História Young Remembrance - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Festas, Jovens, Lembranças, Loucuras, Pegação, Romance, Sexo, Skins, Universidade, Violencia
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Palavras 6.978
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Demorei, mas voltei!

Espero que curtam :*

Capítulo 7 - Pontos


Fanfic / Fanfiction Young Remembrance - Capítulo 7 - Pontos

Ted franziu a sobrancelha. Franziu a cara toda, na verdade. A imagem da Cait morta na minha cabeça já estava muito nítida. Ted falou qualquer coisa imbecil na roda de amigos dele, como se fossem guriazinhas da segunda série contando umas as outras qual era o menininho que elas gostavam, e depois se virou pra nós.

Eu: Eu vou tomar umas porradas e depois tu vai quer explicar pro médico como foi que um taco de beisebol foi parar na tua bunda.

Cait: Relaxa, Sab! Pelos velhos tempos.

A gangue do mal do Ted já tava vindo na nossa direção. Parecia aqueles filmes que tem brigas de gangues rivais. A única diferença era que eu não tinha gangue, era só eu e a oxigenada.

Acenei com a cabeça pro Ted.

Ted: Diz aí. - ele se referiu a mim enquanto levantava o queixo pra lua, querendo impor algum respeito que eu não tinha por ele.

Cait: Vou deixar vocês a sós pra falarem sobre os velhos tempos. - ela deu um tapinha nas minhas costas e sumiu. Filha da puta.

Ted: Tu desaprendeu a falar desde o ano passado, piá?

Eu: Não.

Ele ficou esperando que eu prosseguisse com a frase, mas eu tava com muita preguiça de falar com ele, exigia muito de mim. Tenho preguiça de falar com caras mais burros que eu. Parece que eles não vão entender qualquer coisa que tu disser.

Ted: Por que queria saber se eu me lembrava de ti?

Eu: Não foi nada, minha amiga quis causar.

Ted: Ah, então tua amiga quer causar comigo?

Ia pedir pra ele perguntar pra própria Cait, mas seria mancada. Principalmente porque Cait é fogo de palha e ia ficar agitando até tomar uns tapas. Os amigos dele me olhavam com uma cara pior que a dele.

Eu: Não, cara. Ela só comentou.

Ted: Mas e tu, ainda vende as parada?

Eu: Nunca vendi.

O filho da puta insistia em dizer que eu passava os bagulho. Ele queria me foder com o pai do Tales a todo custo, que era outro idiota. Dois idiotas. O ted tinha pra quem puxar.

Ted: Pode crer. Nem eu. Nem tua amiga loira.

Cait passava mesmo. Ela passa ainda quando tem uns surtos de que precisa de grana, mas nunca precisa. É só pra fazer uma graça mesmo, porque as gurias gostavam.

Eu: Pode crer. - acendi um cigarro enquanto dava as costas pra ele. Não ia me servir pra nada aquela conversa.

Ted: Tu tem visto meu irmão?

Assenti com a cabeça.

Ted: Onde?

Eu: Na escola. Onde mais?

Ted: Bom mesmo. Não quero tu perto dele, tu entendeu?

Eu: Não faço muita questão, fica sussa.

Ted: Vê lá como tu fala do meu irmão.

O cara tava doido pra arranjar uma briga, independente do motivo.

Ted: Ele tá com outra agora, cara, então é bom tu ficar de boa.

Eu: Eu to bem de boa, não sei porque tu tá insistindo nesse assunto. Não falo com a teu irmão há mais tempo que não falo contigo.

Ele continuou com a cara de bosta. Enquanto eu não mandasse ele se foder e a gente trocasse uns socos o cara não ia sossegar. Tem idiota de todo tipo, pra todo lado, te cercando.

Ted: Bom te ver, Bin.

Bin.

Acenei com a cabeça mais uma vez e dei as costas pra ele.

Ted: Vai ter uma festa na república do Guará hoje, Tales vai tá lá. Por que tu não aparece?

Ele estava querendo me testar. Os amigos dele começaram a rir, também tavam vendendo a mãe pra conseguirem arranjar uma treta.

Amigo: Ela não seria tão maluca, Ted hahah

Continuei andando na direção oposta àqueles imbecis.

Ted: Ele vai tá sem a guarda-costas, Sabrinita!

Ignorei. Meu cigarro tava mais interessante que a conversa de bosta deles. Cheguei até o outro lado, onde Cait tava me esperando encostado no half menor.

Cait: Eu ouvi coisas ou Tales vai tá sem a guarda-costas? Onde? Tu ficou amiga do Ted?

Eu: Para de ser imbecil, óbvio que não. Tu me paga.

Cait: Te pago uma breja, Sab, só se for. Pra comemorar que a gente vai tá livre da Victória.

Eu: Tu é burra mesmo. Tu acha que o Ted tá me convidando pra uma festa na república pra fazer amizade?

Cait: Festa? Numa república? Caraaaalho, Sabrina! Tu se saiu melhor do que eu esperava.

Cait ignorava qualquer outra coisa que tu dissesses se tivesse "festa" no meio da frase.

Eu: Ele só tá me chamando pra lá eu falar com o Tales e ele poder me dar uns tapas.

Cait: E daí? Eu te cubro.

Eu: Se liga, tu não me cobre do Ted e dos amigos dele. O que eles não tem na cabeça eles tem nos braços, to fodida se aparecer lá.

Cait: E tu vai deixar os caras achando que tu é uma covarde?

Eu: Eu quero que se fodam eles e o que eles pensam.

Cait: Tu acha que ele não vai comentar nada com o Tales, né?

Eu: ...

Cait: Tu vai ser uma bosta pro Tales?

Todo mundo tem um ponto fraco.

Não sei se eu queria só me mostrar corajosa pro Ted, pro Tales, ou queria que ele visse que sou melhor que a Victória. O negócio foi que eu decidi ir àquela porra de festa. O máximo que podia acontecer era eu morrer. Acho que deve ser o máximo de tudo na vida, na verdade.

Carol não gostou muito da ideia, claro, mas chamamos mais uns quatro amigos, mais fortes e babacas que nós. Sempre achei que brigar fosse coisa de macaco, e que nós, como seres humanos, devíamos ganhar as brigas no bate boca. Não sei se penso isso mesmo, ou se é só porque nunca fui muito boa de briga. Até devo ser, o problema é que eu sou magrela, não curto perder meu tempo esculpindo músculos. Nada contra quem curte, mas nunca fui disso. O fato era que o Ted era mesmo um macaco, então devíamos trata-lo como tal.

Assim que anoiteceu, fumamos uns becks e dividimos uma daquelas pingas de mendigo que Cait arranja sei lá onde. O importante é que não foi tirada de nenhum mendigo, segundo ela. Sabe, aquelas garrafinhas de plástico que tem a pinga mais casqueira do mundo dentro. Coisa de macho. Que merda.

Cait: Eu conheço o Guará, sei onde é a casa dele.

Eu: Como tu conhece essas pessoas?

Cait: Sei lá, eu já fui numa festa na república dele, é muito louca.

Carol: Ah, é?

Cait: E já comi a irmã dele também. Tamo nessa, Sab.

Agora sim. Fodidas duplamente. Carol riu e ameaçou ir embora, mas não deixamos. No caminho, o Cait tinha que cutucar:

Cait: Ei, Carol. Ficou sabendo que a Sab levou um toco da ruivinha?

Eu: Não foi um toco. Se eu quisesse tinha pego depois.

Cait: É, e não pegou! Pior ainda.

Carol: Fiquei, sim. Fiquei sabendo que tu levou um toco da Alice também.

Cait: O QUE?! Porra, mas tu é uma otária mesmo, tinha que contar, caralho. Que porra. Essa vida é uma porra de mer...

Eu: HAHAHAHAHA

Carol: Não tem problema, Cats.

Eu: Não?!

Carol: Mentira, tem sim. Que zuado HAHAH

Eu: HAHAHHAHA

Caitlyn saiu chutando o ar enquanto a gente ria da raiva dela. Eu estava na mesma situação, mas aquilo não me afetava tanto.

Cait: Vaca filha da puta...

Ela continuou me xingando o caminho todo. Pensando bem, acho que a nossa situação não era a mesma. Eu não peguei a ruivinha depois porque eu sou uma boa pessoa. Cait não teria pensado duas vezes. Confesso que a ruivinha, ou CLARISSA, ganhou respeito comigo depois de ontem, por mais que eu tenha ficado puta. Tem guria que tu só vê como um "buraco pra tu se enfiar" (nem preciso dizer a autora dessa frase), e ela já não era mais uma dessas pra mim. Sem contar que ela é gata e amiga do Júlio. Vou perder contato por quê?

Seguimos andando enquanto Cait xingava o mundo em meio a coordenadas de como chegar na república do Guará. O Guará era um cara de qualquer cidade dessas do interior, que morava com mais um monte de caras na mesma situação que ele, ou ainda vindos de mais longe. Eles cursavam algum dos cursos malucos da We Are Art, uma faculdade de artes, o que fica óbvio pelo nome. Não é preconceito nem nada, mas os caras da WA eram todos muito loucos. Pelo menos todos com quem eu já tive contato. Artistas são muito loucos.

Pegamos o metrô que estava bem sossegado, e eu já estava ficando enjoada com aquele gosto de pinga podre na boca. Odeio pagar de alcoólatra. Os quatro caras que estavam com a gente tentaram uma amizade com umas gurias bonitinhas que tavam indo pra Avenida Mondal, provavelmente numa dessas baladinhas alternativas, mas não tiveram muita sorte. Eu não sei o que esses caras pensam quando começam a puxar assunto com uma guria no meio do nada, sem contexto algum. Tu espera o que? Que a mina vai topar dar umazinha num lugar escondido da estação? Bah.

A república fica perto da Avenida Mondal. Deve ser animal morar por ali, perto da Avenida mais louca e que nunca dorme.

Cait: É aqui, cara.

Paramos em frente a um prédio que era bem normal do lado de fora. Tu jamais imaginaria que ia ter uma república tipo a do Guará naquele lugar. O porteiro nem perguntou nada quando viu que a gente tava em um grupo grande de moleques, porque com certeza a gente iria pro Guará, e pra lá não era preciso interfonar. Subimos o elevador. Fizeram aquela porra de brincadeira dos quatro cantos, que eu odeio, porque sou sempre eu que to no meio e tomo uns empurrões. Empurrão é pior que tapa, mano, como me irrita. Mas eu já tava acostumada com aquela babaquice.

A república do Guará. Caralho. Toda a raiva que eu tava no elevador passou quando a porta se abriu e eu vi a república. Que foda! Eu quis muito morar ali. A gente saiu numa puta sala grande, com uns sofás velhos encostados nas paredes, que eram todas escritas. Tinha um monte de frase sem sentido, e outras muito boas. A maioria era de piada interna dos babacas e preconceituosos:

"Namoro não sobrevive sem boquete."

"Sou um cara tradicional, não curto essa história de mina enfiar o dedo no meu cu."

"Ela era caiçara? Daquelas que brigam por causa de pipa?"

E mais muitas. Era uma parede inteira. Embaixo de cada frase tinha o nome do autor e uma explicaçãozinha do contexto. Tipo: "Pira depois do aniversário do Guará, perguntando sobre a namorada do Japa."

Tinha uma parede inteira dessas frases, do teto até o chão. Só tinha uma parte que não podia ser vista, por causa de uma geladeira vermelha que estava na frente. Uma geladeira vermelha, mano, na sala. Mais tarde descobri que um bicho de pelúcia roxo "morava" no congelador, e o nome dele era Jason. Na mesma parede escrita, tinha uma bola brilhante daquelas de discoteca, pendurada próxima a uma luz colorida. O resto das lâmpadas da sala eram todas de luz negra, o que deixava o ambiente muito louco. Numa outra parede tinha uns porters muito antigos dos Beatles. Animal. Achei que quando a gente chegasse lá ia ser estranho, porque ninguém era conhecido. Imaginei que a galera ia estar sentada em roda tomando uma breja, e chamando aquilo de festa. Ao contrário do que eu pensei, tinha muito mais gente do que realmente cabia naquele lugar, uma galera muito doida, uns piercings, cabelos coloridos, óculos moderninhos e calças de palhaço. Coisa de quem estuda na WA.

Tava todo mundo muito doido mesmo. Um cara malucão, mas que parecia simpático pulou na nossa frente assim que abrimos a porta:

!: MAH OE!!!

Não sabia o que dizer não tava esperando aquela recepção toda. O cara ofereceu pra gente um monte de coisas, disse pra gente ficar a vontade pra pegar qualquer bebida, mostrou onde era o quartinho "das paradas", como ele mesmo disse, e ficou ali parado sorrindo.

Cait retribuiu aquele jeito doido de cumprimentar, enquanto eu e Carol analisávamos o ambiente. Era um lugar muito louco mesmo.

Cait: HAHAH Oe, cara. Valeu aí, a gente fica a vontade sim. O Guará tá por aí?

!: Não, ele desceu pra falar com uns amigos dele que apareceram lá embaixo.

Cait: Pode crer. Valeu mesmo assim, cara, a gente tá de boa.

Tinha vodca Absolut pra todo lado, uma caixa de isopor cheia de breja e uma garrafa de whisky de uns 10 litros que o cara disse ter comprado na Austrália, de onde ele também trouxe umas ervas muito fodas, fortes, e um monte de dixavador maneiro, que tavam espalhados por aí na mão das pessoas. Tinha tudo isso e sem o Ted. Por enquanto tava perfeito.

Fiquei muito louca. A maconha dos caras era tensa, forte. Fumei meio cigarro e já tava me perguntando onde era mesmo que eu tava. Os caras que tavam na roda de maconha eram gente fina pra caralho. Dois estudavam na WA e os outros dois eram australianos, amigos de um dos caras da república. Tava me divertindo MUITO.

Quando finalmente cheguei nesse ponto e já não me lembrava mais do Ted, reparei num guri lendo as frases da parede, sozinho. Era um alto e fortinho, que tava vestindo uma blusa xadrez, que eu não consegui saber a cor por causa das luzes coloridas da festa, e uma calça preta, com um tênis preto. Ele tinha um cabelo bem bonito, loiro e bem cortado. Apaixonante. Só podia ser Tales.

No estado que eu tava, não pensei duas vezes antes de ir falar com ele, ainda mais porque não tinha visto o Ted por perto. Eu tava no meio da roda dos caras e o cigarro tava comigo, mas saí de lá mesmo assim pra falar com ele. Preciso ressaltar que eu tava doida mesmo, nem imagino onde tavam Carol e Cait. Meu plano de vida agora era ir pra Austrália ficar doida de erva australiana todo dia.

Eu: Tu tem alguma frase muito boa pra botar aí também?

Ele se virou pra mim esperando que eu fosse algum babaca qualquer querendo brigar, e se esforçou pra fazer a maior cara de grosso que conseguia. Tales fazia isso bem.

Tales: Por que tu não... Bin?! - ele arregalou os olhos, não sabia se isso era bom ou ruim.

Eu: Tem?

Tales: Não.

Eu: Que tal essa: eu vim aqui pra tomar uns tapas do teu irmão.

A cara de nojo, que tinha se transformado em espanto, agora era algo indecifrável. Porque eu tava louca, e porque era o Tales.

Tales: E por que tu faria isso?

Eu: Porque tu é lindo.

Era verdade. Eu tava achando ele o guri mais lindo que eu já tinha visto. Tava com vontade de parar a festa pra subir na mesa e gritar que ele era a pessoa mais linda do mundo.

Ele engoliu seco, e logo depois me olhou como quem não queria me dar crédito algum, principalmente depois que viu o cigarro na minha mão. Parecia um charuto de maconha. Ele abriu a boca pra dizer algo, mas eu não deixei:

Eu: Eu tomo uns tapas de quem for por tua causa.

Tales: Para de bobagem, meu irmão já foi embora.

Eu ficava olhando pra cara dele que tava perdida no meio da fumaça do baseado.

Eu: O que tu tá fazendo aqui ainda? Parece que tu nem conhece ninguém.

Tales: Eu soube que tu vinha e resolvi ficar.

Senti a melhor sensação do mundo quando ouvi aquilo.

Tales: Precisava falar contigo, lembra?

Eu: Pode crer.

Senti alguém pegando o beck da minha mão.

Cait: Não casa, não, Sab! Passa a bola aí!

Ela tragou fundo e soltou a fumaça na cara do Tales. Ele odiava cigarro, maconha e qualquer coisa assim. Quando ele ficou reconhecível no meio de tanta fumaça, Cait deu aquele sorriso de Coringa dela.

Cait: TALES!

Ele sorriu sem mostrar os dentes. Sempre fazia isso quando não conseguia dar um sorriso sincero. Engraçado que ele sempre gostou da Cait. Ela saiu levando o beck, depois de me dar um cutucão nas costelas, do tipo "não esquece de pedir pra ele livrar a gente da Victória".

Eu: Que aconteceu que tu olhou com essa cara pra Caitlyn?

Tales: Que cara? Eu sorri.

Eu: Não foi um dos teus melhores sorrisos.

Ele ficou pensativo, mas prosseguiu:

Tales: Não sei, ando preocupado contigo. Te vi com uma cara péssima esses dias, vários dias, e ainda tem essa briga com os traficantes por causa da Vic.

Vic. Queria dar um chute na boca bonita dele quando ouvia isso.

Tales: E acho que isso tudo é por causa da Caitlyn.

Eu: Como?

Tales: É, tu não teria entrado nessa se ela não tivesse xingado a Victória, e aposto que tu não estaria em mais várias situações se não fosse por ela.

De que porra ele tava falando? O que ele sabia da minha vida? Me fode, desaparece, começa a namorar a guria mais escrota que já vi, reaparece me chamando de Bin como se nada tivesse acontecido querendo me dar conselhos sobre como eu devo ou não viver, e com quais amigas eu tenho que tomar cuidado. Eu tenho que tomar cuidado com guri feito ele.

Eu: Quer saber, Tales?

Cortei a fala dele que ouvia com atenção.

Eu: Eu não estaria em várias dessas situações se não fosse por tua causa.

Tales: Minha?! Do que tu tá falan...

Eu: Se tu não tivesse me fodido e me trocado por uma escrota daquelas, eu com certeza não a odiaria tanto e não a teria xingado na boca de fumo, que eu tinha ido pra comprar pó pra conseguir foder uma guria que eu nem sabia o nome, só pra ver se tu saía da minha cabeça.

Ele não movia um músculo, nem pra piscar os olhos.

Eu: Porque tu é um inferno, Tales. É isso que tu é. Eu também não teria vindo aqui tomar um pau do teu irmão se não fosse por tua causa, pra provar não sei o que pra ti. Pra começar, eu nem conheceria teu irmão e ele nem ia querer me bater se não fosse pela porra da tua causa. É tu que me fode! Não tem nada de Caitlyn, de Alice, não é meu pai, nem a mulher que ele tá comendo, é tu.

Meu coração tava tão acelerado que parecia que eu tinha tomado bala pra aguentar uma rave de 4 dias num calor de 50°. Sei lá o que tinha naquela maconha australiana. Sei lá o que eu tinha na cabeça pra tá ali falando tudo aquilo.

Tales: Como tu tem coragem de dizer que eu te fodi?

Eu: Acabei de dizer que se tu...

Tales: Tu me fodeu, tu sabe da história toda, não tenta se enganar. E ainda assim eu te livro de tudo!

Eu: Tu o que?

Tales: Eu sou muito burro mesmo. Tu acha que a Vic não te quebrou todos os ossos ainda por que? Por que ela te acha legal?

Dessa vez era eu quem não conseguia dizer nada.

Tales: Eu ameacei terminar se ela encostasse um dedo em ti. Tu não sabe a dor de cabeça que isso tá me dando. E meu irmão? Eu continuei aqui porque eu sei que ele não teria coragem de bater em ti se eu tivesse por perto.

Minha cabeça começou a queimar, já podia sentir meu ouvido se tampando. Era como se eu tivesse ficado com febre instantaneamente, e devia tá alta.

Tales: E aí tu vem dizer que eu te fodo! Eu devia te foder mesmo, devia deixar Vic estourar a tua cara pra depois meu irmão fazer pior, porque é isso que tu merece.

Eu: Deixa.

Eu já tava vendo uns 4 Tales, e os olhos de todas eles se encheram de lágrimas. Já falei que eu odeio quando choram, porque fode tudo. Por mais razão que tu tenha, quando alguém chora tá acima disso, tu não pode deixar. Ainda mais quando foi a única pessoa que tu já gostou na vida. Segurei as mãos dele numa tentativa inútil de tentar melhorar as coisas, mas ele as tirou de longe de mim.

Tales: Se depender de mim, tu nunca mais vai pegar na minha mão.

Ele tinha falado com voz de choro. Cada palavra me cortava, bem fundo. Assim que ele saiu eu senti um vazio muito louco no estômago, como se eu não comesse há dias e ainda tivesse levado um soco. Aquele soco dele tinha doído mais que o do traficante na pista de skate. Eu sou uma bosta mesmo, como eu faço alguém chorar? Isso tava ficando frequente, me perturbava. De repente me deu uma vontade muito louca de vomitar. Eu tava passando mal mesmo. Me segurei em uns desconhecidos pra não cair no chão uma hora. Olhava em volta e não havia nenhum sinal da Cait, da Carol, e muito menos do Tales.

Saí empurrando todo mundo, precisava sair daquele lugar. Tava quente, ruim pra respirar, tinha fumaça de todo tipo, as janelas tavam fechadas pra não importunar os vizinhos. Todo mundo gritava, e parecia que era só pra me foder. Demorei pra encontrar a porta, mas consegui sair. Desci pelo elevador pensando que fosse ficar por ali mesmo, desmaiada. Quando finalmente já tava na rua, senti que tava um frio do caralho, mas só conseguia pensar na vontade louca que eu tava de vomitar. Apoiei nos meus joelhos e mandei tudo pra fora na beirada da calçada. Vi tudo que eu tinha comido nas últimas horas.

!: Olha só que belezinha.

Eu: Sai fora, porra. - respondi querendo morrer.

Nem vi quem era, queria mais era que tudo se fodesse.

!: Meu irmão achou legal te ver hoje?

PORRA. CARALHO. BUCETA. Tinha que aparecer bem agora!

Ted: Parece que não.

Fiquei mais enjoada ainda quando percebi que era ele. Nem deu tempo de ver o rosto dele, e muito menos de vomitar de novo. Ele me pegou pelo cabelo e eu já não vi mais nada, só ouvi um som abafado. Deve ter sido um soco, daqueles bem fodas. Quando abri os olhos, vi tudo branco. Achei tivesse ficado cega, mas alguém de olhos castanhos claros tava olhando fixamente pra mim. Podia ser um anjo, e aí eu estaria no céu. Reconheci o nariz pequeno e arrebitado da Alice.

Alice: Sab?

Eu: Mas que porra...

Tava difícil até pra falar, minha cabeça doía por inteiro. Doía mais ainda quando eu me mexia, nem que fosse pra virar os olhos. Senti uma pontada no maxilar.

Alice: Legal te ver também. - ela sorriu.

Eu: Caralho, onde eu to?

Tava tudo muito claro e ficar de olho aberto fazia doer mais ainda.

Alice: Não te assusta, mas tu tá no hospital.

Eu: Não me assusto, não. Ai. - mais uma pontada no maxilar.

Alice: Te trouxeram pra cá quando te acharam no chão com o maxilar aberto.

Eu: Aberto quanto?! - trouxe uma mão até meu rosto. Pude sentir umas linhas costurando meu queixo, e aquilo me dava muita aflição.

Alice: Não foi muito. Tem uns 4 pontos aí, eu acho. O que aconteceu?

Eu: Longa história... - minha cabeça doía demais pra pensar. - quem me trouxe pra cá?

Alícia: Carol e Cait. Elas tão lá embaixo agora negociando pra ver se conseguem te tirar daqui.

Precisa de alguém maior de idade pra ser teu responsável. Ótimo. Eu vivia sem a minha mãe, nem vejo meu pai há uns dias, me viro bem sem eles já faz um tempo, mas preciso que algum maior de idade apareça pra me tirar com o queixo costurado do hospital. Que ótimo mesmo.

Eu: MAS QUE MERDA! Por que iss.. AI, PORRA! - doía mais ainda quando eu ficava com raiva.

Alice: Relaxa, vai dar tudo certo. Tenta ficar de boa pra não doer.

Eu: Eu preciso sair daqui. Preciso dar dois desse na cara do Ted, ele me pegou na covardia, eu tava passando mal porque Tales chorou. Preciso falar com Tales, vou dar uns tapas naquela Victória também. E o que tu tá fazendo aqui, caralho? Da última vez que eu te vi tu tava na casa da Cait, mas tu não deu pra ela porque...

Alice: Chega, Sabrina!! Tu deve tá acelerada de remédio que os caras te deram. Pedi pra aumentarem a dose pra tu dormir bastante porque sabia que tu ia acordar assim.

Eu olhava em volta e ficava cada vez mais desesperada. Eu tava deitada numa dessas macas de hospital e precisei me sentar. Fiquei ali xingando todo mundo enquanto a Alice concordava com a cabeça. Logo surgiram Carol e Cait na porta do quarto:

Cait: E aí, Mike Tyson!

Eu: Vai te foder.

Cait: Caraaaalho, mano! Te liga nesses pontos do teu queixo, que foda! Será que fica cicatriz? Ia ficar muito louco, Sabrina. Tu podia dizer que rasgou o queixo na cadeia, sei lá.

Carol: Tu tá bem, cara?

Cait: Cicatriz é coisa de macho.

Alice: Ela tá meio acelerada só.

Cait: As minas curtem.

As pessoas não paravam de falar, minha cabeça tava girando com aquele monte de vozes. Eu tava completamente fodida, só queria sair dali logo. De repente, alguém surgiu na porta como se fosse um anjo mesmo. Era a professora de Cálculo. Ignorei qualquer coisa que elas tavam dizendo e só conseguia ver a professora. Caralho, que sorte ela existir.

Silvana: Onde tu arranjou essa cicatriz legal, hein? - ela chegou sorrindo.

Cait: NÉ?

Eu: Longa história, professora...

Cait: Ela brigou na cadeia.

Eu: Cala a boca, Caitlyn.

A professora assinou um monte de papéis imbecis na recepção e eu tava liberada depois de ouvir o médico dizendo que não era pra tomar sol, nem ingerir bebida alcoólica, nem fumar, nem a puta que pariu, pra poder cicatrizar direito. Acendi um cigarro na primeira esquina, precisava me acalmar. Paramos numa lanchonete bonitinha que ficava na esquina do hospital, e ficamos lá jogando conversa fora. Era estranho a professora estar junto, mas ela é gente boa. Tentei evitar ao máximo falar da briga de ontem. No fundo eu tava envergonhada daquela palhaçada toda. O Ted era um idiota mesmo. Eu também era uma por ter feito Tales chorar. Por fim, me encheram até eu contar o que tinha acontecido.

Cait: MAS QUE IDIOTA, SABRINA! Tu não pode deixar o cara te bater numa dessas, tu tava vomitando!

Eu: Tu queria que eu pedisse pra ele esperar até que eu terminasse de vomitar, fosse na farmácia e tomasse um remédinho pro estômago?

Carol: Esquece essa história, Sab. Ele já deu o soco que queria ter dado. Agora ele te deixa em paz.

Carol tava certa. Ele não tinha porque vir atrás de mim de novo, ainda mais porque Tales não ia querer ficar nem perto de mim mais. Não contei a parte toda do Tales. Só disse que tinha encontrado ele lá.

Cait: Tu falou com ele o que tu tinha que falar? Da treta da Victória, e tal.

Eu: Não.

Cait: Porra, Sabrina! Tu ficou falando o que?

Que ele era lindo e só me fodia.

Eu: Nada.

Ela ficou duas horas falando que a gente tava fodida de vez, mas que ia quebrar a Victória na primeira oportunidade. Claro, Cait. Não dei ouvidos a ela, meu café tava muito mais interessante. A professora e a Alice foram embora mais cedo, porque precisavam trabalhar. Cait continuou reclamando. Decidi falar pra ver se ela calava a boca.

Eu: Ele não deixava ela bater na gente, Cait.

Cait: É?! Por que tu não me disse antes, caralho? Graças a D...

Eu: Mas não vai fazer isso mais.

Cait: O QUE?! - o sorriso de Coringa dela se transformou na cara de assassino do Coringa.

Eu: Why so serious?

Cait: DO QUE TU TÁ FALANDO, CARALHO?

Eu: Nada.

Carol: Tu disse que era a fim dele?

Carol ficava quieta o tempo todo. Abria a boca só pra foder. Fiquei meio travada, mas consegui emitir algum som:

Eu: Não.

Cait: Ela disse, Carol?

Carol ficou pensativa, e eu tava fodida, porque ela sabia quando tava mentindo.

Carol: Disse, sim.

PORRA, CAROLINE.

Cait: O QUE?! É por isso?!

Preferia não responder.

Cait: Tu vai foder a gente por causa de guri, Sabrina? Mais uma vez?

Eu: Não to fodendo ninguém, porra.

Cait: NÃO, EU QUE TO! Tu é foda, velho. Vai arranjar outra cicatriz maneira dessas as custas de briga com ex namorado, só porque...

Carol: Foda-se, Cats.

Cait: Como é que é? Tu também tomou uns tapas, Carol! E de um monte de traficante ainda. Qual é a de vocês duas? Vocês curtem apanhar?

Eu definitivamente não tava com paciência pra discutir com a loira burra da Caitlyn. Ela continuou xingando o mundo. Só parou quando as garçonetes trocaram de turno e surgiu uma japinha bonitinha pra atender a gente.

Cait: Ouvi dizer que japa curte loira.

Eu: Tu não é loira.

Cait: Não, tu que é.

Carol: Tu é assim de tanta água oxigenada no cérebro, certeza.

Cait: Por que as duas cabeleireiras não abrem um salão juntas?

Eu: AHAH Tu ia frequentar?

Cait: Óbvio que não. E sou loira, sim, porra. Tenho olho verde e tudo. Só curto deixar o cabelo mais claro porque é estilo.

Me recusei a discutir aquilo. Me despedi, agradeci por terem me socorrido e conseguido trazer a professora. Precisava voltar pra casa nem que fosse pra pegar umas roupas novas pra levar pra casa da Cait. Assim que cheguei em casa, vi que o carro do meu pai tava na garagem. Fodeu. Entrei tentando fazer o mínimo de barulho possível, mas ele tava na sala. E tava com uma mulher.

Pai: Olha só quem tá aí. Esse é minha filha, Sabrina. - ele me apresentou pra morena de óculos que me olhava sentada no outro sofá.

Eu: Já te falei pra não trazer puta pra casa.

Pai: Essa é a minha advogada, Carla Soares.

Ops.

Eu: Pra que tu precisa de porra de advogada?

Pai: Tua mãe quer o divórcio.

Mãe é mãe. Eu amo a minha ainda por isso.

Pai: Que isso no teu queixo?

Eu: Nada.

Subi pro meu quarto.

Pai: SABRINA!!!!

Meu nome devia ser muito sonoro mesmo. Fiquei olhando meu queixo no espelho. Até que tava maneiro mesmo. Eu impunha algum respeito com o queixo costurado. Imagine se depois meu apelido vira "cicatriz". Muito louco.

Pai: SABRINA!!!!! - ele abriu a porta no chute.

Eu: Que é? - eu continuava examinando meu queixo, sem olhar pra ele.

Pai: Onde tu fez essa porra??

Eu: Na puta que pariu, por que? Tu quer uma também?

Pai: SABRINA!!!!!!!!!!!!!!

Eu: QUE FOI, CARALHO?

Pai: Eu preciso saber onde tu te machucou!

Eu: Desde quando tu te importa? Tu tá querendo fazer ceninha pra advogada? Porque ela nem tá aqui agora.

Pai: Desde quando tua mãe ligou pra cá procurando por ti.

HAN?!

Pai: Ela quer que tu vá pra fazenda visita-la. Tu não pode aparecer lá com o queixo costurado. Ela vai fazer o caralho pra não te deixar voltar pra cá.

Eu tava em choque. Minha mãe tinha ligado, perguntando de mim.

Eu: E desde quando tu liga? De novo.

Pai: Olha, eu sei que tu me odeia, mas tu tem tua vida toda aqui, cara, tuas amigas, namoradas, faculdade.

Os pais sempre acham que a gente tem namoradaS.

Pai: Tua mãe vai querer te prender naquela fazenda da tua vó. Tu não sobreviveria nem uma semana.

Meu pai era um cuzão, mas nesse ponto tava certo.

Pai: Então tu precisa inventar uma desculpa bem boa pra esses pontos aí. Provavelmente tu vai nesse fim de semana, então pensa em algo.

Ele só disse isso, e saiu do quarto. O filho da puta tava certo mesmo, eu o odiava, mas odiaria mais ainda viver com a minha avó num fim de mundo daqueles. Quando eu era criança até que era interessante ir pra lá. Agora não faria nenhum sentido. Decidi dormir pra pensar em alguma desculpa pro meu queixo. Amanhã seria um dia longo, todo mundo me vendo com esses pontos. Sem contar ter que encontrar com Tales e Victória. Por sorte tinha Júlio. Óbvio que ele não vai me cumprimentar, mas pelo menos saberia quem eu sou. Ainda mais com essa cicatriz legal que eu to agora.

Acordei com um puta gosto de sangue na boca, que merda. Tomar banho nunca foi tão dolorido, nem quando eu rasguei metade da perna caindo do corrimão aqui de casa. Quis fazer igual nos filmes, que os caras descem a escada pelo corrimão. Essas porras nunca dão certo. Enfim, eu já tinha me machucado bastante na vida, principalmente porque eu ando de skate. Sempre to com algum machucado. Mas no rosto é foda, tava doendo pra porra ainda. Ele deve ter me acertado bem no osso, e eu ainda devo ter caído e batido a cabeça em algum lugar. No fundo eu tive bastante sorte de só ter machucado o queixo. Acho que o que deixava tudo mais dolorido era o motivo de ter levado aquele soco.

Cheguei atrasada, pra variar, e nem tive tempo de fumar um cigarro. As meninas não devem ter me esperado na entrada imaginando que eu fosse faltar na aula. Quando entrei, a professora já tinha começado a aula. A porta fica no fundo da sala, então nem ficou me olhando quando a abri, mesmo porque todo mundo já devia imaginar que fosse eu, que to sempre atrasada. Cait dormia, Carol ouvia música, mas dessa vez sem ficar olhando pro próprio tênis. Ela tava desenhando. Eu curto desenhar, mas Carol mandava muito bem. Chutei a cadeira dela, tomando cuidado pra não faze-la errar.

Eu: Tá desenhando o que aí?

Carol: E aí. A gente achou que tu nem viesse hoje.

Ela se virou com o desenho na mão. Era um cara parecido com o Jack Skellington d'O Estranho Mundo de Jack, mas um pouco mais saudável e maléfico. Muito louco. Sorri pra Carol pra ela ver que eu tava bem. Até o final da aula fiquei olhando pra um ponto qualquer da lousa, moscando. Por um segundo me lembrei de que a Victória tava na minha sala. Olhei pra cara dela, que tava com pernas cruzadas. Sorri olhando pra ela quando me lembrei que Tales se importava comigo, talvez mais do que com ela.

Era aula simples, e logo a professora se mandou. Na troca de aulas todo mundo ficava em pé botando as fofocas do fim de semana em dia. Queria mais era que a fofoca de todo mundo se fodesse, não tava interessada na vida de ninguém daquela sala. A não ser que fosse alguma notícia bem ruim da Victória ou uma boa do...

Júlio: Oi, Sab.

QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE?

Demorei um pouco pra responder. Continuei olhando pra frente imaginando que eu tivesse sonhando. Resolvi me virar pro lado dele, quem sabe ele estivesse ali mesmo. E tava.

Eu: Oi. - devo ter feito a mesma cara de quando a vi no bar. Não consigo me livrar dessa cara de abobada com Júlio por perto.

Júlio: Demorou muito pra ir embora aquele dia?

Carol parou de desenhar e virou a cabeça com cuidado pro lado dele. Devia tá com a mesma impressão que eu, de que tava sonhando.

Eu: Até que não, a Clarissa é meio fraca pra beber.

Júlio: HAHAH É verdade, mas adoro ela. Que legal que vocês estão saindo.

Ele tinha uma risada bem alta, e tava rindo de algo que EU tinha falado. Meu Deus. Carol tava petrificada olhando pra cara dele. Eu não tava saindo com a Clarissa, mas não ia cortar o assunto desse jeito.

Eu: É.

Eu não conseguia pensar em mais nada pra falar. Fiquei ali olhando pra cara bonita dele, enquanto ele jogava o cabelo, como sempre fazia pra deixar a gente passando mal. Pude ver a Alice ao fundo, olhando a cena toda com uma cara pior que a da Carol.

Júlio: Nossa, o que é isso no teu queixo?

Eu: Ah, eu briguei na cadei... Digo, briguei numa festa. - preciso me lembrar de apagar umas coisas que Cait diz.

Júlio: É mesmo?

Fiz que sim com a cabeça. Ele devia tá me achando uma babaca que apanha em festa, e voltamos a estaca zero.

Júlio: Que foda.

QUE? Júlio me acha foda. JÚLIO ME ACHA FODA.

Júlio: Bom, melhoras. Espero que não fique cicatriz. Manda um beijo pra Clá.

Eu espero também, agora que tu disse. Ele deu um tchauzinho com a mão, sorriu, e voltou pro seu mundo, com seus amigos gostosos. Ele tava na frente da Cait e, quando saiu, pude ver a cara dela. Ela até tinha acordado, e tava com a boca aberta olhando pra bunda dele enquanto ele ia embora.

Cait: Cara.

Eu: Pois é.

Carol: Cara.

Cait: Isso acontece desde quando? Tipo, ele te desejar melhoras e, tipo, falar contigo.

Carol: Por que tu não contou que agora falava com ele?

Eu: Com certeza eu tentei contar.

Expliquei que ele era amigo da Clarissa, e tal. Elas com certeza não ouviram uma só palavra do que eu disse, porque tavam me olhando de boca aberta, só faltava babar. A Alice ainda me olhava com cara de "que porra foi essa?". Eu olhei de volta como se nada tivesse acontecido, como se Júlio fosse brother pra caralho.

Seguiu mais uma aula, e depois fomos para o intervalo. Fiquei sentada sozinha no murinho que fica perto da quadra, esperando as meninas voltarem de sei lá onde, acho que tinham ido pegar um refrigerante. Percebi alguém se sentar do meu lado:

Alice: Então quer dizer que tu é amiga da sensação do quarto semestre?

Eu: Da escola inteira, na verdade.

Alice: Hum.

Eu: De todo mundo que conhece ele, na verdade.

Alice: Hum.

Eu: Do mundo inteir...

Alice: Tá! Desde quando? Ou ele só veio te perguntar do teu queixo?

Eu: Por que ele se preocuparia com o meu queixo se não falasse comigo?

Alice: Me diz você.

Como eu odeio falar da minha vida, das minhas coisas.

Eu: Por que tu não me diz como foi parar no hospital?

Alice: Que tal a gente dar uma informação em troca de outra?

Eu: Que tal não?

Alice: Assim fica injusto. Eu te falo as coisas e nunca sei nada de ti.

Pensei por um tempo. Não queria de verdade saber como ela tinha ido parar no hospital.

Alice: Eu vi que nenhum de vocês tinha aparecido na aula e liguei pra Cait.

Eu: A gente nunca tá na aula mesmo.

Alice: Mas geralmente eu sei onde vocês tão.

Aquilo soou perturbador. Mas não vou julgar a guria, ela foi gente boa de se preocupar e aparecer lá pra ver como eu tava. Não sabia o que responder. Resolvi olhar ao redor pra pensar. Tales tava no final da quadra com a Victória. Parecia que ontem não tinha existido, tava tudo normal, exceto pelo meu queixo.

Alice: Tu não cansa, né?

Eu: Do que?

Alice: De olhar pra ele.

Eu: Só to olhando em volta, cara.

Alice: Qual é a dele, hein? Ele é bonito e se veste bem. É isso que te faz gostar das pessoas?

Eu: Ah, é. Cait e Carol são mesmo sinônimos de beleza e estilo, por exemplo.

Alice: Tu entendeu. Além disso, ele te traiu.

Como caralho ela sabia disso?! Essa me acertou bem no fundo. Senti uma pontada no meu maxilar de novo. Isso não é coisa que se diz no meio do intervalo da escola, quando tu tá com queixo aberto, e não há o mínimo de contexto.

Eu: Do que isso te interessa?

Alice: Nada, só queria saber. Tu não tem cara de quem perdoa as pessoas facilmente.

Eu: E tu tá saindo com a Cait?

Alice: O que?! Não! Aquele dia...

Eu: Aquele dia tu tava com cara de pós-sexo saindo do banheiro dela às 6h da manhã.

Eu sabia que ela não tinha dado pra Cait, só queria que ela saísse dali e parasse de me fazer àquelas perguntas.

Alice: Quer saber? Tchau.

Sou boa em afastar as pessoas. Voltei a ficar sozinha, agora tentando descobrir como a Alice sabia de uma porra daquelas. Tales nunca admitiu que tivesse me traído. Aliás, ele jura que não. Ninguém me confirmou nada, na verdade. Não teve ninguém que realmente viu, mas antes de ouvir a versão dele fiz questão de trai-lo também pra devolver na mesma moeda, e aí tudo se fodeu de vez. É por isso que a gente só se fala pra brigar. Não gosto que ninguém saiba, e muito menos fale dessa porra. Agora que eu tava sóbria sentia que o melhor que eu fazia era deixar Tales pra lá. Ele não ia dar autorização pra Victória me quebrar agora só porque a gente discutiu na festa, eu sei que ele não é assim. Logo aquela escrota esquece que eu existo e volta tudo ao normal se eu deixa-la em paz.

Fiquei ali olhando pra ele, me prometendo que seria a última vez que eu seguia o que ele tava fazendo. Nossos olhares se cruzaram enquanto ele ria de qualquer asneira que a Victória tinha falado, o que não era muito difícil de acontecer. Ele ficou sério na hora, e logo desviou o olhar. Parecia bem desconfortável. Resolvi fazer o mesmo e olhar pro chão, implicar com a situação iria me causar, quem sabe, mais alguns pontos na cara ou até mesmo coisa pior.

Victória fitou o olhar, senti meu corpo queimar sob o mesmo, apenas paralisei enquanto observava a movimentação que se agravava no outro lado da quadra.

EU TO FODIDA, MAS QUANDO NÃO?


Notas Finais


Faço as correções depois.


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