Jornal Cruelle Beauté


Por: ~


Cruelle Beauté

Reverencie um milhão de orações
e me desenhe em sua santidade
mas não há nada aí
a luz somente brilha
para quem a compartilha
Dead Inside, Muse


Conforme suas pernas moviam-se empurrando a grande camada de tecidos, um som forte ressoava pelas paredes do castelo. Seria impossível não o ouvir, o tinido dos sinos percorria cada centímetro da propriedade. Porém, um único som, mais alto e perturbador, ecoava em seu corpo: os batimentos de seu coração.

Seus pés pousaram na escadaria, os corrimões cobertos por flores, como se a primavera estivesse ali e o inverno não pintasse de branco a paisagem do lado de fora. Desceu as escadas temendo cada passo, ao sentar-se à mesa luxuosamente servida, esperou. Ás sete horas, todos os dias, jantará comigo. As palavras surgiram novamente em sua mente, fechou os olhos tentando afastá-las, no entanto, assim que as pálpebras se abriram, seus olhos mostraram-na o temido.

A criatura entrara silenciosa como uma peste, só se percebe depois da tragédia feita. O corpo animalesco e coberto por pelos tão escuros quanto o próprio demônio ergueu-se se mascarando atrás da pele humana, assim como Lúcifer disfarçara-se de anjo. Contudo, o príncipe do inferno fora um dia dotado do presente divino da beleza, aquele monstro não possuía nada além da face do próprio inferno.




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