História You Belong With Me - Capítulo 11


Escrita por: ~, ~JuuhMC e ~montanhadecredo

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Ana Paula Padrão, Erick Jacquin, Henrique Fogaça, Paola Carosella, Personagens Originais
Tags Farosella, Fogasella, Masterchef
Visualizações 221
Palavras 1.837
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá meninas. Espero que gostem... Ju e Briny, obrigada pelas ideias e apoio. Amo vocês ❤️❤️❤️

Capítulo 11 - Tempo


Estar em minha terra natal, onde minhas raízes foram construídas, onde parte de mim foi deixada para trás, é incrível mas também difícil. Muitas coisas ruins aconteceram neste lugar. Contudo posso dizer que não vejo a hora de chegar em casa, encontrar minha avó, tias e primos. Sentir o abraço reconfortante da minha avó fará com que eu deixe toda tensão de lado. Mereço isso.

Claro que tudo poderia estar melhor, certo? Henrique poderia estar ao meu lado agora, e não Demian. Se ao menos eu tivesse o bom senso de ter acabado com esse relacionamento forçado antes... Mas não, preferi continuar achando que isso fosse dar certo. E como poderia? Fui egoísta esse tempo todo. Se alguém me acusasse agora, não poderia negar. Sei que meu coração está entregue a outra pessoa. Pessoa que neste momento deixei para trás, e espero que não por muito tempo.

Levamos apenas mais alguns minutos de percurso. Já conseguia avistar a linda casa que por muito tempo morei. Flashbacks da minha infância passam como um filme, é inegável o quão fácil as coisas teriam sido se eu ainda continuasse com a mentalidade de antes. Aquela menina imatura que não precisava se preocupar com nada, além dos estudos e brinquedos, que sempre se encontravam jogados pelo extenso jardim. Ah! O jardim! Como era lindo.

Como minha avó sempre dizia: Era nosso pedacinho do céu. Qualquer um poderia até achar exagerada a comparação, mas era o lugar onde nos encontrávamos em uma performance admirável. Tempos que não voltam mais.

Quando entrei na casa achei que já encontraria o resto da família. Minha avó, tias e até primos que todos nós deixamos para trás. Mas o caseiro que cuida de tudo aqui desde minha infância nos disse que todos voltariam em breve, por conta de um festival que acontece há tempos na Argentina.

Não pude deixar de ficar triste. Mas ao menos terei um bom tempo para me instalar.

- Querido, pode levar as coisas? - Toquei em seu ombro para atrair sua atenção. Demian pode até viajar muito, porém se acostumar com o país sempre é um problema para ele. - Quero andar um pouco por aqui, ver como as coisas estão. Tudo bem para você? - Continuei

- Claro, tudo bem. Vai lá - Pegou minha bolsa e com a ajuda do caseiro subiram até os quartos.

Quando percebo que estou completamente sozinha, sigo em direção a uma sacada que me dava visão para os fundos da casa, de onde consigo avistar o jardim. Desde que fui embora tudo mudou muito. Nada mais é como antes. Isso me traz uma angústia que nem mesmo eu consigo controlar.

Por um segundo dou risada de mim mesma, o que eu esperava? Que tudo estivesse às mil maravilhas à minha espera?

As coisas não são assim, Paola. Não mais. As pessoas mudam. Tudo muda com o tempo!

Eu faria muita coisa para poder ter a confiança que tinha antes. Tudo o que passei me fez uma pessoa insegura de mim mesma. Desisti de tanta coisa para agradar a todos e quando persisti em algo fui egoísta ao ponto de machucar quem mais me quis ver feliz.

Não posso negar que já senti na pele a sensação de não ser escolhida, até mesmo pelos meus pais que sempre deram mais atenção a suas posses. E não podemos esquecer dos filhos que sempre se interessavam pelo poder que eles irradiavam. Nunca fui feita pra isso.

- Perdida em alguma coisa, minha querida? - Pulo de susto. Não senti ninguém se aproximando.

- Vó Mimi - Minha voz sai falha - Que saudades, saudades que nem mesmo posso expressar em palavras - Me aproximo dela, só quero sentir seu abraço, me sentir segura com alguém.

- Como você está linda... Mas porque chora? - balbucia

- Eu estou apenas feliz - tento - Só feliz.

- Sabe que não precisa mentir para mim, Paola. Estou aqui para você - Mimi se aproximou me envolvendo em seus braços. Ainda não sei porque tento.

- Eu só quero aproveitar a minha chegada Vó - Digo. Minhas explicações ficariam para mais tarde.

- E você irá! Como foi a viagem de volta? Como está seus irmãos e sua mãe? Tem tempo que não temos contato.

- Foi exaustiva. Eles estão bem, mas depois irei explicar por detalhes como está em São Paulo. Onde está o pessoal? Martin, Anne e Rick? Minhas tias? - Pergunto.

- Estão lá dentro, venha - Antes que possa dizer qualquer coisa já me vejo sendo arrastada para dentro de casa.

O encontro com todos foi muito caloroso, mudaram bastante. Não os via desde que era pequena e por mais fácil que talvez poderia ter sido, não mantivemos contato algum.

Demian em uma semana precisaria viajar novamente e pretendo resolver tudo antes. Só espero uma força divina para me dar coragem.

Mesmo que meus sentimentos por ele não passe de carinho e gratidão, não é fácil terminar um relacionamento que existe desde a juventude. Desde muito jovens estamos juntos, e eu queria com todas as forças ainda amá-lo da maneira que ele merece. Mas sentimentos são incontroláveis. Por mais que eu quisesse ao contrário.

Embora o contato de Demian com esta parte de minha família nunca tivesse sido tão grande, ele me pareceu bem confortável a eles, e vice versa. Meus primos o deixaram bem à vontade, e pareceram não se importar com a formalidade que –meu ainda noivo – exalava. Eu estava apenas sentada em uma das poltronas da sala, respirando aquele ar tão familiar e ouvindo os risos e conversas de meus familiares. Percebi que minha vó e suas irmãs sussurravam algo uma para as outras, fazendo um ou outro gesto com as mãos de forma sutil e antes que pudesse me atentar para o que poderia ser, minha tia falou em alto e bom tom:

-Boa ideia! – Levantou-se depressa

-Do que está falando, tia? – Anne virou-se no sofá para poder olhá-la.

-O que acham de levarmos nossos garotos para um passeio pela cidade? O festival ainda está acontecendo e tenho certeza que Demian nunca imaginará como é nossa Argentina de noite!

Todos pareciam animados com a proposta, inclusive Demian que nem sempre era tão tendencioso a festas. Minha família sempre gostou de eventos e festivais, desde que estivessem juntos. Eu me lembrava bem das noites comemorativas em meu país. Comidas típicas eram distribuídas, os comerciantes deixavam suas mercadorias expostas em araras e bancas, havia música por todo o local e luzes coloridas iluminavam as ruas e calçadas de paralelepípedos. As imagens que vinham em minha memória eram bem convidativas, mas algo que impedia de me juntar a eles.

-Paola, vai nos acompanhar? – Era Rick quem me perguntava

-Acho que não. Ainda estou tão cansada da viagem!

Senti a enxurrada de argumentos que viriam de meus primos, quando minha avó se interpôs no caminho:

-Ora, deixem a menina descansar. Eu posso ficar para acompanhá-la e vocês podem ir mostrar a cidade para o garoto!

Demian me encarou, procurando o real motivo de eu não querer acompanhá-los. Senti que ele recusaria o convite para poder me fazer companhia mas dava para ver em seus olhos como ele gostaria de sair um pouco. Sorri fraco, acenando com a cabeça para que ele fosse.

-E você, Demian? – Meus primos indagaram

“Vai. Divirta-se” – Mexi os lábios sem levantar minha voz, tentando passar segurança a ele, que por fim aceitou recebendo uma salva de palmas e gritos de comemorações pelos demais membros da família.

-Não quer mesmo que eu fique com você? – Me perguntava em voz baixa.

Estávamos na sala esperando o restante da família descer para que pudessem sair todos juntos.

-Não sou tão acostumada a viajar quanto você, querido! Não se preocupe! – Toquei em seu rosto, olhando profundamente em seus olhos – Além do mais, meus primos jamais me perdoariam se você ficasse por mim! – Rimos juntos – Você vai gostar bastante de lá, tenho certeza!

Logo escutamos o alto barulho da corrida de meus primos na escada. Todos estavam em polvorosa, vestindo trajes festivos e já se encontravam prontos. Os acompanhei até a porta. Assim que Demian passou por nós, voltou-se para mim uma última vez:

-Me ligue qualquer coisa! – Beijou minha testa. Logo recebemos os gritos de meus primos, chamando para que ele se apressassem logo. Sorri e concordei, vendo ele entrar no carro e então saírem em disparada para a cidade.

Me encontrei finalmente sozinha

Fechei a porta, me envolvendo mais no xale que vestia e voltei a sentar-me no sofá. Fechei os olhos e deixei que todos os pensamentos me invadirem. Deixei que todo o sentimento que estava guardando e afastando pudessem vir à tona. Ouvi o barulho de algo encostando na mesa e abri os olhos. Surpreendi-me ao perceber que era minha vó, que colocava uma xícara de chá bem quente na mesinha que estava em minha frente.

Ela sentou-se de frente para mim, e passou a me olhar. Por algum tempo indefinido ficamos assim. Em silêncio. Apenas olhando uma a outra. Ela esperou que me servisse do chá antes de falar algo:

-Acho que agora podemos conversar – Ela sorriu fraco – Quero saber um pouco mais de você, minha filha!

-Do que quer saber, vovó?

-Você está mudada! – Ela constatou, concordando com a cabeça

-Já faz muito tempo. Eu cresci bastante!

-Não duvido. Mas não digo por fora. Você mudou... Por dentro

Engoli em seco, sem coragem de responde-la. Ela prosseguiu:

-E Demian... Ele me parece ser um bom rapaz, não?

Direto ao ponto. Senti meus lábios tremerem

-Sim, ele é! – Respondi, sem firmeza alguma. Onde ela queria chegar? Tentei soar convincente– Um homem muito bom. Cuidadoso, bondoso, atencioso. Tenho sorte de tê-lo ao meu lado, não é? Ele é incrível e...

-...E mesmo assim você continua infeliz! – Ela completou uma frase a qual não gostaria de dizer em voz alta, mas que soava bem verdadeira. Não podia soar assim, não deveria! Não para minha avó! Tentei novamente convencê-la

-Não é nada disso, vovó! É impossível não ser feliz ao lado dele – forcei um sorriso genuíno e penso ter falhado em minha tentativa – Temos um carinho muito grande um pelo outro. Muitos sentimentos como afeto, cuidado, cumplicidade...

-Mas não amor. Você não o ama, não é?

Por que ela insistia em completar minhas frases? E como conseguia acertar em todas?

Baixei os olhos, incapaz de encará-la naquele momento. Não ousei continuar mentindo para ela. Não parecia funcionar, de qualquer forma. Não queria que ela me visse chorando, mas as lágrimas eram fortes demais. Pesadas demais. Ácidas e amargas demais. Senti o peso do mundo em minhas costas e parecia querer sugar minhas forças a cada minuto. Não queria olhar para minha avó e sentir a decepção estampada em sua face. Jamais poderia imaginar a quantidade de pensamentos que ela estaria tendo a meu respeito naquele momento. Sei que ela estaria decepcionada da mulher que me tornei e do que estava fazendo comigo e com meu noivo.

Ela não parecia dizer nada a respeito, e eu já estava aflita. Queria ouvir sua voz, nem se fosse para escutar seus sermões e castigos. Eu poderia suportar tudo, menos o seu silêncio.


Notas Finais


Obrigada pelos comentários anterios, me deixaram muito feliz. Deixem seus feedbacks para eu saber o que estão achando ❤️


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