Notícia Terceirizadas estão abandonando o PSP, diz site


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O site Edge publicou um artigo alertando para a diminuição do apoio das produtoras terceirizadas ao PSP, o portátil da Sony que se aproxima de seu quarto ano de vida. Baseado em números do NPD Group e nas listas de lançamentos publicadas, a matéria concluiu que apesar da base de usuários da plataforma aumentar gradativamente ano-a-ano, como se vê normalmente em um sistema, o número de lançamentos, incluindo de exclusividades, vem diminuindo cada vez mais.

As dúvidas com relação ao desempenho do PSP surgiram quando Shuhei Yoshida, presidente da Sony Worldwide Studios, chamou a atenção das produtoras terceirizadas pelo seu decepcionante apoio ao PSP, dizendo que a falta de atitude delas nada mais era que uma "oportunidade perdida". "Eles deveriam observar o que o PSP pode fazer por seus títulos e o potencial para os negócios que suas propriedades intelectuais possuem", disse ele na ocasião.

Nesse caso, o PSP anda mesmo tão mal assim? As vendas do portátil nunca estiveram tão boas. Desde o lançamento do sistema nos Estados Unidos (em 24 de março de 2005) até o final de 2006, cerca de 6,65 milhões de unidades foram vendidas por lá, segundo dados levantados pelo NPD Group. Em 2007 foram mais 3,82 milhões, indicando um crescimento anual para a plataforma que em 2008 vendeu mais 1,8 milhão até agosto. Ainda resta o período natalino para ser contabilizado, mas o desempenho do portátil este ano já está maior que no mesmo período de 2007 quando 1,6 milhão de unidades foram vendidas. Isso mostra que, em termos de hardware, o sistema vai muito bem e mostra o comportamento de uma plataforma "sadia".

Jogos em baixa

Mas quando o assunto é software, os números começam a mudar. Em 2005, ano de seu lançamento, a plataforma recebeu 72 títulos, número que dobrou em 2006 quando o acervo ganhou 153 novos jogos. Em 2007, porém, houve uma queda de 17%, com 127 lançamentos naquele ano. Isso por si só já era ruim, mas em 2008, somando-se tudo que já foi revelado até agora - porém não contando possíveis lançamentos ainda não confirmados para 2008 (como jogos lançados por download na PlayStation Store) - o número não passa de 76. Comparando os dados de apenas um mês - março, por exemplo - vê-se que os números realmente aumentarem de 2005 para 2006 (17 para 23 lançamentos), mas caíram em 2007 (14) até chegar a apenas nove jogos novos em 2008, delineando uma perigosa tendência.

O artigo também destaca a quantidade de jogos exclusivos que a plataforma vem recebendo, um número que, em percentual, vem caindo anualmente. Em 2005, 41,67% dos jogos de PSP eram exclusivos, ou seja, não eram conversões de jogos existentes em outras plataformas. Em 2006, o número caiu para 37,25%, enquanto que em 2007, 35,43% dos lançamentos eram exclusividades. Em 2008, até agora, do que já foi lançado, apenas 26,32% são franquias únicas da plataforma. Esses números, cita o site, provam que as distribuidoras simplesmente não acham que a base de usuários presente seja suficiente para justificar o investimento exclusivo na plataforma.

Se as produtoras independentes andam perdendo fé no PSP, a Sony vem, ao menos, fazendo o seu papel. Embora os números pudessem ser mais otimistas, principalmente em 2007, a companhia vem se esforçando para trazer títulos novos para sua própria plataforma. Em 2005, a Sony Computer Entertainment of America e a Sony Online Entertainment lançaram 18 jogos para o PSP em seu ano de estréia, e em 2006 as duas publicaram 16 novos jogos. Em 2007, o suporte caiu para menos da metade: apenas sete jogos, algo até esperado visto que este foi o ano da chegada do PlayStation 3 e a Sony certamente centralizou a mão-de-obra de seus estúdios no console. Em 2008, o suporte voltou a crescer com 13 títulos lançados ou em produção para o portátil.

A companhia definitivamente não abandonou a plataforma, e com nomes importantes sendo levados ao portátil - "God of War: Chains of Olympus" e "Resistance: Retribution", por exemplo - ela tenta mostrar às distribuidoras que a plataforma é também um lugar propício para as grandes franquias. No entanto, parece que, em princípio, as produtoras independentes vêm investindo cada vez menos no desenvolvimento para o PSP, visto que as vendas de jogos para o sistema aparentemente vem caindo cada vez mais.

'Killer app'

O artigo toma como exemplo a série "Grand Theft Auto". Se nos consoles, as vendas de cada nova versão foram sempre maiores que à versão anterior ("San Andreas" superou "Vice City" que superou "Grand Theft Auto III"), no PSP as coisas foram diferentes. "Grand Theft Auto: Liberty City Stories" é, até agora, o jogo mais vendido nos Estados Unidos para o PSP com 1,7 milhão - levando em conta os que foram lançados sem "bundle". Porém, sua seqüência, "Vice City Stories", mesmo tendo seu preço reduzido pouco depois de seu lançamento e antes do Natal, só conseguiu chegar a 700 mil unidades, 60% menos que seu antecessor. De fato, se uma franquia de peso como "Grand Theft Auto" não foi capaz de manter um impulso nesse mercado, como são as coisas para os outros jogos? A franquia "Monster Hunter" vende muito bem no Japão - a edição "2nd G" é o campeão histórico de vendas por lá, com mais de 2,3 milhões de cópias - , mas é uma raríssima exceção no portfólio do PSP.

No final das contas, resta uma dúvida no ar: "por que as vendas de jogos para PSP despencaram, especialmente quando as vendas de hardware não?". Pode existir uma série de razões, e possivelmente a resposta não seja apenas uma ou duas, mas algumas respostas são freqüentemente mais citadas que outras como a fácil proliferação da pirataria no portátil. O artigo conclui com um alerta: "Sem um 'killer app' [jogo capaz de justificar a compra de uma plataforma] em vista para o Ocidente do cacife da série 'Monster Hunter', o PSP pode ser perder sua competitividade no mercado, e se tornar uma peça de hardware atraente que as pessoas compram e nunca usam".


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