História X-Men: The Serie - 1a Temporada - Capítulo 1


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Categorias X-Men
Personagens Dr. Henry "Hank" McCoy (Fera), Erik Lehnsherr (Magneto), Jean Grey (Garota Marvel / Fênix), Professor Charles Xavier, Robert "Bobby" Drake (Homem de Gelo), Scott Summers (Ciclope), Warren Worthington III (Anjo)
Tags Marvel, X-men
Exibições 3
Palavras 4.276
Terminada Não
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Professor X (parte 1)


Charles Xavier era um garoto de sete anos que mora em Nova Iorque com os pais, Sharon e Brian. Charles gostava de estudar e era um garoto com poucos amigos, porém não atribuía isso ao fato de ser mais inteligente que a maioria das pessoas, mas sim, à sua condição financeira. Sua família era milionária e apesar de seus pais terem insistido para que Charles estudasse em uma escola particular caríssima, ele próprio preferiu uma escola comum, pois queria, como ele próprio costumava dizer, “conviver com pessoas de verdade que não são escravas do dinheiro”. Infelizmente, as pessoas da escola pública também o viam como um escravo do dinheiro, um garoto metido e que gosta de se aparecer, que veio para a escola pública para se exibir e ter os professores lambendo o chão por onde passa.

Brian é um bom pai, apesar de ser misterioso em relação a seu trabalho. Ele passa a maior parte de seu tempo no laboratório de Alamogordo, da qual a única coisa que Charles sabia é que se tratava de um lugar onde se desenvolviam pesquisas genéticas. O garoto sempre entendeu o silencio do pai como parte da ética de trabalho e evitava falar sobre o assunto, mesmo que a curiosidade falasse mais alto.

O mais perto que Charles chegava do trabalho do pai era quando este recebia a visita de um colega cientista do laboratório. Kurt Marko era um homem de aparência grotesca, que apesar de sempre sorrir para eles, ainda deixava transparecer algo que Charles identificava como desdém.

***

Brian: Ainda não é suficiente.

Kurt: Pois para mim, parece pronto.

Os dois amigos estavam no laboratório de Alamogordo. Um dos maiores do país, repleto de aparatos tecnológicos que permitiam as mais complexas pesquisas. Os dois discutiam sobre um soro que acabaram de criar e estava atualmente dentro de um frasco de vidro. Tinha uma coloração púrpura e um odor neutro. Haviam gastado milhões na pesquisa para o desenvolvimento daquela substancia e após cinco anos longos de trabalho, Kurt acreditava que estava pronto. Porém, Brian sabia que lhe custaria o emprego e o prestígio do mercado se aquilo falhasse com seu propósito.

Kurt: Podemos pular para a fase de testes...

Brian: Está louco? É perigoso. Não estaremos testando em ratos dessa vez. Essa substancia não tem qualquer efeito sobre eles. Testamos em humanos. Humanos. Você tem noção do peso que isso trará se der errado.

Kurt: Não é maior do que a glória que teremos quando a entregarmos ao Dr. Milbury. Ele beijará nossos pés e nos tornará os homens mais ricos nos Estados Unidos.

Brian: Não gosto de ter que te lembrar disso, afinal somos amigos... porém aqui dentro, quem tem a patente mais alta sou eu e portanto, a palavra final é minha. O soro não está pronto. Nós vamos continuar a examiná-lo e só vamos testar quando eu achar que é a hora.

Kurt: Certo...

Kurt deu as costas, franziu a testa e apertou os punhos. Odiava que Brian fosse mais importante que ele, mais inteligente que ele, mais rico que ele, que Brian tivesse as graças do Dr. Milbury e que ele fosse casado com a bela Sharon. Kurt voltou a olhar para o amigo, que já havia se debruçado sobre o microscópio com uma nova amostra do soro. Em seguida voltou-se para o armário de vidro, diretamente para uma seringa com um líquido transparente em seu interior. Kurt arrastou-se até lá em silencio e pegou a seringa em mãos. Sentiu um salto de adrenalina e uma ligeira vontade de rir. A ideia em sua cabeça parecia ao mesmo tempo assustadora e correta, a solução para todos os seus problemas.

Kurt voltou sorrateiramente para onde Brian estava e aproveitando-se de sua total concentração na pesquisa, perfurou o pescoço do amigo com a seringa e rapidamente injetou todo o conteúdo na artéria do mesmo.

Brian urrou de dor e abriu os braços, derrubando o microscópio e vários frascos vazios no chão, causando um grande estardalhaço. Ele caiu de costas no chão, apertando o pescoço com as duas mãos e uma nítida dificuldade em falar e respirar. Ele arregalou os olhos na direção de Kurt, que estava boquiaberto, espantado com a própria coragem.

Kurt (sorrindo): Desculpe velho amigo... mas a partir de agora, sou eu quem tomo as rédeas... de tudo que é seu, de preferência.

Uma lágrima escorreu pelo olho esquerdo de Brian e então ele parou de se debater.

***

O enterro de Brian Xavier se deu apenas três dias depois. O corpo foi levado para autopsia depois do relato de Kurt Marko de que o colega havia injetado material tóxico no próprio corpo para testar seus efeitos. De fato, uma generosa dose de polônio foi encontrada circulando pelo sangue de Brian. Sharon não parou de chorar um segundo e aceitou com muita facilidade a ideia de que o marido cometera suicídio não intencional, talvez como uma forma de colocar um ponto final em sua dor.

Sharon (chorosa): Ele sempre amou o que fez... tenho certeza que... se um dia ele pensou em morrer... que foi pela ciência... que foi por um bem maior...

Kurt (compreensivo): Claro que foi minha querida. Eu lhe garanto.

Charles sentiu nojo ao ver Kurt passando seu braço pelos ombros de Sharon bem diante do túmulo de Brian, diante de toda a família e cientistas amigos que vieram para a cerimônia fúnebre. Apesar de profundamente entristecido, Charles parecia ser o único por ali que ainda mantinha a cabeça no lugar. Seu pai jamais cometeria um erro desse, injetando em si mesmo uma substancia que não se tinha conhecimento dos efeito. Não era esse o perfil de um geneticista. E olhando para Kurt, tentando se aproveitar da fragilidade de sua mãe, Charles tinha certeza de que aquele homem tinha algo a esconder, que talvez havia contribuído para o acidente de Brian (se é que se tratava de um acidente), seja omitindo socorro, ou coisa pior.

Até onde Charles sabia, Kurt era solteiro. Ele nunca enganou Charles, principalmente quando ia jantar na casa da família e ria exageradamente das piadas de Sharon. Charles arriscaria dizer que Kurt sempre foi apaixonado por sua mãe e talvez tivesse uma ponta de inveja por tudo que seu pai conquistara na vida: família, riqueza e prestigio profissional.

Infelizmente, adultos tem problema em dar ouvidos à crianças de sete anos. Kurt passou a freqüentar ainda mais a mansão dos Xavier após a morte de Brian, sempre com o pretexto de ver como Sharon estava, sempre trazendo vinhos caros de presente e colocando Charles para dormir antes da 20:00h. Charles tentara de todas as formas dizer a mãe para que superasse a perda e não deixasse Kurt tão a vontade em sua própria casa.

Sharon (carinhosa): Ele era amigo do seu pai, então é meu amigo também. Oh Charlie, meu querido, sei que é o homem da família agora, mas não há nada que se preocupar. Eu estou bem.

Era o que ela sempre dizia e a frase terminava pontuada por um abraço.

Bastaram três meses para algo sair errado. Charles flagrou a mãe no quarto, chorando sozinha e com um estranho objeto branco e cilíndrico nas mãos.

Charles (preocupado): Mãe?

Sharon (chorosa): Como pude deixar isso acontecer!? Não poder ser verdade, não pode...

Charles: Mãe, eu...

Sharon: Fazem apenas três meses! Eu ainda sou uma recém viúva... o que as pessoas vão dizer de mim

Charles: Mas o que...

Sharon: Vão todos achar que eu tinha um caso com ele antes...

Charles: MÃE!

Ela olhou assustada para o garoto. Parecia que só agora notara sua presença. Ela secou suas lagrimas e quando falou, sua voz saiu firme de um jeito que Charles não ouvia a semanas.

Sharon: Eu estou grávida. Kurt é o pai.

O espanto no rosto de Charles não podia ser maior, porém ele não conseguiu dizer mais nada. E enquanto a mãe lhe abraçava, dizendo algo que ele não fez questão de entender, o garoto encostou o ouvido na barriga da mãe imaginando se conseguiria ouvir um coraçãozinho batendo ali. Sempre quis ter um irmão, porém saber que esse bebê tinha o sangue de Kurt e ainda seria gerado pouco tempo após a morte de Brian só o fazia sentir repúdio.

Kurt fez um grande estardalhaço ao saber da gravidez, ficando mais feliz que a própria Sharon, que parecia não conseguir esconder o desconforto com a situação. O cientista não demorou a se mudar para a mansão. Além disso, Charles ouviu uma conversa dele com sua mãe, dizendo que fora promovido e agora ocupava o cargo que era de Brian, fazendo um discurso ridículo sobre assumir a função e fazer tudo da forma como o amigo gostava.

O bebê nasceu e fora batizado como Cain Marko. Assim que viu o irmão pela primeira vez, Charles já achou que ele tinha a mesma cara de brutamontes do pai. Outra coisa que não demorou em acontecer (e que Charles, alias, vinha se preparando psicologicamente deste que a gravidez foi descoberta) foi o casamento de Sharon e Kurt. O pedido partiu dele e a mulher aceitou com a expressão de quem assina a própria sentença de morte. A cerimônia se passou no jardim da mansão, apenas para familiares e embora Charles odiasse toda a situação e visse nitidamente a tristeza nos olhos da mãe, não podia negar que ela estava linda como ele nunca vira antes.

***

Cerca de cinco anos depois, as coisas já estavam bem diferentes. Kurt já não escondia mais o seu verdadeiro caráter, tratando a esposa e o enteado completamente mal, agindo como um verdadeiro rei cujas palavras devem ser engolidas pelos subordinados sem contradição. Cain, por sua vez, crescia sobre os mimos do pai, que dava absolutamente tudo o que a criança pedia.

O clima dentro da mansão atingiu seu ápice da negatividade quanto Charles, após chegar da escola, flagrou Kurt agredindo sua mãe. Ele não pensou duas vezes antes de agir.

Charles (furioso): TIRE SUAS MÃOS IMUNDAS DELA!

Charles quebrou um abajur contra as costas duras de ogro do padrasto. Este cambaleou um pouco, mas logo se virou e desferiu um soco na orelha direita de Charles que o deixou zonzo e o derrubou na hora. Magrelo como era, não pode fazer nada contra os punhos pesados do padrasto que amassavam sua carne, batendo em cada parte do corpo que conseguia entender. Não conseguia enxergar nada ao seu redor, apenas ouvia os gritos desesperados da mãe dizendo “PARE! PARE! VOCÊ VAI MATÁ-LO!”.

Após aquele fatídico dia, Kurt parou de se comunicar com Sharon e Charles mais do que fosse suficiente, preferia dedicar seu tempo no laboratório ou com o filho biológico. Por sua vez, Sharon ficara cada vez mais indisposta e caiu de cama, infeliz e doente. Nenhum médico sabia apontar de que enfermo ela sofria, embora a maioria se arriscasse a dizer que era depressão. Nos anos seguintes, as únicas vezes que ela se arriscava a sorrir era quando Charles vinha passar as tardes com ela, lhe contando sobre as novidades da escola e do mundo. O garoto expôs várias vezes para a mãe que pretendia sair de casa quando completasse seus dezoito anos e levaria a mãe para uma fazenda onde ela veria o amanhecer do sol ao lado dos pássaros e das flores. Sharon sempre ficava com os olhos marejados de lagrimas quando ele dizia isso e concordava com todos os planos mirabolantes do filho.

Aos dezessete anos, Charles ainda era aquele garoto riquinho excluído da escola, porém conquistara um amigo que era igualmente isolado, assim como ele. Seu nome era Carter Ryking e eles tinham muito mais coisas em comum. A começar pelo fato de que o pai de Carter trabalhava em Alamogordo atualmente e os dois adolescentes pretendiam seguir na carreira de genética. Os dois compartilhavam suas expectativa em relação à faculdade que fariam a partir do ano seguinte, quando finalmente encerrariam o ensino médio, mas o primeiro contato deles para com a genética foi quando surgiu uma excursão escolar. Alamogordo ia abrir suas portas para estudantes que tivessem interesse em ciências pudessem ver como as coisas funcionavam e obviamente que os dois amigos não perderam essa oportunidade, uma vez que o pai de ambos nunca os levará para conhecer o lugar.

O laboratório era um lugar imenso, com uma bela estufa do lado de fora, repleta de belíssimas espécies de plantas raras enquanto que dentro, os alunos puderam observar por através de vitrines, todo o trabalho dos cientistas misturando líquidos nos tubos de ensaio ou em máquinas gigantescas cujas funções eram tão complexas que fizeram Charles e Carter se sentirem burros. Apesar de já ter lido os antigos livros de genética do pai, Charles percebeu que havia muito mais a aprender.

Guia da excursão: ... levados bem ali do lado para a bobina neumática de indução e... olhem só! Vocês estão com sorte turma. Aquele ali em frente é o Dr. Milbury, o proprietário desse ilustre laboratório de pesquisa.

Milbury acenou para todos. Ele tinha uma barba negra, trajava um longo jaleco braço e era possível ver um cachecol de lã por baixo deste. Seus trejeitos indicavam uma pessoa elegante.

Milbury: É um grande prazer receber todos vocês aqui. Espero que no futuro todos vocês se tornem cientistas espetaculares e possam, quem sabe, trabalharem aqui, comigo.

Os olhos de Charles brilharam e ele virou-se para o lado para imaginar tal possibilidade junto com Carter. Os olhos de Milbury pousaram sobre os dois rapazes e eles se silenciaram, imaginando se haviam feito alguma coisa errada.

Milbury: Vocês dois. Eu conheço vocês. Ou melhor, seus pais. Eles trabalham aqui não?

Carter: S-sim.

Milbury: Estupendo! Os pais de vocês devem ter muito orgulho em saber que os filhos estão querendo seguir a mesma carreira deles. Oh, desculpe Charles. Eu quase me esqueci que Brian já não vive mais entre nós. Ele era um dos meus preferidos, sabe.

Charles desviou o olhar quando todos da turma o encararam. Ele não gostava de ser o centro das atenções e tão pouco da forma como Milbury estava falando de seu pai, como se ele fosse um objeto valioso de uma coleção. O doutor acenou para que o guia seguisse a excursão, ficando sozinho no corredor com os meninos. Ele passou um braço pelos ombros de Charles e o outro pelo de Carter e começou a conduzir os garotos por direções opostas.

Milbury: Os pais de vocês falavam muito sobre a inteligência de vocês dois. Especialmente o seu Charles. Ele o amava muito. Foi uma fatalidade o que aconteceu. Jamais imaginei que seu pai fosse cometer tamanho ato de imprudência.

Charles se desvencilhou do braço de Milbury e fez menção a voltar para junto da turma, mas o cientista segurou-lhe pelo braço com uma força descomunal.

Charles: Meu pai não se matou.

Milbury: Não? Então me explique como o polônio foi parar no sangue dele

Charles: Foi outra pessoa...

Milbury: Está insinuando um homicídio? Você tem provas disso?

Charles sentiu seu rosto queimar quando Milbury sorriu à sua falta de resposta.

Milbury: Não quero sua inimizade, quero apenas mostrar a vocês dois, meus futuros cientistas, o projeto no qual Brian Xavier mais se dedicou em sua vida inteira.

Milbury os conduziu até uma sala cuja porta só se abriu após ele passar pelo scanner de retina. Ele empurrou os garotos para dentro da sala com certa indelicadeza, mas eles não protestaram ao ver o laboratório principal. Estava vazio no momento e metade do espaço era ocupado por uma maquina que servia de suporte para quatro tubos cilíndricos, vazios no momento exceto por um liquido amarelado borbulhante.

Milbury: Sabem por que criei este laboratório, meninos?

Carter: Pesquisas genéticas, criação de remédios...

Milbury: A anos, eu descobri que as pessoas são diferentes das outras em muitos aspectos, tanto físico, como psicológico, mas principalmente, no biologico. Eu descobri um novo gene. Algo raro que se manisfesta em algumas pessoas e não é necessariamente hereditário. Eu o batizei de Gene X.

Charles: Nunca ouvi falar.

Milbury: Não está em nenhum livro porque escolhi esperar os resultados das pesquisas antes de tornar a descoberta publica. Esse gene é capaz de que produzir habilidades supra-especiais em quem lhe possui.

Charles: Que tipo de habilidade.

Milbury: Isso varia muito de pessoa para pessoa e isso torna tudo ainda mais interessante. Cada pessoa é diferente para ser estudada. Já vi pessoas dispararem as próprias unhas como projeteis, levantar toneladas com um só mão e até mesmo disparar raios de energia.

Carter: Isso é pura fantasia.

Milbury: Não é, e eu posso lhe provar.

Milbury saltou para cima de uma mesa com o sorriso de uma criança que acabou de aprender uma coisa nova e quer contar aos pais. Eis que a voz do doutor começou a ecoar na sala, mas ele não estava sequer movendo a boca. Charles olhou a redor, a procura de um alto falante e foi com grande espanto que admitiu a si mesmo que a voz ecoava dentro de sua mente.

Isso é pura ciencia” dizia a voz de Milbury.

Carter (surpreso): Não posso acreditar. Telepatia? E eu sempre achei que isso fosse charlatanismo.

Milbury: Claro que alguns são mentirosos. Porém eu sou portador do gene x. Sou um mutante, como eu mesmo gosto de chamar. Iniciei as pesquisas no meu próprio corpo e logo descobri pessoas com as mesmas condições que eu. Infelizmente, algumas acabaram não resistindo ao tempo.

Charles: Está dizendo que o gene x é fatal?

Milbury: Oh, não. Foram as pesquisas. Anos tentando coletar amostras do gene de outras pessoas, vi muitas delas morrendo.

Charles: VOCÊ AS MATOU?

Milbury: Eu não, mas a ciência sim.

Carter: Você é louco!

Carter deu as costas e saiu correndo. Milbury trancou as portas tocando um botão do controle remoto. No segundo seguinte, Carter estava urrando de dor e levando a mão à cabeça.

Carter: PARE!

Charles: O QUE ESTÁ FAZENDO!

Os gritos de Carter cessaram.

Milbury: Isso foi a minha onda psionica. Fiquem calmos. A nossa conversa ainda não acabou.

Charles correu a ajudar o amigo a ficar de pé e os dois encararam Milbury, que agora descia da mesa e não tinha mais uma expressão amistosa no rosto.

Milbury: Após as perdas de pesquisas, finalmente chegue a conclusão de que o gene é o mesmo em todas as pessoas, mas se desenvolve de forma diferente fazendo cada qual desenvolver o seu poder. Alguns mutantes, como eu, podem andar tranquilamente entre as pessoas comuns sem que ninguém perceba minha mutação. Outros infelizmente já não tem tanta sorte e acabam tendo mudanças físicas.

Charles: Por que está nos contando tudo isso afinal?

Milbury: O gene x não tem idade para se desenvolver, costuma se manifestar na infância mais algumas pessoas escapam à regra. Sei que deveria esperar para que os poderes das pessoas se revelassem naturalmente, mas eu sou um cientista, não sou? Minha função é facilitar para que as coisas aconteçam e é aí que Brian Xavier entra na história. Pedi a ele e Kurt que desenvolvessem um soro que fosse capaz de provocar a exposição do gene nessas pessoas que sofrem de retardo no desenvolvimento. Vocês me entendem não? Deve ser triste ter todo esse poder dentro de si e não ter como mostrar.

Carter: Então é isso que vocês criavam aqui? Monstros?

Milbury: Nós mutantes não somos monstros. Somos a evolução. Quem sabe no futuro todas as pessoas tenham o gene x! Mas isso é um sonho para outro momento. Continuando... Brian era perfeccionista ao extremo. Apesar de Kurt Marko ter achado que o soro estava pronto, Brian ainda queria pesquisar mais antes de partirmos para os testes em mutantes. Brian tinha em mente que se tudo desse errado, poderiam haver morte. Nobre da parte dele. Infelizmente, a única morte que tivemos foi dele próprio através daquele acidente...

Charles: NÃO FOI UM ACIDENTE!

Milbury: ... tão trágico. Por sorte, Kurt Marko era um pouco mais audacioso e logo partimos para a fase de testes. Injetamos o soro em mutantes que possuíam o gene x, mas que em que ele ainda não havia surtido efeito. Houveram alguns fracassos, obviamente, vidas perdidas por um bem maior. Foram-se mais alguns anos de pesquisa até chegarmos onde chegamos hoje. O soro foi finalmente concluído. Eu só precisava encontrar mais mutantes que possuíam o gene x adormecido.

Carter: E como exatamente você encontra esse tipo de mutante.

Milbury: Essa é mais uma das minhas supra-habilidades. Meus poderes telepáticos me permitem identificar o gene x inativo ou não no corpo de uma pessoa. E eu achei vocês dois.

Charles: O quê?

Carter: Está dizendo...

Milbury: Vocês dois são mutantes. Não me olhem com essas caras de espanto. Vocês não saberiam que tem esse gene a menos que ele tivesse se manifestado. Pelo jeito, vocês dois só precisam de um empurrãozinho.

Charles: Não vou ser cobaia da sua loucura.

Milbury: Você não tem escolha. Não precisa ter medo. Vocês são apenas flores prontas para desabrochar.

Charles e Carter recuaram e dessa vez, os dois receberam uma onda psiônica de Milbury. Charles sentiu a cabeça rodas, a vista turvar e uma dor lancinante no cérebro que embaralhou todos os seus pensamentos. Os dois rapazes se jogaram no chão, urrando de dor e logo perderam os sentidos.

Ao que lhe pareceram apenas alguns segundos (mas logo foi percebido que não era), Charles despertou dentro de um daqueles tubos com o líquido amarelado, os braços acorrentados, vários fios ligados a sua cabeça e no peito nu, além uma mascara de oxigênio no nariz. Ele tentou se debater e percebeu que seus braços e pernas estavam acorrentados. Conseguiu virar a cabeça lentamente e ver que Carter estava na mesma situação que ele, preso no tubo ao lado e consciente. A voz de Milbury foi ouvida claramente por meio de telepatia.

Hora de começar

Algo como descargas elétricas explodiram pelo corpo de Charles e Carter, porém o grito de nenhum dos dois foi ouvido em meio aquela água amarela. Um braço robótico foi introduzido no tubo e injetou um líquido quente na nuca dos garotos, que voltaram a desmaiar.

Charles acordou e demorou alguns segundos para se lembrar onde estava. Percebeu-se sobre uma maca e finalmente podia se movimentar livremente. Não havia dor nenhuma e ele passou as mãos pelo corpo, não notando nenhuma deformidade. Suas roupas lhe foram recolocadas e se não fosse pelo ambiente ao redor, poderia acreditar que tudo não passou de um sonho. Ele percebeu que Carter estava dormindo na maca ao lado e Milbury estava mais adiante debruçado sobre um computador. Charles não pensou duas vezes e saiu correndo na direção dele, de punho erguido, porém foi surpreendido por mais uma onda psiônica e sua dor excruciante.

Milbury: Tsk-tsk... Charlie, meu querido. Você nunca pegará um telepata de surpresa. Mas acho que você vai descobrir isso mais cedo ou mais tarde.

Charles: O que você fez?

Milbury: A experiência foi um sucesso. Logo você descobrir seus dons mutantes. Não é incrível!?

Charles: Mas e o Carter? Por que ele ainda não acordou? O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?

Milbury: Não se exalte. Seu amigo está em coma, mas fique tranqüilo, farei de tudo para...

Charles: EM COMA!?

Milbury: Você pode ir embora. O experimento acabou.

Charles: E o pai do Carter? Ele precisa saber...

Milbury: Isso é minha responsabilidade. Eu cuido disso.

Pela primeira vez, Charles percebeu que a voz de Milbury estava trêmula e que ele tinha noção de que o coma poderia não se reverter.

Charles: Eu vou chamar a polícia.

Milbury: HAHAHA! Faça isso. Quero ver encontrar uma viva alma que acreditará em você.

Milbury levantou Charles pelo colarinho e o arrastou para fora do laboratório, atirando-o brutalmente no corredor e fechando a porta de ferro ao retornar para sua sala. Charles continuou a gritar e esmurrar a porta durante minutos, mas percebeu que seria em vão e tentou encontrar a saída de Alamogordo.

Era difícil assimilar tudo que acontecera. Em poucas horas descobrira finalmente tudo o que queria saber sobre o trabalho do pai, sobre os mutantes, sobre ele e Carter serem mutantes e também o amigo se encontrava atualmente me coma.

Os corredores do laboratório estavam muito mais agitados do que na hora em que haviam chegado. Charles ficou imaginando quanto tempo havia passado com Dr. Milbury e seus pensamentos estavam desorganizados sobre tudo que acabara de acontecer. Será que ele era realmente um mutante e teria algum poder especial?

Meus Deus, estou atrasada. Espero que o doutor não me demita”

Uma mulher passou acelerada ao lado de Charles e ele ouviu sua voz, porém a boca dela não se mexia. Ele ficou em duvida se ouvira ela por telepatia e ficou se imaginando quantos telepatas haviam naquele laboratório afinal?

Dióxido de Silício... Dióxido de Carbono

Um cientista atrapalhado passou por Charles empilhando varias anotações. O garoto já estava se perguntando se todos ali eram mutantes telepatas ou se ele havia se tornado sensível a receber pensamentos alheios. Eis que ele se lembrou sobre ser um mutante. Seria esse seu poder? Ler a mente das outras pessoas.

Charles tentou se forçar, olhando fixamente para uma mulher na recepção. Mas o que recebeu não foram os pensamentos dela e sim, de dezenas de cientistas que passaram por ali e dos alunos que estavam prestes a deixar o laboratório. Todos os pensamentos vieram à sua mente de uma única vez, misturando-se com os próprios pensamentos dele e por fim, Charles era incapaz de distinguir qualquer coisa a sua volta, não sabia quando alguém falava realmente ou estava apenas pensando. Queria que isso parasse... estava ficando louco... sim, ele era um telepata tal como Milbury...

Charles: NÃÃÃÃÃOOOOO!!! AAAAAAAHHHHHH!!!



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