História Youth - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Emma Young, Esposade7, Shawn Mendes
Visualizações 121
Palavras 4.052
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Nem deu 3 dias ainda mas hoje é o bday do nosso Shawn e eu não podia deixar passar <3
Nosso bb tá crescendo rápido demais e eu to ficando deprimida, apesar de que ele ainda parece um garotinho lindinho de 15, 16 anos, com brinco na orelha e beijando garotas no meet and greet. COMO PODE JÁ TER 19 MEU DEUS DO CÉU
Agora, de volta a Youth, esse cap. tá enorme, socorro
Boa leitura <3

Capítulo 17 - Acidente


Capítulo 16 - Acidente

No dia seguinte, acordei com o despertador do celular às dez para as oito da manhã e  mesmo com todo aquele barulho alto, Emma continuou feito pedra jogada em sua cama e embolada na coberta. Eu não via nem seu cabelo fora da coberta, não sei como ela ainda respirava.

Me levantei, vesti uma sunga por baixo da bermuda e coloquei uma regata antes de "arrumar" os cabelos e me dirigir até ela.

— Emma — chamo. Ela nem se move. — Emma — cutuco suas costas. Ou o que eu esperava ser suas costas, não sabia já que estava tudo coberto demais. — Emma... ow...

Nada. Nenhum resmungo. Nenhum movimento. Nadica de nada.

— Emma, caramba! — começo a cutucá-la freneticamente com o meu indicador, sabendo que ela odiava isso.

— Ai, que é? — ela resmunga, finalmente!

— Já estava quase ligando para a emergência, achei que tinha parado de respirar.

— Cala a boca — ela não aceita minha brincadeira, mas eu já tinha certeza sobre seu mal-humor matinal —, o que você quer?

— Tá na hora de levantar.

Ela afasta o cobertor do rosto e descubro que, na verdade, eu estava cutucando sua barriga. Como ela não tem aflição na barriga? QUE TIPO DE GENTE NÃO TEM AFLIÇÃO NA BARRIGA?

— Você não tem aflição na barriga sua anomalia?

— Quê? — ela abre um dos olhos, com a cara toda amaçada. Tinha cabelo espalhado pra todo lado. — Não brisa, Shawn, tá cedo demais pra isso.

Reviro os olhos. — Deixa quieto, vai. Levanta, você tem dez minutos.

— Pra quê? Eu achei que isso estivéssemos tirando umas férias.

— E estamos, por isso temos planos pra hoje.

— Ai, ai. Que planos? — ela abre o segundo olho.

— Planos — sorrio. — Estarei no restaurante, e você tem oito minutos agora. Se demorar mais que isso, te arrasto daqui sem me importar se está pronta ou vestida, ok? Oito minutos.

Ela resmunga mais um pouco e eu não dou a mínima bola, saio do quarto e vou esperar no restaurante.

Ela demora contáveis nove minutos e doze segundos, e eu faço-a pegar suco pra mim três vezes por causa de seu atraso.

Depois de comermos e tudo mais, exigi que Carl me desse a chave do carro. Emma ficou abismada, chocada, estupefata, incrédula, nervosa, preocupada, aterrorizada e tudo quanto é adjetivo que não se passa pela minha cabeça mais. O que eu quero dizer é que ela deu um chilique pois se recusava a entrar naquele carro que seria dirigido por mim.

— Você está louco? Fumou? Usou pedra? Nunca que eu entro no carro contigo! Você não tem carta, Shawn. Não vou correr risco de vida. Já basta ter a minha mãe no hospital, não preciso estar lá também — ela cruza os braços e fica balançando negativamente com a cabeça, como uma criança pequena, mimada e birrenta.

Não sei se rio, se zombo dela ou se perco a paciência e começo a gritar que ela está errada.

— Primeiro, eu sei dirigir. Segundo, Carl sabe que eu sei, senão, não teria me entregado as chaves, pode ter certeza. Terceiro, se a polícia nos parar, eu tenho carteira falsa. E quarto... — droga, não tenho um quarto motivo. — eu não vou acabar com a nossa vida. Vai ser incrível. Para de ser mimada.

Ela abre a boca, perplexa. — Mimada? Eu? Shawn, é você quem tem um motorista particular!

— E não estou causando problemas por isso. Entra logo no carro.

— Onde aprendeu a dirigir e por que não tem carta então? — ela franze o cenho, ainda de braços cruzados e na defensiva. Reprimo minha vontade de revirar meus olhos ou bufar para tanta marra.

— Meu pai não acha necessário eu me preocupar com isso agora, já que temos um motorista. Ele diz que preciso me focar somente na escola para entrar pra mesma faculdade que ele entrou, ano que vem — digo com tédio, meu pai se supera mais a cada dia.

— E onde arranjou a habilitação falsa?

— Contatos, histórico oculto, um momento de insanidade... chame do que quiser. Vamos logo.

Sei que ela está em busca de mais perguntas apenas para conseguir me fazer mudar de ideia, mas ela desiste logo que se dá conta de que eu não vou desistir. Não mesmo.

— Se acontecer alguma coisa, eu acabo com você.

— Você não faria isso, mas não se preocupe, nada vai acontecer. Rápido, já estamos atrasados.

Ela respira fundo e encarando o céu e eu dou risada, entrando no banco do motorista. Ela se senta no banco do passageiro e coloca o sinto de segurança.

— Ah, a sensação de sentar aqui é ótima — regulo o banco, os espelhos, o retrovisor e ponho as mãos no volante, como se estivesse amaciando. — Já faz tanto tempo.

— O quê? — ela arregala os olhos. Dou risada e ligo o carro, trancando as portas. — Ai, me Deus. Ai, meu Deus. Ai, meu... 

Piso com tudo e logo já estamos saindo pelos portões do recanto rural.

Ligo o rádio e sintonizo na minha rádio predileta, que, por sorte, ainda pegava aqui. Não era tão longe de casa, de qualquer modo.

— Mãos no volante, Shawn. Foco na rua! — dou risada e encosto o cotovelo na janela. — Shawn!

— Calma, gata. Eu sei o que estou fazendo.

Acelero.

Eu estava mesmo me achando. Qual é! Dirigindo uma Mercedes-AMG C63, com uma garota como ela do meu lado, dirigindo livremente numa cidade desconhecida... que cara não iria me invejar? Só faltava meu ray-ban, que eu tinha esquecido de trazer. Droga.

— Para de bancar o gostosão, eu tô ficando com medo.

Gargalho.

— Relaxa, só relaxa.

— Ah, claro que vou relaxar. Tô tranquila, super tranquila.

Aumento o volume do rádio assim que me familiarizo com a música que tocava. Ela se encolhe ainda mais no banco de couro, segurando firme nas laterais do assento.

— Baby, this is what you came for... — canto com a música.

Ela encara a janela e eu sorrio mais, aumentando o volume até o máximo.

— SHAWN! — ela grita, realmente grita.

— And everybody's watching her, but she's looking at you-you-oh-you.

Olho para ela e sorrio enquanto ela vai cedendo. Seus dedos estavam se descravando do banco aos poucos.

— Canta comigo.

— Não.

— You, oh, oh, oh, you, oh, oh, oh, you-yoooooou.

Ela dá um sorrisinho mas se controla para reprimi-lo.

— Não reprima sua felicidade, se solte, poxa. ESTAMOS LIVRES!

Com uma das mãos no volante e a outra livre, ponho o braço para fora da janela e bato na lataria do teto enquanto grito, me libertando.

Cara, isso sim é vida!

Nada de Dan Mendes, nada de imagem de filho perfeito para zelar, sem escola, sem preocupações, sem nada. Nada além de Emma e eu.

É disso que eu tô falando!

— And everybody's watching her, but she's looking at you-you, oh, oh, oh, you, oh — ela canta comigo, finalmente.

A música acaba e agora é uma do Maroon 5. Já tinha ouvindo antes mas não sei a letra, já ela parece saber, pois estava cantarolando baixinho.

— Pode cantar algo, sem julgamentos — digo e ela sorri, negando com a cabeça e continuando a cantarolar quase em mudo. — Oras, vai.

— Eu só sei o refrão.

— Que seja o refrão então.

— I don't wanna know, know, know, know, who is taking you home, home, home, home...  And loving you so, so, so, so... The way I used to love you, no, I don't wanna know, know, know, know.

— Só isso?

— Só. Você não sabe?

— Do you think of me? Of what we used to be? — canto totalmente desafinado.

— Is it better now, that I'm not around? — ela canta a próxima frase, mas para logo depois.

— E o resto? — peço.

— Não sei, ouvi poucas vezes — rimos.

— Tudo bem, já podemos ir pro The X Factor.

— Ah, claro. Que tal irmos pro The Voice, pro Adam ver nosso talento sobre as músicas dele?

— Ele iria se aposentar depois dessa.

— Claro que sim, nós arrasamos. Somos uma ótima dupla.

— Pra tudo, né? — sorrio malicioso.

— Obviamente.

Os próximos vinte minutos de caminho até o início dos meus planos para hoje se seguiram recheados de vozes altas e desafinadas em cima das músicas na rádio, gargalhas exageradas e o maravilhoso gosto de liberdade.

Parecia que ela já tinha largado sua desconfiança sobre meus dons na estrada, e chegamos inteiros no estacionamento do que eu chamava de sítio, sem nenhum arranhão. Bom, aquilo não era bem um sítio, mas eu não tinha outro nome melhor para definir.

— Chegamos.

Abro a porta do carro e desço. Pego minha mochila no porta-malas, enroscando-a no ombro e só quando o fecho, a porta de Emma se abre. Me aproximo e olho pra ela, que esta encarando o local com o cenho franzido.

— O que estamos fazendo aqui? Eu não sei andar a cavalo. E tipo assim... nem quero.

Dou risada, estendo minha mão pra ela.

— Não vamos andar à cavalo. Bom, se quiser, podemos, mas não é esse o plano.

— Não quero. O que vamos fazer? — ela pega minha mão, pra minha surpresa, e desce do carro, fechando a porta atrás de si. Tranco o automóvel com o botão na chave, e o coloco no bolso.

— Você vai descobrir já, já.

Caminhamos para dentro do "sítio" onde, na frente, era cheio de cavalos, bezerros, ovelhas e todos esses animais de fazenda. Andamos até os fundos, onde ficava o tal rancho e um grupo de jovens estava lá. Me aproximei e uma mulher mais velha veio até nós dois com uma prancheta em mãos.

— Pois não?

Ela vestia uma bermuda de legging e uma blusa transparente com um maiô por baixo. Devia ter uns quarenta anos e usava havaianas laranja flourecente. Devia ser uma dessas tiazonas que, de tanto trabalhar e interagir com os jovens, se acha com vinte anos a menos por usar gírias dos anos oitenta e roupas coloridas.

— Comprei o pacote para a trilha das cachoeiras ontem, no nome de Shawn Mendes.

— Oh, finalmente. Estão atrasados — olho de soslaio para Emma, que encolhe os ombros. — Bom, já que estão todos aqui, podemos começar a trilha. Como eu estava dizendo, a trilha inclui sete cachoeiras e duas tirolesas no rio. Tem duração de três a quatro horas, mais uma hora de almoço na fazendo, que está incluso no pacote. Quatro cachoeiras serão vistas no período da manhã, e três à tarde. Vocês vão curtir muito, e no caminho verão diversos bichos que vivem aqui. Vamos.

Todos os jovens reunidos ali, inclusive eu, gritamos que sim e ela começou a andar, com a gente em sua cola. Emma estava quieta, observando à nossa volta e eu comecei a pensar que ela não havia gostado.

— O que foi? — pergunto.

— Não é nada — ela sorri de lado. — Só estou surpresa. Cachoeiras?

— Sim, é algo bem natural e típico dessa cidade, mesmo sendo raro no País. Liberdade, lembra? Achei que iria gostar.

— E gostei. Só não sei se vou entrar nelas, tenho um certo medo. A única vez que entrei numa cachoeira, eu tinha seis anos, e quase me afoguei. Meu pai me salvou. Mas acho que nem foi aqui na Califórnia.

— Bom, qualquer coisa, eu te salvo — sorrio, tentando suavizar o drama.

— Shawn... — ela ri.

— Você vai curtir. Vamos, estamos perdendo eles.

Corremos um pouco para não perdermos eles de vista e o caminho de dez minutos até a primeira cachoeira era puro verde, pontes de madeiras que balançavam além da conta, insetos demais e um cheiro único de mato e terra.

O grupo de turistas era composto por umas quinze pessoas, todos casais, e duas crianças no meio. Bom, Emma e eu não éramos um casal, mas era modo de dizer. Homem e mulher... enfim. Acredito que todos com menos de vinte e cinco anos.

Chegamos à primeira cachoeira e foi bem menos do que eu esperava. A água escorria com força por uma pedra não tão grande e o rio em si era bem parado, mais parecia um lago.

— Essa é a nossa primeira cachoeira, também a mais tranquila. Fiquem à vontade, temos até vinte minutos de parada aqui, até seguirmos vinte minutos de trilha até a próxima.

Os turistas se preparavam para pular, a maioria deles já trajava roupa de banho. Era uma beleza ver as garotas de biquíni, mas eu me foquei em Emma primeiramente. Todas estavam acompanhadas, mesmo.

— Vai entrar? — perguntei.

— Acho que não, aqui parece ser bem fundo — disse com o olhar fixo nas pessoas que pulavam, sumiam debaixo da água e voltavam à superfície alguns segundos depois.

— Cinco metros de profundidade — a guia se intromete. Nem tinha percebido ela ali perto, e pelo pulo que Emma deu, ela também não.

— Cinco? Uau.

— É cachoeira mais rasa que temos aqui, mas não se preocupe, não há correnteza em nenhuma das cachoeiras. Você sabe nadar? — a mulher questiona.

— Mais ou menos — ela diz vagamente, e sei que está mentindo.

— Bom, tenho certeza que seu namorado pode te ajudar com isso, hein, irmão?

Eu não disse? Ela é uma dessas tiazonas que usam gírias para parecer mais moderna. , que piada. 

Espera... ela disse namorado?

— Não somos namorados — falamos ao mesmo tempo, apressadamente, e nos entre-olhamos em seguida.

— Ah, não? — ela sorri maliciosa. Ô, tia, menos, né?! — Irmãos então?

— Não — ela responde. — Apenas amigos.

É... apenas amigos. Sem outra alternativa.

— Tuuuuudo bem. De qualquer modo, seu amigo pode te ajudar com qualquer coisa. Ou eu. Qualquer pessoa daqui pode te ajudar. Não há riscos.

— Tudo bem, mas deixa pra próxima né?

— Como quiser — ela sorri e se afasta, indo até o casal que chama por ela para perguntar sobre o almoço.

— Não sabe mesmo nada, não é? — digo com tom de zombaria, o que não era minha intenção.

— Eu sei, mas não acho que consigo me manter sobre dez, quinze ou vinte metros de profundidade. Só tenho receio.

— Tudo bem, quando quiser nadar, eu entro com você. Não há riscos, como ela mesmo disse.

— Hum, tá bom. Na próxima nós vamos, ok?

— Claro.

* *

Estávamos na quarta cachoeira, ou seja, a última antes do almoço, e Emma conseguiu arranjar uma desculpa para todas as três anteriores. Ela ainda estava totalmente seca e arrumada, do modo como chegou aqui, e era a única nesse estado.

Eu mergulhei em todas as cachoeiras a partir da segunda, e não tinha planos de resistir a mais nenhuma. Ela só ficava ali, olhando, lutando em seu conflito interno entre sua vontade e seu medo, tirando fotos, conversando... infeliz.

Ela não sabe mesmo aproveitar.

— Essa é a última cachoeira do período da manhã, já são são onze horas e quinze, e vocês podem aproveitar desse rio com nove metros de profundidade por até vinte minutos, então teremos de quinze a vinte minutos de trilha de volta ao rancho. A tirolesa está disponível, e eu fico sobre o controle dela, ok, galera? Quem será o primeiro?

Logo que ela termina de falar a fila que se forma é comparável com a fila da cantina na escola, logo que o sinal do intervalo toca. Todos querem ir, inclusive eu, mas tenho uma tarefa mais importante antes de cair sobre uma corda.

— Vamos, vai. Você não está curtindo nada. Viemos aqui para aproveitar, são nossas "férias" — sinalizo as aspas com os dedos —, lembra?

— Ah, eu não sei... nove metros é bastante coisa — titubeia.

— Eu estarei lá embaixo para te segurar quando você cair da tirolesa, ok?

— Você quer que eu vá na tirolesa do rio ainda?

— É claro — respondo achando graça.

— É melhor não, mas você pode ir. Deve, aliás. Aproveite.

— É chato curtir e te ver aqui, sozinha e seca.

— Tá bom, vai... mas promete ficar no rio quando for minha vez?

— Prometo — sorrio. — Vou na sua frente.

— Ok.

Ela tira a primeiro a blusa e então o shorts. Seu biquíni é preto e o destaque da cor com sua pele Emma é incrível. Se livra dos chinelos ou "rasteirinhas", como ela chama e se dirige comigo até a fila, que agora é bem menor. Sou o terceiro, e ela está bem atrás de mim.

Não demora nem três minutos para eu deslizar pela corda e cair na água fresca do rio.

— Uhuuuu! — grito antes da minha queda. Quando volto à superfície, olho para cima e vejo Emma hesitando em pegar o metal que vai deslizá-la pela corda. — Vai, Emma, tô aqui — grito.

Ela respira fundo e dá um sorriso forçado para a guia quando ela fala algo que sou incapaz de ouvir. Ela segura no guidão do metal e vai com tudo, de olhos fechados. Começa a gritar meio segundo antes de cair, bem à minha frente. A puxo pelo braço para cima e ela segura meus ombros.

— Meu Deus, eu tô viva! — ela diz impressionada e é inevitável rir.

— Lógico que está. O que achou?

— Demais! Vamos de novo? Por favor!

Acho graça da sua animação. — Claro. Quantas vezes quiser.

* *

— São exatamente quinze para as três da tarde e essa é a nossa sétima e última cachoeira. Também, a mais amada dentre os turistas. A queda da água é de doze metros e a queda de vocês é de quatro. A profundidade é de cinco metros, e assim que pularem, devem nadar até o túnel e sair ao lado calmo do rio. Nadem à vontade no rio, há alguns peixes e se derem sorte, poderão os ver. Há uma escada de corda para saírem depois, logo à frente do túnel. Eu vou pular primeiro para auxiliá-los, pulem com o corpo reto. Entendido?

E então ela tampa o nariz e pula. As pessoas, inclusive eu, vão até a ponta do "píer" e ficam impressionadas ao vê-la acenando lá de baixo. A altitude dá um certo medo, e todas aquelas rochas ao redor poderiam causar um acidente feio, mas bom, aventura é aventura. Cada um pula na sua vez, gritando durante a queda.

Fico animado na hora.

— Quem vai primeiro? — pergunto à Emma.

Depois da tirolesa no rio, ela se animou completamente, e foi em todas as cachoeiras seguidas. Mal sossegou na hora do almoço, pouco apreciando a comida típica da fazenda, ansiosa para continuar.

O mais legal é que nós moramos no interior do estado, há duas horas daqui, mas todo esse clima real de "interior" não faz parte da nossa realidade. Toda essa natureza, essa aventura... é tudo muito novo, e maravilhoso.

— Olha, eu acho que vou dispensar essa aqui... tô cansada.

Só de olhar para seu rosto contorcido, já sei que não tem nada a ver com cansaço.

— Aham, sei. A guia vai estar ali embaixo para te ajudar e eu também, ok? Vai se demais, olha isso! É a cachoeira mais legal da trilha, o encerramento com chave de ouro.

— Não é mais legal que a penúltima. Aquilo era lindo!

A penúltima cachoeira que fomos era um rio, que claro, mais parecia um lago, onde uma caverna nos esperava do outro lado dele. Tínhamos de nadar até lá, e tinha apenas três metros de profundidade. Era realmente uma vista de tirar o fôlego, mas agora, isso é aventura! Não tô nem aí pras fotos, quero mesmo é a emoção da coisa.

— Tá, era bonita mesmo, mas olha a emoção disso! Olha essa queda.

Nesse momento o garoto que pulou gritou tão alto que ela gritou junto de susto, e as quatro pessoas ao nosso redor riram. Ela ficou vermelha.

— Olha esse grito, isso sim é vida! Vamos, por favor.

— E se acontecer um acidente? E se eu não passar pelo túnel? — reviro os olhos.

— Não seja idiota. Não vai acontecer nada.

— Olha essas rochas? E se eu me ralar nelas?

— Você não vai pular em cima delas, vai cair reto. Para de arranjar problema onde não tem, você precisa parar com essa mania.

Ela bufa.

— Tá, mas se eu morrer, você vai ter de viver com a culpa na consciência.

— Como quiser — sorrio orgulhoso.

Ela se livra do shorts e dos chinelos, já que sua blusa estava na minha mochila desde a primeira cachoeira que ela foi e respira fundo. Eu já tinha ficado apenas de sunga, não tinha necessidade de colocar e tirar a roupa toda hora.

— Quer ir na frente? — pergunto.

— Nem a pau, você vai.

— Tá bom.

Eu já era o próximo, todos estavam lá embaixo.

— Posso ir? — grito para a guia.

— Vem com tudo, fera!

Tampo o nariz, olho para Emma e pego impulso, correndo e pulando totalmente em pé. O tempo de queda demorou mais do que eu imaginava, mas logo fui engolido pela água fria. Voltei à superfície e na busca por um apoio, machuquei minhas mãos em alguma coisa pontuda. Uma rocha. Olhei em volta à procura da guia e não conseguia ver nada, a água da cachoeira caía bem em cima de mim. Quando percebi, estava me afogando. Gritei, mas engoli água com isso.

Nadei para o outro lado, começando a me desesperar.

— Garoto, garoto, aqui! — a guia gritava. — Pro outro lado! Cuidado!

Bati com a cabeça em algo áspero, mais rochas e senti uma tontura imediata.

— Ai, meu Deus! Shawn! — a voz de Emma era inconfundível, mesmo no meio daquela tontura e todo o pânico que me consumia.

— Aqui, aqui, peguei.

Um braço se enganchou no meu e eu fui arrastado com as águas por um tempo, ainda tonto demais, e quando consegui abrir os olhos, estava tudo muito tranquilo.

— Oh, meu Deus, o que foi isso? Shawn, tá me ouvindo?

Abri os olhos, e quando minha visão desembaçou, vi Emma descendo pela escada de corda e vindo nadando de "cachorrinho" até mim. Ela segurou meu rosto e seus rosto esbanjava preocupação. Seu olhar focou em minha testa e ela abriu a boca.

— O que aconteceu? — seu dedo encostou pouco acima do meu olho e eu grunhi ao sentir o ardor. Ela se afastou na hora. — Não tem perigo", né? — ela olhou brava para a guia. — Olha isso, ele quase se afogou! — ela esbraveja para a mulher.

— Ele tomou impulso e foi muito para a frente, eu disse para não fazer isso.

— Não disse! — retruca.

— Sim, eu disse. Vocês que não ouviram.

Emma respira fundo, ignorando a mulher, e olha de novo pra mim.

— Você tá bem?

— Estou, tá tudo bem — asseguro, ela balança a cabeça.

— Foi por pouco. Vamos embora.

— Acabou a trilha pessoal! Recolham suas coisas, cinco minutos para irmos — a guia avisa e só então percebo todas as pessoas do grupo observando a cena alarmados.

Emma segura meu braço, ajudando a me estabilizar. Ela está apoiada numa pedra e eu me apoio lá também.

— Consegue subir? — indica a corda.

— Consigo, eu tô bem.

— Não é o que esse sangue na sua testa diz.

Franzo o cenho e isso me machuca. Levo a mão à testa e quando retiro, vejo meus dedos vermelhos. Lavo na água.

Ela sobe pelos degraus de corda, lentamente, e eu vou bem atrás dela. Se não estivesse tão tonto, poderia tirar proveito disso. Praguejo mentalmente a situação.

Ela se seca com uma das toalhas que eu trouxe na mochila e me seco com a outra. Nos vestimos e em cinco minutos estamos de volta à trilha.

— Você nem aproveitou a cachoeira — digo, me sentindo culpado.

— Aproveitar o que poderia ser uma catástrofe? Não mesmo, obrigada.

Dou uma risada amargurada.

— Eu fui o único a causar problemas.

— Não se culpe — ela me olha feio. — Está tudo bem, de verdade. Eu não queria pular, de qualquer forma.

— Hum... então tá.

Mas a culpa não me larga assim tão facilmente.

* *

O caminho de volta para o recanto é bem mais silencioso e chato do que foi o percurso de vinda. Nem mesmo as músicas quebravam esse gelo e fui ignorado em todas as vezes que tentei falar algo. Eu sabia que algo estava errado e pensava que isso tudo era relacionado ao incidente na cachoeira mas nada disso fazia sentido pra mim.

Por que ela estava brava se o acidente foi comigo?

— Você está brava?

— Não — responde curta e grossa.

— Chateada?

— Não.

— O que é então?

— Fiquei preocupada, só isso.

— Por quê?

— Porque muitas coisas poderiam ter acontecido.

— Mas eu tô bem — insisto.

— Tá, Shawn, já foi. Chega.

— Você que está emburrada.

— Não estou.

— Está — tento manter a tranquilidade.

— Não!

— Está!

Argh! — ela aumenta o volume do rádio e vira o rosto pra janela. Bufo e me concentro na estrada, ignorando minha dor de cabeça latejante.

Por que alguma coisa sempre estraga nossos bons momentos? E na maioria das vezes, essa coisa sou eu?


Notas Finais


Vaaaaai Shawn, quase morreu, tadinho hsuahsdua.
Gente, relevem qualquer erro, inventei essa história de cachoeira na Califórnia porque eu nunca sei saí da América Latina então, já sabem né? Mas é uma fanfic, então tudo pode acontecer u.u
Comentem por favoooooor. E até logo, amo vocês! xx Ju

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