Lista de Leitura: Harry Potter

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1 história
Fanfic / Fanfiction Harry Potter and the Obsidian Lock
Em andamento
Capítulos 23
Palavras 69.376
Atualizada
Idioma Português
Categorias Harry Potter
Gêneros Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Esporte, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Tudo é uma mentira
Amizades morrem
Eu não passo de...
Um fantoche

Os Dursley tinham tudo que queriam, mas tinham também um segredo, e seu maior receio era que alguém o descobrisse. Achavam que não iriam aguentar se alguém descobrisse a existência dos Potter.
A Sra. Potter era irmã da Sra. Dursley, mas não se viam há muitos anos, na realidade a Sra. Dursley fingia que não tinha irmã, porque esta e o marido imprestável eram o que havia de menos parecido possível com os Dursley. Eles estremeciam só de pensar o que os vizinhos iriam dizer se os Potter aparecessem na rua. Os Dursley sabiam que os Potter tinham um filhinho também, mas nunca o tinham visto. O garoto era mais uma razão para manter os Potter à distância, eles não queriam que Duda se misturasse com uma criança daquelas. Glória

Enquanto fujo da gloria
Fico no escuro em silêncio
Quando na verdade estou gritando
Mas tenho certeza de que ninguém me houve

O Sr. Dursley talvez estivesse mergulhando em um sono inquieto, mas o gato no muro lá fora não mostrava sinais de sono.
Continuava sentado imóvel como uma estátua, os olhos fixos na esquina mais distante da Rua dos Alfeneiros. E nem sequer estremeceu quando uma porta de carro bateu na rua seguinte, nem mesmo quando duas corujas mergulharam do alto. Na verdade, era quase meia-noite quando o gato se mexeu.
Um homem apareceu na esquina que o gato estivera vigiando.
Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que tivesse saído do chão. O rabo do gato mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram.

Todas as cicatrizes
Eu tentei esconder
E agora estou pagando o preço por guarda-las
Esses sentimentos que estão desaparecendo

— O que estão dizendo — continuou ela — é que a noite passada Voldemort apareceu em Godric’s Hollow. Foi procurar os Potter. O boato é que Lílian e Tiago Potter estão… Estão mortos.

Dumbledore fez que sim com a cabeça. A Professora Minerva perdeu o fôlego.

— Lílian e Tiago… Não posso acreditar… Não quero acreditar… Ah, Alvo.

Dumbledore estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro.

— Eu sei… Eu sei… — disse deprimido.

A voz da Professora Minerva tremeu ao prosseguir:

— E não é só isso estão dizendo que ele tentou matar o filho dos Potter, Harry. Mas… Não conseguiu. Não conseguiu matar o garotinho. Ninguém sabe o porquê nem como, mas estão dizendo que na hora que não pôde matar Harry Potter, por alguma razão, o poder de Voldemort desapareceu e é por isso que ele foi embora.

Dumbledore concordou com a cabeça, sério.

— É verdade? — gaguejou a professora. — Depois de tudo o que ele fez… Todas as pessoas que matou… Não conseguiu matar um garotinho? É simplesmente espantoso… De tudo que poderia detê-lo… Mas, por Deus, como foi que Harry sobreviveu?

— Só podemos imaginar — disse Dumbledore. — Talvez nunca cheguemos à saber.

Em algum lugar há forças que eu preciso para juntar esses pedaços quebrados
Me ensine como vencer sem os pecados que cometo em batalha
Eu tentei ser a luz
Mas ouso suas mentiras em meio ao silencio
Mas o que essas palavras são pra mim
Posso dizer que essas palavras realmente são minhas?

— Hagrid — exclamou Dumbledore, parecendo aliviado — Finalmente. E onde foi que arranjou a moto?

— Pedi emprestada, Professor Dumbledore — respondeu o gigante, desmontando cuidadosamente da moto ao falar — O jovem Sirius me emprestou. Trouxe ele, professor.

— Não teve nenhum problema?

— Não, senhor. A casa ficou quase destruída, mas consegui tirá-lo inteiro antes que os trouxas invadissem o lugar. Ele dormiu quando estivemos sobrevoando Bristol.

Dumbledore e a Professora Minerva curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, que dormia a sono solto. Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobre a testa eles viram um corte curioso, tinha a forma de um raio.

— Foi aí que? — sussurrou a professora.

— Foi — confirmou Dumbledore.— Ficará com a cicatriz para sempre.

Digo:
VÁ CHORAR!
Salve os mentirosos!
queime nesse inferno sem fim!
Ainda espero pelo dia sem mais guerra, sem mais luta
A vida é uma luta
Vivemos pra batalhar
Dizem “lutar pela paz”
Mas que é isso?

— Será que eu podia… Podia me despedir dele, professor? — perguntou Hagrid.

Ele curvou a enorme cabeça descabelada para Harry e lhe deu o que deve ter sido um beijo muito áspero e peludo. Depois, sem aviso, Hagrid soltou um uivo como o de um cachorro ferido.

— Psiu! — sibilou a Professora Minerva — Você vai acordar os trouxas!

— Desculpe — soluçou Hagrid, puxando um enorme lenço sujo e escondendo a cara nele. — Mas na… Nã… Não consigo suportar, Lílian e Tiago mortos, e o coitadinho do Harry ter de viver com os trouxas…

— É, é muito triste, mas controle-se, Hagrid, ou vão nos descobrir — sussurrou a professora, dando uma palmadinha desajeita no braço de Hagrid enquanto Dumbledore saltava a mureta de pedra e se dirigia à porta da frente. Depositou Harry devagarinho no batente, tirou uma carta da capa, meteu-a entre os cobertores do menino e em seguida, voltou para a companhia dos dois. Durante um minuto inteiro os três ficaram parados olhando para o embrulhinho, os ombros de Hagrid sacudiram, os olhos da Professora Minerva piscaram loucamente e a luz cintilante que sempre brilhava nos olhos de Dumbledore parecia ter-se extinguido.

— Bem — disse Dumbledore finalmente — acabou-se. Não temos mais nada a fazer aqui já podemos nos reunir aos outros para comemorar.

— É — disse Hagrid com a voz muito abafada. — Vou devolver a moto de Sirius. Boa noite, Professora Minerva, Professor Dumbledore…

Enxugando os olhos na manga da jaqueta, Hagrid montou na moto e acionou o motor com um pontapé, com um rugido ela levantou vôo e desapareceu na noite.

Não diga guerra
Vida é uma guerra
Olhos da guerra
Só eu vi como isso realmente é

— Boa sorte, Harry — murmurou ele. Girou nos calcanhares e, com um movimento da capa, desapareceu.

Essa dor é tudo o que vejo, sinais chamam por mim, não consigo entender
Apenas segure minha mão e não solte
Essa vida é tudo o que vejo, a morte me procura, não vou desistir
Até minha maldição sumir

Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da Rua dos Alfeneiros, silenciosas e quietas sob o negror do céu, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado, mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do primo Duda. Ele não podia saber que neste mesmo instante, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas.

— À Harry Potter, o menino que sobreviveu.
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