História You Complete Me - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias MasterChef Brasil
Personagens Henrique Fogaça, Paola Carosella, Personagens Originais
Tags Romance
Exibições 98
Palavras 8.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi minhas amoras tudo bem? Espero que sim. Então, depois de muito tempo voltei rsrs, eu estava morrendo de vergonha porque eu tinha falado que não ia demorar pra postar mas no final acabei rsrs. Não sei se consegui avisar a todas os motivos, pra quem não avisei desculpa, é que esse bimestre é o último então tem muita matéria pra estudar. Agradeço muito a compreensão de vocês. Dedico esse capítulo a cada uma. Boa leitura.

Capítulo 9 - Todas as Sextas


Fanfic / Fanfiction You Complete Me - Capítulo 9 - Todas as Sextas

Como dizem "Só entende de lágrimas quem já chorou", e disso a chefe Paola entendia muito bem. Não tinha lembranças suficientes para explicar quantas vezes chorou sentindo seu coração vazio com tanta intensidade que lhe causava dor, sentindo falta de algo que a completava, algo que tinha nome, no qual ela conhecia muito bem, seu bad boy favorito.

Depois do desentendimento com Fogaça a Argentina não conversou com ele e as gravações do programa deram uma pausa impossibilitando os dois de se verem. A falta do homem em sua vida era sentida a cada dia que acordava, não tê-lo presente mesmo que fosse poucas as vezes que se viam tornava desesperador para a própria. Ouvir sua filha perguntar do homem e quando ele iria em sua casa fazia o coração da chefe machucar, pior ainda quando sabia que a culpa maior estava no ciúmes inexplicável que começou a sentir em relação a Henrique.

Depois da noite em que esgotou suas lágrimas em choro recebeu o namorado em sua casa que já tinha avisado que viria, assim que chegou foram convidado para uma festa de Halloween e marcaram presença, Jason foi de múmia e Carosella impecável como sempre foi de Morticia Addams. O Halloween realizado na casa Jacquin não contou com a presença de Henrique que segundo Rosângela o mesmo tinha ligado avisando que não poderia comparecer, fazendo Paola questionar se o motivo era ela. 

Após lágrimas derramadas, orgulho ferido, sorrisos forçado foi se acostumando com a ausência do homem, focou a ideia de que nunca tinha sentindo falta do mesmo e não era agora que sentiria. Aproveitou os momentos com o namorado que tinha chego no Brasil, entretanto a felicidade se ausentava frequentemente, mesmo estando juntos parecia que não, o corpo era presente o sentimento não. Mas isso era preenchido com a companhia e amor de sua filha.

Os dias passaram sem muitas novidades ao lado de Jason, mudou com a vinda de sua abuela amenizando seu sentimento infeliz e tornando-o em alegrias vivenciadas que há tempo não tinha contato, sorrisos bobos e o mais importante, aproveitando sua família.

- Vem né, vem que tem ainda no? Né, vem que tem, vem que tem. Vem que tem. - Paola filmava empolgada as verduras para postar no instagram. - Vem que tem, ó. Oi Mimi, fala oi Mimi. - Filmou a avó carismática que veio visita-la.

- Hola! - Falou olhando para a câmera do celular esbanjando sua fofura. 

- Hola. Tia Claudia. Jason... Fotos do Jason... - Filmou as fotos feitas pelo fotógrafo em sequência. - Vem que tem, Intituto chão, harmonia 1, 2, 3. Tem manga, ameixa... Que que tem aqui? - Perguntou para o rapaz a sua frente.

- Castanha...

- Uuu. - A chefe interrompeu.

- Do Acre. - O rapaz concluiu.

- Castanha do Acre! 

- Deixa eu ver mãe. - Fran falou tão baixo que foi quase impercetível ouvi-la. 

- Cocô verde... Cavolonero, cavolonero. - Correu para filmar a couve.

- Que mais? Que mais? - Uma voz de fundo perguntou. 

- Bebês... 

Os dias seguiram tranquilos melhor impossível, Mimi leu o livro de Paola e sentiu-se orgulhosa de sua neta, cada palavra ali escrita eram sinceras e doce assim como a chefe, prometeu guardar para sempre uma vez que, em sua escrita havia carinho no modo que transpassava seu amor pela culinária.

Fizeram o típico gnocchi da família juntas e Paola teve a realização de seus sonhos em ver sua abuela cozinhar com a filha, ela observou demoradamente o contato que as duas estavam tendo, fazendo imediatamente uma emoção inexprimível percorrer até sua medula.

Por outro lado também tinha o lançamento do livro chegando o que fazia o coração da cozinheira transbordar de alegria e ansiedade, ademais não era só um livro e sim seu amor redigido em páginas para todas as pessoas que a admirava.

Contáveis dias torturantes passaram e o dia tão esperado chegou, nesse meio tempo o relacionamento de Paola e Jason continuou indiferente no qual os dois não estavam acostumados, na medida em que a chefe não conseguia ter a mesma aproximação de antes com o homem e o mesmo não entendia o porque, contudo o fotógrafo resolveu não demonstrar incomodado cogitando a ideia de Paola estar nervosa pelo lançamento do livro. 

A chefe e o namorado nem tinham entrando na livraria da Vila da Loren em São Paulo e a fila de pessoas que estavam ali para prestigia-la já era grande o que a fez não crer no que estava vendo.

Foi recebida com muito carinho e abraçou cada pessoa que vinha até ela, a generosidade no olhar de cada uma trazia sensações de gratidão que ela não conseguia demostrar, apenas sentir, ouviu histórias lindas contadas pelos fãs e autografou os livros que seguravam com muito amor.

A fila não tinha fim, sempre vinha mais e mais pessoas sorridentes e emocionadas em vê-la. Quando chegou a vez de Fogaça receber o autógrafo da chefe seus olhos pareciam desolados quando se encontrou aos dela que não acreditou no que via, o homem correu a mão sobre a boca e caminhou até a mulher que tinha os lábios formigando lembrando do ocorrido com a relação dos dois. Fazia duas semanas que eles não se falavam, a amizade de antes nunca foi a mesma, o distanciamento nas conversas e os momentos que não se viam ajudou ainda mais.

A culpa subiu como bile na garganta da chefe, amarga e ácida, sabia que não tinha o que cobrar do homem muito menos exigir explicações, mesmo ele dizendo que a amava.

- Parabéns. - Exibiu um sorriso com o livro na mão para receber seu autógrafo. 

- Obrigada! - Agradeceu.

- Eu falei que vinha. - Passou as pontas dos dedos no rosto da mulher sentindo a suavidade de sua pele.

- Eu pensei que no. - Segurou a mão do homem inclinando seu rosto e precionando ainda mais sua face na mão de Fogaça.

- Você precisa acreditar mais nas minhas palavras. - Contemplou a chefe em sua frente com os olhos fechados e o rosto apoiado em sua mão. - Poço te abraçar? - Meio acanhado perguntou, sentindo o ciúmes de Jason demontrado pelo olhar fuzilante lançado para os chefes.

Ao ouvir a pergunta Paola colocou seus braços em volta do tronco do homem que fez o mesmo com ela flexionando sua cintura na dela tendo completo contato entre os corpos.

- Estou tão feliz pelo livro, você merece tudo de melhor que a vida pode oferecer. - Sussurrou no ouvido da cozinheira podendo jurar que a sentiu estremecer em seus braços.

- Obrigada Fogaça. - Apertou ainda mais o abraço entre os dois sem importar com quem estava ao redor.

Notando que não podiam continuar com o abraço ambos se soltaram, sentindo falta do calor que emanava do corpo dos dois quando estavam juntos. Tiveram a consciência ao notar que ainda tinha mais pessoas na fila esperando para receber um abraço de Paola também, sem contar do ciúmes óbvio de Jason ao ver a cena do abraço dos jurados.

- Não vejo a hora de ler. - Indagou encantado depois da finalização do abraço.

- Quando acabar me fala o que achou. - Autografou entregando o livro para ele.

- Falo sim. Você dedicou para a Fran? - Perguntou exibindo seu riso encantador.

- , ela é meu alicerce. - Respondeu a pergunta.

- Ela me disse que quando crescer quer ser cozinheira e eu tenho absoluta certeza que será excelente como a mãe. - Disse depositando um beijo carregado de ternura na bochecha da cozinheira à sua frente. - Vou te esperar. - Sussurrou.

- Adios Fogaça.

- Adios Paola. - Arrancou um riso de canto da cozinheira com seu espanhol fajuto. - Ah, bye Jason. - Acenou para o homem que retribuiu o adeus com o ar de alívio vendo Henrique se afastar da livraria.

Henrique se afastou aproximando da saída, antes de sair e olhou para trás vendo as pessoas ali presentes e a felicidade estampada no olhar da Argentina, riu sozinho por curtos segundos até um fotógrafo se aproximar de Paola e Jason para tirar fotos, Jason fez questão de beijar a mulher para que Fogaça pudesse presenciar os dois juntos, como se quisese afirmar que "Carosella tinha dono e que não era o chefe".

Os punhos do jurado fecharam com força e suas veias saltaram pulsando freneticamente com o sangue que percorria acelerado, após a foto tirada os olhos de Paola correu pela livraria encontrando Fogaça que tinha seu olhar de desdém e decepção, sussurrou para o homem pedindo desculpas mas ele saiu antes e não viu seu baixo e puro pedido. 

Tratou de obliterar Fogaça de seus pensamentos e focar no momento incrível onde estava presenciando, não estragaria por nada.

Invadida com o pensamento de completa felicidade seguiu a tarde de abraços, como o próprio nome fazia referência, foi um dia dedicado a abraçar todos que admiram a chefe Paola Carosella.

Quando foi encerrado todos foram para casa descansar do dia afetuoso que tiveram. A chefe não parava de sorrir, contou tudo para a pequena Francesca que fazia perguntas atrás de perguntas sobre tudo que aconteceu, seus olhos azuis brilhavam com as palavras pronunciadas por Paola. Ficou horas detalhando suas emoções para Mimi e Fran até dar a hora de colocar Francesca para dormir.

Antes de dormir Paola colocou sua camisola e pegou seu livro no criado-mudo, folheou o mesmo que era seu sonho e amor em páginas, sensação que para ela era fora do normal, ainda mais agora onde várias pessoas também o tinha. Folheou algumas imagens acompanhadas com escritas, mesmo sendo ela que escreveu o livro sempre se surpreendia quando lia uma palavra, sorriu sozinha ao lembrar de todas pessoas que foram na livraria para homenagear seu primeiro livro, principalmente Fogaça.

- Honey. - Jason saiu do banho enrolado na toalha branca com os cabelos ainda úmidos.

- Oi? - Perguntou abaixando os óculos e olhando para ele esperando alguma resposta.

O fotógrafo nada respondeu e se aproximou da cama começando a acariciar a pele da perna da chefe que estava exposta, subindo para as mãos da mulher e voltando a colocar o livro no criado-mudo. Enquanto ele acariciava o corpo da cozinheira a mesma estava paralisada sem saber o que fazer com a situação, não sabia que atitude tomar.

Com cuidado deitou sob o corpo de Paola que sentiu rapidamente a forte ereção precionando sua coxa direita o que a fez fechar os olhos com força imaginando a intenção do homem, intenção na qual ela não queria.

As mãos de Jason moviam-se pelas pernas da chefe até uma delas pousaram em sua nadega por cima da camisola fina e apertar com força, Paola não queria e realmente não estava no clima para nada que envolvesse o namorado, principalmente algo sexual onde sabia que não só o corpo devia estar envolvido e sim o sentimento.

- Jason, por favor hoje no. - Pediu quase que suplicando com a cabeça arqueada para o lado afastando o rosto do dele, mas foi ignorada por ele que levantou a barra de sua camisola fina de seda.

Fechou os olhos sentindo nojo de si mesma por estar passando por isso, mais ainda por estar envolvendo Jason em sua indisponibilidade de transar com ele. Deixou por fim, o homem assumir o "comando" e fazer tudo, sem ao menos sentir prazer algum.

- Jason... - Pediu mais uma vez quando ele apertou seu seio com força deixando cair uma lágrima imperceptível que ardeu como uma chama e corroeu como enxofre ao escorrer em seu rosto.

Enquanto era penetrada por Jason visualizou Fogaça em sua frente para amenizar a dor emocional que estava sentindo, a forma como os cantos da boca dele levantavam levemente quando ele sorria e o modo que ele a beijou fez desvencilhar os movimentos realizados pelo fotógrafo sob seu corpo, o carinho vivenciado por ambos em cada abraço fez com que ela imaginasse o jurado ali lhe tocando e não seu namorado, mesmo sendo uma atitude errada. E foi assim até Jason chegar em seus ápice, mesmo Paola não ter chegado no seu fingiu um orgasmo para então não precisar continuar e mostrar que estava satisfeita. Exausto e ofegante caiu do lado da mulher, desejou boa noite e adormeceu.

Carosella ainda deitada cerrou os olhos na esperança de dormir e esquecer o que acabou de vivenciar, nunca tinha sido tão vulnerável como estava sendo agora, olhou para o homem deitado em seu lado e mesmo sabendo que estava errada sentiu enjoada e sem perceber envolvia-se em pratos, não aguentando correu para o banheiro se despindo e ligando o chuveiro. Deixou a água percorrer seu corpo e massagear cada espaço, não evitou a recordação de Fogaça mais cedo na livraria dizendo que ela deveria e sua última fala trocada onde tinha falado que iria esperar por ela. 

Saiu do banho enrolada na toalha e parou em frente o espelho encarando seu reflexo perguntando-se como era possível minutos acabar com uma felicidade vivenciada por horas. Passou as mãos no rosto pressionando com força sua pele.

Sem pensar muito colocou suas peças íntimas e por cima um regata azul marinho com uma calça jeans skinny que modelada suas curvas, pegou sua bolsa e desceu as escadas fazendo o mínimo de barulho para não acordar ninguém.

Silenciosamente abriu a porta de sua casa e foi para o carro dando partida e saindo do condomínio. No caminho olhou o céu fracamente estrelado por conta das luzes e das nuvens escuras se acumulando no céu, algumas pessoas sentadas rindo nas lanchonetes chamou sua atenção, a preocupação do mundo parecia não atingir nenhuma delas.

Em um trajeto da rodovia uma chuva fria de uma fúria atípica lançava água contra as janelas de seu carro, o que a fez lembrar da mesma noite chuvosa que foi buscar abrigo na casa de Fogaça. Saiu de seus devaneios quando chegou no apartamento do homem, estacionou o carro e correu para alguma área que a protegesse da chuva forte, se identificou na portaria e entrou no condomínio.

Subiu as escadas com as mãos frias pensando no que falaria para o homem, seus passos pesados podiam ser ouvidos de longe, chegou na porta e deu duas batidas, quando ia dar a terceira a porta foi aberta.

- Fogaça... - A mulher com a roupa úmida por conta da chuva engoliu em seco ao ver o homem em sua frente de shorts deixando suas tatuagens da perna amostra, suas pupilas se dilataram ao encontrar com os olhos brilhantes dele, sentindo um frio percorrer sua espinha e um sintomático frio na barriga pairou em si.

- Pao você esta bem? - Assustado e surpreso com a visita apoiou a mão na fechadura tentando acalmar seus batimentos cardíacos que estavam acelerado.

- Me perdoa por no tener deixado você falar e por ter sido una tola de cobrar algo de usted sendo que yo nem estaba no estado de cobrar algo. - Falou rápido tropeçando nas palavras em espanhol e em seu sotaque que se acentuava ainda mais quando estava nervosa.

- Paola você não tem que pedir perdão nenhum, eu que devo pois fui eu que me preciptei... - Foi interrompido pelos lábios aveludado da chefe tocando o seu.

Aos poucos, os dois foram explorando a língua e os lábios um do outro com movimentos circulares que se intercalavam com mordiscadas. Com as cabeças inclinadas para o lado para facilitar o encontro das bocas Henrique começou a passar a mão no rosto e nos cabelos sedosos da chefe, os braços do jurado subiram pela costas de Paola enquanto ela abria a boca se embriagado com a língua dele encostando na sua. Levou uma das mãos ao rosto de Henrique, sentindo a aspereza da barba mal feita em seus dedos. Fogaça notou o ar começar a falhar e desceu sua boca no pescoço da morena, mordiscando e beijando de leve, incendiando a pele da mulher com seu hálito quente.

- Creo que también te amo Fogaça! Eu no sei porque mas te amo. - Falou em meio aos beijos com o sotaque que encantava o homem.

A declaração da mulher causou em Fogaça leveza e felicidade que para ele não era deste mundo. Ao notar que Paola estava tomada pelo medo de ter causado alguma má impressão já que o homem nada disse tomou sua boca outra vez, beijando-a ardentemente, um beijo que mostrava que ele sentia o mesmo.

- PAI. - Uma fina voz ecoou pelo apartamento.

- Tem alguém aqui? - Perguntou assustada encerrando o beijo que tanto desejava. - Fogaça desculpa eu no devia ter vindo.

- É só meu filho Pao. - Respondeu sorrindo. - Ele vai passar a noite aqui.

- Se quiser eu posso ir embora...

- Você não vai embora, acabou de chegar. - Entrelaçou os braços na cintura da Argentina tateando sua pele coberta pela regata encostando suas testas. - Com certeza ele esqueceu de levar a toalha pro banho, já volto, vou aproveitar e trazer uma camiseta pra você colocar e não ficar com essa úmida, não quero que você pegue um resfriado. - Cobriu os lábios da mulher com sua boca e depois saiu. - Sinta-se a vontade. - Pronunciou alto. 

Enquanto o jurado não voltava Paola vagou pela sala vendo as fotos de Fogaça e seus filhos espalhadas na estante em vários porta-retratos, parou na cozinha abservando os detalhes das louças bem dispostas e organizadas, apoio de costas no bancada e esperou Fogaça voltar.

- O que vamos cozinhar hoje chefe? - Perguntou adentrando a cozinha olhando para Carosella encostada em sua bancada.

- Vamos?! Você que vai cocinar hoje. - Respondeu irônica rindo do homem.

- Só que na última vez eu te ajudei. - Pronunciou fingindo indignação.

- Mas hoje estou cansada, e você se esqueceu que por sorte ganhou estágio comigo depois do seu Prime Rib? 

- Verdade. - Mostrou-se vencido arrancando risos deliciosos da mulher. - Então o que você quer minha convidada? - Se aproximou dela fitando seus lindos olhos que o enfeitiçava.

- Quero o seu famoso lombo de cordeiro com purê aligot e shimeji.  - Pediu.

- Você não vai me ajudar mesmo?

- No! Vai cozinhar ou no Fogaça? Estou com fome.

- Estou indo chefe! Ah, essa é a camiseta mais justa que tenho tomara que de certo. - Entregou a camiseta preta do oitão com a imagem de uma caveira.

- Vou colocar, onde posso me trocar?

- No meu quarto. É só subir a escada e virar a esquerda, o primeiro quarto é o meu. - Apontou para a escada e Paola seguiu, enquanto ela foi se trocar aproveitou para adiantar alguns preparos, como, descascar as batatas e hidratar o shimeji com vinho branco e shoyu.

Quando entrou no quarto percebeu que encontrava-se organizado com a cama perfeitamente arrumada, os tons brancos e bege chamava a atenção para o papel de parede cinza claro bem destacado pela iluminação de led que saia da cabeceira. Tirou sua regata e colocou a camiseta de Fogaça que ficou um pouco larga em seu corpo. Por curiosidade abriu as portas do guarda-roupa notando apenas peças de Henrique, com total consciência de que bisbilhotar os pertences dos outros é errado comemorou mentalmente aliviada por não ver nada da esposa de Fogaça, ou ex. Antes de sair prendeu seu cabelo em um coque alto de seu costume e voltou para cozinha.

- E o que o chefe Henrique Fogaça já fez? - Perguntou ao entrar na cozinha onde Henrique parecia flutuar em meio as panelas.

- Coloquei as batatas pra cozinhar, o shimeji está hidratado e estou fazendo o molho com vinho do porto e jabuticaba. - Respondeu focado em seu trabalho.

- Só isso? - Ingagou sentando em uma das banquetas apoiando os braços na bancada.

- Claro que é só isso não tenho ajuda. - Deixou o molho caramelizado e virou para ela.

- Para de manha Fogaça. - Rindo fez sinal com a mão para ele continuar.

- E o Jason tá na sua casa? - Perguntou não querendo passar a imagem de intrometido.

- Vamos nos preocupar com o agora Fogaça, com o que estamos fazendo. - Respondeu sem graça.

- Desculpa pela pergunta.

- Foi nada. Mas agiliza ai chefe, parece que não cozinhou nada até agora! - Riu do homem, adorava testar sua paciência.

Fogaça preparou o molho e testou na colher para ver se estava pronto, esperou um pouco a batata esfriar para começar a fazer o purê de dois queijos que já estavam ralados. Tudo isso com o olhar de Paola que se encantava em vê-lo cozinhando.

- Ah Fogaça, não consigo ficar sem fazer nada tenho que te ajudar. - Levantou da banqueta indo para perto do fogão onde estava Henrique.

- Eu sabia que você não ia conseguir ficar sem fazer nada Argentina.

- Posso ajudar no que? - Colocou um avental que estava pendurado na parede.

- Fica com o purê que eu fico com a carne. - Passou as batatas que tinha acabado de amassar.

- O mais complexo Fogaça?

- É fácil Pao, coloca a margarina, as batatas, leite e o queijo na panela até juntarem tudo. - Explicou enquanto temperava o lombo de cordeiro.

- Así chefe? - Mostrou o aligot se formando.

- Isso, agora é só mexer.

- No vai sal? - Perguntou sabendo da resposta de Fogaça. - Sal é o ingrediente mais usado na cozinha quente. - Sorriu transparecendo suas covinhas, o que mais encantava Henrique, claro que depois de seu sotaque. 

- Você tá engraçadinha hoje né? Se continuar assim eu que não deixo você estagiar comigo. - Apertou de leve a bochecha da chefe.

- Desculpa chefe. - Disse com voz dengosa olhando para Henrique que não aguentou e roubou um selinho da mulher que corou com o ato repentino. - E o seu carré de cordeiro hein? - Mudou de assunto após o selinho roubado.

- Carré de cordeiro Pao? - Riu com o atrapalhamento da cozinheira.

- Lombo de cordeiro. - Se corrigiu rindo de si própria. - Fogaça não tá ficando do jeito que tem que ficar. - Referiu ao aligot.

- Tem que ir mexendo. - Posicionou atrás de Carosella e segurou em sua mão mexendo o purê, o que fez seus alvos pelos eriçarem sentindo uma sensação excitante que corria em suas veias em pura adrenalina. - Olha, tá pegando o ponto. - Levantou o purê com a colher mostrando seu ponto quase elástico.

- Precisa colocar o creme de leite? - Perguntou quase em um sussurro.

-Sim. - Esticou o braço para pegar sem soltar a mão da chefe com a colher. - Agora eu vou colocando e você vai mexendo. - E assim o fez. - Sem salto você é menor que eu. - Pronunciou em meio a risos baixos depositando um beijo rápido e molhado na nuca exposta de Paola.

- Nem tanto. - Falou falhando sentindo seu corpo formigar, atordoada, pasma.

- Ah sou sim! - Soltou a mão da cozinheira e abraçou sua cintura por trás, o que fez Paola mordeu levemente seu lábio inferior acompanhada de um calafrio. 

- Pai o X-box desconectou do Liv. - O filho de Fogaça pronunciou ao entrar na cozinha, fazendo Henrique e Paola em um pulo se soltarem rapidamente e direcionarem o olhar para ele.

- Eu vou ver filho. - Olhou estático um pouco tomado pelo susto.

- Oi Paola, tudo bem? - Perguntou envergonhado.

- Oi João! Tudo e com você? - Sua situação não era diferente a do jurado.

- Estou bem. O que vocês estão cozinhando?

- Lombo de cordeiro com purê aligot e shimeji. Você vai comer? - Perguntou recompondo-se.

- Não estou com fome, obrigado. - Agradeceu gentilmente.

- E se fosse um sanduíche você queria?

- Hum, ai eu mudaria de ideia. - Sorriu travesso.

- Você gosta de qual?

- Na verdade eu gosto de todos, até de atum. Você gosta de sanduíche?

- Eu adoro.

- Se deixasse eu só comeria sanduíche. - Afirmou.

- Só sanduíche? Mas só sanduíche no es bueno. - Riu calmamente do menino.

- Eu recompenso com uma salada. - Riu novamente mostrando sua solução. - Pai conecta pra mim porque eu parei bem no meio de uma missão!

- Vou ver o que aconteceu. - Falou para Paola que acenou com a cabeça. - Só mexer mais um pouco que o purê pega o ponto.

- Okay chefe!

- Tchau Poala, gostei de te ver.

- Tchau João.

Esperou o purê chegar no ponto correto e resolveu fazer um sanduíche natural para João, tomou a liberdade de abrir a geladeira de Henrique e explorar os alimentos ali contido, pegou o peito de peru fatiado, alface, tomate e requeijão. Cortou os tomates em rodelas e temperou com a alface, procurou nos armários e encontrou um pacote de pão integral, fez a montagem do sanduíche e esperou Fogaça voltar.

- Vai chefe já fiz meu trabalho agora só falta você. - Se gabou mostrando o ponto do aligot.

- Olha, parabéns! - Se aproximou da chefe batendo leves palmas.

- Também, tive um professor excelente. - Falou, o que fez o homem rir. - Por que está rindo? No es verdade?

- Se você diz eu acredito, mas não estou rindo só disso. - Continuou sorrir.

- Então do que você está rindo? - Ficou de frente para o homem, centímetros de distância.

- Quando estávamos em Manaus no barco... - Aproximou ainda mais os corpos. - Então eu te abracei por trás e quando a câmera filmou nós dois nos soltamos rápido e tentamos disfarçar, foi o que aconteceu aqui na cozinha.

- Só que você estava quase que tocando nos meus seios no barco!

- Tocando? Eu estava te abraçando, isso é bem diferente. - Piscou para ela. - Você estava tensa com toda aquela confusão, um monte de comidas com preparos errados, brigadeiro de açaí, um monte de comida... Só ofereci um abraço de amigo. 

- Grande abraço né. - Segurou o rosto de Henrique tomando a boca do jurado com um selinho demorado que se intensificou aos poucos até seus lábios macios entrarem em ação frenética com os de Fogaça. - Agora vai cocinar porque ainda estou com fome. - Se soltou dos lábios atraentes do homem.

- Prefiro ficar te beijando. - Voltou a agarrar a cintura da mulher com as firmes mãos.

- Mas eu ainda estou com fome! - Exclamou soltando-se das incríveis mãos tatuados.

- Estou indo chefe. - Vencido beijou a testa de Paola e voltou para o cozimento da carne. - Você é muito mandona dona Paola Carosella. - Disse sorrindo.

- Sou mesmo! - Olhou para Fogaça afirmando com a cabeça e dando um sorriso largo.

Henrique deixou a frigideira aquecendo com a manteiga e o shimeji hidratado, temperou o cordeiro com um pouco de sal e pimenta e selou os dois lados da carne até chegar ao ponto.

- Vamos ver se o ponto é correto? - Olhou para Fogaça pegando uma faca e cortando em fatias médias.

- Assim Rainha das Carnes? - Olhou para os olhos indecifráveis da chefe.

- Correcto. - Acentuou o R. - Então é só empratar do jeito que você sabe. - Falou e colocou um pedaço da carne na boca delirando com o sabor delicioso.

Fogaça empratou e pediu pra Paola levar os pratos na mesa enquanto ele levava o sanduíche para João, antes dele chegar Paola pegou seu celular agradecendo por não ter nenhuma mensagem de Jason perguntando onde ela estava. Sua preocupação com Francesca não era grande pois sabia que a pequena estava com a avó e a tia.

Ainda sentia incompreensível sua aproximação com Henrique, nunca pensou que estar ao lado do homem seria revigorante e acolhedor, sempre o viu como um grande amigo, entretanto esse sentimento mudou mostrando o quão errada estava, sabia que estava traindo seu namorado porém não conseguia sentir nenhum pingo de remorso, desprendeu-se dos pensamentos envolvendo Jason, deixando as preocupações do mundo de lado.

- Vinho branco? - Foi interrompida pela voz rouca de Fogaça perguntando.

- Me vê vinho preto por favor. - Brincou arrancando um sorriso do homem que a olhava em admiração.

- Esse posso ficar devendo?

- Só dessa vez.

- Ufa! E ai vamos comer?

- Opa. - Falou colocando uma garfada na boca sob o olhar de Fogaça. - Fogaça você não tem noção do quanto estou com fome.

- E o que você achou?

- É maravilhoso, a carne perfeita, o molho  delicioso. Prato magnífico.

- Não mais que você! - A fitou colocando uma garfada na boca.

- Fogaça desde quando você é romântico?

- Não estou sendo romântico só estou falando a verdade.

- Pra mim isso é muito romântico , acho que esse bad boy por fora esconde um homem todo derretido por dentro.

- Porra Paola como você pode ser tão perfeita meu?

- Esse é o Fogaça. - Bebericou o vinho. - O João falou do sanduíche?

- Falou obrigado e que você é uma pessoa muito boa.

- Ele nem me estranhou. Deve estar acostumado com outras mulheres né no?

- Não que eu saiba, é que eu falo tanto de você que para ele a chefe Paola não é estranha. - Explicou.

- Sei!

- É sério.

- Então, eu estou concordando, só isso.

- Paola se você ficar falando sem parar eu vou ser obrigado a levantar e te beijar.

- Coitado de você Henrique! - Brincou debochando do homem.

- O anel! Você usa. - Olhou para a mão da mulher.

- Nunca mais vou tirar. - Beijou o mesmo. - Eu estava vendo o significado dele esses dias. 

- E o que achou?

- Quando o anel é colocado na mão direita com a coroa para dentro significa que o coração está disponível. O anel na mão direita com a coroa para fora quer dizer que a pessoa é comprometida e o anel na mão esquerda com a coroa para fora diz que a pessoa tem um amor sem fim por alguém e é correspondida.

- O seu está na mão esquerda e com a coroa para fora. - Brilhou seus olhos ao ouvir os significados e ao olhar onde Paola o usava. Porém esse sentimento mudou ao pensar que talvez ela estivesse usando assim por causa de Jason.

-, e eu nunca vou tirar desse dedo, porque eu sei que sou correspondida. - Segurou na mão do homem conversando apenas com o olhar e paz que transmitiam um para o outro.

- Cacete Paola, não consigo parar de olhar para você. - Sua voz estava inundada de admiração. - Você é demasiadamente linda. - Pousou sua mão na dela encarando seus lindos olhos que o fitava. 

- E você também não é nada mal chefe Fogaça. - Provocou com um riso enquanto mordia seu lábio inferior. - E eu ganhei o estágio com você? Olha que eu fiz o purê! 

- Você ganhou sim e se duvidar pode até virar minha subchefe. 

O jantar prosseguiu em clima agradável, acompanhado de diversificados assuntos e risos descontraídos, uma vez ou outra davam pequenos flertes que acabavam em risos. Nenhum dos dois tocaram nos assuntos Jason ou Fernanda, ficaram em sua esfera curtindo a companhia um do outro, não importava o que acontecia do lado de fora, não importava a chuva e nem o vento, apenas o sublime momento vivenciado por ambos, se a física permitisse, parariam no tempo só para curtirem mais. 

- Eu lavo e louça e você guarda okay? - Paola referiu-se às panelas e pratos na pia assim que terminaram de deliciar o jantar.

- Não precisa, deixa que depois eu levo.

- Claro que no, na última vez você lavou tudo agora vou ajudar. - Levantou da mesa caminhando até a pia e começando a lavar os pratos sujos.

- Você é muito teimosa. - Disse levantado-se em seguida indo em direção a jurada.

- Já lavei muita louça na vida chefe Fogaça, antes de virar chefe eu chegava cedo no restsurate pra lavar a louça da noite anterior. Ainda sei lavar pratos. - Falou fazendo o homem rir.

- Eu sei porque você não gosta de perfumes. - Se aproximou por trás e fungou o pescoço da mulher que se arrepiou.

- Sabe? - Parou o que estava fazendo olhando para ele tentando entender o motivo, com a dúvida se ele saberia ou não. 

- Sei, você já tem o seu próprio perfume, é suave e doce, combina com sua voz. Delicioso. - Respondeu. Não era essa a resposta mas fez o coração de Paola de derreter.

+

- Que filme vamos assistir?

- No sei, escolhe um. - Respondeu ao voltar do banheiro após ter escovado os dentes com uma escova que Fogaça tinha de reserva.

- Titanic?

- Fogaça eu falo, esse seu romantismo aí tá muito estranho.

- To zuando. Vai começar minha mãe é uma peça no telecine, pode ser?

- Pode, que não seja um de chorar pode .

- Então o problema é chorar?

- Claro, você sabe que sou emotiva.

- E como sei. - Deu um leve riso de lado acariciando a bochecha da mulher.

Quando filme começou Paola se aninhou no lado esquerdo do braço de Fogaça, ele colocou seus braços ao redor do corpo da mulher e se inclinou deitando no sofá confortavelmente, sentindo o aroma que exalava da chefe, no qual era único, nunca havia sentido algo parecido em sua vida.

- Fogaça. - Falou baixo. - No Halloween na casa do Jaquin pensei que você não tinha ido porque estava com raiva de mim.

- É impossível ficar com raiva de uma pessoa tão fofa que nem você. - Estreitou os braços ao redor do corpo da chefe não acreditando no que ela falava. - Eu estava gravando o 200 graus por isso não fui. Nunca pense que não fui por raiva sua. - Soltou uma das mãos e acariciou a face delicada da morena.

"- Marcelina eu já mandei você entrar dentro desta merda deste chuveiro.

- Eu vou se eu quiser.

- Se eu quiser? Sua imunda.

- Louca. "

- Imagina você brava com a Fran assim quando ela crecer?

- Deus me livre.

- Francesca eu já mandei você e entrar dentro desta merda deste chuveiro.

- Eu dou na cara dela, vai levar uma coça que nunca mais vai esquecer. - Riu arrancado risadas típicas de Fogaça.

- Toda mãe tem uma Dona Herminia dentro dela. Sabe, eu amo esse seu sotaque. - Mesmo não vendo o rosto da chefe sentiu que ela corou com sua fala.  - Quando eu cuidei dela, vish, não parava nenhum segundo, parou só pra desenhar.

- Aquela lá é ligada no 220 só pode, ela é muito hiperativa. 

- Brincamos de pegar as galinhas no quintal. - Sorriu ao lembrar da cena dele e de Francesca gritando pelo quintal para cercar as galinhas. - Ela não cansa, paramos só porque eu quebrei um ovo. - Se arrependeu por ter falado o segredo dele e da pequena Fran.

- Você quebrou o que Fogaça? - Em súbito movimento levantou sentando-se reta para ele.

- Eu? Nada. - Fez de desentendido.

- Fogaça. - Semicerrou os olhos insistindo na resposta fingindo estar brava.

- Eu quebrei o ovo da galinha! - Admitiu. - Eu e a Fran prometemos não contar nada, era o nosso segredo, até agora era.

- Ah é?! Você quebrou o ovo da minha galinha e ainda guardou segredo com a minha filha? Vou quebrar o seu ovo também seu tranqueira. - Seu olhar demonstrava um pouco de malícia quando o fitou sentindo o mesmo segurar seu braço esquerdo.

- Se você fizer is... - Estavam com os rostos tão próximos que o ar quente que saía dos pulmões de ambos acariciava a pele como uma pluma, foram interrompidos pela figura pequena que apareceu na sala. 

- Pai vou dormir. - João anunciou coçando os olhos mostrando que o sono tinha chego, o que fez Paola e Henrique olharem para ele um pouco sem graça.

- Ér... ér... - O chefe falhou ao tentar compor alguma frase.

- E aí João gostou do sanduíche? - Perguntou enquanto Fogaça se recompunha.

- Estava muito bom, obrigado Paola. - Respondeu com a voz embargada pelo cansaço.

- Vou levar ele pra cama e aproveitar para pegar uma manta.

- Tudo bem! - Levantou possibilitando Fogaça de fazer o mesmo e subir para o quarto do filho. 

- Boa noite Paola. - Falou em meio aos constantes bocejos dados a cada meio segundo.

- Boa noite meu amor. - Acenou.

Paola passou alguns minutos prestando a atenção no filme enquanto Henrique não chegava, deu algumas gargalhadas com cenas realmente engraçada e consequentemente se viu lembrando da comparação futura que  Henrique tinha feito minutos antes de Francesca e Marcelina. Sua tese de que o exterior que aparentava mostrar o bad boy sério e bravo foi quebrada a partir do momento que ela percebeu que na verdade ele era o oposto, seu interior de homem bondoso e carinhoso falava mais alto.

Fogaça chegou com a manta de crofibra chumbo e voltou a deitar no sofá na mesma posição de antes com Paola aninhada em seu corpo, que agora eram cobertos.

Os corpos estavam praticamente grudados com os braços firmes do chefe ao redor da cintura de Paola proporcionando uma sensação de segurança e calmaria. Cada nervo, cada poro, cada molécula da cozinheira implorava para permanecer em imobilismo nos braços do homem sem prazo de acabar.

Uma das mãos do maior foram para o cabelo da mulher desfazendo seu coque, começando a fazer cafuné na cabeça da chefe com movimentos circulares e sutis levemente realizados. Os pelos da nuca de Paola se eriçaram e rapidamente arrepios percorreram a superfície de sua pele, a respiração de Henrique em pescoço deixava sua pele ainda mais quente, queimando.

O outro braço continuava a envolver sua cintura e acariciar levemente o braço da cozinheira que não prestava mais atenção no filme, passou a ser apenas vozes de fundo sem conseguir interpreta-las. Depositou seu peso mais ainda no tronco do jurado, deitando completamente a cabeça contra seu peito. Fogaça parou o cafuné e passou as pontas dos dedos em forma de carinho suave e delicado na face da Argentina, podiam estar sem falar nada um com o outro, porém só os toques conseguiam dizer muito, ademais, as melhores sensações da vida não são ditas e sim sentidas.

"Eu não consigo esquecer aquele beijo.

Nem vi o filme, só penso em te ver de novo.

O tempo provou que o meu amor era verdadeiro e que eu não era um maluco.

Não imagino a minha vida sem você."

A fala do filme fez finalmente os dois voltarem a atenção para a televisão, podia ser um filme brasileiro de comédia, com intenção de mostrar a vida real de uma mãe mas aquela parte mostrava a vida copiando a ficção, o sentimento sentido por ambos era o mesmo que fora descrito na cena.

O filme podia não estar acabando mas a vontade de se verem novamente e ficarem juntos tornava gigantesca dentro de seus peitos.

Não sabiam como iriam lidar com tudo que estava acontecendo em suas vidas, cada um tinha deveres nos quais não se encaixavam, no entanto, nada disso importava, não podia ser negado o que realmente acontecia naquele momento. O famoso "Amor verdadeiro não existe" se tornava inexistente para Paola e Henrique que nutriram um carinho prodigioso com o decorrer do tempo.

- Pao se eu te falar que não consigo acreditar no que está acontecendo você  acredita?

- Não acredita no que?

- Eu e você juntos aqui no sofá, isso é inacreditável. - Paola se indiretou no sofá ficando frente a frente de Henrique.

- A vida nos surpreende, quem diria que um dia eu estaria morrendo de vontade de ficar para sempre no abraço de um bad boy que sempre dava em cima das minhas funcionárias e saia com as menininhas na maior cara de pau, tudo isso no meu restaurante. - Riu ao lembrar do estagiário que mesmo saber lhe tirava dos eixos.

- E agora, estou com a menininha mais linda, e por cima é chefe de cozinha, minha ex chefe. Se naquela época você tivesse me dado uma chance eu podia sair com você e não com elas.

- Engraçadinho você né? Depois fala que sou eu. - Apertou a bochecha do homem e em seguida acariciou. - Fogaça acho que o destino pregou uma peça que me surpreendeu.

- E eu amo esse destino.

- Eu también.

- Sabe o que é mais louco pra mim? Não foi em uma festa que eu te conheci como todas que já sai, foi na cozinha fazendo o que eu mais amo, cozinhar. E agora, estamos no meu sofá abraçados.

- Isso é muito bom, a culinária é o que nos prende, nos conhecemos através dela. - Acariciou a face do homem que tinha os olhos brilhando. - É o que nos une.

- Paola, não fui eu que postou as fotos com a Fernanda. - Pronunciu, não conseguindo continuar sem se explicar para a jurada.

- No precisa explicar nada Fogaça eu...

- Ela tinha a senha do meu instagram e postou umas fotos mó antiga. No dia que ela apareceu no estúdio foi pra falar do nosso relacionamento que ela não aceita que acabou, falou dos nossos filhos, falou que devíamos voltar porque é melhor... E eu disse que não, não acho certo ficar com alguém que não sinto nada.

- E ela te beijou. - Completou, querendo ou não Paola sentiu um sentimento devastador quando viu a cena dos dois juntos e isso não podia ser refutado.

- Beijou, eu não queira que você tivesse visto aquela cena. Não sei se sou merecedor de ter sua amizade, você transmite carinho e paz para quem te rodeia, pois é uma pessoa muito gentil, por isso as pessoas se encantam com você, e eu sei disso porque hoje eu vi na livraria. - Passou a mão fazendo o contorno no rosto da chefe.

- Eu no posso te culpar e nem pedir explicações, eu mesmo tiro fotos do Jason e você não fala nada. Eu sei que você viu eu e ele na livraria e vi seu decepcionamento no olhar. Desculpa.

- Não precisa se desculpar, agora só estamos eu e você e mais nada lá fora nos importa.

- Só nós dois. - Passou os braços ao redor do peitoral de Henrique. Fogaça?

- Oi.

- Eu não entendo o porque nos aproximamos tanto, mas tê-lo comigo é incrível! - Voltou sua atenção para a face do maior. - Fogaça desde quando você me ama? - Lembrou-se da vez em que o homem havia falado que a amava, no dia quando deixou-a ainda mais confusa em seus pensamento. 

- Você Argentina não tem noção o quanto eu sofri calado por conta da paixão que sentia por você, que com o passar do tempo a tornei como um medo de não dizer a verdade, porque eu olhava para você de um modo diferente que você me olhava. - Encarou o abismo dos olhos de Carosella. - Você é uma mulher que ultrapassa a minha capacidade de sonhar, mais do que eu posso imaginar. Quando eu estagiei no Julia eu já sentia umas paradas por você. Mano eu era um moleque irresponsável. - Levou as duas mãos no rosto esfregando a face. - Só que mesmo sabendo que você era a minha chefe eu sentia algo a mais que nem mesmo eu entendia, só que você não dava moral e eu tinha certeza que muitos dos caras que trabalhavam lá também se encantavam com a linda chefe. Depois eu saí de lá e fui trampando até que abri o Sal... Casei, tive filhos e pensei que a sensação de vazio iria mudar, um vazio que não sei o porque sentia longe de você. Meus filhos são tudo pra mim mas sempre teve uma lacuna em meu coração que não se preenchia. Muitas das vezes eu me sentia horrível em não ser recíproco o amor que a minha esposa tinha por mim, então fui aceitando e adaptando a ideia que nunca eu poderia ter algum tipo de aproximação com você, então, tentei te esquecer. E aí surgiu o Masterchef e tive a oportunidade de trabalhar novamente com a minha ex chefe, eu nunca fui o mais religioso mas quando fiquei sabendo dessa segunda oportunidade que a vida estava me dando tive a certeza que Deus tem sempre um plano para nós, só precisa ter paciência em esperar. - Sorriu sozinho. - Porra Paola! Só em estar perto de você fazia com que eu saísse dos meus porões vazios que a vida me aproximou. - Falava sereno deixando sua voz mais grave que o normal. - E agora estou agarrado em você. Não estou sendo romântico até porque isso não é do meu perfil e você sabe disso, mas estou sendo sincero, porque quando somos sinceros de nossos sentimentos temos a sensação de estar leve. - Deu uma pequena pausa e depois prosseguiu. - Sentimos completos e com vontade de expressar tudo, eu sei que é estranho me ver falando essas paradas mas quero que saiba que são verdadeiras, porque o meu sentimento por você é verdadeiro. - Finalizou.

Sem reação com a declaração de Fogaça a única ação instinda que a chefe tomou foi tomar o rosto do homem segurando-o com as duas mãos e acariciando com o polegar seu queixo.

Paola o puxou delicadamente para si Inclinando-se para junto do chefe que agarrou em seu corpo. Quando seus rostos se encontraram, foi como se nada mais tivesse importância. Finalmente colaram os lábios gentilmente pressionando um no outro, explodindo em um apetitoso beijo onde as línguas saltitavam uma na outra.

A morena sentiu um calafrio quando Henrique sugou sua língua e deixou o corpo pesar sobre o dele, saboreando a sensação de segurança daqueles braços tatuados, deixando Jason e o resto do mundo seguir seu curso sem importância.

Terminaram o beijo com Paola mostrando seu explêndido sorriso deixando Fogaça um pouco sem entender do que se tratava.

- Por que você está rindo? - Perguntou levantando o queixo de Paola e dando um um selinho.

- Eu lembrei do dia da prova do ovo que o Fernado fez o ovo da Julia Chield e depois falou que era meu fã e não da Julia. - Continuou a rir. - E você disse: "Você tá bom de chaveco hoje né moleque".

- Ele dava cada chaveco em você, séloko.

- E você se mordia de ciúmes.

- Não.

- Claro que tinha ciúmes, não só dele mas do Marcos también. Ficava doido hein. - Provocou

- Ficava nada, você que tinha ciúmes.

- Eu? Desde quando?

- Desde de sempre, principalmente da Luriana.

- Você tá louco Fogaça?

- Não estou não, pode admitir você tinha ciúmes da Luri.

- Luri? Tem até apelido, bem próximos vocês né. - Arqueou sua sobrancelha.

- Viu, minha ciumentinha!

- Ela é linda mas nunca senti ciúmes de vocês dois.

- Eu sei que sentia. Pode ficar tranquila que ela é bonita só que não é você! Minha Argentina ciumenta. 

- Não preciso ter ciúmes de você com nenhum participante Fogaça. - Negou não querendo mostrar a pontada de ciúmes que muitas das vezes sentia quando o chef ficava olhando para a participante.

- Não? - Indagou

- No.

- Não mesmo? - Insistiu na pergunta percebendo Paola ficar incomodada. 

- Claro que não Fogaça. - Tornou a negar.

- Você mente muito mal mesmo.

- Por que eu teria? Eu tinha o Marcos na primeira temporada e o Fernando na terceira. Um tinha os olhos lindos, azuis, e o outro um humor contagiante. Ah, e agora tem o Dário. Ou seja, não preciso ter ciúmes.

- Caralho Paola, agora vai ficar falando desses ramelão? - Alterou o tom de voz deixando nítido sua irritação.

- Viu, você tem ciúmes sí - Voltou a ficar no controle, realmente não queria ter que admitir seu ciúmes pelo chefe. - Mas eu só beijo o Fogaça que morre de ciúmes de mim. - Fez beicinho beijando a lateral de seu pescoço tatuado, passando os lábios úmidos lentamente ouvindo-o suspirar proprofundamente.

Enfim, encostaram os lábios iniciando um profundo beijo molhado, Henrique pressionou os quadris contra os da mulher deitando gentilmente seu corpo no sofá.

Paola descansou sua cabeça sobre o coração do chefe ouvindo as batidas a cada minuto. Aos poucos foi sentindo seus próprios batimentos se acalmarem deixando sua visão turva, se dividindo entre permaner acordada ou dormir, sem perceber fechou os olhos finalmente entregando-se ao prazer de dormir e descansando dos labores do dia. 

- Eu te amo minha ciumentinha. - Foram as últimas palavras que ouviu antes de tudo escurecer.

Henrique acordou com o conforto e a maciez do corpo de Paola encostado no seu, admirou o rosto pacífico da mulher repousada em seus braços. Passou os dedos nos cabelos desgrenhado sentindo a raiz e o couro cabeludo, vendo vagamente a mulher abrindo os olhos se acostumando com a claridade.

- Te acordei? - Falou quase num sussurro.

- No. - Voltou a encaixar a cabeça do peitoral do homem. - Que horas é?

- 8:30.

- Você sabe onde eu coloquei a minha bolsa? Preciso saber da Fran.

- Acho que na cozinha, vou buscar. - Depositou um beijo na testa da chefe levantando cuidadosamente.

- Fogaça posso tomar um banho?

- Claro que pode, tem toalhas na segunda porta do guarda-roupa é só pegar. Enquanto isso vou fazer alguma coisa.

Paola se espreguiçou ativando todos seus músculos e dando um longo bocejo, pegou a toalha e foi até o banheiro deixando a água morna caindo e despertando seu ser. Escovou os dentes e desceu para cozinha, pegou o celular e não viu nada de Jason, predumiu que ainda estava dormido, então ligou para Lindalva.

- Buenos dias.

- Bom dia flor do dia. - Falou, o que fez a mulher rir pelo carinho de Lindalva com ela é sua filha.

- Dalva a Fran foi pra escola?

- Foi sim dona Paola, levei ela hoje de manhã.

- Ela perguntou de mim?

- Perguntou, eu falei que você tinha ido pro Arturito, fiz errado?

- Claro que no, obrigada.

- Magina!

- E Jason?

- Ainda não acordou, se ele perguntar quer que eu fale o mesmo?

- Por favor. E Mimi e tia Cláudia? 

- Estão bem, acordaram faz um tempinho. 

- Manda um beijo pra elas. 

- Mando sim.  Bom serviço Paola.

- Obrigada querida. - Se despediu desligando a ligação em seguida.

- Não vai comer comigo chefe? - Colocou o café da manhã na mesa.

- Vou sim. Só estava pensando...

- Pensando o que?

- Nada de mais. Hum, tem banana?

- Tem sim. - Sorriu sentando na cadeira.

-  A banana dura tem o sabor único. - Pronunciou mordendo um pedaço da fruta.

- Você ama me provocar né? Mas se quiser posso te mostrar que não está faltando caroço nessa banana. - Tentou segurar o riso falhando na missão. 

- Para de ser tonto. - Acompanhou o chefe na risada. 

+

Paola entrou pela porta principal do Arturito com um sorriso no rosto e passos leves. Há tempo  não se lembrava da última vez que se sentira assim tão… completa. Nem sabia que era capaz de sentir assim.

Sentiu seu celular vibrar na bolsa, abriu a mensagem de Henrique e foi incapaz de esconder o sorriso que brotou em seus lábios.

"Não consigo esquecer os seus beijos. Nem vi o filme, só penso em te ver de novo. "


Notas Finais


Então é isso, espero que tenha recompensado kkk (Ficou bem grandinho rsrs). Agradeço pelas sugestões que vocês dão, como a @fogasella que me deu a ideia de colocar o significado do anel e tem a @RainBubbler e a @Myrna_Sophia por falarem da janta e do elogio kkk, também agradeço pelos comentários que só me incentivam, e a @missromero que mesmo sem saber ilumina a minha mente kkk. Na verdade eu queria marcar o nome de todas mas iria ficar muito grande, então fiquem sabendo que estão marcadas em meu coração rsrs. Me desculpa se não consegui fazê-las imaginar a cena porque o que traz prazer na leitura é isso, tentarei mudar se preciso, é só avisar. Bjs e obrigada pelo apoio de cada uma. Ah, talvez eu demore pra postar mas vai ser sempre as quartas kkk #TodasAsQuartas.


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