Jornal Solidão


Por: ~


Solidão

Caminhar sozinha , à luz do luar , atividade banal em dias monótonos como estes presentes. Pensar , refletir. De que adianta sem compreender-me? Sem motivação , sem posses , sem um escudo onde apoiar-me. Costumava ter um escudo.

Ele era o escudo.

Ele costumava ser a pessoa com quem podia dividir
experiências por mais chatas e sem graça elas fossem.

Costumava ser o colo onde poderia chorar , livrar-me de mágoas. Atônita , gostava de fitar seus olhos e observar enquanto se tornavam mais vivos ao amanhecer. Sentia-me livre e viva , como um pássaro a explorar novos horizontes.

Não conseguia possuir esse sentimento com qualquer outro ser presente em minha insignificante vida fútil. Quando estava em sua presença , era como se por um segundo , fosse uma pessoa verdadeiramente importante.

Na realidade , era como se por vontade divina , pessoas parassem com seus afazeres para observar-me , feliz , confusa e claramente iludida.

Mas como poderia ser diferente? Ele possuía tudo que me faltava , perto de sua fascinante forma de vida , minha existência era apenas um sussurro , uma súplica , um pedido de socorro. Gostava de perguntar sobre suas aventuras , viagens ao exterior , descobertas e outras coisas que alguém como eu óbviamente nunca seria capaz de realizar.

Após sua ida , o que poderia me restar? Apenas um buraco , uma cicatriz eterna , chamada popularmente de solidão.

É isso que hoje sou , solidão .

Escutando: I Hate You I Love You
Lendo: Cidades de Papel

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