História W.W.C.T. — SUGA | JiMin | JungKook - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Drama, Hoseok, Jimin, Jungkook, Namjoon, Romance, Seokjin, Suga, Taehyung, Yoongi
Exibições 228
Palavras 6.684
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, seres vivos. ♡ Eu tenho MUITA coisa pra falar. Então sejam pacientes comigo e leiam todas as Notas, ok?

Vou tentar falar pouco, mas isso é meio que impossível. Enfim, no capítulo anterior eu disse que revisaria a FanFic, e assim o fiz. Eu ainda NÃO terminei a revisão, mas já mudei algumas coisas. Quais seriam essas coisas?

Eu adicionei o nome completo dos personagens originais (EX: Sook, Kwan, Kyung, etc...). Não se preocupem, na maior parte das vezes, eles serão mencionados pelos "apelidos", como sempre costumava ser.

Também "mudei" o nome da FanFic. Esses dias eu estava pensando "Se tem o nome do Yoongi e do JungKook, por que o nome do Jimin não está ali?"! Então eu resolvi mudar isso. Coloquei a sigla do nome da FanFic, When Wishes Come True. E adicionei o nome do Jimin. O que me leva à outro assunto que eu quero esclarecer:

Vocês devem estar pensando "Ela colocou o nome do Jimin? Então vai acontecer alguma coisa entre a Sook e o Jimin?"! NÃO é bem assim. Esses nomes no título da FanFic NÃO significam que a Sook vá ficar com algum dos três. Pode ser que sim, mas pode ser que não. Assim como ela pode ficar com o JungKook, ela também pode ficar com o Hoseok, ou com ninguém. Os nomes estão ali apenas para informar os garotos que mais aparecerão ao longo do capítulo. Isso não quer dizer que o restante não aparecerá, apenas significa que Jimin, Yoongi e Jungkook serão os mais mencionados, compreendem?

Uma última coisa. Eu percebi que vocês andam shippando muito um único casal. E sobre isso, eu só queria dizer que, procurem evitar shippar tão rápido. Ainda tem MUITA coisa pra acontecer e nem tudo o que parece, realmente é. O que quero dizer é que, procurem visualizar todas as possibilidades de ships. Afinal de contas, TUDO pode acontecer.

Obrigado pela paciência de ler até aqui. O capítulo foi uma delícia de fazer, mas deu trabalho pelo tamanho. Espero que gostem. LEIAM AS NOTAS FINAIS ♡

Capítulo 14 - Reflection


Após minha conversa com YoonGi – se aquilo puder ser considerada uma –, empenhei-me em evitá-lo de todas as formas permissíveis. Sua postura está sendo, de fato, aporrinhante. Minha vida já não é fácil, e ele parece ter regozijo em deteriorar o quadro das coisas. Juro pelo que há de mais sagrado nesse mundo, estou prestes à mandá-lo ir se foder. Que situação enfadonha!

 

A apresentação dos garotos em Yokohama ocorreu satisfatoriamente, como de praxe. Viajamos na madrugada em regresso à Seul, e agora nos encontramos no dormitório. Fomos dispensados de quaisquer compromissos por esse fim de semana, isto é, hoje e amanhã. Segunda-feira a competição terá sua estreia e com ela, será iniciada a maçante rotina de filmagens. E eu, estou obviamente superanimada.

 

— Os meninos estão nos aguardando. Vamos? — indagou NamSeon e eu assenti.

 

Amarrei meu cabelo em um coque alto e dirigi-me até a sala de estar, juntamente à NamSeon e KyungJi. Todos os garotos se encontravam lá, alguns esparramados pelo chão, outros nos sofás. Encararam-nos assim que adentramos o cômodo e consequentemente, eu senti algo similar àquela sensação embaraçosa, quando se passa entre um grupo de homens desconhecidos na rua.

 

Mesmo que eles não sejam nenhum pouco desconhecidos por mim, ser foco da atenção de sete garotos, não é algo que eu possa me habituar facilmente. Ainda mais quando eles são meus ídolos. E não é como se eles nos fitassem de maneira sagaz. Muito pelo contrário, os meninos sempre agem respeitosamente e eu aprecio isso.

 

— Aí estão elas. Vamos começar a divisão — proferiu SeokJin, levantando-se do sofá. Ele parecia empolgado, diferente da maioria.

 

— Eu e a noona vamos cuidar das roupas. — anunciou TaeHyung, direcionando uma piscadela de camaradagem à Kyung.

 

Visando os dois dias vagos, os garotos decidiram realizar uma bela faxina no dormitório. E convenhamos, realmente estava na hora. Divergente à primeira vez que estive aqui, o atual quadro do apartamento não é um dos melhores. Há tanta parafernália concentrada nos cômodos gerais, que está difícil transitar pela casa.

 

Questiono-me como se encontra a situação dos quartos deles.

 

— Você ficando responsável pelas roupas? — indagou NamJoon, demonstrando contrariedade — Até eu sou mais capacitado que você para essa função — concluiu, esbanjando um riso presunçoso.

 

— Não! — gritaram os meninos em uníssono e NamJoon fingiu ressentir-se com isso.

 

— Então você e o JungKook acompanham as meninas nessa tarefa — manifestou YoonGi, referindo-se à TaeHyung. Os dois concordaram.

 

Até onde me foi informado, quando os meninos reservam o dia para limpar o dormitório, também aproveitam e lavam suas próprias roupas. Enquanto Kyung, juntamente à EunJi, ofereceram-se para lavar as roupas das meninas.

 

— Eu vou arrumar o quarto dos hyungs — declarou NamJoon, esboçando um sorriso radiante no rosto.

 

O restante dos garotos lançaram murmúrios em objeção, alegando que seria uma divisão injusta. Visto que o quarto dos mais velhos é o mais limpo entre todos eles.

 

— Acho melhor continuarmos com as antigas divisões — articulou SeokJin — Forme uma dupla com o JiMin, e os dois limpam os seus quartos.

 

NamJoon suspirou, frustrado. Todos começaram a rir, enquanto JiMin buscava animar-lhe com algumas palavras de incentivo. Porém, sem deixar de debochar do seu hyung.

 

— Min Suga vai cuidar do nosso quarto e... — Jin percorreu a sala com os olhos e os depositou sobre mim. Nesse momento eu soube que ele queria me encarregar de limpar seu quarto junto à YoonGi.

 

Entretanto, eu não queria. Então me interpus:

 

— Eu posso ficar com a sala! — ofereci-me, antes que ele pudesse me designar para fazer dupla com YoonGi.

 

SeokJin assentiu.

 

— E eu posso ficar com a Sook! — manifestou HoSeok e os murmúrios que antes eram direcionados à NamJoon, agora tinham Hobi como alvo.

 

— Restaram a cozinha e o banheiro para nós dois — proferiu Jin, lançando um olhar cúmplice para NamSeon. As palavras de Kyung foram reproduzidas automaticamente em minha mente.

 

SeokJin e NamSeon. Será?!

 

— Posso trocar com o Hobi hyung? — indagou JiMin, esboçando um sorriso ladino. HoSeok o mirou com um olhar de reprovação e eu ri nasalado.

 

— Você não vai fugir de mim, ChimChim — disse NamJoon e abraçou-o por trás, debochando de JiMin. O menor comprimiu os lábios, esmorecido. Todos gargalharam.

 

— Por que eu sou o único a ficar sozinho? — reclamou YoonGi e me mirou de soslaio. Apenas o ignorei.

 

— Se preferir, pode juntar-se à JiMin e NamJoon, então vocês arrumam os três quartos — solucionou SeokJin, e os dois mencionados demonstraram animação com a ideia, afinal de contas, seria uma ajuda a mais.

 

— O que está dizendo? Ninguém aqui está reclamando. Eu posso perfeitamente limpar o nosso quarto sozinho — corrigiu YoonGi, reparando que a segunda opção era pior que a primeira. Jin revirou os olhos.

 

— Eu e a noona cuidamos da cozinha e banheiro. Hobi e Sook são os responsáveis pela sala e o corredor. YoonGi vai arrumar o nosso quarto. TaeHyung e JungKook estão encarregados pelas roupas. E os outros dois quartos, ficam por conta de JiMin e NamJoon — disse SeokJin, por fim. E então cada um foi realizar a sua respectiva tarefa.

 

NamSeon me contou que quando há faxina no dormitório, os meninos não incluem as meninas na limpeza. Uma vez que a bagunça é causada por eles, já que a maioria das garotas permanecem a maior parte do tempo dentro do quarto. Sendo assim, as garotas apenas limpam o nosso quarto, fazem as compras do supermercado e lavam suas roupas. O cômodo onde presumo ser o mini-estúdio deles, não será limpo hoje.

 

NamSeon sempre os ajuda na limpeza da casa. E eu, obviamente não ficaria de fora.

 

Hobi e eu decidimos iniciar apanhando os inúmeros pares de sapatos amontoados na sala e no corredor. Enquanto eu segurava um enorme saco preto, ele colocava todos os sapatos dentro, para depois levá-los aos seus locais de origem. De acordo com HoSeok, apenas ele poderia apanhar os sapatos, pois não arriscaria que eu sentisse algum tipo de mau cheiro provindo deles.

 

Jung HoSeok e seu incrível modo cavalheiresco.

 

Com todos os pares de sapatos recolhidos, abri a grande e única janela da sala. Devido as corriqueiras viagens, o apartamento permanece trancado na maior parte do tempo, o que acarreta no impregnado cheiro de mofo.

 

Retiramos as cortinas e somente então notamos a poeira que se encontrava na sala. Haviam até algumas teias de aranhas pelas paredes brancas. Questiono-me o que mais há escondido nesse amontoado de parafernálias.

 

Começamos a ouvir músicas como forma de entretenimento e ora limpávamos o cômodo, ora dançávamos. Umas danças improvisadas e bizarras, para ser sincera. Algumas vezes os outros meninos apareciam na sala e juntavam-se às danças exóticas, principalmente JiMin. Porém, logo eram chamados de volta ao trabalho.

 

O apartamento estava mais sujo do que eu imaginei, e mesmo assim, nunca foi tão divertido arrumar uma casa. HoSeok e seu maravilhoso espírito, transformam as coisas em algo melhor do que realmente são.

 

Após muita dança e algazarra, arranjamos coragem para enfrentar as prateleiras sobrecarregadas de infinitos objetos. Hobi decidia o que guardar e o que depositar no lixo, enquanto mostrava-me e contava histórias sobre os objetos. Algumas coisas dadas por fãs, outras pelas suas famílias.

 

Eu considero estupenda a forma como HoSeok lida com a vida. Ele transmite esperança para qualquer um. Tenho certeza que assim como todas as outras pessoas, J-Hope também passa por momentos difíceis e ainda assim, sempre busca propagar alegria. A atmosfera que o rodeia é incrivelmente contagiante. Queria eu possuir metade da positividade que ele dispõe. Somente enxergo o pior quadro das coisas, enquanto Hobi enxerga possibilidades em tudo o que vê.

 

Não me importaria em passar o resto dos meus dias ao lado de uma pessoa assim. Ou melhor, ao lado de Jung HoSeok.

 

Tudo ia bem, eu estava hipnotizada diante da perfeição do garoto à minha frente. Infelizmente, na minha vida, momentos bons não tendem a durar por muito tempo.

 

Enquanto eu estava enfeitiçada pelo moreno, compenetrada em qualquer ação sua. Enfiei minha mão no fundo da prateleira, buscando pegar um livro estirado ali e, senti algo rechonchudo e peludo. Encontrava-me tão maravilhada, que demorei alguns segundos para absorver àquela sensação.

 

Droga! Seria mesmo o que eu estava pensando?!

 

Olhei em direção da minha mão e senti meu corpo inteiro estarrecer. Sem pensar duas vezes, disparei dali e subi em cima do sofá. Tentei conter meus gritos, mas falhei plenamente.

 

— O quê? — perguntou HoSeok, totalmente alheio à situação.

 

— Um rato! — bradei, apontando para o local que tinha visto o bicho asqueroso.

 

O olhar de Hobi seguiu até onde eu apontava. Não sei dizer se ele chegou a enxergar o rato, mas seus olhos esbugalharam. O moreno disparou e soltou grunhidos, enquanto subia no mesmo sofá que eu estava. Encarei a mão que havia tocado no animal e meus olhos marejaram.

 

Eu tinha pegado em um rato! Já fui mordida por um quando criança e com isso, adquiri medo de ratos.

 

Não demorou muito para que os meninos aparecessem no corredor, permaneceram encarando a mim e à HoSeok, cujo agora realizava infinitas caretas de repulsa. Eu somente secava meus olhos lacrimejados.

 

— O que aconteceu?! — perguntou NamSeon, e Hobi apenas apontou para a prateleira. O rato provavelmente não estava mais lá, o que me deixou em estado de alerta.

 

— Alguém tira esse rato daqui, pelo amor de Deus! — manifestei-me, com um tom de voz embargado.

 

JiMin alegou que ia pegar uma vassoura para espantar o bicho. E antes que alguém pudesse lhe dizer que havia uma ali na sala, JiMin já tinha se trancado em seu quarto.

 

NamJoon e YoonGi entreolharam-se com cara de paisagem e sorrateiramente, retornaram aos seus locais de origem.

 

Visto que TaeHyung e JungKook ainda estavam na lavanderia do prédio, restaram apenas NamSeon e SeokJin. Ela o encarou, como se dissesse 'sobrou pra você' e Jin revirou os olhos.

 

— Aish... Esses garotos querem se mostrar másculos para as fãs, mas fogem de um simples rato — queixou-se SeokJin, e HoSeok respondeu-lhe com murmúrios birrentos.

 

Jin iniciou sua busca pelo maldito bicho. E somente após certo trabalho e com a ajuda de uma resistente NamSeon, ele conseguiu capturar o rato. Não sei qual fim foi dado ao animal, e nem quero saber.

 

Por fim, pediram comida para o almoço, e depois continuamos a limpeza.

 

Já era fim de tarde quando eu e HoSeok concluímos nossa função. Ele rumou para o seu quarto, afirmando que necessitava de um bom banho e eu não estava em melhor situação. Meu corpo inteiramente suado, o cabelo desgrenhado, e a fadiga impregnada a ponto de não me permitir preocupar com a própria aparência.

 

Apenas sentei no chão, questionando-me se as garotas já haviam se banhado ou eu precisaria esperar pela liberação do banheiro.

 

Não demorou muito até que ele aparecesse na sala.

 

Sem o uso de palavras, YoonGi sentou no chão, ao meu lado. Parecia cansado também. Evitei olhá-lo o máximo que pude, e não falei absolutamente nada. Quem sabe assim, ele perceberia que eu não o queria por perto e fosse embora.

 

Mas é claro que isso não aconteceu.

 

— Por que está me evitando? — indagou YoonGi, sua voz parecia mais rouca que o normal.

 

Pensei em negar, no entanto, isso não funcionaria com ele. Então decidi usar sua pergunta contra si mesmo.

 

— Por que se importa? — rebati, encarando-o. O loiro arqueou uma sobrancelha.

 

— Eu não me importo. — replicou, simplista. Meses atrás, isso teria me magoado. Atualmente? Não. Talvez eu esteja habituada à sua frieza.

 

— Então por que está aqui? — interpelei, buscando expressar a mesma insensibilidade que ele. YoonGi depositou um olhar trucidante sobre mim. Eu estava cansada demais para me sentir intimidada por ele.

 

Alguns segundos passaram em total silêncio, até que YoonGi o rompeu novamente:

 

— Você está abusando da minha boa vontade. — murmurou e eu ri amargamente.

 

Isto é realmente sério?! Não acredito que ele teve a audácia de me falar isso. Caramba, será que alguma vez na vida, YoonGi deixará sua arrogância de lado? Eu estava enfadada fisicamente e principalmente, eu estava esgotada da estupidez desse garoto.

 

— Você vem abusando da minha já faz um bom tempo e nem por isso estou reclamando — disse e levantei, retirando-me do cômodo. Se eu continuasse ali, iria xingá-lo de todos os palavrões existentes e até inexistentes.

 

Dirigi-me para o quarto e felizmente, as meninas já haviam se banhado. Tomei um banho prolongado – e merecido –, procurando esvaziar a minha mente. Como se a água corrente pudesse levar embora toda a minha tristeza. Talvez eu nem precise dizer que foi uma total falha.

 

Com o findar do banho, resolvi guardar as roupas lavadas por Kyung e reparei que a minha mala também precisava de uma bela arrumação.

 

Após deixar meus pertences devidamente organizados, notei que já passavam das dezenove horas. E ainda que estivesse cansada, decidi ir até a sala. Quem sabe os meninos estivessem fazendo algo interessante, eu não perderia a oportunidade de me juntar a eles.

 

Adentrei a sala, não havia ninguém. Provavelmente se encontravam descansado. Então recostei-me ao sofá e coloquei meu fone de ouvido.

 

(…)

 

Abri os olhos, alguém estava me cutucando. Era NamJoon. Olhei ao redor do cômodo, JiMin, TaeHyung e SeokJin conversavam sobre algo que eu não pude ouvir devido a música alta. Retirei o fone dos meus ouvidos e NamJoon sentou-se ao meu lado.

 

— O que está ouvindo? — indagou ele, e eu agradeci mentalmente pela minha decisão de não ouvir K-pop.

 

MPB — repliquei, coçando os olhos. Estava tão cansada que adormeci na sala.

 

MPB? — repetiu minha resposta, demonstrando confusão. Ri nasalado, enquanto me endireitava no acolchoado sofá.

 

— Sim. Aqui vocês tem o K-pop, no Brasil temos o MPB — esclareci. E NamJoon pareceu interessado.

 

— Então é uma sigla para 'Music Pop of Brasil'? — indagou e franziu o cenho, percebendo que sua dedução não havia coerência alguma.

 

Aigoo, Kim NamJoon. Por que tão fofo?

 

— Está mais para 'Música Popular Brasileira' — o corrigi e ele entoou um prolongado “Ah”.

 

NamJoon me encarou, como se almejasse algo, porém, estava com vergonha de pedir. Então resolvi o ajudar:

 

— Quer ouvir comigo? — questionei, ele assentiu decisivamente com a cabeça.

 

Coloquei algumas músicas para ele ouvir. Que por sua vez gostava de umas, nem tanto de outras. Mostrei-lhe também as traduções, NamJoon parecia aprovar. Afinal de contas, quem não se deleita ouvindo MPB? Além de ser um dos meus gêneros musicais favoritos, também é algo genuinamente brasileiro.

 

— Como é o nome dessa cantora? — perguntou o maior, compenetrado na melodia.

 

— Zizi Posse — repliquei. NamJoon tentou repetir o nome e após algumas embaraçosas tentativas, até que ele conseguiu. Esse garoto é mesmo um gênio.

 

— Eu amo essa música! — afirmei, assim que começou a tocar 'O Silêncio das Estrelas'. NamJoon apreciou a música, mas nem tanto quanto eu.

 

— Espera um pouco — pedi, procurando a canção — Algo me diz que você vai gostar dessa.

 

'Toda Forma de Amor' começou a tocar e eu passei a me remexer no sofá, completamente envolvida com o ritmo da música, NamJoon prontamente me seguiu. No refrão já estávamos eufóricos, o maior movimentava os braços de maneira exótica e eu não estava em uma situação melhor que ele.

 

— Nossa, ela é realmente muito boa — proferiu NamJoon, enquanto olhava a tradução.

 

— Sabia que ia gostar — enunciei, vitoriosa. Então percebi uma fotografia do Lulu Santos ao lado da tradução — Ele é tão lindo — comentei, em um suspiro.

 

— Ele até tem um charme incomum. Mas é um hyung muito velho para você, não acha? — sugeriu NamJoon, fazendo uma careta de estranheza e eu gargalhei.

 

— Não, não — sacudi meus braços em negação — Sou apenas uma fã — assegurei-o. Ele realmente pareceu aliviado.

 

Sobrecarreguei NamJoon com outras canções e ficamos ali conversando a respeito de músicas. Ele possui um vasto conhecimento sobre o assunto, fato cujo me deixou ainda mais envolvida. Conversamos, ouvimos músicas, brincamos, gargalhamos, foi um momento extraordinariamente bom.

 

NamJoon me ofereceu o que eu mais necessitava: diversão.

 

Sua companhia é tão boa, conseguiu arrancar muitos risos de mim. Ainda que seja o líder do grupo e precise se pronunciar na maior parte do tempo, Kim NamJoon possui um lado tímido e extremamente fofo. No fim das contas, ele é só mais uma criança que cresceu demais.

 

Olhamos as horas, pouco mais de vinte e uma. Percorri meus olhos pela sala, somente então notando que estávamos sozinhos. Os meninos provavelmente foram dormir e nós havíamos continuado ali, alheios a tudo ao nosso redor.

 

Quis continuar ao lado de NamJoon, não me incomodaria se aquele momento fosse eternizado. No entanto, a realidade é algo do qual não se pode escapar. Decidimos dormir e então cada um foi para o seu respectivo quarto.

 

Estirei-me em minha cama e sorri. Apesar dos pesares, o dia havia sido maravilhoso.

 

(...)

 

Despertei assustada, sentindo um peso extra em cima de mim. O que era aquilo? Abri meus olhos com certa dificuldade e notei KyungJi praguejando. Ela estava tentando deitar ao meu lado na cama.

 

Olhei ao redor do quarto, as meninas permaneciam dormindo, e a julgar pela escassa claridade, ainda era muito cedo.

 

— O que está fazendo aqui? — sussurrei. Não queria acordar ninguém.

 

— Bati a cabeça na merda desse beliche — murmurou Kyung, ao mesmo tempo que massageava sua testa — Não sei como consegue dormir na parte de baixo.

 

Não é como se eu tivesse escolha.

 

— É apenas uma questão de costume — repliquei, concedendo espaço para Kyung deitar. Ela se espremeu e de alguma forma, acomodou-se ao lado recostado à parede. — Por que está aqui?

 

— EunJi unnie ronca demais. Perdi a noite inteira de sono — queixou-se e eu ri nasalado. Kyung divide um beliche com EunJi — Aish, justo hoje que é o nosso último dia livre. Ainda bem que ela vai embora. — articulou Kyung, diminuindo seu tom de voz na frase final.

 

— EunJi unnie vai embora? Por quê? — indaguei, franzindo o cenho. Por que eu sempre sou a última a saber das coisas?

 

— Pelos deuses, em qual mundo você vive? — questionou, e eu dirigi-lhe um olhar trucidante.

 

Também não sei em qual mundo eu vivo.

 

— Pelo menos você sabe que ela namora, não é? — indagou Kyung, maneei a cabeça, concordando. — Sabemos que a unnie não é mais uma mocinha... Ela e o namorado decidiram se casar e por causa do contrato, não poderia simplesmente largar o emprego. Então após algumas negociações, chegaram a um acordo, o qual consistia na liberação da unnie com o passar de seis meses. E agora ela está cantarolando pelos cantos, já que esse prazo acaba em uma semana.

 

Suspirei. EunJi jamais me contaria algo assim. De fato, ela nem fala comigo.

 

— E o JiMin? — perguntei, curiosa. EunJi é a assistente de JiMin. Ele provavelmente sentirá falta dela e imaginá-lo triste me incomoda.

 

— Virá uma novata para cuidar dele — afirmou e eu murmurei um “hum” — Agora chega de conversa, Sook-ssi. Eu não estava brincando quando disse que não dormi a noite inteira. — concluiu KyungJi, voltando a acomodar-se na cama.

 

— E você acha mesmo que vamos conseguir dormir dividindo uma cama de solteiro? — indaguei e ela bufou.

 

— Qualquer coisa é melhor do que continuar lá — proferiu Kyung, enquanto apontava para o seu beliche — E outra, preciso repor meu sono de beleza — ri, debochando da menor.

 

— Pode ficar com a cama inteira, vossa alteza — enunciei, irônica. Levantei do beliche e ela me encarou.

 

— Não vai dormir? — balancei a cabeça em negação.

 

— Uma certa pessoa tirou o meu sono — resmunguei e ela riu.

 

Olhei as horas, eram seis da manhã. Fiz minha higiene matinal e rumei até a sala, deparando-me com uma das cenas mais graciosas do mundo:

 

Kim TaeHyung estirado no sofá, em uma posição visivelmente desconfortável. No entanto, sua expressão era de conforto. A franja de coloração castanha cobria parcialmente seus olhos. Sua boca estava entreaberta e ao perceber isso, senti uma vontade inusitada de enfiar meu dedo na boca dele. Não de uma forma maliciosa, apenas para debochar do mais velho.

 

Ajoelhei-me ao seu lado e cogitei permanecer ali, somente o observando dormir por um bom tempo. Todavia, diante da posição que TaeHyung estava, presumi que ele acordaria com uma bela tensão muscular e a última coisa que eu queria era vê-lo sentindo alguma dor.

 

Oppa? — chamei-o, cutucando delicadamente o moreno — Oppa, acorde — aumentei meu tom de voz, mas não houve nenhuma resposta — Oppa! — bradei. TaeHyung chacoalhou a cabeça e abriu os olhos com certa dificuldade.

 

— Sook-ah? — articulou, após um bocejo espreguiçado. TaeHyung parecia atordoado e com razão. Sei bem como é ser acordado e reparar que estava dormindo na sala.

 

— Por que está dormindo aqui? — ele demorou alguns segundos para me responder, provavelmente recordando o motivo.

 

— Pus as roupas limpas dos meninos em cima da minha cama, e quando fui dormir, não soube onde colocá-las. Então eu decidi dormir na sala — explicou TaeHyung, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

 

— Não trouxe nem uma coberta? — ainda que eu seja mais nova que ele, naquele momento me senti como sua mãe ou algo do gênero. TaeHyung parecia um bebê.

 

Um bebê que flerta como ninguém nas horas vagas.

 

— Estava calor — explicou, e eu sorri graciosamente.

 

— Já volto, está bem? — TaeHyung assentiu e eu deixei o cômodo.

 

Sabia que não era certo entrar no quarto dos meninos. Eles provavelmente estavam dormindo, seria como invadir suas privacidades. Ou pior ainda, poderiam estar acordados, se trocando... As possibilidades eram infinitas. Contudo, eu não deixaria TaeHyung dormindo desconfortavelmente no sofá, ainda mais no seu último dia livre. Ele precisa de descanso.

 

Permaneci frente a porta do quarto, analisando qual opção era pior. Entrar sem avisar e flagrar algo inoportuno. Ou bater na porta, correndo o risco de acordar os garotos, os quais também necessitam de repouso?

 

Recordei da última vez que abri uma porta sem bater... Aish! Chacoalhei a cabeça, buscando espantar esse pensamento. É completamente nula a possibilidade em que algum dos dois estejam fazendo algo obsceno. Afinal de contas, eles apenas poderiam realizar algo entre si.

 

Ri mentalmente, ao mesmo tempo que me recriminava pelo meu descabido raciocínio. Então decidi entrar sem avisar.

 

Sorrateiramente, abri a porta do quarto. HoSeok estava totalmente encoberto, nem o seu rosto fui capaz de enxergar. Soube que era ele, apenas quando olhei para o outro lado e encontrei JiMin, que divergente à Hobi, estava mostrando muito...

 

Ainda que o cobertor cobrisse seu tronco, era nítido que JiMin estava sem camisa. Seus braços desnudos protegiam seu tórax e devido a compressão exercida neles, seus músculos estavam mais evidentes. E além disso, havia uma veia ressaltada na extensão do seu braço.

 

Chacoalhei a cabeça mais uma vez. O que está acontecendo comigo hoje? Quantos pensamentos impuros! Encarei a cama desocupada e como TaeHyung tinha dito, ela estava repleta de roupas limpas. O que eu vou fazer? Não poderia colocá-lo para dormir no quarto das meninas. Assim como não o deixaria dormindo na sala.

 

Iniciei minha busca por qualquer coisa que servisse para guardar temporariamente àquelas roupas e felizmente, encontrei uma caixa grande. Sem delongas, depositei todas as peças de roupa ali, procurando não amassá-las. Empurrei a caixa até o recanto de uma das paredes brancas e disparei em direção à sala.

 

Praticamente arrastei TaeHyung até o seu quarto. Ele deitou na cama, pronunciando algumas palavras incoerentes e eu o cobri da melhor maneira que pude. Por fim, retirei-me do cômodo, mas não sem antes conferir o sono profundo dos outros dois.

 

Talvez eu esteja passando tempo demais com NamSeon.

 

Voltei para a sala e decidi que o ligaria. Eu estava com tantas saudades e mesmo que ele provavelmente estivesse dormindo, iria acordá-lo. Acomodei-me no acolchoado da poltrona e disquei seu número. Após duas chamadas, ele atendeu. Fato que me espantou, posto que Kwan tem o sono pesado.

 

— Um bom dia para você, namorada que me liga às seis horas da manhã — desejou Kwan. Aish, não importa o horário ou o momento, Kwan sempre está pronto para me irritar.

 

— Aonde você está? — perguntei, ignorando seu azucrinante bom humor.

 

Imaginava que ele estivesse dormindo, entretanto, ouvi algumas vozes do outro lado da linha. Ou Kwan não estava em casa, ou a noite dele havia sido regada a uma orgia.

 

— Passeando com meus velhos — explicou. E então eu ouvi nitidamente do outro lado da linha “Está com falando com a Sook?”, pude reconhecer a voz, era sua mãe. — Espera um pouco.

 

— Está bem. — afirmei e permaneci lhe aguardando. Para ser sincera, nem lembrava que seus pais ainda estavam em Seul.

 

— Prontinho — replicou, após alguns longos segundos — Meus pais mandaram um abraço, e a minha mãe disse que quer vê-la antes de viajar.

 

— Ah, Kwan... — fui cortada pela sua alarmante risada.

 

Irritante.

 

— Fica tranquila, eu disse a ela que você está viajando — assegurou-me, senti uma onda de alívio me atingir. Nunca mais passaria por algo parecido àquela noite.

 

— A propósito, cheguei em Seul ontem — comentei, esperando que Kwan me abarrotasse de reclamações por não lhe dar notícias antes.

 

— Fiquei sabendo — respondeu, simplista. Kwan não vai se queixar comigo? Talvez eu tenha ouvido errado.

 

— Como assim? — indaguei, buscando a confirmação do que havia escutado.

 

— Sua amiga me contou. — retrucou Kwan, despreocupado. Franzi o cenho, não possuo muitas amizades. De fato, as únicas que posso considerar minhas amigas, são Kyung e NamSeon.

 

— Qual amiga?

 

— KyungJi. — espera um pouco! Desde quando Kwan virou monossilábico? E o mais importante: desde quando ele conhece Kyung?

 

— Não sabia que se conheciam. — comentei, como quem não quer nada.

 

— Faz uma semana que nos conhecemos na Big Hit. — explicou. E eu pude jurar que ele estava segurando o riso do outro lado da linha.

 

— Hum — proferi. Mais uma para a enorme lista do Kwan.

 

Se fosse outra garota, pediria que ele se afastasse. Entretanto, eu conheço muito bem Kyung. Ela, assim como Kwan, foge de compromissos, mas não dispensa uma boa diversão.

 

— O que foi? Está com ciúme? — alfinetou Kwan, comecei a rir.

 

— Só se for ciúmes dela, idiota — rebati sua provocação e ele bufou, frustrado.

 

Ah, Kwan. Seu joguinho não funciona comigo.

 

(…)

 

— Jin oppa — lancei, assim que o vi adentrando a cozinha. Mecanicamente, cobri minha boca com as mãos, reparando o que havia falado. Droga! — Jin — corrigi. Encarei-o sem jeito. Ele riu.

 

— Sook-ssi, pode me chamar de oppa — afirmou, aproximando-se de mim — De fato, você deve. Afinal de contas, eu sou o seu oppa.

 

Um arrepio percorreu minha espinha com a última frase de SeokJin. Será que ouvi direito? Ele realmente disse “Eu sou O SEU oppa”? Aigoo! Abaixei a cabeça, não queria que Jin enxergasse o meu rosto. A julgar pelo queimor em minhas bochechas, estava completamente corada. Suspirei, buscando me recompor e o encarei.

 

— Vão almoçar fora? Digo, você e os meninos — indaguei, retornando ao assunto inicial e questionando-me se o meu rosto ainda estava ruborizado. Espero que não.

 

— Na verdade, eu estava pensando em cozinhar. Precisamos de um bom descanso — respondeu SeokJin e eu assenti. Perfeito. — Por que a pergunta?

 

— Pensei em fazer uma sobremesa brasileira para o almoço — sugeri. Jin demonstrou interesse.

 

Queria fazer um prato mais bem-composto, porém, devido a minha incrível habilidade de estragar tudo o que toco, uma sobremesa simples me pareceu a melhor opção. Além disso, não encontraria certos ingredientes brasileiros por aqui.

 

— Você cozinha bem? — indagou SeokJin, em um tom brincalhão.

 

— Eu sou um pouco atrapalhada na cozinha, mas até consigo fazer algumas coisas.

 

Sempre almejei cozinhar algo de origem brasileira para os meninos, no entanto, nunca tive oportunidade. Devido às corriqueiras viagens, nunca comemos em casa.

 

— Por mim está tudo bem — assegurou-me, esboçando um sorriso tão genuinamente lindo, que eu senti certa dificuldade em respirar.

 

— Precisarei da sua ajuda — ainda que fosse uma sobremesa simples, Jin poderia evitar que eu a danificasse. Ajuda nunca é demais.

 

— Por onde começamos? — disse SeokJin, dobrando as mangas da sua camisa.

 

(...)

 

Jin me ajudou com a sobremesa e eu lhe auxiliei na preparação do almoço. Ele é realmente bom na cozinha e possui um bom senso. Nunca foi tão bom cozinhar.

 

SeokJin pediu que eu regulasse o nível do fogo. E eu, como o natural desastre que sou, verifiquei a panela primeiro. O óleo estava borbulhando e somente nesse momento, lembrei em abaixar o fogo. Aproximei minhas mãos do fogão e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o óleo quente salpicou-me os braços.

 

Em um movimento abrupto, desliguei o fogo e grunhi. Meus pulsos estavam queimando.

 

Jin me alcançou e segurou meus braços. Inclinou a cabeça para baixo e aproximou seus lábios dos meus pulsos, assoprando os locais avermelhados para diminuir a dor. Nesse exato momento, NamSeon adentra a cozinha. Olhei para ela e depois olhei para a situação que me encontrava com SeokJin. Automaticamente, lembrei o que Kyung havia me contado.

 

Obviamente, não estávamos fazendo nada. Contudo, quem estivesse entrando na cozinha, poderia nos mal interpretar. E se ela nutrisse sentimentos por Jin e tirasse conclusões precipitadas? Oh, céus. NamSeon foi a primeira a me aceitar aqui. Se ela pensar algo errado e se zangar comigo? Ou pior, se isso a magoá-la?

 

Droga! Eu definitivamente não faço nada certo.

 

Desvencilhei-me das mãos de SeokJin e encarei NamSeon.

 

— Nossa, lembrei agora de quando Kwan falou que me ligaria. Preciso pegar meu celular — exclamei, retirando-me apressadamente do cômodo.

 

Eu sei, foi um péssimo pretexto. Mas não estava em condições de pensar em algo melhor. De fato, eu não me importava. Apenas queria sair dali.

 

Passei pela sala, todos os meninos estavam lá, ou a maioria. Não parei para prestar atenção. Saber onde eles estavam era a menor das minhas preocupações naquele momento. Apenas abri a porta de entrada e deixei o apartamento, tentando soar o mais normal possível. Não é novidade quando digo que eu não consegui.

 

Caminhei até a escadaria do prédio e me sentei no meio de um dos lances de escada. Recostei a cabeça na parede e comecei a me recriminar. Por que eu sempre tenho que me enfiar em situações constrangedoras? Será que isso nunca vai mudar? Eu estou cansada disso. Estou cansada de tantas coisas... Tudo o que faço é com boas intenções, mas sempre acabo em maus lençóis.

 

Espero que Kyung esteja errada sobre NamSeon e Jin.

 

Ouvi passos na escada e imaginei que eram de algum morador desconhecido. Não me importei em olhar. Continuei ali, imóvel, como se isso pudesse me fazer invisível. No entanto, o som dos passos foi rompido quando o indivíduo chegou onde eu me situava. A pessoa sentou-se ao meu lado e nesse momento eu soube que era alguém conhecido.

 

Olhei desanimadamente para o lado e deparei-me com ele. Park JiMin.

 

— Atrapalho? — indagou, com um sorriso fraco. Balancei a cabeça, negando — Finalmente te encontrei sozinha.

 

— Moramos com mais doze pessoas, oppa. Digamos que é meio difícil encontrar alguém sozinho. — brinquei, mas ele não riu. JiMin estava chateado...?

 

— Você sabe do que estou falando. — replicou, inalterável. Franzi o cenho. O que ele queria dizer com isso?

 

— Não, não sei — afirmei. JiMin suspirou, atenuando sua expressão.

 

— É que você sempre está com algum dos meninos — confessou e eu quis negar.

 

Afinal, se fossem medir o tempo que passo com cada um dos garotos, provavelmente JiMin ganharia. Todavia, o ruivo não estava totalmente errado. Sempre que posso, procuro estar com os meninos, e eles também estão cada vez mais próximos a mim. Então não lhe respondi nada.

 

— Desculpa se estou me intrometendo em um assunto que obviamente não me diz respeito. Porém, o que aconteceu naquela noite fica se repetindo em minha mente — confidenciou JiMin. Ele parecia tenso.

 

— Qual noite? — questionei, fazendo-me de desentendida. Eu sabia exatamente do que JiMin estava falando.

 

— A noite que você saiu. — suspirei e dirigi meu olhar a um ponto qualquer da escada — Você disse que estava prestando um favor para o seu amigo... Shin Hyuk hyung era esse amigo? — perguntou JiMin.

 

— Não! — soei um pouco rígida. Não por causa da pergunta de Jimin e sim porque a ideia de ser amiga daquele homem me deixava desconfortável. Definitivamente não o quero como amigo.

 

JiMin não falou nada. Decidi prosseguir, não queria parecer grosseira com ele.

 

— Por que está me perguntando isso? — encarei-o, JiMin suspirou pesadamente. Nunca havia o visto assim.

 

— Eu não sei o que aconteceu àquela noite. Tentei evitar comentar sobre isso. Não é um assunto que diz respeito a mim. Mas você saiu tão desordenada daquele carro, Sook-ah... Não posso simplesmente ignorar isso. De início, eu achei que estava mal interpretando as coisas e não havia nada de errado ali. Entretanto, por algum motivo, comecei a remoer os acontecimentos daquela noite e a encaixar algumas peças. Eu não queria falar nada, contudo, esses pensamentos estão me incomodando. Você é importante para mim e me incomoda pensar que algo ruim possa acontecer a você — JiMin fez uma breve pausa e eu continuei a reprimir minhas lágrimas — O que estou dizendo é que, se precisar conversar, seja sobre àquela noite ou qualquer outra coisa, eu estou aqui por você, huh?

 

Pronto. Essa última frase foi o necessário para me fazer desmoronar, cair aos prantos. Não consegui mais segurar as lágrimas que persistiam em inundar meu rosto. A realidade é que, mesmo vivendo um sonho, também estou vivendo um pesadelo.

 

Meus pais me abandonaram; estou vivendo distante das duas pessoas mais importantes para mim: vovó e Kwan; sou tratada como uma leprosa pelas mesmas garotas que dividem um quarto comigo todos os dias; YoonGi me fere com sua arrogância; esconder o fato de ser fã dos garotos é como abrir mão da melhor parte de mim; Shin Hyuk; as mentiras que preciso inventar para manter meu emprego.

 

Tudo isso está me sufocando por dentro, como um veneno que mata aos poucos. E eu não tenho ninguém para conversar sobre isso. Nem mesmo Kwan.

 

Não. Ninguém parou para perguntar como eu realmente me sinto. NamSeon e Kyung são gentis comigo. No entanto, não passa disso. Não posso comentar com Kwan sobre o tio dele, e sempre que o assunto são os sete garotos, acabamos brigando. YoonGi sabe de tudo, ou quase tudo. Mas ele nunca se ofereceu para me ouvir. Enquanto JiMin, mesmo não sabendo de nada, ou quase nada, estava ali por mim.

 

Inesperadamente, JiMin envolveu meu corpo com seus braços. No começo foi um abraço desajeitado, um tanto embaraçado. Nunca havia o abraçado antes, nunca abracei nenhum deles. Porém, não demorou muito até que JiMin me puxasse para mais perto. Aconcheguei-me em seu peito. E isso foi mais reconfortante do que qualquer outro abraço.

 

Permanecemos naquela posição por alguns bons minutos. Continuei chorando em seus braços. JiMin não dizia nada, respeitando o meu espaço e eu o agradeci mentalmente por isso. Ele apenas me envolvia em seus braços e afagava meu cabelo. A sensação era tão boa. Eu poderia adormecer ali.

 

Quando finalmente me senti melhor. Desvencilhei-me dos braços de JiMin. Mesmo que eu quisesse continuar o abraço, não abusaria da sua boa vontade. Ele segurou um dos meus braços e me encarou, franzindo o cenho.

 

— O que é isto? — perguntou JiMin. Segui seu olhar até meus pulsos, reparando algumas marcas avermelhadas. Sabia que havia queimado, mas não imaginava que estava assim.

 

— Não foi nada — assegurei-o. No calor do momento, acabei esquecendo a dor, e agora já não sentia quase nada. — Apenas me queimei.

 

— Eu já venho — afirmou e começou a subir as escadas.

 

Não demorou muito para que JiMin retornasse.

 

— Perguntei aos hyungs o que era bom para queimadura e a noona disse que era água fria — confessou ele, ri nasalado — Vamos voltar, você precisa lavar isso — JiMin pegou na minha mão, puxando-me. Eu hesitei.

 

Oppa, eu não quero voltar... Não agora. — ainda que meus pulsos estivessem incomodando, eu não estava com ânimo de falar sobre queimaduras ou qualquer outra coisa.

 

— Não se preocupe — JiMin sorriu e voltou a sentar-se ao meu lado — Eu fico com você.

 

Ele segurou meus braços novamente e começou a assoprar os locais irritados, alegando que na falta de água fria, o vento seria suficiente. Esses meninos não têm jeito.

 

Observei-o enquanto ele estava compenetrado em assoprar meu pulso. Como se minha melhora dependesse da sua concentração. Sorri docemente.

 

JiMin realmente parece um anjo.

 

(…)

 

Após banhar-me, deitei em minha cama e passei a refletir sobre os recentes acontecimentos. Principalmente durante os dois últimos dias. Meus momentos com os garotos... Tudo. Não sei dizer como, mas eu me deixei fraquejar na frente de JiMin. E eu jamais fiz isso, nem mesmo com Kwan.

 

Esses garotos são mais importantes para mim do que eu imaginava.

 

Após muitas considerações, descobri exatamente o que fazer. Retirei-me do quarto e rumei até a sala. Jin estava lá. Perfeito.

 

Posicionei-me em frente ao quarto de SeokJin e YoonGi. Suspirei pesadamente e tamborilei meus dedos contra a porta. Por sorte, ele não demorou muito para me atender. YoonGi me encarou, expressando uma leve surpresa. E devo admitir, também estou surpresa comigo mesma.

 

— Posso entrar? — perguntei. Com exceção a essa manhã, nunca entrei no quarto de nenhum dos garotos. Apenas em quartos de hotéis.

 

Ele abriu a porta e me deu passagem. Sem pensar duas vezes, adentrei o cômodo e sentei em uma das camas, YoonGi não me ofereceria assento. Eu não sabia qual era a sua cama, poderia estar sentada nela, mas isso não importava.

 

O loiro fechou a porta atrás de si e preguiçosamente, acomodou-se na outra cama, frente a mim. Inspirei, expirei e comecei a falar:

 

— Eu vim pedir desculpas. — ele franziu o cenho, como se eu estivesse falando um absurdo. Talvez eu estivesse. Todavia, eu não voltaria atrás — Desculpa, YoonGi oppa.

 

Não. YoonGi nunca me pediu para chamá-lo de oppa. E eu não o chamei por engano. Apenas fiz o que precisava ser feito.

 

— Prometo que me empenharei em ser uma assistente melhor, oppa. Perdoe-me por qualquer situação que eu possa ter lhe envolvido. — YoonGi me encarava, incrédulo. Era tão estranho assim que eu fizesse um pedido de desculpas? — Estou sendo sincera, oppa. Espero que possamos nos tornar bons colegas de trabalho. E em um futuro próximo, por que não amigos?

 

Está bem. Confesso que eu não sei onde arranjei tamanha coragem. No entanto, essa realmente era minha última carta na manga.

 

YoonGi abriu a boca algumas vezes. Como se quisesse falar algo, porém, se arrependia no último segundo. Continuei a encará-lo, não desviaria o olhar uma vez sequer. Não havia motivos, eu estava sendo sincera.

 

— Por que está fazendo isso? — foi tudo o que YoonGi respondeu. Aish, esse cara não é nada fácil.

 

— Prezo pelo meu trabalho, decidi que serei uma profissional melhor. E como você disse tantas vezes, você é o meu chefe. Que tipo de funcionária não convive bem com o próprio chefe?

 

— Não há necessidade disso. Não farei nada para que seja demitida. — por que uma vez na sua vida, você não facilita a minha, Min YoonGi?!

 

— Bom, eu já vim falar o que queria — proferi, levantando-me da cama. Fixei meu olhar em YoonGi, encarando-o com uma segurança que jamais possui antes — Querendo ou não. Ainda seremos grandes amigos, Min Yoongi oppa.

 

Virei meu corpo em direção à porta e retirei-me do cômodo, sem esperar para ver sua possível reação. Corri até o meu quarto e me deitei na cama.

 

Depois de rever o quadro da minha atual situação. Eu percebi que esses sete garotos – ou seis – estão se tornando a família que eu nunca tive. Vivi com meus pais durante dezessete anos, e nunca me senti tão bem como sinto vivendo aqui.

 

Obviamente, assim como tudo na vida, nesse emprego há prós e contras. Mas eu percebi que desaprendi a viver sem a presença desses garotos. Eles agora são mais do que ídolos para mim. E eu não vou permitir que brigas desnecessárias com YoonGi me façam perder o que venho conquistando aqui.

 

Ele alega que não me demitiria por isso e eu acredito nele. Mas não é somente YoonGi que possui o poder de me despedir. Até quando nossas desavenças passarão despercebidas? YoonGi não tem nada a perder com essas brigas, mas eu tenho. Algum dos dois precisava recuar, então eu o fiz.

 

Eu não posso arriscar perder os garotos pelo meu orgulho idiota. Então decidi que não importa quantos desaforos precisarei engolir, eu suportarei calada. Eu preciso desse emprego, como jamais necessitei de algo na minha vida inteira. E não será a arrogância de Min YoonGi que destruirá o meu grande sonho.

 

Fechei os olhos e sorri. Talvez as coisas mudem a partir de agora. Talvez eu e YoonGi realmente possamos nos tornar grandes amigos.


Notas Finais


Uma pergunta: vocês shippam a Sook com alguém, além do trio (Yoongi, JungKook e Kwan)? Se shipparem, a hora de falar é agora ~aquela carinha

Eu estava pensando e percebi que vocês não sabem muito sobre a autora, no caso, eu. Na verdade, não sabem quase nada. Eu queria escrever uma pequena apresentação, para que vocês soubessem mais sobre mim, mas eu sou péssima quando o assunto é falar sobre a minha pessoa. Então aproveitando o clima de interação, se vocês quiserem saber algo sobre mim, perguntem nos comentários. Podem fazer qualquer tipo de pergunta sobre mim. Responderei a todos, ok? ♡

EunJi = assistente do JiMin

O que falar dos meninos com medo de um rato? SeokJin, o herói KKKKKKKKKKK

O que vocês acharam dos momentos que a Sook teve com os meninos? Qual deles vocês mais gostaram?

E sobre essa mudança de atitude da Sook? Devo dizer, ela é determinada. Mas ela e Yoongi conseguirão se entender mesmo?

Até os comentários! Beijos ♡


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