Jornal A Herdeira Honrada


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A Herdeira Honrada

"Você nasceu para honrar sua família"

Tenho ouvido isso desde que nasci, mas o conceito de honra é algo engraçado. A honra pode levar homens e mulheres a sacrificar-se pelo o que julgam importante, da mesma forma que pode levá-los a se tornarem verdadeiros assassinos.

Quando jovem eu só conseguia ver a grandeza do meu clã. Desde sempre vivíamos em um enorme castelo e tínhamos muitos empregados. Uma visão tola de grandeza, mas eu era apenas uma criança. Coisas triviais assim foram se perdendo a medida que eu cresci e fui educada. Educada na arte da espada e na arte da magia.

Fiquei mais velha e comecei a fazer trabalhos a mando de meu pai, na maioria das vezes entregar mensagens, nada que precisasse recorrer ao meu treinamento de combate, a não ser, é claro, que encontrasse dificuldades na estrada.

Em uma dessas viagens me deparei com um circo sendo atacado por um Lobisomem. Pobre criatura, amaldiçoado a perder sua humanidade e se tornar uma besta. O monstro não era forte, eu facilmente o abati, o problema era outra criatura, uma que eu jamais havia visto. Tive certeza de que era um anjo, mas estava em uma jaula, despida e parecia assustada.

Eu tirei aquela criatura de lá, parecia uma criança, curiosa para aprender sobre o mundo. Era inteligente contudo, sabia ler, sabia falar, e isso facilitou as coisas. Deixe-a na biblioteca de minha família, lá uma das empregadas lhe deu o nome de Uriel, nome pertencente a um anjo. Combinou perfeitamente.

Sempre que eu tinha um tempo livre em casa eu ia visitar Uriel, ela aprendeu muito e sua presença me trazia paz.

Tempos depois eu voltava de uma longa viagem, já possuía vinte anos, uma mulher feita, crescida o suficiente para entender a conversa que eu ouvi, uma que eu certamente não deveria ter ouvido. Fiquei em choque, meu pai estava vendendo a lealdade do clã para o inimigo, iríamos nos tornar traidores.

Eu disse que honra era algo engraçado. A honra me obrigava a ficar com minha família, mas a honra também me obrigava a permanecer do lado do Rei. Eu tinha que me decidir, e de qualquer forma eu trairia minhas próprias virtudes.

Eu escolhi manter o legado de minha família intacto, escolhi ficar ao lado do Rei. Então eu expus meu pai como traidor e o desafiei para um duelo até a morte. O premio seria a liderança da família.

Foi uma árdua batalha, ele como certeza era mais forte e experiente do que eu, mas eu tinha que vencer e fui escolhida para isso. Nenhuma palavra, apenas olhares se encontrando, até que o de meu pai finalmente fechou-se e se foi, para sempre...

Batalhas se aproximam, o Rei precisa de mim e de minha família. Eu escolhi esse caminho e irei segui-lo. Sou Hélène Henryette François, a Herdeira Honrada.


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