História You've got mail - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai
Tags Chanbaek, Colegial, Comedia, E-mail, Exo, Kaisoo, Sahsoonya, Yaoi, Yhgm
Visualizações 385
Palavras 7.200
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, humanos... Como estão? Tudo jóinha? Espero que sim.

Espero que não queiram me matar pela demora... (não vou chorar as pitangas aqui hahaha) Já deu de sofrimento, vamos em frente!

Vou falar bem rapidão aqui, por que estou numa correria... Eu estava com esse plot pronto faz tempo, e decidi postá-lo, por que me diverti muito escrevendo. É uma tentativa de comédia rsrsrs'. Espero que gostem... Gostaria de agradecer todo o apoio dos leitores, quando escrevi aquele jornal... Sério, me ajudou muito... Especialmente ~Katysuka, ~SraChoiRen, e ~Taytay_x, além da utt que me aturou sofrendo o tempo todo (AiKimSoo)... Obrigada, amores, isso é pra vocês!

Ah! Gente, vamos tirar um momento para apreciar essa capa arrasadora de vidas que a maravilhosíssima ~dinnyyoongi fez para esta fanfic!!! Estou in love, sério! Obrigada, meu bem! (finalmente capas decentes, por que eu... só por G-Deus)

Espero que gostem e nos vemos nas notas finais! (Tem recadinho!!!)
Erros: Betei, porém não confio em mim ;-;
Boa leitura

Capítulo 1 - What goes around comes around...


Olá, espero que todos estejam bem acomodados, pois estou prestes a contar um caso que aconteceu comigo, ou melhor, com um amigo meu há alguns tempos aí. Mas, devem estar se perguntando: Por que você está contando isso, ou melhor, por que devemos lhe dar ouvidos? E a resposta é simples... Por que eu desejo mostrar-lhes o lado constrangedor do que é se apaixonar. Devem estar curiosos, mas logo tudo se explica... 

O motivo que me trouxe aqui:

Eu nunca curti muito essas leituras obrigatórias de Colégio. Veja bem... Eu nunca fui um cara que lia, nunca fui dado à cultura e muito menos me interessei sobre discorrer acerca do universo e tudo que o rodeia. Não. 

 

Eu era a personificação da folga e falta de interesse em tudo que se relacionasse a livros. E okay, não vou dar uma de ignorante e dizer que não gosto de algo, quando na verdade nunca experimentei e ficar babando tendências por aí. Não. Eu só não curtia aqueles livros da era Meiji que os professores tentavam a todo custo nos enfiar goela à baixo. Credo. 

Mas, já que eu era obrigado a ir àquele poço de conhecimento toda sexta-feira e a bibliotecária já havia sacado meu lance de pegar um diferente exemplar de "Harry Potter" toda semana pra fazer as tenebrosas fichas de leitura, já que eu havia visto os filmes inúmeras vezes e não precisava ter que lê-los, decidi matar o tempo mexendo no único computador que a escola nos dispunha. Na verdade, era até um elogio chamar a caixa metálica de computador, já que era daquele modelo que não se fabrica mais, com uma grande caixa atrás, que já foi branco, porém agora estava com aquelas manchas amareladas que só podem estar em um eletrônico muito usado e que agora ficava meio de escanteio.

 

Me sentei à pequena mesinha de madeira que ficava no fim das prateleiras e abri a Internet. Num primeiro momento pensei em abrir umas páginas aleatórias, quem sabe um pornozão pro computador encher de vírus, sei lá... Fazer alguma maldade. Se eu ia ter que ler aqueles livros dinossáuricos, a bibliotecária certamente passaria maus bocados com aquele computador que fazia sons de um avião muito melhor que os próprios aviões. Mas, ao abrir o ícone de e-mail, que no caso eu só usava para receber aqueles ridículos testes de personalidade do Facebook, percebi que algum pobre ser desavisado havia esquecido seu e-mail aberto. Um sorriso carregado de maldade adornou meus lábios finos. Okay. Sei o que está pensando... O que esse idiota infantil tem na cabeça? Ele não tem mais o que fazer não? Pois é, não. 

 

Eu era só um garoto entediado morrendo de vontade de bancar o bad boy a torto e à direito, e é claro, levar a ordem da fênix pra casa naquela sexta em particular. 

O e-mail era de alguém conhecido... Mais que conhecido, na verdade. Do KyungSoo era um dos meus amigos mais sombrios, se é que posso dizer assim. Ele era bem quieto e na dele, além de super estudioso. Sinceramente, eu o achava muito interessante, daquele jeito que você acha maneiro olhando na rua, mas não tem coragem de elogiar o estilo. KyungSoo não merecia que alguém hackeasse seu e-mail, mas como eu não dava a mínima pra nada mesmo, decidi sacanear meu amigo. Primeiro, fiz assinatura online de alguns sites femininos dando como referência seu e-mail, para que ele recebesse conteúdo de higiene feminina, roupas e acessórios em seu e-mail regularmente. Depois, decidi dar uma olhada em suas compras no Amazon, achando interessante que ele, diferente de mim, gostava bastante de ler. Vi um e-mail de um doutor, provavelmente seu dentista, pedindo para remarcar sua consulta. Mandei uma resposta marcando para outro dia e acabei ficando entediado após fazê-lo. D.O, como eu o chamava, era tão chato. Nem um e-mail de amigo pra eu poder sacanear. 


Resolvi mandar uma mensagem para ChanYeol, colocando os pés sobre a mesinha, e descobrindo após o tapa que levei nas pernas desferido pela bibliotecária, que não fora uma boa ideia. 

"É aí, Yoda... Seguinte, me passa o e-mail de algum amigo seu?"

A resposta logo veio. 

"Por que quer isso, Bacon? Tu tá aprontando de novo, é?"

Ele me conhecia bem... Bem até demais se querem saber. Estávamos meio que em uma relação sem laços afetivos baseada na homossexualidade compartilhada, uma forma mais polida de se dizer que nós dois estávamos nos pegando, sem compromisso. Era divertido, e ChanYeol sabia ser charmoso quando queria, isso quando não estava usando aquele moletom ridículo de piu piu que ele insistia em vestir todo santo dia, mesmo que estivessem 40°C à sombra. 

" Só manda essa droga logo... " 

Fiquei olhando para a tela do celular, lendo com calma o e-mail com letras e números que o Chan mandou. 

"De quem é?"

"Do Jongin"

Perfeito! Jongin era um dos amigos no meu pseudo peguete e de quem eu não era muito fã. Na real, eu meio que morria de ciúmes do moreno, já que ele e o ChanYeol são amiguinhos desde o útero e não se desgrudam por nada desse mundo. Antes de sair com o ChanYeol, eu poderia jurar de pés juntos que os dois estavam juntos, se não fosse o orelhudo, uma de suas características físicas marcantes, não que fosse a menos importante se querem saber, me assegurar que Kai, o apelido do dito cujo, não jogava no nosso time. Como eu estava inseguro, concordaria com o que quer que ele me dissesse, e foi o que fiz. 

" Valeu, brother..."

" Depois vou à sua casa e vai me dizer o que está rolando" 

Não me dei ao trabalho de responder, já que eu tinha um plano a arquitetar e pra quem não tem nada pra fazer, decidir o que é prioridade é o mais difícil, de forma que esqueci completamente de ChanYeol ao digitar o e-mail na tela do PC e selecionar como remetente o D.O e destinatário, Kai. 

Quando se arquiteta uma maldade, se deve pensar com frieza, sacomé. 

Escrevi aquilo rindo feito um idiota, batendo palmas num intervalo regular, contente de estar fazendo aquilo, ao mesmo tempo que me assustava a possibilidade de ser pego o fazendo. 

- Isso vai ser interessante... - sussurrei para mim mesmo, antes de ouvir a voz irritante da bibliotecária me chamando pra escolher o livro, pois os demais alunos já haviam o feito. 

Se KyungSoo descobrisse ele me mataria, mas eu correria esse risco, afinal, era divertido. 
 

***

 

 

Ah, que dia entediante. A visão diante de mim era ainda mais chata. 

Estava jogado no chão de seu quarto, vestindo uma regata preta e um shorts azul marinho, lendo o segundo volume da série "Lar da senhorita peregrine para crianças peculiares", um dos muitos livros de literatura americana que tinha espalhado pelo seu quarto, quando o som característico de seu computador lhe chamou atenção. No canto superior esquerdo a notificação, mostrando que recebera um e-mail. Levantou-se preguiçosamente, sentando-se na cadeira de rodinhas cor de vinho e abriu o ícone de mensagem, lendo calmamente o e-mail com um remetente do qual nunca ouvira falar antes. 

"Não sei como conseguiu meu e-mail, nem quem é você, mas se for quem eu estou pensando, me desculpe... Não foi minha intenção". 

Bear. 


Sentei-me ao lado de KyungSoo, observando bem o e-mail que Jongin mandara com a boca escancarada. Socorro! Ele realmente respondeu minha mensagem infame? Deus me livre se o Soo descobrisse o que fiz, me mataria! 

O fato de eu ter mandado um e-mail de brincadeira a Jongin dizendo que sabia que ele observava Do KyungSoo quando ele não estava prestando atenção foi meio impensado da minha parte. Até por que tudo isso era uma implicância minha. Nunca tive provas do ocorrido e na realidade, só falava esse tipo de coisa pra ver se o ChanYeol reagia, já que eu tinha ciúmes dele com seu amigo moreno sensação. Eu já tinha notado que Kai, o apelido de Jongin, estava sempre lançando umas olhadas para meu amigo baixinho, mas achei tudo bem normal, até por que KyungSoo sempre foi muito bonito e diferente. Era normal as pessoas o encararem pelo olhar sério que mantinha ou suas roupas inegavelmente pretas na maioria do tempo. Quando mandei o tal e-mail, que mais parecia uma ameaça que uma brincadeira, achei que Jongin ia levar na esportiva, ou mandar vários xingamentos como resposta, mas o que me surpreendeu foi o e-mail de resposta, no qual ele pedia desculpas, mas não negava que secava meu amigo com aquelas duas burcas negras e felinas. Eu, é claro, sendo o profissional que sou, apaguei o e-mail enviado, só por precaução, pois o Soo poderia facilmente descobrir que alguém enviara um e-mail em seu lugar e acabar chegando a mim. Mesmo assim, ele continuou olhando para o e-mail, intrigado pelo conteúdo e pelo remetente desconhecido. Mordi o lábio inferior, já pensando nas várias merdas que minha brincadeirinha infantil poderia ter acarretado, ao que KyungSoo se dirigiu a mim:

- Baek, olha só isso. Que estranho. A pessoa deve ter se enganado, não? Nunca vi este e-mail antes... 

Ri sem graça, disfarçando o nervosismo que tomava conta de mim, enquanto secava as palmas das mãos suadas na calça jeans que usava. 


- Uhum, certeza que foi isso. Ignora. 

Ele pendeu a cabeça para o lado, pensativo. Merda! Eu conhecia a expressão em seu rosto. KyungSoo estava ponderando responder o tal e-mail, só para descobrir o que estava acontecendo e eu internamente só queria sair correndo dali o mais rápido possível. 

- Vou responder. - falou. 

- Não! - gritei, afobado. - E se for um tarado? 

KyungSoo soltou uma risadinha pelos lábios de coração. 

- Ai Baek, não fala besteira. Como pode essa pessoa ser um tarado se pediu desculpas por sei lá o que? 

E começou a digitar a resposta. Eu sentia uma gota de suor gelada correr por minha têmpora enquanto eu suspirava amedrontado. Decidi dar o fora dali, antes que meu comportamento estranho me entregasse, dando a desculpa de que iria para a casa de ChanYeol (tido por Kyung como um outro amigo) e que ligaria mais tarde. 

Corri para minha casa o mais rápido que pude, ansioso pela segunda feira, por abrir aquele e-mail de meu amigo, que eu salvara estrategicamente no favoritos do computador da escola, para descobrir que merdas a minha pegadinha ocasionou. 
 

A bibliotecária me olhava meio espantada por eu estar ali numa segunda, com uma pilha de livros sobre a mesinha, só pra despistar mesmo, e fingindo que os lia. Ela devia estar se beliscando pra provar pra si mesma que eu havia ido ali por livre e espontânea vontade. Seria cômico se não fosse trágico. 

Quando ela me deu as costas, corri como um louco para as últimas prateleiras, sentando na cadeira de madeira e ligando o monitor desbotado, rapidamente abrindo a tal guia no favoritos e zapeando o e-mail de D.O. Havia várias notificações dos sites femininos com ofertas de batons matte novos e logo abaixo as mensagens que ele trocou com Jongin, sem saber quem ele era. A resposta à mensagem de Jongin era a seguinte:

"Não entendi o que quis dizer... Por que está se desculpando?" 

Penguin. 

Arfei surpreso. Merda! O apelido de KyungSoo no final entregou o esquema todo! Jongin ia saber que era ele, afinal. Uma mensagem acabara de chegar e suei frio ao abri-la:

"Como assim? Foi você que me acusou primeiro... Eu te observo às vezes, mas você me ignora, mesmo que eu saiba que você pergunta de mim para o ChanYeol"

Bear.

Me abanei com "Os crimes abc" da Agatha Christie enquanto praticamente hiperventilava na frente do computador. Isso estava virando uma bola de neve. Com isso, o Kai acabara de se entregar também, mas espera aí... Ele estava mesmo de olho no D.O? Desde quando meu amigo e ChanYeol conversam? Sobre o Kai, inclusive? Ah... Isso já estava me deixando muito curioso. Decidi bolar um plano de espionagem, pra descobrir se D.O e Kai já tinham sacado quem era o ser misterioso do outro lado do e-mail e acabei colando no Soo igual um coala, o seguindo pra cima e pra baixo a fim de descobrir o que estava rolando ali. 

 

*** 


Eu estava comendo aquele kimchi no maior pique, sorrindo para aquela bandeja cheia de comida, enquanto tentava bolar um bom plano pra descobrir o que estava rolando, afinal... Não estava em meus planos que o computador da biblioteca fosse formatado por aquela bruxa, levando consigo aquela guia do e-mail de KyungSoo. 

Era frustrante, por que com o passar dos dias meu amigo estava cada vez mais estranho. E não era só ele não... Kai andava muito estranho. Vira e mexe eu o via espreitando meu amigo. Ao que parece, ele já sabia quem D.O era, porém nenhum barraco explodira até o momento. Muito pelo contrário... KyungSoo continuava agindo normalmente comigo, apesar de estranhar e às vezes agir meio cricri por eu não desgrudar de seu pé. Eu o observava separando por cores os ingredientes de sua bandeja, enquanto mandava mensagens para meu peguete. 

" O que está rolando, Baek? "

Fitei a tela do celular, meio confuso pela mensagem que ChanYeol me mandara, principalmente quando olhei em sua direção, ele estava me olhando com uma carranca, novamente usando aquele moletom ridículo de piu-piu. 

" Como assim, lindão? " 

" Me diga você... Não desgruda daquele seu amigo. Tá' querendo me dizer alguma coisa? "

Soltei uma risadinha, limpando os lábios sujos de molho com o guardanapo, enquanto meneava a cabeça de um lado para o outro. 

" Estou fazendo uma pesquisa... Nada demais. Relaxa. "

ChanYeol arregalou os olhos, ajeitando a postura na mesa, antes de pôr aqueles dedos compridos pra digitar em seu smartphone. 

" Baek! Você disse a mesma coisa quando nós transamos pela primeira vez... Que era uma pesquisa apenas... Sem viadagem! Você está dormindo com o D.O? Eu juro que se estiver dando pra outro, arranco seu pau! " 

Vi as bochechas do Yoda infladas e ri divertido. 

" O Spock está com ciúmes? "

ChanYeol mandou um emoji de mostrando o dedo do meio. 

" Relaxa, bebê... Desta vez é REALMENTE uma pesquisa... Além de que o D.O é virgem. E nem é meu tipo. "

" Ele é virgem? "

Fitei meu amigo em uma pequena discussão com a merendeira. Tá' aí uma outra que adora infernizar a vida dos alunos, como se já não bastasse a bibliotecária.

Provavelmente ela tentava convencê-lo a comer alguma gororoba que ele não queria. Kyung era cheio de frescuras pra comida. 


" É. Ele acredita nessa coisa de alma gêmea"

ChanYeol assentiu debilmente, até que olhou na minha direção e pôs-se a digitar. 

" E você? Não acredita? Quer dizer que nosso lance é só um lance mesmo?"

 

Ai ChanYeol... cala os dedos. 
 

Respirei fundo e digitei. 


" Não preciso procurar alma gêmea alguma."

Ele bufou enquanto meu amigo se aproximava. 

"... Por que já achei a minha..." - digitei com um emoji de coração. 

ChanYeol abriu um sorriso idiota na cara. 

 

Nossa, cara... Até eu me senti seduzido por mim. Sou puro talento. 


Sorri para o Yoda enquanto observava Kai se aproximar, sem desgrudar as orbes negras de meu amigo nem por um minuto. 

ChanYeol sorriu para ele, enquanto sentava-se ao seu lado. Digitei, por precaução:

" Ei, ChanYeol... Não vá contar ao Kai que o D.O é v... " 

Antes que eu mandasse a merda da mensagem, Kai encontrou meu olhar após ouvir algo que o amigo lhe dissera.

Merda. Será que ChanYeol lhe dissera sobre minha "pesquisa"? Pela segunda vez na semana, suei frio. 

- Está ouvindo o que estou dizendo, Baek? 

Foquei meu amigo, que estalava os dedos com uma expressão entediada no rosto. 

- Desculpa, Kyung. O que dizia? 

Ele bufou, antes de dizer:

- Eu disse que aquela história do e-mail é muito estranha... 

Engasguei com meu kimchi, enquanto D.O batia nas minhas costas. 

- C-como assim? 

- Pelo que o Bear disse, quem mandou e-mail primeiro fui eu... mas não faz sentido, sabe? Não mandei e-mail algum... 

Engoli em seco, subitamente sentindo um calor monstro se apossar de mim. Nem o kimchi conseguia me distrair daquele mal estar. E olha que comida é algo sagrado, saca? 

- Muito es-estranho mesmo. 

Ele me fitou meio desconfiado, enquanto mais a frente Kai e ChanYeol cochichavam algo. 

- Mas, eu precisava saber quem é essa pessoa que parece me conhecer, porém não conheço. 

- Eu acho melhor deixar isso quieto, sabe? Pra que procurar chifre em cabeça de cavalo? É evidente que essa pessoa é mentalmente desequilibrada. - tentei argumentar, mas o brilho nos olhos de meu amigo não mentia. Ele não deixaria aquilo passar batido. 

- Baek... Vamos nos encontrar. 

Estou certo de que minha alma deixou meu corpo por alguns segundos enquanto fitava os olhos de burca de KyungSoo. Eu precisava impedir esse encontro não importa o que. Se Kai sequer chegasse perto, seria meu fim. 

- Q-quando? - murmurei arrasado. 

Eu sabia bem o que acontecia a pessoas que pregavam peças em KyungSoo. Ele era do tipo que pegava sua lapiseira de enfiava no olho da pessoa e eu gostava muito dos meus dois olhos, obrigado. 

- Não sei ainda. 

Assenti com a cabeça, completamente perdido em pensamentos. Meu celular de repente vibrou em meu bolso. Fitei a tela, roendo uma das unhas da mão direita, enquanto suspirava diante da tela. 

" Baek, tinha algum problema eu contar que você está fazendo uma pesquisa com seu amigo pinguim? " 

Revirei os olhos para a estupidez de meu pseudo namorado. 

" Você contou não foi? "

ChanYeol não estava mais à vista, mas eu podia imaginar muito claramente sua expressão facial envergonhada. 

" Escapou. " 

Olhei para Kyung comendo sua refeição calmamente enquanto pensava que, Kai saber que eu estava jogando com meu amigo, era o menor dos meus problemas naquele momento. 

" Você me paga. "

 

***

 

Nem mesmo os lábios de ChanYeol no meu pescoço conseguiam desviar minha mente da grande merda estratosférica que eu havia feito. Olha... Não me culpem, quando em nome de Deus que eu ia imaginar que o Kai estaria de olho no meu amigo? KyungSoo era bonito e chamava atenção, mas não neste nível. Aliás, o que meu amigo andou conversando com ChanYeol? E por que caralhos ele parecia ser tão burro pra notar que o tal bear era no caso, o moreno sensação. 

Por ironia do destino, nenhuma das perguntas tinha uma resposta, e meus planos de me tornar um ninja, perseguindo KyungSoo pra cima e pra baixo de novo foram por água abaixo quando o baixinho alegou que mataria as últimas aulas por que não se sentia bem e iria pra casa. 

Primeiramente achei estranho tal comportamento, por que ele não costumava negligenciar a escola assim. Segundamente, fiquei orgulhoso de seu feito e simplesmente permiti que fosse, afinal ChanYeol estava manhoso por que me deixou bolado e certamente me agradaria pelo resto da semana, por ter sido um boca aberto de uma figa. 

Sorri, me ajeitando sentado naquela mesa, enquanto tinha o rosto acariciado e a língua áspera e quente de ChanYeol percorrendo meu pescoço. Abracei seu corpo bem mais alto que o meu, enquanto ele se enfiava no meio das minhas pernas, e murmurei em seu ouvido:

- Está achando que vou te perdoar só por alguns amassos na biblioteca? 

Ele riu, mordendo meu lábio inferior, enquanto eu soltava um murmúrio:

- Amassos? Eu estava pensando em outras coisas... 

Afastei seu corpo muito a contra gosto, demonstrando uma indiferença que eu claramente não sentia. Ajeitei meus fios castanhos, apoiando os cotovelos na mesa enquanto dirigia uma falsa carranca para ChanYeol:

- Pisou na bola, Park. Agora aguenta. 

Ele bufou, bagunçando os cabelos com uma expressão fofa nos olhos:

- Qual é Baek... Me desculpa, vai... Eu nem estou entendendo o que é que tá' rolando. Você me pede o e-mail do meu amigo, depois não explica o que fez com ele... Depois me fala que está fazendo uma pesquisa, mas não me diz o que é. Depois não posso contar ao Kai que você está fazendo uma pesquisa... - ele falava olhando o volume nas minhas calças. Cruzei as pernas, para dar um pouco de veracidade ao meu discurso de "Não vai rolar nada aqui" - De repente, Kai e KyungSoo estão trocando mensagens de texto e sorrindo um pro outro, mas não querem que você saiba e-...

Fiquei tão chocado, que não pude controlar meus atos. Com uma rapidez incrível dei um tapa estrondoso na boca de ChanYeol, tapando-a enquanto o fitava fixamente os olhos castanhos. Ele grunhiu sob meus dedos, reclamando da dor. Mas, eu não podia pensar nisso naquele momento. Estava muito ocupado olhando o exemplar de “Ulisses” numa prateleira que nunca ousei explorar, pensando no que meu quase-namorado dissera. 

KyungSoo e Kai estavam mantendo contato? Como? Quando? Por que? 

 

Por que eu não podia saber? 
 

Soltei um resmungo, ao sentir o grandão lamber meus dedos. Soltei sua boca, agitando a mão no ar. 

- Nojento... 

- Ei, isso dói sabia? - ele arqueou uma sobrancelha.

 

Desci da mesa, o fuzilando com meus olhos inquisidores, enquanto limpava a palma da mão em seu uniforme. 

- O que você está sabendo sobre os dois? 

- Ah, não sei muito... Só que andam conversando há algumas semanas. Kyung já tinha me perguntado de Kai antes... Eu achei legal justamente por que Kai tem uma queda por ele há anos. Há algumas semanas Kai apareceu todo alegre dizendo que finalmente tivera a chance de seus sonhos. Eu até ignorei, por que ele é meio lerdinho. Dias depois, ele me disse que estava conversando por mensagem com um tal penguim. 


Eu assentia freneticamente enquanto fitava os olhos redondinhos recaídos sobre uma mesa de estudos enquanto se concentrava para narrar os acontecimentos. 

- Eu, claro, deduzi que era o KyungSoo... - disse, gesticulando. 

Nossa KyungSoo, a girafa é mais esperta que você... Dorme com essa. 


Dei um pulinho pra alcançar o topo da cabeça do grandão, dando-lhe um cascudo, vendo-o esfregar a cabeça confuso. 

- Por que você sempre me bate? 

- Por que você merece. Como assim, não me conta o que está rolando? 

- Não achei que fosse importante... - falou. 

- Mas, é claro que é... Sem noção! 

Estava prestes a bater novamente no orelhudo, quando ouvi a porta da biblioteca abrir e pessoas entrarem. Puxei ChanYeol pela gola da camisa e praticamente o arrastei para trás de uma prateleira de madeira. Sério... Aquela biblioteca era muito antiga. Parecia o cenário de alguma sala em Hogwarts. 

Mas, o que realmente me chocou, foi o fato de que ali, na nossa frente estavam nada mais nada menos que Kai e KyungSoo. 

Eu observava os dois por um vão entre os livros, enquanto ChanYeol estava bem atrás de mim, provavelmente enxergando por cima da minha cabeça. Fiz sinal de silêncio e ele assentiu. 

- Bem... Sei que é estranho eu ter te chamado aqui, mas não quero que haja nenhum mal entendido entre nós... - Kai dizia, com as burcas felinas bem concentradas no rosto sério de KyungSoo - Não era minha intenção que aquela garota arruinasse nosso encontro. 

O QUE? DE QUE ESCONTRO ESTAVAM FALANDO? 
 

Minha voz interior estava gritando a plenos pulmões várias indagações, mas a mão apertando meu ombro, de ChanYeol, é claro, era um lembrete de que se esboçasse qualquer reação, estaríamos fritos. 

KyungSoo desviou o olhar e em seguida assentiu. 

- Não foi sua culpa. Eu entendo que é bem popular. - ele desviou o olhar, provavelmente pensando bem no que iria falar. 

Kai suspirou, aproximando-se. Meus olhos pareciam querer saltar da cara, diante da cena. Kai envolveu os dedos de meu amigo timidamente nos seus. Coloquei a palma da mão na boca só por precaução. Algo me dizia que presenciaria altas emoções escondido atrás da prateleira de literatura feminina. 
 

- Ei... Se entende então por que ficou tão zangado? 

D.O apenas meneou a cabeça, como para pedir que deixasse pra lá. Mas, Kai não se deu por vencido, inclinando-se um pouco na direção em que meu amigo fitava o chão, e capturando seu rosto com os dedos. Ergueu o queixo alheio e lhe disse:

- Soo... Fale comigo. Prometemos que levaríamos as coisas devagar e que seríamos sinceros incondicionalmente. Eu não quero que haja uma sombra entre nós. Eu quero ver o seu verdadeiro eu. 

Kyung sorriu um pouco, suas bochechas adquirindo um leve rubor. Que fofinho. 

- Eu... Só fiquei com ciúmes... Quando vejo alguém dando em cima de você, me sinto um ninguém. Como se a minha presença não fizesse diferença alguma. 

Kai sorriu, olhando bem fundo nos olhos de meu amigo. Sabe, até que os dois ficavam bem juntos? Kai era bem alto, e meu amigo era baixinho. Kai era moreno, e meu amigo era pálido. Faziam um casal bonitinho... Mas, pera. Como é que as coisas evoluíram tão rápido? KyungSoo andava me escondendo coisas... ChanYoda andava me escondendo coisas... 

Nossa... Estou sem moral. 
 

- E é um dos motivos pelos quais te chamei aqui. Sei que prometemos ir devagar e estamos nos conhecendo. Mas, o que começou agora pra você tem sido verdade pra mim há muito mais tempo do que gostaria de admitir. 

D.O fitou o moreno enquanto ele prosseguia. 

- Eu gosto de você, hyung. E tive muita sorte de seu amigo ser tão inconsequente... De outra forma, eu teria ficado só te olhando de longe para sempre. 

- Você era muito tímido... - Kyung riu baixinho. - Mas, eu sinceramente não via isso. Achava que você tinha um problema comigo... Até perguntei ao ChanYeol qual era seu problema. 

Ambos riram. 

- Pois é... Se não fosse o babaca do Baek, eu ainda acharia que você me odiava - Kyung sorriu. 

Babaca? Eu? Nossa, que audácia. 

- Por incrível que pareça, ele foi extremamente útil sabe? Devíamos lhe presentear com uma caixa de bis - Kai zombou. 

Olhei para ChanYeol, que deu de ombros. 

 

- Aquele lá vai ter o que merece pra aprender a não fuçar nas coisas alheias... – os olhos enormes de D.O se estreitaram, em tom de ameaça. 

Ai. Meu. Deus. 


Engoli em seco, sentindo um arrepio gélido se alastrar pela minha coluna. KyungSoo sabia da minha brincadeira então. Ele... Só... Estava... Esperando... Pra... Se... Vingar... Apropriadamente. 


Eu precisava de um saco de papel para poder hiperventilar, socorro. 

- Mas, esquece um pouco dele... Quero falar de nós... 

KyungSoo dirigiu seu olhar a Jongin, enquanto ele sorria. 

- Eu gosto muito de você, e não quero te ver assim de novo. Você é o único que me importa... E por isso quero te promover. 

D.O soltou aquela risadinha de voz grave que eu tanto adoro. 

- Promover? 

- Sim. De amigo-por-quem-sou-caidinho, para namorado. - o moreno coçou a nuca, envergonhado. 

Quase soltei um "awn", mas a situação não permitia. Instintivamente dei uma cotovelada nas costelas de ChanYeol, ouvindo-o arfar de dor, enquanto eu enunciava um "Por que você não é como ele? ". 

KyungSoo corou violentamente, fitando o maior com um estranho sorriso nos lábios. Ficou muito bonito assim, e acho que foi o que motivou Kai a ir a diante. Ele envolveu os ombros de meu amigo com suas mãos e aproximou as faces. Fiquei todo derretido enquanto via meu amigo fechar os olhos lentamente, enquanto Jongin selava seus lábios ternamente. Quem diria que o temido KyungSoo teria um admirador tão improvável? Os dois pareciam muito felizes enquanto seus lábios de moviam em sincronia, por vezes movendo a cabeça em busca de um melhor encaixe. Não vou negar que fiquei meio envergonhado com a cena, mas ao mesmo tempo achei bonitinho. 

Quando se separaram, KyungSoo acariciou os cabelos da nuca de Kai, se pondo nas pontinhas dos pés para sussurrar em seu ouvido. Eu não ouvi o que era, e fiquei puto, me sentindo de fora, por que pela expressão de Jongin, ele ficara muito feliz com o que meu amigo enunciara. 

Os dois entrelaçaram os dedos e assumi que Kyung tivesse aceitado, por que caso contrário, Jongin estaria arrasado. 

Os dois iam saindo, enquanto eu comemorava internamente por ter saído daquela experiência incólume, até que Kyung parou e disse:

- Espera, Jongin, tem um livro da Mary Astell que a professora pediu pra emprestar. Vou aproveitar e... 

Ele veio tão rápido, que me atropelei com os próprios pés e tudo girou, enquanto eu ia ao chão, com o corpo gigantesco de ChanYeol comigo e mais a prateleira de autoria feminina. 

Mereço mesmo. 

Quando levantei os olhos, muito assustado pela gafe, a primeira coisa que pude ver foi a bibliotecária tenebrosa voltando de seu horário de almoço... Me fitando boquiaberta, pela confusão que eu causara. Mas, o que realmente me arrepiou até o último fio de cabelo, foi a expressão sádica no rosto de Kyung, enquanto ele me dirigia seu sorriso de psicopata, naquele momento bem ciente de que eu o estava espionando. 

- Ora, ora, ora... - disse ele. 

Tudo que pude fazer foi soltar uma risadinha desesperada. 

- O-oi... D.O. 

ChanYeol tentava recolher os livros enquanto meu melhor amigo se agachava ao meu lado, sussurrando bem baixinho:

- É hoje que você me paga... 

Suspirei derrotado, já me despedindo de um dos olhos, enquanto a bibliotecária gritava a plenos pulmões que eu teria que arrumar toda aquela bagunça. Dava vontade de dizer:

“Minha filha... Essa biblioteca é o menor dos meus problemas”. 

 

 

***

 

 

A vida é algo interessante, sabem? É bela e ao mesmo tempo confusa... Ah, tá', devem estar pensando o porquê de eu estar divagando sobre isso. Pois, é não tem motivo específico não. É que qualquer questão de cunho epistemológico é melhor do que estar limpando o chão do quarto do D.O. Por que digo isso? Por que era exatamente o que eu estava fazendo naquele momento. 

Já havia organizado os CDs, feito a cama e colocado suas roupas na máquina de lavar, e lá estava eu, com um esfregão enorme, em mais um dia de punição. 

Oh não... Não perdi um olho, e por isso sou muito grato. Só perdi o direito de ir e vir, que inclusive está previsto na constituição e que me foi permanentemente negado até segunda ordem. 

Mas, de novo: Por que? Por que eu sou uma anta de marca maior que não podia simplesmente ler “Édipo rei”. Não. Eu tinha que ir abrir o e-mail pessoal do Kyung.

Viram como o crime não compensa, crianças? Nunca façam isso em casa, principalmente se seu melhor amigo tem umas tendências psicopatas em se vingar. 

 

Além de ter tido que catalogar todos aqueles livros na biblioteca, fui sentenciado a ser o escravo pessoal de meu amigo até que ele estivesse satisfeito. E não se enganem, eu até que saí no lucro. Até hoje ninguém sabe o que foi feito de ShinJae, o valentão da escola que grudou um chiclete no meu cabelo no maternal. A última coisa que soube dele, foi quando Kyung o seguiu até o balanço do playground naquela tarde ensolarada. Por sorte seus dentes ainda eram de leite, caso contrário, meu amigo baixinho ainda teria que pagar plano dentário para ele. 

Sequei a testa com as costas da mão, enquanto Kyung lia seu querido “Animal Farm”, de George Orwell. 

- Eu já lhe disse que está lindo hoje, corujinha? 

Ele revirou os olhos, levantando apenas um punho. 

- Só faça seu trabalho, BaekHyun... Antes que eu mude de ideia e resolva te punir de verdade. 

Soltei uma risadinha mista de terror e sofrimento e prossegui em meu trabalho. 

 

Amizade é uma coisa linda. 

 

Na moral, até agora não entendo o porquê de eu ter que sofrer tanto, afinal, pelo meu intermédio, acabei não intencionalmente juntando o casalzinho. Kyung jamais teria se resolvido com Kai se não fosse por mim. Por que fui pego pra Jesus? Mas, que porra hein... 
 

ChanYeol levou sua parcela de culpa também, é claro, por ser tão sonso. Ameacei com greve, mas aguentei um dia só sem meu Yoda me paparicando, como só ele conseguia fazer. 

Após terminar a escrav... Digo, os serviços prestados de livre e espontânea vontade, me encontrei com ChanYeol na sorveteria. Estava com raiva dele, mas ele me prometeu uma casquinha, e não pude resistir... É uma casquinha, afinal. 


- Oi, bacon... - beijou minha testa, como sempre fazia, jogando a mochila em cima da mesa - Como está? 

- Cansado - respondi de mau humor. - Não sei por que eu sou o único que tem que sofrer com essa história. Fiz uma brincadeira idiota? 

- Fez. - ele completou, enquanto eu fazia minha pausa dramática. 

- Fiz merda? Causei problemas desnecessários? 

- É claro que sim... - completou, me dando suporte. 

Olhei em volta, suspirando dramático. 

- Mas, mereço mesmo ser punido? 

- Com certeza... - ChanYeol gritou animado. 


Dei-lhe um cascudo. 

- Claro que não, idiota. 

Ele esfregou a área com um biquinho nos lábios. 

- Poxa, Baek... Só estava te apoiando. 

- Ah, eu vi mesmo como me apoiou... Contando meus esquemas pros outros. 

Ele estendeu-me o sorvete que a atendente trouxe. Lambi a casquinha de chocolate tentando não demonstrar o quão deliciosa ela estava. Eu queria fazer o chateado e ferido. 

- Baek... Eu não fazia ideia do que você ia fazer até que juntei os fatos. Jongin me disse tudo só no fim... 

Cocei a nuca, lembrando de algo importante. 

- Afinal de contas, Kai nera heterossexual? 

ChanYeol riu baixinho, se atrapalhando todo com sua casquinha de baunilha. 

- Acho que ele tá' mais pra Kyungsexual... - riu debochado. - Kai era o cara mais desejado pelas garotas, mas foi pôr os olhos no coruja... Que tudo desandou. Ele ficou completamente encantado com o baixinho, ainda mais quando nós dois começamos a sair e eu, sem querer, deixei escapar que Kyung também era gay. 

- Também? Quem disse que sou gay? - fingi indignação. 

- Senhora... Senhora... Nós temos provas... - ele zombou. 

- Eu nunca fiz isso... - entrei no jogo, lambendo o doce gelado com satisfação.

- Senhora... Temos fotos de nós dois na cama fazendo coisas, como prova... - ele tentava me sujar com o sorvete. 

- Não me lembro disso... - desconversei. 

- Senhora... As fotos estão no meu celular como prova... Não há como negar a sua homossexualidade. 

O observei com aquela blusa de piu-piu ridícula, apoiando meu queixo na mão, enquanto todas as demais indagações pareciam perder o foco. 

- Eu te amo, sabia? - saiu tão rápido que eu nem processei minha voz falando. 

Quando vi o sorriso meigo que recebi... Aqueles dentes emparelhados e os olhos brilhantes, eu tive certeza de que ChanYeol era, mesmo que lerdo, apaixonante, naquele seu moletom horroroso e piadas fora de hora. 

- Eu também te amo, pequeno - foi muito mais sincero do que eu imaginava. 

Me vi beijando aqueles lábios com gosto de baunilha, acariciando a face grande e macia, enquanto ele depositava a mão em minha nuca, me fazendo esquecer completamente de meu ódio pela injustiça praticada contra mim e pelo fato de que ele corroborou com meu triste destino. 

 

*** 

E foi com muito espanto que pude observar o modo como o amor parece mudar as pessoas. Não vou dizer que Kyung virou um anjo da noite pro dia... Pelo menos não comigo, mas ele pareceu ter se tornado muito mais complacente por causa do moreno. 

Naquele dia na biblioteca, os dois tinham tido seu primeiro encontro, que foi atrapalhado por uma admiradora de Kai, que de alguma forma fez KyungSoo se sentir inseguro. Porém, aquilo foi resolvido ali mesmo. 

Pude observar que Kai era sempre muito atencioso para com meu amigo, fazendo questão de deixar bem claro para este, o quão especial ele era. É irônico que ChanYeol e eu tenhamos sido cupidos indiretos, uma vez que por minha causa eles mantiveram contato, e por causa de uma indiscrição de ChanYeol, KyungSoo tenha conhecido a identidade do bear. 

- Então fui perguntar para o ChanYeol, já que sabia que estavam juntos em segredo e ele acabou comentando que estava ficando meio de lado por que o melhor amigo estava trocando mensagens com um tal penguim. 

Ri baixinho. ChanYeol era muito bobo mesmo. 

- Saquei na hora quem era a pessoa... Coisas começaram a fazer sentido, afinal Kai realmente me olhava muito na escola. - meu amigo justificou, apoiando-se na arquibancada - Mas, não imaginava que seu interesse era romântico. Quis brincar com ele, achando que ele queria me pregar uma peça, mas ele me desarmou completamente, e ao invés de me afastar, como era o plano original, acabei me apegando cada vez mais. 

Assenti, observando os alunos jogando dodgeball na quadra à nossa frente. Eu havia fingido ter machucado o tornozelo para ser dispensado da aula, e Kyung estava hipoteticamente cuidando de mim, mas na verdade, estávamos de fofoca mesmo. 

- É estranho ouvir você falar dele assim. Olhando, não parece tão impressionantemente legal assim. Só alto, atlético, sedutor-

Meu amigo me interrompeu, com aquela carranca entediada. 

- Sei que não parece, e é por isso que é tão maravilhoso... Enfim, cheguei a você por fontes diferentes... 

Arregalei meus olhos, pensando um pouco. 
 

Não foi Kai, não foi ChanYeol... Quem poderia ter... 

Abri a boca em descrença. 

- A bibliotecária... - murmurei. 

- A bibliotecária... - ele repetiu rindo baixinho. 

Bati o punho na arquibancada. 

- Aquela bruxa... Só esperando o momento certo para cumprir sua vingança. - falei entre dentes. 

Meu amigo riu baixinho, respondendo uma mensagem no kakao, provavelmente de Kai. 

- Achei estranho tudo aquilo, e pensei que talvez tivesse sido vítima de hackers - arqueou a sobrancelha grossa, me fitando com aquelas orbes negras - E voltei a todos os lugares em que acessei Internet naquele mês. Só achei estranho que ela me relatasse sua presença constante na biblioteca semanalmente. Estava esquisito demais. Então formatei o computador pra ela, já tendo a certeza de que você era o mandante do crime, já que suas atitudes acabaram te entregando. E voilá, meu amigo. 

Abaixei a cabeça, contrariado. 

- Eu só queria me divertir... - formei um bico com os lábios, antes de receber um daqueles tapas ardidos no braço. 

- Relaxa, depois que a raiva de ter minha privacidade invadida se esvaiu, eu lhe deu os créditos devidos por ter conhecido o Jongin... 

- O mínimo, né querido... - joguei a franja para o lado, enquanto fazia minha expressão à la egípcia. 

Ambos rimos. 

- Valeu, Baek. Quando não está fazendo merdas, está fazendo milagres... 

Ri baixinho. 

- Eu devia ser canonizado quando morrer... - comentei, vendo Jongin se aproximando sorridente por avistar meu amigo.

- Não duvidaria se acontecesse... - ele completou, antes de receber um cafuné do namorado. 

Fingi estar enjoado com a cena, sorrindo em seguida enquanto observava o casalzinho. 

- Podíamos ir ver um filme hoje... O que acha? - Jongin sugeriu, ao que meu amigo sorriu e prosseguiu:

- De terror! 

Kai me olhou suplicante, e em seguida tornou:

- Só se eu puder ficar agarradinho com você... Sabe que tenho medo. 

- Calma amor... Te protejo. - Kyung beijou a face do namorado. 

Mas, eu não posso ver essas cenas lindas que já vou estragando... Até por que Kyung andava me deixando muito de lado por causa desse aspirante a modelo da Spao:

- Você devia temer ao D.O... Não aos monstros. 

Kyung me mostrou a língua, enquanto Kai dizia que seu namorado era um santo. 
 

Jongin sempre parecia tão apaixonado quando olhava para meu amigo e vice versa. Como sabia que KyungSoo era novo nessa coisa de relacionamento, ele dava o espaço que meu amigo precisava, parecia sentir prazer em simplesmente conversar e estar por perto e mesmo se esforçara para ter mais coisas ainda em comum com meu amigo. Ele queria vê-lo feliz. Eu também nunca vira Kyung tão receptivo. Ele até saía mais... Investiu em ideias novas que Jongin lhe dava em relação à livros e até mesmo se tornou mais sociável. 
 

Ali, olhando Kyung com as costas apoiadas no peito de Kai, enquanto dividiam em forma de palavras, os acontecimentos mais marcantes de suas vidas de adolescentes, me fizeram pensar em como nos modificamos em nome do amor. Porém, eu não sentia que estava sacrificando parte de minha vida por causa de ChanYeol. Eu queria compartilhar aquilo com ele... Todas as coisas que eu amava, que me faziam feliz, eu queria ele inserido no meio delas. Segundo KyungSoo isso é por que o amo. 


***


Encontraríamos ChanYeol na entrada do cinema e me permiti ficar um pouco atrás do casal enquanto andavam com apenas os dedinhos das mãos entrelaçados, a cada momento trocando olhares ternos, enquanto falavam sobre pororo. Era bonitinho o contraste de alturas e o modo como um parecia complementar o outro em vários aspectos. Onde havia seriedade em KyungSoo, em Jongin havia bom humor. Onde havia dureza em KyungSoo, havia simpatia em Kai. 

Onde havia inteligência em KyungSoo, havia... Brincadeirinha. Os dois ficavam realmente lindinhos juntos. 

Ai meus filhos... Eu que juntei. 

Pude assistir a todas as fases de seu relacionamento, passo a passo, observando o quão lindo pode ser o amor quando é sincero e intenso. 

Haviam as ligações bem tarde da noite, apenas por não conseguirem dormir... Haviam as sessões de Pororo em que os dois assistiam o desenho abraçados, sem qualquer preocupação externa... Também haviam os momentos de volúpia que os dois custavam a esconder. Até por que as marcas de chupões nos pescoços eram provas incontestáveis de que os dois estavam se conhecendo, experimentando juntos. Haviam os momentos em que simplesmente estavam juntos, sem trocar uma palavra que fosse, pois tudo que precisavam era falar por suas ações... E o mais irônico... Haviam os longos e-mails que mandavam um ao outro regularmente. Eles adquiriram o costume de se corresponderem por e-mail, mesmo que estivessem sempre juntos. Infelizmente eu não possuía acesso ao e-mail de meu amigo para que soubesse o teor de tais mensagens, mas realmente não importava. O importante mesmo era que eu sabia que meu amigo estava perfeitamente feliz ao lado de Jongin e vice versa. 

Dei um selinho nos lábios de meu namorado mais que oficial, após aquele dia na sorveteria, quando o avistei e fomos para a sala de cinema. Eu podia ver na fileira da frente, a forma fofa com a qual a cabeça do D.O estava repousada no ombro do maior, enquanto dividiam um balde de pipoca. Eu estava completamente satisfeito. 

Espera... Nem tanto... 
 

- ChanYeol... Tu não pediu a pipoca com manteiga? 

O fuzilei com os olhos, enquanto ele coçava a nuca, confuso. 

- Puxa, amor... Esqueci. 

Bufei impaciente, pegando algumas pipocas e levando-as à boca, internamente feliz por ter ChanYeol me paparicando, mas não transparecendo-o. 
 

- Você me desculpa amor...? - ele fez bico, que não aguentei e acabei beijando. 



Ah, a juventude é linda e eu também... O cupido mais improvável que você verá hoje... 

- Claro... - respondi - Assim que for buscar um balde de pipoca com manteiga. 


E o mais sem paciência também... 


 

*** You’ve got mail ***

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Bem, meus docinhos... É isso aí... Espero que tenham curtido a falta de vergonha na cara desse ChanBaek e esse melzinho de KaiSoo. Essa fic é pra descontrair mesmo, rir da vida... Afinal, a vida de brasileiro já está foda... O jeito é rir! rsrsrsr'

O recadinho é o seguinte... Haverá uma side KaiSoo dessa fanfic, conforme pedidos de minha utt suprema... Não sei ao certo quando sai, devido a falta de tempo da autora (sorry), mas prometo que não demorará muito. Além disso, estou pensando nos especiais de MSD, pra quem como eu, ficou com o coração na mão... Portanto, nada temam... Logo eu volto com mais fics *espero*.

Espero que possam acompanhar e se quiserem deixar um comentário para me fazer feliz, ficarei bem grata!
Desejo uma ótima semana pra vocês... Te amo vocês!

Kisses, bai rsrsr'


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...