do outro garoto. Sua mente começa a montar diversos cenários ruins, mas ele tenta controlar a pontinha de pânico irracional que ameaça surgir.

“Me diz que o dever de matemática não era pra hoje,” ele pede, desesperado, e Sasuke ri.

O assunto sobre as almas gêmeas é deixado de lado, substituído pela desolação de Naruto por uma possível nota baixa em matemática naquele semestre.

Sasuke agradece mentalmente pela mudança.

~*~*~

A grande questão de se ter Uzumaki Naruto como melhor amigo é que, por trás do jeito escandaloso, avoado e atrapalhado, Naruto esconde uma inteligência surpreendente e é preciso entender que seus momentos mais idiotas sempre poderão ser interrompidos por lapsos de genialidade e sabedoria.

A inteligência de Naruto não é fácil ou racional como a de Sasuke. Naruto nunca consegue pegar as explicações de matemática logo de primeira, é bem mais ou menos em física e se dispersa facilmente caso o assunto tratado não seja de seu interesse. Ele fala bobagens o tempo todo, faz piadas ruins e cria os piores trocadilhos de duplo sentido, mas também é capaz de fazer observações e dar opiniões sólidas que deixam até mesmo o próprio Sasuke sem argumentos às vezes.

Naruto é uma eterna contradição, Sasuke conclui logo nos primeiros anos de amizade entre eles e aquela conclusão só se concretiza a cada dia de convívio. Num momento extremamente bobo, no seguinte incrivelmente perspicaz. A conversa sobre as almas gêmeas no telhado da escola na última terça só se mostra como mais uma prova daquela ideia.

Depois daquele dia, Sasuke tenta deixar o assunto de lado. Ele tenta se concentrar no seu dia a dia, nas aulas, nos deveres de casa, trabalhos e em todo o resto, mas nem sempre consegue. Nos momentos de tédio e marasmo, é difícil controlar os pensamentos inconvenientes e indesejados que cismam em tomar sua atenção.

E as palavras ditas por Naruto naquele dia acabam voltando para assombrá-lo nos momentos mais inoportunos e quando Sasuke menos espera. Pouco antes de dormir, enquanto espera sua tia terminar de preparar o café-da-manhã, durante o banho ou enquanto assiste algum documentário chato sobre biologia com Itachi. Momentos em que Sasuke está distraído o suficiente para não perceber aqueles pensamentos rondando seu subconsciente e esgueirando-se de maneira sorrateira até tomar conta de toda a sua mente.

É irritante e Sasuke pouco pode fazer para evitar que aconteça.

"...um dia você vai se apaixonar por alguém e vai perceber que nem sempre as coisas possuem lógica ou podem ser explicadas de um jeito racional."

Talvez Naruto até tenha um pouco de razão. Nem tudo na vida pode ser explicado de maneira racional e lógico, Sasuke sabe muito bem. Não é possível explicar o amor puro e incondicional de uma mãe por seus filhos, ou a antipatia imediata e irracional que se sente por determinadas pessoas. A própria amizade nascida entre ele e Naruto é prova de que explicações lógicas não podem ser aplicadas a todos os casos, mas isso não o impede de acreditar que tudo seria bem mais fácil se isso fosse realmente possível.

Mas em um ponto, porém, o argumento de Naruto é falho. Sasuke não concorda com o sistema de almas gêmeas e não mudará de opinião, mesmo que por alguma ironia do destino ele se apaixone por alguém. Passou quase dez anos de sua vida considerando o sistema uma coisa idiota e desnecessária e está convencido de que essa opinião o acompanhará pelo resto de seus dias.

Aos quinze anos, Sasuke ainda não tem noção das mudanças que o amor é capaz de trazer para a vida de uma pessoa ou do do quão próximo está de descobrir aquela verdade.

~*~*~

Quase dois meses depois das almas gêmeas serem trazidas à tona por Naruto, uma brincadeira de mau gosto dá uma guinada na vida de Sasuke e a muda para sempre.

As provas finais antes do recesso de Natal estão chegando e ele e Naruto tem usado todo o tempo livre disponível que possuem para revisar as matérias dos exames. É um processo chato, lento e trabalhoso, principalmente porque Naruto na maioria das vezes tem sérios problemas para entender suas próprias anotações e perde preciosos minutos de estudo tentando decifrar seus garranchos ilegíveis, o que só torna o trabalho ainda mais arrastado. As horas passam lentamente e parecem intermináveis na maioria dos dias.

Sasuke não precisa realmente de todo aquele estudo. Suas notas parciais já são bastante altas e ele pode se dar ao luxo de tirar notas medianas sem ter que se preocupar com o impacto que elas possam trazer para suas médias finais, mas Naruto ainda está lutando para compreender a matéria de física e ainda não terminou de estudar toda a matéria de história, por isso Sasuke acaba se submetendo àquelas horas de tortura para não deixar o amigo na mão. Que espécie de melhor amigo ele seria se abandonasse Naruto à sua própria sorte para lidar com as matérias acumuladas?

O pior melhor amigo de todos, Sasuke pensa e seus lábios se curvam em um pequeno sorriso ao lembrar-se da ocasião em que aquelas palavras foram ditas pela primeira vez, há dois anos.

Estudam todos os dias após as aulas e durante os fins de semana. Quatro, cinco, às vezes seis horas seguidas ou mais, até que nenhum dos dois consiga suportar mais olhar para os livros e cadernos ou até que uma dor de cabeça torne a tarefa quase impossível. Aquela rotina se estende por duas semanas até que as provas por fim chegam e eles se veem mergulhados na insanidade dos exames finais e a tensão do final do ano.

É um verdadeiro inferno. As provas são desgastantes e as revisões de última hora drenam as forças de Sasuke, mas ele não se deixa abater por aquilo. Reúne toda a força de vontade e disposição que ainda possui em seu corpo e enfrenta exame atrás de exame sem titubear.

Quando termina a última prova do termo, Sasuke mal consegue acreditar que está livre. Não tem dúvidas de que obterá bons resultados em todos os exames e a perspectiva dos dias de folga que o recesso de fim de ano trará faz com que ele respire ainda mais aliviado. Só falta Naruto terminar suas avaliações também para que eles possam dar o fora dali e aproveitar aquela tão duramente alcançada liberdade.

Ele deixa a sala de aula quase meia hora antes do sinal bater e, sem pressa, faz o caminho até a cafeteria para esperar enquanto Naruto termina sua prova. Normalmente, o terraço é sempre sua primeira opção, mas o inverno já está próximo demais e os dias tem ficado cada vez mais frios, tornando inviável para qualquer pessoa normal ficar mais de quinze minutos ao ar livre sem correr o risco de sofrer de hipotermia. Por isso, Sasuke faz o caminho até a cafeteria mesmo sabendo da probabilidade do local estar lotado.

Fica um pouco aliviado ao descobrir que sua suposição está errada. Poucos são os alunos que ocupam a cafeteria e o barulho de suas conversas é apenas um murmúrio baixo. Ao que parece, a maioria dos adolescentes ainda está enrolada com as últimas provas, assim como Naruto e o restante de seus amigos. Uma má notícia para eles, que ainda precisam enfrentar mais longos minutos de tortura até estarem finalmente livres, mas uma excelente notícia para Sasuke, que graças a isso pode escolher livremente a mesa em que quer se sentar e não precisa bancar o simpático com ninguém.

Ele escolhe uma mesa no canto da cafeteria. Longe do centro, onde frequentemente a confusão de alunos se concentra quando o lugar começa a encher, e perto de sua lanchonete favorita. Sem pensar duas vezes, ele compra um latte e senta-se na cadeira de frente para a entrada da cafeteria, de onde não terá problemas em avistar Naruto quando ele chegar.

Enquanto bebe seu latte, aproveitando o calor que a bebida quente lhe proporciona e a paz de estar finalmente livre de todas as provas, Sasuke observa as pessoas ao seu redor com pouco interesse. Algumas meninas passam por ele e acenam timidamente, mas o garoto apenas rola os olhos e continua concentrado em seu copo de café.

Ele já está quase terminando a bebida, quando o primeiro de seus amigos aparece. Infelizmente, não é Naruto, mas Sasuke também fica bastante feliz ao ver Gaara se aproximar da mesa onde ele está sentado. Se será obrigado a esperar o melhor amigo na companhia de alguém, pelo menos esse alguém será Gaara, com quem Sasuke poderá ter uma conversa civilizada e não correrá o risco de passar o restante de sua tarde aturando brincadeiras idiotas. Poderia ser bem pior, ele conclui.

Com um pequena aceno de cabeça, Gaara se senta na cadeira de frente para Sasuke, mas não diz coisa alguma. Seu semblante é exausto e as olheiras em seu rosto estão ainda mais escuras e profundos do que de costume. Se não fosse pela cadeira suportando seu peso naquele momento, Sasuke não se surpreenderia se o garoto caísse duro no chão de cansaço.

“Sua cara tá péssima,” Sasuke comenta e dá o último gole no latte,antes de colocar o copo vazio em cima da mesa.

Recebe um olhar gélido em resposta e mais silêncio da parte de Gaara e o Uchiha apenas dá de ombros. Se o outro garoto não está afim de conversar, tudo bem por ele. Sasuke não se incomoda com o silêncio, nunca se incomodou. Eles permanecem ali por mais alguns minutos, apenas ignorando a presença um do outro, até que Gaara finalmente se dispõe a falar alguma coisa e eles passam a discutir sobre a prova infernal de física que acabaram de fazer.

A cafeteria, aos poucos, começa encher à medida que os alunos terminam seus últimos exames e deixam as salas de aula e o burburinho de conversas se torna mais alto e incômodo ao redor deles. Sasuke olha para a entrada da cafeteria de dois em dois minutos e com impaciência, mas Naruto não aparece.

Neji, contudo, aparece.

Assim como Shikamaru.

E Temari.

E Kankuro.

E Sakura.

E Hinata.

E Kiba.

Os amigos deles vão chegando, reunindo-se na mesa onde Sasuke e Gaara estão e juntando-se à conversa sem qualquer problema, mas Naruto não dá um sinal de vida sequer.

Provavelmente o idiota se enrolou todo com as fórmulas,Sasuke pensa consigo mesmo.

Seu humor, àquela altura, já não é dos melhores. A cafeteria já está cheia, o barulho das conversas é alto demais e os olhares esperançosos que Sakura lança em sua direção são simplesmente irritantes. O que mais quer é dar o fora dali, mas está frio demais para ele fugir para o terraço e precisa esperar Naruto para poder ir para casa. É sexta-feira e naquele dia, seus tios prometeram uma noite de pizzas para comemorar o fim dos exames dos garotos.

“Sua cara tá péssima,” Gaara comenta então, tirando Sasuke de seus próprios pensamentos e trazendo-o de volta à conversa. Seu rosto continua inexpressivo como sempre, mas os olhos de Gaara brilham com divertimento. A vingança é mesmo algo lindo.

“Cala a boca,” Sasuke grunhe de volta e fecha a cara.

O sinal então toca, anunciando o final do período de provas e o final do termo para muitos estudantes. Os alunos começam a se dispersar, à medida que as pessoas às quais estiveram esperando chegam e eles podem ir embora. Sasuke adoraria poder fazer o mesmo, mas seu melhor amigo atualmente parece estar testando os limites de sua paciência e não aparece nem por reza.

Ele já está cogitando a hipótese de Naruto ter sido abduzido por extraterrestres quando o garoto enfim aparece. A maior parte dos alunos já foi embora, inclusive muitos de seus amigos, mas Hinata, Neji e Kiba ainda estão lá para lhe fazer companhia. Bem, pelo menos Neji e Hinata estão lá para lhe fazer companhia, Sasuke desconfia que Kiba só continua no colégio por causa da comida e por causa de Hinata.

Naruto os avista sem problemas. Kiba acena para ele animadamente, antes de confirmar parte das suspeitas de Sasuke e ir até a lanchonete comprar alguma coisa, e Naruto quase corre até a mesa dos amigos. Ele não diz um ‘olá’ sequer, ou qualquer tipo de cumprimento. Naruto simplesmente se larga na cadeira ao lado de Sasuke de qualquer jeito e joga a mochila em cima da mesa. Suas bochechas estão vermelhas e ele respira de maneira desregulada. Provavelmente correu todo o caminho da sala de aula até ali.

“Quanto deu a sua última questão?” Naruto pergunta, afobado. Suas mãos se fecham na frente da camisa de Sasuke e puxam o amigo em sua direção. “Me diz, a densidade do líquido é 0,56 g/cm3? Porque eu refiz essa conta quatro vezes e deu quatro resultados diferentes e eu já não sabia mais o que fazer!”

Sasuke normalmente ficaria irritado se alguma outra pessoa ousasse se aproximar tanto assim dele, mas ele já está mais do que acostumado com o jeito invasivo e afetuoso de Naruto, por isso apenas dá de ombros e nem se dá ao trabalho de tentar se afastar.

“A minha deu 0,68 g/cm3,” responde. Ele consegue ver a desolação tomar conta gradativamente do rosto de Naruto até transformá-lo em uma máscara de infelicidade.

“A minha segunda conta deu 0,68,” Naruto murmura indignado. Ele puxa Sasuke mais para perto, o desespero mais que evidente em sua voz. “Por que eu mudei a resposta? Por que?”

“Calma, Naruto, você ainda tem o restante da prova pra compensar isso aí,” Neji tenta confortá-lo.

“É Naruto-kun, uma questão não significa que você vai errar a prova toda,” Hinata reforça, mas Naruto sacode a cabeça com força.

“Eu ‘tou fodido,” ele resmunga e, com um som agudo teatral, descansa a cabeça contra o ombro do melhor amigo. “Eu vou ficar de recuperação e a Baa-chan vai comer meu fígado. Ela vai me deixar de castigo por meses e vai me proibir de te ver. Vou passar o recesso estudando trancado no quarto.”

“Tsunade-sama não é tão ruim assim, Usuratonkachi,” Sasuke diz. “Ela pode até brigar com você, mas duvido que faça alguma coisa.”

Naruto não responde. Um pequeno suspiro deixa seus lábios, mas ele não diz uma palavra e também não levanta a cabeça de onde ela descansa contra o ombro de Sasuke. Neji e Hinata apenas observam aquela cena com um toque de surpresa. Provavelmente estavam esperando que Sasuke afastasse Naruto e agora não compreendem porque o Uchiha não o faz.

"Eu não quero ter que fazer recuperação," Naruto choraminga, após alguns momentos em silêncio e Sasuke sente um pouco de compaixão pelo amigo surgir em um peito.

É triste ficar preso na escola enquanto todos os seus amigos já estão livres e aproveitando o recesso. É realmente deprimente. Ele dá um tapinha sem jeito na cabeça de Naruto, tentando passar algum tipo de conforto apesar de todo o seu embaraço.

"Eu posso estudar contigo pra recuperação, se você precisar," oferece e, na mesma hora, Naruto levanta a cabeça.

"Tá falando sério?" ele pergunta e Sasuke assente. Um sorriso enorme toma conta do rosto de Naruto quase que instantaneamente, mandando para longe a desolação de segundos atrás. Ele joga os braços em volta do pescoço de Sasuke e abraça-o com força, praticamente gritando no ouvido do garoto. "Você é o melhor amigo de todos!"

É difícil segurar a vontade de dar um tapa na cabeça de Naruto para ele deixar de ser tão escandaloso. Apesar da maioria dos alunos já ter ido para casa, alguns poucos remanescentes ainda estão pela cafeteria e Sasuke consegue sentir o olhar dos demais em cima deles. Mesmo assim, Sasuke se controla. Única e exclusivamente porque prefere ter um Naruto escandaloso, mas sorridente, do que um Naruto chateado e infeliz.

Mas tão repentino quanto Naruto inicia o abraço, ele também o termina. Coloca as mãos nos ombros de Sasuke e o afasta, mas não muito. Apenas o suficiente para poder encará-lo sem problemas e é então que Sasuke percebe o quão próximo eles realmente estão. Algumas dúzias de centímetros os separam e assim, tão de perto, Sasuke consegue ver os pontos mais claros e quase acinzentados dos olhos azuis de Naruto.

É hipnotizante.

Sasuke sabe que precisa se afastar, mas seu corpo não se move. Ele só consegue olhar para Naruto e para o sorriso largo que o melhor amigo lhe oferece e para nada mais. O sorriso de Naruto, contudo, se desfaz quando ele abre a boca para falar alguma coisa e é então que o mundo de Sasuke dá uma guinada completamente inesperada. Uma guinada que ele jamais imaginou que aconteceria e que o deixa totalmente sem reação.

Quando Naruto abre a boca para dizer a primeira palavra, Sasuke sente uma pressão estranha e totalmente inesperada em sua nuca, seguida de um empurrão forte ao qual ele não consegue opor qualquer resistência. Seus olhos se arregalam quando ele se vê indo de encontro a Naruto e incapaz de recuar, apenas para se fecharem quando o encontro entre eles se torna inevitável.

Primeiro suas testas se chocam e uma dor aguda se espalha pela cabeça de Sasuke. Seus olhos se enchem de lágrimas por conta da pancada, mas qualquer dor que o garoto estivesse sentindo é substituída instantaneamente quando ele percebe o toque dos lábios de Naruto nos seus.

É um toque leve e não intencional, mas o suficiente para fazer uma sensação quente invadir seu corpo sem aviso.

E é aí que o pânico toma conta dele.

Mesmo com a pressão ainda bem presente em sua nuca, ele empurra Naruto para longe com toda a força que possui. Eles se separam de supetão e a força do empurrão dado por Sasuke acaba fazendo com que a cadeira de seu melhor amigo tombe para trás, fazendo-o cair no chão com o estardalhaço de ferro batendo no piso frio e dos xingamentos incrivelmente criativos de Naruto.

Que porra acabou de acontecer? Sasuke se pergunta. Seu cérebro mal consegue funcionar direito e a pergunta se repete em um looping em sua mente, sem nunca fazer muito sentido e sem nunca ser respondida.

Somente quando a risada escandalosa de Kiba ecoa pela cafeteria e Sasuke vê o garoto de pé próximo às cadeiras onde ele e Naruto estiveram sentados é que seu cérebro ainda entorpecido consegue fazer as ligações necessárias para entender parcialmente o acontecido e uma raiva sem tamanho cresce em seu peito.

Kiba não sairá daquela escola com vida.

 


Notas Finais


E então, o que acharam? Vem falar comigo nos comentários!!
No último capítulo a presente autora conseguiu vários meses de vida por conta dos comentários enviados e, agora, está caminhando a passos largos para a imortalidade. Ajudem-na nessa jornada. HAHHAHAHAHAH
O link do Facebook, caso alguém queira dar umas surtados comigo por lá, é esse aqui: https://www.facebook.com/ninetailedfoxfanfiction/
Para quem quiser também, tem Twitter! Vcs podem me seguir em @__ninetailedfox
De vez em quando eu solto umas novidades e previews por lá. ;)
Mas enfim, gostaria muito de saber o que vocês acharam, por isso não sejam tímidos. Me amem para que eu possa amá-los. <3
Por enquanto, isso é tudo. Espero que tenham gostado do update.
Vejo vocês na próxima.
Xoxo


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