História You Come - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Romance
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Palavras 2.959
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - E eu continuei, sem olhar para trás


Acordei ao ouvir tia Rena me chamar. A casa estava silenciosa e totalmente calma, e o dia ainda não havia amanhecido. Levantei e fui direto para o banheiro, deixada um aviso sobre a roupa pendurada na porta do guarda-roupa. Depois do banho, fui em direção ao guarda-roupa onde preso em um cabide, estava dois casacos quentes de manga cumprida, um sobretudo azul escuro e um cachecol preto, junto com uma calça jeans preta e uma bota escura de inverno. Vesti os casacos e em seguida calcei meu Converse All Star preto ignorando a bota que tia Rena havia escolhido para mim. Agarrei minha mochila e desci em direção a sala.

Descendo as escadas, parei ao ver tio Noah em pé com Matt em seu colo que dormia como um anjo. Ao seu lado estava Martin que segurava o pobre Marlow que de vez em quando se inclinava para frente bêbado de sono. Tia Rena estava perto da porta organizando as malas. Dei um sorriso timido e desci os últimos degraus, em direção a eles.

— Viemos nos despedir. — sorriu tio Noah carinhoso. — Não poderiamos deixar de vir.

Fui em sua direção e o abracei. Nesse abraço, pode- se ouvir um obrigado em silencio. Afastei o cabelo de Matt que caia em seus olhos beijando sua bochecha rosada que se encontrava quentinha no colo de tio Noah.

— Fique bem. Estamos aqui, sempre! Viva em paz e não desista, ok? — Martin me afastou de seu abraço e acariciou meu rosto, sorri olhando em seus olhos, o agradecendo.

Agachei em direção a Marlow que dormia em pé, afastando seu cabelo e o beijei no rosto, também o abraçando.

— Oi Ni. — Marlow coçou o olho. — Eu não queria que você fosse embora. A quem mais eu posso convidar para montar comigo o quebra-cabeça ? Eu vou comprar o de 200 peças! Você prometeu que iria me ajudar a monta-lo. Eu não tenho mais ninguém que goste. Papai não gosta, Martin só quer saber de basquete e futebol, Matt não sabe, e a mamãe está velha e não tem paciência...

No mesmo instante acima dos ombros de Marlow, tia Rena jogou um olhar de poucos amigos em sua direção enquanto fechava uma das malas.

— Não deixarei de cumpri minha promessa Marlow. Talvez demore um pouco para cumpri-la, mas iremos montar o grande quebra-cabeça de 200 peça juntos, combinado ? — sorri timida erguendo a mão fazendo o nosso sinal de concordância.

— Combinado! — Sorriu juntando suas mãozinhas com a minha ao concordar.

O abracei e vi tia Mary na porta da casa com as mãos dentro do casaco. Ela sorria em minha direção, e recebi o sinal de que precisava ir.

Tia Rena estacionou o carro e descemos em direção ao portal de embarque do aeroporto. O dia já havia clareado. Caminhamos juntas enquanto tia Rena dava-me instruções, logo avisando que vovó estaria à minha espera quando eu chegasse no aeroporto de Incheon, na Coréia do Sul.

— Sniff! Sniff! Sniff! Você precisa nos ligar, assim que pisar os pés naquele lugar, ok ? — ordenou tia Mary chorando. — Oh Nicky, eu estou começando a me arrepender de deixar você ir embora! — confessou ao me sufocar com seu abraço.

— Oh minha nossa Mary, como você é dramática! — tia Rena revirou os olhos.

— Como você é má Rena, é nossa única sobrinha e estamos perdendo ela...

— Não estamos perdendo ninguém! A Nicky vai apenas passar um tempo com seus avos...

— Mais ela vai está longe, do outro lado do mundo. Oh Nicky, que tristeza eu estou sentindo. — chorou ao me abraçar mais forte.

— Ai Mary, pare com isso! Você está me matando de vergonha! Porquê chorar tanto...

— Oh minha nossa! " Porquê chorar tanto ", por acaso eu não posso chorar ? Eu não sou você Rena, que é uma pedra! Eu tenho sentimentos, pelo amor de Deus, a Nicky está indo embora!

Tia Rena suspirou ao afastar tia Mary de mim.

— Você pode chorar, mas deixe a Nicky caminhar, ela vai acabar perdendo o voo por sua causa. Está quase na hora. — olhou o relógio em seu pulso me impulsionando em direção ao portal de embarque.

Ouvimos o aviso de que em menos de 10 minutos o avião iria decolar. Abracei tia Rena e antes que eu pudesse ir em direção a tia Mary, como previsto, ela me abraçou novamente aos prantos.

Tia Mary sempre foi a mais sensivel e delicada da familia. Tia Rena costumava chama-lá de manteiga derretida exagerada. Uma vez convidei tia Mary para assistir um dos meus filmes favoritos: A Walk To Remember, e ela chorou do começo ao fim. No final do filme, aos prantos, ela se irritou e disse que nunca mais iria confiar em mim e que não aceitaria meu convite para assistir a um outro filme novamente. Durante uma semana ela me culpou por eu ter partido seu coração. Já tia Rena ao contrário era mais durona, ela não chorava facilmente por qualquer coisa, mas ela sempre estava querendo dá bofetadas em alguém. Mamãe falou que no colegial tia Rena batia nos garotos da escola e em qualquer outra pessoa que se atrevesse a irritar mamãe e tia Mary. Ela era o irmão mais velho que tia Mary e mamãe não tiveram.

— Você está bem vestida ? Não quero que passe frio... — tia Mary perguntou chorando ao arrumar meu cachecol. — Oh Nicky... — explodiu aos prantos ao me abraçar novamente.

— Mary, já pedi para você parar de fazer escândalo. Estão todos olhando. Que exagero, não é tão longe assim...

— E dai que estão todos olhando ? tem algum problema ? Por acaso todos que estão aqui estão felizes em ver alguém que ama partir ? — falou em tom alto, ao olhar para as pessoas ao seu redor. — E quem falou para você que não é longe ? É a Coréia do Sul Rena, é longe! Já olhou o mapa ? Estudamos isso no colegial, não lembra não ? É muito longe. — respondeu frustada.

—Não é não. É só atravessar o Oceano Pacifico Norte e já está lá. Podemos ir de barquinho se você quiser... 

Tia Rena sorriu achando graça de sua piada, já tia Mary, cerou seus olhos inchados em sua direção, agarrada em meus ombros.

— Não se preocupe tia, eu vou ficar bem. Obrigado por tudo que vocês fizeram por mim. Agora tenho que ir.

As abracei o mais rápido que pudi e segui em direção ao corredor do avião onde de longe se via a silhueta de uma aeromoça que esperava os passageiros entrarem no avião. Fui caminhando com o coração apertado enquanto ouvia palavras de saudades vindo de trás. Eu não olhei para trás. Eu fiz uma promessa a mim mesma de que não olharia para trás. Eu estava com medo de não conseguir resistir a vontade de voltar e implorar para ficar. Então, equilibrei minha mochila em minhas costas e caminhei dando passos longos de cabeça baixa com as mãos no bolso do casaco, agarrando minha bombinha em um bolso e alguma coisa que parecia ser um elástico no outro bolso do casaco. Entrei no avião e sentei no meu lugar destinado.

E o avião decolou. E eu continuei, sem olhar para trás.

Coloquei minha mochila na gaveta acima do meu acento e sentei deitando minha cabeça confortavelmente na poltrona do avião, colocando as mãos dentro do casaco. A vista deslumbrante enchia os olhos, trazendo paz em meio ao silêncio. As nuvens como bolhas de sabão, dançavam ao se desfazer no ar do céu azul. Por um momento, senti saudade dos momentos em que conseguia voar sobre elas, eram momentos felizes.

Momentos, onde eu era livre.

A noite tinha chegado quando o avião pousou no Aeroporto Internacional de Incheon. Sai do avião junto com os outros passageiro e caminhei em direção ao portão de desembarque. Meu primeiro pensamento foi o telefonema prometido para tia Mary e tia Rena, mas antes de ligar para elas, parei no corredor para amarrar meu cadarço que havia soltado.

— NICKY!

Ouvi alguém chamar meu nome. Levantei um pouco a cabeça e lá na frente, avistei uma senhora sorridente de pouca estatura que acenava para mim com uma pequena placa em suas mãos escrito meu nome na fila de espera do desembarque. Meu coração se acendeu, pois eu tinha conhecido aquela senhora que acenava para mim euforicamente ao sorrir.

— Vovó. — levantei e corri ao seu encontro, e com toda a saudade e com todo meu amor, eu a abracei.

— Ah minha netinha. Que saudade, que saudade! — ela me abraçou apertado. — Como você está linda! Deixe-me vê-la... — me afastou ao me observar. — Ual! Como você cresceu. Está uma mulher agora!

Sorri timida ao abraça-la mais uma vez.

Vovó me ajudou com as malas e fomos para fora do aeroporto à procura de um taxi. No carro, ela fazia um tour particular pela cidade, mostrando-me os lugares turisticos populares de Seul e os lugares que ela gostava de visitar, e que agora sentia desejo de me levar para visita-lós também.

— Eu estava muito ansiosa para você chegar. Como foi o voo ? Muito cansativo, hã ? Você se alimentou bem ? Seu avô não se cabe de felicidade, ele não vê a hora de te ver. Oh, como estou feliz em tê-la aqui! — ela sorriu segurando minha mão.

— Também senti sua falta vovó. Também sinto muita saudade do vovô. Ele está bem ?

— Oh sim. Ele está um pouco incomodado com o frio, mas isso é normal, quem não está não é mesmo ? Quando chegarmos em casa, vou preparar uma sopa de algas com legumes deliciosa para você. — prometeu ao sorrir.

Ficamos em silêncio por um tempo. Eu olhava com os olhos perdidos a noite bem iluminada de Seul que parecia trazer aconchego. Estava frio, e as ruas estava enfeitadas pela neve. 

— Ah! Não está sendo fácil. Seu avô e eu estamos sofrendo muito. — vovó rompeu o silêncio. — Eu sinto muito querida. Sinto muito por você ter passado por isso. Estaremos aqui, você não está sozinha.

Fechei os olhos, e naquele momento, como uma tempestade chegando sem avisar, as lágrimas vieram. Como um alerta estrondoso e barulhento, eu sentia que iria desmoronar, então me mantive firme e apaguei o choro, sorri triste, ao abracá-la.

Está tudo bem, Nicky.

O taxi subiu em uma alta rua estreita, tendo dificuldades em chegar ao topo. O bairro era simples de vizinhança humilde com casas amontoadas uma em cima da outra. O bairro mal iluminado de ruas estreitas, tinha muitas árvores que cercavam o lugar dando alegria e bela vista. Peguei as malas e minha mochila enquanto vovó pagava o motorista do taxi e observei o lugar sem nenhuma curiosidade.

— Ok. Não foi preciso subir apé até aqui, mas será preciso subir aquela ali. — apontou para uma enorme escadaria atrás de mim. — Não teremos ajuda, então, teremos que levar as malas sozinha. Hoje minha netinha, será apenas você e eu. Vamos, você deve está cansada e com fome, a nossa casa é logo ali. — apontou com a cabeça passando adiante de mim.

Virei para trás e olhei a imensa escadaria declarando de imediato guerra contra ela. A partir daquele momento, sabia que seriamos eternas inimigas. Era literalmente infinita. Olhei para a escada e suspirei procurando coragem para enfrenta-lá. No final do degrau, parei exausta, eu estava totalmente destruida, e vovó também descansava ao meu lado. Peguei minha bombinha e a inspirei, trazendo ar para meus pulmões cansados. Lá de cima, a cidade brilhava iluminada pelas luzes da noite. Era aconchegante.

Andamos mais um pouco e chegamos em uma pequena casa localizada em uma rua estreita. Entrei na casa sendo acompanhada pela vovó que em todo tempo sorria, feliz em me ter ali. Ela tinha muitas coisas que lembrava meu pai, seu sorriso era um deles: Simples, bonito e convidativo.

— Oh que frio. Entre entre Nicky, tire a mochila e o casaco, pode deixar onde você quiser. TAESHIN, chegamos! — ela tirou a mochila das minhas costas colocando-a no sofá ao anunciar nossa chegada para o vovô. — Se você quiser ir ver seu avô, ele está no quarto. — apontou para a porta de madeira clara atrás de mim. — Ainda lembra onde fica ?

Fiz quem sim com a cabeça e segui em direção a porta.

Bati na porta já entrando. O quarto estava escuro, apenas a luz do abajur iluminava o local. Vovô estava deitado na casa com os olhos fechados, mas logo que sentiu minha presença, ele abriu os olhos e como uma criança feliz, sorriu ao me ver. Ele parecia está com dor e era visivel sua insatisfação. Lembrei que vovó falou que ele sentia dor por causa do clima frio.

— Olá vovô. Está acordado ?

— Olha só quem chegou! Como é bom te ver! Eu não estou dormindo. Venha, venha para mais perto. Deixe-me te ver... — convidou-me sem se mover na cama.

Sentei ao seu lado, e com todo meu amor eu o abracei.

— Minha nossa como minha pequena ursinho cresceu, hã! Dá última vez você não conseguia subir sozinha na cama. Você está linda pequena ursinho. — sorriu feliz.

— Senti sua falta. — falei deitando sobre seu peito novamente, o abraçando.

— A viajem foi longa, hã ? Você deve está exausta. Mas eu estou contente em te ter aqui conosco.

Ele não me abraçava, e as vezes tentava sem conquista levantar um de seus braços para retribuir meu abraço. Mas estava tudo bem, eu esperaria mais um pouco, eu não estava com pressa.

— Já conversaram ? Nicky, eu fiz a sopa, está na mesa. Vá comer logo antes que esfrie. Também já preparei o banheiro para você, tem uma toalha e tudo o que você precisa lá.

Depois do banho fui para a cozinha. Sentei na mesa e fui servida por vovó a sopa feita especialmente para mim. Observei a casa e percebi que nada havia mudado: A pequena cozinha de frente para a sala deixava um pequeno espaço para apenas a pequena mesa de jantar de quatro cadeiras ficar, na sala havia dois sofás bege, uma estante com uma TV e uma pequena estante repleta de retratos da familia debaixo de uma janela. 

Nas fotos da estante havia milhares de fotografias: Mamãe comigo bebê em seu colo com papai ao lado que sorria emocionado, papai quando moço com as mãos no bolso da calça sorridente, fotos do casamento do vovô e da vovó, papai bebê dormindo lindamente nos braços da vovó, vovô dormindo junto com papai sobre sua barriga, fotos dele na escola, algumas fotos tiradas pela webcam entre meus avos e meus pais e eu quando conversávamos pela internet, meus pais e eu no último natal. Naquele momento, imensas lembranças me rodeavam, a maioria delas, saudosas.

Passando meus olhos por elas, uma fotografia chamou minha atenção. Coloquei a colher sobre a mesa e levantei, indo em direção a fotografia. 

A neve caia lentamente e o pôr-do-sol amarelado iluminava o fim de tarde em uma montanha com grandes árvores que combinavam com a cor do céu. Meu rosto era tocado por ele, iluminado e aquecido pelos seus minúsculos raios de calor. Eu estava com os pés afundados na neve, agarrando as pontas do vestido xadrez vermelho. Como uma criança indefesa em seu melhor momento de sua vida, eu sorria feliz. Estava sem casaco, mas parecia não sentir frio. Eu estava feliz e radiante. Peguei o porta-retrato em minhas mãos e meu coração pesou junto com meus olhos já molhados, reconhecendo a fotografia; ela foi tirada em 03 do 01 de 2016. Eu me lembrei. Esse foi o último dia, em que estive com meus pais.

— Deveria está muito frio. Você é muito corajosa. — vovó se aproximou ao meu lado. — De muitas, essa é a minha predileta. — sorriu encantada ao ver a foto enquanto segurava uma tigela e um pano.

Pisquei algumas vezes afastando a dor, mas feliz em cair em si e perceber que tinha lembrado daquele dia. Em silêncio fiquei, e coloquei em seu lugar a fotografia.

— Você está cansada. Já preparei sua cama. — ela sorriu. — Hoje te colocarei na cama. Vamos, já está tarde.

Sorri, e sem hesitar, me permiti ser guiada por ela até o quarto.

Entrei no quarto pequeno e imediatamente boas lembranças vieram me dá boas - vindas. O quarto estava diferente da última vez em que estive aqui. O papel de parede de flores vermelhas já não existia mais, agora ele estava com papel de parede de pequenas flores amareladas em todo o quarto. Havia um varal de madeira com alguns cabides prontos para serem ocupados, uma pequena escrivania e uma cadeira de madeira clara na janela ao lado de uma pequena estante branca com alguns livros, um criado mudo branco ao lado da cama de solteiro, e de frente para a cama, uma pequena penteadeira branca com seu espelho redondo á cima, fazia combinação. 

Deitei na cama sendo acolhida pelo o cobertor posto por vovó. Ela sorria amorosa, arrumando- o sobre mim. 

— Isso, isso. Assim está bom, não é ? Descanse, pois sei que a viajem foi cansativa. Amanhã, sairemos juntas, e vou-lhe mostrar alguns lugares em que eu costumava ir com seu pai quando ele era pequeno. Agora, descanse bem para amanhã ter forças novamente. — Ela se despediu beijando minha testa, apagando a luz ao deixar o abajur azul ligado na comoda ao lado.

Com meus olhos fixados no teto, eu senti o vazio me sufocar. Sem perceber, uma lágrima se despedaçou no travesseiro. No afogamento da minha alma, eu apenas fechei meus olhos e esperei, esperei o dia chegar. Eu esperei por alguém, que nunca iria voltar.

Mais uma vez, a escuridão veio me abraçar. Essa, foi a segunda vez.

E não importa onde eu estivesse, ou para onde eu pudesse ir, ela, estava sempre por perto. E todos os dias, ela insistia em ficar.

Eu, não estava bem.



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