História Xeque-Mate - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Xeque-mate
Exibições 4.067
Palavras 6.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, meus amores!

Como estão essa noite?

Demorei um pouquinho pra voltar, mas isso se deve pela atualização dupla de Fallen Angel, e pela senhorita Camila Cabello, que em dois dias seguidos quase me mata do coração, tirando toda e qualquer concentração de mim.

Enfim, com tantos pedidos para atualização, as meninas e eu resolvemos terminar e postar hoje! Espero que gostem, tem muita coisa pra acontecer daqui pra frente. Ahh, uma novidade! Xeque-Mate agora está sendo traduzida para dois idiomas. Além do Inglês, agora temos em Espanhol! - Evelin.

"Capitulo dedicado a Vic @teamlmj_.. Espero q goste 😙 💕

"primeiramente: camz é da Lolo

Segundamente: primeiramente

Terceiramente: o raul perguntou, laucy nao acertou, pegue seu banquinho e sai da ficzinea - " Sindy"

Capítulo 24 - Desentendimento


Encarei meu reflexo no espelho do closet, enquanto retocava os últimos detalhes de minha maquiagem. Depois de chegar em casa, encontrei com um marido mais calmo, de humor mais ameno. Christopher não parecia tão irritado como essa manhã, o que me rendia certa tranquilidade. Como prova de seu bom humor, o homem resolveu me chamar para jantar fora, de acordo com ele precisávamos de mais tempo juntos.

- Está pronta, querida? – perguntou ao parar logo atrás de mim.

Ele sorriu de canto, antes de envolver meu corpo com os braços, e depositar um beijo suave sobre minha nuca. Aquela noite optei por um vestido verde escuro, de tecido leve e solto, com alças finas e um decote suave; nos pés apenas um salto de tiras na cor nude. Meus cabelos estavam presos em um coque, deixando minha nuca e busto livre para o colar de diamante que ganhei em nosso ultimo aniversario de casamento.

- Sim, está bom assim? – perguntei ao me desvencilhar de seus braços, e virar em sua direção.

- Está maravilhosa, como sempre.

O homem me encarou com seu par de olhos claros e atraentes. Ele usava apenas uma calça jeans escura, uma blusa social cor de vinho, que tinha as mangas dobras até seu antebraço; nos pés um sapato preto social.

- Você também está ótimo, meu amor.

Saímos de nossa casa, e logo entramos no carro que já estava a nossa espera. Christopher gentilmente abriu a porta do carro, e fechou no instante em que me acomodei no interior do mesmo. Logo se pôs ao meu lado, para que o motorista nos levasse até o restaurante no centro da cidade. O caminho foi tranqüilo, e rápido. Chegamos a um restaurante muito conhecido, nada sofisticado demais, Collins resolveu escolher um mais simples, e muito bom. Nos acomodamos em uma das mesas, e logo pedimos nosso jantar.

- Queria pedir desculpas por hoje mais cedo, fui muito rude com você.

Encarei seus olhos que me fitavam um tanto receosos a espera de uma resposta. Eu limpei o canto dos lábios com o lenço branco, e sorri.

- Está tudo bem, querido. – murmurei ao repousar minha mão sobre a dele em cima da mesa. - Eu devia ter avisado. 

- Eu só não quero que saia sozinha, tenho medo que aconteça outra vez.

- Claro, você tem toda razão.

Eu estava tentando dar o ar de boa esposa, era o melhor a se fazer depois de quase ser descoberta. Christopher era facilmente manipulado, claro, eu já sabia todos os truques para mantê-los sobre minhas rédeas, não poderia errar agora.

- Estava pensando de viajarmos no final do ano, o que acha?

Tomei um gole do vinho, enquanto minha cabeça fervilha com inúmeros pensamentos. Em meus planos, até o final do ano, Christopher seria uma peça derrubada do tabuleiro, e um problema a menos em minha vida, eu não queria programar viagens, e nem nada que prolongasse minha presença ao seu lado, mas ele não precisava saber disso, certo?

- Eu acho a idéia maravilhosa! Podemos ver um ótimo lugar para essa viagem.

- Eu vou pensar em alguns destinos, quero passar mais tempo com você. – ele acariciou minha mão, enquanto me fitava. – Ahm...Camila.

- Sim?

- Eu estive pensando muito hoje, e queria te falar uma coisa.

- Pensando no que? – perguntei ao tomar um gole de água da taça de cristal.

- Quero ter um filho. – disse de forma rápida, e sem rodeios.

Naquele instante a água pareceu descer pelo lugar errado, eu comecei a tossir sem parar, engasgando-me com o liquido frio. Christopher arregalou os olhos, e tentou me ajudar até que a tosse cessasse gradativamente.

- Está tudo bem? – perguntou ele de forma assustada.

Eu respirei fundo, trazendo o maximo de ar possível para meus pulmões, antes de encara-lo.

- Sim, está tudo bem.

- Eu não quero assustar você, só achei que seria...

- Christopher...

Desviei os olhos dos seus, tentando raciocinar uma resposta convincente para afastar aquela idéia de seus pensamentos sem deixá-lo irritado. Foi quando avistei duas pessoas sentadas próximo a janela em uma conversa animada. Eu na precisaria de muito para reconhecer uma delas. O cabelo escuro, a pele clara e corpo sobre medida me traziam lembranças de poucas horas atrás.

- Algum problema? – Christopher perguntou ao virar-se para direção a qual eu olhava. – Vejo que a agente Jauregui está muito bem essa noite.

O tom malicioso de sua voz apenas ajudou aquela sensação triplicar em meu interior. Lauren estava a poucos metros, sentada em uma mesa, com uma mulher no qual eu não fazia idéia. Ela me era familiar, mas nada que eu pudesse captar facilmente, afinal, ela estava de costas para mim.

- Parece que sim. – murmurei sem tirar os olhos de ambas.

- Não sabia que Lauren gostava de mulheres. – Christopher comentou, enquanto degustava da massa em seu prato.

Eu não conseguia ouvi-lo perfeitamente, minha cabeça parecia girar em torno de Lauren e a mulher ao fundo. Confesso que meu corpo estava fervilhando, mas não como a delegada estava acostumada a me deixar, pelo contrario, eu fervilhava de raiva. Fechei uma das mãos em punho, enquanto pressionava a mandíbula com força. Eu respirei fundo, tentando afastar todo tipo de idéia de minha cabeça.

- Ela já deu em cima de você?

- O que? – perguntei confusa.

- Lauren, já deu em cima de você?

- Ah, por Deus, Christopher! – resmunguei irritada. – Claro que não.

- Melhor assim.

Tomei um grande gole de vinho, e voltei meus olhos sobre Lauren e a mulher, que agora levantou, dando-me a chance de descobrir seu rosto. Quando a bela moça virou-se, meus pensamentos foram bombardeados com lembranças de uma noite.

Inferno.

Keana estava cheia de sorrisos, acenou para Lauren enquanto caminhava em direção ao banheiro. Eu encarei meu marido, que tagarelava sem parar sobre assuntos que eu nem sequer fazia idéia. Estava ocupada demais pensando em como matar alguém.

- Por que sinto que está distraída depois que viu a agente Jauregui?

Porque eu realmente estava. Minha vontade naquele momento era de levantar da mesa, e caminhar até a delegada, exigir uma espécie de explicação como se eu fosse merecedora dela. Eu estava com raiva, irritada e com ciúmes. E me praguejava por aquilo, eu odiava sentir ciúmes, mas Lauren era tão perturbadora a ponto de me enlouquecer com tal sensação.

- Impressão sua. – ponderei com um sorriso falso.

- Certeza, Camila?

- Sim, meu amor. Estava pensando em nossa viagem. Nos lugares que podemos ir.

- Isso é maravilhoso! Já pensou em Cancun?

O jantar transcorreu lento e torturante. A todo instante eu me permitia observá-las, Lauren estava tão entretida com sua companhia que nem sequer notava as pessoas ao seu redor. Era inacreditável como as coisas tinham seus altos e baixos. No momento em que ambas se separaram, Lauren pareceu observar o restaurante inteiro, então rapidamente me encolhi, abaixando a cabeça para que ela não me notasse, e pareceu surtir efeito já que a mulher se comportou da forma mais natural possível antes de sair daquele lugar, acompanhada de uma bela e insinuante mulher. O caminho de volta foi silencioso, mas Collins não parecia se importar, transparecia cansaço e sono. A ausência de dialogo apenas aumentava a pressão de meus pensamentos, que giram ao redor de Lauren e Keana. Estariam se envolvendo outra vez? Eu conhecia aquela mulher, mesmo que em poucas horas em sua presença. Além de sua beleza estonteante, a jovem sabia seduzir, provocar e instigar, não como eu, é claro; mas eu não tirava seus méritos de conquista.

Depois de uma noite mal dormida, enfrentei o barulho do despertador indicando que eu deveria levantar e ir para galeria. Christopher já havia saído como de costume, acordava bem mais cedo para comparecer na Collins Enterprise. Sai de casa depois alguns minutos, me dirigindo até a galeria Cabello. Meu humor estava dos piores possível, e todos sabiam disso sem eu nem sequer precisar falar.

- Bom dia, senhora Cabello. – o segurança da portaria murmurou assim que passei na entrada.

- Bom dia. – soltei de forma seca ao tirar os óculos de sol. – Dinah já chegou?

- Sim senhora, está no escritório.

Segui rumo a minha sala, e não demorou muito ouvi algumas batidas na porta. A loira adentrou meu escritório com uma expressão animada, nada fora do comum.

- Bom dia, chefa!

- Bom dia.

- Ihhh, que cara é essa?  - perguntou ao notar minha forma fria de falar.

- Nada.

Sentei em minha poltrona, vendo o amontoado de papeis que deixei de lado no dia anterior para sair com Lauren. Tudo estava acumulado.

Lauren...

Meu mau humor, minha dor de cabeça matinal, minha raiva e chateação.

- Lauren veio aqui hoje mais cedo, procurando por você. Mas falei que ainda não tinha chegado, e que achei que não viria. Ela disse que iria esperar você ligar, pois ligou muito e você não a atendeu.

- Eu deixei o celular desligado... - falei de forma indiferente.

- Camila... – Dinah soltou apreensiva, sentando-se a minha frente. – Você sabe que pode me contar, certo? Sou como sua irmã durante anos.

- Eu sei, eu só...

- Brigou com Christopher?

- Não, Christopher nem sequer me afeta. – resmunguei irritada. – Foi aquela...

Dinah permaneceu calada, como se esperasse meu desabafo. Eu respirei fundo, odiando-me por ficar tão irritada com aquela situação. Eu não era assim, eu não me permitia abalar, não por...

- Lauren? O que aconteceu? Estavam tão bem ontem, e hoje te encontro assim. – ela me encarou. – Não foi bom o passeio?

- Pelo contrario, foi ótimo.

- Então não entendo o porque de estar dessa forma.

- Tivemos um dia incrível, para de noite eu vê-la com outra em um restaurante.

Dinah assentiu, com uma expressão que eu conhecia muito bem. Ela não concordava de fato com aquela relação entre Lauren e eu, mas cansou de tentar ir contra.

- Poderia ser uma amiga, Camila.

- Eu conheço a mulher. Foi com aquela que transei junto de Lauren na primeira vez que nos vimos.

- Ok... – ela se levantou e caminhou até o pequeno frigobar no canto da sala. – Acho que é mais complicado do que imaginei.

- Elas estavam tão próximas, sabe? Aquilo me deixou tão irritada e com..

- Ciúmes? – a mais alta interrompeu.

Eu fitei os olhos acusativos de Dinah, enquanto a mesma abria uma pequena garrafa de água.

- Será que elas estão se envolvendo?

Vi a mulher terminar de beber o liquido da garrafa, e caminhar para minha frente novamente.

- Eu não sei, se elas já tiveram um envolvimento antes, creio que é uma forte possibilidade.

As imagens de Lauren e Keana na primeira noite em que nos vimos me acertavam com força. Eu não podia acreditar que depois de tantos anos eu estava simplesmente me corroendo por ciúmes de alguém que não era meu. Fechei os olhos com força, e meneei com a cabeça em um sinal negativo, buscando afastar tudo aquilo. Eu não poderia ter me permitido gostar da delegada, e nem ter me envolvido tanto. Sempre fui tão controlada, com objetivos fixos e sem qualquer tipo de atrapalho, para chegar a reta final e ser atrapalhada por uma paixão fugaz.

- Não deveria ficar tão abalada, Camila. Vocês não tem nenhum tipo de relacionamento sério. Você não pode querer que ela seja fiel, quando você é casada.

- Eu só pensei que... – levantei, e respirei fundo. – que ela gostava de mim. Ontem eu tinha certeza que ela iria dizer algo importante sobre seus sentimentos, mas eu impedi.

- Você queria que ela estivesse apaixonada? Assim como você está?

- Dinah...

- Camila, por favor. Isso é loucura! Você é uma bandida, tem idéia? Você deixou isso ir longe demais. Eu sei que de inicio era apenas sexo, mas você está vendo que não é mais assim.

- Eu sei... – sussurrei.

- Então, aproveite isso para dar um fim. Sei que você não programou se apaixonar por aquela mulher, mas pode tentar reverter isso.

- Eu estou apaixonada por ela, Dinah.

Pela primeira vez em tantos anos, eu me apaixonei. Que bela ironia do destino, não? Clichê. A vilã apaixonada pela mocinha da historia, mas diferente dos filmes, Lauren não era tão inocente assim. Era uma perfeita cafajeste que não recusava um bom sexo. Não estávamos falando de uma comedia romântica, e sim um romance policial. Um perigoso e excitante romance que poderia não terminar bem.

- E vai deixar que isso que te derrube? Agüentou coisas piores. E não pode deixar que tudo se acabe pelo seu relacionamento instável com aquela mulher. – ela ergueu a cabeça e me encarou em forma de desafio. – Você é uma mulher forte, cheia de atitude, Karla.

- Você tem razão, não vou ficar perturbando minha cabeça por ciúmes. Eu sou a dona desse jogo, Dinah. As peças se movem como eu quero, e eu não posso esquecer disso, pensando em outras coisas.

- Assim que eu gosto de ver, você pode ter quem você quiser, Camila. E no momento, existem coisas que precisam de atenção.  – ela começou a falar mais baixo. – Nós temos que nos reunir.

- Aconteceu alguma coisa?

- Sim, eu recebi a encomenda do Heitor. Faltava entregar a ultima parte do pagamento, e como combinamos somente depois do que ele tinha para nos dar.

- Você pegou?

- Sim, um pen drive tem tudo que precisamos.

Eu fechei os olhos, sentindo meu coração acelerar. O jogo estava chegando ao fim, e finalmente eu me libertaria de tudo aquilo.

- Você viu o que tinha nele?

A loira se calou, e eu pude notar sua expressão se converter em desconforto. Seus olhos me encararam de forma apreensiva, enquanto ela assentia.

- Um vídeo. O vídeo que vai dar o ponto final nessa historia.

- Que vídeo é esse? – perguntei curiosa.

- É melhor você ver, eu prefiro não falar nada agora. Podemos nos reunir naquele lugar de sempre.

- Claro, podemos sim. Eu preciso ver do que se trata esse vídeo.

- Certo! No mesmo lugar de sempre então.

Eu assenti e voltei aos meus afazeres na galeria. Dinah por sua vez continuou seu trabalho para o próximo evento. Depois de revisar alguns contratos, me permiti dar uma pausa, tomei um pouco de café, enquanto pensava no jantar de ontem. Sentia-me frustrada com tudo, com Lauren. Pela primeira vez em anos, achei que algo daria certo, mas eu não poderia esperar nada de onde já começou como erro. Sabia que não poderia cobrá-la, eu não tinha o direito para isso, mas eu tinha sérios motivos também para querer e não poder.

Ouvi algumas rápidas batidas na porta, antes da mesma se abrir. Lauren adentrou a minha sala com uma expressão animada, fazendo-me pensar no motivo daquilo.

- Posso entrar?

- Claro.

A mulher caminhou até mim, e depositou um beijo em meus lábios, beijo que eu não correspondi.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou com receio. – Eu vim aqui hoje mais cedo, mas você ainda não tinha chegado. Liguei para o seu celular e nada.

- Ele está sem bateria. – falei ao me levantar.

Lauren assentiu, e se calou. Eu queria poder não demonstrar o que eu estava sentindo, mas minha vontade era de colocar as coisas a limpo de uma vez. Talvez eu tenha perdido o real sentido do meu envolvimento com Lauren, que nada mais era que sexo. Desde o momento em que a mulher voltou, e que passamos a nos envolver novamente, minha vida sexual com meu marido foi por água abaixo. Tinha como ser fiel a sua amante?

- Ok, você pode me dizer o que houve?

Joguei as pastas dentro do armário, e fechei a porta com força. Como poderia ser tão cínica? Ok, eu era bem pior, mas...inferno.

- Sua noite foi boa? Aproveitou o jantar com aquela vagabunda? – soltei com um tom irônico.

- Ah... – ela assentiu. – é isso...

- O que mais seria?

- Está me vigiando?

Soltei uma risada alta, em puro deboche.

- Por favor, eu tenho coisas mais importantes para fazer.

- E então?

- Por ironia do destino, estava no restaurante com Christopher quando você estava com aquela mulher. – falei enquanto me aproximava dela lentamente. – Desde quando estão se encontrando?

- Desde ontem. Ela vai trabalhar na delegacia também. – deu de ombros.

- Nossa! Primeiro dia e você já foi recebê-la da maneira mais calorosa? Bem a sua cara, Jauregui.

Lauren me encarou de forma séria, trincando a mandíbula. Seus olhos eram intensos, misteriosos, quase hipnotizantes. Ela respirou fundo, deixando que um sorriso escapasse de seus lábios.

- Está com ciúmes, sra. Collins? – sua pergunta foi carregada de ironia.

- Não me teste, Lauren. Você não sabe do que eu sou capaz.

Ela deu um passo à frente, diminuindo quase que totalmente a distancia entre nós. Eu pude sentir sua respiração ir de encontro ao meu rosto.

- E do que você é capaz, Karla?

Sua expressão, seu tom de voz, e aquele maldito sorriso me desafiavam. Ela queria testar meus limites, saber até onde eu poderia chegar; me puxava para um precipício, que a qualquer instante eu poderia cair.

- Quer mesmo saber?

Ela ficou calada, apenas me encarando. Havia uma tensão maior entre nós, como se existisse um divisor de águas. Lauren era uma força oposta, que não hesitaria em me colocar para fora do jogo.

- Você não quer saber. Não agüentaria. – zombei sarcasticamente, antes de me afastar.

- Eu agüento qualquer coisa, Sra. Collins. – ela ergueu a cabeça. – Mostre-me do que é capaz.

- Não tenha pressa, eu vou mostrar. Você nunca vai se esquecer de mim, Lauren.

- O que quer dizer? – ela se aproximou.

Eu sentei em minha cadeira, atrás da mesa. Lauren deu alguns passos para frente, aproximando-se de mim. Suas mãos se espalmaram sobre a mesa, e seus olhos me fitavam fixamente.

- Fale. – insistiu.

- Espere pra ver. Não quer saber do que sou capaz?

- Tenha cuidado, Camila. Eu não tive nada com Keana!

Eu mordi o lábio inferior, antes de soltar uma risada divertida. Ela tinha medo, medo que eu poderia fazer com aquela mulher. Aquilo me alimentava, me injetava forças para continuar.

- Está com medo?

- Não. – retrucou. – Só não faça besteira, assim como fez com Clarice.

- Vai defendê-la? Sei que você não vale nada, Jauregui. E ela também não.

- E você vale?

Eu respirei fundo, e ergui meu corpo da poltrona, espalmando minhas mãos sobre a mesa também. Estávamos nos encarando frente a frente, com olhares fuzilantes.

- Mais do que você e ela juntas. Por favor, olhe para mim, Lauren. – seus olhos percorreram meus lábios, e desceram por meu decote, para em seguida voltar para meus olhos. – Eu sou muito mais do que você pode imaginar.

- Você se acha a dona do mundo.

- Eu sou, querida. Sou a dona do seu mundo.

Lauren se afastou e riu. Era uma risada irritada, com um humor negro.

- É o que vamos ver.

- Já estou vendo. – provoquei. – Não percebe? Acho que não, mas você um dia vai entender.

- Você não é a única mulher do mundo. Sabe que posso voltar a me envolver com Keana, certo? Você me usa, eu posso fazer o mesmo com você. Já faço!

Eu dei de ombros, fazendo-me totalmente indiferente, mesmo que minha vontade fosse de esganá-la. Eu não poderia me abater, e muito menos mostrar isso a ela. Eu voltaria a ser aquela de antes, demonstrar sentimentos não me levaria a lugar algum, principalmente com Lauren. Eu resumiria a delegada em puro sexo. Ela comeria na minha mão, como sempre.

- Ah, é?

- Claro! Só temos um caso, e eu não devo fidelidade a você. Posso me deitar com quantas eu quiser.  – ela estava com raiva, eu sentia. – Você é casada, não? Dorme com seu marido todas as noites.

Se ela soubesse que eu não me entregava a ele desde que voltou a minha vida, não ousaria me dizer tais coisas. Mas ela não saberia, eu não demonstraria que ela tinha poder sobre mim.

- Vá em frente, Jauregui. Procure uma mulher melhor que eu.

- Eu já achei.

- Faça bom proveito.

Nós nos encaramos por alguns segundos, até que Lauren assentiu e caminhou em direção a saída. A porta se fechou com força, fazendo os vidros da janela tremerem.

Um erro.

Havia sido um erro me apaixonar por Lauren, ela quase me fez perder a cabeça, desviar dos planos que tracei por anos, mas ainda estava em tempo de consertar. E era exatamente isso que eu faria. Terminaria minha missão, deixando tudo isso para trás. Ao fim do jogo, eu seria uma mulher realizada, e liberta.

- Se concentre, Camila. Você não pode perder. – disse a mim mesma.

Caminhei em direção a janela de minha sala, vendo Lauren sair da galeria. A delegada caminhou rapidamente em direção ao seu carro, parando ao lado do mesmo. Vi ela se encostar no veiculo, como se quisesse apenas se acalmar antes de arrancar dali.

- Aconteceu alguma coisa? – ouvi a voz de Dinah ao fundo. – Vi Lauren sair daqui furiosa.

A morena entrou em seu carro, e então eu me afastei da janela e encarei a loira dentro de minha sala.

- Apenas dei um passo para longe dela. Você sempre teve razão. Me envolver com ela foi um erro.

Dinah ficou por alguns segundos em silencio, e então se aproximou. Ela me conhecia como ninguém, e sabia que a delegada não era apenas um caso para mim, não mais; mas sabia também o que aquele envolvimento poderia nos acarretar.

- Quem sabe no final disso tudo? – ela soltou esperançosa.

- Não sei o que vai acontecer depois da uma ultima jogada. – respirei fundo. – Só espero ficar viva, e fora da prisão.

- Vai dar tudo certo, Camila.

- Assim espero, Dinah.

Dinah Hansen’s point of view.

 

Sai da sala, deixando Camila sozinha com seus pensamentos. Ela parecia tensa, confusa e um tanto frustrada. Desde o inicio eu senti que isso poderia dar errado; a latina estava se deixando levar por sensações que a delegada lhe proporcionava, sensações essas que não sentia há anos. Eu sabia que ela merecia ser feliz, Camila mais do que ninguém merecia isso. Seu passado nunca foi um mar de rosas, talvez a jovem mulher nunca teve a paz de espírito desde sua infância. O passado guardava feridas que não cicatrizam com o tempo, elas ainda estavam ali, vivas e expostas, sendo alimentadas por um jogo perigoso de poder e vingança. Aquilo só acabaria com a ultima jogada, e esperava eu que ela fosse nossa.

Caminhei em direção ao meu carro estacionado a frente da galeria, quando senti o vibrar de meu celular no bolso de meus jeans. Encarei o visor iluminado vendo o nome de minha namorada. "Normani Kordei"

- Oi, meu amor.

- Oi, linda. Estou saindo da delegacia agora, pensei de jantarmos juntas, o que acha? - perguntou animadamente.

- Eu adoraria, estou realmente precisando de sua companhia.

- Aconteceu alguma coisa?

Entrei em meu carro, acomodando-me no banco de motorista.

- Umas coisinhas, preciso de você.

- Eu estou indo para seu apartamento, ok? Te encontro lá.

- Certo! Um beijo. - murmurei antes de desligar.

Normani era uma das melhores partes do meu dia, acredito que nosso envolvimento me mantinha sã em meio a tanta confusão. Eu tinha medo por ela, ser pega seria uma sentença de morte a sua carreira. Ela nem sempre concordou com tudo isso, quando soube sobre os planos tivemos uma séria discussão, quase nos levando ao término, mas por sorte, ou claramente amor, a mulher resolveu se juntar a nós. Era perigoso, eu sabia, mas ela estava disposta aquilo, e eu estava disposta a protegê-la.

Cantarolei ao som da musica que deixava os alto falantes de meu carro, quando meu celular começou a tocar, era Camila. Conectei ao carro, fazendo com que sua ligação se conectasse aos alto falantes.

- Oi, Mila. Aconteceu alguma coisa?

- Ah, é só para confirmar se vamos nos encontrar no galpão essa madrugada.

- Vamos, eu encontro com você lá as três.

- Certo, as três eu estou lá. Vou dobrar a quantidade de calmantes para o rei.

- Faça isso, não quero imprevistos.

- Tudo bem, até mais tarde. - murmurou calmamente, e desligou.

O tom de sua voz revelava seu humor melancólico. Era um tanto inusitado pensar em uma Camila sensível, quando durante anos ela se fez imponente e forte. Entretanto, sua capa de mulher de ferro, não era o suficiente para esconder de mim seus sentimentos mais sinceros. Ela realmente estava apaixonada por Lauren, e se não fosse tão perigoso, eu daria minha ajuda para continuar, mas eu sabia que juntar Camila a Lauren poderia ser o fim não só dela, mas como meu. Meneei com a cabeça em um sinal negativo, e continuei meu caminho até o apartamento. Ao chegar em casa, ouvi o som ligado, uma musica animada.

- Alguém está feliz. - disse ao encontrar com Normani na cozinha.

Recebi um sorriso largo, e relaxado. Aquela mulher possuía um dos sorriso mais lindos do mundo, isso era um verdadeiro fato.

- Estou apenas querendo fazer um jantar legal para você - murmurou antes de me dar um pequeno beijo. -  me pareceu tensa ao telefone.

- Eu realmente estou.

- Posso saber por quê?

- Ah, conto depois. Quer ajuda? - perguntei ao largar minha bolsa sobre o balcão da cozinha.

- Eu quero sim.

Eu me uni a ela para preparar nosso jantar. Se tratava de massa, molhos diferenciados. Normani amava inovar na cozinha, e eu não me queixava daquilo. Depois que tudo estava quase pronto, eu segui para o banheiro, tomando um banho morno para depois voltar a encontro de minha namorada que ajeitava os talheres na mesa.

- Deixe-me fazer isso, pode ir tomar seu banho.

Recebi um sorriso, seguido por um beijo antes de vê-la caminhar até meu quarto. Arrumei tudo da melhor maneira possível, e esperei até que ela voltasse para jantarmos. O cheiro estava maravilhoso, e o sabor não ficou para trás.

- Me conte o que houve mais cedo. Acho que ninguém teve um dia bom hoje.

- Por quê?

- Lauren estava péssima, ficou na sala dela o dia todo, com um humor terrível.

- Não foi só ela. - tomei um gole do vinho tinto em minha taça.

- Como assim?

- Camila estava da mesma forma, elas meio que brigaram hoje mais cedo.

- O que houve? Lauren descobriu alguma coisa? - a mulher perguntou assustada.

Repousei minha mão sobre a sua, fazendo um carinho suave para tranquiliza-la.

- Não, de forma alguma. O problema são os ciúmes. Camila viu Lauren com uma mulher em um restaurante ontem, e acredita que ficaram juntas.

- Ela está realmente apaixonada. Eu acho que elas fazem um casal lindo. - falou de forma animada.

- E perigoso! - completei.

Normani franziu o cenho, e tomou um pouco de água.

- Por quê?

- Lauren é policial, e Camila uma bandida. Mesmo tendo motivos, não creio que ela hesitaria em levar minha amiga para prisão.

- Eu tenho minhas duvidas. - soltou pensativa. - A mulher se chama Keana?

- Essa mesmo, como sabe?

- Ela me pareceu intima da Lauren, estava sempre a ficar perto dela. Eu não sei, não gostei dela. Mas temos que pensar no lado que Camila é casada, e Lauren não tem um compromisso com ela. E pelo pouco que sabemos, nem uma das duas se mostra sentimentalmente, parecem cão e gato.

- São orgulhosas, mas eu acredito que tenha sido melhor assim.

- Ai, Dinah. Pare de ser tão dura. Camila merece alguém de verdade, e não aquele traste do marido.

- Ela merece terminar o plano, e ser livre, Mani. Eu não quero que ela vá presa, nem nós.

Normani se calou, provavelmente pensando nas hipóteses de acontecimentos que o relacionamento de Lauren e Camila poderiam acarretar.

- Eu sei, só acho que ela poderia se permitir. Para ela colocar todo nosso plano em risco por causa de Lauren, é claramente uma prova concreta de seus sentimentos. Uma prova torta e desajeitada, mas uma prova de amor.

 - Você é sempre tão romântica.

Ela fez uma careta e riu, fazendo-me rir também.

- Elas vivem nesse jogo de sedução. Ultimamente estavam feito um casal, mas depois da noite de ontem, eu duvido que isso continue. Camila é orgulhosa, dura, não aceita ser trocada, ainda mais quando ela se permitiu depois tantos anos gostar de alguém. Acho que ela vai tratar Lauren como um verdadeiro nada.

- Duas complicadas! Porque pelo pouco que conheço da agente Jauregui, ela não vai fazer questão de reverter isso.

- Melhor a gente parar de falar disso. Quero saber de você, e esquecer um pouco esses problemas.

Depois do jantar ficamos namorando um pouco no sofá, assistimos a um filme qualquer, mas eu não conseguia prestar atenção. Meus pensamentos giravam em torno de nossos planos, e nas provas recolhidas por mim. O jogo anterior havia sido mais pesado do que imaginamos, e agora eu já não tinha certeza de como esse terminaria.

- Dinah? - ouvi a voz de Normani chamar.

- O que está acontecendo? Está perdida em pensamentos. Tem mais alguma coisa?

- Eu peguei um ultimo arquivo com Heitor antes de deixá-lo ir.

A mulher ergueu seu corpo que estava ao meu lado, agora ficando sentada. Seus olhos me fitaram receosos.

- Que arquivo?

- Um video.

- Eu quero ver.

- Normani...

- Deixe-me ver. - ela pediu enquanto deslizava a ponta dos dedos entre meus cabelos carinhosamente.

Eu assenti, e me levantei para buscar o notebook. Segundos depois voltei para sala, sentando ao lado de minha namorada. Procurei entre as pastas, os arquivos salvos no pendrive de Heitor; e lá estava o vídeo. cliquei sobre o ícone, fazendo com que a janela se abrisse, expondo as imagens para nós. Normani ficou atenta a cada segundo daquelas imagens, sua expressão foi um misto de sensações, e nem uma delas foi boa.

- Isso foi mais sério do que pensei. Eu sinto muito.

Eu respirei fundo, e assenti. Foi um tanto chocante para mim, eu não esperava ver isso, não assim.

- Eu nem sei o que senti ao ver isso.

- Camila já viu?

Eu meneei com a cabeça em negação.

- Vamos mostrar para ela essa noite, no galpão.

- Agora eu entendo o motivo de quererem destruir Christopher Collins.

- Nós queríamos antes de saber desse vídeo, mas agora...

- Ela precisa ver isso. - murmurou ao me fitar.

- Eu não sei se é uma boa ideia. - falei ao me levantar.

- Não pode esconder isso dela.

- Ela pode colocar tudo a perder!

- Não importa! Ela merece isso, Dinah. Sem mentiras, por favor.

Minha cabeça fervilhava com aquelas imagens, pareciam se repetir infinitamente em meus pensamentos. Se eu que sempre fui a mais centrada, fui totalmente abalada com aquela prova, Camila poderia o juízo. Uma jogada errada, e o plano iria por água abaixo.

- Vamos reforçar agora. O jogo está chegando ao fim.

 

Camila Collin's point of view.

 

Collins tagarelava sem parar sobre seu dia na empresa, e como seus negocios estavam indo a todo vapor. Sempre os mesmos assuntos, mesmas conversas, risadas, momentos. Eu estava chegando a um limite, onde a qualquer instante eu poderia transbordar. Foram anos, fodidos anos ao lado de um homem arrogante, prepotente, e mau caráter. Eu não era diferente dele nesse quesito, mas meus motivos para isso eram.

- Vou pegar um pouco de água na cozinha. - murmurou ao se levantar.

Eu apenas assenti, e continue a beslicar o jantar. Estava sem fome, e sem humor para fazer o teatro de boa esposa. Entretanto, havia esforço necessários. Observei ele entrar na cozinha, e esperei mais alguns segundos antes de pegar as duas cápsulas de calmamente em meu bolso. Abri o envoltório e despejei o pó branco no interior do suco em seu copo, rapidamente o remédio se misturou ao coloração rosada no interior do copo de vidro.

- Prontinho. - ele disse com um sorriso ao se sentar ao meu lado.

- Sente-se, e coma. Me parece cansado, amor. - falei ao afastar um pouco minha cadeira.

- Estou, muito. Sai da empresa e fui para o treino de box.

- Ah, está explicado. Pode tirar o dia de folga amanhã, dormir até mais tarde o que acha?

- Eu não sei...

Me levantei da cadeira devagar, e caminhei até meu marido. Fiquei atrás do mesmo, e repousei minhas mãos delicadamente sobre seus ombros. Ele se encostou na cadeira, deixando que eu massageasse.

- Fique, descanse.

Ele estava calado, parecia pensar na proposta tentadora. Eu pressionei meus dedos em seus ombros tensos bem devagar, subindo para sua nuca, onde deslizei as minhas unhas.

- Posso te dar uma noite animada.

- Estou começando a gostar disso. - ele falou sorridente, e esticou a mão para pegar o copo de suco sobre a mesa.

Acariciei seus ombros novamente, quando ele levou o copo até os labios, tomando seguidos goles da minha solução. Um sorriso nasceu no canto dos meus lábios; eu me aproximei dele, e beijei sua nuca.

- Vai gostar mais ainda depois.

Voltei ao meu lugar ao seu lado, vendo ele tomar até a ultima gota do suco. Recebi um sorriso malicioso, no qual fiz absoluta questão de retribuir. Ficamos mais alguns minutos a mesa, terminando nosso jantar. Subi até nosso quarto com um Christopher sonolento, porém um tanto animado para alguém que estava dopado. Ele me beijou de forma intensa, e eu apenas retribui. Me deitei em nossa cama, e recebi seu corpo pesado sobre o meu, enquanto seus lábios acariciavam a pele de meu pescoço. Arrastei minhas unhas por suas costas, dando impulso para situação. Eu o sentia cada vez mais lento, mais pesado.

- Amor... - sussurrei.

Christopher beijou uma, duas, e na terceira foi o suficiente para apagar. Esperei alguns instantes, e por fim o joguei para o lado na cama.

- Que saco fazer isso toda semana. - resmunguei. - Alguém já disse que você é insuportável?

O homem estava completamente apagado, o calmante surtiu efeito esperado. Ergui meu corpo, e tratei de ajeitá-lo em seu lugar. Retirei seus sapatos, calça, e blusa, o deixando apenas com uma cueca box preta.

- Pelo menos beleza tem. - zombei ao vê-lo desmaiado na cama. - Espere sua bela esposa chegar, ok? Ah, sinto muito, você não vai acordar tão cedo.

Depois de algumas horas de espera, comecei a me arrumar. Após um banho morno, fui até o closet; optei por uma calça preta, justa, e uma blusa de mangas compridas e gola alta da mesma cor; nos pés usava botas com salto médio e cano baixo. Encarei minha imagem no espelho, acertando os últimos detalhes de minha maquiagem leve. Meus cabelos estavam soltos, e ondulados em seu natural. Caminhei até o quarto, enquanto vestia meu sobretudo preto. Encarei o corpo de Christopher debruçado sobre a cama, e me aproximei.

- Até logo, amor. - sussurrei ao dar um tapa sutil em seu rosto.

Entrei em meu carro estacionado na primeira vaga, e segui com o mesmo até a saída. O segurança da madrugada me encarou, e eu apenas lhe lancei um sorriso sedutor.

- Aqui está seu presentinho de todo mês. - murmurei ao entregar o envelope com uma quantia em dinheiro.

- A senhora é sempre muito gentil, Sra. Collins.

- Sou gentil com quem merece, e você se mostra um belo profissional.

- Obrigado. - soltou empolgado ao abrir o portão da mansão.

- Até depois, Nick. E lembre-se... - gesticulei com o indicador em sinal de silencio.

O caminho até o galpão era longo, e deserto. Meus pensamentos giravam em torno de Lauren, e dos últimos acontecimentos. Eu sabia que havia pegado pesado com ela hoje mais cedo, eu não poderia cobrá-la, mas me sentia nervosa, e frustrada por não poder seguir com nosso envolvimento da maneira que eu queria. Infelizmente a situação não nos oferecia espaço para sentimentos, carinhos e até mesmo amor. Era um jogo, e nele, o sentimentalismo era sinônimo de fraqueza. Entretanto, eu não perderia tão facilmente, eu traria ela de volta para minha mão, com ou sem Keana Marie, Lauren Jauregui  era minha.

O movimento de carros era mínimo, o normal para o horário. Encarei o relógio de ouro em meu pulso, marcava três horas da madrugada, eu estava atrasada. Pisei no acelerador da ferrari, fazendo o motor roncar alto antes do automóvel ganhar as largas avenidas nova iorquinas com muita velocidade. Não demorou muito, entrei na área mais afastada do centro da cidade, havia muitos galpões abandonados, utilizados para guardar as embarcações próximo ao cais. Segui com o carro até o penúltimo, onde estacionei ao fundo, longe de qualquer um que pudesse passar na rua. Segui para o interior do galpão abandonado, até a sala iluminada.

- Finalmente! - ouvi a voz de Dinah.

- Me desculpe a demora.

- Tudo bem, não tem problema.

- E então, onde está o vídeo? - perguntei ao largar minha bolsa sobre a mesa.

- Camila, acho que precisamos conversar antes de você ver. - Dinah murmurou receosa.

Eu franzi o cenho em sua direção, estranhando sua maneira defensiva. Caminhei até a poltrona de couro, onde me sentei lentamente.

- Conversar sobre o que? Estou esperando por esse vídeo a manhã inteira. Eu quero ver. Agora.

Normani permaneceu calada, alternando o olhar entre Dinah e eu.

- É que...

- Dinah, o vídeo.

- Acho que isso vai dar um rumo diferente agora. - disse ela ao me estender o notebook. 

- É o que vamos ver. 


Notas Finais


Aiai, esse video, sei não...


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