História Your sweet innocence - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai
Tags Chanbaek, Colegial, Fluffy, Friendship, Kaisoo, Oneshot, Sahsoonya, Ysi
Visualizações 580
Palavras 8.411
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Lemon, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, minhas borboletinhas!!! Seguinte, jogo rápido aqui agora... Essa Oneshot me veio quando estava me escondendo embaixo de uma rocha... Aparentemente, eu não consigo parar de plotar... Pois é, vida que segue.

Eu estou muito ocupada mesmo, mas aproveitei esses minutinhos para postar, e espero que se divirtam lendo essa fluffy marotinha.

[Gente, tenho duas provas hoje! Saí correndo do trabalho para estudar e postar a fic... Espero que dê tudo certo... Façamos uma corrente de oração e daqui uma semana e meia mais ou menos, as provas acabam e poderei respirar. Prometo que volto com MSD (vai ser bem especial, promessa de mindinho). Não desistam de mim]

* Negrito: mensagens de texto
* Erros: inevitáveis, pois estou na maior correria.
Nos vemos lá embaixo, boa leitura!

Capítulo 1 - I think I like boys


Your sweet innocence

 

Caramba que sol forte... 
 

Aquela luminosidade toda estava me atrapalhando de pedalar como eu queria. Apesar de fazer aquilo todo dia, era difícil me concentrar na pedalada com aquela luz forte no meu rosto. 

- O sol está incomodando? - com os braços envolta da minha cintura, Kyung disse, mudando o peso do corpo, enquanto se ajustava na garupa da bicicleta. 

- Não enxergo nada... - falei, entre um ofego e outro. Estávamos nos aproximando da grande ladeira, era hora de diminuir a velocidade. 

Parei a bicicleta, e o menor desceu da garupa lentamente, ajeitando sua mochila nas costas, enquanto me entregava a minha, que minutos antes estava sendo segurada por ele. Continuei empurrando a bicicleta, meio inclinado por aquela ladeira ser tão íngreme. 

- Os dias estão ficando mais quentes... - falei, enquanto caminhávamos lentamente para a escola. 

- Pois é... - falou, sorrindo para o sol flamejante acima de nós. - Vamos poder nadar no Lago... Eu adoro o verão. 

Concordei com um aceno. De fato, KyungSoo e eu sempre gostamos muito do verão. Dessa forma, poderíamos fazer nossas traquinagens de moleque pela vizinhança até mais tarde, já que no inverno não poderíamos, pois os dias são mais curtos. 

Morávamos numa pequena província, com pouquíssimos habitantes e poucos lugares para ir. Assim era nossa vida de adolescente. Digo nossa, por que Kyung e eu sempre estávamos juntos em todas as situações. Ele era meu melhor amigo desde que me entendo por gente. Fazíamos tudo juntos, desde trabalhos escolares até irmos à missa nos domingos de manhã. 

Nossa amizade era do tipo que não precisava de muitas palavras para explicar uma sensação ou opinião. Conversávamos por olhares e trejeitos, todos diziam isso. Não havia segredos entre nós. Éramos como uma coisa só. 

- Ouvi dizer que MinJi vai dar uma festa na casa dela... Será o maior evento que esta cidadezinha já viu. - disse ele, chutando uma pedrinha e ajeitando a mochila nas costas. 

- Pode ser que seja... Mas, não acho que esta festa vá ser tão legal assim não. 

- E por que? 

- É só uma desculpa para ela conquistar aquele garoto que ela gosta. Por isso nos convidou também. Ela sabe que SuHo anda conosco. 

Kyung formou um bico involuntário em seus lábios. 

- Poxa, achei que íamos. Estava todo animado. 

Pisquei pra ele, enquanto podíamos avistar a escola no fim da rua. 

- Quem disse que não vamos? 

Ambos rimos em uníssono. 
 

***

Desde sempre, uma característica marcante de meu melhor amigo foi sua inocência. Apesar de ser um ano mais velho que eu, Do KyungSoo ainda conseguia ser mais ingênuo e dócil que eu. Ele levava minha opinião em consideração o tempo todo e me tinha no mais alto pedestal, por eu ser mais experiente. E com experiente, estávamos falando das duas vezes em que eu estabeleci uma conversação com uma garota. Numa das quais, beijei-a. Para meu amigo, aquilo contava e muito, pois segundo ele, eu devia entender muito mais das coisas da vida apenas por aquilo. 

Eu sempre beneficiei-me desse pensamento dele, mas no fundo ficava realmente chocado com o quão prestativo e inocente meu amigo era. Já o livrei de várias situações nas quais ele era tratado como capacho e posso dizer com certeza que me irritava ver outras pessoas tentando se aproveitar da boa vontade dele. 

Nosso amigo SuHo era o grande mestre da lábia. Ele estava sempre rodeado de garotas, e sempre conseguia arranjar espaço para eu e meu amigo em suas festas. 

Ele e Kyung conversavam animados durante aquela reuniãozinha de amigos, enquanto eu analisava a festa num todo. Todos ali pareciam ter um objetivo em mente... E eu também compartilhava deste. Todos queriam arranjar um par. 

Eu realmente adoraria arranjar alguma garota com quem dançar, já que eu o fazia tão bem, e também dar uns amassos, mas todas as amigas da anfitriã já tinham pares. 

- É impressão minha ou essa festa está um saco? - falei, bebendo meu refrigerante calmamente. 

Kyung se balançava com a batida da música, ignorando as pessoas que praticamente se comiam enquanto dançavam. Ele sorriu pra mim, pedindo que falasse mais alto, e eu apenas fiz um gesto de mão, que significava deixa pra lá. No fim das contas acabei dançando com o Soo como sempre. Ele não tinha a mesma pretensão que eu, e parecia bem em apenas seguir os meus passos alegremente. Após dançar por tempo indeterminado com meu amigo, e lembrando que isso foi muito bom, decidi ir ao banheiro. Havia tomado muitos refrigerantes e precisava tirar a água do joelho. Joguei meu cabelo castanho para trás enquanto andava entre os corpos dançantes dos adolescentes.

Ah, essa festa foi memorável, bem me lembro. Pois foi nela que descobri o que a curiosidade é capaz de fazer com o ser humano. Enquanto tateava as portas em busca de um sinal de possível banheiro, acabei presenciando uma cena, para mim até então desconhecida. Eram dois garotos, eu sabia pelo corte de cabelo. Estavam encostados em uma das paredes do corredor escuro. Um deles era bem alto, tinha cabelos claros e estava de costas pra mim. O outro era menor, eu presumi, pois os braços rodeavam o maior pela cintura, sinal que era mais baixo. Chocado como estava, não consegui me mover enquanto via os corpos colados e via a cabeça do maior movendo-se como se ele estivesse beijando o outro. E não é que estavam mesmo? Mudaram de posição e pude ver que ambos estavam trocando um ósculo cheio de malícia. O garoto menor e de cabelos negros mordia os lábios do outro sem nenhum pudor. Suas mãos escorregaram pelas costas largas até a bunda do outro, na qual deixou um apertão, enquanto o outro sorria entre o beijo. 

Eu devia estar com uma cara muito patética enquanto presenciava aquilo, tenho certeza. Mas, o que realmente me chocou, foram as reações que meu corpo esboçou ao presenciar toda aquela cena. 

O que era aquilo? Aquele formigamento no meu ventre... Os arrepios em minha pele, e aquela garganta seca? Eu jamais havia ficado daquela forma em todos os meus 17 anos de vida. O peso do significado das reações em meu corpo me pareceu muito nítido quando acordei de meus devaneios saindo dali o mais rápido que pude. 

- Nini, que demora... - Soo me disse, quando me juntei novamente a ele. - O xixi mais longo da história. 

Eu estava tão chocado e desligado que sequer ouvia o que ele dizia. Ele continuou falando sem parar, gritando coisas aleatórias pra mim por causa do som alto, mas tudo em que eu conseguia pensar era em como aqueles dois meninos pareciam gostar do que estavam fazendo, e tentei mentir para mim mesmo que aquilo não me afetara. 
 

***

Eu sempre fui um moleque muito curioso, era fato. Portanto, já era de se esperar que eu fosse continuar matutando aquilo que vira, ainda que discretamente. Eu queria, muito mesmo, perguntar a alguém como aquilo que eu vira funcionara, e apesar de aquilo ser não tão bem aceito em minha sociedade, eu não podia negar que aquilo me interessara. Principalmente por que desde aquela cena na festa, eu passara a notar coisas que eu nunca havia notado antes, ou talvez eu não quisesse fazê-lo, pois tinha medo das respostas. 

Era mais uma manhã como todas as outras, e pela e pela enésima vez no dia me peguei olhando para meu hyung enquanto ele lia um livro displicentemente. Não. Na verdade, eu não conseguia desviar meus olhos de seus lábios. Na minha concepção, eles sempre foram muito bonitos e vermelhos, meu hyung era muito atraente. No passado, eu evitava muito pensar sobre esse tipo de coisa, simplesmente por que não é o que garotos fazem, mas após ver aqueles meninos fazendo o que bem entendiam, eu havia ficado curioso para saber como meu hyung reagiria se também tivesse presenciado a cena. 

Ele ficaria chocado? Não ligaria? 

Eram perguntas recorrentes na minha mente, mas que eu ignorava para poder dar total atenção aos traços bonitos e delicados do rosto de KyungSoo, enquanto ele vez ou outra prendia os lábios com os dentes, um reflexo de sua ansiedade, enquanto lia. Ele tinha os olhos grandes e negros bem ocupados esquadrinhando as páginas brancas do exemplar de romance policial, seu gênero favorito, enquanto sua cabeça se apoiava na mão fechada em punho. 

Como seria ficar com um garoto ao invés de uma garota? Ao invés de tocar um corpo de uma menina, como seria deslizar meus dedos pelo corpo de um rapaz? Como seria beijar os lábios de um garoto? 

Era impossível refrear tais indagações. Porém, toda vez que elas tomavam forma em minha mente, a figura de KyungSoo era a primeira e única a preencher meus pensamentos. Talvez fosse por sermos melhores amigos e estarmos sempre juntos. Talvez por que ele fosse o único menino com quem eu tinha mais intimidade. Não poderia ser nada mais que isso, certo? 

- Jongin... Qual o problema? - suas orbes negras estavam bem concentradas em mim, enquanto num rompante eu tentava colocar meus pensamentos em ordem. 

- Desculpe, hyung, me distraí olhando pra você...

Ele arqueou uma das grossas sobrancelhas. 

- Posso saber o motivo disso? 

Pensei um pouco antes de falar. 

- Por que você é muito bonito... 

Como eu já esperava de si, Soo soltou uma risadinha baixa, movendo a cabeça pra lá e pra cá, enquanto enunciava um "tsc tsc" pra mim. Ele não acreditara. 

- Vai ter que arrumar uma desculpa melhor do que essa... 

Dei de ombros, olhando para fora da biblioteca, pela primeira vez imaginando como seria beijar os lábios de Kyung. E eu não me sentia nem um pouco incomodado em imaginar isso. Muito pelo contrário. A ideia era muito, mas muito interessante. 

 

***

Com o passar do tempo, fui ficando cada vez mais curioso. Na verdade, a ideia de estar gostando de garotos sempre estava lá, enterrada no meu âmago, mas eu simplesmente não sabia como tirar a prova disso. Que eu havia ficado mexido com o que houve na festa era verdade. Mas, isso não queria dizer nada. Eu precisava saber o que um cara sente quando se está interessado por outro menino. 

A oportunidade perfeita surgiu num finalzinho de sábado, enquanto eu saía da pequena lojinha de conveniências do meu bairro, dando de cara com um dos meninos que estavam se beijando na festa. Eu o conhecia de nome apenas, mas quando o vi sentado na calçada segurando seu skate e ouvindo música, resolvi me aproximar. 

- Park ChanYeol? 

Ele me olhou de baixo e retirou os fones lentamente, claramente desconfiado de o que eu queria ali. 

- Sim. Quem gostaria? 

- Sou o Kai, tudo bem? 

Ele olhou em volta, acenando com a cabeça e indicando com o indicador que eu me sentasse a seu lado. 

- O que quer, moleque? - ele me fitava com curiosidade. 

- Eu vi você com outro garoto na festa... - falei, mais baixo do que gostaria. Eu não sabia que tipo de reação ele teria então esperei por alguns segundos enquanto ele assimilava o que eu havia dito. 

Ele me fitou bem sério, antes de dizer:

- E... 

Fitei meus tênis all star de cano alto enquanto reunia coragem para perguntar. 

- Bem... Eu queria saber... Como é quando se descobre que gosta de meninos. Sei lá, o que você sente? 

Ele me olhou meio confuso por um momento, em seguida coçou levemente as madeixas loiras, parecendo procurar pelas palavras certas. 

- Olha... É como gostar de qualquer pessoa. Não tem muita diferença. Você gosta e pronto. 

Olhei em volta. Eu não sabia se gostava. As únicas certezas que eu tinha eram que Kyung estava ficando a cada dia mais bonito, que eu não conseguia mais receber seus toques sem certa expectativa, e nem mesmo controlar os impulsos do meu corpo de toca-lo a todo instante. 

- E como eu sei se gosto...? Sabe, de ficar com meninos... 

Ele riu nasalado, antes de se pôr de pé e dizer:

- Bem, eu só conheço um jeito... Mas, vai ter que ser com outra pessoa, por que eu sou comprometido. 

Ri um pouquinho do que ele disse, vendo ele apanhando sua mochila e o skate. 

- Seu corpo saberá como se sente quando você estiver fazendo. Encontre alguém e tire a prova. 

Assenti com um sorriso, vendo-o subir no skate e sair deslizando pela rua. Ainda sentado na calçada peguei meu celular e mandei uma mensagem para meu melhor amigo:

" Soo, vem dormir aqui em casa? Quero que me ajude a descobrir algo... "

Foram poucos os segundos que tive de esperar pela resposta. 

" Claro, Jongin. Vou arrumar minhas coisas... Nos vemos em 15 minutos" 



***

 

KyungSoo não questionou muito o que eu queria descobrir ou em que grau isso o envolvia. Ele era assim, prestativo e sincero. Tais qualidades sempre foram muito admiradas por todos, inclusive por mim... A forma com a qual ele se importava com os outros era mesmo louvável. Felizmente, ele havia visto algumas qualidades em mim também, o que para mim sempre pareceu surreal. Ao contrário de mim, ele nunca foi ciumento ou exigente em relação à nossa amizade. Ele dava tudo que possuía e recebia o que os outros estivessem dispostos a dar, de coração sempre aberto. Ele era uma pessoa maravilhosa. 

Ele estava sentado de indiozinho na minha cama, enquanto ocupava-se jogando um gameboy que não me pertencia. Eu havia ganho o meu no meu aniversário de 10 anos. Esse gameboy tecnicamente era o do Soo, já que o meu eu quebrei por acidente em uma das nossas muitas idas à pedreira para andar de bicicleta. Meu amigo ficou tão comovido pelo meu choro incontido que acabou dando seu brinquedo para mim. Nós o dividíamos desde então. Ambos estávamos usando um pijama e me sentei de frente para si, decidido a perguntar-lhe algo:

- Soo... Você já ficou curioso sobre... Sabe, sobre do que gosta? 

Ele levantou os olhos grandes, curvando um pouco a cabeça em sinal de confusão. 

- Como assim, Jongin-ah? 

Suspirei enquanto brincava infantilmente com meus dedos. 

- Sobre gostar de meninos ou meninas... 

Ele largou o gameboy, pela primeira vez muito concentrado no que eu dissera. 

- Você gosta de meninos, Jongin? 

Olhei pra ele semicerrando os olhos. Ele devia achar que aquilo era algum tipo de piada, já que estava rindo baixinho. Resolvi ser sincero. 

- Eu estou começando a achar que sim... 

Ele parou de rir no mesmo instante. 

- Como chegou nessa conclusão? - a forma como ele me olhava era meio sugestiva. Acho que ele entendeu onde eu queria chegar. 

- Não cheguei ainda... Por isso queria sua ajuda. 

Ele assentiu para si mesmo. 

- Ok. O que precisa que eu faça? - segurou minha mão me passando algum conforto. 

Olhei para sua mão na minha, afastando-a com a mão livre, enquanto me aproximava lentamente. No rosto de KyungSoo uma expressão serena, um tanto ansiosa e curiosa, quando toquei os cabelos de sua franja, afastando-os de seu rosto. Me demorei com os olhos nos traços de seu rosto, fitando os lábios avermelhados e sentindo algo agitar-se dentro de mim... Eu estava ansioso. 

Aproximei minha face da sua, notando como a respiração de KyungSoo ficou acelerada conforme me aproximava. 

- Só fica parado... - sussurrei. 

- Eu nunca beijei ninguém, Jongin... - ele disse, semicerrando os olhos em tom de brincadeira. - Não estrague meu primeiro beijo. 

Ri baixinho, antes de envolver sua nuca com minha mão esquerda, o trazendo mais pra perto enquanto colava nossos lábios. Num primeiro momento foi estranho, por que meus lábios estavam formigando sobre os seus, e também por que ele estava de olhos abertos. Mas, quando criei coragem para aprofundar nosso contato, me inclinando em sua direção, Kyung enfim relaxou, se deixando ser levado pelos meus atos. Senti quando ele agarrou a barra do meu pijama enquanto minha língua buscava a sua. Os músculos se encontraram lentamente, enquanto movíamos as cabeças um pouco pra termos o encaixe perfeito. 

Meus sentimentos estavam confusos naquele momento, mas foi difícil me separar de KyungSoo, pois seus lábios eram tão gostosos... ele suspirava entre o beijo, e suas mãos tremiam enquanto buscavam apoio em meus braços. 

Quando enfim nos separamos, eu estava ofegante e confuso e KyungSoo parecia partilhar dos meus sentimentos. Ele pôs os dedos indicador e médio nos lábios um tanto inchados e ofegou surpreso. 

- Não acredito que fizemos mesmo isso... - falou, fitando-me com uma expressão indecifrável no rosto. 

- Foi muito ruim? - perguntei, achando que havia sido ruim pra ele beijar um garoto. Meu amigo nunca havia expressado interesse algum por pessoas do mesmo sexo, muito menos comentara a respeito, portanto isso me deixava muito inseguro sobre o que fizemos. 

Ele meneou a cabeça numa negativa, suspirando e em seguida desviando o olhar, envergonhado, antes de prosseguir:

- Pra um primeiro beijo, não foi nada mal... Mas, e aí... O que descobriu? 

Peguei o gameboy que estava entre nossos corpos, com cada célula do meu corpo ainda agitada pelo beijo e comecei a jogar, enquanto proferia:

- Agora eu tenho certeza absoluta de que gosto de meninos... 
 


*** 
 

Após o que houve, Kyung e eu não falamos muito sobre o que aconteceu. Continuamos a nos tratar normalmente. Ele não parecia se importar com o fato de que eu gostava de meninos e tampouco deixou de agir como antes de minha recém descoberta. 

Estávamos indo nadar no lago da cidade como sempre, e me peguei analisando com os olhos o corpo de meu amigo enquanto ele se banhava calmamente. A forma como os cabelos molhados caíam sobre os olhos, ou o tronco bem desenvolvido me hipnotizavam, enquanto eu me repreendia internamente. Eu não achava certo imaginar esse tipo de coisa com um praticamente irmão... Mas, o Soo ficava muito bonito com aquela bermuda, enquanto corria displicentemente e pulava de uma grande pedra para a água. O corpo alvo e torneado possuía o equilíbrio perfeito. A peça de roupa, um tanto colada ao corpo revelava que meu amigo possuía um corpo saliente em vários sentidos. Foi impossível não observar a cintura fina dele, em um contraste quase perfeito com as nádegas fartas que ele possuía. Ele estava parado à beira de mais uma pedra, analisando o melhor ângulo para pular, enquanto eu, mesmo que inconscientemente, observava-o de todos os ângulos possíveis. 

E eu me sentia mal por isso. 
 

Por que no fundo eu sempre soube que gostava mais do Soo do que seria saudável, por que eu nunca precisei me preocupar com a possibilidade de ficar sozinho em qualquer sentido da palavra. Nem ao menos imaginava que seria infeliz caso não me casasse com alguém. Para todas as alternativas, a resposta era sempre ele. Ele estaria lá pra mim, portanto eu não precisaria de mais ninguém. E, como sempre, eu estava exigindo algo dele que ele não deveria ter que suprir. Mesmo sabendo que eu gostava de meninos, ele continuou sendo meu amigo sem questionar ou tentar me dissuadir. Ele me queria a seu lado mesmo assim. E era isso que me machucava. O amor dele me machucava, pois eu sabia que ele estava disposto a sacrificar tudo por mim, tamanha era a sua inocência e gentileza. Mas, eu não estava disposto a ter uma amizade baseada apenas nisso... Amizade. Não iria conseguir ser só amigo dele, sem almejar nada mais, uma vez que o sentimento havia começado. Por que eu sempre quis que KyungSoo fosse só meu... Contudo, eu queria ainda mais. Eu queria ele por inteiro, enquanto que ele cultivava a minha fraternidade da forma mais pura e inocente. 

- Vem, Jongin... - ele me chamava. A forma como o fez, por um momento me fez pensar que talvez, só talvez, eu estivesse idealizando algo que nunca aconteceria. Por que ele era meu melhor amigo, e apesar de meu corpo e mente o desejarem desesperadamente, era apenas isso que eu era pra ele também... O amigo. 

Disfarcei, correndo e pulando na água, vendo-o cuspir um pouco de água do lago em meu rosto, numa provocação que eu já conhecia bem. Começamos uma pequena guerrinha com direito a esguichos de água no rosto alheio e Kyung montado nas minhas costas enquanto tentava afundar minha cabeça na água. Como sempre, eu acabei me rendendo, afinal, KyungSoo sempre foi mais forte que eu. 

Ele virou de frente pra mim enquanto sorria, boiando na água com uma expressão serena no rosto. 

- O que é que está atormentando essa sua cabecinha, posso saber? 

O fitei meio envergonhado, enquanto brincava com a pressão da água com as mãos. 

- Não é nada... 

- Uhum, acredito mesmo. Está agindo assim por causa daquele beijo, não é? - ele se aproximou. Meus olhos não conseguiam parar de captar cada momento seu. 

- Sim... Não vou mentir. Isso me atormenta um pouco. - confessei. Ele me conhecia tão bem que seria impossível fingir algo para ele. 

- Qual o problema? - ele se aproximou, apoiando as mãos nos meus ombros. Agitei um pouco a cabeça fingindo tirar água do ouvido. 

- Eu... Só.... 

- Está preocupado que esteja me forçando a aceitar sua opção sexual... Ou o fato de que me beijou. 

Meu hyung me conhecia muito bem. Desviei o olhar, porém sua mão segurou bem meu queixo, forçando-me a olhar para ele. 

- Ei... Isso jamais seria empecilho entre nós. Além disso, eu fiz aquilo por que quis... Ninguém me obriga a nada, você sabe. Não se preocupe. 

Sorri esperançoso. Soo sempre sabia o que dizer para me animar num instante. Porém, a dúvida ainda estava lá, plantada no fundo da minha mente, sem chances de sair dali. 

- Realmente está tudo bem...? - perguntei, fazendo um biquinho teatral. 

- Se continuar agindo assim, quem lhe beijará serei eu. - ele piscou pra mim, e poderia jurar que meu coração falhou uma batida. 

Céus! Será que aquilo era mesmo real? Eu estava mesmo apaixonado pelo meu melhor amigo? 

Sorri, envergonhado, enquanto ele mergulhava mais para o fundo. Se KyungSoo soubesse a força e influência que suas palavras tinham sobre mim, ele jamais diria coisas tão bonitas, tenho certeza. Por que as coisas tinham de ser assim, tão complicadas? 

Mesmo que meu amigo me amasse e aceitasse, ele ainda era meu melhor amigo. Não era certo me aproveitar disso, então decidi que iria descobrir meus verdadeiros sentimentos de outra forma. 
 

***

 

Após sair da aula como de costume, acompanhei meu amigo até em casa, enquanto conversávamos animados sobre o que faríamos juntos nas férias. Éramos tão colados que quando algum dos dois viajava, levava o outro junto. 

 

Eu sentia que por mais que KyungSoo dissesse que respeitaria meus gostos, em nenhum momento ele deixou de me tocar, abraçar, ou fazer carinho em meus cabelos enquanto eu repousava a cabeça em seu colo. Ele se comportava serenamente perto de mim e parecia querer estar cada vez mais perto. Com o passar dos dias... Eu comecei a me sentir incomodado por isso, pois cada vez eu ficava mais esperançoso de algo além de amizade nascer entre nós, mesmo sabendo que para ele essa possibilidade era muito pequena. Ele nunca pensaria em ficar comigo, certo? Eu tinha que tirar aquilo da cabeça. 

- Que pena que não vai poder ir comigo... - ele fez beicinho. 

- Não, Soo... Vou treinar para minha aula de dança amanhã. Divirta-se com sua mãe... - lhe dei um leve cascudo na cabeça, que ele me devolveu com empurrão. 

- Vou sentir sua falta... - falou, desviando o olhar. 

- Ah tá... - devolvi rindo. 

- É sério, seu idiota... - disse, abrindo a porta de entrada de sua casa. 

E foi após deixa - lo em casa, pois ele sairia com sua mãe após o almoço, que tomei a decisão de ficar com alguém. A premissa era bem simples. Eu não sabia se estava mesmo apaixonado por meu amigo, pois só havia estado com ele. Se eu e relacionasse com outro rapaz e não sentisse o mesmo que sentia pelo Soo, eu teria que abrir o jogo. Meu coração doía e pela primeira vez na vida, a companhia de KyungSoo me era dolorida, não por que ele deixara de ser aquela pessoa brilhante, mas por que eu não podia me controlar perto dele. 
 

***

 

Não era para as coisas terem fugido ao controle daquele jeito! Quando decidi perguntar ao tal BaekHyun, namorado do meu novo amigo ChanYeol, se ele conhecia algum carinha legal que pudesse se interessar por mim, não achei que as coisas ficariam tão problemáticas, até por que não estava nos meus planos que KyungSoo presenciasse a cena toda. 

O plano era infalível, mas na prática não funcionou tão bem. Era a inauguração de um shopping novo e eu e o tal JongDae estávamos bem em nos pegarmos ali do lado de fora mesmo, enquanto os dois pombinhos iam comprar os ingressos do cinema. Era um encontro arranjado, como dizem nos dias de hoje. Eu estava muito nervoso, mas a expressão de tédio no rosto de meu companheiro me revelava que não era a primeira vez que ele fazia isso. À primeira vista o achei muito bonito, com aquela pinta de rebelde roqueiro que todo mundo almeja ter, mas mesmo sendo muito bonito e visivelmente interessante, não pude passar nem dois minutos em sua presença sem encontrar erros em sua aparência e atitudes, que não chegavam bem a ser erros. Eram apenas distinções... Distinções entre ele e KyungSoo. 

Pois, KyungSoo jamais sentaria ao meu lado sem dizer uma palavra sequer... Jamais se recusaria à dividir seu balde de pipocas comigo ou olharia daquela forma debochada a uma mulher que tinha dificuldades para segurar os dois filhinhos e fechar a mochila de uma delas, que estava acidentalmente aberta. KyungSoo elogiaria alguns aspectos do filme, mesmo que esse fosse um lixo, simplesmente por que ele acreditava que não era ninguém para criticar o esforço dos outros. Ele dividiria sua refeição comigo, mesmo que estivesse faminto. Ele ajudaria a mulher com as crianças e lhe daria um sorriso, acompanhado de um "crianças são assim mesmo, não é?". 

Eu não poderia gostar de mais ninguém, por que mais ninguém era Do KyungSoo. 

E o segundo maior arrependimento daquela tarde, fora dizer que ficaria em casa praticando minha performance, quando na verdade, saía escondido dele. O primeiro arrependimento, fora deixar que aquele menino me beijasse. Meio sem jeito como estava, nem relutei quando quase no fim do encontro, JongDae resolveu me beijar, bem no meio da praça de alimentação. 

Seus lábios embora belos, não possuíam o mesmo sabor, muito menos a maciez dos de meu melhor amigo. Eles não eram aconchegantes nem ternos como os de KyungSoo. Suas mãos em minha pele não eram carinhosas. Quando sua língua adentrou minha boca, encontrou a minha semelhante e a acariciou. Mas, não havia o mesmo sentimento de ansiedade em mim. Correspondi ao beijo sem muita vontade, enquanto rezava para que aquilo tivesse fim logo. Em meio à aquele ósculo sem emoção, minha audição captou uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar. 

- J-Jongin? - me afastei num rompante de JongDae, avistando KyungSoo parado em frente a nós dois. Em suas mãos havia uma sacola com diversas coisas, e ele estava usando o moletom de Pororo que eu havia lhe dado de aniversário. 

O que me chamou mais a atenção foi a expressão em seu rosto enquanto fitava a forma como eu estava com o outro menino. Eu o conhecia bem para saber o que aquilo significava. KyungSoo estava magoado. 

Seus olhos marejaram, enquanto atrás de si eu via ChanYeol e Baek vindo em nossa direção. Ele abriu a boca diversas vezes, mas foi incapaz de dizer qualquer coisa. Pela visão periférica eu percebi que JongDae alterava olhares de Kyung para mim, visivelmente confuso com o que estava acontecendo ali. 

Eu estava muito envergonhado, escorregando um pouco pelo banco em que estávamos, o mais longe de JongDae que conseguia. 

- Soo... - levantei a mão, tentando reunir coragem para dizer algo, mas minha mente estava em branco enquanto eu me recuperava do choque de ter ele ali. 

- Vai ficar em casa praticando? - ele disse, com a voz trêmula, após engolir em seco, como se fosse difícil falar por estar com um bolo preso na garganta. - Não acredito que fez isso... 

Girou em seus calcanhares, me deixando estático e com os olhos arregalados a observar seus passos pesados pra longe dali. 

ChanYeol se aproximou, assim que KyungSoo passou por ele como um furacão e disse:

- Tudo bem, Kai? Quem era esse? 

Baek olhava para a figura de KyungSoo, afastando-se à distância, antes de morder o lábio e sair correndo. 

Fitei minhas mãos, enquanto o peso da culpa começava a cair sobre meus ombros. 

- Está tudo bem? - JongDae pôs a mão em meu ombro, mas eu a afastei, colocando-me de pé e caminhando para longe dali. Nem me importei com os gritos de ChanYeol, que questionava o que estava acontecendo. 

Um arrepio nada bem vindo se alastrou pelo meu corpo, enquanto eu caminhava, certo de que meu melhor amigo nunca mais confiaria em mim. Se tinha uma coisa que o Soo não suportava era mentira. Desde que nossa amizade começou... Sinceridade era a qualidade que ele mais estimava e da qual ele mais se gabava quando falava sobre nossa amizade. 

Eu havia causado uma situação terrível. Não só Kyung estava magoado, mas ChanYeol ficaria em maus lençóis com seu amigo. Eu queria morrer. Saí dali o mais rápido que pude, atormentado pelo meu egoísmo. Como pude fazer aquilo? Além de tudo, me sentia culpado por trair meu amor por KyungSoo. 

Corri até a casa dele, mas ninguém estava lá. Isso era só uma demonstração do que eu enfrentaria dali para frente. Meu amigo era assim... Sempre que se magoava com alguém, ele evitava a pessoa a todo custo. Mas, eu não queria isso... Eu não queria que ele me afastasse. Eu precisava dele... E agora que descobrira que não conseguiria amar mais ninguém além dele, não queria perdê-lo. 

Enquanto pensava em uma forma de concertar as coisas com ele, me lembrei de nosso esconderijo secreto. Só o usávamos quando estávamos realmente evitando nossos pais ou alguém que nos importunava na vizinhança. Amarrei minha jaqueta na cintura e saí correndo desesperado pelo meio da rua. O Soo tinha que me dar ao menos a chance de me explicar. Eu não o deixaria me abandonar. 
 

A luz na casinha situada no topo daquela árvore estava acesa, já que a luz da lua já começava a iluminar o céu. Havíamos construído aquele esconderijo ao longo dos anos, num pequeno bosque que ficava perto de nosso bairro. A ideia era ser uma casa da árvore, mas como obra de duas crianças sem muito dote artístico, nosso esconderijo secreto não era tão charmoso como nos filmes americanos. A casinha era meio torta para a esquerda e estava ficando um tanto pequena para dois. 

Ofeguei aliviado, enquanto escalava os pequenos degraus que havíamos disposto com uma corda e nacos de madeira sobre a superfície do grande tronco seco da árvore. Quando enfim cheguei ao topo, pude avistar meu amigo sentado de indiozinho, de costas pra mim, enquanto abraçava uma almofada qualquer que deixávamos por ali mesmo. O modo como seus ombros se moviam e ele fungava baixinho mostrava que havia chorado, e muito. Droga, apesar de já ter completado dezoito anos, KyungSoo ainda se assemelhava muito com uma criança. Isso sempre me foi muito fofo, mas agora destruía meu coração. 

- Capitão, posso embarcar? - perguntei incerto, usando nossa antiga senha de criança, tentando dissipar aquela aura horrível. Meu amigo teve um sobressalto, virando pra mim com uma careta. 

- O que você quer aqui? 

- KyungSoo... Vamos conversar... 

- Droga, devia saber que me encontraria aqui... - ele sussurrou, enquanto eu ainda me equilibrava à porta da casinha. - Parece que eu, diferente de outras pessoas, sou muito transparente mesmo... 

Suspirei, triste. 

- Hyung, por favor me deixe explicar... 

- Ok, Kim Jongin... Me explique então por que você mentiu pra mim... Por causa de um garoto? Ficou com medo de que eu fosse impedi-lo? 

Jazi mudo onde estava. Ele havia me desarmado na primeira. Ele era assim, muito direto. 

- Eu... Eu não... 

- O que é? Não consegue encontrar as palavras? Imagine-se no meu lugar, vendo você se pegando com aquele garoto... 

Eu entendia que havia mentido, mas Kyung também devia ver o meu lado da história. Eu precisava esquecê-lo, mas como seria capaz de fazer isso? Como diria a ele que só estava com o amigo de ChanYeol por que queria apagar aquele sentimento doloroso em meu peito? 

- Aquilo não significa nada... - falei, tentando me aproximar, mas vendo-o fazer um gesto de mão, que significava que ele queria espaço. Me afastei, respeitando a delimitação dele. 

- Não parece... Já que chegou aos extremos de quebrar nosso juramento de fidelidade. O que aquele cara tem de tão importante que fez a única pessoa em quem confio nesse mundo mentir pra mim? 

Fitei sua expressão desgostosa, muito ciente de Kyung jamais diria aquelas coisas se não estivesse realmente com raiva e chateado. 

- Ele não significava nada... - tentei argumentar, mas Kyung estava zangado e queria discutir mesmo. 

- Então o que era tudo aquilo? Estava curioso com ele também? Por acaso pediu o mesmo que pediu a mim? Nossa, Kai, eu não acredito que fez isso comigo... - ele fechou os olhos, assim que mais uma lágrima desceu. Eu me sentia impotente. 

- Eu nunca pediria o mesmo que pedi a você a ele... Eu nunca desprezaria algo que foi tão especial pra mim... - falei, com o coração aberto. Não adiantaria dizer algo só pra acalma-lo. Eu seria sincero. 

- E você acha que pra mim não foi, Jongin? Era a porra do meu primeiro beijo! E eu dei ele pra você! Pensei que fôssemos melhores amigos pra sempre... Por que mentiu pra mim? 

Eu não estava mais aguentando. Aqueles sentimentos adversos dentro de mim estavam para explodir a qualquer momento. Não pensei muito, apenas fechei os olhos e disparei:

- Você não entende que não lhe contei por que não queria que soubesse que eu ia sair com outra pessoa pra te esquecer? - todas as palavras saíram atropeladas devido à velocidade com que falei e por causa do modo como saíram muito parecidas com um grito agoniado. 

Kyung me fitou de olhos arregalados. Ele estava com as mãos nos lábios, muito chocado pela minha declaração. 

- Eu gosto de você! Sempre gostei, mesmo sem saber... E quando nos beijamos, eu soube que não poderia mais fugir disso, mesmo que quisesse. A solução que achei foi ficar com outras pessoas, mas nem assim eu consigo deixar de te amar, Soo... O que eu farei agora? Eu não queria perder sua amizade... Por isso eu menti... Está satisfeito agora? 

Meu amigo me fitava em espanto, enquanto eu enfim me dava conta da burrada que havia feito. Paralisei onde estava, abaixando a cabeça, pela vergonha que senti. Imergimos num silêncio sepulcral, só tendo como pano de fundo o som dos cães da vizinhança latindo, e o barulho do vento forte no lado de fora da pequena casinha de madeira. 

Após alguns segundos em silêncio, e tendo suspirado bem fundo algumas vezes, senti algo ser depositado em meu colo. Abri os olhos, dando de encontro com um pequeno chaveiro de ursinho. Fitei o objeto em choque, enquanto sentia KyungSoo engatinhar até meu lado. Estava muito difícil até de respirar. O que aquilo significava, afinal? Peguei o pequeno objeto entre meus dedos, analisando-o. Quando levantei o olhar, vi o pequeno chaveiro de pinguim sendo agitado no espaço entre eu e o Soo. 

Desviei meu olhar dos dedos alvos e fitei o rosto sereno de KyungSoo. Ele se aproximou mais, deitando a cabeça no meu ombro, enquanto eu custava a acreditar que ele não estava mais zangado comigo. Por que ele não dizia nada? Eu acabara de me confessar a ele, mas ele não esboçou surpresa. 

- V-Você realmente gosta de mim, Kai? 

Apenas meneei a cabeça numa positiva. Eu estava muito vermelho, sentia minhas bochechas e orelhas queimando. Aquele contato entre nós era tão reconfortante. 

- Pensei que você gostava de outra pessoa. Fiquei tão triste... - ele sussurrou, juntando os dois chaveiros no meu colo. - Comprei esses chaveiros hoje, pra que cada um tivesse algo do outro. 

Me afastei um pouco para observar seu rosto, enquanto ele levantava a cabeça e prosseguia:

- Aquele seu amigo de sorriso quadrado me disse que você gostava de mim, mas eu não quis acreditar. Você parecia gostar daquele garoto. Me senti um lixo. 

Olhei para ele confuso, enquanto ele se sentava de frente pra mim. 

- H-Hyung, o que quer dizer? Não está mais zangado comigo? 

- Ainda estou zangado contigo. Mas, estou feliz ao mesmo tempo, por que você foi sincero. 

Olhei em volta, tentando assimilar o que ele deveria querer dizer com aquilo. Não lhe incomodava que eu gostasse dele? Nossa amizade continuaria a mesma? 

Ele riu da minha cara de idiota, dizendo enquanto apertava minhas bochechas:

- Ei, seu idiota... Fiquei magoado por que eu gosto de você... 

Meus olhos pareciam querer saltar das órbitas. Ele estava mesmo dizendo aquilo ou eu estava sonhando? 

- Sempre gostei... - sussurrou de cabeça baixa, brincando displicentemente com os chaveiros. - Mas, tinha medo de sua reação, então aceitei apenas o que você estava disposto a me dar. Sua amizade já me era suficiente. Quando você me pediu para que o deixasse me beijar, fiquei tão esperançoso... Mas, o que eu ganho? Você mentindo pra mim e indo se encontrar com outro. Francamente, Kim Jongin... Você me fez chorar de verdade. 

Recebi um leve soco no braço, pela primeira vez me permitindo esbanjar um sorriso envergonhado. O maior dos meus sonhos estava se realizando ali diante dos meus olhos, eu mal podia acreditar. 

- Mesmo, hyung? Você realmente gosta de mim? 

Ele assentiu, segurando minha mão. 

- Sim, Jongin-ah. Na verdade, eu amo você há muito tempo. Você que é muito lerdo pra perceber isso. 

Sorri, me virando para si e o pegando de surpresa ao praticamente montar nele, jogando o corpo menor no chão de madeira, enquanto distribuía beijinhos por seu rosto. Ele se debatia abaixo de mim, rindo enquanto eu o beijava. 

- Ai! Sai de cima, vai quebrar minhas costelas! 

Eu ria, enquanto sentava sobre seu tronco, fazendo cócegas no corpo menor. 

- Estou tão feliz, hyung! Eu te amo! 

- Ai, minha bacia! Sai de cima, Kai... Estou sem ar! - ele me batia de leve, enquanto eu beijava a pontinha de seu nariz. 

- Sempre tão romântico, hyung... - continuei provocando KyungSoo, enquanto ele ria sem parar. 

Em dado momento, ele segurou minhas mãos e puxou meus braços para baixo. Nossos olhares se encontraram. Meu rosto estava muito próximo do seu, e ali, deitado por cima de seu corpo, pude admirar cada traço de seu rosto alvo. Os olhos negros e enormes, com um brilho de felicidade estampado neles, os lábios voluptuosos e rubros, com aquele interessante formato de coração, partidos enquanto ele buscava por ar. A pele macia de suas bochechas levemente vermelhas pela vergonha. Ele era simplesmente perfeito, e me olhava com tanto amor. Eu me sentia completo. 

- Sabe, Jongin... Eu tenho andado meio curioso... - ele proferiu, sem desviar o olhar dos meus lábios enquanto falava. Eu respirava com dificuldade. - Eu acho que preciso da sua ajuda... - piscou sapeca. 

Sorri entrando no jogo, aproximando ainda mais nossas faces. 

- Ok. O que precisa que eu faça? 

Ele sorriu antes de dizer:

- Só fique parado... 

Dessa forma, levantou um pouco a cabeça, beijando meus lábios. Eu jamais havia me sentido tão feliz na vida. Fechei meus olhos, enquanto instintivamente inclinava minha cabeça, até que senti a cabeça de meu hyung tocando o chão de madeira da casinha. Ele adentrou minha boca com sua língua, acariciando meu músculo com o seu. Soltou meus braços, e segurei seu rosto com as mãos, enquanto aprofundávamos o contato. Exerci pressão em seus lábios, sentindo-o ofegar entre o beijo. 

Eu nunca havia sido exposto a esse tipo de situação, e uma sensação de queimação começou a se espalhar por todo o meu corpo, quando senti as mãos de KyungSoo nas laterais de meu corpo. Eu tinha certeza de que o Soo não estava fazendo aquilo de propósito, mas ele estava me deixando ansioso por mais contato. Separei nosso beijo, puxando aqueles lábios doces com meus dentes, vendo seu olhar surpreso. Ele era tão inocente, tão adorável. 

- Quanta ousadia... - brincou, desviando o olhar de meu rosto, provavelmente muito envergonhado da situação. - Na nossa casinha da árvore... 

- Quem mandou ser tão lindo? - falei, saindo de cima de seu corpo, antes que meu inocente hyung percebesse a situação em que meu corpo se encontrava. 

Ele se ajoelhou na casinha, me estendendo o pequeno pinguim, que se parecia tanto com ele que precisei sorrir. 

- Pronto... Agora tem uma parte de mim com você... - ele levou o ursinho ao coração, carinhosamente. 

- Eu quero todas as suas partes pra mim... - falei sorrindo malicioso. O rubor subiu à face de meu hyung enquanto ele disfarçava. 

Ele riu nervosamente, apanhando outras coisas da sacola, e me chamando para vê-las. Enunciei um "tsc tsc" enquanto o seguia e lhe dava um selinho, e sussurrava em seu ouvido:

- Você é tão inocente, hyung... 
 

*** 

Desde aquele dia, todos os meus dias pareciam fazer parte de um grande conto de fadas, nos quais todo dia é uma extensão do "e viveram felizes para sempre". Meu namoro com o Soo começou naquela noite fatídica, dentro da casinha da árvore, onde confessamos nosso amor recíproco de tanto tempo e iniciamos uma etapa completamente nova, na qual mergulhamos cabeça um no outro. 

Minha maior alegria era pedalar com ele na minha garupa, enquanto ele deitava a cabeça nas minhas costas e abraçava minha cintura com seus braços, muitas vezes entoando alguma canção, fazendo com que eu sentisse a vibração de sua voz em meu corpo, tornando aquela rotina tão maravilhosa, que nunca mais reclamei do sol em meu rosto ou de ter que empurrar a bicicleta na ladeira, por que dessa vez, uma das minhas mãos certamente estaria entrelaçada à sua, enquanto sabíamos a rua da escola juntos. 

Naquele dia no shopping, Baek seguira meu namorado e lhe dissera que acreditava que eu gostava dele. Esse fato isolado, fez com que Kyung virasse amigo do baixinho quase que instantaneamente. Dessa forma, nossa pequena dupla evoluiu um pouco, já que agora tínhamos mais amigos, menos JongDae, é claro. Toda vez que ele era citado por BaekHyun, eu recebia um cascudo ou chute de meu namorado, que não aceitava que meus lábios haviam sido beijados por outro que não ele. Ele inclusive gostava de enfatizar isso, pois como vim a descobrir, Kyung podia ser muito vingativo quando queria. 
 

Apesar de sermos muito diferentes, esse fato parecia apenas demonstrar o como fomos feitos um para o outro. Todo e qualquer defeito de KyungSoo, se é que ele os possuía, só me deixavam a cada dia mais apaixonado. E junto com minha adoração pela pessoa dele, veio a constatação de que ele era realmente muito mais inocente do que parecia. E eu naturalmente era muito mais malicioso do que gostaria de admitir. 

Eu sempre ficava em maus lençóis, por sempre me animar demais com os castos toques que compartilhávamos. Quase sempre me pegava observando o corpo incrivelmente viciante de meu namorado deitado despreocupadamente em minha cama imaginando as mais diversas situações entre nós dois, nas quais eu pudesse ter maior acesso àquela obra de arte que ele era. Ele mal se dava conta de que isto acontecia, pois quase sempre eu fugia, temeroso de que ele percebesse o quanto eu desejava evoluir nossa relação. 

Mas, quando estávamos para comemorar nosso primeiro aniversário de namoro, descobri que as coisas estavam prestes a mudar. Cheguei em sua casa, subindo as escadas correndo como sempre fazia, entrando em seu quarto, já que meu namorado estava na aula de canto, e comecei a tirar de dentro da minha mochila toda a decoração que eu preparara para aquele dia especial. Comprei uma aliança com nossos nomes gravados, trouxe o prato preferido de KyungSoo e comecei a arrumar o quarto, notando uma bolsa estranha aberta no meio de sua cama de casal. Estranho. Nunca vi aquela mochila ali. 

Quando me aproximei, pude ver o que havia ali... Vários cremes de massagem, velas aromatizadas, e aquele popular tubinho que eu já ouvira tanto falar, por Baek e ChanYeol. Pus a mão nos lábios, surpreso por aquelas coisas estarem ali. O que significava aquilo? Foi nesse momento que ouvi a voz de meu namorado vindo de dentro de seu banheiro:

- Sim, Baek... Fiz tudo que você me ensinou... Sim, terminei com meu corpo, agora vou arrumar o quarto... 

Do nada ele abriu a porta, saindo apenas de boxer com o celular colado ao ouvido. 

Eu estava tão chocado que mal pude me mexer, ficando lá parado no meio do quarto, com o tubinho de lubrificante na mão, e com o queixo caído, pela visão do corpo de KyungSoo. Ele possuía pintinhas pelo peito forte... As coxas grossas e roliças eram simplesmente perfeitas e a cintura fina contrastava com o corpo torneado. Há alguns meses ele me acompanhava à academia e seus longos treinos estavam surtindo o efeito, pelo que eu percebera. 

Ambos ficamos ali parados, enquanto meus olhos passeavam pelo corpo dele, indo da boxer preta à cada ponto de seu corpo. Sua expressão facial era chocada, e por causa do silêncio eu podia ouvir a voz de BaekHyun do outro lado da linha, perguntando por que meu namorado parou de falar. O rubor subiu ao meu rosto no mesmo momento em que subiu à face de Kyung que deixou o celular cair, envergonhado ao ver o que eu segurava. 

- E-eu... V-Você não devia ter visto... E-eu só estava preparado caso... Algo... 

Ele desatou a falar, nervoso como sempre, aos poucos falando mais baixo, enquanto eu me aproximava lentamente. KyungSoo sabia o quão importante aquilo era pra mim, e já havia confessado que não investia num contato mais profundo por vergonha. E eu sempre o respeitei. Fiquei muito feliz por saber que ele estava dando esse passo por mim, afinal, ele era muito inocente. 

Ele continuou falando coisas sem sentido enquanto tentava vestir um robe, quando me aproximei o suficiente para tocar seu rosto com uma das mãos. 

- Você planejou isso? Por mim? - seus olhos encontraram os meus, enquanto ele corava violentamente. 

Ele tentou argumentar, e por fim acabou se rendendo, acenando com a cabeça. 

- Eu... Queria que fosse especial... Te amo, Jongin... E quero ser seu de todas as formas. Não era pra ter descoberto assim... 

Sorri, abraçando seu corpo seminu, tentando não focar muito na sensação de minha pele contra a sua, apesar de estar em chamas com a visão que estava tendo. 

- Obrigado, meu amor... Não poderia ter planejado algo melhor... Mas, não quero que faça algo para o qual não se sente preparado. 

- Não! - ele gritou, me fitando firme. - Eu quero isso... 

Senti quando seus dedos se entrelaçaram nos cabelos castanhos da minha nuca. Seus olhos bem concentrados em mim. 

Levantei minha cabeça que estava apoiada em seu ombro, aspirando o cheiro delicioso de seu perfume em seu pescoço, sentindo-o se sobressaltar entre meus braços. 

- Tem certeza? 

- Ando meio curioso, sabe? - disse ele, rindo baixinho, enquanto ficava na ponta dos pés para me beijar, já que eu era um tanto mais alto que ele. 

Sorri entre o beijo, enlaçando o corpo do Soo, enquanto nos guiava até sua cama. 

- Nada mais justo que eu sanar essa sua curiosidade, não acha? - falei, sussurrando em seu ouvido, enquanto ele retirava minha jaqueta jeans lentamente. 

Nos beijamos enquanto minhas roupas iam ao chão, em seguida falei, enquanto tirávamos as coisas que eu trouxera de cima da cama:

- Eu preparei algumas coisas pra hoje... - falei, enquanto Kyung abria o zíper de minha calça, muito concentrado em meu tronco bronzeado e nu. 

- Isso pode esperar... - ele falou, ainda corado. 

Ambos rimos quando caímos na cama. Kyung estava por cima de meu corpo, e riu quando me sentiu apertar sua cintura, enquanto enunciava um "seu danadinho". 

Ali entre seus beijos no meu corpo e sussurros de quanto amávamos um ao outro, concretizamos mais uma fase de nosso amor. Enquanto sentia a pele macia de KyungSoo em contato com a minha, parecendo queimar a cada novo toque, reivindiquei mais uma parte de Kyung pra mim. Entre aqueles lençóis sanamos todo o tipo de curiosidade que pudéssemos ter, enquanto nos movimentávamos em sincronia... As respirações ofegantes enquanto as mãos urgentes exploravam o corpo alheio. Juras de amor, misturadas ao suor de nossos corpos enquanto nos amávamos da forma mais bonita possível. 

Eu jamais seria capaz de imaginar que seria tão feliz com meu melhor amigo, e ali enquanto acariciava seus cabelos negros e suados, lhe disse mais uma vez que o amava, antes de alcançar o estado máximo de prazer, vendo KyungSoo me acompanhar, abraçando meu tronco, enquanto pela vigésima vez jurava seu amor por mim... Um amor sincero e puro, que seria capaz de suportar a qualquer situação. Um amor verdadeiro. 

Na manhã seguinte, enquanto observava o corpo adormecido de meu namorado repousando calmamente em meus braços, decidi que faria com que nosso amor perpetuasse por quanto tempo eu vivesse, pois KyungSoo me dera tudo de si, desde sua amizade, inocência e seu amor incondicional, e eu queria fazer o mesmo por si, enquanto houvesse sopro de vida em mim. 

Coloquei a aliança cuidadosamente em seu dedo anelar, de modo a não acorda-lo e beijei a mão pálida, vendo como seu rosto sereno reluzia à luz dos raios de sol que entravam pela janela, feliz por saber ele me pertencia tanto quanto eu pertencia a ele... E agradecendo internamente por minha própria curiosidade, afinal, fora ela que me levara ao meu atual estado de felicidade. E eu faria com esse sentimento perdurasse para sempre... 

 

*** Your sweet innocence ***

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


É isso aí... Como a gente achou que ia seeeeeeer... - parei.

Se alguém encontrar algum errinho, por favor relevem, vou betar bonitinho depois, ok?

Gente, alguém me ensina a escrever OS menor? hahahaha q-
Bem, espero que ninguém tenha ficado diabético... E que tenham curtido. Obrigada pelo apoio constante e vejo vocês em MSD.

Bora pra prova (Deus no comando) Quem quiser deixar seu comentário, ou uma oração pela minha vida nessas provas é super bem vindo... Lerei todos com muito carinho. Obrigada por lerem e uma semana linda pra vocês! Fui!


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