Jornal A Evolução do Homo sapiens quadrinisticus


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O Homo sapiens quadrinisticus é uma curiosa subespécie do Homo sapiens comum. Aparentemente, essa subespécie não apresenta nenhuma característica física marcante que o diferencie do resto da humanidade, nem a transformação de um Homo sapiens comum em Homo sapiens quadrinisticus pode ser prevista por cientistas ou mesmo pelos pais desse “mutante”. As duas únicas coisas certas sobre o espécime são que (1) estão espalhados pelo mundo e podem ainda ser subdivididos em (a) Homo sapiens quadrinistucis comicus, (b) Homo sapiens quadrinistucis bandes-desinéesus, (c) Homo sapiens quadrinistucis mangacus, (d) Homo sapiens quadrinistucis fumettius* entre outros (2) a segunda coisa é que é possível traçar o processo evolutivo de tais indivíduos. Tal processo é descrito logo abaixo:

Tudo começa na infância, quando os pais inocentemente compram para seus filhos revistas em quadrinhos, as “revistinhas” como eles preferem chamá-las. No Brasil, na sua maioria são revistas da Turma da Mônica, de personagens da Disney, e similares, e volta e meia, revistas de super-heróis e alguns mangás mais comerciais passam a ser incluídas no meio. Dependendo do país em que isso acontece, o nome dos títulos e formatos varia, mas são sempre aqueles considerados "gibis para crianças".

A maioria das crianças acaba por deixar para trás tais publicações, mas não o Homo sapiens quadrinisticus, Este passa a se tornar mais e mais interessado neste tipo de revista, abandonando as publicações infantis e partindo, em sua maioria, para publicações de super-heróis, quadrinhos humorísticos, histórias de aventura, ficção, faroeste, samurais, e similares. Até mesmo a alguns títulos que misturam ação com relationships ou aqueles em que os relacionamentos são o foco principal. Essas publicações são o portão de entrada, e, usualmente, são consideradas comerciais e populares.

Desse ponto, podem englobar à sua leitura os chamados “quadrinhos adultos” (no caso do Homo sapiens mangacus, ele se voltaria aos gekigás) e devoram todas as publicações nacionais que seu dinheiro puder comprar – sendo que muitas vezes precisam escolher, com tristeza, se devem gastar o money em uma saída com os amigos ou em uma revista há muito esperada e desejada.

Até aí tudo bem, a mutação ainda é incompleta, as coisas vão ficando mais sérias e mais complexas na medida que o Homo sapiens quadrinisticus passa a saber o nome de todos os desenhistas e escritores de todas as revistas que curte, além de identificar tais desenhistas só de olhar seu desenho, em casos mais avançados consegue saber até mesmo que é o arte-finalista !?

Das revistas nacionais passa a comprar importadas, pode passar horas e horas em sebos empoeirados em busca de um exemplar raro de sua revista preferida ou tentando completar sua coleção de quadrinhos – que muitas vezes ocupa mais espaço no seu guarda-roupa que as roupas propriamente ditas- e achar que essas horas no sebo foram uma das mais divertidas que já teve, e se descobre uma loja especializadas em HQ vai lá não só para comprar, mas também para trocar informações com os outros membros da espécie. È, o Homo sapiens quadrinisticus adora quando encontra outro como ele, pois nesses momentos tem a oportunidade de falar sobre seu assunto preferido sem sofrer com olhares tortos, maldosos e críticos que a maioria dos outros mortais dirige para o pobre e incompreendido Homo sapiens quadrinisticus (ele é quase sempre um perseguido, acusado de ser imaturo e irresponsável só por gostar daquilo que a maioria acredita ser “coisa de criança” -ledo engano, algumas publicações estão a quilômetros de distância de infantil...)

Muitos Homo sapiens quadrinisticus sonham em ir para os Estados Unidos, mas nada de querer ir à Disney ou à Nova York, querem mesmo é ir à San Diego ou Chicago, onde acontecem as maiores feiras do gênero. (Feiras de quadrinhos é um caso a parte, deixa qualquer Homo sapiens quadrinisticus completamente alucinado, totalmente maluquinho).

E se gostam ou preferem mangás, podem até mesmo tentar aprender japonês para ler um no original, com a desculpa, algumas vezes, de que um dia o Japão vai superar economicamente os Estados Unidos, e que só ele vai estar preparado para esse futuro.

E embora, com tantas características peculiares, e por que não dizer, esquisitas (pelo menos na opinião de uma grande parte dos adultos “normais”), o Homo sapiens quadrinisticus é um espécime muito feliz, pois não perdeu a capacidade de sonhar, viajar para terras estranhas e fantásticas apenas com sua imaginação, de ser crítico, tudo isso pelo fato de amar essa arte chamada História em Quadrinhos.

por Katchiannya (uma Homo sapiens quadrinisticus apaixonada pelo gênero)

postado originalmente em
Mahou Gakkou Amaterasu


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