História Zero Dawn - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Mistério, Obsessão, Perseguição, Suspense, Thriller Psicológico
Visualizações 14
Palavras 1.599
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


• Música do capítulo: Butterfly Effect - Lamb

• Você pode ouvir essa e outras músicas da fanfic na playlist do Spotify

Boa leitura!

Capítulo 1 - Padrões visuais de enxaqueca


O primeiro som que consigo me lembrar de ouvir foi o do uivo do vento do lado de fora da casa. Respirei fundo, cansada e dolorida, e lentamente abri os olhos. Não sei dizer o que esperava ver, mas ao encarar o teto de madeira rústica e a fraca luz que vinha da lâmpada pendurada no centro do cômodo senti-me acuada. Vinquei o cenho e busquei reconhecer o ambiente, mas nada me parecia familiar. Um calafrio percorreu meu corpo e imediatamente me coloquei sentada no que parecia ser um sofá. Meu pescoço reclamou quando movi a cabeça de um lado para o outro tentando esquadrinhar o lugar.

O chão era de madeira assim como quase tudo que eu podia ver. O cômodo parecia se tratar de uma sala de estar, no entanto não havia uma TV. Ainda sentada no sofá, encarei o quadro pendurado acima da lareira apagada à minha frente. Era uma paisagem bonita do nascer no sol visto do pico de uma colina coberta de neve. Do lado esquerdo havia uma estante repleta de livros e do lado direito uma poltrona bastante convidativa, um xale com padrões étnicos jazia pendurado num dos braços da poltrona. As janelas estavam todas fechadas, cobertas por cortinas escuras e decoradas. Apesar de mal iluminado pude perceber que a sala não era grande.

Coloquei-me de pé e instantaneamente minha vista escureceu e meu corpo pendeu perigosamente para frente. Fechei os olhos e voltei a sentar no sofá, cobri o rosto com as mãos e esfreguei as têmporas. Minha cabeça estava pesada e o lado esquerdo pulsava como se um ser vivo lutasse para abrir meu crânio e se libertar. Uma fisgada mais forte e eu gemi com a dor.

“Merda!”, praguejei em pensamento encolhendo os ombros “Onde eu estou?”

Fiz outra tentativa de me levantar e dessa vez, apesar da dor na cabeça, não senti nenhuma vertigem. Atravessei a sala em passos receosos, cruzando os braços abaixo dos seios ao sentir a corrente de ar frio me atingir. A sensação esmagadora de não pertencer àquele lugar deixava-me sem ar gradativamente, fazendo-me perceber que se tratava do início de uma crise de pânico.

— Olá? – Minha voz soou alta e rouca e senti como se tivesse ficado sem ouvi-la por muito tempo, o que me causou um estranhamento assustador.

O eco da minha voz parecia estar preso em minha própria cabeça. Minha visão clareou de forma tão intensa que não fui capaz de enxergar nada adiante de mim por cerca de cinco longos segundos. A forte claridade acompanhada da dor no lado esquerdo da cabeça deixou-me atordoada. Pensei ter ouvido passos, cliques seguidos de uma risada sarcástica. Senti dificuldades para respirar. Abri os olhos devagar e puxei o ar pela boca, sentindo as lágrimas se acumularem nos cantos dos olhos.

Encarei o espaço adiante e notei que havia um corredor que levava aos outros cômodos da casa. Esgueirei-me pelo escuro, tateando apressadamente a parede em busca de um interruptor. Na euforia do momento pensei ter ouvido outra respiração além da minha. Forcei a vista no escuro, distinguindo formas estranhas logo à frente. Um homem com rosto de caprino – um cordeiro de aspecto macabro – me observava com uma câmera nas mãos, mas assim que pisquei a imagem desapareceu como se nunca tivesse existido.

Meu dedo alcançou o interruptor e a luz preencheu o corredor. A claridade, apesar de afetar meus olhos e fazer minha cabeça latejar, trouxe a sensação de segurança. Olhei ao redor e constatei que não havia ninguém além de mim, apenas três portas fechadas. Duas do lado esquerdo e uma do lado direito.

— Tem alguém aqui? Olá? – Avisar minha presença era como um pedido de desculpas por estar invadindo a casa de alguém, mesmo que eu não soubesse explicar o motivo.

Avancei até a primeira porta e girei a maçaneta. Estava trancada. Segui pelo corredor até alcançar a segunda porta, do lado direito. A porta abriu assim que girei a maçaneta, acendi o interruptor e a luz revelou um quarto equipado com uma cama de casal espaçosa de madeira maciça. Havia uma cômoda e um espelho do lado esquerdo e do lado direito uma escrivaninha com uma cadeira giratória. A decoração era toda rústica, a roupa de cama acompanhava os desenhos étnicos que vira na sala e as cortinas também eram escuras.

Aproximei-me de uma das janelas e afastei a cortina só o suficiente para que eu pudesse ver o que havia do lado de fora. Estava escuro e a neve caía traiçoeiramente, cobrindo os pinheiros que ladeavam a propriedade. Havia tábuas de madeira pregadas do lado de fora das janelas, deixando apenas pequenas frestas que permitiam a visão da paisagem do lado externo. Não conseguia ver muito além. O vento uivava e se chocava contra a cabana, provocando estalos assustadores na madeira.

Afastei-me da janela dando-me conta de que estava com muito frio. Encarei minhas roupas e concluí que a julgar pela tempestade de neve que caía do lado de fora em pouco tempo morreria congelada. Usava uma blusa de mangas compridas de um tecido fino, calças escuras, que apesar de justas eram demasiadamente confortáveis, e botas de couro. Não conseguia me lembrar de ter escolhido vestir aquela roupa, muito de menos de como poderia ter chegado até aquele lugar. As informações pareciam não se encaixar de forma lógica.

Voltei o olhar para o quarto, observando melhor os detalhes. Aproximei-me da cômoda e deslizei a ponta do dedo pela superfície da madeira. Não havia poeira e estava muito bem lustrada. Segurei os puxadores dourados, peças antigas, presumi, e puxei-os na minha direção. Havia peças de roupas perfumadas cuidadosamente dobradas e organizadas por cores. A segunda gaveta continha toalhas limpas, enroladas como tubos, alinhadas com perfeição. A terceira e última revelou uma caixa revestida de veludo vinho e alguns envelopes antigos.

Apanhei os envelopes e a caixa e joguei-os sobre a cama, mas antes que a curiosidade vencesse e eu pudesse abri-los parei e olhei ao redor. Aquela casa era de alguém e eu estava invadindo, bisbilhotando em busca de algo que eu mesma não sabia, mexendo em objetos pessoais de pessoas que eu não conhecia. Encarei os envelopes e a caixa, tentando entender por que eu estava ali. Minha respiração tornou-se pesada e irregular enquanto eu esforçava-me para tentar lembrar alguma coisa.

Outro clarão cegou-me. Meu nome ecoou em meus ouvidos e uma sirene aguda disparou no fundo de minha mente, estremecendo meu corpo e bagunçando meus sentidos. A pressão aumentou do lado esquerdo da minha cabeça, fazendo-me gemer de dor. Pressionei as têmporas lutando contra o clarão que me atingiu feito um soco. Senti que havia mais alguém no quarto, outra respiração além da minha.

Abri os olhos subitamente, encarando meu reflexo no espelho. Toquei meu rosto, confusa, sentindo-me um animal que vê pela primeira vez a própria imagem refletida na água. Meu cabelo castanho estava desalinhado, meu rosto pálido carregava olheiras profundas e uma expressão assustada. Senti pena de mim mesma.

Voltei para o corredor e segui para a terceira porta. Era um banheiro social organizado e limpo, seguindo a mesma decoração dos demais cômodos. Continuei pelo corredor e cheguei a uma grande sala de jantar. Acendi as luzes e analisei o espaço com cuidado, esquadrinhando a cozinha que ficava conjugada à sala de jantar. Tudo estava limpo e bem cuidado, sinal de que havia moradores e que talvez eles pudessem chegar em breve. Respirei profundamente e fechei os olhos, sentindo um suave aroma no ar. Não soube distinguir do que se tratava o cheiro, mas ao abrir os olhos um clarão irrompeu diante dos meus olhos e vislumbrei o rosto de uma mulher. Mamãe.

Não havia indício algum de que aquela era mesmo minha mãe, mas algo dentro de mim a reconheceu a ponto de fazer todo o meu ser sentir-se momentaneamente protegido. Uma lembrança correu diante dos meus olhos como num sonho, uma cena que pareceu brotar do fundo das minhas memórias, de um dia ensolarado e morno.

Eu estava segurando o cortador de grama, empurrando-o pelo jardim, mas não havia nenhum som do cortador. Senti os fones presos aos ouvidos e a voz de Johnny Cash cantando, distraindo-me do trabalho. Ergui o rosto em direção à varanda da casa e avistei minha mãe cuidando dos seus vasos de flores que enfeitavam a entrada. Aquilo me fez sorrir e sentir certa tranquilidade. Continuei guiando o cortador e notei que do outro lado da rua uma figura distorcida me observava. A figura, cuja qual não pude reconhecer devido ao borrão em seu rosto, ergueu a mão direita e acenou lenta e demoradamente para mim.

O clique de uma câmera fotográfica arrancou-me da lembrança e levou-me de volta a cabana. Senti que estava sendo observada. Girei nos calcanhares, olhando ao redor, voltei ao corredor vazio e abri a porta do banheiro. Não havia mais ninguém. Tentei normalizar minha respiração entrecortada e voltei para o quarto, notando algo que antes não estava ali. Em passos rápidos me aproximei das cortinas e puxei uma fotografia que fora pregada ao tecido com fita adesiva. Era uma fotografia minha de instantes atrás, tirada pelas minhas costas.

Virei a foto e notei que havia algo escrito em vermelho.

“ESTOU VENDO VOCÊ.”

Uma insuportável dor atingiu-me do lado esquerdo da cabeça, fazendo-me gritar. Cobri o rosto ao cair de joelhos no chão, gemendo em resposta à sensação de que meu crânio estava prestes a se abrir. Abri os olhos com dificuldade e vislumbrei o quarto girar de ponta cabeça enquanto a figura do homem com a máscara de cordeiro se aproximava. Em seguida, tudo escureceu.


Notas Finais


Stacy sofre de enxaqueca. Pode ser tudo coisa da cabeça dela, pode ser tudo real, pode ser tudo parte de um universo paralelo. Façam suas apostas!

Espero que tenham gostado e até o próximo!

ps.: se você não entendeu a máscara de cordeiro, a tia vai deixar essa imagem aqui para que sua imaginação flua: https://goo.gl/HWbVcV

LINK DA PLAYLIST NO SPOTIFY: https://goo.gl/bZQPbx

xoxo ♥


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