História Youth - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Adolescentes, Comedia, Dança Créu, Drama, Festa, Skins
Exibições 69
Palavras 13.431
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Festa, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Slash, Suspense, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


OI GALERA, NÃO ESTRANHEM O NÚMERO DE PALAVRAS!
esse capítulo é o especial de Halloween que eu disse que ia fazer.
''ai Juliana mas o Halloween já foi''
eu sei né viado mas eu estava - ainda estou - ocupada estudando pra passar na etec e não deu pra escrever, por isso agora está saindo em novembro, não em outubro, mas tudo bem, acontece.

Eu gostei de algumas partes desse capítulo, de outras não, mas enfim, um dia a gente aprende a lidar com isso.

Leiam com carinho, amo vocês de todo o meu coração.

AAAAAH, outra coisa, como sempre, me perdoem pelos erros grotescos de português, esse capítulo é grande demais pra minha vontade de betar. Perdão meus amigos, mas honestidade é tudo.

Capítulo 8 - Alcoólicos anônimos e um porre memorável.


Fanfic / Fanfiction Youth - Capítulo 8 - Alcoólicos anônimos e um porre memorável.


Eu coloquei um feitiço em você, e agora você é meu.  Eu te amo, de qualquer maneira e eu não me importo se você não me quer, eu sou sua agora. 
 

 

 

No último dia de acampamento, nada de relevante aconteceu. Foram apenas acordados as seis da manhã para praticarem atividades típicas de acampamentos escolares antes de voltarem para seus respectivos lares um dia antes do feriado mais aclamado pelos adolescentes: O Halloween, não pelo valor histórico que este possui, mas sim pelas tão esperadas festas que aconteciam nas repúblicas.

 

Porém, como nem tudo são flores, logo que chegaram foram notificados de que estariam proibidos de fazer qualquer evento nas repúblicas, porque aparentemente, na última festa da Vortex, houve um pouco de barulho a mais, e também bagunça demais, talvez depredação de algum patrimônio público, nada de muito significativo.

 

Para salvar o feriado dos estudantes, a escola sempre oferecia uma festa que contava com a presença da maioria deles, e esse ano, não seria diferente.

 

Eram quase seis da tarde quando todos já estavam prontos em suas respectivas fantasias, com exceção de uns e outros, que se esqueceram da festa e consequentemente deixaram pra comprar tudo de última hora.

 

— Olha Daniel, a última fantasia era a de Drácula e custou quarenta dólares. Se você não usar eu vou picar e fazer você engolir. — Bernard jogou o traje em cima de Daniel, que estava sentado no sofá velho daquela república na qual era um frequentador assíduo embora não fosse um membro.

 

— Mas eu queria ir de Jinx!

 

— Problema seu, seu fodido! Eu já gastei dinheiro nessa merda pra você, agora você vai com essa! E ainda por cima vai ter que me dar o dinheiro de volta, porque você sabe mais do que ninguém que eu estou na bosta. — Bernard disse.

 

— Ah mano... mas eu queria tanto it de Jinx...  vou ser um Dráculinx, então!

 

— Só veste a fantasia e cala a boca, você é branquelo e alto, vai ficar bonitão de Drácula, vai pegar várias meninas!

 

— E você, vou pegar quando? — Daniel perguntou e Bernard mostrou o dedo do meio para o rapaz.

 

— Quando você parar de jogar LOL. — Bernard respondeu. — Agora se me dá licença, eu preciso arrumar a minha fantasia de Timmy Turner. — Bernard subiu as escadas em direção ao seu quarto enquanto ouvia a discussão de alguns idiotas sobre disputar espaço no banheiro, o que não fazia sentido, já que cada um tinha o seu.

 

— Sai daqui Drake, olha aí, você tá emporcalhando meu banheiro todo com sangue e ainda por cima eu não consigo colocar meu vestido! — Reclamou Devon, chutando a canela de Drake e recebendo um ''espera aí, porra'' meio embolado em resposta.

 

Drake estava no banheiro no quarto de Devon furando o próprio lábio, porque ele sabia que além de ter o catéter específico pra furar o lábio, o espelho ser o único que não estava quebrado ou pichado, ele também tinha piercings muito estilosos, aí estão as vantagens de ter um amigo emo.

 

— Vira pra mim aqui, anda, você vai furar seu olho daqui a pouco. — Devon puxou Drake pelos ombros e  abaixou um pouco o rosto do menino que se contorceu de dor quando sentiu o cateter perfurando o canto de seu lábio inferior.

 

— Ô DEVON, CARALHO! — Gritou quando sentiu o mais baixo puxar o cateter com força para retirá-lo de seu lábio.

 

— Cala a boca, vai, lava essa merda e deixa eu me trocar. — Devon disse e Drake foi de imediato para a pia lavar a boca. Ele havia acabado de tomar banho então seu cabelo estava despenteado, apontando para todas as direções, juntando com seu torso desnudo e rosto ensanguentado, Drake estava com um ar meio maníaco, poderia perfeitamente ir para a festa daquele jeito.

 

— Cadê o piercing? — Drake perguntou, pressionando a fenda com um pedaço de papel higiênico.

 

— Na gaveta da cômoda, procura lá um que você goste, mas lava antes de usar ta? — Advertiu Devon e entrou em seu banheiro, saindo de lá quinze minutos depois usando um vestido justinho que ia até o meio de suas coxas, não demorou  pra Drake se tocar de que Devon estava usando o traje da Sailor Moon, sua personagem de desenhos favorita.

 

— Uau Devon, belo rabo. — Drake riu, logo parando e pressionando o lábio dolorido.— Será que eu poderia vê-lo na íntegra qualquer hora? 

 

— Mas que porra, moleque! Porque você ainda tá aqui? — Devon falou com uma irritação exagerada na voz.— Deixa o meu rabo quieto, por favor! 

 

— Não consegui fechar o piercing, tava esperando pra você me ajudar. Mas agora eu quero outro tipo de ajuda, se é que me entende — Drake disse, não disfarçando uma secada nas pernas de Devon. 

 

— Para de me secar porra, vem aqui logo antes que eu mude de ideia. — Ralhou Devon indo até sua cama e sendo seguido por Drake, que se sentou ao seu lado e entregou-lhe o piercing escolhido, era um prata de argola, o Drake apesar de chato tinha bom gosto.

 

Devon ajudou-o a colocar um piercing ouvindo-o choramingar que estava doendo, mas não demorou nem cinco minutos para que o garoto tivesse a bendita peça em seu lábio, e nossa, por todos os santos — ou demônios, dependendo do ponto de vista. — que abençoam o Halloween, que belezinha que Drake havia ficado.

 

— Se você não fosse chato, se sua boca não fosse inflamar, e se eu não preferisse beber querosene, eu até te dava um beijo porque você ficou gatinho, mas agora sai daqui. — Devon deu um tapa no ombro descoberto de Drake e o menino segurou seu pulso, deitando-o em sua cama e ficando por cima dele. 

 

— Eu não me importo de ficar com o lábio inflamado por beijar você, e nem por... satisfazer você de outras formas, sabe? — Drake disse enquanto roçava seus lábios na pele descoberta do pescoço de Devon, que não mente dizendo que não gostou do contato, o garoto era gostoso pra caralho. 

 

— Drake, se você não sair eu vou chutar suas bolas. — Devon advertiu irritado enquanto Drake se direcionava a seu pescoço.

 

— Você não faria isso co... — Antes de terminar a frase, Drake sentiu o joelho do baixinho ir de encontro a suas partes íntimas e chutá-lo bem lá no precioso, de início ele fez um drama do caralho, mas depois se levantou e foi pro quarto dele, ouvindo que deveria colocar gelo no piercing... e no pênis também. 

 

Assim que se viu sozinho, olhou no seu celular e se tocou que faltavam poucos minutos antes dos portões da escola abrirem e darem início a festa, então foi  terminar de se arrumar o mais rápido possível, afinal, ser a Sailor Moon exige muita dedicação.

 

No andar de baixo, outra discussão era iniciada, mas a diferença era que estes já estavam prontos, esperando os demais.

 

— Donnie você não pode ir de Coringa, vão pensar que a gente é um casal, cara! — Sea, que estava caracterizado em uma versão ainda mais travessa da Harley Quinn dizia ao garoto que havia feito questão de arrumar até uma arma de plástico pra compor seu visual.

 

— Claro que eu posso ir de Coringa! Não tem nada a ver isso aí que você tá falando, Sea! — Donnie cruzou os braços.

 

— Você pegou a fantasia errada, eu ouvi o Bernard falando que era pra você ir de Dumbo! — Sea apontou o taco que ele segurava para Donnie, que revirou os olhos ao ouvir a piada infame do garoto vestido de azul e vermelho.

 

— Se o Chris pode ir de Peter Pan, eu posso ir de Coringa! — Ele disse apontando para Chris, que havia acabado de descer as escadas arrumando a pena que vinha acoplada no chapéu da fantasia.

 

— O que é que tem eu? Não me mete nisso não. — Chris ergueu as mãos em rendimento, parando no meio da escada e sendo empurrado por  um Venice vestido de Jigsaw, dos jogos mortais.

 

Ao notar o garoto atrás de Chris, Sea desistiu de fazer Donnie mudar a fantasia e saiu de perto, queria despistá-lo a qualquer custo depois da cena que havia protagonizado em sua frente.

 

— Nossa mano, você tá parecendo um boneco de Olinda, mano! — Chris disse ao ver a fantasia de Venice e Donnie deu risada.

 

— Foi a única coisa disponível, ou era isso ou uma fantasia de joaninha. — Venice deu ombros e desceu a escada, conferindo a câmera em seu pescoço.

 

Drake foi o próximo a aparecer, vestido de Edward mãos de Tesoura e sendo zoado por Chris, que lembrou-se de ter visto um pornô chamado Edward Penishands assim que viu Drake descendo pelas escadas.

 

— Aí galera, já tá todo mundo aqui? Vamos tirar uma foto desse fatídico dia. — Chris sugeriu, ouvindo alguns resmungos em protesto mas conferindo que faltavam apenas Bernard e Devon para descerem.

 

Bernard foi quem desceu primeiro, caracterizado de Timmy Turner, possivelmente a fantasia mais criativa que você veria aquela noite. Dez minutos depois veio Devon, que estava a personificação de Sailor Moon, chegava a ser um pouco assustador.

 

Todos os garotos se juntaram e Venice colocou a câmera em modo de disparo automático, correndo para se juntar aos outros meninos e dizendo ''xis'' que foi seguido em coro pelos demais.

 

O flash anunciou que a foto foi tirada e Venice foi até a câmera, sorrindo ao ver a foto que havia ficado ótima, aquela certamente seria revelada.

 

Daniel, que ficou por fora da foto porque tinha ido até sua casa pra compor sua fantasia de Dráculinx entrou acompanhado de Pierre, que estava vestido de vampiro e de um outro garoto, que vestia uma roupa com estampa de onça e tinha os cabelos pintados de loiro.

 

— Nossa, tem tanta cor aqui que eu sinto que entrei na parada LGBT. — Pierre disse, alguns riram, outros nem deram atenção.

 

— E aí, Edward Cullen, quem é o estiloso? — Bernard referiu-se ao garoto do lado de Pierre que deu risada.

 

— Minus. Você deve ser o Bernard, estou certo? — O loiro se apresentou.

 

— Nossa eu sou famoso mesmo, né? — Bernard sorriu.

 

— Pierre me disse que o primeiro que viesse com piadas sem-graça seria o Bernard, duvidei, agora devo dez dólares pra ele. — Minus disse e Bernard fechou a cara para Pierre.

 

— Primeiro, eu não sou sem graça e seu cabelo é falso, Pierre. Segundo, Daniel, que porra você tá vestindo? — Bernard estreitou os olhos pra visualizar o garoto que estava usando uma capa de vampiro e uma peruca de tranças azuis.  Na roupa, ele usava uma espécie de sutiã preto e roxo enquanto as calças eram as da fantasia que Bernard havia comprado.

 

— Cala a boca que você tá parecendo um lixeiro com essa bermuda que mostra suas canelas tortas. — Daniel se defendeu.

 

— Daniel... você está usando um sutiã.

 

— O que é que tem? Você acha que eu sou igual os caras da Wolfgang que estão com umas fantasias que parecem terem sido tiradas dos filmes de Hollywood? Não! A única coisa que eu tenho é minha criatividade... e eu tô muito lindo só pra você saber.

 

— Pau no cu dos Wolfgang e das fantasias deles, a gente tem um coração bom e um estoque de perucas de plástico. — Christopher se intrometeu na conversa. — Ô gente, vamos embora logo? Eu soube que as meninas da Frost vão ir de princesas da Disney e eu não quero perder isso.

 

Os garotos concordaram e saíram da casa em direção a escola que não ficava muito longe dali discutindo sobre seus planos, aparentemente, a noite seria longa.

 

[ . . . ]

 

Os portões de North West estavam fechados, mas já era possível ouvir a música tocando dos lados de fora, a onde adolescentes vestidos com as fantasias mais criativas que você poderia ver em um Halloween em Salém. Tínhamos desde os mais comuns como vampiros e bruxas até mesmo pessoas vestindo uma caixa de pizza. 

 

— Brooke, eu ainda não entendi do que você está vestida. — Robin olhava para a garota que estava com um pandeiro na mão.

 

— Nossa Robin, tu é muito burra, eu tô de pagodeira! — Ela chacoalhou o pandeiro na cara da menina.

 

— E o que pagodeira tem a ver com Halloween?

 

— O mesmo que Hatsune Miku tem a ver com o Halloween, nada! — Brooke começou a batucar no pandeiro de forma que um som completamente aleatório saísse desse e a cantar uma canção aleatória. — Então me ajude a segurar, essa barra que é gostar de você.... di di di di di id ê!

 

— Para, Brooke, você tá passando vergonha, as tias da igreja tão passando ali, olha! — Robin segurou Brooke pelo ombro e apontou para um grupo de senhoras que caminhava em direção ao evento de Halloween que aconteceria na paróquia perto da escola, a única coisa que Brooke reparou foi que as velhas olhavam para ela com cara feia.

 

— Desculpa mas até onde eu sei ainda não existe pagode gospel. —  Brooke deu ombros e voltou-se para seu pandeiro, ficando um pouco impaciente pela demora do portão para abrir.

 

Robin cruzou os braços e foi se sentar na sarjeta, porque a fantasia era pesada pra ficar de pé durante muito tempo sem dar uma pausa, foi quando ela notou que os garotos da Vortex chegaram, e Bernard acenou para si. Ela deu um sorriso e pensou durante um segundo se era uma ideia boa ir falar com ele, mas que mal poderia acontecer, não é mesmo?

 

Ela se levantou e viu Bernard sendo empurrado por alguns amigos porque aparentemente ficou um tanto quanto estático no momento em que viu ela se levantar.

 

— E ai Bernard, suave? — Ela perguntou.

 

— Tô bem... obrigado por perguntar, fantasia legal, é aquela das meninas super poderosas?

 

— Não, é a Hatsune Miku pô! E você, tá de que?

 

Timmy Turner, foi a única coisa que eu consegui pensar e que tava barato. — Bernard coçou a nuca e Robin deu risada.

 

— Você foi até criativo, vendo algumas pessoas por aqui, diria que sua fantasia foi no mínimo genial!

 

— A sua também foi genial, seus peitos ficaram bonitos. — Bernard disse sem pensar, até se tocar da merda que havia dito. — Digo, eu não quis dizer peitos eu quis dizer... cabelo! O cabelo ficou muito bonito, parabéns viu, agora eu vou lá... pra lá, tchau Robin, te vejo depois! — Bernard disse e se afastou da menina que ficou com uma cara de desentendida e murmurou ''tá né'' para si mesma antes de voltar a falar com a Broocrente pagodeira.

 

— ''Seus peitos ficaram bonitos'' — Bernard repetia para si mesmo sem acreditar que tinha falando aquela merda.

 

— Peitos de quem? — A voz do demônio que aparecia justamente quando Bernard estava em crise com seus hormônios apareceu dando aquele sorrisinho bonito, digno de um soco na cara.

 

— Os meus peitos, August. — Bernard suspirou.

 

— Safado, eu vi você falando com a Robin, não acredito que você mandou essa pra garota! — August soltou uma de suas risadas escandalosas e Bernard se esforçou pra não tapar a boca dele com uma meia.

 

— August porque você não vai tomar uma limonada lá naquele lugar bem longe de mim?

 

— Ah, Bernardinho, vamos lá, aprender a controlar a ereção não é assim tão difícil! Pega mal pras meninas, sabia? — August colocou a mão no ombro de Bernard, que virou para o garoto e mordeu a língua pra não falar merda.

 

SOME DAQUI, VAI SE FODER!

 

— Você não acha que seria muito mais fácil pegar a Robin se você falasse com ela com calma? Sem pressão, só sendo você mesmo? Você é uma graça, dentinho. — August disse sem tirar o sorriso infantil do rosto pintado com o desenho de uma caveira.

 

— Não é tão simples quanto você pensa, Suga. A Robin é a única garota que me faz parecer um otário, eu acabei de elogiar as tetas dela, acha mesmo que ela vai me levar a sério? Ah, cara, isso é uma merda! Preciso de ajuda! — Bernard choramingou.

 

— Sinto muito, não olha pra mim com essa cara de cachorro que caiu da mudança,  minha vida sexual está tão boa quanto a sua, e eu não sou nenhuma cartomante que vai trazer o seu amor em sete dias.

 

— Você disse... cartomante? Isso funciona? É caro? Porque eu não tenho dinheiro.

 

— Que cartomante o que Bernard, fica esperto, rapaz! A Robin é a maior gatinha, se você não for atrás, a menina do um olho no gato e o outro no peixe vai te jogar pra escanteio.

 

— Conselhos amorosos na frente da escola enquanto eu tô vestindo uma roupa podre de Timmy Turner e você... sei lá do que você tá vestido, moleque, você é estranho. — Bernard riu e August o acompanhou.

 

— Eu sou Tate Langdon, você não entende nada da cultura pop mesmo em, Bernard! — August seguiu o garoto que estava indo em direção ao seu grupo de amigos/companheiros de república.

 

Os estudantes tiveram de esperar do lado de fora por mais quinze minutos até que o portão do ginásio fosse aberto e a manada de adolescentes entrasse no espaço decorado com alguns morcegos e abóboras, coisas típicas do Halloween, até mesmo o globo espelhado estava em uma vibe gótica pra ornar com o ambiente.

 

Tinha música alta, tinha um DJ, tinha comida, espaço pra dançar, estava tudo certo, não é mesmo? Não. Não estava. Tudo estava calmo demais, mesmo que na entrada tivesse um segurança que impedia que os adolescentes levassem bebidas ou drogas para dentro do ginásio, quando todos entraram ao mesmo tempo foi difícil de conter alguém.

 

Cinco minutos, já haviam três garrafas de vodca misturadas ao ponche, que certamente seria bebido pela maioria dos estudantes dali. Uma festa não era uma festa se não tivesse algo para biritar.

 

E aí, eu não preciso nem dizer o que aconteceu, preciso? É claro que o fruto da irresponsabilidade de uns só poderia dar em merda  pra todos. Então, vamos começar a narrar os fatos na ordem cronológica em que a coisa toda começou a feder.

 

20:35 PM

O ponche estava na metade, o que não posso dizer que é um bom sinal, mas não é como se fosse de todo ruim também. Tocava uma música que os jovens conheciam bem, então alguns até arriscaram uns passos de dança no meio da pista, o que não era nada anormal, se Donnie não estivesse lá no meio.

 

O garoto de um metro e oitenta e cinco dançando ao som de Hollaback Girl na voz de Gwen Stefani não era algo que se via todos os dias.

 

— Mano, quanto ele bebeu? — Devon perguntou para Pierre, que havia observado Donnie na maior parte do tempo pra evitar que uma merda maior acontecesse.

 

— Não faço a menor ideia, parei de contar no quinto copo, fiquei com preguiça e ele parece estar se divertindo. — Ele riu, enquanto via as pessoas sacarem os seus celulares para filmarem um Donnie com um guarda-chuva da professora de Artes rebolando de joelhos no chão, uma visão cômica para uns, mas extremamente erótica para outros.

 

— Esse garoto vai se arrepender tanto quando ele acordar. — Viktor disse cutucando o ombro de Gotye, que era um dos que filmava toda a ação.

 

— Que nada, ele é uma delícia cara, só precisa ser mais ajeitado tadinho, olha o tamanho da criança! — Gotye rebateu.

 

— Uuuuui tesãoooo — Bree gritou e deu coro para que todos começassem a gritar aquilo no menor dos movimentos feitos por Donnie, que dançou até a música chegar ao fim com o guarda-chuva da professora Darla, que provavelmente nem iria querer seu pertence de volta.

 

Assim que a música acabou, Donnie saiu do meio do pessoal aos aplausos e foi correndo até Pierre com aquele seu sorriso sinistro, pegou o menino pela mão e simplesmente correu com o garoto para o outro lado livre da pista de dança, alegando que tinha que ensinar a ele como dançar com ''o molejo surreal.''

 

 

— Então esse foi o tutorial de como ficar bêbado com estilo por Donnie Hollaback Boy Umbrella Darko, meninas, espero que tenham aprendido. — Brooke tinha postado a cena toda em seu snapchat, enquanto via Fleur e outras meninas daquele que ela tinha intitulado de ''grupo das feias''  encarando-a .

 

— Parece que as coisas não estão fáceis nem pra você, Bishop. — Jackson Hale e sua cara de louco apareceram do lado de Brooke estendendo um copo para a menina , que até então não tinha bebido tanto quando os outros.

 

— Como assim? — Deu um gole no ponche e não tirou os olhos de Jackson, que sorriu divertido e de um modo um pouco doentio, mas Brooke pouco se importou, aquele garoto era todo esquisito mesmo.

 

— Fleur. Vai arrumar confusão com ela? Soube que ela não gosta de você. E visto que ela anda de Gucci e Prada, certamente deve ter um plano pra... você sabe.

 

— Um plano pra que? Qual foi, Jack? Você acha que a gente tá em um episódio de Pretty Little Liars? Caguei pra essa feia, se ela não gosta de mim, o problema é dela, nem todo mundo tem bom gosto. — Deu ombros e tomou mais um gole, sentindo Jackson olhar pra ela com uma expressão desconfiada.

 

— Eu teria medo da Fleur. Ela é louca pra conseguir o que quer, Brooke. Gosto de você, então... toma cuidado, beleza? — Jackson deu uma piscadela para Brooke e logo depois disso deu as costas a ela.

 

— Garoto estranho da porra. — Ela murmurou e olhou de soslaio para o grupinho das feias que continuava a encará-la. Cansou daquele jogo de cadela que ladra e resolveu se afastar, indo buscar por algum rosto sóbrio com quem ela pudesse dançar, é óbvio que Robin foi a vítima da vez pra dançar ao som de Cayendo com a garota.

 

Robin dançou a primeira música junto de Brooke, as duas foram alvos de muitos olhares, não era segredo pra ninguém, mas na segunda, a menina já sentia seus pés começarem a doer por usar os sapatos que faziam parte de sua fantasia, então, como melhor alternativa, resolveu deixar com alguém de confiança.

 

— Ei, Chris, me ajuda aqui! — Ela cutucou o braço do garoto que dançava de um jeito completamente avulso e aleatório, disfarçou o susto que tomou quando a garota o cutucou.

 

— O que foi? Cuidado com o meu copo!

 

— Olha,  você pode olhar meus sapatos aqui? Não confio muito em deixar eles com as garotas, elas estavam botando olho gordo já faz um tempo.

 

— E porque eu faria isso? — Chris deu um gole em sua bebida.

 

— Vamos lá, finge que você é um ótimo amigo e segura os sapatos que eu paguei caro!

 

— Caro quanto? — Chris franziu o cenho.

 

— Quinhentos dólares, talvez? Ah, eu não sei! Segura!

 

— Quinhentos é? Seguro sim, me dá aqui! — Chris estendeu a mão livre e pegou os dois sapatos, Robin agradeceu e voltou para a pista de dança.

 

Chris confessa que ficou com um pouco de pena, mas como dizem os sábios:  situações extremas, pedem medidas extremas.

Abandonando seu copo em cima da mesa, ele tateou seu bolso buscando pelo celular e digitou uma mensagem pra Bernard.

 

[20:50] : Aí, dentinho, arrumei quinhentos dólares pra pagar a mensalidade.

 

Não esperou resposta, apenas saiu da vista dos outros enquanto pegava novamente o seu copo para enchê-lo pela terceira vez.

 

Perto da mesa a onde foram colocados os comes e bebes, estavam Niccolo, Bernard e Daniel, que bebiam ja havia algum tempo, junto deles também estavam Naomi e August, que até então não tinham bebido nada.

 

COMO VOCÊ NÃO SABE QUEM É TEEMO, BERNARD? — Nico gesticulava enquanto estava com um pedaço de pão na boca e se preparava para pegar outro.

 

— Desculpa mas eu perco meu tempo com coisas relevantes, como beijar na boca. — Bernard deu um gole em sua bebida e começou a mexer seu corpo no ritmo da música.

 

— Eu sei quem é Teemo e sua suit tá toda errada. — Daniel provocou e Niccolo mostrou o dedo do meio para o mais alto.

 

 — Cala a boca, Drácula homossexual!

 

— Vai se foder, Nico, minha fantasia tá ótima! — Daniel desprendeu a capa do pescoço, deixando mais a mostra ainda seu peito coberto apenas por um sutiã usado pela personagem do jogo, ele percebeu que recebeu uma secada discreta, mas preferiu ignorar.

 

— Nossa menino, você tá me cegando com tanta brancura, cobre isso! — August empurrou o peito do garoto e os demais riram, Daniel prendeu sua capa de volta.

 

— Vocês não fazem outra coisa da vida que não seja jogar LOL? — Naomi, vestindo sua fantasia de cupido e acabando de enfiar uma torrada inteira na boca foi quem perguntou.

 

— Eu não jogo mais com o Niccolo desde que ele me apunhalou pelas costas e me deixou a devaneios sem suporte, indo babar o ovo do Floyd que só jogou UMA vez, acredita? — Daniel acusou e Niccolo revirou seus olhos.

 

— Não foi bem assim, eu só fui ajudar o iniciante, você parecia saber se virar sozinho. — Nico deu ombros.

 

— Tinham três em cima de mim e um em cima do Floyd, mas tudo bem, não precisa arrumar desculpas.

 

—  Muito bom o papo sobre LOL, mas August e Naomi por que vocês não estão bebendo? — Bernard cruzou os braços.

 

— Passo. — August fez uma careta. — Tenho coisas pra resolver ainda hoje.

 

— Mas... o que tem se você beber? É só ponche, não é? — Naomi perguntou e os rapazes trocaram um olhar cúmplice, Naomi bêbada era sinônimo de uma noite fatídica.

 

— Claro que é só ponche Naomi, pode beber! É que... eu sou alérgico a groselha, sabe? — August desconversou e olhou no seu relógio, marcavam 21:00. — Preciso ir galera, a gente se vê por aí. — Despediu-se.

 

Os demais deram tchau ao garoto customizado de Monster-High, como Bernard tinha dito e voltaram-se para Naomi, que pegava um copo e enchia com o ponche  batizado e bebia tudo de uma só vez.

 

— Nossa... gosto interessante esse, não? — Ela disse, logo depois indo buscar mais um copo.

 

— Não abusa da groselha, Naomi. — Daniel riu enquanto Niccolo o encarava... mas espera um segundo, por que diabos Nico estava o encarando?

 

— Eu tô saindo fora daqui, tá ligado meu irmão. — Bernard disse. — Fiquem de olho na Naomi, qualquer coisa vocês tem meu número... ou o da ambulância. — Ele riu.

 

— Daniel, vamos jogar uma? — Niccolo perguntou, completamente do nada.

 

— O que? A gente tá no meio de uma festa porra!

 

— E daí? Eu moro três quarteirões daqui, a gente volta depois, vamos! É só pra me redimir com você.

 

— Me dê um bom motivo pra fazer isso. — Daniel cruzou os braços.

 

— Eu tenho um PC gamer. — Disse Niccolo vendo os olhos de Daniel brilharem e este pegá-lo pela mão e arrastá-lo para fora da festa, enquanto Naomi acompanhou a cena toda, porque estava bem ali do lado.

 

— Idiotas. — Murmurou e bebeu mais um gole daquele ponche, que estava do caralho!

 

22:34 PM

 

A aquela altura, mais de metade dos estudantes estava embriagado e com ideias diversas passando por sua cabeça, até que algum gênio sugeriu que brincassem de verdade ou desafio, estavam em uma roda aberta com uns quinze adolescentes, alguns bêbados, outros nem tanto, mas se toparam aquela ideia que só poderia dar errado, não poderiam estar em seu juízo perfeito, isso é fato.

 

— Drake, verdade ou desafio? — Aaron Baker, do clube de esgrima e também um dos garotos mais bonitos do terceiro B foi quem girou a garrafa e tirou aquilo que chamávamos de sorte grande.

 

— Desafio. — Respondeu Drake enquanto passava a língua no piercing recém-colocado e sentia o local dolorido.

 

— Soube que você esteve fazendo academia, isso é verdade? —  Aaron arqueou as sobrancelhas.

 

— É sim, mas por que a pergunta? — Drake cruzou os braços.

 

— Ah, que egoísmo seu não mostrar nem um pouquinho dos resultados, nem mesmo nos treinos você tira a camisa! Meu desafio pra você é fazer um strip-tease daqueles pra gente. — Aaron disse e foi aplaudido pela escolha pelas garotas, e também por alguns garotos.

 

Se fodeu, Penishands. — Chris disse e deu um tapa nas costas de Drake, que levantou-se de seu lugar derrotado e foi para o meio da roda, desfazendo-se de sua jaqueta tentando ser sensual  mas assemelhando-se a um boneco de posto desajeitado se preparando pro sexo, já que ele estava bêbado.  Drake não demorou para tirar sua camiseta, tendo que se livrar das mãos que havia comprado para a fantasia. Quando se viu desnudo da cintura pra cima ele deu uma voltinha e reparou que a maioria das pessoas ali batiam palmas, mas ele não ficou constrangido, apenas voltou para seu lugar, colocando a camiseta de volta.

 

— Eu queria que tivesse tirado a calça também, mas acho que posso me conformar. — Aaron disse. — Vai, sua vez.

 

Drake girou a garrafa e por ironia do destino — ou não — caiu em Sea.

 

— Harley Sea, verdade ou desafio? — Perguntou Drake e Sea estacou, merda, não era pra cair nele agora, porra! Não agora que ele estava bêbado!

 

— Desafio. — Falou meio molenga e os outros acharam engraçado.

 

Drake parou para pensar um segundo enquanto as pessoas diziam ''faz ele beijar fulano'' ou ''manda ele tirar a roupa e dançar no palco'' e outras coisas absurdas eram ditas pra que ele sugerisse a Sea, mas ele já sabia o que fazer assim que a música Let Me Love You, da Ariana Grande começou a encher seus ouvidos.

 

— Sea, eu te desafio a escolher um rapaz daqui pra fazer um lap dance. Não vale eu.

 

Sea sorriu, queria mandar Drake tomar no cu, mas no fundo, bem no fundo mesmo, tinha gostado daquela ideia. Levantou-se e foi até o meio da roda, olhando para o rosto de cada um dos garotos, até mesmo de Venice, que até então estivera evitando.

 

Ele poderia muito bem escolhe-lo afinal, era bonito e se mostrou prestativo, mas hoje a noite não era pra ser comportada, então, ele se virou para trás e encarou Bradley, aquele por quem nutrira uma paixão platônica durante um tempo consideravelmente longo demais pra sua sanidade, e tínhamos nosso alvo.

 

Sea caminhou devagar até Bradley, que estava sentado de pernas esticadas no chão e colocou suas pernas uma de cada lado do corpo do garoto, que apenas observava a cena sem ter nenhuma reação enquanto os outros da roda gritavam que o pau da barraca ia subir.

 

O garoto que estava vestindo um short curto demais para a masculinidade alheia extremamente frágil começou a rebolar no colo de Bradley, fazia movimentos sugestivos, mas Bradley parecia congelado, e de fato estava, além de congelado, estava chapado.

 

Era o que aparentava, até que as mãos desse se moveram para o quadril de Sea, passando a por uma certa ''ordem'' nos movimentos do garoto que dançava em cima de si.

 

— Acho que estou gostando mais do que deveria dessa brincadeira. — Bradley confessou e Sea sorriu, abaixando-se um pouco mais de forma que roçasse no garoto causando uma fricção gostosa para os dois.

 

E foi aí, que sem pensar em nada, Sea moveu-se mais para frente e alcançou os lábios de Bradley, sentando-se no colo do garoto e sentindo as mãos do mesmo passarem pelas suas costas e apertando suas coxas. Bendita seja a coragem que se ganha quando está bêbado.

 

 

— Certo, acho que já deu, Sea, sua vez! — Drake estendeu a garrafa para Sea, que voltou para seu lugar ouvindo  palmas, mas não se sentiu envergonhado, por incrível que pareça.

 

Ele girou a garrafa, caiu em Devon.

 

— Sailor Devon, justamente a pessoa que eu queria! — Sea bateu palmas de forma infantil. — Verdade ou desafio?

 

— Verdade. — Devon, que estava sóbrio por ordens médicas respondeu.

 

— Arregão! — Sea disse e outros acompanharam, mas Devon apenas deu risada. — Mas tá bom, você quer verdade, então quer me tirar a dúvida se é verdade que você e o August...

 

— DESAFIO! — Devon gritou antes de Sea terminar a pergunta. 

 

— Ah vai se foder, seu fresco! — Sea mostrou o dedo do meio. — Só por essa palhaçada também eu desafio você a beijar o Casey pançudo!

 

— EU TÔ NA MINHA, O QUE EU TENHO A VER COM ISSO? — Casey protestou. — E pançudo é a cabeça da minha ro...

 

— Eu beijo. — Devon disse, levantando-se de seu lugar e indo até Casey, murmurando um ''me desculpa'' antes de beijar o garoto, foi só um encostar de lábios, mas durou dez segundos, que é a lei do verdade ou desafio.

 

— Que beijo bosta, hein? — Sea reclamou. — Mas tá bom, seu fresco, vai lá, gira a garrafa.

 

Devon mandou Sea tomar no cu e quando foi girar a garrafa viu que mais quatro pessoas se juntavam a brincadeira, eram esses Bernard, Donnie, Pierre e ... August, puta que pariu, a vida dá com uma mão e tira com a outra mesmo, agora Devon entendia o que queriam dizer com isso.

 

Ele girou a garrafa, essa parou em Brandon, um dos rapazes bonitinhos do time de basquete.

 

— Verdade ou desafio, Brandon? — Devon perguntou se esforçando pra não transparecer nervosismo na presença de certas pessoas.

 

— Desafio. — Ele respondeu e em seguida deu um arroto gorgolejante.

 

— Desafio você a beijar a Juno, vou copiar mesmo porque estou sem criatividade.

 

— Eu não vou beijar esse cachaceiro! — Juno protestou fazendo uma careta.

 

— Vai logo Juno, é só um beijo e se você fechar o olho nem vai sentir nada. — Devon disse.

 

— Se ele tentar por a língua na minha boca eu vou virar o bicho aqui, tá me entendendo?

 

— Tá, ta bom, vai que é tua Brandon. — Incentivou Devon ao garoto que se levantou e foi até Juno, beijando-a e logo depois vendo-a limpar a boca com as costas da mão.

 

— Eu não vou ir não, tio, tô bêbado, passo a vez aí. — Brandon se jogou em seu lugar e deitou-se no chão com as pernas esticadas.

 

— Eu vou! — Chris lançou um olhar para os outros e reparou que uns murmuraram um ''ah não'' para si, eles apenas riu e girou a garrafa.

 

Caiu em August, e o menino murmurou um xingamento, arrependendo-se no mesmo momento de ter entrado naquela brincadeira.

 

— Verdade ou desafio, menino açucarado? — Chris tirou um pirulito do bolso e colocou na boca.

 

— Desafio, se você vier com coisas de filha da puta eu vou te balear. — August disse e Chris abriu um sorriso.

 

— Como eu tô cansado do cu doce de vocês, você e Devon vão passar sete minutos no céu, que pro caso de vocês não saberem o que é isso, vocês vão ficar trancados no depósito durante sete minutos e lá vão resolver suas diferenças, se é que me entendem. — Chris disse e piscou para Devon, que queria enfiar sua cara maquiada debaixo da terra.

 

— Não acho que o Devon vá aceitar isso, então acho que você vai ter que mudar. — August cruzou os braços.

 

— Ele não está em posição de aceitar nada, os dois, vocês tem sete minutos, vamos, vamos, vamos! — Chris bateu palmas acelerando os garotos que se levantaram meio sem jeito e caminharam até o armário de depósito, que ficava em um canto perto da saída de incêndio do ginásio.

 

Christopher empurrou os dois garotos sem gentileza para dentro do armário e segurou a porta, para evitar que eles inventassem de sair.

 

— Sete minutos. — Deu dois tapas na porta avisando que o ''prazo'' já havia começado.

 

Devon, que até então estivera virado para a porta, voltou-se para olhar August.

 

— Pensei que a gente ia continuar se evitando desde que acordamos um do lado do outro no acampamento. — Começou dizendo sem jeito.

 

— Eu sei que fui dormir bêbado e seja lá o que eu tenha dito, aparentemente fez você ficar com raiva de mim, já que você não falou comigo nem dentro do ônibus na volta.

 

Devon respirou fundo e deu um chute na porta, ouvindo um ''ai, filho da puta'' em resposta, Chris ainda estava ali.

 

— Vai embora, Chris, ninguém vai sair daqui.

 

— São seis minutos, agilizem! — Ele disse e sua voz saiu abafada por estar do outro lado da porta, depois disso ele foi embora.

 

— Você não me deixou com raiva, só me fez perceber que eu sou um frouxo. — Devon comentou derrotado, arriscando-se se aproximar alguns passos de August, que havia se sentado em um amontoado de colchonetes.

 

— E por que você é um frouxo? — Arqueou as sobrancelhas.

 

— Porque eu nunca tive coragem o bastante pra beijar você. — Confessou.

 

— Ah... então era isso... — August baixou a cabeça. — Tudo bem, não é como se eu esperasse que você fosse me beijar logo de primeira mesmo, e além do mais eu estava bêbado e eu...

 

August foi surpreendido por Devon puxando-o pela mão e levantando-o. Park puxou August até mais próximo de si um pouco incerto se o garoto gostaria ou não desse contato, mas ele pareceu não ligar, visto que a única coisa que fazia era encarar Devon, que agora passava seu polegar pela bochecha do garoto assistindo-as ficarem avermelhadas.

 

— Eu quero, se estiver tudo bem por você. — Sussurrou no ouvido de August e sorriu ao sentir os pelos de sua nuca se eriçarem.

 

August não precisou dizer nada, apenas engoliu em seco quando sentiu os dedos de Devon deslizando pelos seus braços e indo parar na sua nuca, puxando-o para um beijo, o primeiro beijo real deles dois, e não fazia parte de fantasias impuras de nenhum deles.

 

As mãos de Devon faziam um carinho gostoso na nuca de August enquanto ele traçava uma linha pelas costas de Park com uma mão e apertava sua cintura com a outra.

 

Quando as bocas se separaram por falta de ar ainda estavam unidas por um fio de saliva, os dois sorriram e já se preparavam para iniciar um novo beijo.

 

Mas nem tudo são flores, a porta foi aberta no instante em que os garotos encostaram suas bocas.

 

— EU SABIA! — Chris comemorou. — Ah que maravilha, o Donnie me deve dez contos!

 

— Christopher por que você sempre aparece nos momentos errados?

 

— Me erra Devon, transar no depósito deve causar DST, você deveria era me agradecer, agora vamos, o jogo ainda não acabou.

 

— Eu não quero jogar mais, pode ir embora, tchau, boa sorte! — August tomou a frente e empurrou Chris para fora do depósito e trancou a porta pelo lado de dentro.

 

— Onde foi que a gente parou mesmo? — August perguntou e Devon sorriu fazendo seus olhos sumirem, por que ele tinha que ficar estupidamente fofo quando fazia isso?

 

August caminhou até o garoto, e acho que já temos uma noção do que deve ter acontecido por ali, focando no lado de fora, as coisas não pareciam ter dado muito certo na brincadeira.

 

— Christopher tá roubando! Todo mundo teve que ir e porque você não?

 

— Porque eu não vou beijar o Bernard, caralho! — Chris reclamou, todo mundo já tinha beijado o Bernard naquela brincadeira, se duvidar até mesmo o Mark durante as noites na Vortex em que eles faziam isso.

 

— Eu também não quero beijar o Chris não hein! — Bernard resmungou.

 

— Então beija o Pierre! — Kayle disse.

 

— O Pierre não! — Donnie, que até então estivera alheio comendo uma maçã do amor interviu.

 

— E quem é você pra falar alguma coisa? — Kayle começava a se exaltar com a petulância dos demais.

 

— Eu sou o Donnie, muito prazer. — Ele disse de forma simplista e deu uma mordida na maçã do amor antes de estender a mão pra menina, fazendo os outros rirem e Pierre puxar sua mão de volta.

 

 

— Se controla Donnie. — Pierre disse. — E eu não vou beijar o Chris, o desafio não foi pra mim.

 

— Ah vão tomar no cu vocês. — Kayle jogou a garrafa no meio da roda novamente. — Não sabe brincar, não fica agitando!

 

Kayle se levantou e afastou-se dos jovens que estavam brincando, decidiram que todos ali já não tinham mais saco para se beijarem entre si e decidiram acabar com a brincadeira. Todos se levantaram e foram em ordem aleatória, cada um pra um lugar aleatório, provavelmente buscando um jeito de ficar mais louco.

 

23:01 PM

Quando dizem que a bebida mostra a verdadeira face das pessoas, isso não é cem por cento uma verdade absoluta, já que sempre vão esquecer de mostrar a face do dia seguinte do indivíduo que deu o famoso PT naquela festa de final de semana a onde ele sabia que poderia encher a cara. Os estágios de embriaguez podem ser vistos claramente em três casos: O óbvio que é olhando na cara dela e descobrindo o quão louca ela está, o método policial que é ver se o indivíduo consegue fazer o número quatro com as pernas, ou o terceiro, que é olhando as mensagens do celular do seu amigo que gosta de uma manguaça.

 

[23:00] : É o número do Venice né? Sou eu, Naomi, eu queria saber se você tá muito longe, acho que comi algo que  me fez bem mal e eu tô precisando ir pra casa.

 

[23:10]: Oi, sou eu sim, eu estava no caminho pra casa, não tava gostando de umas paradas aí e vim embora, mas posso te buscar se você quiser, você mora longe?

 

[23:10]: Não moro não, vou te esperar aqui perto da mesa a onde tem as comidas e a gente vai junto, pode ser?

 

[23:10]: Pode, já já eu chego aí.

 

[23:30]: venice mw ajud estop sendo perseg,da pelo demoniso

 

[23:30]: SOU EU NAOMI, EU TÔ CORRENDO ATRÁS DE VOCÊ E FALANDO PRA VOCÊ PARAR DE ANDAR!

 

Naomi riu de seu desespero e guardou o celular no bolso da saia da fantasia que usava, virando-se para trás pra encarar Venice e tomando um susto.

 

— Ai Venice, por que você veio de jogos mortais, eu pensei que fosse o demônio! — Naomi falou e colocou a mão no próprio peito.

 

— Cara, você tá muito louca... — Ele riu.

 

— Que louca o quê eu sou embriagada somente de cristo!

 

— E de vodca também, olha, se sua mãe te bater quando você chegar em casa eu quero deixar claro que eu não tive nada a ver com isso.

 

Venice pegou a menina pelo pulso e se forçou a passar pelo meio das pessoas praticamente arrastando-a já que ela parava no meio do caminho e ficava mexendo nas fantasias alheias, naquela noite, ele fez a nota mental pra nunca mais aceitar cuidar de um bêbado que te manda mensagens no meio da noite.

[23:15] : Oi queen!

[23:31] : quem nada, é eu, Venus, quem tá falando?

[23:32] : Sou eu, Artemis, você me ligou uma hora atrás!

[23:33] : você tá louca? eu liguei pro meu advogado, por acaso você é meu advogado?

[23:33] : Ligar pro seu advogado pra que?

[23:33]: preciso processar alguém..

[23:33]: PROCESSAR QUEM?

[23:34]: olha eu só falo sobre esses assuntos com o meu advogado, por favor você poderia ligar pra ele lá na Alemanha?

[23:34]: Venus, a onde você tá? Caralho de asa!

[23:34]: eu tô na sua bb

[23:35]: Vou te buscar, não se mexe até q eu chegue ai.

[23:35]: bingo bel, bingo bel.. é natal é natal..

[23:35]: não codigo digito

[23:35]: digitar

[23:35]: consigo

[23:35]: a eu preciso de uma peruca vermelha pq eu decidi que eu quero me torna oficialmente o bola de fogo. 

[23:35]: estou te esperando, traga minha peruca.. bingo bel.

 

Infelizmente, nem todos tem amigos que estão disponíveis  pra buscá-los quando estão bêbados demais para sua própria sanidade assimilar as coisas, e acaba que a única coisa que eles fazem  é passando uma vergonha imensa que certamente vai render assunto pras próximas semanas na escola.

 

[23:40]: pode me ajudar?

[23:40]: acho que to com fissuras anais

[23:40]: digo, fissuras anais

[23:40]: merda de corredor

[23:40]: quer dizer cortador

[23:40]: FODA-SE

 

E Sea não obteve resposta, também pouco se importou com seu estado, deitado no chão da festa enquanto ria de como o teto parecia engraçado quando visto daquele ângulo.

 

— Amigo de cu e rola. — Sea reclamou, mas não parou de rir do teto enquanto alguns olhos maldosos caíam em cima de si.

 

— Não sei como deixaram essa bicha entrar aqui.  Além de só fazer alarde fica bêbada jogada no chão. A escola deveria ter uma disciplina diante de pessoas assim. — Jhon bebia com asco o seu ponche e olhava torto para Sea com desgosto.

 

—  O Sea? Ele sempre foi assim, Jhon. Você sabe, desencana. — Maxwell deu ombros.

 

— Esse aí ainda tem que apanhar muito pra aprender que é homem e não uma mocinha indefesa. — Jhon disse e Max apenas acenou com a cabeça, encenando uma concordância.

 

— O que ele fez pra você? O menino tá na dele, deixa ele quieto. — Minus, que havia caído de paraquedas na conversa perguntou ao garoto mais alto.

 

— Qual foi meu irmão? Vai defender veadinho perto de mim? A saída é logo ali! Todo mundo sabe o quão feio é isso. — Jhon falou, sem aumentar o tom de voz, mas causando um nojo profundo em Minus.

 

— Errado é você ser otário com tanta naturalidade, e o seu amigo aí só olhando as barbaridades que você fala por medo de que você de um soco na cara dele, pobrezinho.

 

Maxwell engoliu em seco, quem era aquele projeto de loira mal acabada e porque ele estava falando exatamente o que Max estava fazendo?

 

— V-você nem me conhece, cara! — Max gaguejou e recebeu um olhar estranho de Jhon, Minus apenas deu uma risada ácida.

 

— É, tem razão, aparentemente nem você se conhece. — Minus deu um gole em sua própria bebida. — Qualquer pessoa com um mínimo de senso estaria bem longe desse escroto aí.

 

— O que tu quer hein?  Deve ser mais um desses veadinhos de bosta! — Jhon segurou Minus pelo casaco de onça que ele usava.

 

— Parceiro... tira a tua mão de mim. — Minus disse com um sorriso cínico nos lábios e Jhon o empurrou para trás.

 

— Olha bem pra aquela putinha, age como se fosse muito desejado e fere a imagem das pessoas de bem, e você aí, com esse teu pensamento de que isso é normal, faça-me o favor.

 

— Você é nojento, queridão. Espero que um dia encontre o homem da sua vida que vai te fazer mudar de ideia. Boa noite pra você, a saída é logo ali! — Minus apontou pra saída de emergência e viu Maxwell rir contido, depois disso, afastou-se dos dois.

 

— De onde é que sai tanto viado assim? — Jhon passou a mão nos cabelos e os ajeitou para trás, enquanto Maxwell olhava para o nada e sentia olhos pesarem sobre si, ele não precisava olhar pra saber que era de Healer quem se tratava, então, preferiu ficar ao lado de Jhon, porque é idiota.

 

— Pois é né... — Max disse depois de algum tempo enquanto Jhon parecia profundamente incomodado com a presença do garoto em vestes femininas deitado no chão, isso não era bem um problema, até o momento em que Jhon resolveu que seria uma ótima ideia caminhar até ele e importuná-lo.

 

— Olha só o que temos aqui, se não é o Sea passando vergonha mais uma vez. — Jhon abaixou-se e cutucou Sea enquanto Max observava os atos do maior sem nada fazer.

 

— O que você quer? — Sea virou-se e falou molenga e sentou-se com as pernas esticadas no chão, sentindo uma forte tontura ao ver Jhon na sua frente.

 

— Então quer dizer que você gosta de aparecer, sua putinha? — Jhon falou no ouvido do garoto que se arrepiou ao sentir o cheiro de menta que ele exalava.

 

— Gosto. Por que? Vai me bater? Aposto que muita gente aqui gostaria de ver você preso por justa causa... e tem tantas testemunhas... — Sea provocou e Jhon sorriu.

 

— Acha que eu sou idiota de fazer algo com você aqui dentro? — Jhon segurou Sea pelo pulso, que tentou se desvencilhar do aperto mas não obteve sucesso, além de bêbado, o garoto era extremamente fraco.  Mas dessa vez, houve uma diferença: Max não o seguiu.

Jhon arrastou sea até a saída de incêndio, que dava direto em uma rua com pouco movimento, logo, de frente para um beco e lá ele tapou a boca do garoto e bafejou no rosto que já estava marcado pelo medo:

 

— Já que gosta tanto de aparecer, putinha, eu vou te dar motivos pra nunca mais querer sair de casa. — Ele riu, e apertou mais o corpo frágil de Sea contra a parede suja sentindo o mesmo tremer. — Oh, está com medo agora?

 

— O que... o que vai fazer comigo? — Sea disse em um fio de voz, empurrando com dificuldade o corpo para trás na esperança de ser sugado para dentro da parede ou algo do tipo.

 

— Ah, eu vou me divertir bastante, já você... — Jhon disse no ouvido do garoto e puxou os cabelos do mesmo que choramingava . — Você vai ficar quietinho. — Jhon deu um tapa estalado no rosto de Sea, que Gritou por ajuda e teve sua cabeça empurrada com violência para a parede, sentindo que um talho havia sido aberto na mesma.

 

Jhon se preparava para começar a por em prática todo o seu ódio gratuito quando sentiu algo pesado atingir sua cabeça e o jogar para o lado, dando espaço para Sea sair de perto dele e correr para o lado de quem quer que fosse o arrombado que atrapalhou seus planos.

 

— Filho da... — Antes de completar a frase, sentiu novamente algo atingi-lo no rosto e cortar seu supercílio, concluiu que era o taco, o maldito taco da fantasia de Sea, fazendo com que ele caísse no chão e levasse sua mão ao ferimento. E assim foi atingido novamente, uma, duas, três, quatro vezes. Até que ele ficasse incapaz de reagir o seu agressor não descansou.

 

— Que fique bem claro, seu bosta. — A voz masculina soou perto do seu rosto, puxando seu cabelo para trás. — Que se você olhar pro Sea de novo, eu acabo com a sua vida e coloco seu corpo morto de atração igual fizeram com tira-dentes.

 

O garoto soltou a cabeça de Jhon que tombou inconsciente para o lado após um soco dado pelo mesmo, que se voltou para Sea que olhava a cena chorando copiosamente.

 

— Você sabe quem eu sou, não sabe? — O menino ergueu uma das sobrancelhas e Sea apenas assentiu, retraindo-se e abraçando-se com os próprios braços.

 

— Então sabe que eu não vou te machucar, não sabe? — Sea apenas assentiu novamente e encarou os próprios pés tentando parar de chorar porque estava ficando ridículo, o que possibilitou o garoto de ver o corte em sua cabeça.

 

— Você... precisa de um curativo. — Arriscou uma aproximação mas Sea apenas afastou-se um passo e olhou para o garoto novamente.

 

— Você não estava indo embora da festa? Eu te vi sair. — Sea disse.

 

— Estava. — Ele disse e mexeu nos bolsos de sua fantasia de Jigsaw — Mas deixei minha carteira na mesa de doces, que pra minha sorte ainda estava lá. — Sorriu amarelo.

 

— Você.. você estava com a garota... ela..  a onde ela está? Não tinha que acompanhá-la? Ela não me parecia bem. — Sea disse, sem deixar transparecer que estava sentindo muito medo do que acabara de acontecer.

 

— A Naomi? Deixei ela na casa dela faz um tempo, inclusive, foi voltando de lá que eu por acidente passei por aqui... — Venice coçou a nuca e Sea apenas balançou a cabeça em um movimento repetitivo, permitindo que algumas lágrimas solitárias rolassem pela sua face.

 

— Você poderia só... me deixar em casa? Eu prometo que... que vou ficar bem.

 Sea engoliu em seco assim que o garoto assentiu e passou a acompanhá-lo em silêncio enquanto o garoto fez que sim com a cabeça e tirou a gravatinha vermelha que compunha a fantasia e desfez o nó tão bem feito formando uma espécie de faixa e se aproximando de si enrolando a em sua cabeça e fazendo uma leve pressão com os dedos no local do machucado, Sea fez uma expressão de dor e ele entendeu que não deveria fazer mais aquilo, apenas deu um nó na faixa e se afastou com um sorriso.

 

— Agora você é Harley-Rambo.

 

Sea se permitiu rir daquela piada de bosta e os dois passaram a caminhar lado a lado sem dizer nada, o único barulho que eles ouviam eram o dos seus pés estalando contra os pedriscos do asfalto, e não precisavam de mais nada pra entender que aquilo era um pedido de desculpas, de ambas as partes.

 

00:30 AM

A meia noite deu o ar da graça e com ela uma atração inesperada foi anunciada. Yifan, conhecido também como Kris Wu, foi talvez a melhor surpresa daquela festa, já que além de cantar seu novo single, July, ele aparentemente teve uma interação muito boa com os adolescentes que aproveitaram ao máximo para terem seu momento de tiete.

 

— FAN FAN EU SOU SEU MAIOR FAN! — Donnie gritava e empurrava as outras pessoas pra chegar mais na frente e próximo do palco a onde antes estavam instalados os equipamentos do DJ.

 

— Me autografa! — Donnie disse até ser notado por Yifan, que riu da situação do garoto e deu-lhe um aperto de mão e falou ''você é o cara.'' O que já foi suficiente para Donnie entrar em estado de choque assim que viu Yifan sair do palco.

 

Assim que a música voltou a tocar e os adolescentes deixarem a euforia de lado, Donnie estava sentado nas escalas da porta de entrada e não se mexia, para todas as pessoas que passavam ele olhava e dizia. ''Ou, o Yifan apertou minha mão!'' E balançava na frente dos rostos das pessoas aleatórias.

 

— O que você tá fazendo aí, louco? — Bernard, acompanhado de Christopher

 

— O Kris... ele apertou... a minha mão eu nunca mais vou lavar a mão, vou por uma sacola quando eu for tomar banho não me julguem vocês não sabem pelo que eu passei! — Donnie dizia sem parar pra respirar.

 

 — A brisa desse aí é uma coisa que... nossa, surreal. — Chris espantou-se ao ver o amigo naquele estado.

 

 — Alguém te deu mais bebida Donnie? — Bernard perguntou.

 

— Nem bebi muito só meia garrafa que o Pierre trouxe lá. — Ele disse e como confirmação, Pierre apareceu e logo atrás dele, estava Robin, que assim que viu Chris começou a correr atrás do garoto chamando ele de ladrão e falando que a porrada era a solução pra ele.

 

Assim que Donnie viu Pierre ele abriu um sorriso daqueles que mostram praticamente todos os dentes de sua boca. Pierre, particularmente achava adorável, mas a maioria das pessoas concordavam que dava a Donnie um ar meio sinistro, mas é o que dizem, cada um com seu charme particular.

 

Pierre parou uns segundos e nem se deu conta de que Donnie segurava sua mão e o puxava para trás da escola, e Pierre concluiu que das duas uma: Ou era a segunda vez que aquilo acontecia na noite, ou ele estava tendo um dejavú pesado.

 

E sobrou Bernard, que estava com a boca vermelha por ter beijado umas meninas na festa que provavelmente ele não se lembraria do nome nem se lhe pagassem pra isso. É, chato dizer esse tipo de coisa, mas é a verdade, o que vamos fazer? E não é como se fosse muito diferente dos outros garotos que estavam ali dentro, a diferença é que dessa vez, Bernard estava 60% sóbrio.

 

Achava que a noite foi bacana, se surpreendeu por um lado porque não sabia que coisas boas poderiam acontecer consigo na escola e também....

 

— Bernard! — Alguém cortou seu momento de devaneios em que ele estava parado no meio da escada.

 

O que foi que eu disse sobre coisas boas? Então, cancela essa parte, porque coisa boa não dura muito tempo quando se é Bernard Wolf.

 

— Daniel? Que porra é essa? Por que você tá só de cueca?

 

— Olha, longa história meu filho, loga história.  Te explico  tudo se você me der aquela assistência.

 

— A onde você tava? Mano,  você fumou alguma coisa né? Porra Daniel! Falei pra ficar longe dessas porr... Cade a fantasia que eu paguei quarenta dólares?

 

— Mano, eu tava na casa do Niccolo e aí eu e ele....

 

EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TRANSOU COM O NICCOLO JUVENIL, DANIEL ISSO DA CADEIA EU VOU CHAMAR A POLÍCIA! — Bernard gritou e Daniel chutou a canela do amigo pra que ele parasse de gritar e ficou curvado com as mãos na barriga.

 

 — Eu não transei com o Niccolo, cara! Todo mundo sabe que a única bunda que eu tenho interesse em comer é a sua, então para de falar bosta e me ajuda!

 

— Como você quer que eu te ajude? Quer que eu tire a roupa do corpo pra te dar? Desculpa acho que não.

 

— Eu preciso chegar em casa, mas não posso pegar táxi nem ônibus desse jeito né, muito menos ir a pé, se eu passar na avenida assim os caras vão abusar de mim, hoje é Halloween, caralho! E também tem o fato de que eu bati a cabeça no portão quando eu fui pular e ta doendo.

 

— Você pulou a porra do portão?  Daniel, o que você tá armando?

 

— Olha eu juro que te explico tudo o que você quiser ouvir, só me leva pra Vortex e me dá qualquer merda pra vestir, pode ser até aquela sua camiseta laranja brega, eu não ligo! E vamos logo que eu tô com dor.

 

— Você parece bem pra mim.

 

— É, eu não bati só a cabeça. Bati o saco também.

 

— Certo... só gostaria de lembrá-lo que você me deve quarenta reais. O povo não é bobo, Daniel.

 

Bernard recebeu dedo do amigo e os dois começaram a caminhar  em direção ao lar dos renegados, também conhecido popularmente como Vortex.

 

3 HORAS ANTES.

 

Niccolo havia acabado de chegar em casa com Daniel e constataram que estavam sozinhos, ótimo, mais tempo pra jogar sem ninguém encher o saco, além do que já estava na hora dele voltar pra casa, papai e mamãe não gostam de ter seu filhinho na rua depois das dez.

 

— Bom, eu vou pegar alguma coisa pra gente beber porque eu tô com sede, você pode me esperar lá no meu quarto... sem maldade. — Niccolo disse.

 

— Beleza, e relaxa, não vou mexer em nada que eu não saiba. — Daniel disse e passou a observar a casa de Niccolo, que apesar de não ser a mais luxuosa, tinha móveis bem bonitos e era uma das poucas casas da vizinhança que não tinham papel higiênico junto de sua decoração.

 

Daniel entrou no quarto do garoto que tinha uma cama de casal e vários posteres colados na parede, junto de várias fotos dele com a família e com o Floyd e outros amigos.

 

Até uma foto deles dois na quarta série estava ali, de quando Daniel ainda usava óculos e tinha cabelo colorido, ele achava que aquela época havia sido apagada de sua vida pra sempre, mas lá estava ela, muito bem vista na parede de Niccolo.

 

— Pronto, você pode — Niccolo entrou no quarto e se deparou com Daniel completamente absorto nas fotos, especificamente na foto em que eles dois estavam. — Ficar a vontade...

 

— O que você disse? Ah, desculpa, não sabia que você tinha tantas fotos assim.

 

— É, e-eu gosto de colecionar memórias, sabe? Embora com a maioria desses eu não mantenha tanto contato assim elas me deixam feliz.

 

— São muito bonitas, você é bem fotogênico. — Daniel sorriu, Niccolo abaixou a cabeça e passou a mão em seu próprio braço, que só agora Daniel foi perceber que estava descoberto, que o menino havia se livrado da fantasia e usava apenas uma regata e uma samba-canção.

 

— Então... vamos jogar? — Daniel disse depois de um tempo encarando-o.

 

— Vamos! — Nico sorriu e pegou mais uma cadeira para colocar em sua escrivaninha a onde ficava o computador. — Eu vou lá na cozinha, esqueci a bebida que eu tinha pegado.

 

Nico saiu do quarto sem nem esperar resposta, porra, por que é que ele estava tão nervoso perto de Daniel, que merda! Era só o Daniel, sem pânico.

 

Nico voltou ao quarto com as bebidas e Daniel estava esperando-o deitado em sua cama e sua caixa de mangás estava aberta.

 

Estaria tudo bem se o que Daniel tivesse nas mãos não fosse um exemplar de Boys Next Door, um de seus mangás Yaoi.

 

DANIEL, BOTA ESSA PORRA DE VOLTA AÍ, AI MEU DEUS DO CÉU! — Niccolo deixou os copos em cima da mesa do computador e correu até a cama tentando tirar o mangá das mãos de Daniel.

 

Mas Era inútil. Daniel era mais alto e mais forte que si, enquanto o garoto tentava tirar o maldito mangá das mãos do outro, este apenas levantava um pouco mais o braço e impedia que o outro pegasse de sua mão, rindo da cara completamente constrangida que Niccolo fazia por ter sido descoberto.

 

A coisa ficou estranha mesmo quando sem querer, Niccolo acabou puxando o sutiã de jinx que Daniel usava, quebrando o feixe e deixando-o com o peito completamente desnudo.

 

Tínhamos então um Niccolo com os hormônios a flor da pele, um Daniel levemente alcoolizado segurando um mangá a onde dois caras supostamente transam e agora estava sem camisa, usando só aquela capa ridícula e aquela calça ridiculamente apertada.

 

— Se você quer me ver pelado, é só pedir. — Daniel disse baixo para o garoto que ainda segurava seu mangá e não dava indícios de quem ia soltar e reparou que estavam relativamente perto... perto demais.

 

Nico  fez menção de se afastar, e foi ai que o filho da puta do Daniel soltou o mangá no chão pra segurar o menino com as duas mãos e colar os corpos que fizeram um barulho estalado com o atrito.

 

Niccolo não quis saber de muita coisa no momento em que sentiu Daniel apertando sua cintura e dando um beijo em sua bochecha.

 

Não quis saber de muita coisa no momento em que rodeou a nuca do mais alto e fez com que seus lábios se roçassem de maneira muito, muito sugestiva.

 

E quis saber de menos coisas ainda quando os lábios se tocaram de uma vez por todas, dando início a um beijo que eles não sabiam bem no que acarretaria, mas pouco se importaram enquanto sentiam um o sabor do outro e conheciam aquilo que tanto tinham curiosidade. Nico era mais afoito, já Daniel era o oposto, comandava o beijo com calma enquanto as línguas se tocavam e Niccolo puxava os cabelos da nuca do outro enquanto esse suspirava pelo contato que os corpos estavam tendo.

 

Quando o beijo terminou, eles não se desgrudaram, ficaram se olhando por um tempo, com Niccolo acariciando a nuca de Daniel e ele afrouxando aos poucos o aperto na cintura do mais baixo.

 

Daniel deu dois passos para trás de forma que caísse na cama e Niccolo por cima de si, a coisa estava ficando realmente muito, muito fodida pra eles dois.

 

Eis que Niccolo resolve que seria uma ótima ideia se sentar em cima do amiguinho de Daniel, e esse deu sinais de vida no instante seguinte.

 

— É.. Nico, acho melhor a gente não ficar... você sabe... desse jeito porque eu... porque... é...

 

— Porque você tá de pau duro. — Niccolo disse e conteve uma risada quando viu Daniel se envergonhar.

 

— Olha, desculpa, mas eu não controlo essas coisas! — Defendeu-se e se ajeitou na cama, o que consequentemente fez Niccolo se mexer, e isso não facilitou em nada as coisas.

 

—  O que você quer de mim? — Daniel perguntou fechando os olhos e Nico se permitiu sorrir e passou a mão pelo peito de Daniel, e então ele ia dizer o que Daniel só estava esperando pra ouvir:

 

— Eu quer que você...

 

— Nico bebê da mamãe, já está em casa? — MERDA. Agora sim, fodeu pros dois, Daniel abriu os olhos no mesmo instante e Niccolo saiu de cima dele.

 

— Você não disse que eles iam demorar? — Daniel sussurrou.

 

— Eu pensei né, porra! — Niccolo respondeu.

 

— Nico, mamãe chegou da rua e comprou aquelas cuecas que você tinha me pedido, mesmo a contra-gosto do seu pai, disse que super herói é coisa de idiota.

 

Niccolo bateu sua mão na testa, todas as vergonhas desse mundo pertenciam oficialmente a Niccolo Verona Corleone.

 

— Daniel, você sai pela janela e vai ter que pular o portão.

 

— Olha a calça que eu tô usando!

 

— Tira ela, porra! Anda logo, minha mãe vai entrar aqui jajá! — Ele cutucou Daniel e o empurrou para perto da janela abrindo-a enquanto via-o tirar as calças, porra, que desperdício.

 

— Não ganho nem um beijo de despedida? — Daniel perguntou enquanto saia pela janela e Nico apenas o fuzilou, ele sorriu e beijou o garoto mais baixo enquanto ouvia a porta do quarto ser destrancada.

 

3 HORAS DEPOIS.

 

— E foi assim que eu vim parar aqui com um saco de ervilha no pau esperando o meu amigo me emprestar uma roupa velha. — Daniel contava a história para Bernard, que ria desacreditado de tudo aquilo.

 

— Mano, você é muito fodido, pior do que eu! — Bernard disse e bateu as mãos nas próprias pernas.

 

— É, eu sou mesmo, mas é como dizem, tenho mais uma história pra contar pros meus filhos.

 

— Você não vai mais ter filhos, você tá com um saco de ervilha no pau!

 

— Cala a boca, mano! — Daniel tirou o saco de ervilhas congeladas do meio das pernas e jogou em cima de Bernard, que desviou instintivamente.

 

Daniel, que já estava vestido, saia agora pela porta enquanto via alguns garotos chegando na Vortex, muito, muito bêbados mesmo.

 

— Boa sorte, Ronaldinho, você vai precisar! — Foi a última coisa que Daniel disse antes de sair pela porta.

 

Bernard só foi entender o que ele disse quando os garotos entraram na casa e quebraram a maçaneta da porta, pela quinta vez. Realmente, ele teria muito trabalho por hoje.

 

2:15 AM

 

Donnie estava deitado no colo de Pierre já fazia em torno de meia hora, os dois estavam bêbados, Pierre não tanto quanto Donnie, mas nenhum dos dois dizia uma única palavra, estavam apenas aproveitando a companhia um do outro.

 

— Ei, Pierre, você já parou pra pensar como a anatomia humana é uma coisa estranha? Tipo, por que será que temos dois olhos e não três, por que será que a gente só pode ouvir com o ouvido e não com a boca? São muitas coisas pra se pensar.

 

— É mesmo... mas sabe o que mais me deixa curioso? — Pierre encarou Donnie que tinha os olhos vidrados no garoto.

 

— O que? Me conta! Eu quero saber! — Donnie disse.

 

— O fato de que a gente não se lembra de quase nada depois que a gente acorda de um porre.— Os dois riram depois de ficarem um tempo só se encarando, e Pierre começou a acariciar os cabelos de Donnie, que fechou os olhos com o contato no instante seguinte.

 

— Em uma escala de um a dez quanto você se importaria se eu te desse um beijo? — Donnie abriu um dos olhos e encarou Pierre.

 

— *Moins. — Pierre sorriu e Donnie se sentou de frente para o garoto e se aproximou dele, beijando-o. Não foi aquele que chamamos de melhor beijo da vida de alguém, porque Donnie era mais alto e eles estavam de pernas cruzadas um para o outro, o que fez com que seus dentes batessem uma ou duas vezes.

 

Pierre se levantou e puxou Donnie para junto de si, fazendo com que o mais alto ficasse de frente para o menino encostado na parede da escola, e aí sim, um beijo de verdade aconteceu.

 

— As suas mãos... o que está fazendo, Donnie? — Pierre perguntou.

 

— Estão na sua cintura...

 

— Exato! Você pode fazer melhor do que isso, coloque-as em algum lugar decente. — Pierre disse e mordeu seu lábio inferior, que não demorou em ser tomado por Donnie, que sugou o mesmo com vontade e começou a passar suas mãos por debaixo da camiseta do garoto fazendo-o arfar e gemer baixinho com as provocações.

 

Pierre tinha seu joelho no meio das pernas de Donnie, incitando-o a roçar sua intimidade no mesmo e se sentiu feliz ao ver que seu trabalho estava sendo bem feito, isso até duas pessoas passarem correndo por eles e Donnie se afastar do garoto.

 

Robin estava atrás de Christopher, dizendo que era pra ele devolver a ela o seu sapato, mas ele dizia que pra isso ela teria que pegar o cadáver dele, e isso soou como um desafio para Hatsune-Robin, que começou a correr atrás do garoto igual o demônio e ele resolveu se esconder atrás da escola, atrapalhando as pessoas que só queriam se beijar em paz.

 

— Caralho vocês dois estavam se pegando né? Foi mal eu também tava fazendo isso lá dentro, porém agora eu só tô preservando a vida do meu pinto. — Chris dizia e se escondia atrás de Donnie, que cambaleava já que estava bêbado e não conseguia sustentar-se enquanto Chris o sacolejava.

 

— Robin, por que você tá correndo atrás do Chris? — Pierre perguntou, segurando Chris pela camisa pra que ele parasse de usar Donnie como seu escudo.

 

— Esse desgraçado vendeu meu sapatinho, um monstro desse merece perdão?

 

— Quanto era o sapato? — Pierre revirou os olhos.

 

— Quinhentos dólares.

 

— Ele vai te pagar a despesa, agora deixa o coitado em paz.

 

— Se ele não me devolver meu sapatinho em sete dias, eu vou matar ele, o recado tá avisado.— Robin mirou em seus dois olhos com os dedos e apontou de volta para os garotos.

 

— Eu não tô entendendo nada... eu vou pra casa. Tchau Pierre, te vejo mais tarde, Chris. — Donnie se despediu de um jeito meio mórbido, Pierre tentou impedi-lo de ir embora, queria aproveitar mais seu tempo a sós com Donnie, mas agora só restou... o Chris, sim, porra! Isso era perfeito!

 

— Você já vai embora, Miles? — Pierre perguntou.

 

— Vou sim.

 

— Beleza, chama um táxi, eu pago pra ele te deixar na Vortex. — Pierre sorriu de um jeito estranho.

 

Dentro do táxi, Chris nem se deu conta de que o motorista só fez um caminho: o da casa de Pierre. Ele só foi ter noção disso quando o garoto o empurrou para fora do carro e eles estavam na frente do prédio do garoto.

 

— Que isso? Por que eu tô aqui? — Chris perguntou com uma sobrancelha arqueada e Pierre não disse nada, só começou a empurrá-lo pra dentro do elevador e não respondia suas perguntas que eram em sua maioria bem desnecessárias.

 

Pierre parou no andar de seu apartamento e puxou Chris para que ele entrasse.

 

— Fala baixo, se a Guadalupe pega a gente aqui ela me chuta. — Disse Pierre.

 

— Quem é Guadalupe? — Chris levantou uma sobrancelha.

 

— Minha empregada. Mas não chama ela de empregada, se não eu tomo chute.

 

— Pierre o que você quer comigo aqui na sua casa? Eu tô fumado mas eu sei lutar taekwondo! Não vamos transar, saiba disso, eu sou...

 

EU NÃO QUERO TRANSAR COM VOCÊ! — Pierre se exaltou e percebeu a merda que tinha feito.

 

Ele puxou Chris até a área de serviço e jogou o garoto no pequeno espaço, juntando-se a ele e ficando próximo demais do garoto de um jeito incômodo.

 

— Você tá pisando no meu pé! — Chris reclamou e Pierre colocou a mão na boca dele.

 

— Menino Pierre, é você que está aí? Se for, saiba que você está fodido! — O sotaque mexicano podia ser ouvido com nitidez dali de onde estavam, mas nenhum dos dois se atreveu a dizer nada.

Eles ouviram passos para um lado e para o outro e Pierre rezava pra que ela só voltasse pro quarto, e não conteve um suspiro de alívio quando a senhora fechou a porta do quarto de hóspedes a onde ela ficava e começou a roncar novamente.

 

Ele saiu do armário da área de serviço e foi até a sala, arrastando Christopher consigo.

 

— Certo, vou falar logo o que eu quero, você atrapalhou meu momento com o Donnie, faz uma eternidade que eu quero ver o monumento daquele garoto e quando a espada de São Jorge tava na minha mão, você estragou a porra toda! — Pierre disse em tom acusatório e arrancou o chapeuzinho da fantasia de Chris,  jogando o mesmo na cara do garoto logo depois.

 

— Você tem dinheiro pra pagar motel, eu não tive culpa de nada não senhor. — Chris deu ombros e colocou seu chapeuzinho de volta.

 

— Ah você teve, e pra compensar  essa cagada que você fez, você vai fazer a cabeça do Donnie pra ele ver que ele gosta de um pau como a maioria dos encubados daquela escola.

 

— Quer que eu faça ele gostar de pau? Tipo, do meu?

 

— Faça isso e a Robin não vai ser a única pessoa querendo te capar.

 

—  Não estou te entendendo, Pierre, seja mais claro por favor, São Jorge.

 

— Eu quero dizer pra você falar sobre mim pra ele, porque parece que toda vez que eu tento me aproximar por conta própria, o filho da puta foge, até quando tá bêbado! Você parece ser a única pessoa que ele se sente a vontade, então, faz esse favor pra mim!

 

—  O que eu ganho com isso?

 

— Eu te pago vinte pratas.

 

— Cinquenta.

 

— Vinte cinco e cinquenta. — Pierre disse, Chris titubeou um pouco, mas aceitou a proposta.

 

— Por que você me trouxe até sua casa pra falar isso?

 

— Porque eu ainda estou com raiva de você, e essa é a parte que você sai da minha casa e vai andando até a Vortex.

 

— Ah mas não vou mesmo, sabe a onde a gente tá, Pierre, isso aqui é a burguesia, se eu sair na rua no Halloween eu vou chegar em casa só as seis da manhã.

 

— Então boa caminhada pra você. — Pierre destrancou a porta do apartamento e Chris apenas riu e deitou sua cabeça no sofá, querendo dizer que não sairia dali tão cedo.

 

— Ah é assim então? — Pierre saiu da sala e foi até a porta do quarto de Guadalupe, a onde ele deu fortes batidas e gritou algo em espanhol.

 

Não deu nem tempo de Chris assimilar o que aconteceu quando um balde de terra caiu em cima de sua cabeça, o garoto se assustou mais ainda quando viu uma velha com um metro e cinquenta de altura com um cabo de vassoura na mão correndo atrás dele, foi a deixa pra Chris abandonar o apartamento as pressas.

 

A velha voltou para dentro do apartamento e trancou a porta enquanto Pierre ria da cena.

 

— Lupe, você sabe que não era um ladrão, que era só o Chris, não é? — Ele riu.

 

— Fala isso pro controle do seu vídeo-game que ele pegou, moleque idiota. Vai dormir vai, Pierre, você já me irritou.

 

— Você é minha heroína, Lupe!

 

— Desencosta de mim que você tá cheirando ovo. Vai tomar um banho e dormir, já são quase três da manhã. Nunca mais me acorde esse horário.

 

Pierre sorriu para a velha e essa lhe mostrou o dedo do meio, jogando a vassoura em cima do sofá sujo de terra e voltando para seu quarto, amanhã ela limparia a bagunça, hoje o melhor que ela poderia fazer era puxar um ronco.

 

4:00 AM

 

— Então você está querendo me dizer que você nunca beijou ele? — Brooke, que já estava bem louca, tinha Hayden chorando em seu colo, alegando que Eric não gostava dele de verdade, que o único interesse do rapaz era comê-lo, e coisas de um gay incubado chorão e bêbado.

 

— Sim, mas ele quer muito, só que eu não sei nem por onde começar. — Hayden fungou e Brooke levantou a cabeça do menino que a encarava sem entender nada, então, ela deu um beijo nele, completamente aleatório, e depois deitou a cabeça dele em seu colo outra vez.

 

— Isso é um beijo, Hayden, só chega e vai. — Ela disse.

 

— Não me beija de novo não, você é bonita, mas eu sou gay. — Confessou como se fosse a coisa menos óbvia do mundo.

 

— Não tem problema eu também sou gay. — Ela disse e fez um afago na cabeça do menino que se encolhia em seu colo como um animalzinho indefeso na arquibancada do ginásio.

 

— Eu vou me matar. — Hayden disse.

 

— Cala a boca que você não tem coragem nem de falar pro garoto que você gosta dele, quem dirá se matar.

 

— Você só me machuca, Brooke, não sei por quê ainda falo com você. — Ele disse e cutucou a perna dela.

 

— Porque eu sou demais. — Ela deu uma piscadinha para ele quando reparou que no meio da pista o grupo das feias vinha até ela. — Merda, lá vem.

 

— Brooke, qual é a sua? Você ficou a festa toda encarando eu e minhas amigas, o que você quer? Umas dicas sobre moda? — Fleur começou.

 

— Acho que ela só precisa aprender a ter senso mesmo. — Paris seguiu.

 

— Eu? Encarando vocês? Acho que distorceram os fatos hein, gatinhas? Quem ficou me secando foram vocês. — Ela disse em tom indiferente e continuou brincando com os cabelos de Hayden, que apenas olhava a cena quieto.

 

— Por que a gente perderia nosso tempo com isso? — E Fleur não parava.

 

— Eu que te pergunto. — Brooke deu risada.

 

— Que seja, eu só quero deixar bem claro que se eu ver você fazendo graça com uma de nós, você não vai estar em bons lençóis, que fique claro. — Paris disse e puxou as amigas para o outro lado, como se tivesse feito o maior discurso da história.

 

— Que porra foi essa? — Hayden levantou sua cabeça e riu junto de Brooke.

 

— Foi uma feia tentando me intimidar, mas agora sim ela me deu motivos pra pegar ódio, ela quer me ameaçar a troco de que? Menina louca.

 

— É melhor você não se exaltar, vai que ela manda o chiuaua dela correr atrás de você, nunca se sabe.

 

— Isso serviu pra alegrar minha noite, mas agora eu quero ir embora, sério, tô com dor de barriga. — Brooke disse e Hayden riu.

 

— Vamos, eu vou com você até a Frost, mas não vomita em mim. — Ele a puxou pela mão e desceram a arquibancada de braços dados enquanto pessoas saíam da festa até que o salão estivesse vazio... ou quase.

 

Max ainda estava sentado em um canto próximo aos banheiros, com Healer encostado em seu ombro e fazendo um afago em seus cabelos.

 

— Me perdoa por ser um lixo as vezes. — Max soltou. — Hoje eu reparei que eu só ando com gente bosta, e isso faz de mim um bosta, mas não é como se eu fosse mudar muito.

 

— Eu gosto de você, Max, você é uma pessoa boa nos momentos em que ninguém está te olhando. — Healer riu. — Mas eu não sou obrigado a esperar pra sempre pra você criar coragem.

 

Healer se levantou e estendeu a mão para o rapaz para que os dois saíssem da escola, que já estava praticamente vazia, só os bêbados estavam sendo carregados para fora agora.

 

— Eu.. ah, droga Healer. — Max deu sua mão para o garoto e se surpreendeu quando este não a soltou  quando estava de pé. — É difícil pra mim, cara! Não pense que eu vou mudar assim porque eu não vou, sabe como são as coisas, sabe com quem eu construí meu círculo de amizades, se me vissem com você assim... eu estaria morto.

 

— Ninguém vai te ver, ninguém vai te matar! Por Deus, Maxwell, você não dá uma dentro. — Healer disse e o menino baixou a cabeça, porém Healer o pegou pelo queixo e o obrigou a olhá-lo. — A felicidade não se é alcançada quando você só faz besteira atrás de besteira. Eu lembro que você me disse que um dia seria feliz, e não é tão difícil, Max, só seja honesto com você mesmo.

 

— Eu não sou como você, Healer. — Max disse em um fio de voz quando sentiu o garoto passar o dedo por sua bochecha ruborizada.

 

— Eu sei que amanhã você vai culpar o álcool por tudo o que aconteceu. — Healer fez uma pausa e colocou o rosto do menor entre suas duas mãos. — Então, eu só te peço uma coisa... deixa eu te mostrar como ser meu não pode ser assim tão ruim. Sei que você vai embora antes de amanhecer, de qualquer maneira.

 

— Tudo bem. — Max disse em um sussurro e Healer se surpreendeu com a resposta imediata.— Eu quero.. eu quero ser seu por hoje.

 

Healer capturou os lábios do garoto e sentiu um gosto sutil de álcool, ele sabia com qual dos dois Maxwell's ele estava falando, era com o verdadeiro, aquele que tanto se escondia por trás da máscara de garoto ruim.

 

Os dois saíram do ginásio de mãos dadas, e ao que parece, estavam enganados sobre serem as únicas pessoas a presenciarem o ato de paixão adolescente que acontecia ali.

 

Olhos curiosos, olhos curiosos, a troco de que você teria tantas informações assim pra guardar sobre uma só pessoa? É sempre bom lembrar que saber coisas demais faz com que criemos problemas demais.

 

A festa terminou desse jeito, um ginásio vazio, bexigas pretas pelo chão e muita coisa pra contar em uma noite de dia das bruxas.

 

Que bem guardada seja essa tradição que se mantém tão viva em Salém, a onde nossas bruxas eram queimadas e acusadas de servirem ao diabo, deixaram a nós apenas a sua memória, que corre as ruas até hoje,  que abre as portas para que eu e você façamos bom proveito desse tempo, trazendo a tona a personificação dos nossos mais variados monstros, sejam eles reais ou imaginários. 

 

Feliz Halloween. 

 


Notas Finais


buy JULY on iTunes: https://itunes.apple.com/us/album/july-single/id1170430856
watch JULY on youtube: https://www.youtube.com/watch?v=R4T43PncyQc

*Moins = menos um em francês.

NÃO PESQUISEM POR EDWARD PENISHANDS. NÃO. PESQUISEM. VOCÊS FORAM AVISADOS.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...