História You're bruning up, I'm cooling down. - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Jon Snow, Sansa Stark
Tags Game Of Thrones, Jon, Jonsa, Romance, Sansa, Snow, Stark
Exibições 138
Palavras 2.456
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Mais um capítulo pra vocês <3
Queria agradecer bastante aos comentários e incentivos. A participação de vocês é muito importante pra mim. Espero que goste <3

Capítulo 18 - Promise me, Jon.


Jon estava sozinho na sala do conselho. Observava os cantos vazios do cômodo frio. Era cinza e denso como uma prisão. Era sua prisão. Lembrava-se de quando ansiava poder comandar Winterfell, um sonho de garoto. Agora o peso caía-lhe sobre as costas e a causa era o fato de Sansa estar tão miserável que sequer conseguia sair do quarto. Sentia-se falhando em mantê-la protegida. Parecia incapaz de tomar as dores que sentia. Agora com a possibilidade de perder Davos a viu ir por um caminho amargo. Queria poder ser grato à Melisandre por tê-lo trazido de volta, mas não era capaz. Davos a odiava e saber que haviam recorrido a ela para curá-lo com certeza o faria desejar estar morto. Tragou um longo gole de vinho quente e fechou os olhos. As coisas andavam agitadas em Winterfell. Com a chegada dos homens da Campina e de Dorne, teve que resolver casos de desavenças, choques culturais, encontrar espaço para abrigar e proteger os homens do frio que não estavam acostumados. Os arredores eram tomados por tendas coloridas que contrastavam com a neve de forma divertida. Era o sol Martell tremeluzindo no dia cinzento que o aquecia pelas manhãs. A ideia de ter tantas culturas reunidas por uma única causa era de fato animadora, mesmo com todas as responsabilidades que carregava.

Willas Tyrell chegara arrancando de si a certeza de que ficaria com Sansa sem qualquer empecilho. Pensava em oficializar o que sentiam um pelo outro, mas viu-se obrigado a guardar para si a vontade que tinha de desposá-la. No entanto, Willas se revelara alguém flexível e Jon às vezes sentia-se mal por não conseguir tratá-lo de maneira cordial na maior parte do tempo. Mesmo quando o herdeiro Tyrell lhe contou que não tinha intenção em forçar um casamento, não conseguia deixar de vê-lo como uma ameaça. Os Senhores do Norte escolheriam o herdeiro da Campina e Protetor do Sul para ser marido da Rainha do Norte em detrimento de um bastardo como ele. E aquilo o perturbava. O fazia pisar em falso quanto a própria confiança. Observou enquanto o dia amanhecia e o sol brilhava à sua maneira através dos flocos de neve que caíam. Sonoras pancadas na porta anunciaram a chegada de Tormund. Jon sorriu para o homem.

— Dormiu bem?

— Como uma donzela abraçada por uma cama macia. E aquelas paredes ferventes me aquecendo! Nunca dormi tão bem, Jon Snow. — o homem comentou entusiasmado.

— Fico feliz — a voz de Jon era distante e ele não compartilhava o entusiasmo.

— O que perturba sua cabeça de lobo? — o homem perguntou se sentando em uma das cadeiras vagas.

— Como estão as coisas na Muralha? — Jon tratou de se esquivar da pergunta.

— Ah, você sabe. Nada mudou de verdade. Só o frio. Está cada dia mais frio. E Edd comentou que precisa de homens, não há nenhum patrulheiro novo chegando nesses novos tempos, o resto do reino pareceu esquecer-se da Muralha. O que é um erro. — Tormund disse sombrio, deixando o sorriso morrer em sua face. — Mas você parece ter um bom exército aqui.

— Conseguimos alianças novas. E temos prisioneiros de guerra em nossos calabouços, oferecerei a eles a possibilidade de vestirem o negro. É preferível à morte. São bons cavaleiros, livres e juramentados, e sabem lutar com espadas. — Tormund assentiu. O homem parecia preocupado. — Há algo errado?

— Apenas sinto que chegará logo a hora de marchar para a Muralha.

— Estamos preparados — Jon tentou manter-se confiante.

— Estão mesmo?

Por algum motivo, Jon não conseguiu responder àquela pergunta. Sentiu medo. Sentiu a responsabilidade pesar. Era seu dever. A voz de Melisandre lhe proferindo uma profecia que o sentenciava ecoava em sua mente.

— Temos que estar — concluiu. Não havia opção. — Vou providenciar os homens para a Patrulha. Quando parte?

— Logo. Há algo que gostaria de pedir, Jon. — a voz do selvagem se tornou suave assim como sua expressão.

— Pode me pedir qualquer coisa, Tormund. Farei o que estiver ao meu alcance.

— Não quero minhas crianças e idosos na Muralha quando a Guerra chegar. Seria capaz de acolhê-los em Winterfell? — Jon sorriu. Tormund tinha um coração bom e se perguntou por que não tinha sugerido aquilo antes ele mesmo. Estava tão preocupado com Sansa que sequer passou por sua cabeça.

— Claro que sim. Tenho certeza de que Sansa também receberá seu povo de braços abertos.

— Será um bom rei, Lorde Snow.

— Não sou nenhum rei — disse severo.

— Você será. Um dia. Você e sua Rainha Loba — o homem riu.

— Do que está falando?

— Se até eu posso ver, me admira saber que todos no castelo não possam também.

E então ele partiu, deixando Jon com uma expressão intrigada. Perguntava-se quando havia deixado de ser discreto sobre Sansa. Talvez não fosse tão bom em disfarçar. Seguiu os passos de Tormund e saiu da sala, seguindo pelo corredor até o quarto em que Sansa estava com Davos. Quando entrou, encontrou o homem acompanhado apenas por uma criada. Era uma menina de feições simples.

— Onde está Sansa? — questionou. Ultimamente não a encontraria em outro lugar senão aquele.

— Lady Sansa partiu muito cedo, pediu que lhe preparasse um banho quente em seus próprios aposentos.  — a menina lhe respondeu de forma tímida.

— Como ele está? — analisou Davos. O homem parecia mais saudável, a coloração pálida lhe deixara e suas bochechas eram coradas. A respiração era suave ao invés de pesada e não tinha a película de suor comum a ele nos últimos tempos.

— Vai ficar bem — ela abriu um sorriso confiante que Jon retribuiu antes de deixar o quarto.

Partiu para encontrar Sansa. Hesitou por um instante, incerto, mas logo bateu de leve na porta. Ouviu a voz dela lhe dando permissão para entrar. Encontrou-a penteando os cabelos enquanto sentava-se de frente para uma penteadeira.

— Como está? — perguntou se aproximando. — Não a encontrei no quarto de Davos, o que é estranho. O que Melisandre lhe disse ontem?

— Nada — ela se virou para olhá-lo. Jon percebeu algo diferente, mas não soube dizer o que. — Apenas pensei que era hora de retomar meus deveres, me mantive afastada por tempo o suficiente. — sua voz era firme e seus olhos tinham um brilho determinado.

— Há algo diferente. — ele constatou. — Você pode me contar se ela lhe fez algum mal, Sansa. Você deve me contar.

Sansa cessou a distância entre eles, tocou sua face com as pontas dos dedos de maneira suave e lhe tomou os lábios de forma voraz. Jon hesitou. Não entendia sua atitude, mas não era capaz de negá-la. Envolveu-a em seus braços e a puxou para si. Sentiu o perfume dos fios recém-lavados e logo os tocou, enterrando sua mão entre eles. Sansa separou seus lábios para recobrar o fôlego e o olhou.

— Sei que tenho estado distante esses últimos tempos, mas agora voltei. Não posso mais aceitar a condição de miséria, Jon. Sou a Rainha que o Norte escolheu. Melisandre não me falou nada, fique tranquilo. Sou apenas eu. Estou cansada de precisar ser salva o tempo todo. — Jon a analisou. Procurou pela mentira em suas palavras. Não encontrou. No entanto, suspeitava da atitude por algum motivo.

— Fico feliz por isso. Ainda terá que enfrentar a ira de Davos quando ele acordar. — repuxou um sorriso de lado.

— Posso lidar com Davos — ela retrucou. — Tenho que ir agora. Vem comigo?

— Sim, apenas espere um pouco. — ele selou seus lábios em um gesto urgente e tomou a face dela em mãos. — Preciso conversar com você.

— O que há? — ela ergueu uma de suas sobrancelhas acobreadas e o olhou com dúvida.

— Tenho ensaiado por um tempo, mas acredito ser chegada a hora. Tudo está um caos, Winterfell tem mais homens do que pode abrigar, temos um choque cultural imenso em nossas paredes. Temos uma guerra se aproximando. Mas nada disso parece me preocupar tanto quanto a possibilidade de perdê-la. — Jon fechou os olhos e suspirou.

— Não vai me perder — Sansa afirmou séria. Jon não percebeu, no entanto, quando ela vacilou.

— Preciso ter certeza. — ela acenou, aguardando. — Sansa Stark, você me daria a honra de ser minha esposa?

Sansa não encontrou as palavras para formular uma frase com sentido. Sentiu quando um nó se formou em sua garganta a impossibilitando de falar.

— Eu...

— Antes de dizer qualquer coisa, use seu coração. Não deixe a razão esmagar nosso amor. Não deixe que o que somos seja reprimido por convenções estúpidas. Eu sou o homem para você, Sansa Stark, e você sabe disso.

Sansa não pôde evitar abrir um sorriso.

— Somos sobreviventes. Sim, Jon Snow, eu aceito ser sua esposa.

Jon riu entusiasmado e sentiu quando seu coração passou a pulsar aliviado. Quando seu corpo esquentou ao beijá-la e ergue-la em seus braços.

— Agora teremos que lidar com todos esses nobres. Mas que se danem eles.

— Eles adoram você, Jon. Todos o amam. É O Lobo Branco. — ela voltou a tocar sua face. — Apenas me prometa uma coisa.

— Lhe prometo o que for, Sansa.

— Se algo me acontecer... Na guerra. Prometa que não hesitará nem por um momento, prometa que colocará a paz em primeiro lugar, que irá lutar, que não irá fraquejar. Não importa o que aconteça, prometa que não se deixará abalar. — Jon viu quando os olhos dela se tornaram marejados por lágrimas e sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha.

— Por que... — Sansa o silenciou com um toque nos lábios, o impedindo de prosseguir.

— Prometa-me, Jon... — os olhos de Sansa eram dois oceanos de súplica lhe mirando.

— Prometo. — viu-se obrigado a dizer resignado. Não sabia o motivo, não concordava com aquilo, mas não encontrou dentro de si palavras para negar.

***

Prometa-me, Jon... As palavras ecoavam na mente de Sansa. Estava sentada na cadeira principal da sala do conselho, sendo obrigada a embalar suas mágoas. Sendo obrigada a esconder o que as palavras de Melisandre haviam causado dentro de si. Era uma confusão torturante. Mentir para Jon era difícil. As vozes eram ecos de outra realidade passando por seus ouvidos sem serem assimiladas.

— Isso é um ultraje! — a voz alterada de Wyman Manderly a despertou de sua divagação.

— Está sendo radical, meu senhor. — Willas disse, a fala era suave e diplomata.

— Essas pessoas são tão nortenhas quanto nós, precisam de tanto teto sobre suas cabeças quanto nós. Sansa é Rainha do Norte e deve preservar a vida de todos os que aqui habitam — Jon falou com uma bravura em sua voz que era palpável. Lorde Manderly se encolheu em sua cadeira.

— Lorde Wyman, admiro sua preocupação, mas devo lembrar-lhe de que os selvagens lutaram bravamente na Batalha contra Ramsay, devemos muito a eles. Não faço mais que minha obrigação em acolhê-los em Winterfell e o faço de bom grado. — Sansa repuxou um sorriso forçado em seus lábios, mas era verdade que por vezes Wyman Manderly a irritava.

— É bom tê-la aqui. — Willas comentou e sorriu para Sansa admirado. Jon se remexeu desconfortável e pigarreou.

— Apenas a senhora consegue manter esse velho gordo e retrogrado em seu devido lugar — Lyanna Mormont comentou debochada.

— Por favor, senhores, peço que se respeitem. — Sansa sentiu vontade de revirar os olhos. Estava impaciente e não suportava mais aquilo. — Esse assunto está encerrado. Irei receber o povo para além da Muralha em Winterfell e não aceito questionamentos. — o tom de sua voz deu o assunto por encerrado.

— Temos outro tópico a debater, senhora. — Robett atreveu-se a quebrar o silêncio que parecia uma frágil película de gelo sobre um rio profundo e perigoso. Sansa acenou para que ele prosseguisse. — Alguns homens Lannister capturados na Batalha de Correrrio se recusaram em vestir o negro. O que devemos fazer com eles?

— Devem encontrar a lâmina de uma espada — Sansa definiu fria. Jon a olhou com preocupação. Não via a Sansa passional naquela mulher ali sentada, a mesma mulher que hesitou matar Mindinho. Não havia sequer sinal dela. Estava mudada. — Há algo mais?

Podrick se revelou. Estava encolhido na parede lateral e nada dizia, já que ninguém lhe dirigia a palavra.

— Há uma carta. — Ele colocou dois pergaminhos com cuidado sobre a mesa. Sansa pegou o primeiro, deixando o segundo intocado, com receio de abri-lo.

Rompeu o selo de águia da casa Arryn e leu as palavras de seu primo em uma caligrafia aos garranchos e difícil de ler. Imaginou que ele mesmo insistira em escrevê-la.

— Robert diz que podemos continuar com os homens do Vale o quanto desejarmos. Lamenta a morte de Lorde Baelish. — disse as últimas palavras com uma amargura na voz.

— É um garoto sensato, embora enfermiço. — Willas disse. — Com os homens certos ao seu lado será um bom Lorde para o Vale.

— A morte de Lysa foi o melhor para garoto — Sansa constatou lembrando-se de como sua tia mimava o primo.

Sansa deixou a carta de lado e recolheu o segundo pergaminho. Todos prenderam a respiração ao ver o símbolo ali impresso. Sentiu os olhos sobre si, curiosos. Rompeu o selo de dragão em cera vermelha e leu.

— Daenerys Targaryen atracou na Baía da Água Negra com seu exército Dothraki e seus mil navios Greyjoy. Cersei Lannister está morta. Exige que ajoelhemos perante ela e que o Norte se renda.

— A Ilha dos Ursos não reconhece nenhuma Rainha além da Rainha do Norte cujo nome é Stark — Lyanna anunciou impassível e recebeu o coro de concordância vindo de Glover e Manderly. Foi Willas, no entanto, que fez Sansa prestar atenção no que era dito.

— Daenerys Targaryen será nossa Rainha, senhores, disso não há dúvidas. No entanto, não vejo como seria vantajoso para ela comprar uma guerra com o Norte. Envie-a uma carta, ela saberá ser sensata. Minha avó já deve estar trabalhando em vender nossa causa. Além do mais, ficará feliz em saber que não é a única Targaryen no mundo. — ele olhou sorridente para Jon.

Só então o bastardo Stark e Targaryen pareceu tomar consciência de que aquela era sua tia, irmã de seu pai. Sentiu Sansa o olhando e trocou olhares com ela de maneira silenciosa. Sentiu conforto.

— Assim será feito, então. Se a história sobre seus dragões for verdadeira, então será de grande valia para nossa causa. — Sansa disse, por fim. — Antes de irem, no entanto, há algo que quero falar.

Jon a observou. Sentiu quando seus olhares se cruzaram novamente que ela falaria sobre eles.

— Tenho um anuncio a fazer. Não espero a compreensão de todos, no entanto, terão que se forçar a compreender. Irei me casar.

— Já sabemos disso, Lady Sansa. É por isso que Lorde Willas está aqui. — Robett comentou.

Lyanna Mormont deixou uma risada escapar e Willas fez o mesmo.

— Não é de Willas que nossa Rainha fala, Lorde Glover. — Lyanna comentou debochada. — Vamos, conte a eles, quero ver suas caras. — Sansa percebeu que a menina já sabia. A semelhança com Arya era mesmo assustadora, era observadora e com certeza havia percebido algo.

— Irei me casar com Jon. Jon Snow.


Notas Finais


E aí, o que acharam?


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