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Alekz
Le petit Hibou - O Mago
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Alquimia


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Alquimia

"Um é tudo e tudo é um." - Izumi (Full Metal Alchemist)

A transmutação de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida são na realidade coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida.


Serpente Alquímica, Cruz de Flamel


A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos até começarmos a perceber que nada sabemos, então comecemos pois que o prêmio para os que conseguirem é o mais alto de todos. Vale lembrar também que a psicologia moderna também incorporou muito da simbologia da alquimia, e Carl Jung reexaminou a simbologia alquímica procurando mostrar o significado oculto destes símbolos e sua importância como um caminho transcendental.

"Não existe tudo dentro de uma coisa. Mas, se todas as pequenas existências se unirem... O Tudo pode existir." - Edward Elric (FMA)

Preludio ao Universo

Ao olhar para o céu me deparei com muitas estrelas, imaginei como seria alcança-las, mas hoje sabemos mais do que os nossos antepassados que comumente pensavam em se tratar de algo "divino" ou uma abóbada, e que a própria Terra talvez fosse de terras sem fim. Hoje em saber que átomos formam nosso próprio corpo, nosso planeta, e um pouco do universo; e que nossa constituição está se passando por imensa trocas e movimentos, a vida ainda é um mistério. Por isso dentro de cada um de nós há um pequeno universo, uma representação que hoje consideramos que veio de um todo que foi formado a partir do "pó das estrelas". Ainda que morremos, se não desvendamos o mistério da existência, pelo menos nossas partículas continuam em sua trajetória de transformação e perpetuação, e quem sabe que da mesma matéria pode se guardar algum resquício de memória?

"O tudo é o mundo, o um sou eu." - Edward/Alphonse Elric (FMA)


Afinal, o que é Alquimia?

Diz-se que da palavra Al-Khemia (Khemi era o nome do Egito antigo na língua nativa, e Al-Khemia significaria “a egípcia”) deriva o nome da Química moderna, e é fácil ver a relação entre os laboratórios dos alquimistas e os laboratórios químicos modernos, com fornos, retortas e tubos. Vários estudiosos, filósofos, escritores e cientistas de renome estudaram Alquimia, mas pouco se sabe das experiências que teriam realizado devido ao grande segredo em que eram mantidos os experimentos e escritos.


O Alquimista

O ideal alquimista não constitui a descoberta de novos fenômenos, ao contrário do que procura cada vez mais intensamente a ciência moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda é inacessível e inexplicado para a maioria. Ela não é constituída somente de um caminho material, como por exemplo a transmutação de qualquer metal em ouro. Antes de tudo a alquimia é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo.

O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observação, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto físico nos mínimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contato total com o universo, enquanto que para todos nós este contato é apenas superficial. Na realização da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobiça e a avidez. Descobre que o ouro material não tem grande valor quando comparado ao ouro interno.



O alquimista é o estudante assíduo da alquimia, aquele que busca o caminho para a iluminação. O soprador é um mercenário que só se interessa pelo ouro que ele poderá produzir, e o Adepto é o alquimista que realizou a Grande Obra (Magnum Opus, ou Summum Bonum), ou seja um iluminado. O ouro é simbolicamente considerado o mais perfeito dos metais, pois dificilmente se oxida, e não perde o brilho. Portanto, a transmutação é considerada um processo natural, conquanto esta seja simbólica. Entretanto, tal tipo de conhecimento ficou sendo cobiçado, não pelos alquimistas, mas pelos não iniciados, os sopradores como eram chamados. Ignorantes, eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc. Esta pedra filosofal não se constituía necessariamente de um objeto, mas uma crença que a considerava uma energia que podia ser adquirida e controlada.

Com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas várias etapas da transformação, vai gradativamente transformando a própria consciência. Antes da busca do ouro metal, o alquimista deverá encontrar o ouro dentro de si. Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar uma tal pureza primordial.


“Ora, lege, lege, relege, labora et invenier.”


Conceitos Básicos: os quatro elementos e os três princípios

Como em qualquer área de conhecimento, a alquimia possuía uma linguagem própria. Para tentar transmitir conhecimentos que não haviam palavras específicas para expressar eles utilizaram termos conhecidos, que transmitia uma ideia rudimentar de algum evento. Assim utilizavam os termos Água, Terra, Ar e Fogo para explicar os quatro elementos, correlacionando-os respectivamente com o estados líquido, sólido, gasoso e a energia. O fogo simbolizava todos os tipos de energia, inclusive a energia imaterial dos corpos, o "éter", ou estado "etéreo". O conceito de estado gasoso não ficou conhecido pelo ocidente até o século XVIII com as pesquisas de Lavoisier. Isto demonstra o quanto os Alquimistas estavam adiantados em relação aos sábios de seu tempo.

Terra - solidez que estabiliza a matéria, suporte para o líquido

Água - penetrante, dissolvente e nutritiva

Ar - gasoso, expansivo, volátil

Fogo - energia que acelera o processo, aquece, ilumina

A Quintessência - Éter - equilibra e penetra nos corpos, é a força viva. (E o amor?)




Enxofre - princípio fixo - representa as propriedades ativas - combustibilidade, a ação corrosiva, o poder de atacar os metais, e também o princípio ativo ou masculino, o movimento, a forma, o quente. É considerado o embrião da pedra e alimentado pelo mercúrio, pois está contido em seu ventre. Também é considerado a energia animadora e constitui o objetivo da Grande Obra.

Mercúrio - princípio volátil - representava as propriedades passivas - maleabilidade, brilho, fusibilidade, a fraca tensão de vapor, o escorregadio que toma várias formas e o fugidio. Além de designar a matéria, designa também outros aspectos como: o princípio passivo ou feminino, o inerte, o frio.

Estes dois princípios possuem as propriedades contrárias e a mistura de propriedades contrárias é muito importante na alquimia, ou seja, o dualismo enxofre-mercúrio de todas as coisas. O mercúrio também é chamado de sal dos metais. Na realidade o mercúrio no final da obra adquire a tríplice qualidade.

Sal - também conhecido por arsênico - é o meio de união entre as propriedades do Mercúrio e as do Enxofre, como uma força de interação, muitas vezes associado a energia vital, que une a alma ao corpo. No ser humano, o enxofre seria o corpo físico; o mercúrio, a alma e o sal, o espírito mediador.





A unidade da matéria e do universo

O mundo é como um grande organismo (macrocosmo), enquanto que o homem é um pequeno mundo (microcosmo), esta é uma das interpretações da frase: “O que está em cima é como o que está em baixo”. O próprio laboratório do alquimista é um microcosmo.

Toda matéria (por matéria fica entendido tudo que existe no universo, até mesmo a energia pode estar revestida pela matéria) é constituída de uma mesma unidade comum a todas as substâncias. A partir desta “semente” pode-se produzir infinitas combinações e infinitas substâncias. O símbolo alquímico do ouroboros, que é a figura de uma serpente mordendo a própria calda formando um círculo, representa estas constantes transformações em que nada desaparece nem é criado, tudo é transformado como o princípio da conservação de energia, ou primeira lei da termodinâmica, postulado muito tempo depois.

Portanto, esta unidade da matéria é única e a mesma para todas as coisas, podendo combinar-se produzindo uma variedade infinita de substâncias e energias. Matéria e energia provém de uma mesma entidade. Einstein unificou a interconversão entre matéria e energia, na equação E=m.c² (E = energia liberada; m = matéria transformada e c = velocidade da luz).



Os alquimistas procuram reduzir a matéria à unidade comum, que não são os átomos, para assim poderem reestruturá-la, tornando possível a transmutação. Esta unidade da matéria constitui tudo que existe, desde os átomos que se combinam para formar as moléculas e estas irão formar outras substâncias mais complexas, os organismos até os planetas que formam os sistemas e galáxias. Portanto, todas as coisas possuem a mesma unidade fundamental, este é o postulado fundamental da alquimia "Omnia in unum" (Tudo em Um).


O mundo celeste e o terreno

Tudo o que existe material ou transcendental constitui uma única unidade. O divino é expresso como sendo “o círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma”.

O Dualismo

A energia original é criada pela junção dos princípios masculino e feminino (sol e lua). Muitos alquimistas constituem casais na busca do Magnum Opus, porém para que ocorra uma perfeita união alquímica este casal, ou seja, estas duas metades devem ser complementares formando um único ser (como a figura alquímica do andrógino).

O Cosmo

O cosmo é visto como um ser vivo sendo que suas constituições são animadas e com certo propósito definido. As estrelas exalam um campo de energia que pode ser sentido e utilizado pelo homem, assim como obter as transformações.

A Vida

Existe uma crença na alquimia da criação artificial de um ser humano, o homúnculo ou Golem, porém estes relatos de alguns alquimistas célebres poderia referir-se de forma figurada ao processo de fabricação da pedra filosofal, onde o homúnculo representaria a matéria prima para a fabricação da pedra ou então uma fase da iniciação em que o homem ressurge após a morte do outro já degradado.

Na concepção alquímica tudo o que existe é vivo, até mesmo os minerais. Os metais vivem, crescem, reproduzem-se e evoluem. Portanto qualquer metáfora sobre seres vivos podem estar referindo-se também ao reino mineral. Talvez a busca de tecnologias demonstre um desejo de um dia podermos criar máquinas como a vida constituída naturalmente, por que não?

O Amor

Todo o conhecimento alquímico está alicerçado no amor e a união pelo amor está sempre presente em qualquer obra alquímica representando uma energia que une dois princípios ou dois materiais, tornado-os um só. De forma figurada é descrita como o casamento do Sol e da Lua, do enxofre e do mercúrio, do Rei e da Rainha, do Céu e da Terra ou do irmão e da irmã, por terem vindo da mesma raiz ou mesma substância.


Muitos dizem que já amou, entretanto muitas vezes nunca deixou de ser narcisismo...

"Eu sou o que você chama de Mundo, ou então Deus, ou então Tudo, ou então o Único, Eu também, e sou Você". - Verdade (criatura branca que guarda o portão) para o Homúnculo (FMA)



Saber definir alquimia é uma tarefa e tanta, pois a vida é o nosso laboratório, e justamente naqueles momentos quando deslumbramos as estrelas, temos um dos momentos de um olhar alquímico. Ao beber um pouco dessa fonte, nos questionamos mais, curiosos somos de nós mesmo, e ainda sabemos pouco do nosso redor. A imagem acima de FMA (no futuro abordarei mais) recorre a árvore da vida, simbolicamente de vários significados, desde descrições bíblicas até mesmo em sonhos. E Jung já citava que: "A alquimia representa a projeção em laboratório de um drama ao mesmo tempo cósmico e psicológico." - Então, isso trás novas perspectivas e amplia visão de mundo, e assim talvez possa reler tudo que outrora você teve contato. Para fazer uma síntese do que foi posto aqui, talvez essa música do Bruce Dickson nos remete nessa reflexão.




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