História You Make Me Begin - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Namjin, Vhope, Vkook, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 27
Palavras 5.449
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olar!
Cês tão bem? Eu particularmente to cansada pra caramba (dica da tia: nunca vão em festas de faculdade achando q vai ser só diversão, no dia seguinte vcs tão só o bagaço10, mas vida que segue
Cap novo, fresquinho porém... não tem muita interação entre os dois e também pouca coisa acontece por motivos de: capítulo ponte, essencial pros próximos acontecimentos da história
Espero que gostem mesmo assim e que não desistam da fic auhsauhs
An... eu ia recomendar a música, mas acho que não faz muita diferença, então só bora ler

Capítulo 5 - "Não era como se eu tivesse escolha..."


Três semanas e quatro dias. Esse foi o tempo que fiquei internado depois do acidente. Praticamente não adiantava nada voltar pra universidade, que tinha acabado de entrar de férias, logo, eu tinha saído do hospital pra fazer altos nadas, o que não era muito ruim. Acordei cedo, animado pelo meu último dia naquele lugar, mas preocupado com uma coisa.

Jeon Jungkook, o garoto que sequer comeu na noite anterior, quando Hyorin e o meu médico vieram felizes anunciarem minha alta. Ele também estava acordado, ao contrário de mim, com uma cara que expressava bem sua infelicidade, sentado na cama olhando pro nada.

– Kookie? – O chamei enquanto arrumava minhas roupas. Nem reação. Cheguei mais perto. – Jungkook? Tá me ouvindo?

Nem sinal de vida. Já tinha me acostumado com seus momentos de silêncio, em que ele ficava totalmente desligado do mundo, absorto na própria mente. Mas sentia que daquela vez era diferente. Me sentei do seu lado e apoiei minha cabeça no seu ombro, fazendo com que ele se levantasse em choque.

– O que está fazendo?

– Te trazendo de volta pra terra. Sabe que dia é hoje?

– Sei. Tchau. Era o que queria ouvir? Pode ir agora. – Ele me empurrou da sua cama e se deitou de novo, se virando de costas pra mim. Entendia por que ele estava assim, só que...

Não era como se o hospital fosse um hotel, onde eu podia pedir pra estenderem minha estadia, trazerem café da manhã na cama e lavarem minhas toalhas. Eu tinha que sair e ele precisava entender aquilo. E, claro, entender mais uma coisinha simples.

Eu não o largaria ali, sozinho. Havia me apegado vergonhosamente a ele, de uma forma estranha sentia que precisava protege-lo e faria isso, obviamente. Mas fazer aquele guri teimoso entender isso parecia mais difícil que convencer o Yoongi a tomar banho.

– Jungkook, já conversamos sobre isso. Eu não vou te largar aqui.

– Engraçado, é exatamente isso que você tá fazendo. – Ele se sentou, cruzando os braços e me encarando com uma expressão magoada. Me sentei de novo do lado dele e baguncei seus cabelos.

– Sabe que eu preciso ir, não sabe? – Ele revirou os olhos. – Eu vou sempre voltar, te visitar até sair daqui.

Ele bufou, assentindo com a cabeça e voltando a se deitar. Ia chamar sua atenção mais uma vez, mas Hoseok entrou no quarto, sorrindo largamente.

– É hoje! Finalmente! – Ele se pendurou no meu pescoço, como um maldito coala. Fiz sinal de silêncio e apontei com o queixo pro Jungkook. Hope mordeu o lábio, se afastando devagar. – Desculpa.

– Não... tá tudo bem. Onde estão os outros?

– No carro. Namjoon queria subir e dar oi pro Jungkook, mas o Yoongi tá com um pouco de pressa, a mãe dele ligou pedindo um favor e...

– Hoseok, eu só perguntei onde eles estavam. – Dei uma risada fraca e ele bagunçou os cabelos, desconcertado.

– Foi mal, me empolguei. Mas os dois disseram que vão passar aqui de tarde pra ver o Kook.

– Me ver? – Jungkook ergueu o tronco e Hobi confirmou. – Mas... por quê?

– Como assim “por quê? ”? Jungkook, a gente gosta de você, ué, queremos saber como você está. – Ele me olhou, com uma cara fofa de confusão e eu dei de ombros.

– Não quer que a gente venha mais? – Perguntei, o provocando. Ele sabia que não íamos abandonar ele, mas digamos que saber e botar fé são coisas diferentes. Suspirou, me olhando com tristeza.

– Não quis dizer isso. Só tô surpreso.

Hoseok puxou levemente minha camiseta, me chamando com o olhar. Yoongi provavelmente estava comendo o estofado do carro naquele momento.

– Kookie, eu preciso ir... eu volto amanhã, tá bom? – Observei seus ombros encolherem, seu corpo murchar enquanto ele voltava a deitar na cama, fazendo pouco caso. Respirei fundo. Não achava que seria uma coisa tão difícil, mas conforme me afastava do quarto, meu peito apertava num sentimento que eu conhecia bem. Jungkook era tão frágil, como eu poderia deixa-lo sozinho?

– Tá tudo bem? – Hoseok me olhava com dúvida e eu sorri, tentando fazer com que acreditasse em mim.

– Eu tô ótimo. Agora vamos sair daqui porque eu quero um sorvete já faz um mês!

O abracei de lado e descemos, indo até o carro. Depois da bronca do Suga e das reclamações do Namjoon, finalmente estávamos livres, ou melhor, eu estava fodido porque a cambada certamente iria acampar na minha casa.

[...]

– Tae, nós viemos aqui todos os dias enquanto esteve internado. – Hoseok comentou, animado. – Aguamos suas plantas, cuidamos da poeira... Namjoon até comprou comida pra abastecer a geladeira.

– Eu ia falar que você tá me devendo uma, mas já comemos toda a comida de qualquer forma, então deixa quieto. – Ele foi até a minha geladeira (eu devia colocar um cadeado nela, sinceramente) e pegou uma cerveja, se sentando no meu sofá. – Sentimos sua falta, não é a mesma coisa sem você aqui.

– Será se é por que essa é a minha casa? – Dei um riso soprado, indo até meu quarto. Era incrível como nada havia mudado.

Minha cama continuava a mesma, o edredom bagunçado como no dia que saí de casa. A luz entrava fraca pela janela, iluminando tudo ainda mais conforme eu abria a cortina. Desfiz minhas malas e voltei pra sala, onde os meninos jogavam vídeo game e conversavam.

– Onde o Yoongi se meteu? – Perguntei me sentando na poltrona do lado deles e pegando um pacote de salgadinho.

– Lembra que a mãe dele tinha ligado? Parece que ela tem uma consulta com o médico e precisa que ele a leve.

Assenti com a cabeça. Invejava um pouco a relação do Suga com a sua mãe. Como seu pai havia se separado da sua mãe ainda durante a infância, ele se tornou muito mais apegado a ela e vice-versa. Mesmo que ela tivesse se casado de novo e tido um outro filho, a relação dos dois era bonita, principalmente pelo cuidado que ele tinha, diferente do que com as outras pessoas. Enquanto eles jogavam, mandei uma mensagem pro Jungkook, desejando que ele estivesse bem o hospital. Dependíamos do carro do Suga, já que o do pai do Namjoon foi destruído no acidente (e o coitado teria que trabalhar as férias todas pra pagar pelo conserto) e o hospital era um pouco longe, de forma que era praticamente impossível voltar pra visita-lo até que Yoongi voltasse da sua mãe. Pretendíamos ir no fim da tarde e no dia seguinte.

– Tae, quer jogar? – Hoseok me passou o controle, mas eu neguei com a cabeça. Ainda estava no celular, mais precisamente no perfil do Kook no facebook. Sua última atualização havia sido dois dias antes do incidente, um vídeo de gatinhos do 9gag. Fiquei imaginando como seria sua reação se eu o zoasse por aquilo e por um segundo, senti falta. Conseguia visualizar seu sorriso, os dentes da frente levemente tortos, as bochechas pressionando os olhos enquanto ele ria e me mandava tomar no cu. Namjoon soltou um suspiro.

– Esse aí tá com a cabeça em outro lugar, Hope. Esquece.

– É, mais precisamente com a cabeça no hospital. – Ele soltou uma risada fraca e se sentou de volta no sofá, começando outra partida. Revirei meus olhos, sabia que eles iam me zoar, mas já estava acostumado. Aquele grupo era uma sessão infinita de piadas internas.

– Você e aquele menino estão juntos? – Namjoon perguntou, como quem não quer nada, pressionando os botões com força.

– Primeiro: calma ou você vai quebrar mais um controle. O cara da loja de eletrônicos já tá quase me dando um cartão fidelidade de tanto que eu compro lá. – Ele fez uma careta, mas parou de esmagar meu pobre joystick. – Segundo: Jungkook e eu somos amigos. Eu só quero ajudar ele.

– Com o lance da depressão? – Hoseok me levantou uma sobrancelha.

– Isso.

– Hum... – Namjoon franziu a testa, mas não em disse nada. Suspirei, irritado.

– O que foi? Não acreditam em mim?

– Não é isso, Taetae... é só...

– Não é uma boa ideia tentar salvar o menino.

– Eu não quero salvar ele. – Respondi Namjoon na defensiva. Odiava estar na defensiva, na verdade, me sentia pressionado a justificar coisas desnecessárias. Porém, a forma com a qual os dois me olharam queria dizer alguma coisa e eu queria saber o que.

– Tá, que seja. Não é saudável nem pra você nem pra ele essa dependência que pode acabar se formando. – Me mexi no lugar. – Ele pode acabar vendo você como salvação e passar a viver por sua causa.

– Aí você só vai transferir a dependência dele dos remédios pra dependência dele em você.

– Não preciso que vocês me expliquem como funciona a depressão, acredito que já sei o bastante. – Respondi, seco. Estava começando a me estressar com aquela conversa, mas Namjoon não parecia se importar.

– Você melhor que ninguém devia saber disso...

– QUER CALAR A BOCA, NAMJOON? – Explodi. Observei Hoseok colocar a mão no ombro do Mon e olhar ele com repreensão. Ele havia tocado na minha ferida. Se desculpou baixinho e voltou a jogar, sem falar comigo. Me senti subitamente mal, não era como se ele tivesse culpa. Na verdade, na história toda, eu era o único culpado.

[...]

Os meninos ficaram o dia todo. Jogaram vídeo game até cansar, assistiram filmes e pediram pizza, tudo pra não me deixar tão sozinho. Esperamos pelo Yoongi pra visitar o Kookie, mas ele não deu sinal de vida. Enviei uma mensagem de desculpas pro Jungkook, justificando a situação. O Min não era a pessoa mais pontual do mundo e estava aproveitando o dia com sua mãe, logo, não fazia sentido pirar por ele não ter aparecido. Tomei um banho e acabei pegando no sono no sofá da sala depois que os dois foram embora.

Acordei de madrugada, com as costas doloridas e desacostumadas. Meu celular piscava na mesa da cozinha, vibrando alto na noite silenciosa. Fui até ele, me contorcendo pra fazer minha coluna voltar nos eixos. Pensei em quem diabos estaria me ligando as duas da manhã e meu coração disparou ao pensar que poderia ser o Jungkook. A voz que me cumprimentou, porém, era bem diferente.

– Tae?

– Jungkook? – O ouvi suspirar do outro lado da linha.

– O que... não, Taehyung, não é o Jungkook! Céus! – Namjoon parecia chateado.

– O que foi? Por que tá ligando a essa hora?

– Porque o seu precioso Kookie não é o único que tem problemas. Você precisa vir pra casa do Suga. Agora.

Ele não me esperou responder, desligando na minha cara. Senti um arrepio percorrer minha espinha, sua voz não parecia brincar, na verdade eram raras as vezes que ele falava daquele jeito. Agradeci mentalmente por não ter trocado de roupa antes de dormir, colocando apenas um tênis antes de chamar um taxi. Alguma coisa me dizia que tinha uma tempestade chegando.

[...]

Praticamente voei do carro ao ver a porta da casa do Yoongi aberta e as luzes da sala acesas, como se estivesse tendo muita movimentação. Na sala, jogado no sofá, Min Yoongi, que soluçava alto, completamente bêbado e machucado. Hoseok segurava sua cabeça no colo, com medo que ele vomitasse e se engasgasse. Namjoon estava de pé, com a mão na cintura, andando de um lado pro outro.

– O que aconteceu?

Namjoon me fez sinal pra seguir ele até a cozinha, o que eu fiz. Assim que encostou a porta e se certificou que Yoongi não ouvia, começou:

– Yoongi foi com a mãe no médico. Parece que ela tá doente. Tem tipo, muito tempo, mas eles só descobriram agora. Eu não sei exatamente o que é, ele começa a chorar toda vez que toca no assunto e não consegue terminar de falar. Mas é grave. Com os tratamentos, o médico deu mais ou menos uns oito meses de vida.

– Caralho... – Me sentei na cadeira, absorvendo toda aquela informação. Yoongi tinha sua mãe como a coisa mais preciosa do mundo pra ele, não conseguíamos imaginar como seria pra ele ficar sem ela. Namjoon suspirou.

– O pior não é isso. A mãe dele não quer fazer o tratamento. O tempo dela diminui pela metade desse jeito, isso sem falar nas dores, enjoos... ela vai literalmente definhar até a morte sem o tratamento e mesmo assim se recusa.

– Como você soube disso tudo? – Estava curioso pra saber exatamente quando tudo desandou. De repente Yoongi estava sem família, eu quase tinha morrido e tudo havia virado de ponta cabeça. Já não éramos mais adolescentes do ensino médio, íamos pra faculdade, perdíamos pessoas que amávamos. A vida adulta chegou até nós de forma cruel (mesmo que eu já tivesse experimentado o gosto da morte antes, não deixou de doer).

– Me ligaram de um bar. Acharam meu telefone na carteira dele, depois que ele se meteu numa briga. Foi a primeira vez que eu resgatei meu melhor amigo de uma vala, bêbado e todo fodido... você não gostaria de ver o que eu vi. Ele tá destruído.

A breve visão que eu tive na sala foi o suficiente pra me convencer de que era real. Não sabíamos exatamente o que fazer, mas fazíamos a nossa parte. É duro ver alguém que você ama sofrer. Dá vontade de tomar a dor pra si, de proteger a pessoa do mal que o mundo exala, de acelerar o tempo pra algum momento em que tudo passe. Mas não acontece. Ao invés disso, tudo o que podemos fazer é estar lá, existindo, mostrando pra pessoa que não importa a situação, você continuará ali. Pra fazer sorrir ou secar as lágrimas, a função mais bonita da amizade. Yoongi, Hoseok e Namjoon sabiam do que tinha acontecido comigo. Eles iam no cemitério nos dias que eu precisava ir, me observando de longe, vestindo preto.

E eu desejava em todas as minhas orações que eu não tivesse que ser o cara de luto no fundo, vendo meus amigos sofrerem em silêncio.

Não sei quanto tempo fiquei na cozinha. De repente, as horas se arrastaram. Ouvia na sala Yoongi ter lapsos de consciência, onde ele acordava, chorava, vomitava e voltava a apagar. Hoseok foi paciente, o levou no banheiro várias vezes, segurando sua cabeça enquanto ele gorfava pra fora toda aquela bebida. Namjoon caiu no sono umas cinco da manhã, no tapete.

Foram poucas as vezes nas quais vi Suga fora de controle. Apesar da fama de irresponsável, ele era calmo e até meio preguiçoso pra fazer barraco, o que o grupo agradecia (já basta o Hoseok). Mas em todas as poucas vezes, ele se tornava perigoso, pra si e pros outros. Todos os três tínhamos um medo em comum, um que não ousaríamos falar em voz alta, mas que faria com que ficássemos do lado dele de qualquer jeito, até que ele melhorasse.

Lá pelas sete, Hope sugeriu que Yoongi fosse pro quarto, praticamente arrastando ele. Se sentou do lado da sua cama, derrotado pelo cansaço como Namjoon, que levantou pra fazer café. Fui até o quarto.

– Hoseok, pode ir pra casa... tomar um banho, dormir um pouco...

Hoseok havia deixado sua casa na chuva e chegou até o Min correndo na rua, praticamente voando entre os quarteirões que separavam suas casas. Tinha suado, se molhado e estava com os tênis marrons de lama. Mesmo assim, parecia melhor que o Suga e se recusava a deixa-lo.

– Eu estou bem. Ele precisa de mim.

Era de se esperar que o carinho do Hobi fosse maior pelo mais velho do que pela gente, uma vez que eles já se conheciam antes de nós dois cruzarmos seu caminho. Segundo ele, os dois eram amigos de infância. Admirava a fidelidade do meu amigo, mas me preocupava.

– Eu... vou passar em casa e trazer umas roupas então, ok? Você pode acabar ficando doente. – Ele só assentiu com a cabeça, então saí de fininho. Sua mão segurava a do Suga com cuidado. Por um segundo, olhei pros dois de forma diferente. O cuidado que ele estava tendo era o tipo de dedicação que me lembrava do Kook. Meu peito apertou, sentia um pouco de saudade do caçula, mas com todo o rolo com o Yoongi, não podia me dar ao luxo de sair de perto dele. Rezei pro Kookie estar bem durante o tempo em que eu ficaria longe.

[...]

Eu estava fisicamente exausto. Mal tinha saído do hospital, depois de um mês sem deixar minha cama e já estava dormindo no sofá, comendo porcarias e virando a noite em claro. Entrei embaixo da água quente, deixando meus músculos relaxarem conforme pensava mais uma vez em tudo.

Yoongi ia perder sua mãe. Uma dor que eu infelizmente conhecia e não desejava nem pros meus inimigos.

Saí do banho e meu celular tocou. Não reconheci o número, mas reconheci bem a voz do outro lado da linha.

– Taehyung?

– Jimin, oi! – Sua voz parecia arrastada. – Como o Jungkook está?

– Indo. Ele não gostou de perder o colega de quarto. – Peguei a indireta e corei um pouco. Jimin não parecia muito ir com a minha cara, especialmente quando eu havia acabado de deixar o melhor amigo dele sozinho. Relevei, não era como se eu tivesse tempo pra brigas desnecessárias.

– É... assim que tiver tempo, passarei pra visitar ele. – Não comentei exatamente o porquê de não ter ido no dia anterior. Não era a minha história, não podia fazer aquilo com o Suga. Além disso, havia perdido a conta de quantas mensagens eu tinha enviado pro número do Kook avisando que não poderia ir, não era como se eu tivesse abandonado ele. Sua voz soou ainda mais fria.

– Jungkook disse que iria ontem. E hoje. Não apareceu, não é?

– Aconteceram algumas coisas. Prometo que assim que tudo se acalmar, eu...

– Vou ser sincero com você, Taehyung. Não gosto que fique próximo do Kookie. Ele é muito apegado e sensível e dá pra ver que você não dá tanta importância pra isso. Nem você nem o Yoongi. Ele não precisa de mais pessoas pra entrarem na vida dele e sair como se tivesse ok largar alguém.

Foi só aí que eu percebi a situação. Jimin já tinha se envolvido com o Yoongi e, a julgar pelas suas palavras, foi um caso de uma noite. Com certeza o Park estaria rancoroso e pior: acreditando que todos no grupo eram iguais ao meu amigo safado. Suspirei. Como explicar tudo sem envolver o Suga?

– Jimin, eu me importo com o Jeon. De verdade. Eu queria poder fazer você confiar em mim e entender o que está acontecendo sem ter que falar tudo, mas sei que não vai ser possível, então só me escuta. – Ele bufou do outro lado da linha e eu sentei na cama. – Eu não sei o que caralhos aconteceu entre você e o Yoongi, mas eu não tenho nada a ver com isso. Não sou o Suga, não namoro ele e nem namoro o Jungkook. Ele não é meu único amigo e não é a única pessoa precisando de mim agora. Sinceramente, você fala como se só eu tivesse a responsabilidade de estar com o Kook, cuidar dele e ajuda-lo. Mas você também é amigo dele e se eu quisesse jogar na sua cara quantas vezes você foi babaca com o menino, poderia usar de exemplo todas as que você simplesmente foi embora antes do horário de visitas acabar pra ir se comer com o Suga em festas. Eu sei, ele me contou. Eu não me importo com isso, é a sua vida, você não vive em função do Jungkook e tá tudo bem. Mas não me obrigue a fazer isso, não quando nem você mesmo é capaz de fazê-lo.

Eu estava sendo um imbecil, jogando verdades na cara do Jimin afim de machucar ele e fazê-lo esquecer do que acontecia entre Jungkook e eu. Provavelmente ele não me perdoaria.

– Eu tinha razão em achar vocês uns filhos da puta.

Ele desligou na minha cara e eu deixei meu corpo cair na cama. Eu estava fazendo certo, não? Além de Yoongi ser meu amigo a muito mais tempo, Jungkook tinha um hospital inteiro pra cuidar dele. Suga... bem, Suga tinha nós três. Mesmo sabendo disso, meu coração ficou um pouco pesado ao imaginar Kookie me esperando. Tentei ligar, mas chamou até cair. Me contentei em deixar outras quatro mensagens pedindo desculpas sinceras. Juntei algumas roupas e saí de novo, cansado.

[...]

– Como ele está? – Perguntei ao entrar. Namjoon estava largado na cadeira da sala, Hoseok tinha Yoongi apoiado no seu ombro. E ele estava tão diferente do que eu conhecia... manchas escuras cavavam sua pele clara ao redor dos olhos que estavam vermelhos por causa do choro. Nos seus braços, hematomas da briga na noite anterior, curativos na testa e pescoço. Min Yoongi estava destruído fisicamente e psicologicamente. Joguei uma mochila no colo do Hope e me sentei do lado deles.

– Tá melhor. Já acordou e tudo mais. Mas ainda não quer comer. – Namjoon falava com a voz arrastada, como se estivesse tão cansado quanto nós. E talvez estivesse mesmo. Não dormiu nem duas horas direito e tinha que lidar com as ligações constantes da mãe do Suga, perguntando do filho. Yoongi ainda não tinha ido visitar sua mãe depois da descoberta e eu sabia bem porquê. É foda ter que olhar pro rosto da pessoa sabendo que em questão de tempo ela não vai estar mais ali. É ainda mais foda ter que sorrir, confortar a pessoa com a ideia da própria morte quando nem você aceitou. Ele precisava de um intervalo pra assimilar tudo, mas provavelmente sua mãe não tivesse esse tempo.

– Hoseok, vai tomar um banho. Vai ficar tudo bem. – Essa é a pior frase do mundo.

Sinceramente, por mais real que “vai ficar tudo bem” possa soar, é simplesmente a frase mais geral que existe, incapaz de curar qualquer dor. Me odiei por dizer aquilo, mas precisava fazer com que Hope entendesse que ele não tinha que cuidar do Suga sozinho. Todos nós ali precisávamos de descanso e umas horas de sono. Ele assentiu, fraco.

– Eu... já volto. –Ele empurrou a cabeça do Yoongi devagar, mas assim que se levantou, a mão do mais velho o segurou e o fez olhá-lo.

– Obrigado por tudo. – Yoongi mordeu o próprio lábio e não precisou dizer mais nada. Ele sempre foi péssimo em demonstrar sentimentos, suas meias palavras sempre diziam mais que a boca e Hope entendeu. Assim que ficamos sozinhos, passei meu braço ao redor dele.

– O que acha de comer? Namjoon fez um macarrão muito bom...

– Não tô com fome. – Mon se mexeu no nosso lado, impaciente. Era difícil não brigar com ele quando ele se destruía daquele jeito.

– Suga... você precisa comer. – Falei, com cuidado. Ele me olhou, chateado.

– Pra que? Preciso estar saudável no funeral da minha mãe?

– Você sabe que não é isso que eu quero dizer.

– Pra mim, qualquer razão pra viver é vazia num mundo sem ela, entenderam?

– E você acha que desistir da sua vida é uma coisa que ela ia querer? – Apelei pra pior coisa que poderia acontecer: fiz ele se sentir culpado. Odiava aquilo, mas em todas as vezes que usaram comigo, de uma forma dolorosa funcionou bem. Ele me encarou e eu continuei. – Olha pra você, Yoongi, sua mãe vai morrer, você não. Mas imagina quão doloroso vai ser pra ela te ver quebrado desse jeito. Achei que quisesse que ela fosse em paz!

Ele voltou a chorar, me empurrando. Recebi sua agressão e suspirei. Não era fácil, mais uma das partes não tão bonitas da vida: ela acaba, sempre. E você se vê obrigado a partir e machucar as pessoas que te amam.

– Como eu posso ficar bem, Taehyung? Eu vou ficar órfão, eu vou perder minha mãe e eu não tenho nem trinta anos! – Seus soluços vieram e sua pele branca ficou avermelhada por causa do choro. Me aproximei dele de novo.

– Eu tinha quinze quando perdi a minha. Você tem duas escolhas agora, Yoongi. Você pode ficar trancado aqui, enchendo a cara e morrendo aos poucos ou pode aproveitar os últimos dias com a sua mãe, fazendo ela sentir que pode partir sem mágoas. Eu sei como você se sente agora, mas eu não tive a sua chance, sabe. Eu queria ter tido a oportunidade de falar coisas pra minha mãe que ela nunca vai ouvir. Sua mãe ainda não morreu. Deixa o luto de lado pelo seu amor a ela, só agora...

– Isso melhora? – Ele me olhou e eu não entendi. Apontando pro seu peito, ele refaz a pergunta. – Essa dor, ela passa?

– Não. Você aprende a conviver com ela. – Olhei pra cima, tentando lembrar dos meus momentos lidando com aquilo. – No começo você vai dar risada de alguma coisa e vai se sentir mal por sorrir quando ela não está lá. Vai se culpar por passar um dia sem lembrar dela, mesmo que já tenha feito meses desde o seu enterro. Vai querer morrer junto todas as vezes que falar dela pras outras pessoas. Mas ainda assim vai sobreviver. Todo mundo diz que melhora e eles não estão errados.

Ele assentiu e voltou a se encolher.

– Nós vamos esperar seu tempo, quando quiser ir ver ela nós estaremos com você. Até lá, estaremos com você também. – Namjoon passou a mão nas costas dele e eu sorri. Estaríamos ali, ele não precisava duvidar.

 

[...]

 

Yoongi levou quatro dias pra sair da cama, tomar banho e comer. Quatro dias em que ele alternava entre o sofá e o quarto, com expressão vazia, os cabelos bagunçados e os olhos fundos. Namjoon, Hoseok e eu ficamos na sua casa durante todo esse tempo, cozinhando macarrão que sabíamos que ele não iria comer, limpando a louça que ele não lavaria, sorrindo porque sabíamos que ele não o faria. Na manhã do quarto dia, ele acordou cedo, tomou banho e vestiu uma roupa bonita. Havia finalmente marcado um almoço com sua mãe.

– Obrigado por ficarem. Sei que deve ter sido difícil... – Estávamos tomando café quando ele se juntou a nós na mesa. Namjoon deu de ombros.

– Estamos de férias de qualquer forma, não foi nada. Se precisar de ajuda de novo ligue, ao invés de sair por aí bebendo.

– É, você podia ter morrido, imbecil. – Hoseok deu uma bronca, sorrindo logo em seguida. Yoongi se desculpou, pegando as chaves em cima da mesa.

– Vamos? Sei que devem estar sentindo falta da casa de vocês, especialmente o Tae. Dificultei as coisas pra ele esses dias, né?

Ele estava se referindo ao Jungkook. Nos últimos quatro dias, liguei várias vezes e mandei mais de cinquenta mensagens. Estava preocupado, mas não era como se eu pudesse simplesmente abandonar o Suga lá e ir atrás dele. Me contentei em jurar pra mim que ele estaria seguro no hospital. Hoseok sorriu maliciosamente.

– Agora ele vai correndo atrás do Jungkook, quer ver?

– Correndo igual você quando soube do Suga? – Namjoon o provocou e ele parou de sorrir na hora. Hope e Yoongi eram próximos o suficiente pra fazer um se arriscar pelo outro de forma inconsciente, o que nós admirávamos. Mas era difícil pensar que não havia nada acontecendo entre eles quando agiam daquela forma.

[...]

Yoongi nos deixou em casa e seguiu pra visitar sua mãe. Mal cheguei, tomei um banho e voei pro hospital, chegando horas mais tarde do que o normal por conta dos mil ônibus que tive que pegar até lá e do movimento na porta. Desde quando tinham tantos repórteres ali? Alguém importante devia estar internado, alguma celebridade talvez? Não me importava, entretanto. A angústia que eu sentia em não ter notícias do Kook durante quase uma semana, ainda me afetava. Cheguei até a recepcionista ofegante pela breve corrida do ponto até o prédio e ela me encarou curiosa.

– Sim?

– Jeon Jungkook. Amigo.

– Oh... – Ela começou a digitar no computador, mas fez uma careta. – Sinto muito, ele foi transferido pra ala psiquiátrica tem uns dois dias. Não está apto para receber visitas.

– O que? – Gelei. Era a coisa que mais o atormentava, a simples ideia de voltar pra aquele lugar o fazia sentir medo. Como isso foi acontecer? – Não, deve ter algo errado. Ele estava bem, não tem como ele ter sido transferido assim...

– Senhor, sinto muito. Só temos essa informação no sistema.

Ainda estava discutindo com a moça, quando olhei no fim do corredor e vi o doutor Byun. Ignorei os gritos da recepcionista e corri até ele, bravo.

– Você disse que ele estava melhor! Como pôde fazer isso com ele?! – Baekhyun me olhou confuso.

– Taehyung? O que faz aqui?

– Você prometeu que não ia transferir o Jungkook! Por que fez isso?

– Ah, você tá aqui pelo Jeon. Eu vou explicar tudo, mas pare de gritar o nome dele aqui no corredor. – Não entendi a razão dele estar sendo tão cuidadoso, tampouco porque ele parecia tão preocupado. Ele me puxou devagar até um dos quartos vazios e encostou a porta. – Você acha que eu queria todo o corpo hospitalar na minha cola por transferir o Jungkook de ala? Eu não acho que ele merece estar lá, mas não foi eu quem designou isso.

– Como assim? – Eu estava confuso. Baekhyun olhou novamente no corredor e depois de se certificar que estávamos a sós, prosseguiu.

– Ele pediu pra ser transferido, Taehyung. Eu não entendi nada, mas é óbvio que eu faria a vontade do meu paciente... – Ele bufou, revirando os olhos. – Ele pediu a transferência em um momento delicado. A empresa do seu pai acabou de lançar um jogo e com isso as ações subiram e tudo mais. A notícia de que seu filho está internado numa clínica de loucos não vai ser nem um pouco bem vista pela mídia. Isso tudo é tão estranho...

– Concordo. Tudo o que ele mais queria era ficar longe dos assuntos do seu pai e sair daqui. De repente se trancar e atacar seu pai é tão sem sentido...

– Mais uma coisa. – Baekhyun me encarou e eu entendi. Era sobre mim que ele ia falar. A forma com que ele ficou surpreso quando me viu só indicava uma coisa: ele não me esperava aqui. – Jimin deixou claro que não quer que você veja o Jungkook. E eu quero entender o que está acontecendo tanto quanto médico como quanto amigo. O garoto passou os últimos cinco dias te esperando, falando de você e todo preocupado. De repente o melhor amigo dele vem e pede pra recepção da ala psiquiátrica não te deixar entrar. Posso começar a montar as minhas teorias ou você vai falar?

– Jimin tá exagerando. – Foi tudo o que eu consegui falar. Estava preocupado com Jungkook, com a razão pela qual ele não recebeu nenhuma das minhas mensagens ou atendeu minhas ligações. Eu queria ver ele logo, mas tinha a impressão que o Baekhyun só me deixaria fazer isso se eu cooperasse. – Eu não briguei com ele nem nada disso, acredite em mim. Eu preciso ver o Jungkook, doutor.

– Eu sinceramente não sei o que fazer. Se eu soubesse que ser médico era tão complicado, teria ido trabalhar no campo. Vacas e pepinos não arrumam tanta confusão. – Dei um sorriso, mas ele continuou sério. – Eu vou ir contra o regulamento, contra o que foi especificado e contra o Jimin por sua causa, Taehyung. Porque eu acredito que você faz bem pro Jungkook e porque eu quero ver ele feliz. Vamos, você tem quinze minutos.

O segui pelos corredores, entrando em um lugar que eu nunca tinha ido. A porta grande de metal fez um barulho alto quando Baekhyun a arrastou, revelando um lugar totalmente diferente do resto do hospital. As paredes eram brancas, lisas, sem qualquer quadro ou enfeite. O cheiro era de álcool e remédio, diferente do cheiro de limpeza que as outras alas exalavam. Baekhyun cochichou alguma coisa com a moça da recepção, que me olhou com uma cara desconfiada, mas me deu a plaquinha de identificação onde se lia “visitante”. Eu finalmente iria vê-lo.

– Ele tem piorado desde que voltou pra cá. Não sei porque raios ele quis fazer isso, mas ele mal come e dorme o dia todo. Se antes era difícil cuidar dele porque ele não queria se ajudar, agora parece que ele simplesmente desistiu. É problemático. – Byun falava arrastado, cansado e eu me sentia ainda mais angustiado. Não conseguia acreditar em como ele havia piorado em apenas alguns dias. Embora eu soubesse que em tratamentos como esse o humor do paciente é como uma montanha russa, não podia deixar de ficar pirado pelo Kook. Ele parou em frente a uma porta e bateu de leve. – Jeon? Tem alguém aqui pra te ver.

Ele abriu a porta, revelando o Jungkook na sua pior forma desde que eu o conheci. Estava magro, quase sumindo na roupa do hospital. Nos seus braços, curativos das mil injeções que havia tomado. Seu corpo estava jogado na cama e assim que se virou, sua expressão foi de raiva.

– O que faz aqui?

 


Notas Finais


Gente, pode comentar, viu, eu geralmente n respondo pq esqueço, mas EU SEMPRE LEIO TD, REAL UASHAUS
Eu leio e fico vibrando por dentro, mas meu TDAH maldito faz eu me esquecer de responder, my bad


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