Jornal Sobre a fanfic "Yasmin Sofredora"


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Sobre a fanfic "Yasmin Sofredora"

Um dia, um homem escreveu sobre o amor romântico, usando a história de dois jovens que se matam para poderem ficar juntos. Ele retratou isso de maneira poética, apoiando esse gesto como um verdadeiro ato de amor. Milhares de jovens seguiram esse exemplo e fizeram o mesmo por seu(a) amado(a) proibido(a).

Noutra época, um homem cujo ego havia sido ferido por alguns poucos judeus resolveu inflamar toda sua raiva e revolta numa nação de cegos, que não puderam ouvir o ódio por trás das palavras de seu querido Führer. Milhares de pessoas foram vítimas de torturas e morte, num episódio que jamais deveria ter sido escrito na história da humanidade.

É incrível como um punhado de palavras pode influenciar tanto as pessoas, como pode mudar tanto a vida de alguém ou de muitos. Não quero ser pretensiosa ao ponto de pensar que minha história possa influenciar tanto alguém a fazer o mesmo que as personagens, mesmo porque tem muita fantasia envolvida. Mas fico pensando no quanto estou influenciando essas pessoas que leram o que eu escrevi, favoritaram a fanfic e dizem que o Marcos é "um tesão, lindo, gostoso", etc, ou que aquele determinado capítulo em que a Yasmin apanhou e/ou sofreu abuso foi o favorito deles. Penso em como suas mentes já estão sujas com esse tipo de pensamento e em como estou contribuíndo para que se sujem mais.

Não quero ser hipócrita a ponto de dizer que não gosto da minha história nem que não leio várias outras histórias parecidas com esta para o meu próprio prazer. Não, não vou dizer isso. Mas vou dizer sim que me arrependo de ter escrito a Yasmin, de tê-la colocado na internet e de ler esse tipo de assunto. Vou dizer sim, que é horrível uma pessoa de onze anos ter sido favorito de uma história tão obscura e que, de alguma forma, eu contribui para que essa criança/adolescente tenha lido esse tipo de coisa. E também vou dizer que é horrível que eu mesma tenha pensado na Yasmin e nas suas histórias com uma idade bem mais nova do que essa, porque, embora eu só a tenha colocado no papel há uns dois anos, ela já estava na minha cabeça há muito mais tempo, envolvendo coisas piores e até mais fantasiosa do que ela é.

Também não vou dizer que estou feliz por parar de escrevê-la e de estar me esforçando para apagá-la de vez do meu pensamento e para deixar de ler e assistir coisas assim. Já sinto falta da sua história e estou tremendamente infeliz por não poder terminá-la e lhes contar o final, pelo menos àqueles que a liam pela história e não só pelo sexo presente nela. Mas estou feliz por ter finalmente criado coragem de fazer isso, por diversos motivos. E acrescento que vocês, meus queridos leitores, deviam fazer o mesmo.

O sexo não é pecado, realmente. Mas há maneiras mais saudáveis de tratar e fazer sexo e uma idade mais apropriada para isso também.


Por ter sentido na pele a sensação do abuso e por querer que esse tipo de situação seja extingue do mundo, por não querer corromper mais mentes com essa imundicie e perversão sexual, por meu objetivo e dever como a escritora que eu quero ser, estou apagando essa história. E peço para que vocês a apaguem de suas mentes o máximo que puderem.

Peço desculpas por tê-la escrito e por vocês terem lido, mas também peço desculpas por não lhes dar o final que eu havia criado para essa personagem tão querida para mim, que me foi companheira quando eu mais precisei. Mas agora é hora de seguir em frente e eu vou escrever e focar em outros assuntos a partir de agora. Porque como diria meu melhor amigo, eu tenho de ser autora de minha própria história e não devo deixar o passado determinar o meu presente e futuro, por mais que ele realmente influencie minhas atitudes. Eu tenho o controle de mim mesma e, consequentemente, da minha vida e escolho apagar isso.

Espero que vocês continuem lendo outras história que pretendo postar aqui futuramente e espero, de coração, que vocês façam isso que eu lhes pedi: esqueçam a Yasmin, parem de ler esse tipo de coisa, mudem o foco para coisas mais saudáveis na vida.

Sinto muito por tudo isso, obrigada pela atenção,

Laura.


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