Jornal Suicida Parte 2º


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Suicida Parte 2º

Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e me curar. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: "Os homens mais fortes são os mais solitários". Viu como pensa a maioria: "Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?". Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.


. . . Apesar de todos os insultos e humilhações, eu não me sinto triste, pelo menos não muito. Tem um lado bom e tudo isso. Uma pessoa, inteligente, bem sucedida, dela as pessoas sempre estarão esperando o melhor, é uma pessoa previsível. Eu por outro lado, que sou considerado a ovelha negra da família, o adorador do diabo, o fracassado, o zé ninguém, simplesmente não se espera nada de mim, aí é que está, eu posso surpreendê-los, e quando perceberem o seu erro, já será tarde demais . . .


Diário de um Suicida - Flávio Henrique


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