História You Come - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Romance
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Palavras 4.404
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Jonsungang School Business


Ele em sua cadeira de rodas à mesa, sorria satisfeito ao consegui colocar a colher de sopa em sua boca sem precisar de ajuda. Mas antes que pudesse comemorar, se frustou com a colher que caiu no chão na sua segunda tentativa. Ela acachou para pegar a colher enquanto resmungava palavras de motivação. Ela sorriu ao acariciar seu rosto com ternura, ao limpar alguma sujeira invisivel. Ela pegou uma outra colher e com cuidado, deu um gole para ele que sorriu ao tomar a sopa satisfeito. Talvez seu desejo de parar que chega em sua mente as vezes, é completamente esquecido. Existe um motivo maior para ele querer continuar a viver. Você consegue enxergar, é só olhar para ele. Está nos olhos dele, quando ele olha para ela.

Há 9 anos atrás, vovô sofreu um acidente ao cair do teto de um barco que estava parado, amarrado ao cais, pronto para partir. Era um fim de dia de verão quando vovô estava se preparando para mais um dia no mar. O vento soprou e o barco balançou, daquela vez, bem mais forte. Mas vovô já estava acostumado. Sem nenhuma intenção, o vento empurrou o barco e ele balançou, fazendo o vovô perder o equilibrio e cair do teto, batendo as costas e a cabeça na proa do barco. Vovô era pescador, - muito talentoso e experiente por sinal -. Ele cresceu em uma pequena cidade do interior, onde rios e grandes mares cercavam o lugar. Para se manter, seu pai que também era pescador desde que nasceu, sustentava a casa com a pesca. Vovô acabou seguindo o caminho de seu pai. Ele conheceu vovó em uma das suas entregas onde vendia frutos do mar para alguns mercados e armazens da região. Vovó trabalhava em um desses armazens. Eles se conheceram em uma dessas entregas do vovô, se apaixonaram e depois naquele dia em diante, eles não se largaram mais. Depois do acidente vovô teve que recomeçar e decidir começar do zero. Eu não imagino o quanto foi dificil para ele, mas vejo muita força nele. Se perguntar para ele de onde vem sua força e o desejo de continuar a viver, tenho certeza que ele olhará para vovó.

— Oh Nicky, você acordou. Venha, venha aqui, eu preparei algo muito gostoso para você. — vovó me chamou ao me ver em pé na porta do meu quarto. 

Parei de assisti-los, descruzei os braços e recebi com carinho seu pedido indo em sua sua direção.

— Oi vovô. — sorri timida ao beijar seu rosto.

— Está com fome ? Dormiu bem ? — perguntou vovô.

— Oh se não dormiu. Dava para ouvir os roncos lá do nosso quarto. — vovó brincou. — Nicky, hoje te levarei para conhecer nossa vizinhança, e mas tarde quero que você vá comigo para a barraca me ajudar um pouco lá, hã ? Você gostaria ?

Concordei com a cabeça sentando à mesa.

Depois de tomar meu café da manhã, pedi licença e fui para o quarto. Fechei a porta do quarto ao entrar, olhei ao redor e cruzei os braços encostada na porta, pensativa. Por fim, decidi trocar de roupa. Ainda com a calça do pijama, vesti minha calça jeans, pequei um casaco preto de gola alta, coloquei meu sobretudo azul, vesti meu Converse All Star preto e sentei na cama, olhando para fora da janela onde havia nada além de uma parede de pedras e um pequeno beco com uma grande caixa de lixo verde. 

— Nicky ? — Vovó me chamou.

Em quanto caminhávamos, vovó simpática, sorria e acenava para alguns vizinhos e crianças que caminhavam pelas calçadas do bairro. Ela parecia conhecer exatamente todo mundo da vizinhança, - o que não era de se espantar -. Ela apontava para os lugares e como um guia me guiava, fazendo um tour em cada pedaço do lugar que iamos. Ela estava contente e entusiasmada, como uma jovem no começo de sua felicidade.

— Quando você precisar de algum remédio, você pode ir lá, é a farmácia mais barata e a mais próxima do bairro. — sugeriu ao apontar em direção a farmácia. — Está vendo aquele mercado ? você pode ir lá até as 22:00horas, ele é o único que fica aberto até mais tarde. Sr. Go, amigo do seu avô há anos, sempre nos dá desconto e permite que pagamos quando puder, então, quando você precisar de alguma coisa e não tiver dinheiro, não se preocupe. Sr. Go, é um bom homem. — sorriu puxando meu braço, entrelaçando- o ao seu.

Caminhamos juntas por alguns minutos pelo bairro, descemos a escadaria inimiga, e um pouco distante dali, chegamos em um pequeno comércio onde se ouvia e via muita movimentação. Muitas pessoas caminhavam por ali, existia pessoas vestidas de boneco de neve em frente de algumas lojas para chamar atenção, outras apenas gritavam e entregavam folhetos para quem passava por perto. Muitas lojinhas e butiques enxiam o imenso corredor comercial. 

Caminhamos mais um pouco e vovó decidiu parar em um café.

Péssimo dia para sair da cama. Acho que ela não vai perdoar os céus por ter trazido o frio para esta manhã. Seu capuz que está preso ao seu casaco escolar magicamente cobre por completo sua cabeça. Com uma expressão de fúria e curiosidade, ela ergue a cabeça e olha para a mulher mais velha ao seu lado que caminha ao dá um sorriso travesso olhando para o lado ao fingir não saber de nada. Mas logo um sorriso nos lábios da pequena vem, e a mulher ao seu lado sorri ao se abaixar rápido como a luz e puxar seu capuz cobrindo seu pequenino rosto novamente. Ela se ergueu e com amor, trouxe para perto a pequenina que desfez da expressão séria de seu rosto, dando lugar para um sorriso largo. Elas caminharam até o ponto de ônibus logo há frente do café.

— Aqui. Não sei qual é o seu preferido, mas eu peguei chocolate quente para você. E para mim, um capuccino. — vovó apareceu sentando ao meu lado.

Ela percebeu que eu estava distraida, e curiosa, olhou para onde eu olhava.

— Sigh! — suspirou. — Ela era uma boa mãe. Você sempre estava sorrindo, e Daejung também. Eu adorava a sua presença. Ela não costumava falar muito por causa de sua timidez, eu sempre era a quem mais falava. Ela apenas ouvia e sorria com aquele sorriso bonito e encantador que apenas Hannah tinha. Seu pai falou que quando a viu, seu sorriso foi a primeira coisa que encantou seus olhos. — ela me olhou com um pequeno sorriso em seu rosto. — Ela era muito inteligente e dedicada, uma boa mãe e uma boa esposa. Ah! ela era tão especial, tão gentil! — ela olhou para fora da janela. — Quando recebemos a noticia de que vocês tinham sofrido um acidente, meu primeiro pensamento foi pegar o avião e ir direto ao encontro de vocês, mas antes que eu pudesse imaginar... Eu juntei tudo que tinha, comprei a passagem e fui me despedir deles. Mas não consegui ficar lá por mais tempo, apenas consegui participar do velório dos seus pais e ir te visitar. Seu avô não podia ficar muito tempo sozinho, ele só tem a mim. Eu não pude imaginar tudo aquilo, meu único filho. Meu filho que tanto amei e que tanto me trouxe alegria. Ah, eu amava seu sorriso. Quando ele sorria... aish! meu mundo brilhava. Quando ele era pequeno, era impossivel. — sorriu. — Não parava quieto de maneira alguma, sempre ativo. Ele era um ótimo contador de piadas. Ele adorava ficar com o Sr. Go e os vizinhos mais velhos até tarde da noite ouvindo histórias e piadas bobas, e quando chegava em casa contava para nós. Eramos obrigados a ouvi-ló, e na maioria das vezes ele não entendia as piadas e muitas delas ele contava pela metade, o que acabava ficando engraçado. — ela deu uma gargalhada — . Mas eu e seu avô sempre sorriamos para não desanima-lo, menos quando as piadas eram totalmente sem graça. Garoto atrevido! Ele me deixava de cabelo em pé quando não dava noticias e ficava fora até tarde, eu saia pelas ruas à sua procura e quando via, estava lá junto com os velhos, como se fosse gente grande. Oh aigoo aquele garoto ingrato! Eu realmente amava aquele sorriso bobo. Sigh. — suspirou mais uma vez. — O que eu poderia dar para ver aquele sorriso novamente ?— em seu rosto se via tristeza, e lágrimas pesadas caiam de seus olhos. 

Meu coração se apertou, e sem reservas, eu me aproximei e a abracei.

— Nicky. — ela me afastou ao olhar para mim, enxugando suas lágrimas. — Escute bem. Mesmo que seu caminho seja dificil e escuro, mesmo que você não consiga enxergar e isso fizer com que você tropece, não desista de continuar a caminhar. Tooodo caminho tem um fim. Seus pais encontraram o fim dos seus caminhos, mesmo que tenha sido cedo demais, mas você está apenas começando. As vezes você terá que continuar sozinha, mas ainda assim, nós estaremos aqui. Não se preocupe e viva bem, hã ?! Você é uma menina forte e saudável, e sua avó e seu avô estará sempre aqui para te ajudar. — Ela sorriu ainda triste, e mais uma vez as lágrimas cairam, e seu abraço me acalçou.

Saimos do café e caminhamos até o ponto de ônibus. Descemos em uma feira movimentada e extremamente barulhenta. De todos os lados, conseguia ver barraquinhas e quitandas de frutos do mar por toda parte, tudo cheirava ao mar. As pessoas que caminhavam por ali, eram cercadas pelos comerciantes que faziam propagandas de seus produtos. Paramos em uma pequena barraca que estava coberta por uma grande lona verde escura, logo vovó pediu minha ajuda e erguemos a grande coberta e montamos os pares de apoios que segurava a coberta que fazia um teto falso. Em seguida começamos a organizar a mesa com alguns frutos do mar, verduras e legumes, deixando livre sobre o balcão de madeira para o publico. De repente, começaram a chegar muitas pessoas, me deixando surpreendida. Sem perceber, fui sendo afastada para fora da barraca em quanto as pessoas curiosas revistavam o balcão. Vovó parecia saber o que fazer, e com muita alegria servia as pessoas fazendo propagandas sobre alguns peixes grandes que estavam expostos em uma grande bacia de gelo no chão. Eu não sabia bem o que fazer, então tentei ajudar pegando algumas sacolas de plásticos e colocando os peixes que as pessoas escolhiam a mão, dentro da sacola. Também fiquei encarregada de reabastecia algumas verduras, algas e peixes estranhos quando percebia que as bacias e os baldes estavam ficando vazios.

Quando paramos para sentar, a noite já havia caido.

— Ufa! Esse dia foi longo, hã!? — vovó sorriu vindo sentar ao meu lado. — está bem agasalhada ? Não sente frio ? — perguntou fechando meu casaco.

Sentada em um banquinho de plastico, vovó jogou sobre nossas pernas um pequeno cobertor. O copo descartável com chá quente mantia aquecida minhas mãos, trazendo-me calor. Ficamos sentadas em silêncio assistindo a cidade que brilhavam como estrelas, iluminando toda a escuridão da noite fria. Estávamos em uma região alta e tinhamos uma visão plena de toda a cidade lá de baixo. Distraida, eu me esforçava a me concentrar nos meus pensamentos que eram muitos, a maioria deles, escuros e sombrios. Na verdade, eles estava em guerra. Minha mente, alma e coração brigavam entre si, tentando tomar o lugar maior.

Quando chegamos em casa, vovô estava à nossa espera na sala assistindo TV. Fui em sua direção e o abracei por trás, o surpreendendo.

— Oh, vocês chegaram. Como foi o passeio ? Se divertiram ? — perguntou.

— Aham, nos divertimos muito. Levei Nicky para tomar um leite quente e depois a levei para conhecer nossa barraca. Ela me ajudou bastante e todos amaram conhecê-la.

— Eu vou tomar banho e me trocar. Adorei o nosso passeio vovó, obrigado por hoje. — abracei-a.

— Sim sim, você trabalhou duro hoje. Tome banho e venha jantar, ok? Vou preparar algo muito gosto.

Depois do banho demorado, me troquei e fui para a cozinha. Eu tinha comido na barraca mas ainda sentia fome. Vovó conversava com vovô abaixada no armário da cozinha em quanto reclamava sobre sua habilidade de sempre deixar cair algo de suas mãos. Vovô continuava na sala assistindo TV, e as vezes resmungava para vovó com os olhos vidrados no futebol. Peguei um pouco de leite e cereal e sentei na mesa. Quando despejei o cereal na tigela, alguém bateu na porta fazendo vovô e vovó olharem em direção a ela ao mesmo tempo. Vovó foi em direção a porta e a abriu. Ouvi a voz de um homem mas não entendia o que ele falava, sua voz era grave e séria, sombria, mas calma ao mesmo tempo. Olhei para o vovô quando vovó veio em sua direção chamá-lo e o levá-lo até a porta. Um homem alto e magro de terno, gravata e sapatos preto estava em pé com as mãos em uma pasta preta sobre sua cintura, ele parecia está zangado, pois era essa a sua expressão facial. Ele inclinou um pouco sua cabeça e me olhou curioso, mas logo voltou sua visão para vovô que logo se aproximou junto com vovó que empurrava sua cadeira de rodas até a porta, onde ele estava. Tirei meus olhos do homem sombrio e voltei para o meu cereal. Eles conversaram por alguns longos minutos, e as vezes eu recebia olhares curiosos, mas eu os ignoravam. Por fim, vovó se despediu do homem sombrio e fechou a porta. Percebi que ela carregava em suas mãos uma pasta preta, e me dei conta de que era a mesma que o homem de preto estava segurando antes.

— Terminei, posso ir para o quarto ?

— Nicky neta... Você poderia esperar um pouco, hã ? — vovó perguntou.

A olhei e recuei um passo.

— Venha, sente aqui, sente aqui. — vovó me pegou pelo braço e me sentou na cadeira, sentando à minha frente.

— Aconteceu alguma coisa ? — perguntei.

— Sim, aconteceu.

— Tem algo haver com o homem de preto ?

— Homem de preto ?

— É, o homem misterioso de agora. — apontei para a porta.

— Oh sim, sim sim. HAHAHA. " O homem de preto " , que se chama Jung Gook, veio nos trazer um presente. O Sr. Jung é contador-chefe de uma empresa muito grande e importante, - eu não faço a menor ideia do que seja isso -. Ele nos disse que seu pai trabalhava em uma das companhia pequenas de contabilidade que pertence a uma grande empresa, e o dono da empresa é coreano, inclusive existem várias empresas desse homem aqui. Eu não tenho ideia do que quão grande e nem como funciona todo esse negócio de corporações empresariais que ele tanto falou, mas eu sei que a coisa é grande. O Sr. Jung nos disse que seu pai o ajudou quando ele estava desesperado ao nivel de quase perder seu emprego. Ele nos contou que estava desesperado e justamente nesse momento seu pai apareceu para ajudá-lo e graças a ele tudo acabou bem. Vi em suas palavras muita sinceridade e gratidão, por isso o Sr. Jung fez questão de vir nos agradecer já que ele estava de passagem por alguns messes. Depois que ele descobriu sobre o acidente dos seus pais, ele ficou magoado e sentiu por não ter agradecido seu pai. Então ele nos agradeceu e queria se redimir. Ele pensou em nos dá uma quantia generosa em dinheiro, o que não seria ruim já que precisamos, mas seu avô não quis... — ela jogou uma careta na direção do vovô. 

— Não deixei porque ele veio aqui para ver a Nicky e não a nós. — respondeu vovô concentrado em seu jornal.

— Eu ? para me ver ? — perguntei surpresa. 

— Sim sim, para ver você. — vovó confirmou. — Ele pesquisou sobre a familia do Daejung e ficou feliz em saber que ele era coreano e que tinha familia ativa aqui na Coréia do Sul. Então ele achou nada mais honrado do quê agradecer seu pai vindo dá suas condolências para a familia do homem que o ajudou em um momento tão dificil. Ele descobriu que Daejung tinha uma filha e então ele achou uma forma de agradecê-lo e veio aqui para te conhecer e te presentear...

— Me presentear... com o quê ?  

— Com uma, BOLSA DE ESTUDOS PARA A JONSUNGANG SCHOOL INTERNATIONAL BUSINESS, NICKY! — ela bradou pulando da cadeira com um sorriso de orelha a orelha. — Você não está feliz, hã ? Nicky, você vai estudar em uma das melhores escolas de toda a Coréia! Oh, minha nossa! Minha netinha vai estudar na Jonsungang School! OH AIGOO, que momento feliz! — ela me abraçou. 

— Calma Sojin, não cabe a nós decidir. — vovô me olhou. — É a Nicky quem recebeu esse presente, então é ela quem irá decidir...

— Oh? O que uma garota de 17 anos vai decidir ? Eu sou a cuidadora e responsável por ela, então eu é quem tenho que decidir!...

— Ursinho, o que você acha disso ? — vovô gentil, perguntou.

— Eu... realmente não sei. Tudo isso é tão... estranho.

— Oh Nicky, estranho ? como isso pode ser estranho, hã ? O Sr. Jung é um homem bom e gentil que está agradecendo seu pai pelo seu bom trabalho, o que há de estranho nisso ? Pessoas que são bondosas e humildes costumam ser gratas quando alguém faz um grande favor, porquê para seu pai seria diferente ? Você ganhou uma bolsa de estudos para estudar na Jonsungang School onde todos os jovens coreanos da sua idade querem estudar. É uma chance única que talvez você não terá nunca Nicky. — ela sentou segurando minhas mãos. — O Sr. Jung disse que se você tirar boas notas você nunca irá precisar se preocupar com a faculdade ou com seu futuro profissional, ele disse que assim que você sair da escola, você já estará em uma faculdade. Onde você encontrará uma escola assim, e uma oportunidade assim, hã ? Você terá um ótimo trabalho e uma vida prospera, não terá que se preocupar em trabalhar em qualquer lugar e nem em como viver...

— Isso seria maravilhoso Ursinho. Nós não temos condições em colocar você em uma boa escola como desejamos. Se essa oportunidade veio, devia pensar com sabedoria. É uma boa chance.  — vovô falou. 

Minha cabeça girava como uma roda gigante maluca prestes a soltar seus parafusos. Vovó não se contia em meio a gritos no meio da sala, já vovô apenas sorria lendo seu jornal. Eu continuei sentada tentando organizar meus pensamentos e emoções, que querendo ou não, elas me incomodavam. Eu realmente não sabia o que pensar. O que você pensaria e como reagiria se um homem misterioso batesse na porta de sua casa com uma pasta preta em mãos te dando gratuitamente uma bolsa de estudos para estudar em uma das melhores escolas do pais ?

— Ok ok. É muita coisa para a Nicky absorver. Pode ir para a cama Ursinho, deixe isso para amanhã. Quando você decidir, sua avó e eu procuraremos um jeito de ajudá-la. Não precisa se preocupar com isso agora, não perturbe sua mente. Vá para a cama, já está ficando tarde. — vovô indicou com o sorriso amoroso.

Sem questionar, levantei e fui para o quarto. Cai de costas na cama enquanto meus pensamentos criavam assas, voando sobre o teto do quarto. Sem pensar em mais nada, trouxe meu cobertor sobre mim e fechei os olhos. 

Quando acordei na manhã seguinte, ouvi berros de empolgação que vinha da cozinha. Ao chegar na cozinha, me deparei com vovó aos pulos com algo em suas mãos. Dei um passo para trás ao ser surpreendida por seu abraço. Eu ainda não havia acordado direito, então aproveitei seu abraço e descansei minha cabeça em seu ombro enquanto ela me chacoalhava sem piedade.

— Oh Nicky, oh Nicky! Eu estou tão feliz! — ela me afastou. — Você deve ficar também, hã ? É um dia muito especial.

Eu a encarei com um dos olhos aberto enquanto coçava o outro com a mão, tentando afugentar o sono. Ela me convidou para o sofá, mas ela não parecia está paciente em me esperar, então ela veio em minha direção já puxando minha mão e me jogando no sofá.

— Sente aqui, quero te mostrar uma coisa. — deu as costas e foi em direção a mesa, sorridente logo voltou e caminhou até mim com um traje dentro de um plástico transparente preso em um cabide de madeira. — Olha o que eu tenho aqui. Deixa eu te mostrar...

Ela abriu o ziper do plástico transparente, e preso no cabide estava um uniforme escolar. O uniforme era extremamente elegante e sofisticado, como se foi feito cuidadosamente, nos minimos detalhes por alguém que sabia muito bem o que estava fazendo. Era como se a pessoa que o fez estava encharcado de delicadeza e inspiração. O blazer era preto e nele havia uma lista branca fina que passava na barra de todo o paletó, tanto em baixo como na frente. Existia dois bolsos na direita e na esquerda, também com o detalhe branco neles. Junto com o paletó, uma camisa social branca, uma gravata preta e uma saia preta de bregas com duas listas brancas uma após a outra no final da saia completava todo o show do traje, combinando perfeitamente com os detalhes do acabamento do paletó. Era impossivel não ficar delirante com aquele uniforme, era extremamente bonito e delicado.

— Você sabe o que é isso Nicky ? É seu uniforme escolar, da Jonsungang School! Você vê como é extremamente elegante e bonito ? Olhe aqui, está seu nome gravado nele, aqui, bem aqui.. — ela apontou diretamente para a pequena placa dourada no peito do paletó com meu nome escrito em coreano. — Está vendo ? K.i.m N.i.c.k.y. É o seu nome, em coreano. — ela abriu o sorriso mais brilhante. — você não quer experimenta-lo? não está ansiosa para seu primeiro dia de aula ?

— Primeiro... dia de aula ? Mas eu ainda...

— Na segunda. — vovô apareceu na porta de seu quarto.

Ele sorria com pouca motivação em seu rosto, sua voz estava rouca e ele parecia cansado. Ele veio arrastando sua cadeira de rodas com dificuldade, mas logo vovó foi depressa em sua direção e o trouxe para a sala.

— O Sr. Jung disse que você pode começar as aulas na segunda. — vovô falou.

— É Nicky, ele mandou um homem trazer o seu uniforme, ele acabou de ir embora. Está novinho em folha, especialmente para você. Eu entrei no seu quarto noite passada e peguei as medidas de um de seus casacos e mandei as medidas certinhas para ele, talvez possa ficar um pouco larga em você, mas o Sr. Jung disse que se precisar de algum ajuste é para avisá-lo que ele manda de volta para concertar. Oh Nicky, você vai ficar tão linda quando vestir... — ela mediu o uniforme ao meu corpo e o tirou depois de passar a mão, limpando-o. — Eu vou colocar novamente no plástico para não sujar. Vou guardar com cuidado para que não amasse também. Isso aqui é cem por cento algodão, então deve ter muito cuidado, tem que está perfeito para o seu primeiro dia de aula. Vou deixá-lo longe das outras roupas para não amassar. — ela foi rapidamente para o quarto com o uniforme em suas mãos, contemplando-o com todo carinho e cuidado.

— Ela não consegue se conter. — vovô gargalhou em quanto assistia vovó.

— Vovô.

— Hum ?

— O que o senhor acha de tudo isso ? Digo, como um homem que nunca nos viu... decidiria fazer esse tipo de coisa ? Dar isso para mim ? Ele não sabe que não podemos pagar, certo ? Esse uniforme é mais caro que a minha vida, como... poderemos pagar ? Isso é loucura. — abaixei a cabeça. — Aquele lugar não é para mim. Eu nunca vou conseguir me adaptar em uma escola como essa.

— Você não deve se menosprezar assim, Ursinho. Você é inteligente e competente. Aguentou muita coisa até aqui, e isso apenas gente grande consegue suportar. Ter uma oportunidade como esta significa que você é rapaz, não duvide da sua capacidade. Não foi assim que seus pais mostraram para você, pelo contrário, eles sempre foram fortes e independente para realizar seus sonhos, e simples para aceitar agradecimentos. Claro, existe uma oportunidade para aumentar seu ego e sei que o ego deles são bem expansivo. Um homem como o Sr. Jung não é alguém que gastaria seu tempo procurando a familia de seus empregados para dá alguma recompensa, homens como ele é ganancioso e materialista. Tenho certeza que existe algo nisso tudo que irá favorecê-los de algum modo, talvez uma propaganda de boas ações, ou algo que simplesmente fortaleça sua carreira, ou para fazer noticias em nome da empresa que ele pertence. Conversei com ele, e mesmo que sua avó e eu não saibamos muito sobre multinacionais e coisas empresariais, ele nos explicou sobre sua bolsa escolar e nos prometeu que seu nome não seria pronunciado em nada, ele apenas queria agradecer seu pai pelo grande esforço e trabalho duro que ele fez para salvar algo importante que o Sr. Jung havia perdido e seria prejudicial e irrecuperável para a empresa. Mas é claro que sua avó não iria deixar essa chance de você ir estudar em uma escola tão boa como essa, não é ? — ele gargalhou. — Ah, ela é orgulhosa demais para não aceitar uma boa oportunidade como esta.

Apesar de está atordoada e não entender muito bem toda a situação, eu tinha a certeza e a confiança no vovô. De alguma forma, eu sabia que ele tinha razão, em tudo. Mas também, o que eu poderia fazer para impedir vovó ? Eu era menor de idade e estava em outro pais morando com meus avos que agora eram os responsáveis por mim. Eu não tinha como discuti e também não queria deixar vovó furiosa, isso não seria bom, já que era inédito vê-la furiosa, ainda assim eu não queria deixá-la brava. Eu passei quase toda minha adolescência longe deles, mas se tem uma coisa que eu sei sobre a vovó, é que ela jamais desiste, seja o quê for, para quem for, ela nunca desiste. Mesmo que não venha ser sobre ela, ou em favor dela, ela sempre decidiu lutar as guerras das pessoas. Papai sempre se orgulhava do quanto ela era destemina e forte. Para ela nunca havia causas impossiveis ou dia ruim, e agora, ela estava lutando por mim.

E eu sabia bem que ela não iria deixar eu perder essa oportunidade.



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