História Your beauty had an end (JiKook) - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Bts, Jikook, Jimin, Jungkook, Sad
Visualizações 37
Palavras 3.743
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey, hey, hey! Como vai você? Bem? Espero que sim!

Enfim, é... Eu não sei o motivo de eu ter escrito essa one shot, mas... Ela saiu! (Uma dica: não ouçam músicas tristes quando você já estiverem na merda, porque o resultado nunca vai ser boa coisa. Tá aí essa one shot sad aqui que eu fiz me afogando com Freak de prova).

De qualquer forma, espero que gostem! Qualquer errinho de português, eu dou um jeito de consertar amanhã, porque agora eu já to um pouco caída de sono (até babei na aula hoje... Informação desnecessária? Sim)

Ai, pode ir ler, foi mal as notas disparatadas >< Boa leitura! sz

(AH, CASO QUEIRAM UMA DICA DE MÚSICA, OUÃM MOLLY SANDÉN - FREAK, NÃO TEM NADA A VER COM A HISTÓRIA, MAS EU ESCREVI OUVINDO ELA E ELA É MUITO BOA ENTÃO É ISSO AÍ)

Capítulo 1 - I Love You...


[POV JungKook]

 

- Jimin, volta! Onde você está indo!?

- Vem, JungKook! - ele riu, correndo a minha frente.

Tombei a cabeça, um leve sorriso em meus lábios ao ver a alegria do mais velho. Era como uma criança correndo, os cabelos de um loiro desbotado esvoaçando e ondulando seguindo o ritmo apressado do dono, os braços abertos como se estivesse prestes a alcançar voo. Para onde, eu não sabia.

Vendo-o tomar distância, também comecei a correr.

- Yah, me espera!

- Você é muito devagar, vem!

Rindo junto com ele, impus mais força nas pernas, disposto a alcançar Jimin. À minha frente, ele fazia alguns zigue-zagues em sua corrida sem freio. Por vezes, ele olhava para trás e me dirigia seu sorriso que refletia a animação que sentia. As bochechas já estavam um tanto afogueadas, mas ele não parava.

A grama, de um verde vívido mesmo no fim de tarde, cedia ante ao peso de nossos pés, ambos movimentando-se com rapidez sob o céu tingido por tons de azul, laranja e vermelho, mesclando-se de forma a formar a bela aquarela do pôr do Sol.

Mas nada conseguia ser tão belo quanto Jimin, sua presença destacando-se naquele cenário.

- Yah, Jimin-ah! - chamei-o com a voz ofegante ao parar. - Yah, calma, você está indo muito rápido!

Vi ele também parar e virar-se para mim conforme eu me apoiava em meus joelhos. Jimin continuava sorrindo, o eye smile nem um pouco alterado pelo cansaço.

A blusa branca dele farfalhava levemente em seu corpo, as bocas largas das mangas compridas grudando em seu braço devido à brisa um tanto morna que soprava. A respiração dele estava descompassada, as bochechas mais vermelhas do que nunca, mas ainda assim Jimin parou a minha frente e me deu as costas.

Apontou para elas.

- Sobe, sua lesma.

- Quem você está chamando de lesma!? - perguntei fingindo indignação, voltando a me endireitar.

Ele fez o mesmo, voltando a me olhar.

- Você, sua lesma! Não consegue nem me acompanhar!

- Ah, é assim!? - cruzei os braços, aproximando-me.

Ele assentiu, um pequeno biquinho nos lábios cheinhos.

- É sim!

Revirei os olhos e me despi de meu fingimento. Assim que o fiz, meu braço achou o caminho até o quadril de Park e puxei-o contra mim.

Senti a boca macia dele encontrar a minha. Jimin pousou as mãos em meu peito no mesmo momento, começando a realizar movimentos que indicavam querer aprofundar o beijo. No entanto, antes que ele pudesse, sorri entre seus lábios e, depositando um último selar contra eles, me separei.

O mais velho pareceu um pouco perdido quando fiz isso, o que ficou estampado em seus olhinhos curiosos. Tombei a cabeça mais uma vez e também soltei sua cintura, falando antes de sair correndo:

- Vamos ver quem é a lesma agora!

Sem esperar por nada, saí correndo novamente, deixando Jimin para trás. Apenas depois de vários passos dados ouvi ele falar com a voz risonha:

- Yah, isso foi trapaça!

Nem mesmo olhei para trás, só continuei correndo, ouvindo os passos de meu mochi atrás de mim. Agora era eu quem parecia uma criança, rindo a toa ao correr como se estivesse fugindo de Jimin, num pega-pega que provavelmente terminaria com um beijo de verdade que eu roubaria dele.

Mas... De repente, o som dos passos desapareceu. Tornou-se cada vez mais abafado, abafado... Até que sumisse de vez, deixando apenas um silêncio em minha cabeça. Um silêncio ao meu redor, em que nem mesmo meus passos ou minha respiração ofegante eram audíveis.

Gradativamente, fui desacelerando minha corrida, mas num espaço de tempo tão curto que, ao parar, quase fui arremessado para frente. Com o coração acelerado, mal recuperei o equilíbrio e olhei para trás... Ele não estava mais ali.

Não havia mais nada.

Não havia mais eye smile.

Não havia mais bochechas coradas.

Não havia mais beleza.

Não havia mais Jimin.

Não havia mais nada.

Havia apenas o vazio me fazendo companhia.

- Não, não, não, não...

Meus murmúrios desesperados não adiantaram de nada. Por mais que eu corresse de volta para onde Park estava poucos segundos atrás, olhando para todos os lados com os olhos chegando a desfocar, ele não reaparecia.

- JIMIN! - gritei, colocando a mão em concha ao redor da boca. - JIMIN!

Nada.

Nem mesmo minha voz ecoando. Somente minha voz fraca escapando entre meus lábios entreabertos.

- Jimin... Jimin...

Deixei que meus joelhos cedessem, atingindo a grama que já não parecia mais tão verde. A alegria que eu estava sentindo já não parecia mais tão verdadeira... Parecia como um encantamento que havia tampado meus olhos com suas mãos suaves e enfeitiçadas. E, agora que eu não tinha mais Jimin a vista, a máscara caía.

Dobrei meu corpo até estar com o rosto enterrado entre minhas coxas, deixando que as lágrimas descessem tão grossas que, em poucos  segundos, minha roupa já estava molhada pela minha tristeza.

- Eu não quero ficar sem você... Eu não quero...

Eu soluçava.

Fechei ainda mais os olhos, pensando em como eu não suportaria ficar sem Jimin. Ficar sem sua presença reconfortante, sem ver seu sorriso que me dava forças para sempre ser uma pessoa melhor, sem... Sem tê-lo comigo. Sem ser dele. Sem senti-lo, sem tocá-lo, sem abraçá-lo, sem conversar com ele, sem ouvir sua voz, sem ver a alegria dele, sem aquele que eu amava tanto.

O que... O que seria de mim sem ele...

O que eu era sem ele...

Ergui a coluna, inspirando antes de gritar para o céu. O céu que antes parecia ser tão belo, agora não significava nada além de um véu sujo que me separava de Jimin. Não passava de uma placa de ferro disfarçada de obra de arte, farsa que caiu assim que me recordei que... Eu nunca mais teria quem eu amo junto a mim.

E tudo por causa dessa separação, essa... Maldita separação céu e terra! Vida e morte. Essa... Essa...

- Por que... - sussurrei em meio às lágrimas, meus braços inutilmente largado ao lado de meu corpo cansado. - Por que...

Nenhuma resposta veio. O silêncio vindo das nuvens foi o que recebi. Paradas acima de mim, como se me encarassem de volta e zombassem de mim.

Fechei os olhos, querendo cortar aquele contato visual, tão tóxico mas que me fazia sentir completamente inútil por não poder revidar o gesto que fazia eu me sentir pior ainda.

Meus olhos permaneceram assim, fechados, por um tempo que eu não sabia qual era. Talvez segundos, talvez minutos, talvez horas. Eu não saberia dizer.

Apenas sabia que, quando tomei coragem para reabri-los... Meu coração pareceu afundar dentro do peito.

Alguns metros à minha frente...

Eu nunca confundiria ele. Nunca erraria ao vê-lo, ainda mais naquela situação em que eu me encontrava.

Alguns metros à minha frente...

O cabelo ligeiramente desbotado ondulava na brisa de final de tarde. O Sol poente provavelmente iluminado seu rosto, mas jogando sombras atrás de seu corpo, apenas o tronco visível.

Alguns metros à minha frente... Sentado na beirada do penhasco que encerrava o campo em que estávamos, as mangas compridas de boca larga cobrindo as mãos com curtos dedos, apoiados na beirada escassa de grama.

Engoli em seco algumas vezes antes de tentar recuperar força para me erguer. Completamente tonto, torto e desenfreado, me apoiei no chão com ambos os pés e mãos antes de me endireitar e disparar até ele.

Até Jimin.

- JIMIN-AH!

Minha voz soava entrecortada aos meus ouvidos, mas eu pouco me importava.

- JIMIN-AH! JIMIN!

Ele não olhou para mim. Continuou olhando para frente, para o horizonte longínquo onde o Sol descia para desaparecer por completo.

Mesmo sendo ignorado, continuei correndo. Continuei e só parei ao estar ao lado dele. Meus pulmões puxavam e soltavam o ar com agressividade, o cansaço fazendo com que eu me jogasse sentado junto a Jimin com ainda mais vontade do que o normal.

Virei para ele assim que me ajeitei, os olhos até arregalados.

- Jimin... Por favor, não me ignore...

Ele suspirou ao me ouvir. Deixou os ombros caírem e olhou para mim...

Meu coração doeu ao ver que ele chorava.

Gotas que desciam por seu rosto alvo, refletindo as cores avermelhadas do céu acima de nós dois. Refletiam e continuavam escorrendo, parecendo até mesmo manchar a pele dele.

- Então... É assim? - ele perguntou com os lábios franzidos, de forma a tentar segurar o choro que continuava saindo.

Assenti, sentindo o meu próprio desejando voltar.

- É sim...

Ele franziu os lábios mais ainda. Mas de pouco adiantou, já que as lágrimas coloridas continuaram descendo... E eu já não tinha mais tanta certeza se estavam manchando seu rosto de verdade ou não.

- Eu vou ficar longe de você então... Eu não quero...

- Eu também não quero, acha que quero!? - abri os braços, olhando-o com a visão embaçada. - Acha que eu quero!?

Ele balançou a cabeça e, num impulso, jogou-se contra mim. Enrolou os braços em meu pescoço e enterrou o rosto molhado ali, por vezes depositando alguns beijos na região quente. Eu afagava suas costas, seus cabelos, tentando confortá-lo ao máximo... Mas eu mal estava conseguindo me confortar.

- Eu não quero ficar longe de você... Eu não quero, JungKookie...

Murmurei um "shhh", beijando sua cabeça antes de voltar a afagá-la. Um "nem eu" saiu fraco de mim, já que a perspectiva de ficar sem Jimin era tão horrível que eu não conseguia arranjar força nem mesmo para falar.

E o restinho que eu tinha pareceu esvair-se quando o abraço chegou ao fim. Park separou-se de mim já enxugando seu rosto com bochechas tão fofas, bochechas que eu nunca aqueceria de como era beijá-las. Nunca esqueceria de como era segurar as mãos dele, de como era tê-las ao meu redor num abraço como aquele.

Ele falhava miseravelmente em enxugar as gotinhas, tanto que, em certo ponto, desistiu. Desistiu e, com tristeza, sorriu entre elas. 

Os fios claros emoldurando o rosto dele, farfalhando em torno de seus olhos escuros. Os lábios levemente emburrados por conta do choro, mas curvados para cima, realçando as maçãs do rosto. Park Jimin era uma obra prima. Uma obra de arte que permaneceria emoldurada para sempre em meu coração, num frame eterno que me acalentaria nos futuros momentos desconhecidos de solidão. 

Fiz meu melhor para sorrir de volta. Não tenho certeza se consegui... Mas nossos dedos entrelaçados me davam a mínima vontade real erguer meus lábios, ainda que tudo estivesse para desmoronar.

O que aconteceu assim que o mais velho enunciou:

- Não esqueça de mim... 

Neguei na mesma hora. Uma, duas, três vezes com a cabeça.

- Até breve, Kookie...

Senti os dedos dele escorregarem dos meus. Um crescente pânico surgiu em mim, algo que eu não podia controlar, ao ver o corpo dele escorregar cada vez mais para o abismo. Meus olhos pareciam querer saltar do rosto, meu corpo arrastando-se cada vez mais para a borda sem querer deixar que a mão quente de Jimin soltasse a minha. 

Mas eu não pude evitar.

Eventualmente, o contato desapareceu. E o corpo dele cedeu à gravidade, bem a minha frente.

A última coisa que pude ver antes que ele afundasse em direção ao nada abaixo de nós foram seus lábios enunciarem sem som:

"Eu te amo..."

 

***

 

[POV Narrador]

 

O jovem médico abaixou sua cabeça. A máscara branca escondia a linha tensa que sua boca havia se tornado, os dedos afrouxados em torno de seu bisturi. O som ensurdecedor do monitor cardíaco preenchia a sala de cirurgia, a linha esverdeada na tela tão reta quanto a boca do médico.

Com um suspiro resignado, ele olhou para a enfermeira ao seu lado, que vinha lhe passando os instrumentos necessários para que ele pudesse salvar... Ou pelo menos tentar salvar, o paciente que havia chegado de supetão há poucos minutos atrás no hospital, com quatro costelas quebradas, algumas delas perfurando seu pulmão, parte de seu baço, sem contar das luxações na parte inferior de sua cabeça e a grande hemorragia interna. Infelizmente, o médico não pode fazer muito pelo rapaz antes que tudo isso o matasse.

E ele se sentia mal por isso.

Ainda mais por saber que, do lado de fora daquela sala, havia um garoto aos prantos, que havia vindo junto com o que estava na maca à sua frente. O médico lembrava que, em meio à confusão que irrompeu no hospital quando a vítima de atropelamento chegou no hospital... O garoto que estava esperando notícias parecia a ponto de desmaiar, os soluços dele preenchendo todo o corredor que ligava a entrada de pacientes gravemente feridos, transportados de ambulância, até a sala de cirurgias. 

Suspirando mais uma vez, o cirurgião ergue-se de seu lugar e tirou a máscara para declarar a operação como encerrada. E falha.

Seu coração apertou ao pensar em como daria a notícia para o acompanhante. Ainda mais depois de, em meio aos soluços, ter ouvido ele gritar para o ferido aquela única frase que, antes, havia enchido-o de determinação para salvar mais uma vida.

" Eu te amo!"

 

***

 

- Jimin? Sr. Park Jimin, está acordado?

Park piscou os olhos pesados ao ouvir a voz suave da enfermeira. Piscou algumas várias vezes antes de desobstruir a visão de fato, passando a enxergar o teto branco acima de si. Foi a primeira coisa que viu antes de rolar a cabeça no travesseiro e encontrar uma mulher baixinha toda trajada em roupas brancas, um coque no topo de sua cabeça e um sorriso triste. E, ao lado dela, um homem bem mais alto, uma máscara branca pendurada no rosto ligeiramente triste e as mãos enfiadas nos bolsos das calças brancas. 

A garganta de Jimin estava seca e arranhando quando perguntou:

- O... O que aconteceu?

- Tivemos que sedá-lo, Sr. Park. - a mulher respondeu. - O sr. estava extremamente nervoso, a ponto de desmaiar ou ter um ataque nervoso. Foi o melhor.

- M-me sedar? - ele repetiu. - Nervoso? M-mas por que, cadê o Jung-

Jimin interrompeu-se assim que o nome de Jeon surgiu em sua boca. Como se as memórias fossem um soco diretamente em seu estômago, ele sentou-se desesperado na cama de hospital que estava encerrando, olhando da mulher para o homem sem saber em quem focar seu pânico.

- Onde está o JungKook!? O que aconteceu com ele, ele está bem!? Eu posso vê-lo-não, eu preciso vê-lo! O que-

- Sr. Park, acalme-se! - o homem pediu com um nó na garganta, puxando o ar com força antes de continuar. - Eu sou o dr. JongBin, eu fui o responsável pela cirurgia de Jeon JungKook.

- Sim, sim, e!? - Park interpelou na mesma hora. - Ele está bem, como ele está!? Onde ele está!?

JongBin não respondeu imediatamente. Deixou que seus olhos baixassem até o chão, umedecendo os lábios enquanto pensava numa forma de dar a notícia para o garoto.

Mas Jimin não estava com paciência para esperar por floreios.

- Dr. JongBin, onde está o JungKook!?

O doutor suspirou de forma triste ao ouvir a pergunta num tom até mesmo acusatório. Ergueu novamente os olhos e olhou diretamente nos assustados do mais novo. A voz dele tinha uma pitada de compaixão quando disse:

- Eu... Sinto muito, ele... Ele não resistiu.

 

Park ficou estático ao ouvir isso. 

Não esboçou reação nenhuma. Não chorou, não gritou, não esperneou, não fez nada. 

Permaneceu parado, sentado na beirada da cama, olhando para JongBin como se ele fosse uma miragem, ou algum monstro saído de algum pesadelo.

- C-como?

Ele estava resumido a um fio de voz.

- Nós sentimos muito, Sr. Park... Eu fiz tudo o que pude, mas o estado de Jeon já era crítico demais e ele não resistiu. Você tem minhas mais sinceras condolências.

Fez uma pequena reverência e, junto com a enfermeira, deu as costas para um arrasado Jimin, andando os dois até a saída do quarto esbranquiçado.

Park continuava sentado na cama. Agora encarando o nada. Tentando processar o que o médico havia dito, mas as palavras não faziam sentido em sua cabeça. Nenhuma daquelas frases fazia sentido. As informações não faziam sentido...

 

Pensar que JungKook estava morto não fazia sentido.

 

Como poderia se, há poucos minutos atrás, ele estivera sonhando com ele? Sonhando que estava correndo com ele num campo verdejante, vendo seu sorriso com alguns poucos dentinhos proeminentes e voz alegre dele chamando seu nome? Como poderia se tinha tido um sonho tão vívido, vendo JungKook correndo tão livre e feliz como se nada nunca pudesse dar errado para eles? 

Jimin fechou os olhos, negando para si próprio que tal coisa poderia ter acontecido.

Não, o médico estava enganado... JungKook não tinha morrido... Não, ele não tinha! Ele não tinha ido embora!

Com um peso no peito, lembrou-se do acidente de... Ele não sabia quanto tempo atrás...

Não havia tido nenhuma briga. Nenhuma situação extraordinária. Nada que fosse o ponto alto de alguma história conturbada de amor, não!

Havia apenas a culpa única e exclusiva de Jimin.

Pressionando as pálpebras juntas com toda força, ele lembrou de como havia pedido para que JungKook fosse até o mercado próximo da casa dele para que comprasse alguns morangos para uma pequena surpresa que Jimin queria preparar... JungKook sempre chegava tão cansado em casa, exausto das aulas de dança que prestava numa grande academia de artes em Seul. Sempre chegava suado e quebrado, mas ainda arrumava tempo para sempre dar carinho e amor para Park. Jeon dizia que ver o namorado era suficiente para renovar as forças dele, as quais voltavam com força o suficiente para que os dois se perdessem nos beijos um do outro madrugada a dentro.

Mas, naquele dia... Jimin quis fazer diferente, maldito fosse ele. Ele quis fazer algo especial, um jantar especial na cama para os dois. E, assim que o mais novo chegou em casa, Park fez a besteira de pedir que ele saísse rapidinho para comprar os morangos que faltavam para acompanhar o chocolate. Tudo já estava organizado na cama, o que praticamente os obrigaria a comer depois que saíssem do banho, e não só fizessem sexo ao baterem nos lençóis.

JungKook foi. Foi e Park ficou observando-o da porta de casa, recostado no batente da porta da frente e com um sorriso no rosto ao observar o homem que era só seu. E por quem ele era completamente apaixonado.

Só Deus sabe a dor que o atingiu quando, com os olhos arregalados, ele viu Jeon ser atropelado a poucos metros de casa por um carro que estava sendo dirigido por um bêbado.

O carro desgovernado subiu na calçada, pegando o mais novo com tanta força que o jogou contra a parede de uma casa antes que ele desmaiasse. Jimin nem percebeu que havia gritado, mas esses detalhes pouco lhe importavam: ele deixou qualquer coisa para trás e saiu correndo até onde JungKook estava jogado na calçada, sangrando, tossindo e vomitando sangue em meio a inconsciência.

Park lembrava de gritar desesperado por ajuda, um grupo de pessoas formando-se em volta da cena. Jimin não sabia por conta de qual chamada de quem a ambulância havia ido até onde eles estavam: se havia sido por causa da dele ou de um desconhecido em meio a platéia. Pouco lhe importava também! Só lhe importava ver JungKook bem novamente! Ele nem mesmo teve tempo para brigar com o motorista desgraçado que havia ferido seu namorado. Isso lhe importava sim, lhe importava enfiar as garrafas de bebida que o maluco havia bebido goela abaixo dele e depois socá-lo até que seu nariz estivesse afundado dentro do rosto, mas isso era para depois. No momento, a prioridade era a vida de Jeon!

 

Mas, mesmo assim... Ele não havia resistido para voltar para Jimin.

Não havia resistido para dar amor a Jimin.

Não havia sobrevivido para comerem os morangos que nem mesmo chegaram a ser comprados.

Não havia sobrevivido... Não havia...

 

Jimin escorregou da cama e deitou no chão frio. Seu corpo estirado no assoalho esbranquiçado convulsionava com o choro agressivo, que parecia querer aumentar cada vez mais até sufocar o garoto e aliviá-lo de sentir aquela dor insuportável.

O coração dele estava quebrado em milhares de pedaços. Pedaços afiados que o cortavam por dentro e faziam-no sangrar sem que ninguém visse. Sangrasse por pensar que nunca mais veria o amor de sua vida. E nada doía tanto quanto isso. Nada podia doer tanto quanto isso, nada podia doer tanto quanto o inferno, que era o que ele tinha plena certeza que o estava assolando por dentro ao tentar processar a informação de que Jeon não estava mais ali para ele.

Nunca mais estaria.

 

Seus olhos embaçados voltaram a focar no teto, as lágrimas escorrendo pelo canto de seu rosto que tremia, o corpo estirado de qualquer maneira.

Assim como a parte ruim do sonho que havia tido nos campos verdejantes, ele se sentia cair num abismo. Sentia-se cair, despencar, sem nunca chegar ao solo. No entanto, a queda era muito pior do que a aterrizagem. O ar soprando com a força da dor ao seu redor, enquanto ele cortava o vazio da queda, era pior do que atingir o chão.

 

"Eu te amo..."

 

Mais soluços vieram. E Jimin tinha medo de que eles nunca parariam. Sentindo-se mais machucado do que ele jamais pensou que fosse possível se machucar, ele fechou os olhos e forçou-se a lembrar da imagem feliz de JungKook que havia abençoado seu sonho enquanto estivera sedado, segundo a enfermeira.

Era aquela imagem que ele queria guardar consigo... A beleza viva dele, que tornava até impossível de acreditar que o destino pudesse ser cruel o suficiente para botar um fim em tal beleza. 

Era impossível de aceitar. Era inaceitável.

Inaceitável, inaceitável...

Inaceitável era o que era para Jimin. Tanto que ele esforçava-se para acordar do pesadelo que ele tinha certeza que estava prendendo-o. Um pesadelo e, quando acordasse, veria Jeon deitado ao seu lado na cama, os olhinhos castanhos brilhando e o sorriso emoldurando seu rosto tão bonito. Bonito como a alma dele. Bonito como tudo o que JungKook representava.

E agora, a beleza estava perdida.

Assim, jogado no chão frio de um quarto de hospital qualquer, Park Jimin chorava em puro sofrimento, tentando abraçar o próprio corpo para aplacar o sentimento. De seus lábios secos, permitia que apenas uma frase sussurrada preenchesse o cômodo... E, com sorte... Ela atingiria os ouvidos agora tão distantes de JungKook:

"Me perdoe... Eu te amo..."


Notas Finais


Well, well, foi isso!

De novo, espero que tenham gostado e... É isso aí! sz


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