História Yosei no noroi - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Gajeel Redfox, Gray Fullbuster, Juvia Lockser, Levy McGarden, Lucy Heartfilia, Mavis Vermilion, Natsu Dragneel, Zeref
Tags Basquete, Nalu
Exibições 126
Palavras 3.778
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, pessoinhas! A estória está acabando... Eeeeee! buá buá. Odeio quando essa hora chega...
Mas enfim. Ainda temos mais uns poucos caps pela frente.
O de hoje está meio tenso.. \o/
Boa leitura!

Capítulo 10 - Lágrimas, para que te quero?


Juvia estava com um saco de gelo na cabeça. Tinha tomado dois comprimidos para enxaqueca e estava deitada em minha cama. Tínhamos voltado para o hotel pouco mais de duas da manhã. Natsu estava com a boca inchada e sangrando onde Gray o atingira quando este tentou parar o amigo depois de um pedido insistente meu. Quando Gray percebeu que éramos nós, parou. Quando os seguranças tentaram segurá-lo novamente, a briga recomeçou. Dessa vez com Natsu metido, dizendo que ninguém atacava seu amigo, a não ser ele mesmo.

Resultado: fomos expulsos da boate e proibidos de pisar ali pelo resto da vida. Ninguém os reconheceu como jogadores da Fairy Tail, o que foi uma grande benção. Voltamos para o hotel com Gray andando bem atrás. Seus punhos estavam sujos de sangue e seu rosto estava vermelho de cólera. Natsu carregava Juvia em suas costas. Erza e Mira vinham rindo sobre toda aquela situação. Eu andava sem encarar Gray. Ele sabia que a ideia tinha sido minha.

Depois que Juvia pegou no sono, fui até o quarto dos meninos. Eram três horas da manhã e eu sabia que eles precisavam dormir. Bati de leve e Gray saiu. Imaginei que Natsu sairia também, mas não aconteceu.

- Armou isso. – Gray me acusou.

- Armei. Sabe por quê?

- Juvia te contou do que aconteceu com Lion.

- Exatamente. E isso me fez me perguntar o que deve ter passado pela sua cabeça.

- Não se meta nisso.

- Já me meti. Eu vi como estava quando a viu com outro cara. Sabe o que Juvia sente por você. Isso é tudo para não admitir que você pode gostar dela?

- Eu não a quero. Ela precisa parar.

- Ela parou hoje, Gray. Ela foi até aquela boate. Ela dançou, se divertiu, se permitiu. E o que você fez? Estragou tudo. Ela provavelmente vai continuar se iludindo, dizendo para si mesma que você estava com ciúmes. Então eu preciso saber da verdade, para que saiba como lidar com a dor dela.

- Por que acha que precisa lidar com a dor dela? – Gray cruzou os braços. E eu cruzei os meus.

- Sério? Depois de tudo? Depois desse tempo com vocês, depois se me envolver com a Fairy Tail? A maldição não deixaria que fosse diferente. – Silêncio. Gray respirou fundo.

- Juvia merece coisa melhor. Ao contrário de mim, ela é completamente boa. Ela merece alguém que não tenha nenhuma mácula.

- Você está brincando?! – eu quase gritei. – Acha que Juvia está sendo enganada ou algo assim? Se acha que Juvia não gostaria mais de você por causa dos pecados que acha ter cometido, conte todos a ela e deixe que ela decida. Gray, você sabe quantas pessoas gostariam de ser amadas da forma como a Juvia te ama? E o pior de tudo é saber que você também a ama, mas está hesitando!

- Eu não a amo. – Gray tentava se manter durão, mas a máscara já não funcionava comigo.

- Eu não acredito em você. – cruzei os braços. – Eu disse. Se quer que Juvia pare de ir atrás de você, considerando que acredita realmente que isso a afastaria, conte seus pecados a ela. Mas, se continuar insistindo nisso, então deixe ela em paz de verdade. Não se meta mais na vida dela e deixe ela encontrar outra pessoa que possa corresponder ao amor que ela tem para dar. Agora você tem que dormir. Boa noite. – falei como uma ordem para ele entrar naquela droga daquele quarto e pensar muito bem em tudo que eu tinha dito. Meus braços continuaram cruzados e Gray soltou o ar com força. Sem dizer mais nada, voltou para seu quarto.

 

Fiquei sozinha no corredor. Só respirei fundo quando a luz do quarto se apagou. Então andei devagar de volta para o meu. E apenas para dar de cara novamente com Zeref. Duas vezes em um mesmo dia. Mas eu já não estava com medo dele. Seus braços estavam cruzados e ele estava encostado à porta, me impedindo de entrar no quarto.

- Com licença. – pedi.

- Por quanto tempo vai fingir pertencer a esse lugar? – a pergunta veio tranquila, mas cortante.

- Por que isso é um problema seu?

- Recebi uma carta noite passada. – não falei nada. – Mas eu sei que você sabe.

- Sei?

- Eu não entendi o jogo de vocês duas ainda. Só que o fato de ela me dizer para não tocar na Fairy Tail e confiar que tudo dará certo no final é muito conveniente. Então por que não me diz logo qual o planinho de vocês duas e acabamos logo com isso?

- Você foi muito mal em dizer aquilo na frente do Natsu. Eu jamais o machucaria.

- Mal? Eu só comentei o fato de ter te visto sair do quarto de outro homem no meio da madrugada quando você está supostamente em um relacionamento com o Natsu. Acredito, que no lugar dele eu gostaria de saber se minha namoradinha for uma vadia.

- Sabe, você não me ofende com isso. Eu imagino que esse seu jeito desprezível se deva ao fato de você estar sofrendo pela ausência da Mavis. E por outras coisas que só dizem respeito a você. Mas você não tem o direito de machucar outras pessoas por causa disso. Não tem o direito de me ameaçar.

- Eu posso acabar com você num piscar de olhos, Lucy Heartphilia. Basta um telefonema. Não me provoque.

- Eu não tenho medo de você, Zeref. Não mais. Se eles me quiserem longe no final de tudo isso, eu vou entender. Mas eu acredito que não vá ser o caso. E você sabe disso. Está tentando me amedrontar. Só quero que saiba que isso só afasta Mavis de você. – ele deu um passo em minha direção. Eu só esperava que ele não me marcasse novamente. Natsu não ficaria mais parado.

- Não se aproxime. – avisei. – Você queria saber a verdade? Pois bem, estou envolvida com Mavis. Não foi para isso que vim. Eu não sabia nem da existência dela no início. Eu já estava aqui quando ela me procurou e envolveu no problema de vocês dois. – falei e Zeref parou. Seu rosto não revelava nenhum pensamento. E eu continuei antes que perdesse a coragem. – Mas ela quer ajudar você. E eu acabei querendo ajudar ela a ajudar você. Tive tempo para pensar sobre isso. Mavis acha que você jamais a machucaria. E, de certa forma, é a mesma coisa com o Natsu. Eu acho que entendo você um pouco porque entendo ele. Mavis me disse o que você está procurando, mas eu não posso te ajudar com isso. Só ela pode. Só que eu estou cansada. Tem muita coisa acontecendo aqui e eu quero que tudo fique bem com meus amigos, então eu decidi não fazer as coisas como Mavis esperava. – o empurrei para o lado e entrei no quarto. Voltei segundos depois, decidida e carregando as três cartas que faltavam. Entreguei as três ao mesmo tempo. – Estava certo. Fui eu quem entreguei a carta. E aqui estão as outras. Leia elas na ordem e vai encontrar o que procura, eu acho. E pare de ameaçar meus amigos. Comigo, bem, eu não me importo com o que acha que pode fazer comigo. – falei olhando em seus olhos e voltei para dentro do quarto.

 

Andei para minha cama devagar e me cobri. Afundei minha cabeça no travesseiro e chorei baixinho. Não queria que as meninas acordassem.

 

**

 

Mira não estava no quarto quando acordei. Passava das nove e meus olhos estavam inchados. Eu só esperava não prejudicar o time com a pequena loucura da noite passada. Erza estava de pé e franziu o cenho quando olhou para meu rosto. Ergui a mão com o pedido silencioso de que ela não fizesse perguntas. E ela não fez.

Me levantei, tomei um banho e estava pronta para começar o dia. Descemos para tomar café e o silêncio foi a única coisa a imperar naquela mesa. Eu não podia deixar de pensar que era, de alguma forma, minha culpa. A Fairy Tail nunca ficava em silêncio. Nunca. Suspirei e senti a mão de Natsu em meu joelho. Encarei seus olhos e ele não sorriu. O que eu estava fazendo com aquelas pessoas?

Não vi Zeref naquela manhã. E, quando fomos para os jogos da tarde, ele também não estava lá. Talvez Mavis tivesse dado alguma dica de sua localização e Zeref tivesse ido atrás dela. Talvez tivesse dado a localização do irmão e Zeref estivesse indo atrás dele. O irmão pertencia à Fairy Tail, mas podia não estar entre os atletas, não é? As arquibancadas estavam cheias, as pessoas estavam alegres com suas faixas, cartazes e camisas de torcida. Me sentei na primeira fileira, ao lado de Mestre Makarov, Levy, Juvia, e todos os outros que estavam ali para torcer para a Fairy Tail. O banco abaixo de nós estava vazio. Os atletas ainda não tinham entrado em quadra.

Os primeiros foram a Fairy Tail. Erza e Mira vinham andando devagar na frente e os meninos as seguiam. Natsu me viu e acenou com um sorriso mais contido. Gray olhou para Juvia e os dois desviaram o olhar. Laxus encarou Mira e ela virou o rosto. Eu tinha interferido nas histórias de todos eles. Estava mexendo com Natsu, tinha mexido com Laxus e Mira e com Juvia e Gray. Infelizmente, minha intenção ao fazer aquilo não era a de magoar todos eles. Me lembrava de Lisanna dizendo que eu destruiria a todos. Não imaginava que ela podia estar tão certa.

Um arrepio percorreu minha espinha e olhei para cima. Havia um homem. Alto, imponente, com a barba e cabelo já brancos. Ele estava sentado vários bancos acima do meu, mas seu olhar estava fixo em mim. Eu não sabia quem era, e não queria saber. Voltei minha atenção para a quadra só para ver um rapaz pequeno e franzino correr até o primeiro juiz e lhe dizer algo em voz baixa. O homem foi até a mesa onde o placar era computado e passou a mensagem. Erza estava atenta ao homem e se aproximou de onde estávamos.

- A Crime Sorcière não está no vestiário. – Erza nos comunicou. – Jellal não se atrasaria para o jogo.

- Vamos esperar por mais cinco minutos. Se a Crime Sorcière não aparecer, a Fairy Tail será a vencedora. – o juiz avisou, se aproximando de nós. Erza assentiu, mas sua expressão era de preocupação.

- O que será que aconteceu? – perguntei e Erza deu de ombros.

 

Menos de cinco minutos depois e o menino voltou correndo até o juiz. O homem balançou a cabeça e andou até o centro da quadra. O que estava acontecendo? Apitou e esperou a arquibancada se calar.

- O time da Crime Sorcière não virá. Isso torna a Fairy Tail a vencedora da rodada e classificada automaticamente para a final. – anunciou em voz alta e um urro de insatisfação se ergueu da torcida. – O jogo da Grimoire Heart vs Sabertooth será mantido no horário estipulado.

 

**

 

Me reuni com Loki e os demais. Aquarius não estava presente e Loki disse que ela tinha conseguido permissão para acompanhar a Grimoire heart.

- Sério? – perguntei e Loki assentiu.

- Aquarius consegue o que quiser. O resto de nós não teve tanto problema. Felizmente as equipes mais desagradáveis já foram eliminadas. Fizemos nosso trabalho rapidamente e podemos apenas curtir o final do campeonato.

- Não seria melhor se mais alguém ficasse com a Aquarius então? – sugeri.

- Ela não precisa de ajuda. – Scorpion falou seriamente. Era a primeira vez que eu não o via com seu constante sorriso debochado. Ele estava preocupado com a namorada, eu sabia.

- Foi estranho a Crime Sorcière simplesmente desistir, não acham? – perguntei.

- Não consegui encontrar os jogadores. Eles sumiram de repente.

- Isso pode ter sido obra da Grimoire? Eu percebi que eles são maus.

- Por algum motivo, acredito que a Grimoire Heart está aqui por causa da Fairy Tail. Aquarius disse que o treinamento deles é basicamente tentando lidar com o estilo da Fairy Tail. – Áries falou.

- Mas eles não sabem o estilo da Fairy Tail. – Loki completou.

- O que significa que vão muito mais agressivos do que já foram com todos os outros times. – Taurus também comentou.

- A Sabertooth vai jogar contra eles agora. E a Grimoire não vai pegar leve com eles. – falei.

- Só podemos assistir a partida e torcer para que a Sabertooth saiba lidar com eles.

 

Mas a Sabertooth não soube. Eu estava ao lado de Yukino quando o primeiro golpe veio. Estávamos torcendo enquanto Sting corria com a bola. Ele desviou bem dos primeiros jogadores que se lançavam com tudo para cima dele. Era rápido, ágil, mas estava tranquilo demais. Rogue, Yukino e eu gritamos ao mesmo tempo. O pivô, Azuma, atingiu Sting na cabeça. O homem corria para Sting, intentando acertá-lo sem nem mesmo tentar pegar a bola. Sting caiu e todos pudemos ver o sangue que escorria por seu rosto. Ainda assim ele tentou se levantar, apenas para ser acertado novamente por outro jogador. O homem pisou nas costas de Sting e pegou a bola. O juiz apitou, mas já era tarde demais. Natsu já corria para a quadra, enfurecido. Toda a Fairy Tail, bem como Yukino, já corriam para a quadra. Me peguei correndo também.

Azuma estava cara a cara com Erza. Natsu encarava outro mal encarado, BlueNote. Gray, Elfman, Mira, Laxus. Rogue e Yukino estavam ao lado de Sting, o ajudando a se levantar. Olhei para seu estado, mas o rapaz estava inconsciente. Seu rosto sangrava muito e Yukino teve que lutar para conter o sangramento do nariz. Meus olhos se encheram de lágrimas e meus punhos se fecharam.

O juiz tentou se por entre os jogadores que se encaravam e apitou.

- Todos para fora da quadra, agora! – mas a Fairy Tail não queria saber. – Não vou avisar novamente. Se a Fairy Tail não se retirar agora, vai estar desclassificada!

O demônio Erza olhou nos olhos daquele homem e ele se encolheu. Natsu parecia pegar fogo.

- Nós vencemos. – Azuma falou com um sorriso. – Esse timezinho de merda não tem jogadores reserva. Assim como os ratos que esmagaremos amanhã.

- Não se acabarmos com vocês agora mesmo. – Natsu falou. Os pelos dos meus braços se arrepiaram. Eles não podiam brigar.

- Se fizerem isso, estarão desclassificados e não poderemos vencer esses desgraçados. – falei. Todos se viraram para me olhar. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas eu não tinha vergonha de deixá-las cair. Eram lágrimas de ódio. – Vocês não podem fazer isso.

- Está falando do que, vadia? – outro jogador falou e Natsu virou sua cabeça bruscamente para a voz. Uma veia saltou em sua têmpora. Me pus à sua frente antes que ele cometesse uma loucura.

- Estou falando, palhaço, que a Fairy Tail não vai se rebaixar a dar a surra que todos vocês estão merecendo agora. Nós vamos esmagar vocês amanhã, aqui, na quadra. E no final, vamos oferecer seus corpos imundos à Sabertooth. Ninguém mexe com os amigos da Fairy Tail.

- Vai ser interessante. – Azuma continuou. Seus braços estavam cruzados.

- Amanhã, sem regras, só basquete. E ninguém vai se meter enquanto os quarenta minutos de jogo não acabar. Que tal? – Natsu sugeriu.

- Então podemos fazer o que quisermos com vocês durante quarenta minutos?

- Não. Nós faremos com vocês o que quisermos por quarenta minutos. – retruquei com um sorriso. O juiz não tinha palpite a dar ali. A arquibancada estava em silêncio, vendo atentamente o que acontecia ali. Quando os jogadores da Grimoire Heart nos deram as costas, a gritaria irrompeu por toda a torcida.

Fomos para junto de Sting e Yukino segurava sua cabeça. Natsu ajudou Rogue a carregar o loiro até a enfermaria. Erza e Mira começaram a tratá-lo. Minerva, a treinadora que eu tinha finalmente conhecido, estava com o rosto vermelho e falando ao telefone. Parecia brigar com alguém, ou exigir alguma coisa de alguém.

- Não tem jeito. Os médicos não podem vir agora. – falou.

- Como assim? – Yukino perguntou.

- Eu diria que está tudo ligado. A Grimoire... Não sei de onde são ou quem está por trás deles, mas eles não vieram por causa do campeonato. Vieram para isso. Para machucar os jogadores e garantir que eles continuem machucados.

- Não se preocupe. – Mira falou. – Estamos acostumadas a cuidar de ferimentos. A Fairy Tail briga sempre e não temos médicos de plantão, sabia?

- Podem ajudar o Sting? – Yukino pediu entre lágrimas.

- Já estamos fazendo isso. – Erza respondeu. – Lucy, pegue aquela bacia e traga água para limparmos os ferimentos dele, por favor. Yukino, vá a farmácia e compre uns curativos.

- Sim!

- Sim! – falei, peguei a bacia e corri para fora do vestiário.

 

**

 

Coloquei a bacia dentro da pia e deixei a água enchê-la. Me apoiei na parede e respirei fundo. Eu tinha ousado além de qualquer expectativa. Nossa, tinha ameaçado os jogadores mal encarados da Grimoire assim! Não me orgulhava daquilo, mas era um absurdo eles acharem que conseguiriam amedrontar a Fairy Tail.

- Foi um show e tanto. – ouvi uma voz que conhecia muito bem. Meus braços se arrepiaram. Vi o reflexo daquela pessoa no espelho.

- Lisanna.

- Não imaginei que chegasse a tanto. Mas o que eu poderia esperar? Acha que Natsu vai te proteger de tudo e de todos.

- O que está fazendo aqui? – perguntei. Precisava sair daquele banheiro naquele instante.

- Eu não aceito que esteja aqui enquanto eu não posso. Você se meteu na vida da Fairy Tail. Você acabou com o que eu estava construindo com Natsu. E achou que isso não te traria nenhuma consequência?

- Lisanna, você está se escutando? Você e o Natsu não tinham nada! E as coisas já estão ruins o bastante para você vir até aqui dar a droga de um chilique. - Lisanna riu. Ela não estava bem. Eu conseguia ver isso pelas bolsas que estavam sob seus olhos. – Você está bem?

- Cala a boca! – pulou para cima de mim e me empurrou com força contra a pia. Meus quadris bateram na pedra da pia e ela empurrou minha cabeça para dentro da bacia que eu tinha enchido. A água entrou na minha boca e nariz e me obriguei a prender a respiração. Mas a mão de Lisanna em minha cabeça me mantinha na água.

Chutei para tentar me libertar, mas ela estava mais forte do que antes. E ela ia me matar! Tentei gritar, mas só água entrava na minha boca. A torneira ainda estava aberta e caía sobre minha cabeça, enchendo meus ouvidos e me molhando por inteira. Não sei por quanto tempo ela me manteve ali. Só sei que meus pulmões começaram a queimar e a implorar por ar. Tentei virar mais uma vez, certa de que a consciência estava se esvaindo aos poucos. Não sei descrever como é se afogar. Só o que posso dizer é que, quando a água entra em seus pulmões, dói. E não dói pouco. Queima, como se eu estivesse bebendo água fervendo. A dor se espalhava pelo meu peito e meu peito parecia que explodiria. Só parou de doer quando a escuridão me tomou.

**

Cuspi a água para o lado e forcei o ar de volta para os meus pulmões. Tossi terrivelmente, como se fosse cuspir minha garganta. Ouvi o riso de Lisanna e levantei minha cabeça. Ela não estava sozinha. E eu não estava mais no estádio onde o campeonato estava acontecendo. Estava em algum beco. E a segunda pessoa ali era o velho que eu tinha visto mais cedo me olhando da arquibancada. Não tentei me levantar. Não conseguiria mesmo se quisesse. Precisava guardar minhas forças para quando fosse necessário agir.

- Quem é você? – consegui perguntar.

- Boa tarde, senhorita Heartphilia. – o velho falou e eu sabia quem era sem ele nem precisar se apresentar.

- Você é Hades. – ele assentiu.

- Você percebe quanto problema teria sido evitado se tivesse aceitado o convite para o chá?

- Para você me envenenar?

- Ah, mas eu não faria isso, senhorita Heartphilia. Não com uma figura tão ilustre. Eu apenas cuidaria para que chegasse em segurança em casa.

- Estou em casa. – falei e Lisanna fez um som de nojo. – Não importa o que pensem.

- Certo. E eu realmente não ligo para quem entra para a Fairy Tail. A não ser que essa pessoa tenha alguma influência. Não que eu a considere uma grande jornalista ou algo assim. Realmente não entendo as pessoas que leem as coisas que você escreve. Mas o fato é que há quem leia. E isso me é muito inconveniente, entende?

- Você é um tirano. Não vai continuar tratando Magnólia como quiser.

- É esse espírito que te colocará em sérios problemas, senhorita Heartphilia.

- Pare de me chamar assim.

- Mas é seu nome.

- Meu nome é Lucy. Só Lucy.

- Entendo. Não vai fazer diferença mesmo. Agora nós vamos fazer o que deveríamos ter feito no início. – ele se aproximou e me segurou pelo braço. Mesmo velho, não teve nem um pouco de dificuldade em me levantar. – Vou devolvê-la para sua vida. E isso vai garantir que não saia por aí falando absurdos.

- Para me parar você vai ter que me matar. – falei enquanto era arrastada para fora do beco. – Eu vou fugir de novo. E vou contar para todo mundo. – Hades olhou em meus olhos e viu que eu estava falando sério. Eu protegeria a Fairy Tail, nem que isso fosse a última coisa que me restasse.

- Hum... Isso é triste, Lucy. Porque me obriga a encerrar uma vida tão bonita e jovem.

- E então só se condenará mais.

- Mas eu não vou tocar em um fio do seu cabelo. Só que nunca se sabe quando um acidente grave pode acontecer. – ele falou e me virei para Lisanna.

- Você não é como eles. – falei com raiva. – Todos eles resolveram ser o melhor que pudessem. Você é um monstro. Não merece seu lugar na Fairy Tail! – gritei e me soltei de Hades. Pelo menos um tapa. Só um golpe. Mas não tive tempo. Senti o golpe em minha nuca e voltei a cair. A última coisa que vi foi o pavor nos olhos de Lisanna. O que quer que ela tenha visto em mim, foi o bastante para provar que ela estaria perdida de não fosse por Hades. Esqueci Lisanna enquanto a escuridão me engolia. Só conseguia pensar em Natsu e no quanto ele ficaria desesperado quando não me encontrasse.

Natsu... 


Notas Finais


Hades apareceuuuu! O que acharam? Estamos entrando na reta final!


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