Notícia Para Big N, Brasil Poderia Liderar América Latina, no mundo dos games.


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Para Reggie Fils-Aime, presidente da Nintendo of America, o Brasil poderia ser hoje o maior mercado de games da América Latina, posição atualmente ocupada pelo México. A declaração foi feita em entrevista ao UOL durante a NEX 2008 (Nintendo Experience 2008), evento que a companhia promove nos dias 13 e 14 de agosto no Panamá.

A culpa pela atual "defasagem" é de uma velha conhecida: a alta carga tributária, que pode incidir em até 257% sobre os consoles comercializados no Brasil, quase inviabilizando o negócio. O executivo admitiu conversas com o Governo para mudar o quadro, mas disse que até agora progresso nenhum foi feito.

Atualmente os produtos da Nintendo são distribuídos no Brasil pela importadora Latamel e, para se ter uma idéia, o Wii sai, em média, por R$ 1.999 - nos Estados Unidos, o videogame custa US$ 249.

Na NEX 2008, evento particular da Nintendo voltado a jornalistas, revendas e parceiros da companhia na América Latina, Reggie Fils-Aime ainda falou ao UOL sobre a qualidade dos jogos terceirizados, a vontade de recolocar a E3 em sua velha forma, dentre outros assuntos. Confira alguns trechos da entrevista:

Brasil é um potencial desperdiçado?

Reggie Fils-Aime: "Em nossa visão, o mercado brasileiro poderia se tornar nosso maior negócio na América Latina. Achamos que o país tem potencial para isso, pela população, pela estabilidade fiscal e adoraríamos que isso fosse verdade, mas não chegamos lá ainda. Graças à estrutura tributária, que transforma um produto viável em qualquer lugar do mundo em algo muito caro, nosso negócio é muito pequeno no Brasil. Para o futuro, queremos fazer o melhor que pudermos no atual cenário, então vamos continuar lançando produtos e promovendo eventos, mas achamos fundamental uma mudança".

O governo brasileiro irá reduzir os impostos?

Reggie Fils-Aime: "Estamos discutindo com alguns membros do governo brasileiro mudanças nos impostos e, obviamente, ainda não funcionou. Vamos continuar com tais esforços e parte do que estamos compartilhando é, primeiro, que o mercado de videogames é enorme e vibrante, (...) e, em segundo lugar, que é algo que pode gerar emprego para milhares de pessoas, mas enquanto os impostos não mudarem isso não vai acontecer".

A "velha E3" pode voltar?

Reggie Fils-Aime: "Continuamos participando da E3, mas eventos como a NEX são muito importantes para transmitir nossa mensagem aos revendedores e aos consumidores locais sobre os nossos produtos para o final do ano. Em termos de futuro, a Nintendo adoraria ver uma grande e vibrante E3, e está muito claro que parte da mídia ficou desapontada com a feira este ano. Como membro da ESA [Entertainment Software Association, associação que reúne produtoras de games nos Estados Unidos], vamos trabalhar para tentar criar um evento muito melhor".

O que falta para os parceiros produzirem jogos com a qualidades dos da Nintendo?

Reggie Fils-Aime: "Companhias como Ubisoft e Activision começaram a apoiar o Wii desde muito cedo, mas companhias como a Electronic Arts admitiram que 'se atrasaram'. (...) Estas estão correndo atrás do prejuízo, mas nessa indústria leva meses, anos, para criar grandes games. Logo, para estas companhias seus melhores trabalhos não vão aparecer antes do final do ano ou depois. (...) Certamente faltou investimento por parte destas empresas na ocasião do lançamento; não colocaram as melhores equipes para trabalhar na plataforma".

A Nintendo acredita que sensor de movimento se tornará padrão?

Reggie Fils-Aime: "Se nossos concorrentes vão lançar um sensor de movimentos ou algo assim, cabe a eles decidir. O que podemos dizer é que se esta investida for algo como uma simples expansão, não há muito com que nos preocuparmos. A estratégia está funcionando com a Nintendo porque estamos comprometidos com ela e usando-a para trazer os games de volta às massas e permitindo a todos gostar de videogame".

O jornalista Théo Azevedo viajou a Cidade do Panamá a convite da Nintendo.


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