História You make me begin - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Namjin, Vhope, Yoonmin, Yoonseok
Exibições 299
Palavras 2.269
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá~! Como prometido, estou aqui com o segundo capítulo <3

O título deste é um trecho da música "Change" da Christina Aguilera, não necessariamente porque toda a música combina com o capítulo, mas sim esse trecho em especial.
Espero que gostem, e obrigada a todos que estão lendo e às minhas lindas que comentaram.
Sobre essa capa linda, maravilhosa, foi feita pela ~Sacuracrss, obrigada, florzinha. <3
Nos vemos nas notas finais. <3

Capítulo 2 - Waiting for a change to set us free


 Havia passado três meses. Três meses desde que me atrasei mais do que o normal para o colégio. Três meses desde que voltei para casa estressado, por ter perdido minha manhã indo para uma aula que depois foi cancelada. Desde que conheci um garoto de cabelos ruivos estranho — ou gentil— o suficiente para manter uma conversa de mais de cinco minutos comigo. Desde que comecei a morar com meus tios.

 Três meses desde que meu pai morreu.

 Naquele dia, enquanto caminhava para minha casa, ouvindo ainda minhas músicas favoritas e me martelando por não ter nem ao menos pedido o número, ou perguntado o nome, do garoto ruivo que conhecera no ônibus — porra, eu estava com o celular na mão, não seria estranho pedir seu número— me surpreendi ao notar que havia várias mensagens de minha mãe, pedindo que a ligasse assim que as visse.

 Não hesitei em discar seu número. Não éramos do tipo de mãe e filho unidos que compartilhavam de seus problemas um com o outro, então aquela quantidade exagerada de mensagens me assustou. Porque quando um de nós estava com problemas, a primeira pessoa a quem recorríamos era meu pai, e nem passou por minha cabeça que ele iria criar um laço forte entre nós. Não daquela forma, da pior possível.

 Quando cheguei ao hospital, minha mãe me recebeu com um abraço forte, totalmente diferente daqueles que ela me dava quando era meu aniversário, ou natal — essas eram as únicas épocas em que trocávamos aquele tipo de carinho. Era um abraço necessitado, e ela certamente não era a única que precisava dele naquele momento.

 Meu pai havia sofrido um acidente, seu carro se chocara com outro, que vinha em alta velocidade, dirigido por um adolescente bêbado, que voltava de uma festa com sua namorada e cunhado, também bêbados e menores de idade. O rapaz simplesmente perdeu o controle do carro, e não enxergava direito — palavras do próprio—, entrou na frente de meu pai, o qual agora visitava uma vez todo mês no grande cemitério da cidade.

 Logo ele, que ia tranquilamente para seu trabalho. Ou era isso que eu sabia, até que, uma semana depois do acidente, ouvi minha mãe e minha tia conversando. Meu pai dirigia acima do limite de velocidade naquela manhã, o que intensificou a batida. Ele estava apressado. Atrasado, coisa rara. Atrasado porque eu acordara tarde demais e mesmo assim insisti para que ele me desse uma carona.

 E foi depois de descobrir isso, que até hoje eu não saberia se não tivesse ouvido aquela conversa, que eu vou até aquela lápide, entregar-lhe as flores que ele adorava dar a minha mãe, rezo o que ele me ensinou quando criança —que estava em desuso há tempos— e peço desculpas.

 

 Voltei para casa. Melhor, para a casa de meus tios, onde estava morando desde que minha mãe decidiu voltar a morar na casa de minha avó. Uma mãe deveria ser a melhor pessoa para cuidar de você nesses momentos... ela deve ter pensado isso, por isso foi sozinha e me deixou aqui.

 Decidiram por mim que o melhor seria ficar aqui até o fim do ano letivo, essa casa ficava a alguns poucos quarteirões do colégio e todos acharam que eu ficaria pior se me mudasse do nada, sem tempo para me despedir de meus amigos.

 Claro que eu sou jovem e inocente demais para perceber que essa é a desculpa mais mal elaborada que poderiam ter me dado. Todos sabiam que eu não tinha amigos, e que estava pouco me fodendo por sair daquela escola sem graça. E isso era ainda pior, porque eu imaginava o verdadeiro motivo de ter ficado ali: minha mãe não queria que seu filho a visse na pior fase de sua vida, ou ainda pior, ela poderia não querer minha companhia naquele momento, porque eu não era a melhor opção. Eu nunca fui a melhor opção.

 Assim que fechei a porta atrás de mim, tirei meu tênis que estava sujo por conta da lama que se formava lá fora, com a chuva fina. Peguei-o com uma das mãos e segui até meu atual quarto, subindo as escadas quase correndo, estava molhado e só agora percebia que fazia frio. Senti meu celular vibrar em meu bolso e o peguei, guardando o tênis em uma das caixas que já estavam arrumadas num canto. Não gostava de ser desorganizado ali. Aquela não era a minha casa.

Mãe: Estou ansiosa para vê-lo. Você irá adorar nossa nova casa.

Espero que esteja bem, querido. Beijos.

Às vezes, me sentia meio culpado por não estar nem um pouco ansioso para encontrá-la novamente, não depois dela ter me deixado nesta casa, com pessoas praticamente desconhecidas, por três meses sem uma única visita sequer. Desliguei meu celular, tomei um banho quente e deitei. Não queria nada me incomodando, era meu último dia ali.

 

 —...Gi! Yoongi!

 Ouvi aquela voz calma, porém firme, me chamar e puxei o cobertor, cobrindo todo meu corpo; não importa o quanto cresça, acordar cedo continuava sendo horrível, ainda mais depois de uma noite cheia de pesadelos.

 O dono daquela voz era Seokjin, o qual todos — inclusive eu— chamavam carinhosamente de Jin. Ele era alguns anos mais velho que eu, fazia psicologia há algum tempo na universidade mais cara do estado, estava sempre bem arrumado, era educado e gentil, tinha tudo para ser o tipo de cara chato que eu tenho aversão, mas era a melhor pessoa que já conhecera, e muito provavelmente, continuaria sendo.

 — Vamos, Gi! — Falou, ao perceber que eu não dava sinal algum de querer levantar.

 — Você sabe que detesto apelidos. — Tirei o lençol de meu rosto, o encarando, para mostrar o quanto estava irritado.

 — Sim, sei também que você sempre responde a isso, mesmo que esteja morrendo de sono.

 Sorriu, e eu revirei os olhos, sentando-me e coçando os olhos, segundo o relógio de parede, eram 6:30h, quem acorda a essa hora em seu primeiro dia de férias? Jin bagunçou meus cabelos, os acarinhando, ele era a única pessoa cujos carinhos me pareciam sinceros.

 — Vamos tomar um cafezinho. — Se dirigiu até a porta, levando consigo uma de minhas malas. — Aproveita e traz alguma coisa logo para baixo. Ah, todos estão te esperando, melhor vir logo.

 — Okay.

 Depois de fazer minha higiene pessoal e vestir uma roupa decente, peguei uma das poucas bagagens que estava ali e desci as escadas devagar, a larguei na sala e segui até a cozinha, onde meu primo e seus pais me esperavam numa mesa farta. Tinha sido assim todos os dias, mesmo que tivessem seu dia apertado com o trabalho e a faculdade, eles não me deixavam fazer qualquer refeição sozinho, e eu não sabia ao certo o que sentia ao saber que aquele era o último dia que teria aquilo. Sentei sem hesitação, desejando um “bom dia” que foi correspondido por todos.

 — Ansioso, Yoongi? — Perguntou meu tio, que terminava seu café.

 — Um pouco. — Respondi, também terminando minha refeição. — Obrigado por tudo que fizeram esses últimos meses.

 — Imagina, querido. — Falou minha tia, igualzinho a minha mãe, elas eram muito parecidas. — Foi um prazer tê-lo aqui.

 — Ah, passou tão rápido! — Suspirou Jin, levando meus pratos junto ao seu até a pia. — Sinto como se estivesse perdendo um irmão mais novo.

 — Eu não vou para outro país, Jin. A nova casa fica a algumas horas daqui. — Revirei os olhos, fazendo os outros rirem.

 

 Estávamos apenas eu e Jin naquela casa enorme quando meu novo vizinho, e melhor amigo, chegou. O conheci no velório de meu pai e desde então temos mantido contato. Às vezes, ele me servia de diário, contava grande parte das coisas que estava sentindo, em parte por ele também ter perdido o pai há algum tempo, e porque ele, somado a Jin, eram as únicas pessoas que me passavam segurança e pareciam se preocupar realmente comigo.

 Meu primo-irmão me acompanhou até a entrada da casa, me ajudando com as quatro malas que continham todos meus pertences. Um pouco mais a frente, conversavam distraídos meu amigo e sua mãe, sem notar nossa presença a apenas alguns metros.

 — Yoongi, vem cá. — Virei-me, curioso, e fui tomado por seus braços, eu detestava abraços, mas aceitei e retribui ao seu. — Sei que não gosta desse grude, e que não se sentiu tão confortável aqui.

 — Isso não é verdade! — O interrompi, e ele fez o mesmo comigo, não me deixando continuar, e nos afastou.

 — Não precisa mentir, ok? Não para mim. — Sorriu, bagunçando meus cabelos. — Vou sentir muito sua falta, não só eu, de verdade. Ligue ou mande mensagens sempre que precisar... e mesmo que não precise.

 — Okay. Obrigado. — Sorri, o sorriso mais sincero que consegui soltar naqueles últimos meses, e o vi me retribuir quando completei: — De verdade.

 

 Passei grande parte do caminho tentando dormir, o que parecia quase impossível já que Hoseok falava sem parar de como eu iria adorar tê-lo como vizinho, como não me deixaria ficar sozinho em meus dias depressivos — não me pergunte de onde ele tirou a ideia de que eu me trancava no quarto quando estava triste—, e de como eu ia amar um outro amigo seu e a minha nova escola. Eu revirava os olhos todo o tempo, mas no fundo estava achando aquilo engraçado, nunca tivera tanta atenção só para mim, nunca tivera atenção quando eu realmente a queria, e ele sabia que eu estava gostando, porque continuava me bajulando.

 Não percebi quando, mas acabei adormecendo, já que a viagem até a cidade vizinha, onde ficava minha nova casa, durava em torno de 3h, Deus me livre passar todo esse tempo ouvindo aquele tagarela.

 Quando chegamos, me surpreendi um pouco, a casa a minha frente era totalmente diferente de como imaginava que seria: tinha muitas janelas, suas paredes eram de um branco que se aproximava ao bege, suas portas e janelas, de madeira pintadas num marrom bonito, tinha até um jardim pequeno em sua entrada, que era a única coisa que a assemelhava a nossa antiga casa, e era a parte favorita de meu pai naquela.

 Me surpreendi ao ver minha mãe saindo dali e vindo em minha direção, não sabia como reagir, na verdade. Ela parecia cansada, muito cansada, as olheiras abaixo de seus olhos denunciavam as noites mal dormidas, eu não era o único sofrendo com aquela situação. E acabei por abraça-la, não sei, estava com saudades do abraço que recebi meses atrás, e que parecera o mais forte de toda minha vida.

 — Estava com saudades, filho. — Ela me falou, com uma voz calma que não estava acostumado. — Vamos, eu te ajudo a levar tudo para dentro.

— Não precisa, senhora Min. — Falou Hoseok, que estava logo atrás de mim. — Eu o ajudo. Vamos lá, mocinho.

 Praticamente me puxaram até meu novo lar, o qual esperava ser capaz de chamar assim logo, porque, a cada passo que eu dava ali, percebia que cada detalhe parecia ser do meu gosto, e me senti meio mal por todas as coisas ruins que nutri por aquela mulher durante aquele tempo que passamos separados.

 Meu quarto era muito espaçoso, e logo Hoseok pareceu se adaptar a ele, escolhendo até mesmo onde eu guardava cada uma das minhas coisas. Ele realmente me ajudou, pois nunca tive paciência para arrumações, por mim ia tudo para qualquer espaço que coubesse.

 Minha mãe o convidou para jantar conosco, e até dormir ali e, como eu esperava daquele cara que conhecia há três meses e já considerava meu melhor amigo, ele aceitou sem hesitação alguma, mesmo que morasse na casa da frente.

 Jantamos conversando sobre algumas bobagens, coisas sobre meu antigo colégio e o novo, sobre meus amigos, que não existiam — para minha família, colegas e amigos são a mesma coisa—, e sobre meu futuro ali. Para ser sincero, estava ficando mais empolgado do que imaginava, as coisas pareciam finalmente se encaixar um pouco. Eu finalmente sentia que estava em um lugar que era meu. De verdade, como diria Jin.

 

 — E então, Yoongi, o que achou de sua nova casa? — Me perguntou Hoseok, quando já estávamos deitados para dormir, em meu quarto, porque este se recusava a ficar no de hóspedes.

 — Um pouco melhor do que imaginava.

 Continuei encarando o teto, e agradeci por não poder ser visto naquele escuro, minhas expressões nunca eram as melhores durante a noite. Até que percebi um peso ao meu lado, me empurrando para o canto.

 — O que está fazendo aqui, porra?

 — Vou dormir aqui, ué.

 — Tem um colchão ali no lado, Hoseok.

 — Mas aqui é mais quentinho.

 Puxou um pouco do meu cobertor, contra minha vontade, e me acompanhou na observação do teto, este tinha uma cor diferente do resto do quarto, o que o destacava durante a noite. Pensava em algumas coisas aleatórias, até que Hoseok começou a rir, aquele riso idiota que só ele poderia ter.

 — O que foi agora? — Revirei os olhos, o encarando.

 —Estava pensando aqui... você é mesmo uma pessoa legal, Yoongi. — Continuei a olha-lo, confuso, até que ele também virou seu rosto para mim. — Prometo que vou te fazer se sentir confortável de verdade aqui.

 Senti meu rosto esquentar um pouco, não era comum para mim ficar com vergonha, mas também não era nem um pouco, ser elogiado. Se é que “legal” seja considerado um elogio. Virei-me bruscamente, antes que começasse a ser zoado, e puxei o lençol ainda mais para mim, o deixando descoberto.

 — Cala a boca, idiota.

 — Boa noite pra você também, amiguinho.

 Eu não via seu rosto, mas tinha certeza de que havia um sorriso satisfeito nele. Fechei meus olhos e logo dormi, não tive pesadelos naquela noite, coisa que não me acontecia há três meses.


Notas Finais


Não esqueçam de comentar o que acharam do capítulo!
Um beijo no coração. <3


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