História Young Remembrance - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Festas, Jovens, Lembranças, Loucuras, Pegação, Romance, Sexo, Skins, Universidade, Violencia
Exibições 5
Palavras 5.929
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Só vamo.

Capítulo 7 - Empata Foda


Eu tava toda arrumada esperando uma guria chegar, parecia que tava esperando alguma namorada, ou qualquer coisa assim. Eu em encontro, quem diria.

Clarissa: Oi. - ela apareceu e se sentou muito rápido. Ela devia tá ali há muito tempo me fazendo esperar de propósito. Eu não liguei, porque ela tava maravilhosa.

Eu: Oi, E aí? - não sabia se cumprimentava ela com um beijo na bochecha, ou um selinho, ou nada.

Clarissa: Tá há muito tempo aqui? - Ok, não vamos nos cumprimentar.

Eu: Na verdade, não. - Que mentira, fazia uns 3 dias que eu tava sentada.

Clarissa: Desculpa, demorei pra me arrumar, como sempre!

Eu: Deu pra ver. Tu tá bem bonita. - eu sou uma simpatia.

Ela sorriu e me elogiou de volta. Especialmente pela minha calça preta. Hein?

Ficamos lá conversando sobre o tempo, que logo evoluiu pra uma conversa sobre o bar, e aí sobre bares, e sobre onde costumávamos ir aos fins de semana, e uns amigos em comum, e assim foi. Chopp atrás de chopp, cada um custava um milhão de “temer”, mas ia valer cada gole. Sorri internamente. Ela até que era legal, tinha bastante assunto. Não tinha cara de ser assim. Tem guria que não sabe conversar contigo se não for sobre Big Brother e maquiagem, como se tu usasse ou entendesse qualquer coisa daquilo.

Eu: Tu quer ir lá fora fumar um cigarro?

Clarissa: Não fumo.

QUE MENTIRA, comecei a conversar com ela na festa porque dei um cigarro pra ela. Que guria mentirosa. Devia tá querendo me impressionar achando que eu não me lembrava da festa da Nath. Ou então ela que não se lembrava de ter fumado. Não aguentei e tive que levantar pra fumar um pouco lá fora. Quando tu fumas, e fuma bastante feito eu, começa a dar um desespero se tu fica muito tempo sem aquilo. Antes eu era viciada em café também, daí era foda. Não dá pra tu sair pra tomar um café no meio de uma conversa no bar. De todo jeito, lá estava eu com mais todos os fumantes revoltados que tinham que fumar do lado de fora do bar, por causa da lei. Eu não ligava muito, respeito quem não fuma. Sem contar que eu sempre arranjava briga por soltar fumaça na cara dos outros, que não fumavam. Sem contar que é um tempo que tu podes passar sozinho, pensando na vida.

Meu cigarro estava quase acabando, até que um carro igual da namorada do Júlio parou bem na porta. Não, não podia ser. Ah, podia sim. Que coisa mais linda se ele sai de lá... AHHHHHHH, JULIO!! Ele saiu do carro! Ele ficava gostoso de qualquer jeito, era incrível. Jogava os cabelos pra todos os lados enquanto esperava a namorada sair do outro lado e deixar o carro para o manobrista. Júlio, Júlio. Júlio. Era como música. Ele entrou no bar enquanto todo mundo olhava, com a namorada logo atrás. Júlio. Resolvi acender mais um cigarro enquanto pensava nele. Imagina pegar um cara desses, tu não precisa pegar mais nada na vida. Comecei a ficar com pena da Clarissa que estava lá sem assunto me esperando fumar. Resolvi voltar pra mesa.

No caminho até a mesa, o vi em pé ao lado de uma mesa de canto. Era incrível como os meus olhos sempre me levavam a ele. Conforme me aproximava da minha mesa, via que Júlio ficava ainda mais próximo. Espera aí. Ele... Tá... Tipo... PORRA! Ele estava conversando com a ruivinha!

Fiquei olhando de longe, enquanto a ruivinha se levantava e dava um abraço nele, e depois cumprimentava a namorada. Foi o tempo de eu chegar até lá, com a maior expressão de boba que eu poderia ter. A ruivinha segurou na minha mão, sorrindo:

Clarissa: Ah, gente! Esse é a Sabrina.

Meu Deus. Eu ia dar um beijo no rosto do J...

Júlio: Eu já te conheço, né? - ele me apontou, com cara de curiosidade.

Eu: Conheece. - sem querer me alonguei no "e". Eu estava dopada.

Júlio: Haha - que risada linda. - Ela estuda comigo, Cla.

A namorada dele só me encarava.

Clarissa: Ah, é, Sabrina? - Sab?!

Júlio: É, sim! Que coincidência haahhaha

Ficaram dando aquelas risadinhas, que só eles entendiam. Sempre tem alguma coisa por trás, eu tenho certeza. Ficou todo mundo ali em pé quando chegou aquele momento em que as pessoas que se encontram de repente não sabem mais o que dizer, e só querem ir pras suas respectivas mesas.

Júlio: Então, Cla. A gente reservou uma mesa e precisa ir pra lá. Legal te ver. Me liga depois pra gente sair e colocar a conversa em dia ahaha

Deram aquela risadinha de novo, e se despediram. Júlio me deu um beijo no rosto. Oh. Se eu ainda não estava bêbada, fiquei àquela hora, só por ter visto ele.

Clarissa: Ai, ele é tão lindo, né? - ela falava enquanto secava ele do outro lado do bar.

Eu: É.

Clarissa: Oi?

Eu: Não. - acordei.

Clarissa: Não o que?

Eu: Digo, ele é bonito, mas não faz meu tipo. Prefiro as ruivas. - essa eu com certeza tinha aprendido com a Cait.

Ela sorriu enquanto virava a caneca de chopp. É hoooooje, Sabrina. Papo vai, papo vem. Eu já estava vendo tudo dobrado, devia ter tomado umas 10 canecas de meio litro.

Eu: Onde que fica a tua casa, hein?

Clarissa: Tu não tá pensando em ir lá, né, sua danadinha? – danadinha? kkkkk oi?

Eu: Não, to perguntando numa boa, tenho uns amigos que moram aqui perto também.

Clarissa: Ah, é? Qual o nome deles? - Ih, fodeu.

Eu: João e gordo. - todo mundo conhece algum cara com apelido de gordo.

Clarissa: Ahhh, o gordo eu conheço.

Eu: É? Tu mora perto da casa dele?

Clarissa: Ali perto da praça, com umas árvores de flor roxa?

Eu: É.

Clarissa: Siiiiim.

Bêbada.

Eu estava cheia até a tampa de chopp, não tava aturando aquilo mais. Queria era fumar um baseado e ficar de boa, mas a guria não fumava nem cigarro, imagina se eu oferecesse qualquer outra coisa. Tchau, tchau, noite de sexo. A guria não me chamava logo pra casa dela, então resolvi agir.

Eu: Que horas são?

Clarissa: Quase duas horas.

Eu: Putz, o metrô fechou!

Clarissa: Vai de tax...

Eu: E eu só to com o cartão. - fiz uma cara de quem não tinha pra onde ir, pra ver se ela ficava com dó.

Clarissa: Que azar, Sab! Tu não viu a hora passar?

Eu: Com certeza não, tá muito bom aqui. - tirando que eu não aguentava mais aquele chopp do caralho e queria ir logo pra tua casa pra ver o que tu tava vestindo por baixo. Estendi minha mão e a coloquei em cima da mão dela, que tava sobre a mesa.

Clarissa: HAHAHAHA - ela soltou uma risada um tanto exagerada...

Continuei fazendo carinho na mão dela enquanto a gente conversava. Por fim ela já tava tão doida que ela mesma pediu a conta pra gente ir embora. Eu tava com a grana contada, mas pedi pra pagar tudo sozinha. É o mínimo que tu faz. Não aprendi isso com o meu pai, mas com algum cara que valesse a pena. É sempre bom tu pagar a conta. Ela não deixou, e a gente dividiu. Disse que, quando eu chamasse, eu podia pagar.

Passei o braço por trás dela, nos ombros, e ela abraçou minha cintura pra não cair.  Perguntei se ela queria um taxi, mas ela nem me ouviu. Ficou fazendo social com uns caras que estavam lá fora e deviam ser vizinhos dela. Só estava com medo de aparecer o tal do gordo, que eu não conhecia. Quanto mais eu pensava nisso, mais me apressava pra levar ela pra casa. Ela ia me dando as coordenadas.

Clarissa: Pra cá, Sab.

Eu: Esquerda ou direita? - ela já tava ficando pesada.

Clarissa: Pra cá!

Eu: Não existe "pra cá", velho.

Clarissa: Como tu é grossa, Sabrina. Eu vou embora... - ela largou da minha cintura e acho que tava andando normalmente, enquanto tropeçava a cada passo.

Eu: Tu tá caindo, mano.

Clarissa: NÃO ESTOU.

Que guria tava bêbada, puta que pariu, onde eu fui me meter? Resolvi ignorar.

Eu: Teus pais tão aí?

Clarissa: Tão.

Eu: Não tão, né?

Clarissa: Tão. - ela andava na minha frente, toda perdida.

Eu: Não tão, senão tu não tinha me chamado.

Clarissa: Eu não te chamei, tu que tá vindo atrás. - ela não aguentou segurar, e deu risada.

Eu: Ahah tá bom então.

Estávamos subindo uma rua bem bonita, cheia de árvores com flores roxas. Acho que chama Ipê esse tipo de árvore, era cheio na fazenda da minha vó, onde tava a minha mãe. Lembrei-me dela por uns segundos. Avistei uma praça. Devia tá perto da casa do gordo, ou melhor, da Clarissa.

Ela morava numa dessas casas com o muro cheio de folhas, sei lá o nome daquilo. Trepadeira? Sem duplo sentido. Não gosto muito desses muros, tem cara de coisa abandonada, mas a dela, com certeza, não era. Não tão grande quanto a da Nath, que aí também seria sacanagem. Resumindo, era uma casa de quem estudava em colégio de riquinho. Já era de se esperar.

Ela demorou um tempo até conseguir achar a chave, e depois até conseguir acertar na fechadura, mas eu não estava com pressa. Até a porta da frente tinha uma escada enorme pra subir. Eu não sei por que esses caras insistem em fazer escadas enormes na porta das pessoas. Tu fica com preguiça de entrar na própria casa, isso é errado. Tipo, tu trabalha a porra do dia inteiro pra daí... enfim. A ruivinha quase caiu umas dez vezes, mas eu tava num nível etílico que dava pra salva-la de enfiar a cara no chão.

Finalmente entramos. Eu não queria dar uma de cara tarada, desesperada, ou qualquer coisa assim, mas foi só ela fechar a porta pra eu começar a beija-la. Ela logo soltou a bolsa no chão, que fez um barulhão, porque tinha umas correntes ou sei lá, essas gurias ricas curtem pendurar umas coisas. Enquanto nos beijávamos, abri os olhos pra dar uma olhada na sala, porque a gente precisava de um lugar pra se apoiar, pelo menos. Pude ver um balcão da cozinha, daqueles que davam pra sala. Tava cheio de coisas, mas foi pra lá mesmo que eu a empurrei enquanto a gente se beijava.

Ela encostou as costas no balcão e logo entendeu o recado. Parou de me beijar, sentou-se no balcão e já tirou minha camiseta. Essa sim sabia o que tava fazendo, e é desse tipo que eu gosto. Tirei a blusa dela também. Ela tava com uma saia de um tecido bem fino e macio e, enquanto a gente se beijava, eu passava a mão nas coxas delas por baixo da saia. Não fazia nem 3 minutos que a gente tava ali, mas eu já tava ficando maluca com ela.

Por mim, eu começava ali mesmo, mas pensei nela. Um professor uma vez teve a ousadia de desenhar na lousa um gráfico sobre o orgasmo feminino e masculino. A curva do masculino parecia um triângulo muito estreito, do tipo ejaculação precoce, enquanto a do feminino era uma montanha, bem arredondada. O que deu pra entender era que a mina demorava muito mais pra chegar lá do que os caras, que precisavam de mais estímulo, e tal, e foda-se. Eu não precisava daquele gráfico pra saber, mas ele sempre me vinha na cabeça nessas horas.

Aproveitando que a minha mão já tava embaixo da saia dela, eu a masturbei enquanto beijava o seu pescoço. Ela gemia alto, o que pra falar a verdade não me dava muito tesão, mas era sinal de que ela tava curtindo.  É muito melhor uma respiração ofegante, até um gemido mais alto, mas natural. Roteiro de filme pornô não rola.

Senti que ela tinha gozado. Pelo visto eu tinha respeitado o gráfico, e me achava muito nerd por pensar naquilo. Continuei a beijar mesmo assim, dessa vez investindo nos peitos dela. Quando eu já não tava aguentando mais,  peguei-a no meu colo. Ela abraçou minha cintura com as pernas, e eu perguntei onde era o quarto. Ela me apontou uma escada. Caralho, como eu tava pegando raiva de escadas. Subi feito uma doida, tomando cuidado pra não bater com a guria na parede. Foi foda, mas eu consegui.

A escada dava num corredor enorme, que tinha uma janela de vidro muito grande e sem cortinas, muito louca. Dava pra ver tudo de lá. Tira um pouco a tua privacidade, mas eu achei muito bonita. Não tava pensando muito nisso na hora, queria era saber qual porra de porta dava no quarto dela. Ela se soltou de mim e abriu a porta mais próxima de nós, que devia ser mesmo do quarto dela. Era todo branco e vermelho, com foto pra todos os lados, umas almofadas muito loucas. Joguei as almofadas da cama longe, a peguei no colo e...

Clarissa: Sab.

Eu: Hm. - respondi meio abafado, enquanto beijava seu pescoço.

Clarissa: Ai.. eu... é melhor a gente não fazer nada.

O QUE?! Travei na hora. Fiquei ali só com a boca no pescoço dela, achando que tivesse ouvido algo errado.

Eu: O que?

Clarissa: É melhor a gente não fazer nada. - ela saiu de perto e sentou na cama. Eu fui atrás.

Eu: Nada o que? - eu só não queria acreditar.

Clarissa: Nada. Acho melhor a gente não fazer nada. Só dormir, ou ver um filme, comer alguma coisa.

Comer alguma coisa? Comecei a pensar que merda eu tava fazendo lá.

Eu: Tu tá com medo de alguma coisa? - disse com a voz mais doce que eu pude.

Clarissa: Não...

Eu: Relaxa, cara. Vai ser legal. Já foi uma vez. - segurei o queixo dela. Ela me olhava sem piscar.

Clarissa: Não. - ela virou o rosto.

PORRA. Se toda vez for isso pra essa guria eu precisar bancar todo o teatro de falso moralismo dela eu to fodida! A gente já tinha feito isso antes, por que aquilo agora?

Eu: Clá.

Ela se virou como se eu tivesse oferecido um milhão de dólares, com toda a rapidez e atenção do mundo. Os olhos brilhavam.

Clarissa: Tu nunca me chamou de Clá.

É verdade. Eu sorri.

Clarissa: É disso que eu to falando.

O QUE, MINA, CARALHO?

 Eu: Como assim? - minha voz engrossou e eu voltei a mesma postura de escrota de sempre.

Clarissa: A gente não tem vínculo nenhum.

Eu já tinha enfiado minha língua na boca dela, e em outros lugares também, além de outras coisas, e inclusive sabia que ela tinha uma pinta na virilha, pra daí a mina virar e falar que a gente não tinha vínculo nenhum?! Fiquei olhando em volta pra ver se não tinha nenhuma câmera escondida, só pra me zoar, tipo, pegadinha do malandro.

Eu: A gente tá se conhecendo, Cla. - vou investir no "Cla" então.

Clarissa: Mas isso tá errado, Bin. Não é assim que a gente conhece as pessoas.

Ela me chamou de Bin. Meu coração acelerou e eu devo ter ficado branca na hora. Minha boca secou.

Eu: Posso pegar um copo d'água? - disse enquanto sentia minha pressão baixar.

Ela me olhou com uma cara estranha, mas me deu permissão. Enquanto descia as escadas, meu coração voltava aos batimentos normais, e eu tomei uns quatro copos de água até voltar pro quarto. Quando voltei, ela estava deitada na cama. Sentei-me perto dela.

Eu: Tu é foda, hein?

Clarissa: Que?!

Eu: Tu. Tu é foda.

Clarissa: ... - ela me encarava como se eu fosse um fantasma.

Eu: Tu me chama pra um bar caro pra caralho, diz que tua casa tá vazia, e espera eu te fazer gozar pra dizer que vai ser isso.

Clarissa: O QUE?! GAROTA, TU TEM NOÇÃO DO...

Eu: Não é? Quem tá usando quem por aqui então?

Clarissa: Eu não to te usando, que absurdo! - ela me olhou com asco, e sentou na cama.

Eu: Tá bom então. Vou dormir na tua sala se tu não te importas.

Clarissa: Me importo, sim! Por que tu não vai pra tua casa?

Eu: Porque o metrô já fechou e só tô com cartão, tu sabe. - disse enquanto saía do quarto.

Clarissa: EI! Tu não pode dormir lá!

Eu: Boa noite! - gritei enquanto descia as escadas.

Deitei no sofá, que por acaso era bem macio, melhor que a minha cama até. Naquele momento senti que nem tudo tava perdido. Ao menos eu ia dormir bem. Sem comer ninguém, mas bem. Olhei pro teto, que era diferente do meu quarto, claro, e diferente do teto da Carol também. Qual era o meu problema com tetos?

Fiquei ali divagando sobre o teto das pessoas, e porra, por que ela tinha que me chamar de "Bin"? Eu não tinha dado porra de permissão nenhuma. Por um segundo isso ficou pior do que o fato dela ter me usado. Que babaquice a minha, mas porra, o que eu tinha feito de errado? Acho que nada. Pensei em voltar pra casa só pra saber se meu pai tinha levado a puta pra lá, mas fiquei com preguiça. Meus olhos estavam quase se fechando...

Clarissa: Sab.

Levei uma porra dum susto. Demorei pra entender o que estava acontecendo, mas logo vi que era ela. O que estava fazendo ali?

Eu: Se tu tiver aqui pra me expulsar...

Clarissa: Não, relaxa.

Ela se aproximou ainda séria, e sentou-se no tapete que ficava na frente do sofá.

Clarissa: Olha, desculpa. - ela disse sem me olhar.

Eu: Cara, foda-se. Pode ir dormir se quiser, não te preocupa comigo. - não ia querer ver ela tão cedo mesmo.

Clarissa: Se tu quiser que eu te pague um... tu pode...

Eu: Ahn?! Não, cara. - eu tive que rir, que porra ela tava pensando? - Não sou assim também, tá tudo certo.

Clarissa: Mesmo? - ela finalmente olhou pra mim enquanto falava.

Eu: É.

Ela me olhou por mais um tempo, depois abraçou os joelhos e ficou olhando pra tela da TV, que tava desligada.

Clarissa: Sabe, Sab. Uma vez conheci um cara.

Eu: Eu também já conheci vários.

Clarissa: Haha não, não assim. Um cara de quem eu gostei, e tudo.

Eu: Tudo?

Clarissa: É, quando tu gosta mesmo, sabe? Que teu coração dispara só de lembrar.

Eu: Não, não sei como é isso.

Clarissa: Ele era bem parecido contigo, não na aparência completamente.

Aquilo era algum tipo de indireta pra que?

Clarissa: Tinha o cabelo pretinho, mas tinha esse jeito grosseiro teu.

Tive de rir daquela frase também.

Clarissa: Mas eu sabia que no fundo ele não era assim, era só um jeito de se defender. E era bem inteligente da parte dele.

Não demonstrei reação alguma.

Clarissa: Aí, ele fez o que todo garoto faz quando percebe que tu tá gostando dele. Me fodeu.

Eu: Em que sentido?

Clarissa: Como tu é besta. No ruim, claro.

Ela não olhava pra mim, mas pela voz eu percebi que ela tava chorando, ou pelo menos com vontade de chorar.

Clarissa: Me fodeu mesmo. Traiu-me com todo mundo que podia. Demorei tanto pra ficar com ele, e no fim o nosso namoro era só uma fachada.

Eu: Todo namoro é só fachada, cara. Coincide de uma pessoa ter interesses na outra, mutuamente, e aí começa um namoro. O compromisso dura umas duas semanas, sendo bem otimista.

Clarissa: Não é bem assim.

Eu: E aí um começa a trair o outro, pra caralho. No fim tu não aguenta mais olhar pra cara do outro, mas tu tá tão acomodado que foda-se. Os dois tão.

Clarissa: Não, Sab. Na tua cabeça, talvez no teu mundo seja assim. As pessoas realmente podem gostar umas das outras. Eu gostei muito do cara, e era uma pena ele não gostar de mim de volta.

Mas eu só dei azar.

Eu: Todo mundo é bem azarado então. Qual a chance de tu ter tanta sorte a ponto da pessoa que tu gosta gostar de ti também?

Clarissa: Tu tá falando sério que pensa assim?

Eu: Assim como?

Clarissa: Tu nunca gostou de ninguém, Sabrina? Nunca?

O que era gostar de alguém pra ela? Fiquei pensando demais naquilo pra responder.

Clarissa: O fato é que ele me fodeu de todos os jeitos que pôde. A partir daí eu decidi que ia curtir a vida como ele fazia, como a maioria das minhas amigas fazia também. Ia ficar muito doida nas festas, conhecer vários caras, dar pra todos eles... mas não é bem assim que funciona.

Eu: Eu...

Clarissa: Não é bem assim que funciona quando tu quer esquecer alguém, e conhecer outra pessoa. - ela finalmente olhou pra mim.

Preferia quando ela não tava olhando. Aquele assunto tava me deixando estranho.

Clarissa: Eu aposto que tu já gostou de alguém também, mas não precisa me falar. Só to dizendo que não é assim que funciona.

Eu: E se tu não quiser conhecer outra pessoa?

Clarissa: Aquela outra, que te faz mal, vai ficar te perseguindo e te deixar pior ainda.

Eu: Não, mas e se tu não quiser ninguém? Não quiser essa, e nem uma nova?

Clarissa: Então tu é bem infeliz. - ela voltou a olhar pra TV.

Fiquei ali xingando ela em pensamentos, me perguntando por que as pessoas queriam tanto saber da minha vida, principalmente de quem eu gosto ou já gostei. Ou todo mundo era romântico demais ou eu era algum tipo de psicopata, sem sentimentos. Eu não precisava ter ninguém comigo, e nem por isso eu era infeliz. Não tenho ninguém no momento sem ser minhas amigas, e to bem assim.

Clarissa: É o teu caso, não é?

Eu: O que? - eu já nem lembrava onde a conversa tinha parado.

Clarissa: Tu não quer ninguém.

Eu: ...

Clarissa: Eu quero, e foi por isso que não quis fazer nada hoje.

Porra, dar pra mim hoje a impedia de gostar de outro cara? Claro que não. Não dá pra entender o que se passa na cabeça das gurias, mas ela parecia ter falado com sinceridade, então respeitei. Se não ia ser boa pra ela era melhor a gente nem fazer nada mesmo.

Clarissa: É o Julio?

Eu: O que? - de novo eu me perdendo em pensamentos.

Clarissa: Que tu gosta. Eu vi como tu ficou quando a viu, e como tu cumprimentou ele, e ficou olhando depois.

Eu: Nossa, claro que não.

Clarissa: Tá bom.

Eu: Julio não chega nem perto de qualquer pessoa que eu já tenha gostado na vida. - tive que me lembrar de Tales nessa hora.

Clarissa: Então tu já gostou de alguém?

Eu: Porra, por que tu quer tanto saber?

Ela sorriu. Falar sobre aquilo acho que tinha deixado ela melhor.

Clarissa: Por nada, Sab, por nada. - ela encostou a cabeça no sofá.

Por que as pessoas estavam insistindo tanto em me fazer lembrar do Tales? Parece que todo mundo adivinha quando tu encontra teu ex que não falava contigo há uns seis meses, logo depois dele ter te fodido. E por que eu ainda ficava acelerada toda vez que lembrava dele? Tava foda. Eu só queria saber o que ele ia me falar na festa. Fiquei fazendo carinho no cabelo da Clarissa, até ela dormir.

Já tava amanhecendo. Coloquei ela no sofá, e fui embora procurar um metrô. No caminho, fiquei pensando no que ia dizer para as meninas, principalmente pra Cait. Iam me zoar pra caralho. Pensei em mentir e dizer que tinha dado umas 5 na noite, mas não tava precisando daquilo, foda-se. Acabei indo pra estação perto da minha casa mesmo, foda-se meu pai.

Não me preocupei em saber se ele ainda estava em casa, e eu tava com uma fome monstra, mas com mais sono ainda. Dormi com a roupa da Cait que eu tava usando mesmo. Assim que acordei fui pra casa dela, me lamentando que já era domingo. Como eu odiava domingo. Pensei em mais mil coisas no caminho, mas o que mais me incomodava era o fato de ser domingo. Que dia deprimente da porra.

A porta da casa estava aberta, como sempre. Ela ainda devia estar dormindo, então fiquei na sala comendo os lanchinhos da mãe da Carol. Resolvi ligar pra ela ir pra lá também, mas o telefone da Cait ficava no andar de cima. Não sei por que ela teve essa ideia infeliz de deixar o telefone fixo no andar de cima. Enfim.

O telefone ficava logo no corredor, no chão mesmo. Cait tinha uma puta casa e não prestava nem pra arranjar uma mesinha no brechó, que deve custar uma calça dessas que ela usa. Ouvi um barulho vindo do banheiro, que ficava no final do corredor. Devia ser ela mesma. Até pensei em avisar que eu estava ali. Disquei o número da Carol enquanto a porta do banheiro se abria. Pra minha surpresa, e que puta surpresa, não era Cait.

Eu: Alice?!

Ela tava saindo do banheiro, toda descabelada, esfregando os olhos. Quando me viu, travou. Já era de se esperar.

Alice: O que.. o que tu tá fazendo aqui?!

Eu: Vim tomar café na casa da minha melhor amiga, e tu? - com certeza não era o mesmo motivo.

Ela me olhou com a pior cara que já a vi fazer. Voltou pro banheiro, pegou uma bolsa preta, que devia ser dela, claro, e desceu as escadas correndo. Ela estava usando umas botas pesadas, que faziam muito barulho. Pude ouvir a porta da sala batendo com força.

Cait: Que porra de barulho é esse, Alice?? - ela gritou do quarto.

Eu: Sou eu, Cait.

Cait: Eu quem, caralho?

Eu: Sabrina, porra.

Cait: SABRINA?! - ouvi uns barulhos de como se ela estivesse se levantando muito rápido, em choque.

Que filha da puta, tava comendo a Alice. Ou não. Não sabia o que pensar. A Alice era uma escrota, mas tinha dito que gostava de mim. Por mais escrota que eu seja, confesso que fiquei mexida com o que ela disse, não sou tão psicopata assim. Sei lá, caralho. Aquela cena toda tava muito confusa.

Cait: Sab?? - ela colocou a cabeça pra fora da porta.

Eu: Eu. - respondi, sentado no chão segurando o telefone.

Cait: O que... tu... a... a... Alice. Cadê ela? O que tu tá fazendo aqui? Tu, tipo, falou... com ela?

Eu: Relaxa, Cait. To ligando pra Carol.

Ela estava com os olhos arregalados e engolindo seco. Acho que eu não era a única que ficava com a boca seca quando nervosa. O celular da Carol chamava, e a Cait ficava ali na mesma posição, parada na porta, segurando um lençol pra cobrir as partes íntimas.

Eu: Vai por uma roupa. To cansada de te pedir pra fazer isso.

Ela voltou pro quarto. Devia tá realmente em choque, nem fez nenhuma gracinha do tipo "bláblá meu corpo de sereia". Carol não atendeu. Continuei ali sentada. A Alice era mais vadia do que eu pensava mesmo, bem que o Cait me disse. Ela não gostava de mim. Acabei de ter a prova disso na casa da Clarissa, caralho. Se a mina gosta de ti, ela não vai dar pra outro cara, muito menos pra tua melhor amiga. Que porra ela tava querendo comigo?

Cait saiu do quarto. De roupa, por incrível que pareça. Continuava com aquela expressão de quem tinha visto o Michael Jackson há pouco tempo, tipo, depois de morto.

Cait: Sabrina, mano.

Eu: Cala a boca, Cait. Para com essa cara de bosta, tu sabe que não tem nada a ver.

Cait: Não, cara. Tem sim.

Eu: Cait...

Cait: Ela gosta de ti, cara.

Eu: Gosta nada, tu ainda acredita nessas putarias que ela diz? Tu era a que menos devia...

Cait: Gosta sim, cara. Ela disse. Disse ontem pra mim.

Eu: Disse pra mim também, com direito a choro ainda. Nem por isso eu acredito.

Cait continuava com a maior cara de enterro, que idiota. Desde quando ela ligava pra esse tipo de coisa?

Cait: Ela não deu pra mim.

Eu: O QUE?!

Cait: Ela não quis, mano. Falou que gostava de outra pessoa, aí eu mandei ela se foder e...

Eu: HAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHA

Cait: Ela falou que era tu. Que foi, caralho?!

Eu: HAHAHAHAHH! - aproveitei que já tava sentada e me deitei no chão.

Cait: Vai te foder, Sabrina, não tem graça. Eu tentei a porra da noite inteira, a guria não deu. Eu fiz tudo que eu sabia pra contornar esse tipo de situação. Tu sabe, não é a primeira guria que eu...

Eu: HAHAHAHAH!!!

Cait: SABRINA, CARALHO!

Cait: Do que tu tá rindo, PORRA? - ficava puta quando zoavam do desempenho sexual dela.

Acho que qualquer pessoa fica.

Eu: Nada HAHAHAH

Cait: Vai te foder, tu nem tava aqui e fica roubando mina minha, que porra.

Eu: Eu não comi a ruivinha também.

Cait: TU O QUE?

Eu: É.

Cait: AHHAHAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHHA! - ela riu o triplo do que eu já tinha rido, de uma vez só.

Eu: Qual a chance, velho? Nós duas na mesma bad.

Cait: A gente zoa a Carol, mas tá parecendo ela com a história da guria com namorado.

Rimos mais ainda. Acho que acontece com todo mundo. As gurias são sempre mais românticas, é difícil uma que dá pra um cara gostando de verdade de outro. Comecei a acreditar na história da Alice. Cait, que curtia muito contar detalhes desse tipo de coisa, falou de todas as maneiras que ela tentou pra fazer a Alice ceder, e ela nada.

Cait: Ela é uma idiota, cara, mas é uma idiota apaixonada.

Eu: Isso é fogo de palha.

Cait: Não, cara. Tu tá fodida. Se a Maiara tiver gostando de ti também por causa daquele dia, tu ta na bosta. Ou não. Depende do teu ponto de vista. Acho que no teu caso tu tá fodida sim. Se fosse eu, comia as duas alternadamente. E um dia ainda chamava as duas pra um a três.

Eu: Tu é nojenta, acho que não te falei isso hoje.

Cait: Mas é verdade. Já que tu perdeste a ruivinha mesmo.

Eu: A Maiara não me curte, ela sonhou que a gente tava namorando e veio com graça na festa, e só.

Cait: Vai nessa. Mas e a Carol, hein?

Ligamos pra ela de novo. Ela finalmente atendeu, e disse que tava dormindo até àquela hora. Cheguei a pensar que ela tivesse passado uns 2 dias dormindo mesmo, mas não. Carol dava umas sumidas dessas de vez em quando. Ela gosta de ficar sozinha. Eu também, mas não tava a fim naqueles dias. Domingo é uma merda, mas qual seria a boa de hoje?

Ela apareceu logo depois e passamos a tarde na pista de skate. Contei toda a história de ontem pra ela, inclusive a parte da Cait e a Alice, porque Cait se recusava a dizer que uma guria não tinha dado pra ela. Dava pra ver na cara dela que tava de bad e, pra compensar, ia ter um surto muito maior do que ela geralmente já tinha de pegar mil minas nessa semana.

Fiquei andando com o skate da Cait. A pista de domingo era ainda melhor. Ninguém tinha nada pra fazer e ia pra lá jogar conversa fora, falar sobre mulher, skate, maconha, música, mulher, skate, mulher e skate. Logo começaram a falar do Julio, o que era inevitável, e eu percebi que tinha me esquecido completamente de contar que ele apareceu no bar. Tava cada uma em um canto da pista, então resolvi contar pra Cait que eu sabia que ia alastrar a notícia rapidão.

Eu: Ei, Cait. Esqueci de te contar quem apareceu no bar ontem.

Cait: Ah, é? Quem? - ela falava de um jeito estranho quando tava com o cigarro na boca.

Eu: O...

Cait: CARALHO, O TED!

Ela ficou alucinada apontando na direção oposta a mim, onde tava Ted. O Ted tinha esse apelido, mas era alto e forte pra caralho, tinha umas tatuagens muito loucas, bem naquele estilo que tu tem de opção pra colocar no teu skatista do jogo do Tony Hawk. O que fazia a Cait realmente ficar alucinada com a presença do Ted era que ele era irmão mais velho do Tales.

Eu: Onde?

Cait: Ali, bem atrás de ti! - ela apontava feito criança quando queria o brinquedo mais caro da loja no natal.

Eu: Po, legal. E daí?

Cait: Como assim "e daí"? É o irmão do Tales, caralho.

Eu: Nossa, cara, sério?

Cait: Para de ironia, sua escrota. Tu precisava falar com ele, lembra? Pra gente sair dessa treta toda com a Victória.

Eu: Pois é. Eu preciso falar com ele, não com o escroto do irmão dele.

Cait: Dá na mesma, porra! Pergunta onde ele tá.

O irmão do Tales nunca tinha gostado de mim. Era meio óbvio por ele ser o mais velho. Eu também teria muito ciúmes se tivesse um irmão mais novo ou irmã mais nova, não tiro a razão dele. Mas ainda assim acho ele um escroto. Tem umas tatuagens muito loucas e anda pra caralho de skate, mas é escroto. Tem coisa que não dá pra tu explicar, o cara era escroto e acabou.

Eu: Eu sei onde ele tá, porra. Não preciso perguntar pro irmão dele.

Cait: Ah, sabe? Onde ele tá então?

Eu: Sei lá, cara. Em casa, provavelmente. O problema não é achar ele, posso vê-la amanhã na aula.

Cait: Com a Victória na cola dele o tempo todo, COM CERTEZA. Tu vai falar com ele pra caralho mesmo!

Eu: Posso perguntar pra ele onde ela tá também.

Cait: Pergunta lá! Liga aí pro teu ex namorado, ele vai te atender mesmo. Aliás, tu com certeza tem o número dele ainda, né? Ele nem deve ter trocado, imagina.

Eu: Agora tu que para com ironia escrota do caralho, porra.

Era foda admitir, mas Cait tinha razão. Eu não ia conseguir falar com Tales tão cedo de novo.

Cait: Sem contar que tu precisa fazer parecer que foi natural, não que foi no interesse. Tu não podes marcar de ver ele, pedir pra ele livrar nossa barra e depois te mandar.

Cait tinha uma mente do capeta.

Cait: Vai falar com o irmão dele como quem não quer nada, vê se ele sabe aonde o Tales vai hoje.

Eu: Até aí eu posso perguntar pra Isabela.

Cait: Não seja troxa, Sabrina! A Isabela é mina e é melhor amiga dele. Qual a chance dela não ligar pro Tales um segundo depois dizendo que tu perguntou dele? Daí tu vai tá fodido, porque ele vai achar que tu curte ainda e vai começar a ignorar só pra fazer charme.

Eu: Tales não é assim.

Cait: FODA-SE, SABRINA. Assim não vai dar certo, cara. Vê com o Ted onde o Tales vai hoje.

Eu: Eu não vou fazer porra nenh...

Cait: AÊ TED!! TU TÁ LEMBRADO DA SAB?

POR QUE CAIT FAZ ESSAS MERDAS?

Ela gritou tão alto que mesmo quem não se chamava Ted e não conhecia nenhum Ted olhou pra gente. Que filha da puta. Quando a gente saísse dali eu ia foder com ela. O Ted olhou em nossa direção com uma cara de quem não sabia se era com ele mesmo. A infeliz insistiu:

Cait: ESSA AQUI! TU LEMBRA? - ela berrava enquanto me apontava com o cigarro.

Eu: Cala a boca senão vou chutar tua cara.

Cait: A SABRINA! DO TALES!


Notas Finais


Sabrina só se fode.


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